30 de março de 2011

Salvem a Obstetrícia! Assinem a petição!!!



Meu nome é Ana Cristina Duarte. Coordeno no GAMA - Grupo de Apoio à
Maternidade Ativa Sou obstetriz formada pela USP-EACH.


Quando decidi me dedicar ao atendimento de mães e bebês, já casada, dois
filhos, vida estabilizada, eu poderia ter trilhado qualquer caminho que
quisesse, qualquer carreira. Mas eu esperei por alguns anos, perseguindo
a Profª Dulce Gualda em todos os eventos de Humanização para saber
quando sairia o prometido curso de obstetrícia da USP. No tempo em que
esperei o curso sair, eu poderia já ter completado um curso de
enfermagem! Mais dois semestres e algumas horas de estágio, eu já
poderia ser enfermeira obstetra. Mas não era o meu sonho. Eu não me via
como enfermeira, eu não queria estudar doenças, hospitais, cuidado com
idosos, crianças, UTI, procedimentos, cardiologia, oncologia,
sistematização do processo de cuidar, antes de me dedicar à minha paixão.

Eu queria estudar a mulher, seus processos, a gravidez, seus partos,
seus bebês. Eu queria reinventar o cuidado na gravidez, parto e
pós-parto. Eu queria pensar em como cuidar da mesma mulher desde o
resultado do exame de gravidez, até ela estar amamentando seu bebê. Eu
queria estar com ela desde o início, até o fim do processo. Com a mesma
mulher, na sua família, na sua casa, no seu contexto social, emocional,
afetivo. Eu me via assim, parteira. Eu não me via assim, antes
enfermeira, depois especialista. Questão de identidade pessoal com uma
carreira que já existe internacionalmente e já existiu no Brasil!

Quando o curso saiu para o vestibular de 2005, eu devo ter sido a
primeira a me inscrever! Foram quatro anos de dedicação. Quatro anos
estudando tudo o que se refere à mulher, nesta fase da vida. Tínhamos na
ponta da língua tudo o que era normal e o que era anormal. Normal na
média, normal fora da média, anormal. Exames, diagnósticos, sintomas.
Equipe multidisciplinar, UBS, alto risco, baixo risco. Fisiologia,
anatomia, nutrição, sociologia, psicologia. Mecanismos do parto,
manobras, posições, apresentações, distocias, eutocia. Intervenções,
estatísticas, saúde pública e privada. Filmes de parto entre técnicas de
esterilização. Parto na água entre elaborações de escala.

Sacolejando em trens ou parados na Marginal Tietê ao final de um dia
cansativo, nós sobrevivemos a quatro anos de intenso treinamento focado
na assistência humanizada, segura e baseada em evidências no ciclo da
gravidez, parto e puerpério.

Foram quatro intensos e difíceis semestres de estágio, porque ainda não
existem campos de estágio onde a mulher seja vista e tratada como nós,
alunos, havíamos aprendido na escola. Mas ainda assim pudemos atender
muitos partos, consultas de pré natal, consultas de pós parto, em
ambulatório e domicílio. Massagem nas costas e partograma, palavras de
incentivo, acocorar no banheiro, abraçar, controlar a dinâmica e o
gotejamento (desse não pudemos escapar). Proteção do períneo,
clampeamento tardio (quando conseguíamos), contato pele-a-pele (quando
transgredíamos).

Tivemos um excelente curso, que certamente poderia ser melhor (tudo pode
ser sempre melhor) e que desde então vem sendo melhorado ano a ano, com
novas disciplinas, reestruturação da grade, adaptação a exigências.
Formamo-nos obstetrizes competentes e sedentos por trabalhar na
assistência. Não queremos ser enfermeiros, nem médicos, nem psicólogos.
Queremos trabalhar na assistência à saúde da mulher durante a gravidez,
parto e puerpério. Apenas obstetrizes, como existem em todo o mundo sob
os curiosos nomes de sage-femme, midwife, matrona, partera, hebamme,
ostetrica, obstetrix, llevadora. Não estamos reinventando a roda e não
negamos a importância de todas as outras profissões que existem.

Quero apenas continuar fazendo o que amo: assistência dentro de equipe
multidisciplinar, com parceiros obstetras, psicólogos, enfermeiros,
fisioterapeutas, doulas, educadoras, pediatras e muitos outros. Quero
continuar parceira respeitosa e privilegiada desses maravilhosos médicos
e enfermeiras obstetras que têm nos dado os braços nessa longa jornada
pela melhoria da assistência à saúde no Brasil. Mas não quero ser
enfermeira nem médica. Eu sou obstetriz.

Neste momento o primeiro e único (por enquanto) curso de formação de
obstetrizes do país está sob ameaça. A USP pretende encerrar as vagas
para a carreira já no próximo ano. A justificativa é que o COFEN
(Conselho Federal de Enfermeiros) não nos reconhece como enfermeiros
(que não queremos ser), bem como não mais reconhece a profissão
obstetriz, apesar dela ser mais antiga que a enfermagem obstétrica. A
proposta oficial da USP é "Fundir o curso de obstetrícia com a
enfermagem", ou seja, aumentar um pouco o número de vagas para
Enfermagem no vestibular e extinguir de vez a Obstetrícia.

Esse é o começo do fim. Sem vagas, sem alunos. Sem alunos, sem curso.
Sem curso, sem carreira. Sem carreira, sem obstetrizes. Mesmo as que
existem serão como solitárias andorinhas voando sem um bando. Sem fazer
verão. Sem mudanças no cenário. Continuaremos como era antes, o que não
era nada bom. Para impedir que isso aconteça, é necessária muita pressão
da sociedade e é isso que estamos tentando fazer. Para isso peço sua
ajuda neste momento.

Assinando nossa petição, manifestando nela a sua opinião, vamos
mostrando que o curso não é uma manifestação de 250 alunos e 150
obstetrizes formados. Não estamos falando mais de um vestibular, nem de
alguns formados a procurarem uma nova carreira. Assinando e manifestando
repulsa a essa amputação proposta pela USP, mostramos que o curso e seu
ideário são uma manifestação da sociedade por um mundo melhor, por uma
forma diferente e justa de se gestar, nascer, dar à luz e amamentar seus
filhos, que seja acessível a todas as mulheres. A obstetrícia não diz
respeito a obstetrizes, enfermeiros, médicos, USP, CFM ou COFEN. A
obstetrícia diz respeito à vida de todos e ao futuro dos nossos filhos.

Para assinar nossa petição: clique em
Basta nome e RG, mas você também pode deixar uma mensagem de apoio.
Não precisa preencher os outros dados.

Vídeo da Manifestação de apoio ao curso de obstetrícia da USP:

Reportagem da Globo:

Reportagem no blog da fotógrafa Bia Fioretti:

Grupo de Apoio no Facebook:

Blog Obstetrizes Já:

Grata pela colaboração! E assine a petição, clicando aqui:

Ana Cristina Duarte
Obstetriz
GAMA

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18 de março de 2011

Como você gostaria que seu filho nascesse?

Esse video contém cenas fortes, mas não é um video sensacionalista, é a realidade mais pura e clara.

Eu tive duas cesareas das quais me arrependo amargamente até hoje porque foram totalmente desnecessárias e porque não me permitiram estar com meus filhos logo após o nascimento, além dos procedimentos desnecessários. =(

Vale assistir e decidir: o que realmente você quer para seu parto e seu bebê?

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16 de março de 2011

Riscos: culpa de quem?

Sempre ouço de quem não aceita o parto domiciliar que os riscos não valem a pena.
E eu sempre pergunto: que riscos?
Ninguém sabe. A resposta é sempre única, a mesma, sempre: de dar alguma coisa errada e não dar tempo de ir ao hospital.

Pode ser a pessoa mais informada do mundo que, quando decide não querer um parto domiciliar, sempre bota a culpa em quem? Nos riscos absurdos de um parto em casa.

Agora, parto natural é parto natural, certo? Seja em casa, seja na clínica, seja no hospital, seja no meio da rua, no ônibus. Os riscos são os mesmos, certo? É o mesmo parto.
Em hospital, o risco de uma infecção hospitalar é maior que em casa. Em muios hospitais, você não pode andar, sentar, gritar, mudar de posição. Também é maior a chance de você ter alguma intervenção, que sempre leva a outra, e a outra..... E muitas vezes, acaba em cesárea por um bebê em sofrimento, uma mãe que não aguenta mais sofrer (porque um parto cheio de intervenções é sofrido).
Mas se acontecer alguma coisa, você já está no hospital, certo?

Em um parto natural, a mulher sabe quando tem alguma coisa errada. Simplesmente sabe. A gente sente. Não precisa ficar deitada pra ver batimentos fetais. Não precisa de exame de toque a cada hora. Não precisa de sorinho.
O corpo sempre dá sinais de que tem alguma coisa errada ANTES da coisa realmente acontecer. Dá tempo de sair de casa e ir ao hospital.
Claro, ocorrem fatalidades.

Mas fatalidades que acontecem em casa e no hospital. Tanto em casa, quanto em hospital. Tanto em partos naturais quanto em cesáreas.
Quando acontece alguma coisa em um parto domiciliar, essa coisa aconteceria em qualquer outro lugar. Na grande maioria das vezes.

A grande diferença é quem assume a "culpa". No hospital, é culpa do médico, do hospital, da equipe, da limpeza, do que quer que seja. Em casa, quem assume? Os pais.

Por isso, quando a gente opta por um parto domiciliar (assistido ou unassited), a gente precisa ter certeza de que esse é o melhor caminho. Não é para qualquer pessoa (só gestantes de baixo risco). É para quem quer, quem sabe que é o melhor.

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14 de março de 2011

A alimentação dos bebês

A primeira papinha dos bebês é sempre um assunto recorrente entre as mães. Seja mãe experiente ou "novata", essa questão sempre gera dúvidas.

Com a intenção de facilitar para quem tem dúvidas e/dificuldades, hoje vou postar sobre algumas questões práticas para ajudar as mães no início da introdução de alimentos. Vamos lá!

A primeira papinha
As primeira papinhas a serem oferecidas ao bebê, não precisam de sal. O melhor mesmo é não colocar sal em nada.

Uma sugestão de legumes iniciais são: Mandioquinha, abóbora (pode ser moranga,
japonesa), cenoura, batata...para começar. Sabe por quê? Porque a ervilha, por
exemplo, pode provocar gases de início, assim como a batata doce. Á menos que
você coloque bem pouco. Tipo 3/4 de batata comum e 1/4 de batata-doce, por causa
do saborzinho que os bebês adoram. Beterraba também é bom e não costuma dar cólicas nem gazes.

Vagem, abobrinha e mesmo o quiabo podem ser colocadas assim que começar a fazer
com mais de um legumes, mas não vão causar qualquer problema se unidos já no
início, assim como o chuchu.

O espinafre, segundo pesquisas, possui um componente que rouba cálcio do organismo pois contém oxalato, e nunca deve ser consumido cru, por isso é melhor deixar pra depois. O bom é alface (só atenção pois alface demais dá sono antes da hora), rúcula e couve, que é rica em nutrientes e tem ferro. Tem ainda couve-flor, pra fazer creminho, chicória e brócolis.

As ervas frescas podem ser deixadas para depois. O coentro é a que exige maior atenção. O Nirá não tem problema, desde que colocado bem pouco. Depois, dá pra usar orégano também.

Uma receita fácil no vapor é feita com abóbora ou mandioquinha. É só colocar para cozinhar, depois de retirar a casca, e amassar com o garfo. A Abóbora, se tiver com muitas fibras, você pode bater no liquidificador com um mínimo de água. Não precisa de mais nada.

A mandioquinha, por sua vez, tem umas que acabam pedindo um pouco de sal. Só uma coisa: todo vegetal amarelo é rico em betacaroteno (cenoura, abobora, etc), então é bom atenção para não dar demais pois pode prejudicar a saúde do bebê.

O ideal é variar pelas cores mesmo. Uma hora dar amarelo, depois verde, depois vermelho, e assim por diante. Pois cada cor define os nutrientes dos alimentos.

Alimentos para intestino preso
Primeiramente, dar muita água para quem já se alimenta com mais que leite, e principalmente leite em pó, que resseca as fezes e dá constipação. E também lembrando: se o bebê tem intestino preso, não comece com maçâ, preferindo o mamão raspadinho. Suco de laranja diluído ajuda, cerca de meia hora antes da papinha salgada após a segunda semana da alimentação com colher.

Evite açucar refinado/branco e prefira o mascavo que tem fibras e nutrientes mais eficazes.

Não dê pão francês e quando os dentes já estiverem mais á mostra comece com pão integral que tem sementes oleaginosas como linhaça, gergelim, etc, ótimas para prisão de ventre.

As verduras são excelentes para ajudar no trabalho intestinal. Não cozinhe pois perdem a vitamina C. Coloque nas papinhas, bem picadinhs, no final do cozimento: couve, repolho ou alface.

Separe parte da comida e misture, e não coloque em toda ela pois se o bebê não
gostar você não perde tudo. Algumas folhinhas de salsinha são sempre muito boas para acrescentar clorofila e vitamina C ás refeições, e também ajudam o trabalho intestinal.

Sopas e Cremes
Sopa com caldo ralo, sem cor e com um gosto "meio assim" ninguém gosta né? O que dizer de uma criança? O caldo mais grosso sempre é mais atrativo.

Colocar parte das batatas no início do cozimento é o ideal. Se faz com proteína animal, refogue primeiro a carne e em seguida acrescente os tomates picados e as batatas que separou. Cinco minutos depois, os outros ingredientes.

Até que tudo fique cozido, a batata se dissolve e engrossa o caldo. Pode ser feito também com mandioca, mandioquinha...O sal deve ser colocado no início do cozimento. Para apurar, só quando estiver cozido, e bem pouco.

Beterraba com sal tem que ter muito cuidado para não alterar o gosto natural. Berinjela e abobrinha também, por isso alguns legumes não suportam muito a combinação com sal sem perderem o gosto.

Salsinha e outros verdes devem entrar como tempero após desligar o fogo, ou segundos antes. Se colocados no início, os valores nutricionais se perdem completamente.

Fiz outros posts com Receitas de Papinhas, Sucos e Sopas para quem quiser ter uma idéia do que fazer com ingredientes. Basta clicar nos links ou nas tags. ;)

Este post teve a colaboração da leitora Materna Kelly Savioli da Key Slings. =)

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12 de março de 2011

Dormindo com bebês

Estava arrumando minha caixa de e-mails e achei um texto falando sobre a cama compartilhada.
Um texto simples, curto, fácil de ler com argumentos ótimos.

Recomendo fortemente. Leiam!

Neste texto, faço uma pausa no assunto células-tronco e volto paras minhas reflexões sobre como nos definimos como humanos. Em visita ao zoológico de San Diego (aliás, altamente recomendável para quem visitar a região) tive a oportunidade de observar pequenos filhotinhos de primatas dormindo com seus pais. Os filhotes pareciam superconfortáveis, seguros, num sono descompromissado e restaurador.

Depois, em conversa com um amigo primatólogo, descobri que a maioria dos primatas não-humanos tem o hábito de dormir com seus bebês. Não acredito que isso tenha sido extensivamente estudado, talvez pelas dificuldades do trabalho de campo ou mesmo pelo respeito ao animal em cativeiro. Enfim, acho que isso é apenas uma observação de grupos que trabalham com primatas que sugere um comportamento comum. Mas e os humanos? Eles dormem com seus bebês?


Note-se que não tenho filhos, então me senti completamente confortável de pesquisar sobre o assunto, sem nenhum pré-conceito ou qualquer introdução prévia. O começo da minha pesquisa parecia fácil, bastaria perguntar para casais que tiveram filhos se eles dormiam ou não com os filhos. Para meu espanto, descobri que isso era um tabu. As pessoas não se sentiam confortáveis em falar sobre o assunto. É realmente interessante, pois nunca tinha prestado a atenção nisso e, na verdade, não vemos muito esse comportamento humano retratado em filmes, seriados ou qualquer outra forma de mídia na cultura ocidental. Muito curioso, pois isso deveria ser um comportamento “normal” dos humanos.

Pois bem, aos poucos, consegui alguns comentários curiosos de casais que estavam para ter filhos ou que os tinham tido há pouco. Na verdade, os comentários estavam vindo dos médicos pediatras: “Nunca durma na mesma cama com seu bebê”. Mais do que um comentário ou sugestão, a frase está mais para uma ordem a ser seguida. A razão aparente, é que um adulto dormindo poderia sufocar o recém nascido durante um descuido. E o que esperar de pais de primeira viagem depois dessa explicação aparentemente lógica? Que vão seguir as ordens do pediatra sem questionar, afinal ninguém quer ser responsável pela morte do próprio filho, ainda mais nessas condições.

No entanto, a explicação dos pediatras ocidentais me pareceu um pouco forçada. Perguntei-me quantos bebês já haviam morrido dessa forma. Para meu espanto, a resposta que obtive não foi clara, mas sim tendenciosa. Isso porque a maioria dos trabalhos relatando esse tipo de morte não é causal. Mesmo em casos nos quais o bebê morria sozinho na cama dos pais, o evento era classificado como morte causada porque os pais dormiam junto com os bebês. Nos poucos casos em que a causa foi devidamente investigada, descobriu-se que não tinha qualquer relação com dormir ou não junto aos pais. Em geral, uma infecção ou má-formação de algum órgão interno era a causa da morte.

Descobri então que a recomendação de nunca dormir com bebês era apenas uma hipótese sem qualquer base cientifica. Na verdade, a recomendação médica ocidental atual está contrariando o que se observa com outros primatas. Por que isso? A primeira vez que esse tipo de recomendação apareceu em um livro foi em 1901, num guia leigo para pais escrito por um homem solteiro com nome de mulher (The Baby, Marianna Wheeler, Harper Bros, London). Recomendações do tipo “Nunca manipule muito os bebês, eles devem passar a maior parte do tempo dormindo sozinhos” estão lá. A partir daí, outros guias leigos começaram a ensinar os pais a “resolver” os problemas de sono dos bebês deixando-os sozinhos, chorando até cansar. Hoje em dia isso soa estranho, pelo menos para mim…

Esses livros foram baseados na ideologia econômica e religiosa vigente da época. Além disso, existia um medo que os bebês pudessem presenciar atividades sexuais dos pais e ficassem traumatizados pelo resto da vida. Soma-se a isso o surgimento de conceitos como o de “amor romântico”, onde a relação conjugal ideal entre marido-esposa exclui a presença dos filhos, do individualismo e da autonomia infantil como forma de independência e do surgimento de “especialistas em bebês” que escreviam diversos livros para leigos, perpetuando essas idéias.

Esses conceitos foram definindo onde os bebês deveriam dormir: sozinhos, se possível num quarto separado. Foram levados em conta fatores históricos, morais, culturais para definir o que era “normal e saudável”, mas não fatores biológicos. Vemos aí a imposição da hierarquia de valores nos pais: na esfera social o “bom” bebê versus o “mau” bebê e na esfera “cientifica” o bebê mais desenvolvido e superior versus o bebê mimado e inferior. Afinal, se dormir sozinho é bom para o bebê, então bons bebês dormem sozinho, certo?

O problema é que esses conceitos entraram como pseudociência em consultórios e livros médicos. Ora, a idéia era tornar os bebês independentes o mais rápido possível. Assim eles estariam “prontos para o duro mundo dos adultos”. Acho que o que fica dessa história toda é a questão da independência do bebê. Mas o que significa deixar um bebê independente? O pior é que bebês não foram programados para ser independentes, pelo contrário. Um dos custos da expansão cerebral dos humanos é que o cérebro humano não está formado ao nascer. O bebê humano nasce dependente do contato. Sem contato com outros indivíduos, morre.

Poderíamos fazer o caminho inverso e perguntar qual a real necessidade fisiológica do bebê. Para isso, teríamos de deixar de lado o que esperamos socialmente dos bebês e começar a olhar qual é a real biologia da relação entre recém-nascidos e pais. Por quê os bebês precisariam dormir junto com alguém? Brevemente, posso pensar em algumas razões do tipo: proteção, monitoramento, fácil acesso à alimentação, redução do número de episódios de choro, os pais conseguem dormir mais e melhor (verificado experimentalmente), mais tempo com os filhos, conhecendo-os melhor e curtindo-os.

Achei alguns trabalhos científicos onde os autores acompanharam por vinte anos as características de bebês que haviam se tornado “independentes” no conceito ocidental (não chora e dorme muito), com outros que viviam em comunidades alternativas e que tiveram um contato maior com os pais, inclusive dormindo juntos. Não se encontrou evidência social, cognitiva, emocional ou fisiológica que demonstrasse alguma vantagem em bebês que dormem sós. Por outro lado, os bebês que dividiram a cama com os pais tinham menor representação em grupos com doenças psiquiátricas, demonstravam um melhor conforto com a identidade sexual, eram adultos mais independentes, com melhor controle emocional e de estresse (Heron, 1994).

Nos meus estudos, acabei concluindo que dormir juntos com bebês não é anormal. Ao contrário, deveria ser mais estimulado, pois não é perigoso ou inapropriado, além de ter uma conseqüência positiva no individuo adulto. A forma como é praticado pode ser perigoso, é verdade, mas isso não é inerente ao ser humano.

PS: Como descrevi no texto, as observações aqui relatadas são baseadas em pesquisa pessoal e em alguns trabalhos científicos. As conclusões podem estar completamente erradas.
Texto do Espiral.

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10 de março de 2011

5 perguntinhas para saber se seu médico é "cesarista"

Alguns médicos se fazem de bonzinhos e dizem que "fazem parto normal" para atrair clientes aos seus consultórios, quando na verdade eles só "assistem" partos normais de mulheres que chegam no hospital no expulsivo!

Primeiro que quem faz o parto não é o médico é a mulher, se o médico diz que "faz normal" sinal de que será cesárea na certa. =/

Depois, a grande maioria desses médicos atende por convênio é quer garantir o máximo de retorno das seguradoras então nem se preocupam com suas pacientes.

Se você pretende de fato ter um parto normal, sem riscos desnecessários para o seu bebê, seguem 5 perguntinhas básicas para verificar se o seu obstetra tá na mesma sintonia que você:

1) Doutor, quais as chances de eu ter um parto normal?

Resposta certa: 90%, pelo menos;

Resposta errada: ainda não dá pra saber, depende de como o parto vai caminhando, porque se der algum problema, não posso deixar você e seu filho morrerem, a gente só sabe na hora mesmo...


2) Doutor, quanto tempo dá pra esperar depois da bolsa romper?

Resposta certa: até 96 horas (4 dias), de acordo com o protocolo inglês, ou até 24 horas de acordo com os protolos mais conservadores, desde que o seu bebê esteja bem. Talvez a gente tenha que administrar um antibiótico se depois de 6 horas de bolsa rompida você não tiver entrado em trabalho de parto. E se você não entrar em trabalho de parto espontaneamente após esse prazo, a gente tem que induzir.

Resposta errada: 4 horas, 6 horas no máximo, senão o bebê pode pegar uma infecção mortal!!! E nem adianta induzir. Não nasceu em 6 horas, não nasce mais, pode fazer cesárea!


3) Doutor, a anestesia não dá problema no parto?

Resposta certa: ela pode atrasar um pouco o parto e aumentar a chance do uso de fórceps. Eu prefiro que a gente deixe a decisão para o mais tarde possível. E se o parto puder ser sem anestesia, melhor ainda!

Resposta errada: não! Hoje em dia a anestesia é super segura, feita bem embaixo para você poder ter todas as sensações, mas não sentir a dor. Eu mesmo só faço parto normal com anestesia, porque não gosto de ver paciente minha sofrendo...


4) Doutor, e se passar de 40 semanas?

Resposta certa: a gente vai esperando e monitorando o bem-estar do bebê, pois nunca aconteceu de um bebê ficar na barriga até a infância. Uma hora tem que nascer. Se a gente vê que lá dentro não está tão seguro, então a gente induz (estimula as contrações uterinas). Mas isso dificilmente acontece antes de entrar na 42ª semana.

Resposta errada: a gente induz quando completar 40 semanas, porque depois disso o bebê pode morrer dentro da sua barriga... ou pior... bom, senão entrou em trabalho de parto até 40 semanas, é porque não vai mais entrar. Tem que ser por cesárea mesmo.


5) Doutor, a cesárea é arriscada?

Resposta certa: veja bem, a cesárea é uma cirurgia e tem os riscos de uma cirurgia. O parto vaginal não corta seu abdômen, não há grandes perdas sangüíneas, é um processo fisiológico e de rápida recuperação. A cesárea é uma cirurgia cada vez mais segura, mas ainda assim traz 4 vezes maior taxa de mortalidade do que um parto normal.

Resposta errada: não, hoje em dia a cesárea está superdesenvolvida e quando acontece alguma coisa é muito simples corrigir. E geralmente essas histórias que a gente ouve de cesáreas que deram problema, foi por imperícia de alguém. Eu mesmo nunca tive um problema mais sério fazendo cesárea. Mesmo as hemorragias, choques e convulsões foram resolvidos com alguns procedimentos.

Agora é com você!

Por Ana Cristina Duarte, parteira e Dr. Jorge Kuhn, médico obstetra

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5 de março de 2011

Comercial de colchão com Parto Domiciliar

Esse comercial de colchão foi feito com o relato de um parto domiciliar.
Mais lindo, impossível!
Ele representa uma nova tendencia a "Humanizar" as propagandas e comerciais de TV.
En un país donde apenas un 1% de los partos es domiciliario, donde la mayoría de hospitales todavía está lejos de cumplir las recomendaciones de la OMS en la atención a partos normales, y donde, tristemente, la imagen general del parto es la de un acto hipermecalizado, frío y realizado por varias “batas verdes” como destapó el anuncio de Coca Cola, la marca de colchones Flex ha cometido la osadía de mostrar otra forma de llegar a la Vida: un parto en casa.

Hogar, armonía, calidez, intimidad, cariño, sabiduría ancestral, seguridad física y emocional y sobre todo, la magia del nacimiento, es lo que podemos ver en esta campaña titulada: “Tu cama. El lugar más importante del mundo”.
Texto daqui


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3 de março de 2011

“Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer”

Vocês conhecem a frase acima? Essa frase é de Michel Odent.

Para quem não sabe, ele é um dos precussores do parto Humanizado no mundo. Um médico, que trabalha com conhecimento cientifico, mas muito mais com o coração.

Ele esteve recentemente no Brasil para divulgar um pouco de seu trabalho e presenteou-nos com essa entrevista.

Imperdível! Vale a pena! Assistam!

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2 de março de 2011

Um pouco mais sobre Homeopatia

Especialidade visa tratar os pacientes por inteiro e não apenas focar a doença

Antes de realizar qualquer tratamento, é fundamental conhecer o médico e saber como ele pode ajudar você a dar um fim no seu problema. Com a homepatia, isso não é diferente. No nosso bate-papo com o dr. Moises Chencinski, veja como ele ajuda os pacientes que procuram a homeopatia a se manterem saudáveis a maior parte do tempo.

1.) Quais são os princípios dos tratamentos homeopáticos?
A Homeopatia é uma especialidade médica que trata os pacientes de uma forma global (holística) e não, exclusivamente, seus sintomas. O homeopata vê o indivíduo como um todo e tenta, através de medicamentos, mantê-lo equilibrado. O ser humano em equilíbrio consegue controlar seu estado de saúde. A Homeopatia (homeos=semelhante pathos=doença) é baseada em 4 pilares:
1) Lei da Semelhança - o que provoca uma doença que não existe, cura a doença que existe Hipócrates .
2) Experimentação em homem são e sensível - tratamentos que foram experimentados em pessoas saudáveis, na época de Hahnemann, de acordo com todos os critérios da boa ciência experimental.
3) Remédio único - o medicamento trata o indivíduo como um todo, com suas características individuais, e não cada uma de suas doenças.
4) Doses mínimas - o mais difícil de aceitar porque quanto mais diluído e mais energizado através de sucessões, menos matéria mas mais energia tem o medicamento, aumentando seu poder curativo.
A definição de medicina no dicionário (Aurélio) é: A arte ou ciência de evitar, curar ou atenuar as doenças. Este conceito, a homeopatia cumpre na sua totalidade.

2.) A medicina alternativa, como a homeopatia, vem ganhando mais pacientes?
A Homeopatia tem sido mais procurada por várias razões. Em primeiro lugar, ela tem sido mais divulgada. As pessoas estão passando a entender que é uma especialidade médica, séria, sem vínculos com misticismo, esoterismo ou religião. A consulta busca entender como é o paciente quando ele está bem e quais são os mecanismos pelos quais ele adoece. Para isso, o médico escuta e busca compreender melhor o seu paciente, estreitando, muito, a relação médico-paciente, favorecendo o acompanhamento e o tratamento.

3.) Qual é a principal diferença entre a homeopatia e a medicina tradicional?
Não saberia te dizer a principal diferença. A forma de abordagem é uma delas. A homeopatia avalia o paciente como um ser completo e não trata, separadamente, suas partes (seu estômago, sua cabeça, seu sono, etc). Pela sua "filosofia de tratamento", a Homeopatia busca tratar o indivíduo como um todo, equilibrando-o e, com isso, conseguindo com que o indivíduo se cure.

4.) A homeopatia é considerada como medicina?
A Homeopatia é uma especialidade médica, reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) desde 1980. A partir de 1990, a AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira) passou a fazer parte do Conselho de Especialidades Médicas da AMB (Associação Médica Brasileira), oficialmente e, desde então, realiza anualmente a prova para obtenção de Título de Especialista em Homeopatia em convênio com a AMB / CFM.

5.) Como o médico homeopata avalia e prescreve remédios aos seus pacientes?
O médico homeopata utiliza os recursos diagnósticos disponíveis para tratar seu paciente:
-Ele inicia com uma consulta médica e passa pelo exame clínico;
-Ele pede exames complementares (sim, o médico homeopata sabe pedir exames de laboratórios e de imagem como radiografias, ultrassom e outros e sabe analisá-los também);
-Ele chega aos diagnósticos (sim o médico homeopata faz diagnósticos clínicos e cirúrgicos, além de outros inerentes à especialidade homeopatia). O médico homeopata quando dá a sua receita, trabalha com a qualidade de vida de seu paciente (sim, ele dá orientações sobre sua alimentação, atividades físicas, higiene, vacinação entre outras) e, também, com o medicamento homeopático que, ao contrário do que se pensa, não demoooraaaa para fazer efeito, não piora para depois melhorar e pode ser utilizado junto com outros tratamentos.

6.) Há diferenças no valor do remédio e da consulta homeopática, em relação as demais?
A consulta homeopática é remunerada seguindo os mesmos parâmetros de pagamento de qualquer especialidade médica clínica (tanto particular como através dos planos de saúde). Quanto aos medicamentos, há que se observar a diferença de abordagem entre o tratamento homeopático e os outros. De acordo com cada tipo de paciente, com as formas diferentes de adoecer que cada ser humano apresenta, o tratamento medicamentoso será diferente. De uma forma objetiva, o custo do medicamento homeopático é mais baixo, se comparado com os tratamentos não homeopáticos. Isso faz com que a população de forma geral possa adquirí-los, seguir o tratamento e se beneficiar de seu poder de cura. Esta abordagem não exclui a necessidade e a validade de todos os outros tipos de medicamentos e tratamentos sérios, prescritos por especialistas (alopatia, fitoterapia, acupuntura, florais, por exemplo). Desde que seja orientado por profissionais sérios, com critérios, todas estas formas de tratamento têm suas aplicações e suas limitações. Basta ao "bom médico" conhecê-los e aproveitar o que eles têm de melhor a oferecer ao paciente.

Este artigo foi publicado no Site Minha Vida em junho de 2007, no site da Rede BioDrogas em (07/11/2007), no site AP do BANESPA (20/07/2008), no site Plena Mulher (01/11/2009).

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1 de março de 2011

Meditar durante a gestação ajuda na hora do parto

Existem muitas técnicas de meditação hoje em dia, não só para grávidas, mas para todas as pessoas que buscam o equilibrio do corpo.

Técnicas de meditação são ótimas para ajudar na hora do TP e do parto também.

Que tal aprender uma técnica simples para meditação e se ajudar na hora do seu parto? Vamos lá?

A primeira coisa que é preciso ter em mente é que: meditar não é exatamente um exercício, mas é um estado que se alcança após dedicar-se ao relaxamento e à concentração.

Portanto, para se alcançar o estado meditativo é preciso primeiro aprender a relaxar e se concentrar.

Saiba que isso irá beneficiar seu estado de saúde em vários aspectos, além de ajudá-la a viver o momento do parto de forma mais prazerosa.

Você sabia que parir exige muita concentração?

Se você não ficar "tensa" na hora do parto, seu bebê também se beneficiará e você conseguirá repor suas energias mais facilmente.

Vamos ao relaxamento?!

Primeiramente, tome um banho bem relaxante e coloque roupas leves. Depois, busque um local tranquilo de sua casa, onde você não seja interrompida. Você também pode utilizar aromaterapia com oleos essenciais ou até acender um incenso. Coloque também uma musica tranquila e suave, ela ajudará você a relaxar.

Deite-se de barriga para cima (se incomodar pode ficar de lado tambem), feche seus olhos e respire profunda e lentamente.

Tente se livrar de todos os pensamentos negativos nesse momento, inspire o ar bom, que traz alegria, paz, harmonia e todas as coisas de que você precisa e libere o gás carbonico junto com todos os pensamentos e sentimentos negativos de dentro de você.

Sinta seu corpo relaxando, dos pés a cabeça. Faça comandos de relaxamento mentalmente: Minhas mãos estão relaxadas, todos os meus dedos estão relaxados...
Você sentirá seu corpo pesado ao se entregar ao relaxamento.

Quando você sentir que está totalmente relaxada, aproveite e faça afirmações para você e seu bebê: "Eu estou tranquila, eu sou feliz! meu bebe é saudável!"

Depois de estar totalmente relaxada, mantendo-se de olhos fechados, você pode entoar mantras como o Om ou ainda Amém e Shalom.

Durante meu parto utilizei o Gambate!

Esse mantra servirá para afastar o medo, a insegurança ou ansiedade em qualquer momento e você poderá dize-lo mentalmente, cantando ou murmurando, conforme seu estado emocional, mas lembrando que o mantra ajudará na sua concentração.

Antes de levantar-se, espreguice, faça movimentos com as mãos e os pés, tome consciencia do seu corpo lentamente.

Levante-se e sente-se numa posição confortável, deixando a coluna alinhada, cruze as pernas e vire a palma das mãos para cima. Medite assim por algum tempo, sentido e recebendo a energia do universo e olhando para dentro de você sem pensar em coisa alguma.

Repita esse metodo diariamente e até depois do parto. Voce tambem pode fazer yoga se não houver contra indicação de seu médico.

Meditar é uma das melhores opções para um parto tranquilo.

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