30 de setembro de 2008

Fotos do Parto

Uma das coisas que eu mais acho bacana no parto livre são as fotografias.

Durante meu ultimo parto eu queria ter contrato um fotografo para me acompanhar aqui no Japão, mas não foi possivel.

Meu parto foi muito rápido e o marido foi quem fez algumas fotos amadoras.


Mas para que fazer fotos do parto? Lembrar dos momentos de dor? Quanto masoquismo?!!!
huahuahuahua

Eu, como defensora do parto consciente e ativo, acredito que o TP é um rito, como: o casamento, o batizado de um bebê, a celebração do Natal, etc...

Vejo as fotos do Meu momento e lembro só das coisas boas: as musicas que ouvi, as palavras amorosas do meu marido, os pensamentos de medo e de prazer tambem, as piadas, o choro, o riso... Tudo me faz recordar levemente a delicia do momento do parto... Só quem teve um parto respeitoso pra entender...

Tem uma agencia de fotografia no Brasil que é especialista em fotos de parto e eles estão montando um livro com fotos de parto Humanizado.

Vale a pena clicar para ver alguns dos trabalhos que eles já realizaram.

Partos lindos de se ver!

O nome é Agencia Fotogarrafa

Agora é preciso conseguir profissionais desse "calibre" aqui no Japão!

Vocês tem alguém ai para indicar?

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27 de setembro de 2008

Crianças que choram demais...

O texto abaixo é de uma materna, lista da qual eu ja participo há cinco anos e onde aprendi e aprendo muita coisa sobre a maternidade, principalmente a me questionar.
Eu gostei muito, porque fala de uma realidade pela qual a maioria das mães passa.
Eu passei um pouco com minha primeira filha, e quando desencanei a coisa deslanchou.

Com o segundo filho foi um stress total, terrível mesmo, eu me sentia a pior mãe do mundo!
Foi quando aconteceu minha segunda cesarea, e eu me frustei demais...= (
No terceiro e quarto filhos, onde me realizei no parto, eu não tive problemas, a não ser os rotineiros, e tudo se normalizou.
O texto é longo, mas vale a pena ler com certeza!
bjo
Ro Oshiro

Meu primeiro filho chorava demais. Chorava dia e noite. Era uma coisa desesperadora. O único jeito dele ficar calminho era no colo, com a boca no peito. Tirava e ele chorava. Dia e noite. Noite e dia. Eu dormia sentada com ele no peito. Eu deitada de lado, com ele no peito.

Me sentia esgotada. E cada vez mais irritada com tanto choro. O esgotamento emocional era absoluto.

Alguns vizinhos com quem eu tinha mais intimidade chegaram a sugerir se talvez ele não estivesse passando frio ou fome. Não, ele não estava. O filho da vizinha do apartamento debaixo comentou que meu filho chorava demais. E eu me sentia esgotada.

G. sempre foi assim, chorão, deu muito trabalho. Hoje já é infinitamente menos (aos 2 anos e 3 meses) conseguimos conversar bastante e ele está a cada dia mais tranquilo. Mas até chegarmos aqui ele acordava de 1h em 1h de madrugada (e demorava seus 20min para voltar a dormir), era mau humorado, de cara fechada. Na escola diziam que ele seria executivo, como o pai. Queriam dizer, carrancudinho, como o pai.

Meu segundo filho já foi uma criança bem tranquila. Chorava realmente para mamar ou quando algo não estava bem. Dormia de três a quatro horas seguidas durante a noite e sempre foi de sorriso franco e farto. No começo um come e dorme. Em seguida, um boa gente. Hoje ele tem um ano.

Há duas semanas este meu pequeno, o B., entrou em uma crise de choro desesperadora. Não era a primeira que ele tinha, mas não era algo normal. Ele realmente parecia estar com um problema. Como sempre, fiz a inspeção: assaduras, barriga estufada, ouvido... o que será que está acontecendo? Ele estava arredio, se jogando para traz e com um semblante de muita dor e sofrimento. Dor aguda, como uma dor de ouvido grave. Dei remédio para gases e analgésico, na esperança que ele ficasse bem. Depois de alguns minutos ele dormiu. Na manhã seguinte ele foi para a escola e quando o peguei no final da tarde perguntei pelo comportamento dele: normal. Ué, se ele estivesse com o ouvido ruim, teria ficado manhosinho na escola. Aquela não era a
primeira vez que eu o entregava choroso na escola e elas me diziam que ele tinha passado o dia super bem e alegre.

Naquela noite, quando chegou a hora do B. ir dormir, ele começou a chorar, chorar, chorar, ficar vermelho, gritar e eu entrei em parafuso.

Naquele momento algumas fichas (que já estavam pairando na minha cabeça) começaram a cair.

Meu avô morreu há duas semanas e apesar de eu entender que aquilo era esperado, emocionalmente isto me abalou. Eu andava triste, com um bolo na garganta. Pouco chorei, mas estava bem para baixo, não estava bem.

Deitei com o B. na cama, procurei me acalmar e comecei a conversar com ele, calma e carinhosamente: Filho, você está chorando não é por você, é pela mamãe. A dor que você está sentindo não é sua, é minha. Fique tranquilo, está tudo bem. A mamãe está triste mas vai passar... etc etc etc.

Comecei a explicar para ele o que estava acontecendo, expliquei porque eu estava triste, garanti que tudo iria ficar bem, que tudo iria passar e que ele podia dormir calmamente que estava tudo em ordem.

Inacreditavelmente em menos de cinco minutos meu filho passou do desespero para o sono calmo e profundo. Aquilo me arrepiou.

Ai eu comecei um retrospecto e tudo para mim começou a fazer sentido...

Pena que perdi tanto tempo e causei tanto sofrimento aos meus filhos...

Hoje acredito que mãe e filhos ficam ligados animicamente por muito tempo. E neste período de forte ligação, o estado de espírito da mãe é sentido e vivido pelo filho, como se fosse dele. A nossa alegria, paz, ou tristeza e dor é sentida e vivida por eles que ainda não sabem bem qual a diferença entre a mãe e eles mesmos. Nós somos o parâmetro dos nossos pequenos, o termômetro das alegrias e perigos do mundo.

E fazendo uma retrospectiva, tudo isso faz muito sentido.

A gravidez do G., exceto por ele, no mais foi uma droga! Muita tensão, briga, medo, incerteza, falta de dinheiro, insegurança sobre o dia de amanhã, uma reforma enlouquecedora, ameaças de morte por parte de um pedreiro que trabalhou na obra, infinitas idas à delegacia, problemas, problemas.

Depois de tudo isso tive um trabalho de parto doloridíssimo de 43h. Eu sentia dor quando nem havia dilatação ainda. E foi muito cansativo.

Quando eu estava achando que a brincadeira tinha acabado (Batman, quanta ingenuidade!!!) ela estava só começando: quatro dias para o leite descer (e meu filho chorando de fome), depois peito cheiíssimo e dolorido, pega que doía (ou eu que estava muito sensível) e um menino que não me deixava descansar, só chorava, me mordia, chupava sangue e chorava mais um pouco.

Isto tudo foi me deixando cada vez mais descompensada, com RAIVA do meu filho, exausta, arrependida até o último fio do cabelo do dia que eu quis ser mãe, etc etc. O que, obviamente, só agravava a situação.

As coisas engrenaram mais após um tempo, me acostumei um pouco com a alta demanda do G., o peito deixou de doer depois de uns 20 dias, mas acho que meu filho ficou marcado com a gravidez tumultuada e com o começo horroroso que ele teve.

Quando engravidei do segundo (seis meses após o nascimento do primeiro), apesar de tudo eu e meu marido já nos esforçavamos por manter uma relação mais em paz. Nossos valores tiveram que mudar um bocado neste período e o casamento já era outro. Longe de ser perfeito, mas já era outro.

Consegui ter uma gravidez mais tranquila, com menos trabalho, desencanei da grana, não fiz reforma alguma e curti muito. Por curtir entendam simplesmente deixar a barriga crescer, sem pressa nem ansiedade.

No último mês de gravidez meu marido se afastou do trabalho e passávamos os dias juntos, caminhando para ajudar o bebê a descer, dormindo a tarde e fazendo passeios com o G.

B. nasceu em um parto muito mais fácil (apenas 24h, eh eh eh), mas onde eu consegui controlar a dor sozinha por mais de 18h, precisando de ajuda apenas nas últimas seis horas.

Ele nasceu, o leite desceu em 12h, ele mamada de golfar um monte, mamava e dormia, dormia, dormia.

Olhando para trás posso ver que as cólicas, as dores, os "issos e os aquilos" nada mais eram do que reações de meu filho às minhas dores e tristezas.

Sendo assim, recomendo às mamães que antes de dar funchicórea, luftal ou outro remédio aos bebês procurem ficar em paz, conversar com ele, ser sincera, chorar se tiver vontade, evitar ambientes carregados ou que tragam sentimentos ruins, procurar dar uma volta e arejar porque seu estado interno, hoje tenho certeza, se reflete no bebê.

bjs carinhosos

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25 de setembro de 2008

AT HOME DAD

Eu vi essa série (japonesa) pela internet. He he he.
Foi muito divertida (acabou...). Tem várias dicas sobre comportamento e assuntos domésticos bem japonesas, mas legais.


O melhor é que a série quase acaba com a grávida falando que quer ter parto em casa.

Depois (no começo desse ano) teve um especial da série. E a moça teve o parto domiciliar com parteira. A parteira dá dicas de posições, de vantagens, de riscos. Achei bem legal e informativo.
Quem puder ver, veja.

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Doula no Japão

O que significa "doula"?

A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.


Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto.

O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.

O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas em um momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afetiva, e a doula se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.


O que a doula faz?

Antes do parto a ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Durante o parto a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..

Após o parto ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.


A doula e o pai ou acompanhante

A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.

Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.


O que a doula não faz?

A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.


Vantagens

As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:

diminuir em 50% as taxas de cesárea
diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
diminuir em 60% os pedidos de anestesia
diminuir em 40% o uso da oxitocina
diminuir em 40% o uso de forceps.


Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

Para ter o acompanhamento de uma doula aqui no Japão, basta deixar seu comentário com seu endereço de e-mail que entraremos em contato.

Texto original aqui

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24 de setembro de 2008

Sobre o leite em pó, na China e em outros lugares

Vocês viram o caso do leite em pó na China?
Vários óbitos, vários internados, tudo por uma substância (melamina) que colocaram no leite pra ele parecer cheio de proteínas dos testes.

Absurdo, né? Eu concordo.

A amamentação salva! E não é só na China, não.


Uma mamadeira feita com água não potável, higiene precária, leite de qualidade duvidosa, todas essas coisas também matam bebês pelo mundo afora. No Brasil, por que não? Causa diarréia, desnutrição, obesidade infantil, cáries, entre muitas outras coisas!
Fora que mamadeira de plástico libera bisfenol-A (uma substância cancerígena que causa vários outros problemas), precisa lavar, blá blá blá e é super anti-ecológica.

Amamentando, a gente nutre nossos filhos de amor e de tudo o que eles precisam.
E doando leite materno, a gente salva vidas e distribui amor, contribuindo para um mundo melhor.

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16 de setembro de 2008

Indução

Falando mais sobre as intervenções no parto, vou falar sobre a indução.

No Japão, como no Brasil, é comum o uso de ocitocina sintetica. Entrou em trabalho de parto, toma ocitocina. Sei que na América do Norte e na Europa, também se usa uma pomada (que é feita de misoprostol, assim como o Citotec), pra começarem as contrações. Também há o descolamento de membranas.


Em alguns casos, a indução pode ser uma ajuda legal, por exemplo, quando há uma parada de progressão longa E risco de infecção, sempre em doses mínimas. E parar assim que as coisas normalizarem. Mas é completamente dispensável na maioria dos partos. Coloca-se pra que o parto termine logo, na maioria das vezes.

O ruim é que a ocitocina artificial, colocada no famoso sorinho, causa contrações MUITO fortes, muito dolorosas. Muito mais do que as contrações causadas pela ocitocina natural. Aí que vira uma bola de neve: a mulher sente muita dor, não pode mudar de posição (por causa do soro e da monitoração cardíaca fetal que precisa acontecer), precisa de anestesia, que leva a uma diminuição nas contrações e mais dificuldade pra sentir e se movimentar, e acaba terminando em cesárea ou um parto normal com fórceps, com episio, com qualquer coisa.
Além disso, o bebê precisa de monitoração constante, porque as contrações ficam fortes demais e pode causar algum estresse no bebê.

Em mulheres com cesárea prévia, o uso precisa ser MUITO controlado, porque as contrações muito fortes podem causar uma ruptura uterina.

Pra começar um trabalho de parto que "nunca começa", usa-se o misoprosol em pomada ou comprimido. Mas há o descolamento de membrana, que é um método muito menos agressivo, mas que continua sendo indução e precisa ser usado com cautela.

O ideal é esperar que a mulher entre em trabalho de parto, que o trabalho de parto evolua naturalmente, que a placenta saia sozinha.
Infelizmente, nem sempre a gente consegue não aceitar essa "ajudinha".

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12 de setembro de 2008

Ser mãe...


Hoje quero compartilhar com vocês um texto que recebi e que gostei muito.

Um otimo final de semana a todas!

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?
'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas...'

Mas não foi nada disso que eu quis dizer.

Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos.

Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?'

Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar.

Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote.

Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua
disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina.

Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino num Fast Food se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver
seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados.

Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'

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EPISIOTOMIA? Não obrigada!

Episiotomia (ou pique, como é mais conhecida) é um corte realizado entre a vagina e o ânus, que TEORICAMENTE, serve para ajudar a mulher a não ter uma laceração e facilitar a passagem do bebê.

A episiotomia é hoje é um procedimento rotineiro, realizado em geral, sem o consentimento da mulher, e existem muitas discussões a respeito da sua eficácia e real necessidade.

Os médicos das maternidades aqui no Japão, aplicam este procedimento em todas as primigestas, salvo poucas exceções, e é isso que gostaria de expor neste post: Porque não questionamos e refletimos sobre a real necessidade de episio nos partos normais?

Quando não há episiotomia no Parto Normal, existe a possibilidade de acontecerem lacerações espontâneas de primeiro grau, lesão de pele e mucosa, que é de 40%, ou de segundo grau, lesão de músculos, que é de 16%.

Pode parecer coerente abrir um corte retinho pra evitar o rasgo enorme em ziguezague que certamente se daria, não é verdade?

Não. Se você tem 60% de chances de NÃO ter uma laceração nenhuma, e 84% de NÃO ter grau 2, vai deixar cortar pra que?

Você pode dizer: É mais esse é um risco que EU NÃO quero correr!

Claro, você tem todo direito, desde que isso seja uma OPÇÃO e não uma IMPOSIÇÃO para você.

A laceração acontece em tecidos menos inervados, mas é de cicatrização muito mais simples e menos dolorosa. Uma laceração espontânea é NADA perto de uma episiotomia.

A episiotomia não respeita vasos, não respeita feixes nervosos, não respeita nada, e precisa de 15 a 20 pontos para fechar. Ela é uma laceração gigante e INTENCIONAL...

A episiotomia pode ser um recurso necessário, mas é quase uma cesárea, um ato cirúrgico do qual se pode lançar mão quando a natureza não está ajudando.

Escolher a episiotomia só mesmo quando o parto chegou num ponto insustentável. E VOCÊ, só você vai saber se chegar nesse ponto.

Para mim episiotomia de rotina é lesão corporal!!!

Você tem opção, porque o corpo é seu. Converse com seu médico e quando fizer seu plano de parto diga-lhe:
- Doutor, aconteça o que acontecer, você só vai me cortar se o bebê estiver com estresse fetal ou se eu pedir, de resto, deixe lacerar.

Tenha certeza de que a recuperação será muito melhor...

Palavra de quem teve dois partos naturais em casa: sem pique, sem laceração e com uma ótima recuperação pós-parto.

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11 de setembro de 2008

Medos & Mitos

Muito provavelmente não existe assunto mais envolto em medos, tabus e mitos do que o tema “parto”.

Quem está ou já esteve grávida um dia sabe bem o que é ouvir da manicure, da vizinha ou de conhecidos próximos, histórias tenebrosas sobre bebês que morrem na barriga, dos bebês que ficam com paralisia cerebral por causa do parto, do líquido que seca, do cordão em volta do pescoço que sufoca o bebê e por aí vai.


A mensagem por detrás das linhas é o de que as mulheres de hoje são mesmo incapazes de parir seus filhos em segurança e que passar pelo parto normal é algo extremamente perigoso e antiquado. De fato, se fosse mesmo assim, nossos antepassados seriam todos paraplégicos, teriam cabeças tortas ou a espécie humana teria simplesmente se extinguido.

Pensando em proteger nossos ouvidos e nosso coração de tamanho “ataque” e fortalecer escolhas conscientes, vamos desvendar aqui alguns mitos que cercam o parto normal, tendo como norte as evidências científicas e algum conhecimento sobre fisiologia do parto.

Medo da dor - Muitas mulheres dizem que não conseguiriam passar por um parto normal por serem muito sensíveis à dor.

Na verdade não sabemos como é a dor do parto antes de passar por ela. Não sabemos como iremos reagir.

A dor do parto é sábia, vem em ondas dando um intervalo de descanso entre uma onda e outra, nos permitindo recuperar as forças.

A dor faz com que o organismo libere diversos hormônios fundamentais para este período, que irão interferir até mesmo na amamentação. Um destes hormônios é a endorfina, que é um analgésico natural. Nos sentimos como atletas no final de um grande jogo. Mesmo com dor, mesmo com contusões, seguimos adiante em busca da vitória e do grande prêmio que é ter o bebê nos braços no final da partida.

O processo da dor permite que nos descubramos cada vez mais fortes e capazes.

Quantas mulheres não se surpreendem com a força que têm depois de um parto!? E esta força nos garante muita confiança para cuidar de um recém-nascido. Vale a pena tentar e conhecer de perto as diversas técnicas de alivio de dor e desconforto como o uso da água, posições, massagens e até mesmo a anestesia na fase final do parto.

Cesárea é um procedimento indolor“Tenho muito medo da dor do parto, então já marquei a data da cesárea.”

Eis um grande mito. O corte da cesárea geralmente dói de forma contínua por algumas semanas ou até meses depois do parto. Bem quando precisamos estar inteiras para cuidar do bebê. Vale a pena lembrar que uma cesárea é uma cirurgia de grande porte, corta sete camadas de tecido, incluindo o músculo abdominal. No momento da cirurgia, estamos anestesiadas, mas geralmente sentindo todo o processo de abrir e mexer com o bebê e com o útero, sensação que pode ser bastante aflitiva para muitas mulheres.

Bacia estreita ou bebê grande demais
A idéia aqui é que a cabeça do bebê seria maior do que a bacia da mãe e não poderia passar pelo canal de parto. Esta desproporção pode até acontecer, mas em alguns casos raros. O fato é que é tecnicamente impossível saber se o bebê não vai passar antes que o trabalho de parto tenha começado e a dilatação esteja completa. Ou seja, só é possível diagnosticar um caso real de desproporção entre cabeça do bebê e pelve da mãe, no final do trabalho de parto. E, mesmo que se encaminhe para a cesárea, mãe e bebê tiveram muitos ganhos, do ponto de vista hormonal e psíquico, por terem passado pelo trabalho de parto.

Tecnicamente falta de dilatação não existe. Existem tempos diferentes para cada mulher dilatar. É muito comum ver mulheres chegando cedo demais no hospital, ainda em pródromos ou em um falso trabalho de parto.

Pode acontecer sim uma evolução difícil da dilatação, ou uma dilatação que estaciona em alguns cm e não vai para frente. Provavelmente alguma “interferência” do ponto de vista emocional ou até mesmo do ambiente externo (excesso de luzes e pessoas observando, ar condicionado forte, clima tenso) pode estar interferindo negativamente e caberia à assistência eliminar tais estímulos e ajudar a mulher a enfrentar seus medos e ir em frente.

Cordão umbilical enrolado“O cordão estava em volta do pescoço do bebê, se fosse parto normal ele iria se enforcar e morreria.”

Pra começo de conversa mais de 30% dos bebes nascem com circular de cordão e nascem de parto normal muito bem, obrigado.

O cordão umbilical é bem comprido e é preenchido de uma gelatina elástica e todo torcido, preparado justamente para não interromper o fluxo de sangue se for dobrado ou enrolado.

O bebê recebe oxigênio através do sangue que passa pelo cordão umbilical e não respira pelos pulmões justificando que iria sufocar, enforcado no cordão.

Pode acontecer alguns casos raros (bem raros mesmo) de haver um cordão umbilical curto demais, o que impediria a saída do bebê do útero se estivesse com circular. Isto seria detectado durante o trabalho de parto (pela escuta dos batimentos cardíacos do feto) e aí sim uma cesárea seria necessária e bem vinda.

Meu parto estava demorando muito e o médico fez a cesarea

A idéia aqui é que se um parto for muito demorado o bebê estaria correndo sério risco de vida.

Na verdade não existe um padrão de tempo pré-determinado para o parto acontecer. Cada mulher tem um tempo próprio para parir.

Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias. O que interessa é avaliar adequadamente se os sinais vitais do bebê e da mãe estão bem, o que se faz pela escuta dos batimentos fetais e da pressão e vitalidade da mãe. Enquanto estes sinais estiverem num padrão tranqüilizador, então o parto está no tempo certo

Parto normal “estraga” a mulher
A idéia aqui é de que a passagem do bebê pela vagina alargaria o canal de parto, deixando a mulher “alargada” e interferindo negativamente no prazer sexual do casal.

Eis um grande mito. O canal por onde passa o bebê é como um diafragma , a vagina e o períneo (musculatura que envolve a entrada da vagina e ânus) são grandes e fortes músculos e sendo assim, tem a capacidade de relaxar e contrair, voltando ao tamanho normal ou muito próximo ao normal depois do parto.

A vivência do parto e a percepção de que é possivel utilizar esta musculatura pode melhorar e muito a vivência sexual da mulher e de seu parceiro. A melhor forma de prevenção da frouxidão da vagina ou da bexiga é através de exercícios que podem ser feitos com o períneo.

Evitar o parto normal ou submeter-se a episiotomia - corte cirúrgico feito na vulva e vagina para acelerar o parto – para evitar de ficar “ alargada” é um grande mito cultural hoje impregnado em nossa sociedade e que vem sendo lentamente revisto pela literatura científica.

Mais mitos e medos ainda povoam a idéia de parto na nossa cultura atual. Falar sobre todos daria certamente um extenso livro. Mas vale aqui lembrar que o gênero humano teve mais de 2 milhões de anos para aperfeiçoar a fisiologia da gestação e do parto. Se herdamos defeitos, herdamos também soluções adaptativas.

Talvez jogar luz do conhecimento sobre mitos e medos culturais da nossa atualidade seja um caminho necessário para os dias atuais. Para saber mais sobre exercícios para o assoalho pélvico e episiotomia veja em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela/


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8 de setembro de 2008

Complementar com leite em pó: sim ou não?

Aqui no Japão eu percebi que a amamentação é uma escolha pessoal, pelo menos aqui onde moro.

Sei que os medicos incentivam o aleitamento materno, mas a opção é da mãe. Se a mãe opta pelo leite em pó, tudo bem, ninguém explica os porques, ninguem fala nada a respeito.

O mais comum aqui é a mãe dar o peito e complementar, e quando o bebe chega aos 6 meses, a mãe para de dar o peito porque já não tem mais leite.


Queria esclarecer alguns pontos:

- TODA MÃE TEM LEITE, exceto raras exceções. Tudo o que vier contra essa afirmativa é mito.
- NÃO EXISTE LEITE FRACO, o primeiro leite é o colostro, que é o primeiro alimento que o bebe precisa tomar, depois de 48 horas vem o leite propriamente dito.
- CADA BEBE É UNICO, e tem suas particularidades, pode mamar muito, pode mamar pouco, uns choram mais, outros menos, a livre demanda é o melhor a fazer. Não se deve impor regras e horarios para um bebe que acaba de chegar ao mundo.
- A NATUREZA É PERFEITA, e a produção de leite materno só aumenta, se aumentar a demanda. Quanto mais você amamentar, mais leite vai ter, e vice-versa.

Em alguns encontros de mães aqui no Japão, seja na escola de minha filha, no hospital, em clinicas pediatricas, eu quase nunca vejo as japonesas amamentarem, e quando o fazem é de forma bastante reservada. Eu respeito, por creio que isso faz parte da cultura delas, mas não significa que nós precisamos fazer o mesmo.

Eu amamento em publico e ainda não fui recriminada por isso, minha filha vai fazer cinco meses.

No ultimo encontro de mães de bebes com 4 meses, quando cada bebe deveria estar com mais ou menos 7kg, minha bebe, a mais magrinha, pesava 6kg, cheia de saúde e quase engatinhando.

Os outros (quase 20 bebes) estavam na faixa dos 8kgs, alguns viravam, outros não, alguns com a pele cheia de alergias, outros resfriados. Todos mamavam leite em pó.

Isso não quer dizer nada?
Para mim quer. Eu não desejaria ver minha pequena bebe doente, e isso é que faz GRANDE diferença.

Voce pode perguntar: Seus filhos não ficam doentes?
Eles ficam doentes sim, mas as doenças graves (bronquite, diarreia e outras) só pegaram eles depois que desmamei.

Além do que, passamos por fases de reações de vacinas, sintomas pré dentição e periodos de crescimento de forma muito tranquila.

Minha experiencia de amamentação, depois de quatro filhos, me fez acreditar no poder do Leite Materno e eu não complementei com leite em pó. Aliás, mesmo depois de desmama-los em torno de 2 anos, eu nunca fui muito de dar leite, porque não acredito nessa necessidade.

Mas cada caso é um caso. Essa é a minha história, mas cada um tem a sua.

Qual é a sua historia?
Você complementa? Complementou? Porque?
Recebeu orientação médica para complementar? Porque?
Queremos conhecer sua experiência com a amamentação, deixe seu comentário.

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5 de setembro de 2008

Um relato de 1ª amamentação


Abaixo meu relato de amamentação de minha primeira filha, espero que ajude as mães de primeira viagem...

Em minha primeira gestação eu curti muito minha barriga e cada transformação pela qual meu corpo passou, e o que eu mais temia era não conseguir amamentar minha filha, por isso fui atrás de toda informação possível sobre amamentação.


Na época, eu tinha a assinatura de uma revista que trazia informações bastante claras da amamentação e davam várias dicas para a mãe conseguir amamentar mais prazerosamente. Sempre que chegava a revista eu procurava a parte de amamentação para ler.

Minha filha chegou em 18 de junho de 2002 às 18h15 através de uma cesárea, e teve que ficar no berçário 12 horas enquanto eu me recuperava da cirurgia.

Isso pra mim foi muito dificil, sofri muito por não estar com minha pequena no colo desde seu primeiro instante fora do meu ventre, tudo o que eu mais queria era colocá-la no meu seio para mamar.

Assim que chegou ao quarto, Sarah logo veio para meu peito e mamou muito!!!

Eu fiquei suuuuuper feliz, e aliviada, e chorei de emoção!

Logo na primeira semana em casa eu comecei a ficar com febre por causa de uma mastite horrivel que tive, e algumas pessoas próximas começaram a me dizer que a amamentação causava isso mesmo, que era difícil, que podia dar câncer no seio, que talvez fosse melhor dar mamadeira etc…

Eu mandei todo mundo “às favas” e passei a me trancar no quarto o dia inteiro deitada com minha filha a meu lado, e isso me ajudou muito.

Sim, eu chorei e sofri cada vez que minha filha pegava no peito e eu sentia aquela dor insuportável, mas nutrir minha pequena era a coisa mais importante pra mim naquele momento.

Eu NÃO usei pomadas e acho que foi melhor assim.

Deixei o peito ficar ferido e cicatrizar por si.

Na hora da mamada, eu colocava um pano quente no peito para o leite fluir melhor (tambem tirava com bombinha e usava o pano) e depois que ela esvaziava o peito, eu colocava gelo, porque sentia queimar, e o gelo aliviava bastante.

Depois da mastite veio a diminuição do leite, e eu tentava todas as receitas para aumentar o fluxo, porque minha filha chorava de hora em hora para mamar.

Comecei a ouvir a história do peito virar chupeta, dela ficar “mal-acostumada”, que tinha que dar água, tinha que dar chá e etc, mas não dei ouvidos.

Tentei beber coca-cola, chá de ervas, canjica, mingau, e mais um monte de coisas, mas senti que o leite só aumentou mesmo depois que eu relaxei e deixei rolar.

Mais uma vez precisei acreditar na minha escolha em primeiro lugar para que as coisas fluissem.

Passados 2 meses, a amamentação se estabeleceu e pude curtir com muito prazer cada momento com minha filha no peito, sempre na hora que ela quisesse, sem cobranças, sem horários, sem neuras…

O maior apoio de amamentação que recebi, foi a busca de informação correta, e que nesse caso foi dado pela revista, e que hoje em dia é muito dificil na mídia.

E outro apoio fundamental, foi do meu esposo, que me trazia água a toda hora, que me dava colo nos momentos de desespero e dor, e que não se importava nem um pouco com a bagunça na casa e as coisas por fazer, e muitas vezes ficava com a bebê para eu descansar.

Hoje, depois de quatro filhos, superadas as dificuldades do começo, creio que na amamentação tudo se supera com quatro coisas básicas:

1- Relaxar

2- Beber muita água

3- Acreditar no poder da natureza e na sua intuição materna

4- Ter um apoio verdadeiro a seu lado, seja ele qual for,

Rosana Oshiro, casada com Cleber, mãe da Sarah, do Rafael, do Gabriel e Ana.
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Para ler outros relatos clique aqui

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3 de setembro de 2008

Mais sobre a dor do parto

Vou falar sobre as dores, também, mas de um modo subjetivo, sobre as minhas experiências.

As contrações vêm em ondas. É incrível. A gente sente ela começando, bem fraquinhas. Daí ela fica forte, a barriga super dura. E logo começa a diminuir. E é bem assim. Isso em uma contração só.

E quando ela passa, é como se não tivesse nada. A gente não sente dor (não deve. Se sentir, tem alguma coisa errada, ok?) nenhuma.

Quando a gente entra na fase ativa de um trabalho de parto, aí é que o bicho pega. O intervalo fica pequeno demais pra gente se recuperar da dor, mesmo sabendo que está perto do fim, eu ficava com vontade de morrer. Huahauahuhaua. Era nessa hora em que eu começava a gritar que não queria mais, que queria ir pro hospital, que cesárea é o que há. Huahuhaua.

Eu não senti os puxos (as vontades de fazer força). Em nenhum dos dois partos. Eu empurrava porque queria que acabasse logo.

Uma coisa que era boa pra mim e pode (ou não) ser boa pra vocês também, é gritar. Eu tirava toda a força do resto do corpo e parecia que a contração ficava menos forte, que o útero se abria junto com a garganta. Pra quem sabe cantar, dizem que ajuda.

As contrações de expulsão da placenta também foram terríveis. Huahauhaua. Provavelmente porque eu ficava tão aliviada do bebê ter nascido que acabava doendo mais.

Mas, gente, não tenham MEDO da dor. É essa dor que traz seus filhos pros seus braços. É essa dor que vai ser o primeiro trabalho que você e seu filho vão fazer juntos. É essa dor que transforma a gente em mãe. Em mulher. Em leoa.

Dói. E dói de verdade!
Mas passa. Na hora, parece que nunca vai acabar. Mas acaba. E uns meses depois, a gente sente é saudades da dor. Especialmente se o parto tiver sido bom, transformador, respeitoso.

Vale, e muito, passar por essas ondas.

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2 de setembro de 2008

O primeiro Amamentar

Importantíssimo!
Cada coisa em seu tempo certo...
Maternidade vêm com uma gravidez seguida de amamentação:
Primeiro saiba mais sobre o mamar humano e depois sim sobre o desmame e a alimentação do bebê.


Poderíamos começar do início e dizer que os seios foram feito para amentação, que todo os seres mamíferos veio ao mundo para amamentar, que todos os animais (irracionais), criados para esta condição, o fazem sem mesmo tentar não querer e que somente os racionais raciocinam contra, mas não será preciso, uma vez que já é provado o quanto a "tecnologia" natural é mais perfeita e sem más conseqüências.

Para quem não conheçe ainda um estudo mais apronfundado sobre o colostro humano, saiba que este líquido aparentemente de cor fraca contém probióticos (lactobacilos) naturais e outros inúmeros benefícios.

Os probióticos são os eternos aliados do intestino, e você sabia que o intestino é o ponto de contato mais frágil entre o exterior e o interior do corpo.

E quem, alguma vez, não teve algum problema com o famoso intestino?
Será que fomos bem amamentados?

Toda mãe quer o melhor para seu filho, então amamente! Se esforçe!

Passe adiante uma humanidade saudável!

Ainda não foi possível criar industrialmente, para bebês, um alimento mais saudável e completo que o leite materno.
Toda criança até seus 6 merecidos meses de idade têm direito a uma alimentação mais que saudável para crescer firme e forte!

Grandes são os números de informadores sobre a amamentação e diversas são as causas para trazê-la a tona, mas pouco vou dizer agora, somente uma pequena introdução do grande fato amamentar; a primeira e mais saudável, alimentar o bebê até os 6 meses da forma mais saudável, e também quero destacar problemas que a sociedade não vê mas pode ser crucial para todos num futuro nada distante.

Bicos de plásticos e borrachas para ajudar a destruir o planeta, leite de vacas para ajudar a judiá-las e ainda colaborar com as más praticas nesta indústria maléfica e perigosa, sem contar a transformação para o pó e oferendo aos nossos filhos cada vez mais uma alimentação duvidosa.
Podemos deixar certas tecnologias para os robôs e vamos lembrar mais da natureza!

Não são somente anticorpos que o leite materno, principalmente o colostro (primeiro leite) possui. Existem diversos outros benefícios como diversos tipos de proteínas entre outros. E o que parece ser simples, comum e lógico ainda não é muito estimulado por mães de bebês nascidos em baixos níveis econômicos no Brasil e que causa uma das principais mortalidades e morbidades neste grupo, devido a doença Escherichia coli mais conhecida como E.Coli, responsável pela infecção e diarréias em bebês recém-nascidos.
Leite materno é a primeira vacina!

Vejam abaixo uma bela infografia sobre o assunto:



Até os 6 meses do bebê a mamãe pode descansar e simplesmente se cuidar para o bebê (principalmente no comer, alimentação),
há tempo de sobra para pesquisar o que virá depois!
OBS: Não existe leite fraco, somente as mães que não amamentam!

Este texto é total incentivo à amamentação única e exclusiva até os 6 primeiro meses do bebê.
O texto é um concluso de diversos textos e estudos, inclusive científicos e não uma mera opnião.

Concluindo: Existem ilimitados produtos produzidos industrialmente, que com certeza ajudam a humanidade, mas nada é mais certo e perfeito que a natureza da vida.
Estamos numa geração muito inovadora! Por isso nossos avós parecem mais saudáveis que nossos pais e nossos pais ainda tem concepções mais fortes que a nossa!

A Amamentação do bebê é um direito humano que ele ainda não pode exigir, é o dever da mãe atender!

A OMS recomenda a amamentação exclusiva até seis meses e só, é o ideal!

Diga não ao câncer de mama, amamente!

Em breve mais postagens detalhadas e depoimentos sobre a amamentação, aguardem!

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Como é a dor do parto?

Muitas mulheres, senão todas, logo que engravidam, ficam cheias de dúvidas sobre os sintomas da gestação, e sempre que possível, questionam seus médicos sobre essas dúvidas. A maioria dessas questões é sanada geralmente com as respostas de praxe.

Existem ainda as preocupações com: o enxoval, o nome da criança ou se vai ser menino ou menina.

Mas existe uma questão, que eu acredito que seja a que mais deixa as futuras mamães ansiosas e nervosas: COMO É A DOR DO PARTO?

Pensando aqui com "meus botões", tudo o que não se traduz em palavras, geralmente são coisas que só é possível experimentar pela experiência pessoal, como por exemplo: o amor e a fé em Deus. É assim que encaro a dor do parto: como uma experiência de vida intensa, transformadora e única!

Não posso dizer que parto não doa, porque dói sim, mas não é como uma dor de dente ou a dor no rim (que alguns dizem que é como a dor do parto...huahuahua) é uma dor de abertura do corpo, quando ossos, músculos, carne, sangue, hormônios, tudo trabalha perfeita e harmonicamente para a chegada de um ser humano no mundo. É a natureza humana!

Tenho aqui, alguns aspectos sobre a dor do parto, que considero importantes, e que acredito que sirvam para informar e tranqüilizar aquelas que vão se passar pela experiência do parto pela primeira vez.

CONTRAÇÕES
Muitas mulheres não sabem como é uma contração, sendo que todas tem contrações de Braxton Hicks durante toda a gestação.

A contração é aquele momento em que a barriga fica dura, muito dura, e dependendo da posição do bebe, pode-se sentir uma dorzinha incomodando. Basta colocar a mão na barriga que dá para sentir que ela está dura. Isso é contração.

Existe uma tabela com o número de Braxton Hicks que é normal a mulher sentir durante cada semana de gestação:

Contratilidade uterina durante a gravidez (Fescina e col., 1984): Número de contrações/Hora/Semana (o máximo ainda dentro da normalidade):

26 semanas: 1
27 semanas: 3
28 semanas: 5
29 semanas: 7
30-33 semanas: 8
34-38 semanas: 9

A contração do trabalho de parto vem acompanhada de dor nas costas (na lombar) ou no “pé da barriga”, isso depende da posição do bebê. Ela é como uma onda: começa com uma dorzinha fraca que vai ficando forte, alcança um pico e fica fraca de novo. Muitas vezes é como uma cólica que vem e vai...

A contratilidade uterina durante o parto tem duração de até 90 segundos, com uma freqüência de até 5 / 10 min e um intervalo intercontratural de até 1 minuto.

É importante lembrar que se forem respeitadas as vontades da mulher nesse momento, sua livre movimentação e ter consigo uma companhia que ela deseje, a sensação da dor é bastante amenizada, e geralmente a mulher tem uma contração forte e outra mais fraca, porque o corpo é "sábio" e vai intercalando conforme a necessidade.

Existem também uma série de formas de amenizar a dor com técnicas não-farmacológicas (chás, banhos, movimento, massagem, música, etc.) para a fase de dilatação.

Outro aspecto importante é que o conceito de dor é diferente para cada ser humano por isso não adianta se preocupar com a dor antes da hora, porque cada pessoa sente diferente.

FASES DO TRABALHO DE PARTO
É preciso saber que o trabalho de parto possui quatro fases distintas:
LATENTE, ATIVA, TRANSIÇÃO E EXPULSÃO.

FASE LATENTE: de 1 a 4 cm de dilatação.
É a fase em que a mulher começa a sentir as primeiras contrações, o momento em que o colo começa a se afinar e abrir (dilatação).

As contrações são espaçadas a cada 10 minutos, mais ou menos, e duram cerca de 30 segundos. (Deve-se começar a contar o inicio do TP quando ficar mais de uma hora nesse ritmo)

Pode ocorrer um pouquinho de sangramento genital ou sair um muco meio amarelado como catarro, que chamamos de tampão mucoso.

Algumas mulheres sentem vontade de ir ao banheiro a todo momento, outras sentem náuseas, outras nada sentem, isso varia muito de pessoa para pessoa.

A dor nesse momento é suave, concentrando-se na respiração e relaxando, é possível descansar um pouco para o próximo período, inclusive tirar alguns cochilos. (que farão muita diferença no fim do processo de parto)

Pode-se também utilizar chuveiro, banheira e bola de pilates para aliviar a dor das contrações, o que ajuda bastante!

É importante também, alimentar-se com coisas leves e que dêem energia, como um chocolate, por exemplo, e beber muuuuuuuita água!

FASE ATIVA: de 4 a 8 cm.
Nessa fase a mulher começa a sentir-se incomodada com as posições em que fica, já não consegue mais ficar parada por muito tempo, e é MUITO IMPORTANTE que se movimente para a dilatação ocorrer mais facilmente.

Existem uma série de posições e exercícios para ajudar nessa fase, vejam alguns exemplos de posições abaixo:



O mais importante é guiar-se pelo instinto e procurar as posições que mais lhe agradem, lembrando-se de beber muita água também nesse período.

As contrações ficam menos espaçadas, chegam a 3 em 3 minutos e com duração de 40 a 50 segundos.

Lembrando que esse é um processo de parto natural, ou seja, sem indução com ocitocina sintética.

FASE DE TRANSIÇÃO: 8 a 10cm.
Nessa fase é o momento em que as contrações ficam mais fortes e numa seqüência "frenética".

Geralmente, é o momento em que as mulheres pedem "arrego", dizem que não vão agüentar mais e tal.

Isso ocorre porque o organismo libera hormônios como a adrenalina, que fazem-na sentir medo, sono, tremedeira, (dentre outras coisas como defecar e urinar muitas vezes), tudo ao mesmo.

Esse período é muito curto, dura de 30 a 40 minutos e logo em seguida a mulher já estará na fase expulsiva.

FASE DE EXPULSÃO (EXPULVIVO): 10 cm de dilatação!

Geralmente as mulheres quando são informadas que estão com 10 cm sente-se vitoriosas. Isso é muito bom. Porém, saibam que o expulsivo pode demorar ainda algumas horas, se o processo natural for respeitado.

A dor nessa hora fica diferente, um pouco mais tranqüila às vezes, até que a mulher começa a sentir os puxos, que é a vontade de fazer força, como se fosse defecar, o que pode acontecer inclusive, pois é totalmente normal.

O puxo vem instintivamente, naturalmente, sem que seja necessário nenhum médico ou enfermeira ficar comandando-lhe para fazer ou até utilizando outros recursos ou manobras.

Infelizmente, em muitos casos, não é respeitado esse tempo do corpo da mulher e ela acaba sendo "comandada" a fazer força e passa por episiotomia desnecessária para adiantar o trabalho dos médicos, mas isso é assunto para outro post...

Quando vem a vontade de fazer força o processo fica mais tranqüilo e se a mulher for "deixada em paz", o expulsivo pode ser muito rápido.

Bem, para terminar é fundamental que para aceitar a dor, a mulher tenha a informação de que DÓI sim, muito além da imaginação. Mas se você está preparada pra ela, você a verá como a força das deusas. Uma aliada para trazer seu filho ao mundo!

Acredite que dói e que essa dor faz parte do processo, porque essa dor é o seu corpo trabalhando junto com o corpo do bebê, e que essa dor é necessária para você parir seu filho por uma questão evolutiva: caixas cranianas para conter cérebros pensantes grandes demais, para nossas bacias de bípedes. É só isso.

É completamente diferente da dor ignorante, da dor da religiosa que acredita estar pagando pelos pecados de Eva, da dor sofrimento das mães que "não querem isso para suas filhas" e lhes recomendam a maravilha moderna da cesárea.

Eu defendo a dor compreendida e compartilhada, defendo e vejo-a como a DOR DA VIDA E DA TRANSFORMAÇÃO!

A dor que eu defendo é a da mulher consciente de que quer parir seu filho, que acredita na própria fisiologia, que acredita poder ser bem sucedida. Essa convicção vai ajudar-lhe a compreender a função da dor e suportá-la, mesmo gemendo, gritando, urrando e no final regozijando-se e NASCENDO junto com seu filho como MÃE E UMA NOVA MULHER!

PS: Quer saber como é a sensação da dor? Leia o texto da Katia Barga: O parto normal e a montanha russa
PS2: Quer assistir um trabalho de parto e parto ao vivo pela internet para entender melhor o processo de parto? Siga-me em meu novo blog: "Empoderando"

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