27 de janeiro de 2011

Tudo o que me importa de verdade está entre essas quatro paredes

Sim, têm dias que quero meu quarto de volta, apenas para mim e para o Emerson.
Quero uma cama de verdade, alta, com uma colcha bonita, criado mudo, abajur e todo o resto.
Quero um colchão que esteja mais em dia que o nosso, que está mofando pelo contato direto com o chão e não exala mal cheiro, mas já foi vomitado e presenteado com inúuuumeros xixis e cocôs vazados das fraldas.
Têm dias que queria não dormir com duas crianças que se mexem mais do que ponteiros de relógio. Mãos e pés que voam em nós no meio da noite.
Têm dias que quero não ter que sair do quarto para transar.
Mas têm muitos outros dias (como hoje) em que olho ao redor e me sinto TÃO BEM.
João, com 4 anos, dormindo abraçadinho em concha com o Emerson e Helena com 1a2m, de bruços, com o bundão de fralda virado para a lua, ao alcance do meu peito para mamar quando quiser e sem que eu nem precise acordar.
Se alguém se descobrir no meio da noite é só esticar a mão e cobrir.
Se ouvir um zumbido de pernilongo, acendo a luz e o caço antes que eles
carimbem meus filhotes.
Tá com sede? Aqui o copinho.
Tem alguém doente? Dorme encostado em mim, para que eu possa sentir na minha pele a evolução da febre.
Nós 4, fechados nesse quarto em que cabem apenas um colchão de casal
encostado e um de solteiro e onde dormimos sem lugar fixo, espalhados ou juntinhos, ao gosto dos pequenos.
Se fui muito dura durante o dia, à noite encho-os de beijos enquanto dormem.
E quando estou carente, pulo os caras e me enrolo no Emerson.
Até pouco antes da Helena nascer, João (que sabia que eu não ficava exatamente feliz ao ser acordada às 6h00 da manhã) me acordava com um "-Bom dia mamãe linda" que eu nunca vou esquecer.
Helenoca, até outro dia, enfiava o dedo no meu olho para que eu acordasse, mas agora já ensaia um "-Mamã!!!" super empolgado e feliz ao acordar ao meu lado. Além disso, quando ela acorda muito cedo eu a puxo pro peito e ganho mais uns 15, 30 minutos de sono que não tem preço.
O -"Tchau, já estou saindo, amor", cochichado todas as manhãs pelo Emerson, para não acordar as crianças.
Bonecos de super heróis, livros infantis, apostilas de estudo, óculos e
fraldas extras para possíveis vazamentos noturnos se espalham entre nós.
Vez ou outra, especialmente no inverno, ganhamos a companhia dos nossos dois gatos e daí somos 6 nesses dois colchões.
Seguros. Aconchegados.
Amor tem cheiro? Aqui em casa tem.
É o cheiro que sinto em nosso quarto, quando todo mundo já dormiu e eu estou sozinha aqui, pensando, sonhando acordada.
Tudo o que me importa de verdade está entre essas 4 paredes.
Até quando isso vai durar?
Têm dias que nos coloco um prazo para que essa “esbórnia” termine: 6 meses.
Têm dias que imploro para que dure para sempre.

Adriana Guimarães tem 36 anos, é Analista de Relações Internacionais, Tradutora, Prof. de Inglês como língua estrangeira. Esposa do Emerson e mãe do João, 3 anos e 10 meses, nascido de Parto Normal Hospitalar e da Helena de 1 ano e 2 meses, Parto Domiciliar e esporadicmente escreve no blog http://www.pequenosdo84.blogspot.com/

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26 de janeiro de 2011

Intervenções no Recém-nascido

Já falei aqui sobre as intervenções que a maioria das mulheres sofre no parto sem real necessidade e hoje vou falar das intervenções totalmente desnecessárias pelas quais passam os bebês recém-nascidos.

É um dos principais motivos pelo qual eu não quero ter parto no hospital, porque para fugir do protocolo de intervenções do RN, muitas vezes é mais complicado do que fugir das intervenções do parto em si.

Quando a mulher tem um parto tranquilo, é bem informada e amparada pela equipe médica e tem boa saúde, as chances do bebê precisar de alguma intervenção são quase zero, mas mesmo assim, todos os bebês passam pelas intervenções só porque são rotina do hospital e pronto (e claro porque o hospital ganha com isso...)

Vamos a lista (de horrores!!!):
Manobra de Kristeller -  É aquela manobra em que um enfermeiro ou anestesista (geralmente é o maior da equipe) sobe em cima da mãe e empurra o bebê por cima da barriga dela. Já está proibido em alguns países. Essa manobra é usado por falta de preparo e paciência dos profissionais que atendem partos e pode causar morte materna ou fetal porque é uma violencia contra ambos.

Forceps ou Vácuo Extrator - Embora possam ser instrumentos que ajudam a retirada do bebê quando a mãe não consegue forças para expulsá-lo e este está em sofrimento fetal ou quando está a muitas horas no expulsivo com bebê alto e com riscos é usado indiscriminadamente sem medir se há real necessidade.
Só para se ter uma idéia, uma equipe humanizada que conheço no Brasil, utiliza vácuo/forceps em menos de 1% dos casos atendidos. É para se pensar né?

Sonda (sucção dos liquidos internos) -  um tubo de plastico enorme que vão enfiando, enfiando, até o estômago do bebê. Eu fiquei imaginando fazerem isso em mim e depois tirar... Chega me dar aflição só de pensar! Imagina passar por isso na hora em que você chegou
no mundo. Que recepção né?

Colírio de Nitrato de Prata - Um colírio que arde a beça. Uma amiga pediatra do Brasil, depois que pingou no próprio olho, nunca mais pingou em bebê nenhum. A vista fica embaçada, ardida, o bebê não vê os pais e frequentemente gera uma conjuntivite química no terceiro dia. E só, absolutamente, só serve para mãe com gonorréia, coisa que quem tem sabe porque é sintomática.

Vitamina K - A vitamina K via injeção na coxa é feita no berçário, mas pode tomada via oral que funciona do mesmo jeito.

Exame do Pezinho - É feito 48 horas depois do nascimento do bebê, e embora seja feito para detecção de problemas genéticos e seja mesmo necessário, não é necessário fazer o bebê chorar para tal procedimento. Pode ser feito no colo da mãe, com o bebê mamando no peito. Bem menos sofrido, na minha opinião.

Banho de luz - É indicado quando o bebê nasce com ictericia num grau muito alto. Uma ictericia leve pode ser resolvida com banho de sol pela manhã e com o próprio aleitamento materno, não sendo necessário a separação da mãe e do bebê para tal procedimento. Mesmo que seja necessário, pode ser feito com o bebê no colo da mãe.

Separação e introdução de formulas - Em muitos hospitais do Japão estão fazendo a separação do bebê da mãe depois do parto, com a desculpa de que ela precisa descansar, mas se a mãe não quiser essa separação ela pode exigir que o bebê fique consigo, assim como pode exigir não que não seja dada nenhuma formula para seu filho(a) se você desejar amamentá-lo no seio.
A amamentação na primeira hora de vida é muito importante é traz beneficios para a vida toda. Vale se informar sobre o assunto.

O video abaixo é uma cena de horror, eu só consegui assistir uma vez e mesmo assim chorei a beça, não acredito que as pessoas achem normal um ser humano ser recebido dessa forma no mundo. (sinto muito também pelo que a mulher passou porque com certeza foi muito traumatizante para ela) mas serve bem para ilustrar o que uma mulher passa num parto quando não se informa e não busca as melhores condições para seu parto (e não porque esse parto foi no SUS do Brasil não viu? aqui no Japão já li vários relatos de tratamentos como esse, infelizmente).


Pense, se informe e escolha o que for melhor para você e seu filho! Você tem escolha!!!
Lute pelo que você acredita ser o melhor.

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25 de janeiro de 2011

Dicas de amamentação

Já que recentemente soube de várias mamães que deram a luz a seus bebês e estão tendo dificuldades com amamentação resolvi falar um pouquinho do assunto, e passar algumas dicas. Vamos lá?

Qual o principal ingrediente para o sucesso da amamentação?
Primeiro de tudo, amamentação é vontade e persistência. É preciso acreditar que você é capaz de alimentar seu filho sem precisar de chupetas, complemento, bicos artificiais, chazinhos e etc.

Tudo o que não seja o seio materno, no inicio da relação de amamentação, tem potencial chance de atrapalhar o sucesso do processo, por isso é bom evitar.

Amamentar não é facil, e muitas vezes dolorido e cansativo, é preciso estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e a gente pensa que não tem mais vida própria com um pequeno ser que suga literalmente toda nossa energia, mas muito antes do que você imagina, esse pequeno ser estará pedindo para você "dar um tempo" para ele, então procure curtir até o momento e pensar que ele vai passar muito rápido, porque realmente passa.

Durma quando o bebê dormir, descanse sempre que puder e não sofra pelas coisas que ficam por fazer. Se você não tiver ninguém para ajudar, faça no ritmo que teu corpo permitir, não force a barra só para parecer "a super mulher que dá conta de tudo" ok?

E quando a amamentação não é prazerosa?
É importante você se permitir apaixonar-se por seu bebê. Dar tempo ao tempo para criar a relação mãe e filho.

Ninguém é obrigada a ter um amor incondicional desde o primeiro momento com seu filho. Tenha tempo para  olhar em seus olhos, acaricia-lo, reconhecê-lo em cada detalhe e apaixonar-se aos poucos. Isso vai fazê-la confiar mais em seus instintos maternos.

Quando for amamentar, faça um ritual só seu com seu filho(a) em um lugar tranqüilo onde você possa relaxar e deixar fluir a ocitocina que é o hormônio do amor e do leite materno. Beba muita agua e deixe seu bebe mamar a vontade um peito de cada vez, até esgotar e ele ficar satisfeito, isso vai fazer você criar

Não guarde seus sentimentos
Muitas mulheres depois de parir, principalmente aquelas que não tiveram um bom parto, passam por uma fase de baby-blues, se sentem deprimidas e sozinhas no mundo, o que é totalmente natural por causa da grande queda de hormonios no pós-parto, mas isso pode fazer a amamentação ser um martírio.

Sentimentos negativos atrapalham a amamentação e podem causar um quadro de depressão pós-parto também.

Permita-se chorar, lamentar, reclamar...

Você é mãe, humana, não é perfeita e vai errar muito até acertar o melhor caminho para você, seu bebê, seu relacionamento com seu marido e com a familia.

Não se culpe, não se martirize pelo que fez, faz ou deixou de fazer, tudo é aprendizado e nos faz amadurecer para a vida.

Procure sempre ser honesta consigo mesma e com os outros, isso vai ser bom para ambas as partes.

Procure posições confortáveis e solicite ajuda sempre que precisar
Na foto abaixo, cedida por uma amiga "materna", uma das posições que eu mais gosto de amamentar.
É confortável para o mãe e o bebê, já que a barriga com a barriga facilita a liberação de gases, ajuda o bebê arrotar se sentir necessidade e por estar na vertical fica mais facil a digestão. =)

Quando a mamãe precisa de um banho ou fazer uma refeição, o pai pode ajudar colocando o dedo mindinho na boca do bebê para saciar sua necessidade de sucção num momento de desespero. Isso ajuda acalmá-lo. =)

Outras coisinhas...
- Atenção na pega correta sempre.
- Cama compartilhada para os que acreditam nos benefícios é excelente.
- Slingar é otimo para acalmar o bebê e dar segurança a mãe.
- Confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança seu objetivo! ;)

Quem precisar de mais dicas ou ajuda com amamentação, pode deixar um comentário ou me ligar.

Se tiverem outras dicas, postem nos comentários tambem.

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19 de janeiro de 2011

Antissépticos de casa.

Quem não se lembra daquelas propagandas de antigamente, onde a criança se machucava, a mãe vinha com um potinho de antisséptico e passava?
E quem não se machucou e teve que aguentar a dor horrível daquele troço entrando e queimando o machucado por dentro? huahau. Eu tive.

Faz um tempo que, quando alguém se machuca, a gente usa ou a tintura mãe de calêndula ou o óleo de tea tree. No começo, deixava uma soluçãozinha pronta com água fervida e calêndua/óleo. Não arde (dói um pouco, porque a gente mexe no machucado, mas nada absurdo), é natural de verdade e super eficiente.

Claro que não vale passar em todo e qualquer machucadinho, OK? A maioria se cura só com uma lavadinha rápida. Quando o machucado é maior, ou está com uma cara estranha, aí vale usar um antisséptico.

Agora, simplifiquei minha vida e faço assim: quando machuca, molho o paninho/algodão/gaze em água e pingo uma gotinha ou da tintura mãe de calêndula ou do óleo de tea tree e e passo. Se precisar cobrir, cubro com gaze, mas é raro, viu?

Mas por que não usar aqueles remedinhos mágicos de farmácia, que vem prontos, em spray?
EU não uso, porque eles contém muitos remédios, muitas substâncias que não são, nem de longe, seguras. Arrepia só de pensar em passar aquele monte de troço direto em uma ferida exposta, que já vai direto pra corrente sanguínea, fazer todo o mal que pode. Urgh.

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14 de janeiro de 2011

Para relaxar no Trabalho de Parto

Lendo e relendo relatos, relembrando meus partos, assistindo videos de nascimentos humanizados, eu me lembrei dos mantras que usei durante meus TP's e alguns que li e que achei muito interessante para serem repassados as mães que vão ter um parto pela primeira vez.

Para quem não sabe, a boca e o canal de parto (vagina) tem uma ligação direta. Abrir a boca, cantar, entoar mantras, beijar e tudo mais que tiver ligação com a emissão de sons ajuda com o relaxamento do corpo e facilita a dilatação e o parto em si.

O parto é dividido em fases: Fase inicial, fase ativa, fase de transição e expulsivo.

Em cada uma delas, um determinado comportamento ajuda o processo ser mais fácil, e faz com que a dilatação ocorra mais facilmente.

Com o uso da respiração correta, posições confortáveis, massagens de compressão, água quente (banheira ou chuveiro), movimentação do quadril, bolsa de água quente na lombar, exercícios de relaxamento, geralmente o processo flui bem e tranquilamente.

Quando a "coisa" aperta, entoar os mantras (ou qualquer coisa que esteja ligada a abrir a boca) reduz muito a dor. Ouvir palavras carinhosas e positivas também ajuda muuuuuito (essa é para os acompanhantes...hehe)

Pega a caneta, anote tudo e compartilhe com seu marido, mãe, amiga, ou quem quer que seja que possa te ajudar na hora P.

Aaaaaaaaaabre: enquanto entoa esse mantra, imagine o seu canal de parto se abrindo lentamente, a cada contração.
Veeeeeeeeem meu filho (a): A dor vem devagar, vai subindo, alcança um pico e depois decresce. Imagine seu bebê, centimetro a centimetro, vem cada vez mais, descendo pelo canal, sendo apertado pela pressão das contrações, como um abraço de seu corpo acalentando-o, para que logo ele esteja em seus braços.
Eu te recebo/aceito: Receba e aceite toda dor e a alegria por ser mãe. A maternidade é alegria, mas é dor também, e o parto é "fichinha" para o que vem depois. ;-P
Menos uma: quando a dor for demais para você e achar que não vai mais aguentar, pense que é MENOS UMA contração, e não que virá mais uma. Pense que, logo, logo seu bebê estará em seus braços. O pensamento positivo faz maravilhas.

Aqui alguns links de mantras que amigas adeptas do budismo que passaram. Para quem pratica meditação fica a dica:

http://www.youtube.com/watch?v=suWYpXu8C8M

http://www.youtube.com/watch?v=_h2rFVPCSPE

http://www.youtube.com/watch?v=d63COahIpVM

http://www.youtube.com/watch?v=X-rBQhGXKr8

Alguém tem mais dicas de frases ou mantras que utilizou no TP e gostaria de compartilhar com as leitoras do blog?

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12 de janeiro de 2011

Um tempo para cada coisa.

Quando eu lia/conversava sobre maternidade, durante a gravidez da minha primeira filha, sempre era a mesma coisa:
- Arruma um tempo pra você se cuidar, se divertir.
E eu pensava "que óbvio!".

Bom, acontece que ela nasceu. Linda, pequena, fofinha, tão apaixonante...... E eu fiquei doida! Não queria fazer nada sem ela. Dispensei todo mundo que se dispôs a ajudar (nem todo mundo com muita boa vontade, mas ainda assim) e decidi: eu vou fazer.

No começo, foi tudo lindo. Eu ficava com ela o tempo todo. Comia conversando com ela, tomava banho com ela me olhando, escovava o dente com ela no colo. Cansava, mas eu me sentia bem, feliz, independente, recompensada e mãe. Não me cansava de ficar com ela e pronto.

Quando eu engravidei do segundo, ninguém nem se dispôs a ajudar, porque, afinal, eu daria conta sozinha. E eu tinha a mesma certeza. Dei conta, mas fiquei muito chata. Perdi a paciência, tentei fazer criança dormir no berço sozinha, fiz de tudo quanto era coisa.
Adorava brincar com eles, mas também gostava de conversar com as (poucas) amigas remanescentes, de comer sem precisar parar, de ir ao banheiro e conseguir terminar de fazer o que eu precisava. E isso era impossível. Pouco a pouco, minha paciência foi se esgotando.

Nessa hora eu entendi a importância de arrumar um tempo para mim. Mas como? Quando? Ia deixar as crianças com quem? Impossível! Não podia ver um filme sem ser interrompida 15 vezes. Quando o final chegava, não lembrava nem sobre o que era.

Hoje, com o terceiro filho crescidinho (3 anos e meio, já!), eu estou conseguindo arrumar tempo para ver um filme, ler um livro, ler blogs com calma, jogar sudoku, fazer comida.
Fazer alguma coisa com calma, com tempo, porque eu gosto, porque me diverte, porque eu quero e, só por isso, é muito bom: a gente esvazia a cabeça, relaxa as tensões e consegue ser mais mãe.
Eu lembro que não conseguia ficar 15 minutos brincando com eles que ficava cansada, nervosa, torcendo para que acabasse logo. Hoje brincamos 15 minutos, depois eles me ajudam a fazer alguma coisa da casa, brincamos mais ou não, dormem cedo e não acordam mais e eu tenho tempo para mim.

Portanto, mulheres, arrumem um tempo para vocês: se vocês têm alguém que olhe as crianças para você por um tempo, aproveite. Se você não têm, não surte. Eu garanto que vai chegar uma hora em que eles te dão um tempo. Enquanto isso, aproveite do marido, das visitas, das babás....

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9 de janeiro de 2011

Palestra e Simpósio sobre ¨Ijime¨, Abandono Escolar e os Direitos das Crianças, em Kiryu


¨Ijime¨, Abandono Escolar e os Direitos das Crianças:
A necessidade de valorizar a diversidade
6 de Fevereiro, domingo, das 13:00 ~ 16:00 horas

Palestra e Simpósio no Fukushi Hoken Kaikan, em Kiryu
Convidada Especial: Psicóloga Ryoko Uchida
A Sra. Uchida é conhecida por seu programa na rádio NHK "Kodomo no Kokoro no Soudanin", é funcionária  
   de um Centro de Saúde Pública em Tóquio, como também atende em um consultório particular
junto a seus filhos.


Palestras-13:00~14:00, Simpósio-14:00~16:00
Facilitador:  Presidente da NPO ¨Pass no Kai¨ - Minoru Yamaguchi

Palestrantes
l  Yasushi Akuzawa- “Minha experiência como um pai”
l  Erica Muramoto, professora responsável pelos alunos estrangeiros de Tamamura-Machi, Gunma - “Discriminação nas escolas japonesas”
l  Cheiron McMahill, diretora da International Community School em Isesaki - “Lutando por uma educação multicultural alternativa”
l  Ryoko Uchida音声を聞くCrianças que sofreram discriminação.

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Entrada: Gratuita        Materiais: 1000 ienes
Local:Kiryu-shi Hoken Fukushi Kaikan Tamokuteki Hall, Suehiro-cho 13-4, Kiryu.
Telefone: 0277471152
Organizadores: NPO ¨Pass no Kai¨ / ¨Multilingual Education Research Institute-(ICS)¨ /
¨Te o Tsunagu Kai¨

Para mais informações:  
090-5822-8462 Minoru Yamaguchi
em japonês e inglês

“As crianças devem realmente frequentar a escola?”
Mensagem de Ryoko Uchida
Há uma longa história do governo nacional centralizar o controle da educação da escola pública no Japão. Isso tem contribuído para a profunda convicção, porém equivocada, na sociedade japonesa, de que os pais são obrigados a enviar seus filhos para as escolas japonesas, ou que as crianças têm a obrigação de ir à escola.
No entanto, a realidade é que a "obrigação" é para os adultos de garantir o direito das crianças em receber uma educação, não para enviar as crianças à escola. Como claramente consta na Lei Fundamental de Educação, no artigo 4, que ¨Todo o povo/nacional deverá ser igualmente provido da oportunidade de receber a educação de acordo com a sua capacidade, sem sofrer discriminação no âmbito educacional por motivo de sua raça, convicção, sexo, condição social, posição econômica ou origem familiar¨.
As crianças que já sofreram muito por não frequentar a escola sob esta noção equivocada da escolaridade obrigatória, estão agora pedindo a si mesmos os seguintes direitos:

1.    O direito a educação
Temos o direito à educação. Temos o direito de decidir por nós mesmos se devemos ou não frequentar a escola. A escolaridade obrigatória/compulsória, significa que a nação e os adultos têm a obrigação de fornecer uma educação para todas as crianças. Isso não significa que as crianças são obrigadas a freqüentar a escola.
2.    O direito de aprender
Temos o direito de aprender de acordo com os métodos que se enquadram a nós pessoalmente. Aprender significa saber alguma coisa de acordo com nossa vontade, não sendo forçado por outra entidade. Estamos sempre aprendendo muitas coisas através de nossa vivência.
(Extraído da "Declaração dos Direitos das Crianças que não Frequentam a Escola", pelos participantes em 2009, 23 de agosto, o Seminário Nacional de Intercâmbio das Crianças"Bao Bao".) 
Se as escolas não são locais que assegurem os direitos à educação, que "respeita os valores individuais, desenvolve talentos individuais, promove a criatividade, nutre o espírito de autonomia e auto-suficiência, enfatiza a ligação entre trabalho e vida, e promove uma atitude de respeito para com trabalho ", (tal como indicado no artigo 2, 2º. parágrafo da Lei Fundamental de Educação), desta forma as crianças devem ter o direito de não frequentar, ou então de buscar outras possibilidades de educação e, ainda, os adultos são obrigados a proteger o direito de seus filhos.
A escolha não deve ser de ir à escola de qualquer forma, mas de ter a opção de não ir, e de escolher caminhos alternativos. Adultos e sociedade precisam informar as crianças de suas escolhas. Nós adultos também temos a responsabilidade de criar uma cultura para o futuro em que não existam rejeições as diferenças de cabelo, cor da pele e da cultura, mas para aprender a respeitar e apreciar a interação de diversos povos. Espero que até mesmo a minha palestra possa contribuir de uma pequena forma para isso.

Cheiron McMahill, PhD.
Professor, Daito Bunka University.
President, International Community School,
Multilingual Education Research Institute NPO
268-25 Tomizuka-cho, Isesaki-shi, Gunma, Japan 372-0833
Tel: 0270-75-6277 homepage http://icsnet.or.jp/
email icsnet_hp@yahoo.co.jp

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6 de janeiro de 2011

Porque NÃO induzir o parto?

Final de gravidez, a ansiedade bate forte, o cansaço toma conta e tudo o que a gente quer é se ver livre do peso da barriga, dos palpiteiros de plantão que ficam falando o tempo todo "como você engordou", "como sua barriga tá baixa", "para quando é o bebe?" "não tá passando da hora", "vai ser normal?" "é melhor cesarea para não passar da hora né?" "é melhor cesarea para não passar por todo aquele sofrimento né?" e bla, bla, bla...

Eu sinceramente, me canso mais com os palpites e histórias "sem noção" do que com o cansaço físico em si.

As pessoas poderiam ter um pouquinho de consciência e ao invés de falar tanta besteira oferecerem suporte a mulher grávida, convidar para um chá e um bom bate-papo, assistir um filme, falar besteiras (que nós mulheres adoramos...rsss), fazer umas caminhadas ou uma boa massagem relaxante, tudo isso ajudaria tanto e seria tão agradável não?

Bom, o fato é que a gente tem que muitas vezes fazer cara de "paisagem", sorrir e seguir em frente sem se deixar levar pelos comentários, pela ansiedade e pelo medo que tudo isso possa nos causar.

Claro que toda mulher que espera seu bebê, quer recebê-lo em seus braços tranquilamente, na hora certa, mas muitas vezes, o stress que a gente passa no final da gestação faz com que a gente acabe implorando ao médico por uma indução do parto para acabar logo com tudo isso.

Só para lembrar aquelas que não se recordam ou não sabem, uma gravidez saudável pode levar 38 a 42 semanas, que é totalmente normal. Toda mulher entra em trabalho de parto nesse período, salvo raríssimas excessões, e bebês não passam da hora como um "bolo esquecido no forno".

Sobre esse termo "passou da hora", as pessoas começaram a usá-lo porque algum médico esperto, para se livrar da responsabilidade de ter feito um mal acompanhamento de pré-natal no final da gestação ou na hora do parto, arrumou uma explicação ilógica para as mães desinformadas, mas que livrou ele da culpa, e disse que o bebê morreu porque passou da hora.

Quando a mãe entra na 40ª semana ela precisa de um acompanhamento mais aproximado. Não é necessário exame de toque ou monitoramento fetal contínuo, mas examinar a quantidade do liquido aminiótico, a pressão arterial da mãe, o fluxo de sangue da placenta e a movimentação do bebê são os exames mais básicos. Se está tudo normal, pode-se esperar até as 42 semanas sem preocupações.

Outra coisa é que, tirando raras excessões, a mulher não tem dilatação sem entrar em trabalho de parto. A dilatação só começa quando as contrações começam. Se não há contração, não há dilatação. Então não é necessário fazer exames de toques em todas as consultas. O exame só serve para deixar a gente ansiosa e com medo de não dilatar, o que também é outro mito, porque toda mulher dilata.

Agora, se está tudo bem com a mãe e o bebê, induzir o parto porque?

A indução com ocitocina sintética faz com que a dor das contrações seja muito mais forte e muito mais intensa e demorada do que uma contração natural. Causa stress materno e atrapalha muito o processo de trabalho de parto e só deve ser usada em casos específicos, quando a mãe entrou em trabalho de parto mas não está tendo contrações suficientemente fortes para o processo progredir. Também não é necessário que seja administrada o tempo todo, quando as contrações estiverem regulares o suficiente, a indução pode ser retirada.

Para a mulher que teve uma bolsa e o trabalho de parto não progrediu após 12 horas, geralmente os médicos utilizam indução também, além de aplicação intravenosa de antibiótico para o caso de uma infecção, porém cada caso é um caso. Se o liquido está claro e não tem mecônio, e se a mulher não teve o exame de strepto positivo, pode-se esperar mais tempo antes de uma indução com ocitocina sintética. Nesse caso deve-se evitar banho de imersão, mas pode-se utilizar ducha, fazer exercícios, tomar chá de canela, comer uma comida mais apimentada, porque tudo isso pode ajudar o processo do parto "engrenar" mais rapidamente.

Para ilustrar um pouco melhor como funciona o trabalho de parto com e sem ocitocina, eu fiz a tabela abaixo:


A minha intenção com essa tabela é uma só: Fujam de uma indução só pela ansiedade!!!

Vai ser mais dolorido, pode causar complicações no parto, aumenta a probabilidade de ruptura uterina, aumenta a probabilidade de episiotomia, aumenta as chances de stress materno e fetal e todos os riscos em potencial.

Quer um parto tranquilo, rapido e bom para você? Então comece desde agora a respeitar o tempo do seu filho, do seu corpo e da natureza, que as chances desse bom parto acontecer são bem grandes.

Se for preciso, evite atender telefonemas indesejados, durma quando tiver vontade (depois que o nene nasce fica mais dificil), relaxe, curta a barriga, tome banhos mais longos, assista bons filmes e aproveite esse tempo especial para cuidar de você por dentro e por fora, isso vai ajudar muito na hora do parto.

Eu acredito que o maior aprendizado da maternidade é respeitar o tempo dos nossos filhos sem querer atropelar as fases, e o melhor momento de começar aprender é quando se está esperando a hora DELE decidir nascer.

Aceito comentários, críticas, sugestões, perguntas e se precisarem, podem me ligar no keitai: (080)5142-7945.

beijo beijo

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4 de janeiro de 2011

Crianças e Consumo

Quem nunca saiu por aí com os filhos (ou com sobrinhos, amigos dos filhos, filhos dos amigos...) e recebeu pedidos, súplicas e choros por causa de um brinquedo, um doce, uma revistinha......?
E quem nunca presenciou uma criança choramingando ou dando um showzinho porque queria alguma coisa?

É muito comum, hoje em dia, ver crianças querendo tudo e pais comprando. "Só um brinquedinho/docinho".
Hoje em dia, difícil é não comprar.

Com crianças pequenas, a situação é complicada, porque eles não entendem. Eles não entendem porque pode-se comprar alface e não um pacote de M&M's. Ou a gente não faz compras com eles, ou aceita que vai ter choro.
Com o tempo, muita paciência e muita conversa, a gente vai fazendo os pequenos entenderem que a gente só compra o "necessário". Fazer uma lista e comprar só o que está nela, mostrando para eles, é uma boa alternativa. Leva tempo, mas eles passam a entender.

Já com os maiores, há uma série de coisas que se possa fazer, desde combinar que x vezes por mês, a gente vai comprar um doce, mas que brinquedo é só em datas especiais, por exemplo.

Aqui em casa, a gente optou pela mesada quando os maiores começaram a pedir tudo o que os amiguinhos tinham. Damos uma quantia para cada um por cada ano vivido. Por exemplo, se seu filho tem 6 anos, 50 ienes x 6 anos = 300 ienes por semana ou por quinzena. Você pode aumentar ou diminuir o valor, de acordo com os gastos da família. Se você tem mais de um filho, você pode dar de acordo com a idade de cada um ou a mesma quantia para todos.

Agora vem a parte difícil: a gente precisa ensinar que eles só podem gastar até aquele valor. Aqui em casa, nós decidimos que comida, a gente paga. Se a gente vai comer fora, nós pagamos a comida. Se eles querem sorvete, o gasto é deles.
Roupa, quando eles PRECISAM, a gente paga. Se eles querem uma roupa nova porque viram na TV, ou porque o colega Y tem, eles pagam. Se não tem dinheiro, juntam e compram.
Brinquedo, a gente não compra. Eles juntam dinheiro e compram.
Livro, uma vez a cada 2 meses a gente paga. Mais que isso, eles compram.
A gente leva em parques de diversão, em cinema e tal, mas sempre em aniversários ou em dias combinados. Fora disso, eles precisam juntar dinheiro e pagar.

Também ensinei eles a guardar dinheiro fazendo uma caixinha para cada, onde eles guardavam uma parte da mesada. Eles recebiam e já colocavam uma moedinha na caixinha. Aos poucos, eles juntaram e bastante. O que era legal era ir com eles ao banco, deixar que eles entregassem o dinheiro ao caixa e recebessem a caderneta com o novo valor.

Claro que o dinheiro não dá para grande coisa, mas eles aprenderam direitinho e hoje, olham o preço de tudo antes de comprar.
Zé, que é o menor, ainda não entende e sempre gasta a mesada logo no primeiro dia. Aos poucos, eu acredito, ele vai acabar entendendo.

Uma coisa que é importante é saber onde e quando ceder e não ceder.
Se você está sem paciência, se a criança está cansada e com sono, nem entre na briga: ou você não vai em locais que tenham vendas ou você compra antes da briga.
Nunca nunca nunca compre porque a criança chorou, ou porque deu escândalo, ou porque pediu com cara de coitado, nada disso. Também nada de comprar porque você se sente culpado(a) por estar ausente, por ter gritado, brigado. Se desculpe, fique um tempo com eles, mas não dê coisas em troca.

Eu também não deixo sem mesada por castigo e não dou em troca de serviços prestados (arrumar a cama, por exemplo). Cada um tem que fazer uma coisa em casa. É um acordo, assim como a mesada. Eu não quebro a minha parte, para que eles não quebrem a deles. Se eles quebram um combinado, a gente dá um castigo, como ficar sem videogame por um tempo.

Ensinar a consumir direito é um dever nosso. Ensinar os filhos a cuidarem do dinheiro, das coisas, do mundo, também. Ensinar regras e condutas sociais, também.
Não existe jeito certo, muito menos garantido. Cada família precisa discutir, pensar e decidir pelo caminho que lhe parece melhor.

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