26 de agosto de 2010

EUA ampliam indicações para parto normal

Abaixo uma matéria que saiu na folha de S.Paulo, agora me digam porque no Japão as coisas não podem mudar hã?

É preciso as vezes bater o pé, confiar no nosso corpo também e não só acreditar no que no médico diz.

Evidências são evidências, aceita cesariana desnecessária quem não tem coragem de assumir responsabilidade e quer deixar tudo na mão do médico, na minha opinião.

A Associação Americana de Ginecologia e Obstetrícia publicou nesta semana novas orientações para ampliar a prática do parto normal.
Para os autores, as mães podem ter seus filhos naturalmente mesmo que já tenham se submetido a até duas cesarianas. A recomendação anterior dizia que, após uma cesárea, os partos seguintes deveriam ser realizados da mesma forma.

Grávidas de gêmeos com cesárea anterior também podem dar à luz por via vaginal, segundo o texto, desde que os bebês estejam em posição favorável. Isso é pouco praticado nos EUA e no Brasil.

Com as recomendações oficiais, especialistas americanos pretendem reduzir o número de cesáreas realizadas no país, que chega a um terço dos partos.

Médicos evitam tentar parto normal após cesáreas por causa do receio de um rompimento do útero durante o trabalho de parto. Mas o risco de complicações é menor do que 1%, segundo o artigo da associação, publicado na edição de agosto da "Obstetrics and Gynecology".

Já as cesáreas repetidas podem causar problemas mais sérios. Os países que tiveram aumento muito grande no número de partos cirúrgicos, caso dos EUA e do Brasil, apresentam mais complicações como implantação baixa da placenta, em uma região mais fina do útero, que pode causar hemorragias na hora do parto.

No Brasil, a tentativa de parto normal é permitida quando a mulher passou por apenas uma cesariana. No caso de duas ou mais cicatrizes no útero (causadas por cesárea ou outra operação), indica-se uma nova cirurgia.

"Essa é a recomendação oficial do Ministério da Saúde e da federação. Mas a grande maioria das mães que tiveram o primeiro parto por cesárea terá o segundo da mesma forma", diz José Guilherme Cecatti, vice-presidente da comissão nacional de assistência ao parto e puerpério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Segundo Cecatti, somente hospitais públicos e universitários seguem essa orientação. "Em instituições particulares e conveniadas, o índice é zero."

Por aqui, não é recomendada a tentativa de parto normal após duas cesáreas por problemas de estrutura no sistema de saúde. "Nem todas as mulheres podem ter um acompanhamento detalhado na hora do parto."

Em 2008, 84,5% dos partos cobertos por planos de saúde foram cesarianos no Brasil. No SUS, as taxas chegaram a 31%. A Organização Mundial da Saúde considera aceitável uma taxa de até 15% de cesáreas em um país.

Na maioria dos casos, o parto cirúrgico foi realizado sem necessidade, por comodidade da mãe, que teme um parto doloroso, e do médico.

Continue lendo...

25 de agosto de 2010

Fimose: Você sabia?

Em quase todos os recém-nascidos o prepúcio recobre a glande e a ela está aderido, o que o torna irretrátil.

A impossibilidade de exteriorização da glande, devido a aderências ou à pequena abertura do meato, denomina-se fimose, considerada normal entre os recém-nascidos.

Em sua sabedoria, a natureza visa proteger a glande e o meato uretral externo das assaduras, infecções e traumatismos.

Ainda no primeiro ano de vida o prepúcio começa a se descolar da glande; aos 6 meses 75% dos meninos ainda têm o prepúcio aderente; com um ano, a metade; aos dois anos, 20% e, aos quatro, a separação torna-se completa na grande maioria, podendo permanecer, entretanto, pequenas aderências que não costumam exigir qualquer forma de tratamento.

Sendo a fimose entre os recém-nascidos um achado normal, as indicações para a circuncisão, ou seja, a retirada cirúrgica de parte do prepúcio, são muito restritas. A circuncisão é um procedimento antigo, de, pelo menos 6.000. De acordo com Heródoto, os egípcios foram os primeiros a praticá-la. Antigamente, era praticada por vários motivos, quase todos sem uma indicação médica, como marcar escravos, identificar tribos secretas, como parte de cêrimonias de iniciação da puberdade ou em obediência a ritos religiosos.
GARDNER, em seu livro “O Destino do Prepúcio”, confirma o fato de serem muito raras as indicações médicas. Mesmo assim, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, houve um tempo em que havia uma verdadeira perseguição ao prepúcio, atribuindo-se a ele a culpa por dificuldades na limpeza do pênis, infecções, câncer de pênis. Em alguns locais a operação tornou-se rotineira e todos os pais eram consultados sobre a circuncisão ou não no filho.

Como costuma acontecer, o exagero e o desrespeito à natureza tem um preço. As complicações da circuncisão, como a estenose do meato urinário, desvios do jato urinário, aderências fibrosas, hemorragias, septicemias, abscessos renais, passaram a ocorrer com mais freqüência, sendo responsabilizadas até pela morte de algumas crianças. Esse quadro fez mudar a conduta em inúmeras maternidades, que, hoje, permitem a operação somente com indicação médica justificada ou por motivos religiosos, caso dos judeus.

A circuncisão, em nossa opinião, estaria indicada quando o prepúcio impede a visualização do meato uretral, mesmo quando tracionado, obstruindo o jato urinário e consequentemente, ocasionando dificuldades miccionais, que podem ser a causa de infecções urinárias recorrentes. Outra indicação dar-se-ia quando das infecções recorrentes no pênis, devidas à retenção e infecção do esmegma, denominadas balanopositites. A dermatite amoniacal (assaduras), as balanopostites e as tentativas para dilatar a abertura do prepúcio utilizando-se "exercícios" que eram ensinados às mães até pouco tempo atrás, em vez de melhorarem a situação, acarretam um estreitamento maior do orifício prepucial-fimose secundária - e podem tornar obrigatória a circuncisão em crianças que poderiam ter o problema resolvido espontaneamente.

Não se deve confundir com fimose os casos de prepúcio grande, retrátil, em que se pode ver a glande com facilidade, e aqueles em que há um freio que prende uma pequena parte do prepúcio do pênis. Em resumo, a princípio, o melhor é não fazer nada e aguardar a natureza; nos raros casos em que ela não resolva espontaneamente ou surjam complicações, a circuncisão será indicada.

Algumas pessoas, entre as quais não me incluo, acham que essa cirurgia em recém-nascidos possa ser feita sem anestesia, "porque eles não sentem dor". Não é verdade. A verdade é que, imobilizados, não tem como reagir, a não ser urrar, o que sabem fazer muito bem.

Para quem duvida do papel protetor do prepúcio, aqui vai uma história, que eu testemunhei várias vezes. Marcelinho, dois anos, chegou no meu consultório com o prepúcio em frangalhos. Estava andando pela casa e viu uma gaveta semi-aberta em um móvel baixinho. Começou a brincar de abri-lá e fechá-la. De repente, seu "peru" foi olhar o que havia dentro. Marcelinho fechou a gaveta e quase o decepou. O prepúcio foi sacrificado, mas a masculinidade do Marcelinho foi salva.

Do Livro: "Você sabia? Erros comuns nos cuidados com as crianças", do Dr. Antonio Marcio Junqueira Lisboa

Continue lendo...