Mostrando postagens com marcador Materna Convidada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Materna Convidada. Mostrar todas as postagens

4 de junho de 2009

Engravidando...

Desde o nosso casamento, em Julho de 2005, pensávamos em ter um bebê. Queríamos muito mas eu tinha trocado de emprego recentemente, o que me fez adiar um pouco o plano.

Quando imaginava que estava preparada, em Janeiro de 2007 começamos a pensar de verdade em nos tornarmos pais. Começamos despretensiosamente, é verdade, sem qualquer tipo de método. E assim foi por 6 meses. Depois, passamos a controlar muco, temperatura, tabelinha, enfim, tudo que pudesse nos dar uma dica do dia fértil. Assim ficamos por mais 1 ano...

Foi quando decidimos procurar um especialista em fertilidade. Tivemos a primeira opinião, bem drástica: vocês não conseguirão engravidar naturalmente! Fomos em 3 outros especialistas em fertilidade e também consultei meu obstetra, e todos foram unânimes!

Sendo assim, optamos por um deles e partimos para a ICSI (injeção intra-citoplasmática de esperma). É uma técnica moderna, avançada e caríssima, onde o médico injeta um espermatozóide, escolhido por ele, no interior do óvulo; aguarda de 2 a 3 dias para que o conjunto óvulo + espermatozóide vire um embrião; e implanta esses embriões no interior do útero da mulher.

Esse processo todo é cheio de expectativas e emoções, e embora saibamos que as chances de engravidar são de 40%, nunca contamos com os outros 60%. Os dias que sucederam a implantação do embrião eram cheios de emoção e expectativa. Estava com três embriõezinhos no ventre e muita, muita expectativa no coração.

Mas, 2 dias antes de fazer o exame beta-hcg, que confirmaria a gravidez, tive um sangramento intenso, que mostrou que as minhas expectativas estavam frustradas... Chorei muito e me senti a pior das criaturas. Isso foi dia 26 de Julho de 2008.

Foram 2 dias de muita dor, muito choro, muito luto. Emoções tristes e muito negativas. O fato de não ter engravidado num procedimento tão sofisticado fez com que minha auto-estima ficasse realmente muito baixa.

Segui com minha vida da maneira que pude. Trabalhei normalmente apesar da intensa hemorragia. Até que a hemorragia foi passando, e a tristeza também. Passamos o mês de Agosto bem, e já fazendo muitos planos para a nossa nova tentativa de ICSI, que seria no início de 2009. Não desistiríamos facilmente!

A menstruação desceu normalmente dia 20/08. Meu marido decidiu mudar de emprego, para tocar os negócios do pai, no interior de São Paulo (320 Km). Pediu demissão dia 15/09.

No dia 17/09, como estava me sentindo esquisita, decidi fazer um teste de gravidez. Fiquei completamente embasbacada quanto vi o resultado positivo...

Mostrei para o meu marido quando ele chegou em casa, e como estávamos meio traumatizados pela perda da ICSI, combinamos não comemorar nem ficarmos felizes. No dia seguinte, fui fazer um exame beta-hcg. E o resultado foi positivo!!!!

Mesmo assim, deixamos para comemorar somente após minha consulta no obstetra, que foi no dia seguinte. Quando ele me deu os parabéns, abaixei a cabeça na sua mesa e chorei muito por mais ou menos 10 minutos, sem parar. Estava tão feliz, tão feliz, que toda a felicidade transbordou em forma de lágrimas.

Toda a frustração da fertilização sem sucesso, tudo perdeu a importância, pois estava gerando uma vida!! Ele tinha escolhido o momento de vir, e a natureza se encarregou de escolher o espermatozóide ideal, e não o médico. Foi uma emoção enlouquecedora!

Ligamos para os avós, tios, tias... e claro, todos compartilharam do momento conosco, a felicidade só aumentava!!

E hoje sou alegria pura com a chegada do Enrico, meu meninão que nasceu dia 15 de maio num parto normal muito tranquilo!



*Lições importantes*

1) Confiar. Em Deus (ou em uma força que te moverá aos seus objetivos), em você e na vida. Eu em alguns momentos perdi a fé, estava totalmente desacreditada. E aí, me foi mostrado que não se deve perder a fé NUNCA.
2) Escolher. Dividir problemas apenas com pessoas que tenham uma relação íntima com você e seus problemas. Na torcida, as pessoas criaram expectativas. Na expectativa, dividiam com você. E é muito pior compartilhar uma derrota com 100 pessoas que apostavam na sua vitória, do que com 10, que também apostavam, mas demonstrarão menos a sua decepção.
3) Amar. O marido, o filho que chegará, a família. O amor transforma, renova e dá força.

Sou a Valéria Favaretto, 33 anos, gerente de marketing de uma empresa de eletrodomésticos, casada com o Gustavo há 4 anos, realizada no trabalho, no amor e agora na vida com a chegada do meu pequeno príncipe.

Homenagem para Mães

Existem muitas formas de ser mãe e mesmo quem nunca pariu certamente entrou em contato com a magia deste ato é acolher, amar e cuidar. A maternidade foi, sem dúvida, a experiência espiritual, física e psicológica mais intensa e transformadora que jamais ousei imaginar. Eu estava com malas prontas para ir à Índia mergulhar em um processo de autodescoberta. Quando me descobri grávida, chorei olhando a foto de minha Mestra Espiritual. Em sonho ela me disse: Você terá aquilo que busca, mas não da maneira que deseja. Eu almejava a transformação mais profunda e a real experiência do amor.

A primeira coisa que nos transforma são os hormônios. Como o corpo se estabiliza. Tornamo-nos luas cheias. O cabelo e a pele reluzem numa gratidão da natureza por estarmos permitindo a realização daquilo que todos os meses nosso corpo procura fazer. Estamos gerando uma vida, fruto de uma momento de conexão, carregando um outro ser, com sua própria história de vidas. E durante a gestação nosso cérebro reptiliano, o cérebro mais primitivo, fica ativado.

Lembramos de coisas muito antigas, como nossas própria gestação e nossa primeira infância esquecida. Nascemos como mulheres choronas e cheias de força, um feminino perdido em teorias e opressões que se revela em pura intuição, amor e essência selvagem. Nossos sentidos se aguçam e sentimos amor por todas as formas de vida. Nascemos como reflexo de Gaia, a grande Mãe Terra.

Aí aquele ser, que era só uma idéia, começa a interagir. Se mexe quando você canta para ele ou quando de leve toca perto do umbigo. Começa uma conexão mágica, um amor sem tamanho que faz com que, para sempre, tenhamos um coração batendo fora de nosso corpo.

Aí vem o parto e a oportunidade de fazer diferente da maioria, de resgatar nosso feminino massacrado por vidas em um parto natural, em que mãe e filho são respeitados como seres humanos plenos. Esta experiência é tão forte na vida de uma mulher que ela pode perder a memória, ficar esquizofrênica, mas certamente se lembrará com detalhes o nascimento de cada filho. O parto nem sempre é não da maneira como desejamos, mas ele nos transforma de tal forma que acabamos nos reunindo e criando um espaço só para compartilhar desta experiência surreal.

Com aquele pequenino ser nos braços temos a possibilidade de fazer diferente do que fizeram com a gente, diferente do que toda a sociedade pensa ser normal. As coisas passam a ter outro valor. Os papos-cabeça parecem sem sentido algum diante de um sorriso ou um barulhinho bobo; as teorias quânticas são experimentadas no salto de um sono profundo segundos antes de seu filho acordar, mostrando que todos somos UM e mãe e filho vivem por um tempo esta deliciosa simbiose. Nosso peito, antes apenas apreciado sexualmente, passa a oferecer o alimento mais precioso, repleto de nutrientes e amor.

Você vai me perguntar: e a dor do parto, e as noites em claro? Elas existem sim, mas são um grão de areia de um litoral perto da felicidade de exercer essa função incrível que é o maternar.

O homem, apenas um ser de afinidades ideológicas e sexuais, passa a ser um companheiro de uma jornada indescritível. Antes de ser mãe, se alguém me dissesse isso, pensaria: coitada, vive em função do filho e deixa a vida passar.

Hoje sei que ter um filho é colocar em prática o que outrora foi teoria: todas as crenças, rezas, meditações, poesias são colocadas a prova. E não há felicidade mais incrível do que você ver um ser feliz, independente, educado e generoso a escrever sua própria história e você, ajudá-lo a superar as dificuldades e desenvolver os talentos.

E este pequeno ser inspirar você a ser melhor a cada dia, reinventando a vida, as relações. Ser mãe, hoje eu sei, foi um presente dado aos Anjos mais especiais para que experimentassem o maior amor do mundo. Eu sei que você sabe o que é isso e se ainda não sabe, desejo que desperte para este precioso dom que recebemos.

Kalu, 29 anos, Mãe do Miguel, 2 anos, jornalista, Yoguini, Reikiana, Educadora Ambiental, Mamífera e Blogueira que sonha, através das palavras, plantar sementes de transformação.

3 de junho de 2009

Aceitando uma gravidez

Quando engravidei do Igor, tinha 21 anos, fazia faculdade e havia acabado de conseguir um estágio na área, em uma grande editora. Nem preciso dizer que a notícia não me agradou nem um pouco.

Felizmente, minha família é super aberta a discussões e a primeira pergunta que minha mãe fez quando lhe contei foi: "Você vai ter o bebê?".

A possibilidade de não tê-lo, com o apoio da minha mãe, apazigou-me. Apesar de saber da ilegalidade, havia, sim, essa possibilidade. Resolvi ter. Não teria coragem de interromper uma gravidez, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis.

A gestação foi uma fuga completa. Não me sentia grávida. Ora pensava em nomes e ficava feliz, ora chorava e fazia loucuras, como mudar todos móveis de lugar (incluindo guarda-roupa...)

Durante os quase 8 meses (o Igor acabou nascendo prematuro, por causa de uma pré-eclâmpsia -- Freud explica...), ouvi as famosas frases "que barriga linda", "você está super bem, né?", "qual vai ser o nome?", "ser mãe é uma dádiva".

Sinceramente não me sentia carregando uma vida, mas um fardo, que me atrapalhava, me ocupava, me fazia passar mal. E como assumir isso a uma sociedade que engrandece tanto o papel materno? Fiquei escondida dentro de mim e resolvi viver um papel imposto, que não era o meu. Seria mãe, conforme pintam.

Nem preciso dizer que quando o Igor nasceu, o peso da responsabilidade pesou mais do que eu poderia aguentar e fui ficando cada vez mais neurótica. Não tinha paciência com os choros, nem quando ele sujava a roupinha – ele tinha de estar apresentável para todos, sempre. Graças a uma consciência que nem sabia ter, procurei ajuda. Fiz dois anos de terapia.

A terapeuta deixou-me assumir o quase não amor pelo meu filho. A raiva pelo meu marido. O quanto eles "estragaram" a minha e, o melhor: ela me mostrou que tudo isso era escolha minha. Eu havia escolhido passar por isso. Era isso que eu precisava ouvir, que assim como eu havia feito aquela escolha, que parecia tão difícil, eu poderia escolher qualquer outra, muito mais fácil. Foi então o início de um processo para me tornar mãe, de verdade, e amar meu filho. Tornei-me, nesse ínterim, mulher.

Foi bem aos pouquinhos, mas lembro-me de cada passo importante que dava a esta autoaceitação. O dia que olhei pro meu filho e percebi que o amava foi o dia mais feliz da minha vida. Lembro-me até hoje emocionada. Ele já tinha mais de um ano.



A lição que tirei de tudo isso é que há muitas mulheres que não gostam, mesmo, de estar grávidas. Simples assim. E quando aceitam isso para si, as coisas ficam muito mais fáceis. Quando uma mulher próxima diz que está esperando bebê, a primeira reação que tenho é ficar feliz. Mas depois, respeitosamente, pergunto:

- "Mas você está feliz?"

E dou a chance de ela dizer se sim ou se não, de pôr para fora esses sentimentos não tão bem aceitos pela sociedade, se for o caso.
E se você não se sente bem com a gravidez, sente-se feia, inchada, sem forma, não sabe lidar com crianças, têm medos, não se sinta mal. Sinta-se mulher. Sinta você dando um recado para você mesma. E aceite-se. Esse será o primeiro grande passo para ser uma mãe ótima para o seu filho, tendo as suas características próprias e respeitadas.

Nessa minha segunda gravidez, como as coisas estão diferentes! Estou aprendendo ainda mais sobre mim.

A gravidez nos transforma! Não em mães, mas em mulheres, e essa é a melhor parte!

Eu sou Penelope Brito, mãe de Igor, com 6 anos e quase 9 meses e aguardo Caio há 34 semanas (está chegando!). Sou casada com Jorge, sou revisora e editora de livros, contadora de histórias e paulistana "da gema"... :-)
Apesar de o Igor já ter 6 anos, considero-me materna há uns 3 anos, mais ou menos. E não tenho vergonha de assumir isso publicamente, não. Afinal, a evolução feminina deve ser um orgulho! E é sobre isso que escrevi aqui.

2 de junho de 2009

Filhos do Coração

Não foi em meu ventre que meus filhos se formaram, não foi em meu ventre que os senti mexer, mas em meus braços, no meu colo.

Não ficamos unidos pelo cordão umbilical, mas pelo calor do amor, das batidas do coração, estamos ligados pela adoção, pelo sentimento mais puro, pela benção de Deus, nos unimos pelo destino.

Com os dedos de minha mãos toquei no rostinho de cada um, com ternura, acariciei os cabelos, tirando os medos, rejeição, chamando-os de meu filho, minha filha, e ouvindo mais tarde mamãe.

Um frio na barriga, dor, medo, angústia, ansiedade, choro, alegria, prazer, sentimentos de mãe à espera deles em meus braços.

Dois vieram já grandinhos, a outra saindo da maternidade para os meus braços. Eu pari meus lindos filhos sim! Com toda a intensidade de minha alma que ansiosamente os esperava, a força desse amor tornou-se o vínculo forte de união.

É inexplicável sentir o olhar do bebê direcionado ao meu, torna o sentimento particular e único, especial. Contagia a minha alma, estremece o meu ser.

Cada dia é uma novidade nesse universo que é ser mãe. Ao dar mama, a neném chora se não a estou olhando. Gosta de olhar em meus olhos, reclama pedindo atenção e isso é mágico!

Obrigada meu Deus por poder PARIR filhos da alma, do coração, pelas noites em claro, por escutar o choro da vida, pela satisfação de ver as roupinhas no varal, de os pôr para dormir, de educar os maiores, contar-lhes histórias, cuidar de sua alimentação, de ouvir os muitos “eu te amo mamãe “.

Como é bom parir filhos do AMOR, da vida para a vida.

Deixo aqui um poema de Fernanda Campos Scialla:
A natureza me fez mãe.
A vida me trouxe filhos.
Filhos e filhas do meu coração.
Filhos de Deus, querubins em pleno vôo matinal pela existência.
Corcéis da noite domando a escuridão.
Flores perfumadas, coloridas e vivas em sintonia com o sol no jardim da esperança.
Corações em vigília sentindo tudo aquilo que seus olhos, janelas da inocência, não podem ver.
Castelos construídos nas praias de seus pensamentos.
Olhos...diamantes multicoloridos que tão bem ornam com o sorriso, mas que por tantas vezes sangram o milagre da vida, por muitos incompreendido.
Mãos, toques divinais, suaves e tão pequenas mas capazes de afagar toda minha essência!
Braços alados, envolvendo e elevando minha alma.
Sorrisos tímidos, testemunho de Deus, trazendo a verdade que clama por nós!
Pedacinhos de gente concebendo o meu ser.
Não filhos do meu útero, mas filhos da minha vida.


Luzia Barbosa é casada com Claudionor e mora no Brasil. É mãe de Pericles, Vanessa e Sophia Luz. É educadora, ensina crochê e faz trabalho voluntário também, além de ser uma cozinheira de mão cheia!

1 de junho de 2009

Meu filho nasceu com MEGACOLON CONGENITO

Depois de 4 anos que tive minha filha, engravidei de novo.Fiquei super feliz!

Apesar da indecisão se deveria ter outro filho naquele momento ou esperar mais um pouco, foi mais uma conquista, mais uma alegria para minha vida...

Durante a gravidez tive problemas com peso, como na gravidez anterior, mas correu tudo bem.

Quando descobri que era menino, meu primeiro menino, fiquei tão feliz, minha felicidade estava completa!!!

Ele nasceu numa terça-feira de manhã... Comecei a sentir contrações na segunda a noite e de madrugada fui para o hospital, e terça ele veio ao mundo, aparentemente saudável.

Fiquei uma hora com ele na sala de parto, amamentei e as enfermeiras colocaram ele do meu lado, fiquei o admirando-o.

Depois disso, como regra do hospital, ele ficou 1 dia para fazer os exames e eu fui para o quarto.

No dia seguinte, fiquei esperando ansiosamente meu filho ir para o quarto, perto de mim, da família dele, era pra ele ir antes do meio-dia, mas deu meio-dia e nada dele. Procurei saber dele e só me diziam que ele ainda estava fazendo alguns exames...
Começou a demorar muito e eu já fui ficando agoniada, até que me chamaram na enfermaria, lá ele estava com um pediatra que me deu uma bomba! Disse que meu filho desde que nasceu não estava fazendo coco. Ele mamava e vomitava verde, ele estava com a barriguinha cheia, parecia que ia explodir...

Na hora meu chão sumiu, comecei a chorar e chorar, eles não sabiam me dizer o que exatamente meu filho tinha e eu não podíamos ficar com ele porque ele tinha que ficar na incubadora.

A noite o dono do hospital me chamou de novo e disse que como eles não tinham recursos, ele seria transferido para um hospital maior, para saber o que ele tinha e poder esvaziar a barriguinha dele antes que causasse algo...

Chorei, pedi, implorei para ir junto, mas o medico não me liberou, pois estava em recuperação pelo corte que levei (episiotomia). Eu não parava de chorar.

Meu marido foi com meu filho, mas também não pode ficar lá, só esperou diagnosticarem o que ele tinha e ficou um pouquinho com ele, mas não pode dormir lá.

Os médicos informaram que o nome do que ele tinha era MEGACOLON CONGENITO. Eu não fazia a mínima idéia do que era isso, e aqui num país que não entendemos 100%, ficamos perdidos.

Antes de voltar ao hospital onde eu estava meu marido foi pesquisar para saber do que se tratava e levei para que eu lesse no hospital. Descobrimos que MEGACOLON CONGENITO é uma doença do intestino que não pode ser diagnosticada durante a gravidez, é uma parte do intestino que nasce morta, não funciona e os bebês não conseguem evacuar, e o tratamento é só a base de cirurgia, onde se faz a retirada dessa parte do intestino que não funciona...

Fiquei desesperada e sem poder acompanhar meu filho no hospital, pois aqui onde moro não tem especialistas no assunto e ele teve que ser transferido na manhã seguinte para outro hospital que fica a 40 minutos de carro daqui pela rodovia expressa. Queria ir junto, mas não me deixaram...

Chegou lá foi para fazer exames e ficar em observação, e eu internada na maternidade com meus peitos explodindo de tanto leite sem poder amamentar meu filho, decidi tirar e levar meu leite pro meu filho, pois o medico disse que meu filho só faria a cirurgia quando chegasse a 4 kilos, ele nasceu com 3345, mas chegou há emagrecer um pouco por no começo não conseguir mamar direito...

Fui visitar meu filho no quarto dia, com uma vontade louca de ficar lá, mas como ele tava na UTI não podia dormir, então voltei e no quinto dia tive alta da maternidade.
Todo dia era uma correria, meu marido ia trabalha quando saia íamos no hospital ver meu filho e levar meu leite para ele, depois voltávamos tarde da noite.

Com quase um mês ele ganhou os 4 kilos e fez a cirurgia. No dia da cirurgia (que demorou cerca de 5 horas) fiquei com o coração apertado, chorei o tempo todo, não agüentava mais esperar.

Ele voltou da sala de cirurgia para UTI cheio de dor, dormia mas acordava e chorava, dava mais um cochilinho mas a dor não deixava ele descansar,isso partiu meu coração, como eu queria trocar de lugar com ele! Era muito sofrimento para um bebê!
Depois da cirurgia foi a recuperaçao, pois com a cirurgia ele perdeu peso e tinha que ganhar de volta. Eu tinha que controlar o leite ate que o intestino aprendesse a funcionar normalmente.

Com quase 2 meses ele recebeu alta. Fiquei tão feliz! Meu filho iria para casa, ficar perto da família e receber todo amor que estava lhe esperando.

Foi uma luta e tanto, mas conseguimos a vitoria!!!

Hoje meu filho tem 10 meses e muita saúde, muito apetite e faz muito coco sozinho sem precisar de lavagens e tal. Ainda está em tratamento, mas quase 100% curado!!!

Esta super forte e saudável! Até um pouco gordinho... rsss

Graças a Deus superamos tudo isso!!!

Todos os dias comemoro muito com minha filha linda e meu filho recuperado e saudável e pela nossa vitoria!!!

Somos privilegiadas por podermos dar a luz!!!

Meu nome é Simone, tenho 24 anos e moro em Aichi ken. Sou casada com o Thiago, mãe da pequena Yasmine de 4 anos e do Lucas de 10 meses. Para mais informações sobre a doença MEGACOLON CONGENITO acesse a comunidade do orkut: GUI E VI CONTRA O HIRSCHSPRUNG

Relato completo de um parto humanizado

Sempre quis ser mãe, desde bem menina, sonhava com isso, em carregar um bebê e sempre, sempre me imaginei num parto normal.

Meu primeiro filho foi uma gravidez com “planejamento inconsciente” como brinca meu marido, já morávamos juntos há 01 ano e tínhamos acabado de marcar a data do casamento, comunicado às nossas famílias e decidimos viajar de carro para Porto Alegre para o Fórum Social Mundial.

No retorno dessa viagem, descobri a gravidez. Foi um mistura de medo e felicidade que nos impulsionou; casamos, compramos nosso cantinho e tivemos nosso primeiro filho: Felipe. Na época do parto, eu tinha informação e acreditava que era suficiente. Havia lido algumas coisas e acreditava que a via natural de nascimento era o parto normal. Não fazia idéia dessa indústria de partos no Brasil.

Começamos com uma GO, mas no final nos sentimos inseguros com ela e mudamos por indicação de uma pessoa que conhecemos num PS. Marcamos a consulta e o médico com um discurso lindíssimo, atendimento impecável, mostrou-se adepto ao Parto Normal, Dr. M.G. – consultório pomposo no Pacaembu. Com 39 semanas e 04 dias ele me internou no Santa Joana, e mandou induzir. Fiquei duas horas no “sorinho” sem sentir dor, sem sentir nada além de Braxton Hicks, então ele me mandou ao centro cirúrgico e realizou a cesárea.

Justificou que era pela circular cervical que ele só tinha visto no momento do parto.
Estava tão ansiosa e confiava tanto na palavra dele que achei que ele havia salvado a vida do meu filho...

Olha a explicação: o cordão enrolado não permitia que ele descesse e meu filho estava sofrendo! (Socorrooooooooooo!!!)

E eu comecei a criar toda uma justificativa baseada em cordão enrolado no pescoço para a cesárea que fazia muito sentido para mim e que foi meu discurso por quase 3 anos. Como eu não tinha consciência de tudo isso, do absurdo que ele havia feito, das intervenções com meu filho, do absurdo do afastamento precoce, de terem dado nan a ele, enfim, tudo isso estava fora do meu campo de visão. Minha lembrança do parto e da chegada dele tem alegria, felicidade por ter me tornado mãe.

“Um sonho de dois
Virou um de sonhos
Dois: Pérola e William
Um: filho querido Felipe
Nove meses de espera
Sem saber o que nos esperava
Um rosto lindo, uma vida plena
O chorinho gostoso, o olhar encantador
Mamãe chorona com tanto amor, papai cantador com tanto amor!
Quanta vida nos aguarda quantas surpresas, mudanças, alegrias...”
(Poeminha para o Fê - 2005)


Hoje consigo enxergar que fui roubada, que meu filho nasceu antes do seu tempo e que sofreu intervenções desnecessárias e nos desgastamos muito com o hospital, com as rotinas e protocolos deles.

Sofri muito na recuperação da cesárea, com dores, com o corpo dolorido. Foi muito difícil, mas, passou, sempre passa. E a jornada de nos tornamos uma família foi muito mais gostosa, de aprender a ser mãe, de ver meu filho crescer.

Após um tempo coloquei o DIU porque queríamos esperar um tempinho antes de engravidarmos novamente. Assentar tudo. Após um ano e meio de DIU num ultrassom de rotina, a médica me disse que o DIU estava no colo do útero e seria necessário retirá-lo, eu poderia recolocá-lo se quisesse. Optamos por não colocar e na época saquei que meu corpo havia expulsado o DIU. A idéia de uma nova gravidez já estava latente.

Depois de 2 anos e 3 meses do nascimento do Felipe, engravidamos novamente, agora bem planejadinho e com muita expectativa.

Não tinha nenhum GO na época, apenas uma médica com quem fazia consultas de rotina. Peguei meu livrinho da Medial e encontrei um GO próximo a minha casa.

Na primeira consulta ele viu que eu estava com o resultado do Beta HCG na mão, mas soltou a pergunta “qual o problema?” e depois ficou sem graça e disse “problema não boa notícia... rs” – Hoje vejo que era um sinal sutil de como ele encara a gravidez: um problema.

Enfim, esse médico que prefiro chamar de Dr Zen, super tranqüilo, fazia ultrassom toda consulta na própria clínica, não fazia idéia do que era uma doula, e disse que eu podia ter parto normal, mas poderia ter incontinência urinária pós parto, precisaria fazer episiotomia e usaria fórceps. Detalhe: errou meu nome duas vezes e a qualquer sinal de cólica ou coisa parecida me colocava em repouso de pelo menos uma semana.

Ao mesmo tempo comecei a participar da lista maternas_sp e a ler, devorar tudo que falava sobre o assunto (Li Parto Normal ou Cesárea? O Que Toda Mulher Deve Saber (e todo homem também) e Quando o Corpo Consente)

A Ana Cris, maravilhosa, me escreveu alguns e-mails me alertando, me mostrando algumas coisas, assim como muitas maternas.

Ok, depois de todo o papo do Dr. Zen, cansei desse cara e nunca mais voltamos. Após passar toda a listagem de médicos do meu convênio para a AC, vimos que apenas três eram adeptas do Parto Normal. Caramba!

A AC indicou a Catia também e cheguei a marcar e desmarcar duas consultas.
A questão de pagar consulta quando tínhamos convênio era punk.

Vamos lá, então. A médica do convênio já havia atendido uma das maternas e para um GO que atende via convênio, ela é muito boa, atende sem tempo contado, tira as dúvidas, conversa e sempre se mostrou adepta ao Parto Normal, com ressalvas do tipo “O risco de ruptura uterina é pequeno, mas e se for você? Você não vai gostar, né?!”. E sempre deixou bem claro que poderia não acompanhar o parto e nesse caso seria uma de suas colegas de consultório. Isso me deixava insegura. Me deixava insegura também pensar que seria com alguém que eu mal conhecia. A doula ela aceita, desde que seja da equipe dela. Uma obstetriz que cobrava uma nota preta e com isso ela não aceitava doula de fora. A maternidade que ela indicou era a Pro Matre que também não aceitava doulas e toda vez que eu entrava na Pro Matre e era atendida por aquelas obstetrizes não sabia se iam me oferecer um drink ou me examinar...Super maquiadas, parecendo aeromoças (com todo respeito à classe) com quilos de base e cílios postiços...Credo!
A insegurança permanecia constante, ficava ansiosa em ter que negociar o plano de parto e só ter doula em casa, em não saber quem faria o parto.

Nisso já participava mais ativamente da lista e muitas, muitas fichas foram caindo e quanto mais eu lia, mais eu me incoformava com a cesárea que eu havia vivido, com a falta de ética e de caráter de alguns médicos, com o absurdo mercantil dos convênios.

“Você não faz idéia de quantas armadilhas existem no atendimento obstétrico.
Você não faz idéia de como é a formação médica.
Eu não quero que você troque de médica.
Eu quero que você saiba o que está escolhendo e que você abrace o seu desejo.”
(Trecho de um dos e-mails da Ana Cris)


Bom, após muitas noites sem dormir, muitas buscas, muitos e-mails, de uma identificação enorme com a Dra Catia, e de um e-mail certeiro da AC, decidi mobilizar meu marido, médicos, doulas e quem precisasse para ter o parto que eu queria.
Foram noites angustiantes, de conversas com amigas, de trocas de e-mails, de espera.
Sentia que era agora ou nunca! Eu estava com 33 semanas e ainda dava tempo.
Foi um sentimento de que eu tinha que fazer isso ou não seria honesta comigo mesma.
Crescer dói pra caramba, chorei muito, orei muito e entreguei nas mãos de Deus, mas não antes sem fazer a minha parte.

“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.”
(Mario Quintana)


Não ia aceitar a fatalidade de uma cesárea desnecesárea, sabendo tudo que eu sabia.
É um caminho sem volta...

Muitos e-mails, muitas conversas e fechamos, a equipe seria Catia, Ana Cris e Dra Nina, substituída no segundo tempo pelo Dr.Douglas...

E o parto seria domiciliar (PD)... Que jornada! De parto normal a parto natural para PD...

Com 38 semanas comecei a sentir cólicas fracas, dores na bacia e pontadas na vagina, e sempre na expectativa de algo acontecer, do meu corpo funcionar como devia, de ser capaz de parir, imaginava o parto, como seria tudo. Muitos e-mails na lista, muitos bate-papos com maternas. Deu tempo de ir num encontro das maternas relacionamentais, de ir ao encontro de fim de ano das maternas com 41 semanas cravadas e até cinematerna rolou...

Caminhadas em parques e muitas saídas gostosas para fugir da ansiedade...

Os pródromos iam e vinham e já tinha me habituado aos sinais falsos e às Braxton Hicks, amigas íntimas...

Com 40 semanas a ansiedade pegou pesado. Muitas meninas maternissímas me escreveram, me pediram paciência e entrega...

“Meia noite e meia
Uma pedra range
Uma porta late
Um cachorro longe
O motor de um carro
No portão de casa
Bate o vento passa
Na janela inteira
Meia lua cheia
Na montanha imóvel
Que me olha imensa
Fora do que penso
No meio da sala
Meu sapato encalha
Nos pés da cadeira
Um som que não pára
No silêncio claro
Do vidro uma abelha
Zumbe em minha telha
Chove minha cara
Velha agora espelha
Na poça uma estrela
Treme e atravessa
O avesso da véspera
Desamanhece
E eu desadormeço”
(Arnaldo Antunes)


No final de semana em que completei 41 semanas, decidi almoçar num rodízio de comida japonesa e me acabei de comer, logo depois fomos para a confraternização de fim de ano das maternas, foi uma delícia. Estava no maior pique, super animada.
No domingo dormi muito, quase a tarde toda. À noite fui à ceia da igreja e ficamos um tempão lá, conversando com todos e comendo bastante. O tema: parto, parto, parto!
Nessa noite, meu filho quis, pela primeira vez na vida, dormir na casa da minha mãe. Algo sem precedentes. Fiquei arrasada, nunca tinha ficado longe dele à noite. Voltei para casa chorando.

Chegamos em casa e assistimos um episódio de “Central de Bebês” da Discovery Home&Health, foi muito legal, mostrou uns três partos naturais e pela primeira vez o Will assistiu comigo.

Fomos dormir, mas antes andei um pouco pela casa e conversei com a minha barriga, com a Bia, dizendo que ela podia vir que eu estava preparada, que iríamos recebê-la com carinho, para ela não temer.

Na madrugada de domingo para segunda feira – 22/12, lá para 4h20 eu imagino, não olhei no relógio, acordei com uma contração bem forte. Não me animei muito porque já tinha acontecido antes. Depois de um tempo, veio outra, olhei no relógio 4h28; como doeu bastante resolvi levantar e nessa hora senti um jatinho de água escorrer e molhar a calcinha e a calça do pijama. Era a bolsa.
Estava começando. Fiquei muito animada.

Decidi acordar o Will e ele ficou todo animado e levantou. Queria ligar para a Ana Cris. Avisei que ainda poderia demorar (mal sabia...rs) e ligaríamos mais tarde, até porque não queria acordá-la tão cedo.

Começamos a anotar as contrações. Vinham de 10 em 10 minutos. Logo estavam vindo de 07 em 07 minutos. Ficamos agradecidos pela sensibilidade do meu filho querido por ter decidido ficar na minha mãe, pois eu e o Will pudemos nos entregar ao momento.
Avisamos um bocado de gente que havia começado.

Conversamos com a AC mais tarde, que pediu que ligássemos quando engrenasse de 05 em 05 minutos por uma hora.

Ouvimos música o tempo todo e eu me sentia muito, muito feliz!

Resolvi descer no prédio para caminhar e quando a contração vinha, no início, eu agachava e melhorava muito. Quando descemos, as contrações espaçaram e ficaram de 09 em 09 minutos e assim foi indo o dia todo. Oscilando muito. Fiquei um pouco desanimada.

Tínhamos marcado uma sessão de acupuntura com a Eneida para induzir naquele dia.
Conversamos novamente com a AC e com a Catia e decidimos fazer a sessão de acupuntura que havíamos marcado para induzir para ver se engrenava o TB. A Catia suspeitava de rompimento alto da bolsa, pois o líquido saía em pequenos jatinhos geralmente após as contrações e algumas vezes molhavam bastante a calcinha.

Após algumas contrações fui ao banheiro e vi que o tampão havia saído.

No caminho de passar na minha mãe para ver o Felipe, de ir para a consulta com a Dra Eneida, as contrações espaçavam e depois voltavam para os tão conhecidos 10 em 10 minutos.

A sessão de acupuntura foi ótima. Relaxei muito, conversamos muito com a Eneida também e o Will, cansadíssimo, até cochilou.

Em seguida fomos para casa da minha irmã, onde havíamos decidido fazer o PD. Mas internamente sentia um desejo enorme de estar na minha casa, com as minhas coisas e isso ficou martelando na minha cabeça. Minha irmã deixou a casa toda arrumadinha, ela foi um doce. Nesse dia caiu uma baita chuva em SP e alagou tudo. Demoraríamos muito para ir para casa. Decidimos tomar um lanche, um McDonald´s (horroroso) e depois voltamos para casa, foi muito boa a sensação de estarmos em casa, com nossas coisas, nosso cantinho. Já havia me acostumado com a dor, mas não conseguia dormir, pois quando a contração vinha e eu estava deitada doía muito mais, eu acabava dando pequenos cochilos nos intervalos que me davam uma sensação de ficar fora do ar muito ruim e me deixava mais cansada.

“Na nossa casa amor-perfeito é mato
E o teto estrelado também tem luar
A nossa casa até parece um ninho
Vem um passarinho pra nos acordar
Na nossa casa passa um rio no meio
E o nosso leito pode ser o mar”
(Arnaldo Antunes)


Sei que durante o dia todo, Will conversou com Deus e o mundo. Muita gente telefonava o dia todo, ajudando com conselhos, dicas e dando muita força. Foi muito legal!

Eu não queria, nem conseguia falar com ninguém.

A Catia aconselhou uma taça de vinho para relaxar e descansar. O Will só encontrou uma keep Cooler e serviu ao propósito.

Depois de uns golinhos, o Will dormiu, eu tomei um banho bem demorado. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Sentia um calor imenso e a intensidade da dor estava aumentando. Fiquei num processo racional absurdo de anotar os intervalos das contrações e começava a me irritar por não engrenar. Agachar já não funcionava, então eu comecei a rebolar e mexer o quadril quando vinham apoiada na parede do quarto...

Encontrei a Marcia Golz no MSN e ela me deu ótimas dicas, me acalmou...

A certa altura da madrugada decidi entrar no chuveiro e fiquei lá um tempão.
O cansaço era muito grande. Por volta das 6 da manhã, as contrações ficaram de 6 em 6, de 7 em 7, depois de 5 em 5. Fiquei animada. Mas estava doída, com o sono e com o cansaço apertando. Eu cochilava e falava sozinha, andei pela casa de olhos fechados e me concentrava muito nas contrações. Foram ficando muito fortes e doloridas e exigiam que eu fechasse os olhos e respirasse profundamente várias vezes.

Tentei dormir, mas era insuportável. Até que chegou um momento que decidi agüentar a dor e consegui cochilar umas três vezes entre contrações, mas era muito ruim porque começava a sonhar e ver cenas esquisitas e estranhas.

Daí espaçaram novamente para 09 e 10 min.

Algumas vezes dei uns gritos, mas não sentia vontade de gritar. Preferia me fechar. Tentei ficar de quatro, agachada e tudo que me vinha à cabeça. Lá pela metade da manhã, fui pro chuveiro novamente com um banquinho que o Will improvisou e fiquei lá um tempão. Saí, comi algumas frutas (só comi frutas e iogurte com suco) e me senti renovada, um pouco melhor...

O Will conversou com a Catia e ela disse que viria nos ver após o almoço. Minha irmã trouxe um lanche para nós e ficou um pouco aqui. Sentia muita saudade do Fê, mas sabia que não seria possível tê-lo em casa nesse momento.

Meu filho havia avisado que só voltaria para casa quando a Bia nascesse. Um lindo!
A Catia chegou e conversamos sobre a possibilidade do Plano B. Ela me examinou e constatou bolsa rota com ruptura baixa, disse que chegou a sentir o cabelinho da Bia. O colo estava posterior e eu com 2 cm de dilatação. Fiquei arrasada com isso. A Catia sugeriu irmos para maternidade para uma "condução" de parto com ocitocina para engrenar e que lá eu tomaria o antibiótico preventivo, pois não fiz o exame de strepto B. Eu já estava muito cansada e nisso já iam quase 36 horas de latência e de bolsa rota, sem dormir direito.

Lembro que o toque doeu pra caramba. Nessa hora eu gritei muito.

Ok, plano B. Decidimos com muita tranqüilidade que deveríamos ir para a maternidade e fazer o que fosse preciso para ajudar a Bia a nascer.

Tinha acabado de ler um e-mail da Ana Cris que falava da flexibilidade da alma na hora em precisamos escolher e mudar os rumos das coisas...A decisão, a escolha foram naturais, tranqüilas. Tanto eu como Will estávamos bem, conscientes das decisões e acima de tudo nos sentíamos respeitados e acolhidos pela equipe, o que nos dava uma paz enorme.

Pois bem, tomamos um banho, arrumamos a mala da maternidade e seguimos. Passamos antes na minha mãe para dar um beijinho no Fê e fomos embora. No caminho as contrações já estavam bem doloridas e eu pedia ao Will que parasse o carro quando vinham com muita força.

Chegamos à maternidade e fomos dar entrada pelo PS Sentei na cadeirinha e a atendente: “qual o problema, flor?”, mais condescendente impossível. Aí eu disse “ estou em trabalho de parto”. Ela: “Nossa! Ai, meu Deus!”. Eu e o Will rimos e dissemos para ela ficar calma que estava tudo bem. Cada uma. A gente acalmando a mulher...

Confesso: era muito esquisito estar na maternidade, um ambiente impessoal, cheio de gente estranha, alheias ao que eu estava vivendo, cheias de procedimentos e protocolos. Essa parte foi ruim porque já estava acostumada à idéia da minha casa, do aconchego e tudo mais.

Confesso2: Se não fosse pela confiança na Catia e na AC, acho que eu poderia ter travado de vez na maternidade.

Seguimos para uma espera para que a GO do plantão me internasse. Mas ela estava ocupada fazendo uma cesárea. De se esperar, né?

Esperamos, mas nos deixaram numa espera com tudo quanto é gente doente, infeccionada, mulher querendo puxar papo na hora que a contração vinha...Terrível.

Daí o Will chamou uma das atendentes e pediu para que nos levassem para um lugar mais reservado, pois eu estava com bolsa rota. Ele fez um draminha básico para ficarmos com mais privacidade. A enfermeira nos colocou numa sala de isolamento.

Chega a ser engraçado. Ficamos lá papeando e dando risada. Todos que vinham nos ver, nos tratavam como se eu estivesse doente e a gente fazia questão de dizer que estava tudo bem. Estávamos só esperando a nossa médica chegar.

Bom, a GO do plantão chegou e quis me examinar. Eu ouvi ela falando para enfermeira: “Ela está com bolsa rota há dois dias?” Ela não conseguia acreditar, eu ouvi ela repetir isso duas vezes. E depois me perguntou de novo. Eu a avisei que não era para fazer toque, nem nenhum exame. Ela mediu a barriga e escutou o coração. Perguntou se seria cesárea. Disse que não. Ela “tomara que dê certo. Boa Sorte”.

Enquanto isso, o Will fazia malabarismos para esperarmos a Catia no quarto sem ter que ir para o Pré-Parto, até que conseguiu.

Acho que Deus esteve guiando tudo, porque apareceram pessoas muito abertas às nossas “reivindicações” durante toda a estadia na maternidade. Fora a desorganização deles que deu brechas para fazermos muito do que queríamos.

Nesse meio tempo a Catia já estava no hospital e fomos para o Pré-Parto mesmo. Detalhe: tive que ir de cadeira de rodas. Protestei, disse que estava bem, mas eram normas do hospital. Aí perguntei por quê. A moça: “imagina uma grávida andando por aí”, na hora eu e o Will num coro: “gravidez não é doença, não!”. Coitada da moça ficou super sem graça.

Bom, subimos, cheguei à sala e de cara desliguei a TV que estava na Globo.

Encontramos a Catia, logo mais chegou a Ana Cris. Estava completamente tranqüila com elas.

A Catia conversou comigo sobre o anestesista, que podíamos dar sorte e aparecer alguém que soubesse fazer a analgesia, assim como poderia aparecer alguém bem tosco. Decidimos tentar a sorte, porque não teríamos como arcar com um anestesista da equipe naquele momento. A Catia foi conversar com o anestesista de plantão e ele pareceu muito disponível.

As enfermeiras meio perdidas, mas fizeram o que foi pedido e logo tomei o antibiótico e entrei na condução de parto com ocitocina. Eram quase 20h da noite. Jantei e esperamos. De repente a Catia e a AC mudaram toda sala, fecharam cortinas, colocaram foco de luz, apagaram as luzes brancas e o ambiente ficou nosso, uma delícia. Todas que entravam achavam diferente e sempre vinha alguém ver como eu estava. Uma das enfermeiras que ficou durante a noite, foi ótima e ajudou muito, já conhecia a dupla dinâmica Catia + AC do parto da Karine.

As dores estavam muito intensas e eu já estava muito cansada. Depois de um tempo, não lembro bem quanto, a Catia fez um toque e eu estava com 3cm apenas. O toque doeu muito, muito, muito. Nessa hora eu gritei.

Quando a Catia disse 3cm, meu mundo desabou, me senti uma incompetente. Como só 3 cm depois de tudo isso? Daí caí no choro. A AC perguntou se era o cansaço ou os 3 cm. Disse que eram os 3cm. Ela com todo jogo de cintura do mundo me disse que eram 50% a mais do que eu tinha antes. A Catia explicou que o colo estava posterior e devíamos esperar. Devíamos esperar também para fazer uma analgesia quando eu chegasse aos 5 cm para não parar o trabalho de parto.

A Catia e a AC foram descansar. A enfermeira deixou o Will dormir na maca do lado e eu fiquei acordada olhando o cardiotoco. As dores estavam muito fortes e eu lembro que contava rapidinho. Cheguei a contar até 70, 80 para tentar não me concentrar na dor, tentei deixar a onda vir e passar tentei relaxar o corpo e fui fazendo muitas tentativas. Doía demais.

Fiquei esperando, esperando. Acho que eram duas e pouco da manhã quando caí num choro enorme. Chorei pra caramba. Não sabia o que fazer, queria descansar um pouco.
Acordei o Will e pedi para ele me ajudar a decidir se devia pedir a anestesia ou não. Decidimos que queríamos, mesmo que parasse um pouco o trabalho de parto. Eu precisava muito descansar.

Chamamos as meninas. Dessa vez a AC fez o toque e constatou que o colo estava posterior mesmo e a dilatação não tinha evoluído. Na verdade ela nem conseguiu alcançar o colo. Me explicaram que a cabecinha da Bia estava na direção correta mas o colo estava posterior e seria preciso “arrumar” isso de forma manual, mas que sem anestesia eu não iria agüentar pois seria muito doloroso. Tendo em vista os toques, optei pela anestesia e pela correção manual depois.

Chamamos o anestesista. O Will foi junto. O anestesista demorou pra caramba, precisava achar uma agulha, depois não sei o que lá. O Will diz que ele demorou quase uma hora. As dores estavam fortes demais. A AC e suas mãos de fada apareceram. Ela fez uma massagem na lombar que foi simplesmente maravilhosa. As dores foram se tornando até mais suportáveis. Respirou comigo e me conduziu durante as contrações.

Fiquei pensando que se estivesse em casa e ela fizesse isso, eu conseguiria segurar a onda, pois me relaxou muito. Eu parecia um cachorrinho que recebe carinho e fica de barriguinha para cima...Era a imagem que eu tinha naquele momento. Foi fundamental também o suporte da AC na hora da anestesia quando finalmente o anestesista chegou. De novo, a mão de Deus, pois ele fez uma anestesia maravilhosa e foi muito atencioso, explicando tudo. As dores foram embora, mas eu continuava sentindo todas as contrações.

Finalmente voltei para a sala de pré-parto com gás renovado, com energia nova e o relaxamento veio com tudo. O anestesista ainda veio mais uma vez me ver e perguntou se estava tudo bem. Foi um doce conosco.

A Catia fez o toque e meu colo havia relaxado, entrou no lugar certo sozinho e eu estava com 5 cm de dilatação. Santa anestesia! Santo anestesista!
Nessa hora eu capotei. Dormi que nem uma pedra por três horas inteiras que me pareceram dias. Fiquei revigorada. Quando eram seis horas da manhã eu acordei. Depois de um tempo, o Will acordou e as meninas vieram.

A enfermeira legal disse que o turno dela acabaria as 7h, e que as enfermeiras que viriam não eram tão flexíveis. Entendemos o recado.

Nisso chegou uma moça para o pré – parto. Iria fazer a sua terceira cesárea e com quem? Com a GO do plantão.

A Catia resolveu fazer o toque e para nossa alegria estava com 7cm de dilatação.
Fizemos alguns cálculos e imaginamos que a dilatação total viria lá para 10h da manhã.

Comecei a sentir novas dores e fizemos um repique leve da analgesia ainda com o anestesista legal.

Depois de um tempo, quase 7 e pouco da manhã, quase 8, não lembro bem, as dores começaram a mudar. Deixaram de ser no baixo ventre e passaram para o bumbum, com muita intensidade, parecia que eu ia fazer cocô e falei isso para Catia. Logo depois a AC sugeriu que eu fosse ao banheiro e depois caminhasse um pouco. Falei para a Catia, quando levantei, que estava sentindo vontade de fazer cocô mesmo, que era uma vontade no bumbum e que me dava vontade de empurrar. Ela fez o toque e constatou dilatação total. Falou que eu podia empurrar se quisesse.

Então fomos para a sala do centro obstétrico. As meninas arrumaram tudo e me posicionei de cócoras no banquinho, com o Will sentado atrás e as meninas na frente.
A AC ligou para o Douglas vir que a Bia já nasceria.

A Catia chamou a anestesista de plantão e pediu uma analgesia para relaxar o períneo. A anestesista errou a mão e o que ficou anestesiado foi minha coxa. Daí por diante sentia as contrações de novo. Perguntei se podia tomar outra anestesia e a AC explicou que eu não iria sentir nada, nem a Bia sair e concordei que seria melhor encarar sem anestesia mesmo. Só minha coxa que ficou anestesiada. Super esquisito.
Fiquei um tempão fazendo força. E nessa hora o cansaço veio com força novamente. Sentia minha lombar cansada e eu já sem muito fôlego. Lembro que em determinado momento saí do ar, fiquei inconsciente por alguns segundos e avisei as meninas. A Catia pediu glicose no soro e me colocaram um tubinho de oxigênio, ambos ajudaram bastante.

Depois de um tempo o Douglas chegou e brincamos que a Bia podia nascer agora.

Depois de quase duas horas empurrando, uma das meninas sugeriu que eu fosse para a maca. Foi um alívio enorme porque descansei as costas e fiquei numa posição super confortável.
Retomei o fôlego e decidi que minha filha ia nascer. Toda vez que eu empurrava e fazia força imaginava ela saindo do meu corpo, visualizava sua cabecinha saindo e depois seu corpinho. Não sei de onde eu busquei forças nesse momento. Tinha vontade de parar tudo só para descansar um pouco.

A Catia e a AC me diziam que eu estava indo bem e que logo a Bia estaria ali. O Will também me dava muita força.

Nessas horas eu não sabia quem estava na sala, só tinha noção de mim e da voz das meninas e do Will. O resto era um grande borrão. A cada força que fazia sentia muita dor e sentia meu corpo tremer a ponto de não conseguir me mexer. Eu queria muito empurrar, esperava as contrações com ansiedade.
Depois de algumas forças, a Catia falou para eu sentir a cabecinha. Senti e sabia que faltava pouco, mas precisava me esforçar muito. Decidi que nas próximas empurradas ela nasceria. Comecei a gritar um grito que vinha lá de dentro, quase gutural.

A Catia me avisou que logo eu sentiria o círculo de fogo e ele veio. Na próxima empurrada a cabecinha saiu e senti queimar e arder. A Catia tirou uma circular de cordão.

Tinha impressão que eu ia rasgar. Embora racionalmente eu soubesse que não ia acontecer isso, lembro de ter gritado que eu ia rasgar e a AC disse que estava tudo bem. Me deixaram fazer mais força e nessa saiu o corpinho que veio direto para o meu peito.

Senti aquela pessoinha que ficou guardada dentro de mim em cima do meu colo, toda meladinha, fazendo barulhinhos. Lembro de ter dito “então era você que estava aqui dentro, você saiu minha filha”...

Fiquei acariciando ela, o Will veio do meu lado chorando. Não existia mais nada para mim naquele momento só ela, ainda disse que faria tudo de novo se tivesse que escolher. Cada contração, cada dor, cada momento de cansaço valia a pena. Lembro que a AC me disse que eu havia conseguido. Sentia uma energia incrível.

O Dr. Douglas foi cuidando dela ainda no meu colo. Senti o cordão pulsando, vi a placenta que guardei e fiquei encantada com a minha pequena olhando para ela, a conhecendo, vendo seus detalhes. A AC ajudou a colocá-la no meu peito e ela mamou um tempão. O Will cortou o cordão umbilical. Levei alguns pontos pois tive laceração de segundo grau.

Depois que a levaram fiquei aguardando para ir para o quarto. A sensação de bem estar que eu tinha era incrível. Senti uma energia enorme, acho que faria até faxina se deixassem...rsrs...Me sentia muito bem.

A Beatriz não sofreu nenhuma intervenção e só ficou no berçário por 1 hora. Depois disso ficou em alojamento conjunto e só saiu para ser pesada por 10 minutos.
Nos despedimos das meninas e antes de ir embora a Ana Cris ainda me trouxe um iogurte...Acho que foi o iogurte mais gostoso da minha vida!

Naquele momento não sabia por onde começar a agradecer àquelas duas mulheres maravilhosas que me guiaram...

Encontrei toda minha família esperando para conhecer a Beatriz. Eu estava me sentindo muito bem. Tomei banho sozinha sem auxílio de enfermeira, cuidei da Bia sem nenhum problema. Demos o primeiro banho nela.

Éramos uma atração à parte na maternidade. O casal natureba que teve parto normal. As enfermeiras iam lá ao quarto toda hora para conversar sobre isso.
Depois eu descobri que ficaram algumas enfermeiras e pessoas que pediram para assistir ao parto, pois parto normal lá é raridade.

Tivemos alta no dia seguinte com a Bia super bem e eu também.

É difícil encontrar palavras que descrevam os sentimentos que permeiam esse momento da minha vida. Essa insistência, persistência e desejo de trazer ao mundo minha filha de forma digna.

Foi uma jornada nossa, uma jornada que me ensinou que não controlamos tudo, que estamos sujeitos a fazer escolhas a cada passo que damos na vida e que somos responsáveis únicos por essas escolhas.

Meu primeiro filho, Felipe, me ensinou a ser mãe e a Bia me ensinou a ser mãe de novo, mais madura e consciente agora. Mais centrada e mais atenta aos “truques” do mundo.

Agradeço com meu coração, alma e corpo a todos os que me ajudaram nessa jornada!

Eu sou a Pérola, tenho 31 anos. Sou mãe do Fê e da Bia, esposa do Will.
Mãe convicta e apaixonada pela maternidade.
Escrevo no http://mamaeantenada.blogspot.com

31 de maio de 2009

Plantando no Japão - Mini horta orgânica

No passado, era comum nossos avos ou pais, terem no quintal de casa uma horta com ervas e hortaliças para o consumo diário da familia. No decorrer dos anos essa prática foi se perdendo por falta de tempo das pessoas pra se dedicarem a manutenção da horta e com a facilidade de encontrar tudo “limpinho” e pronto nos mercados e feiras. O problema é que descobriu-se que havia um enorme exagero de agrotóxicos, venenos, adubos sintéticos, terra saturada… no plantio das mesmas. Dai as pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente e com a própria saude começaram a se questionar sobre o plantio e a forma de consumo. Então, hoje temos (ainda bem) um grande número de pessoas conscientes e exigentes, e com isso surgiu o ORGANICO.

Sempre ouvimos falar em verduras orgânicas, mas o que vem a ser?

Horta orgânica é aquela que não há o uso de agrotóxicos para eliminar pragas e doenças. Há rodízio de terra, ou seja, onde tem alface plantado hoje, depois planta-se outra verdura, para poder aproveitar melhor a terra ou simplesmente poder tratá-la e deixar “descansar” por um tempo. Também não se usa adubo sintético, se usa o adubo natural. Quanto menos modificar a natureza, melhor, pois os próprios insetos cuidarão para que a cadeia alimentar funcione e acabe com qualquer desequilíbrio.

Bom, não sou radical, em casa consumimos carne vermelha, não somos vegetarianos, admiro e muito as pessoas que o são, pois eu mesma não consigo. Mas tenho consciencia do mal que o consumo de carne em exagero faz, então, procuramos não ter a carne como o carro chefe de uma refeição.

No Brasil morava em chácara e sempre tive contato com terra, agua, bicho... colhia verduras e frutos para minha mãe, quando me pedia. Naquela época nem pensava em preservação da natureza, nem imaginava que agrotóxicos faziam mal a saúde!

Com a maternidade tudo mudou!

Meu modo de pensar, de agir, de falar e até mesmo de vestir!!!

Preocupações com o futuro, com o destino do mundo em que vivemos passaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Porque quero um futuro melhor para o meu filho. Quero deixar um mundo limpo e verde, onde ele possa brincar de subir em arvores e rolar na grama, assim como eu o fiz. Quero que ele tenha saúde e possa comer verduras frescas e frutas de qualidade assim como eu tambem comi. Por isso, mesmo aqui no Japão, onde não temos espaco, nem terra, nem quintal, dei um jeito de plantar e cultivar minhas verdurinhas, ervas e florzinhas!

Não vejo a hora de começar a preparar papinhas para o meu pequeno, com ervas e verduras fresquinhas, tiradas do meu proprio jardim. Todos os dias pela manhã ele fica no carrinho observando eu molhar as plantas e ele desde já, adora e se distrai um bocado!!

Aqui no Japão temos uma infinidade de ferramentas, vasos, enfeites e mudas de excelente qualidade e de preços variados. Encontramos tudo isso desde 100Yen Shop a Home Center. Em épocas de crise financeira (como agora) além de dar uma aliviada no supermercado a gente ainda ocupa o tempo cuidando das plantas! =)

Aqui vão algumas dicas:
Reutilizo a agua da banheira ( tanto da banheirinha do bebe, como a do ofurô) para molhar as plantas.
Quando preciso de uma quantidade maior de terra, recolhemos um pouco na beira do rio e misturamos com terra comprada.
Para adubar utilizo esterco de vaca (encontramos uma fazendinha aqui perto de casa, onde nos vendem bem baratinho). Tambem uso casca de ovo, conchinha seca de frutos do mar. Pra quem quiser saber como se faz: essas conchinhas de “assari”, depois de come-las, deixe de molho num balde com agua, depois coloca pra secar no sol por uns 3 dias, enrole num pano algumas unidades e quebre com um martelo, ate ficar bem amassadinho, vira um po. Esse pozinho serve para polvilhar sobre a terra a cada 2 semanas. É uma otima fonte de calcio e vitaminas para a planta.
Borra de cafe é otimo para espantar formigas e evitar que gatos venham defecar na terra.
No lugar de veneno, pulverizo as folhas com uma mistura de agua e vinagre, para acabar com pulgoes.
Aquela agua que lava o arroz tambem e ótima para molhar as plantas.
Substituo vaso grande por caixa de isopor, dessas que alguns mercados dão de graca.
Moro em apartamento, planto em vasos e unica terra que tenho é um espaço no canteirinho em frente ao apato. Mas mesmo assim esse ano teremos: salsa, cebolinha, rucula, pimentão, pepino, ervilha, erva cidreira, alecrim, hortelã, manjericão, nigaori, myoga, berinjela, couve e rabanete.

Para plantar em vaso:
No fundo coloque algumas pedrinhas para drenar a agua. Coloque terra, plante a muda e complete com terra. Molhe em seguida.
Após uma semana do plantio comece a adubar e faca isso uma vez por semana.
Molhe diariamente, pela manha ou quase ao anoitecer.
Verduras no geral, gostam de lugar com sol. O ideal e pesquisar um pouco sobre a planta antes de plantar, pois varia bastante.
Algumas, como a berinjela, não gostam de muita agua, outros como a rúcula, gostam de um pouco de sombra.
O procedimento é o mesmo para plantar com sementes, basta separar depois, quando virarem mudas.

Com uma horta dessa você: espanta o tédio, come bem, ensina o valor da natureza aos seus filhos e ainda economiza! Pode ate presentear amigos com alguma muda, basta plantá-la num vaso bem bonito e embrulhar para presente !

E aí, alguem topa tentar? ;-p

Meu nome e Kelly Yamada,tenho um filho de 5 meses e uma “filha cachorra” de 1 ano.Estou viciada em maternidade desde que me vi gravida e estou amando todos esses momentos de gloria e de choros tambem!!!!!!

30 de maio de 2009

A experiência de ser mãe

Engravidei do meu filho sem programar e me lembro claramente quando peguei o resultado: POSITIVO.

O nome era bem pequeno, mas na hora era a única coisa que aparecia naquele papel que a recepcionista me entregou.

Uma mistura de sentimentos bateu e eu não sabia o que pensar. Sei que ria e chorava muito.

Não tinha casa, na época eu dividia apartamento, não era casada, estava sem trabalhar, o que a minha mãe ia pensar???? Meu Deus!

Mas, ao mesmo tempo eu ria, ria muito. Eu, mãe? MÃE???!!!!

Os meses foram passando e os muitos incômodos iniciais também. A barriga não aparecia, eu tinha que dizer que tava grávida, se não, ninguém saberia.

Chegaram os 6 meses, a barriga visível e eu cada dia mais orgulhosa e feliz!
E chegou o grande dia.

Me preparei nove meses pra um parto normal, tranquilo, como minha obstetra tinha me sugerido e incentivado. A bolsa rompeu e eu fiquei esperando as famosas contrações... Fui para o hospital e fiquei esperando as contrações e nada. Até que a médica chegou e informou que eu subiria para o bloco cirúrgico. Decepção total! =(

Ainda tentei argumentar com ela que não queria, mas ela foi taxativa que não iria "arriscar" mais e eu aceitei a decisão dela.

Desde aquele instante até hoje vivo uma emoção a cada dia!

A proxima preocupação seria com a amamentação. Eu fazia questão de amamentar meu filho SÓ DE LEITE DO MEU PEITO até, no mínimo os seis meses, como eu tinha lido e aprendido. Meus peitos eram tão pequenos. Como eu seria capaz de alimentar UMA criança? E se doesse?

Não dói!

E sim, eles foram suficientes pra alimentar não apenas meu filho, mas a filha da vizinha, que chegou recém-nascida à sua casa e eu me ofereci pra dar o meu peito, pra que ela fosse ainda mais bem-cuidada e amada.

Doei amor e vida a dois bebês!

Me senti a maior de todas as mulheres. E como por milagre, quanto mais eles sugavam, mais meus peitos se enchiam de leite, mais eu ficava feliz. Meu Deus! Eu chorava agradecida.

São desses milagres da vida que não sabemos explicar. Apenas contar.

Por meu filho eu viro leoa. Quando ele adoece, é minha saúde que eu ponho em sacrifício, para que ele fique curado.

Sonho com a possibilidade de ter outro filho, de sentir tudo novamente e de mostrar ao mundo que Deus não perdeu as esperanças no homem. Cada novo bebê é a renovação desse pacto de amor entre Deus e a humanidade.

Quero me doar cada dia mais nesse aprendizado maravilhoso de amar, gerar, criar e educar um ser.

É isso!

Obrigada.

Meu nome é Josenilda Alves, sou Mãe do Bruno Alves, de dois anos, moro no Brasil e sou leitora assídua do Blog Vida Verde, da Thais, e foi através dela que cheguei até vocês.

29 de maio de 2009

Instinto Materno

Fiquei pensando aqui sobre o que escrever para participar da promoção! Meus partos foram cesáreas, não dá! Sobre a amamentação? Seria legal! Dessa última vez tive até mastite com 9 meses de amamentação!!! Teria feito muitas desistirem, mas aqui estamos muito bem por quase 1 ano e 5 meses! Aí me lembrei da frase: “que tenha como tema a maternidade e que possa "auxiliar" outras mães que lêem o blog.”

Fiquei pensando em como a maternidade me transformou. Sim, eu sei que ela sempre transforma, mas acho que me expressei mal! Fiquei pensando em como fui me transformando cada vez que fui mãe!

Quando fui mãe a primeira vez eu queria fazer tudo certo, ouvir a opinião de todos (lembrando que naquela época a internet não estava em qualquer lugar e por isso eu não tinha), ouvir o pediatra como quem ouve a Deus e seguir a risca os conselhos de vovós experientes!!! A Luiza chupou chupeta com 3 dias de vida. Tomou mamadeira com 1 mês (mas foi amamentada até 7 meses). Dormiu no seu próprio quartinho desde 1 semana de vida! Aprendeu a dormir sozinha com 7 meses depois de chorar no berço por quase 2 horas (como ensinavam os livros, pois era bom o bebê ter independência). Era mais carregada no carrinho do que no colo, pois colo demais faz mal!!! Algo me dizia que algumas coisas não estavam certas, mas eu não sabia o que era esse “algo”.

Aí fui mãe pela segunda vez. Mais uma vez eu queria fazer tudo certo. Amamentei e não dei mamadeira até quase 10 meses, quando o pediatra disse que o leite do peito estava fazendo o Henrique não aceitar comida! Tirei o peito do meu bebê de um dia para o outro. Ele chupou chupeta com 3 dias de vida! Dormiu no seu quartinho sozinho, pois era um bebê com certa independência!!! Era pouco carregado para não ser mal acostumado! Muitas vezes algo me dizia que alguma coisa não estava certa, mas ainda eu não sabia o que era esse “algo”.

Aí fiquei grávida pela terceira vez! Internet em casa o dia inteiro. Isso não significa que tudo o que se lê na internet esteja certo, mas é uma grande ferramenta de busca e filtrando bem podemos aprender muito! Buscado sobre partos encontrei um grupo de mães que pensam diferente! Ops! Acho que me achei! Apesar de algumas coisas não terem acontecido como eu desejava e de eu ter comprado duas chupetas, três mamadeiras e um esterilizador de mamadeiras o Pietro está sendo criado diferente!

Ele não chupou chupeta. Eu até tentei dar, mas algo me dizia que não era por aí que eu deveria seguir. Eu comprei uma lata de Nan e tentei dar para meu bebê quando achei que meu leite estava acabando, mas algo me disse que eu tinha leite sim, e que meu corpo era capaz de nutrir o filho que gerei! O Pietro ficava e ainda fica o dia inteiro no colo, slingado, bem pertinho pois algo sempre me disse que bebê não deve ser independente senão teria nascido tartaruga marinha e não humano!!! O Pietro mamou no peito exclusivamente até os sete meses e meio quando se mostrou pronto para comer outros alimentos e algo me dizia que estava certo o que eu estava fazendo! O Pietro dorme juntinho dos pais, bem aconchegado pois algo me dizia que bebês precisam dessa proximidade.

Dessa vez eu não ouvi pediatras, não ouvi vizinhas, amigas nem vovozinhas experientes. Dessa vez eu resolvi seguir o “algo” que falava dentro de mim desde que fui mãe pela primeira vez. Dessa vez eu descobri que o “algo” sempre esteve certo. Descobri que seguindo o que o “algo” diz as coisas ficam muito mais fáceis e eu acabava acertando muito mais do que errando.

Acho que o que mais me ajudou nessa ultima vez que fui mãe foi que descobri que toda mãe tem instinto materno. Descobri que o “algo” que sempre me falou era o meu instinto que eu sempre tentei negar. Dessa vez meu filho foi criado pelo meu instinto e não pelos sábios de plantão! Dessa vez eu acreditei em mim como mãe e acredito que toda mãe deve sempre seguir seus instintos. Toda mãe deve acreditar em si mesma! A mágica de gerar um filho trás junto um presente divino que é o instinto materno! E como todo presente divino, não pode ser negado!


Eu com Pietro no colo, Henrique e Luiza! Ah! E o vento bagunçando os cabelos!
Também escrevo no http://coisinhasdemae.blogspot.com

28 de maio de 2009

Amadurecendo com a Maternidade

Quando pequena, sempre gostei de brincar com bonecas mas nunca sonhei com a maternidade e nunca imaginei que isso poderia acontecer tão cedo em minha vida.

Confesso que no inicio o pânico tomou conta de mim e o desespero era maior a cada hora que se passava. Logo as semanas foram passando e os enjoos foram ficando piores, mas algo dentro de mim mudava: eu me tornava mãe.

Foram dias e mais dias passando mal mas também foram dias gloriosos onde eu fui descobrindo que a maternidade era algo magico pois havia alguém dentro de mim que era totalmente dependente. Com o passar das semanas comecei a preparar as coisas para a chegada desse, ainda, pequeno ser.

Um dia, durante uma consulta do pré-natal, o medico me alertou de um possível aborto espontâneo pois meu útero estava um pouco inchado e recomendou repouso absoluto. Cheguei em casa arrasada. Chorei, lamentei cada dia que desejei não estar gravida e orei. Pedi a Deus que me concedesse a chance de ser mãe e que ele não levasse meu bebe. Duas semanas depois, minhas preces tinham sido ouvidas e o medico disse que não havia mais tal perigo. Nesse dia me tornei mãe pela segunda vez.

Os meses passavam, a barriga crescia até que finalmente o dia tão esperado chegou, ou pelo menos parecia que tinha chegado. Minha bolsa estourou no meio da madrugada e fomos para o hospital mas ao chegar la, eu não tinha nada de dilatação e nem contrações. Passaram-se mais de trinta horas e nada... Quando o medico veio e disse que seria melhor fazer uma cesárea, meu mundo caiu novamente. Estava tão esperançosa de que meu parto seria normal mas enfim, tive que partir para a cesárea por indicação do médico naquele momento.

Demorou algumas horas até que eu pude ter meu bebe nos braços mas ainda sem poder amamenta-lo por conta dos medicamentos. Mal podia esperar para fazê-lo e quando o fiz, meu bebe que havia sido alimentado com leite em pó na mamadeira até então, não conseguia sugar o meu peito. Tive sorte de ter uma enfermeira tão experiente ao meu lado naquele momento, que me ensinou a maneira certa de amamentar e não me deixou desistir em momento algum. Tive que deixar meu bebe ficar com fome quase um dia inteiro para que conseguisse fazê-lo mamar no peito. E consegui!

Ao deixar o hospital, planejava amamenta-lo somente no peito mas meu marido, com medo de que o bebe estivesse com fome, insistiu para que eu desse leite em pó como complemento e eu o fiz. Mas achava que aquilo não estava certo pois eu pensava: Minha mãe criou três filhas só com o leite do peito, porque eu também não posso fazê-lo? Aboli, então, o leite em pó e brigava com meu marido quando ele queria dar. Deixei muita coisa de lado para poder estar integralmente a disposição de minha filha quando ela quisesse mamar.

Se me arrependo? NUNCA! Amo amamentá-la e ela mama é bem gulosinha! rssss
Até quando ela acorda no meio da madrugada querendo mamar eu acho super-gostoso!

Hoje não imagino minha vida sem minha bonequinha. Meu marido já esta planejando mais um mas por enquanto eu quero mais é curtir minha pequena que a cada dia que passa, mais alegria traz a minha vida.

Aconselho a todas as mamaes e futuras-mamaes: Amamentem! A amamentação faz-nos sentir mais completas nessa maravilhosa experiência que é a maternidade.

Elisa Keiko Ito tem 23 anos, mora em Kanagawa (região de Tóquio) e no momento é "apenas" mãe da Isabela em tempo integral! =D

27 de maio de 2009

Ofurô de bebês

O TummyTub é uma banheira terapêutica especialmente elaborada para bebês recém nascidos até os 06 meses de vida, que foi desenvolvido por Holandeses.

Os bebês, dentro do TummyTub, adaptam-se facilmente à posição fetal e permanecem calmos e relaxados.

O plástico usado é transparente, para facilitar a visualização do bebê. O TummyTub não é tóxico e é reciclável.

Não existem arestas cortantes, a sua base é anti-derrapante e na parte inferior há um centro de gravidade que permite grande estabilidade e segurança.

O fato de ser um reservatório de reduzidas dimensões permite poupar água e energia, mantendo-a quente durante cerca de 20 minutos. Mesmo quando está cheio é fácil de transportar, não só pelo seu reduzido peso, mas também porque têm alças ergonômicas.

Se a mamãe pudesse fazer um único pedido especial nos primeiros meses de vida de um bebê certamente ela desejaria saber o que aquele choro incessante quer dizer, ou seja, por quê o bebê chora tantas vezes. Uma das explicações discutidas por especialistas do mundo todo é que o bebê, quando desenvolve sua memória a partir do sexto mês de gestação, fica acostumado ao ambiente do útero materno: protegido, aquecido, meio aquático e escuro.

Quando a mãe começa a dar banho no bebê, a água em contato com a pele ativa sua memória e ele percebe que está em um ambiente claro, pouco aquecido e que não está na posição que ele estava acostumado ficar (fetal) enquanto no útero da mãe. Assim, os bebês, na sua maioria, enrijecem os bracinhos e perninhas, movimentos incentivados pelo sistema nervoso central, ligado diretamente ao intestino. Esses movimentos geram contrações e descontrações do intestino, ocasionando cólicas nos bebês algum tempo depois do banho.

E foi pensando em transmitir ao bebê uma transição tranqüila do útero da mãe para o mundo que nasceu o TummyTub.

Eu procurei o TummyTub a principio por causa das cólicas do meu filho, alguém em algum momento me disse que acalmava a criança e aliviava das cólicas.

Acontece que soube também que um balde de 15 litros faria as vezes do pequeno ofuro sem problemas e resolvi usar um comum mesmo.

O sussesso foi tão grande que mesmo hoje (ele com quase 6 meses) eu ainda utilizo e ele adora!

Aquele é o ambiente dele, parece que lá dentro ele pode tudo, ele brinca, roda, bate os bracinhos(a água espirra e ele nem assusta mais), e como ele ja esta ficando com as perninhas fortes eu só tenho que tomar cuidado porque agora ele fica levantando e sentando toda hora e sozinho!!!

Posso dizer que o banho de balde foi minha salvação e agora é nossa diversão!!!

Deixo aqui um video do meu pequeno se divertindo no balde!


Beijos

Marisa Tiyoko, mora em Toyota shi, Aichi ken, é mãe do Felipe de 5 meses e está no Japão a 12 anos. Ela também é da familia do Sushicast! ;-p

26 de maio de 2009

Um ínicio de amamentação difícil

Caetano chegou junto com a primavera de 2007, 5h15 do dia 22 de setembro. O parto fora exaustivo e o sonho da amamentação nos primeiros momentos não se concretizou. Eu e meu gigantinho estávamos exaustos, com poucas forças e precisamos nos recompor para iniciar nossa relação de amor através do leite.

Mas não tardou tanto assim. Por volta de uma hora depois nos reencontramos, Caetano instintivamente abocanhou meu seio e ficamos ali, maravilhados com aquele contato. Tanto que nem notei que em certo momento ele largou o bico e passou a mamar na auréola esquerda, deslize imediatamente corrigido pelas parteiras da Casa de Parto que acompanhavam este momento com o intuito de auxiliar e incentivar o ato de amamentar.

Durante aquele sábado, amamentar foi uma delícia. Domingo percebi que ele era mais guloso que os outros bebês que nasciam naqueles momentos na Casa. Pedia muito o peito, tinha uma necessidade imensa de sugar e dormia muito pouco.

Por conta do peso de nascimento de Caetano, 4270k, ficamos por 3 dias na Casa de Parto quando o normal seria 24h. E foi na última noite que passamos lá, de segunda para terça-feira que a amamentação começou a ficar difícil.

Após o nascimento de uma menina, por volta da 1h da manhã, Caetano se agitou. Amamentava, mas não o acalmava. Uma das enfermeiras foi um pouco grossa ao entrar nervosa e dizer – mesmo depois de eu ter passado 2hs amamentando – que não ia falar mais uma vez o que eu tinha que fazer. Assustada, deitei com Caetano e amamentei em posições horríveis por 4 horas sem parar.

Ao amanhecer percebi que um dos meus bicos, o esquerdo, estava praticamente pendurado e o direito ‘apenas’ fissurado. Amamentar perdeu um pouco o brilho e ganhou muita dor e dificuldade.

Na tarde do mesmo dia já estava em casa (ufa!) e achei melhor tentar o famoso bico de silicone. Fomos eu e minha mãe numa farmácia e compramos. Não funcionou. A dor continuava com a presença do bico e Caetano ficava muito nervoso com aquele corpo estranho entre nós. Sem contar que os restos dos ferimentos grudavam no silicone e mesmo fervendo eu encontrava vestígios de sujeira, simplesmente nojento. Tentei por 2 dias e desisti.

Na quinta-feira decidi ordenhar e oferecer meu leite na colherinha para Caetano que aceitou. Assim, o bico descansou e eu combinei este descanso com a aplicação da casca de banana por 15 minutos e luz direta. No domingo o prazer da amamentação já estava conosco novamente.

Neste meio tempo o maluco do pediatra que se dizia a favor da amamentação preparou uma receita ridícula de NAN, alegando que Caetano deveria estar ganhando 30 grs por dia e que isto não estava acontecendo pois, apesar de eu ter um boa oferta de leite ele não conseguia ingerir o necessário. Dei um ponto final na nossa história com este médico louco, marquei com um homeopata e, no tempo em que esperava a consulta com este novo médico contei com o apoio das meninas da Matrice e tudo correu bem. Caetano nunca conheceu o tal NAN.

O prazer em amamentar aumentava gradualmente. Lembro que no ínicio amamentava de frente para um relógio, contando quanto tempo durava cada mamada. Não que em determinado momento eu tirasse Caetano do peito por decidir que já estava bom, aliás nem sei dizer porque, mas achava essencial olhar o relógio enquanto amamentava.

No segundo mês tive uma mastite (a primeira). Tive tanto medo de ter que parar de amamentar. Escrevi na lista da Materna e a Flávia Gontijo disse que eu poderia ligar para ela. Era madrugada, liguei e foi fundamental. Passei o resto da noite/madrugada aliviada, oferecendo muito o peito afetado para o Caetano. Acordei bem melhor e segui as outras dicas da Flá (água quente, dança africana, ordenha) e da Analy, que também me escreveu indicando os possíveis motivos da mastite. Foi após este episódio que aposentei o relógio e comecei a olhar mais para o Caetano durante as mamadas. Tentava olhar para cada poro do meu bebê, amamentava e contemplava!

Voltei ao trabalho quando Caetano tinha praticamente 6 meses com uma hora para amamentá-lo. Detalhe: sou educadora e Caetano está frequentando o berçário da Creche em que trabalho. Daí que não sofremos nenhum grande trauma neste período. Cheguei a estocar leite, mas não foi necessário pois amamentei no meio do expediente até que ele completou nove meses.

Tive uma outra mastite – esta bem mais traumática – durante o mês de junho de 2008. Dor, calafrios, febre local. Não parei de amamentar ainda assim e foi amamentando que a inflamação drenou. Alívio. Mais uma vez a parceria Elly&Caetano mostrava sua força.
Comecei a introdução de alimentos aos seis meses, mas ele só se entendeu com os alimentos aos 10 meses. Agora come sozinhpo. . Tem 1 ano e 7 meses e mama durante a noite e e antes de acordar. Depois mama novamente no nosso reencontro diário no percurso até a creche. Daí, quando saímos de lá mais uma mamada e, em casa várias outras. Ou seja, mama muito!

Não serei hipócrita de dizer que amamentar é só flores, mas preciso dizer que é bom demais!

Elly Chagas é mãe do Caetano de 1 ano e 8 meses, companheira do Irineu. Educadora, apaixonada por educação infantil, comunicação e maternidade!
É blogueira e escreve aqui também: http://ellyguevara.wordpress.com

25 de maio de 2009

Duas características muito presentes na Gestação

Cada pessoa é uma pessoa diferente da outra. Cada gestação também é uma gestação diferente da outra, porém há pelo menos duas características que são muito presentes na maioria das gestações.

Essas características são a INTROSPECÇÃO e AMBIVALÊNCIA.

Em primeiro lugar vamos recorrer ao bom dicionário da língua portuguesa para conhecermos o significado dessas duas palavras.

INTROSPECÇÃO: Exame de si mesmo. Descrição da experiência pessoal em termos de elementos e atitudes. Observação, por uma determinada pessoa, de seus próprios processos mentais.

AMBIVALÊNCIA: Coexistência de dois sentimentos antagônicos, por exemplo, amor e ódio à mesma pessoa. Atitude que oscila entre valores diversos e, às vezes, antagônicos.

Quando você recebe a notícia de que o exame de gravidez deu positivo, essas duas características, ou seja, a introspecção e a ambivalência, já começam a aflorar naquele exato instante, mesmo que timidamente.

Logo após a primeira reação, de alegria extrema e contagiante nos casos em que a gestação foi planejada e desejada e de ‘surpresa’ quando a gestação aconteceu de forma inesperada, a pessoa começa a pensar nas mudanças que o resultado positivo desse exame de gravidez trarão para a sua vida. Nesse momento você poderá ficar horas e mais horas pensando, pensando e pensando, você estará tão concentrada nesse processo que você estará em um outro tempo, um outro lugar, em uma outra dimensão, com um outro ritmo, um ritmo só seu, um ‘universo particular’, como diria Marisa Monte. E a partir de agora durante toda a gestação esse processo, essa viagem acontecerá de forma recorrente com maior ou menor intensidade dependendo de cada Mamãe.

Em decorrência desse primeiro processo de introspecção, surge um segundo processo, o processo de ambivalência, ou seja, o processo de você se sentir feliz, completa, abençoada por ter recebido esse presente enviado por Deus e pela oportunidade de poder ser Mãe, mas também com medo, receio, ansiedade, pois surgem várias dúvidas cruéis que te farão ficar quase louca, por exemplo, ‘Será que correrá tudo bem durante a gestação’, ‘Será que minha filha será perfeita?’, ‘Será que serei uma boa Mãe?’, ‘Será que minha filha irá gostar de mim?’, ‘Será que conseguirei dar boas oportunidades para a minha filha?’, ‘Será que minha filha será uma pessoa feliz e realizada?’ e essas são só algumas das milhares e milhares de perguntas que permeiam a cabeça de quem espera um bebê durante todo esse processo que dura por volta de 40 semanas.

É muito importante dizer também que essas duas características não são exclusivas das Mamães, os Papais também as sentem e as expressam, às vezes de uma forma mais tímida e reservada, mas se você prestar bem atenção ao Papai que está nascendo ao seu lado certamente as perceberá.

Além disso, as pessoas ao seu redor, familiares e amigos, poderão te achar louca, coisas do tipo ‘Ela muda de opinião toda hora’, ou até poderão achar que você não quer que eles participem desse momento tão especial na vida de todos, mas na verdade você não está louca e nem quer deixá-los de fora desse momento tão especial. É só uma questão de ter um pouco mais de privacidade. Às vezes essa privacidade pode acontecer até entre você e seu marido, ou seja, vocês poderão estar fisicamente juntos, mas cada um no seu ‘universo particular’ e esse tempo é importante, importante para digerir e entender todo esse maravilhoso processo de geração de uma filha, a sua filha, e de nascimento dos Pais.

Então aproveite, aproveite para refletir e sentir todas as dores e delícias que o processo de se tornar Mãe proporciona para uma pessoa e assim quando sua benção chegar você estará pronta para estreiar como Mãe. Boa sorte!

Tatiana Vegi é idealizadora do site Sintaliga - Dicas para Mulheres. Mora no Brasil e está gravida pela primeira vez! Uma Mulher do Bem, que acredita nos prazeres simples da vida e na constante busca de um Mundo Melhor.

20 de maio de 2009

O parto normal e a montanha russa

Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.

Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo.

Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metafora que encontrei!

Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Hopi Hari. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!

Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente.

Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...

Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando?

Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos. Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hamburguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.

Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando.

É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber?

Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai...

Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.

Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar.

Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante.

Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.

Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti!

A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!

Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve...

De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!!
Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui!

E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!

E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada... Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Nào quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!

Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, Grogue. Alguem ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar!
Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri.

Era só isso? Porque tive tanto medo?

Vou pra fila de novo!

Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.

E você, já andou de montanha russa?

Katia Barga, mora em São Paulo, Brazil, é instrutora de yoga e mãe da Sarah, de 1 ano e 2 meses. Para saber mais sobre seu trabalho clique http://www.babyyoga.com.br

13 de maio de 2009

Dois relatos de parto na água: um no Brasil e outro no Japão

"Bem estar e tranquilidade" são as palavras que definem bem o parto domiciliar humanizado na agua.

Me chamo Kelly tenho 32 anos, tive meus dois filhos na agua, foram realmente muito tranquilos e relaxantes os dois partos que tive.

Eu e meu esposo escolhemos ter nossos bebes na agua porque lemos muito a respeito de todos os tipos de partos e o único em que o bebe não sofre nenhum trauma é o parto na agua humanizado. E também o único em que o bebe grava algo na memoria... "nadar".

O bebe sai de um ambiente e passa para outro bem parecido só que com mais espaço, e quando o bebe percebe isso automaticamente começa os movimento de nadar.

Também escolhemos parto domiciliar pela tranquilidade do ambiente e por ser mais natural.

E todas as pessoas que estão no local estão totalmente a disposição da mãe e do bebe, o que é muito diferente em um hospital...

Meu primeiro parto foi em Florianopolis, apesar de morar em Curitiba, porém
la não encontrei nenhum profissional que pudesse me auxiliar. Todos queriam
fazer cesárea... pois meu bebe estava sentado...
Alugamos uma casa na Praia dos Ingleses/SC, minha filha nasceu na noite do
dia 28 de Fevereiro de 2005 com 3.850kg parto domiciliar de cócoras na agua
(41 semanas). Fiz exercícios o tempo todo das contrações, caminhadas no
jardim, subia e descia escadas e também alguns exercícios com a bola gigante...
Estava calor e como já estava fazendo exercícios diariamente minha dilatação
estava excelente.
Tudo pronto e quando a bebe estava quase pronta para nascer entrei numa
dessas piscina para crianças de 1000ml relaxei e quando minhas contracoes
vinham eu me agachava no canto da piscina aonde meu esposo estava sentado
para me ajudar.
Em pouco tempo minha filha nasceu, nadou e veio para meus braços.
Linda e vigorosa!!!
Detalhe: - Minha filha estava sentadinha, dai 15 dias antes dela nascer a
parteira com ajuda de uma doula fizeram uma massagem indigina-mexicana e
viraram meu bebe que ficou encaixadinha pronta para nascer ... porem um dia
antes o bebe virou-se novamente e quando fui fazer a massagem começaram as
contrações o que impediu de virar o bebe...
Meu bebe nasceu pelo bumbumzinho foi um parto pélvico com muito sucesso! :)


Já meu segundo filho nasceu aqui em Tóquio no nosso apartamento com 3.420kg
no dia 28 de Janeiro de 2007 no começo da tarde(40semanas e meia).
Aqui a parteira também tem uma doula, o que é indispensável.
Minhas contrações começaram bem cedinho e em uma hora já estavam de 5 em
5 minutos. Aqui era inverno e a temperatura estava em media 5 graus. Mas com
o ar condicionado ligado o quarto ficou com uma temperatura agradável, e a
agua da piscina foi um pouco mais quente que o normal por causa do frio.
A parteira japonesa pediu que eu ficasse deitada, mas não foi possível pois
eu já tinha e experiência do primeiro parto, e levantei e agachei varias
vezes, mas a dilação estava demorando um pouquinho, dai como aqui e tudo tão
pequeno e não tinha um jardim para caminhar entrei logo na agua o que
favoreceu muito minha dilação. Andei na piscina que era própria para partos.
Fiz alguns exercícios na agua e me agachava na borda da piscina que tinha
mais ou menos 70 centímetros de agua, e relaxei bastante o que ajudou muito
na hora do bebe nascer... em pouco tempo meu bebe nasceu e se esticou na
agua e nadou... eu mesma tirei ele da agua e foi muito emocionante pega-lo
da agua e por em meus braços...
Ele nasceu muito saudável, tranquilo e vigoroso!

Tenho certeza que foi a melhor escolha!!!
Parto humanizado domiciliar de cócoras na agua...
Uau que nome comprido porém para algo tão especial só podia ser mesmo!!!
Foi maravilhoso!
A criação de Deus é perfeita!!!