8 de dezembro de 2008

Ouça seu coração de mãe sempre!

por Rosana Oshiro


Não me esqueço do dia em que cheguei em casa, com minha primeira nenê no colo, morrendo de dor por causa do corte da cesárea, esperando receber uma comitiva de boas vindas e ao invés disso, quando fui trocar minha filha pela primeira vez, escutei: não é assim que se faz, você está fazendo errado...
EU QUIS MORRER!!!


Tenho certeza que toda mulher que se tornou mãe já passou por isso, em maior ou menor grau, e sabe do que estou falando.

Eu não quero aqui dizer, que não existam pessoas de boa fé que realmente queiram ajudar na hora que veêm uma mãe de primeira viagem cuidando de um bebê que chora desesperadamente, mas eu acredito que quem está disposto a ajudar mesmo, tem cuidado ao SUGERIR alguma coisa.

Antes de me tornar mãe, eu li muito sobre psicologia infantil, como acalmar o bebê, como dar banho, amamentar, decoração de quarto, lembrancinhas, enxoval, etc, etc, etc, (infelizmente li pouco sobre parto humanizado e achei que estava fora do meu alcance) e me arrependo de ter feito algumas escolhas a outras, mas de uma escolha não me arrependo nunca: OUVIR MEU CORAÇÃO DE MÃE PARA TOMAR DECISÕES.

Tem gente que não quer cama compartilhada para não acostumar mal o bebê, tem gente que acha que dar colo demais estraga o bebê, tem gente que diz que se ta chorando demais é porque seu leite não sustenta, ou precisa de "luftal" porque o bebê está com colica, ou precisa de "nenedente" porque a gengiva está coçando.

Eu deixo a pessoa falar, tento ser educada, e no final digo: eu acho melhor ouvir meu coração, suprir a necessidade do meu bebê e seguir meu instinto, porque assim eu nunca vou me arrepender.

Não me conformo em ver as pessoas passarem pela vida sem se questionar, sem saber o porque de suas decisões e seguirem vivendo nos "padrões da sociedade". Vivem a vida correndo, sem ao menos perguntar-se o porque estão "seguindo a vida" daquele jeito.
Daí eu penso, como podem as mães seguirem o que as outras fazem, dar os remédios que as outras dão, sem ler, sem pesquisar, sem estudar, o povo brasileiro é um povo tão inteligente! Porque não usam sua capacidade de mudar, renovar, crescer conscientemente?

Eu sei que aqui no Japão a vida é corrida, as mães não tem muito tempo para os filhos por causa do trabalho, mas negar-lhes amor e colo para não deixar "mal-acostumado"???
Negar-lhes a amamentação exclusiva porque tem que voltar a trabalhar logo??? Será que era a hora mesmo de se tornar mãe?

Acho que quando a gente se torna mãe, não dá para simplesmente seguir a "onda", fazer o que todo mundo faz, sem pesquisar, ler, se qustionar e ouvir o que te diz o coração.

Errar é humano, permanecer no erro nem tanto...
Já fiz muita coisa na vida e na maternidade, das quais me arrependo, só não me arrependo das coisas que fiz ouvindo, primeiro, o Meu coração.

Siga seu instinto materno!
Ouça seu coração de mãe, dê amor, de colo, de carinho ao seu filho! Você nunca vai se arrepender disso, mas se não fizer, pode ter motivo para se arrepender...

beijos maternos! = )

7 de dezembro de 2008

Parto em Casa - reportagem

por Rosana Oshiro

Aqui, mais uma reportagem da TV de Campinas sobre parto em casa.

Essa é a opção MAIS SEGURA E TRANQUILA para uma gestante de baixo risco.


6 de dezembro de 2008

Bebê pélvico não é sempre motivo de cesárea

por Rosana Oshiro

Para quem tem medo de bebê pelvico, vou colocar aqui as opções para quem "por ventura" precise de orientação sobre o assunto.

As possiblidades de escolhas e tentativas de fazer o bebe virar antes do parto existem e são várias, cabe a mãe buscar profissionais, se informar e ir a luta, porque vale a pena.

Abaixo temos algumas alternativas, em ordem de complexidade, para fazer o bebê virar: (Lembrando que os procedimentos aqui apresentados devem ser feitos após a 35ª semana de gestação, que é quando o espaço do utero fica menor e as chances do bebê virar espontaneamente diminuem.)

1) Homeopatia - A mais usada é a Pulsatilla 6CH, mas é preciso procurar um bom homeopata, pode ser do Brasil, até por telefone, desde que seja um médico de confiança e solicitar a homeopatia especifica para você. Então, você pode pedir para um familiar comprar e te enviar.

2) Moxabustão - É a acupuntura "térmica". O estímulo é feito através da queima de um bastão de artemísia. Esse bastão é aproximado ao local a ser estimulado, provocando no organismo reações fisiológicas parecidas com àquelas provocadas pelas agulhas.

Na gestante o bastão deve ser posicionado o mais próximo possível de cada dedinho do pé, com o calor dirigido para o ponto acima da unha do dedo, permanecendo aí por 20 minutos. O calor deve ser intenso, porém suportável. (texto e imagem aqui)


3) Exercícios posturais: Há algumas posturas que, feitas diariamente estimulam o posicionamento correto do bebê. Eles devem ser feitos 3x ao dia, por pelo menos 15 minutos.
Veja as imagens abaixo:

(texto e imagens aqui)

4) Versão cefálica externa - A versão cefálica pode ser feita:
- Fora de trabalho de parto - pode-se fazer e se voltar pra casa, mas há o risco do bebê virar novamente
- Em trabalho de parto - impossível se romper bolsa antes

Abaixo, um video monstrando de como é fácil faze-la, e mais abaixo, um breve relato de uma mulher que fez.




"Minha filha estava sentada quando eu estava de 36-37 semanas. Ela era grandona e gordinha (nasceu com 3,950Kg). Eu fiz acupuntura com a Dra. Mary e ela virou a Alice na mão em seguida. No dia tinha feito um ultrassom. Ela já tinha 3,400Kg.
Eu posso garantir pra vcs que a versão externa não é em nada de violenta, como dizem. O fundamental é ser feito por uma pessoa que saiba fazer. Vou contar com detalhes para vocês terem uma idéia de como é: Ela fez uma única tentativa de virar(com as mãos). Primeiro viu a bebê pelo ultrassom. Eu mostrei pra médica como ela costumava escorregar mais para a esquerda. Ela achou o bumbum da A. Levantou o bumbum até um pouco abaixo do meu umbigo (para desencaixar da bacia) e ao mesmo tempo empurrou a cabecinha para baixo. A. deu uma cambalhota. Tudo isto que eu escrevi durou no máximo 10-15 segundos!! Isto doeu muito menos que uma massagem modeladora que fiz uma vez!! Não é piada, é sério!
Pra mim a versão sempre foi encarada como algo positivo. Eu faria novamente sem dúvida alguma. bjs, D."

6) Parto pélvico natural - É uma ótima opção, desde que seja com um médico não intervencionista e acostumado com o parto pélvico.

7) Cesárea em trabalho de parto - Com médico inexperiente é dificil se arriscar a um parto pélvico, mas pelo que soube, aqui no Japão, muitos médicos conhecem o procedimento e não tem receio do parto normal, tem mais receio é da cesarea!

Espero que depois de ler e conhecer essas opções sobre o bebê pélvico, você possa desmistificar algumas "histórias que o povo conta" e passe adiante essas informações para alguém que precise.

No link a seguir também tem boas fotos e dicas para tentar virar o bebê pélvico. Confiram! 

4 de dezembro de 2008

Babywearing

Por Thais Saito

A gente já falou sobre isso nesse post aqui, mas é um assunto muito legal, vasto, estudado e interessante.

Sabem o que é o BABYWEARING?
É o ato de "vestir" o bebê. Não a roupa nele. huahuahau. Mas o ato de nós vestirmos os nossos bebês.

Existem muuuuuitos jeitos de carregar um bebê.
- Simplesmente no colo, que é uma delícia quando eles são recém nascidos ou por curtos períodos, senão dá uma leve dor (nos braços nas costas.....);
- Num canguru comum, daqueles que parecem uma mochila. OK, o peso do bebê se divide nos dois ombros, ele fica numa posição prática (para nós) e parece bem seguro. Só que o bebê só pode ficar em uma posição. E cansa. Além da posição perninhas abertas demais pode causar um problema ali. Além de servir por pouco tempo (a Mel pôde usar por tipo 6 meses, porque depois começou a apertar a perna). Mais uma desvantagem: as pernas e os braços ficam largados e isso PODE causar problema ou facilidade de problemas naquelas articulações;
- Sling: delícia, delícia. O bebê fica numa posição super confortável, se sente no útero. E conforme ele vai crescendo, vai mudando as posições: sentado olhando pra frente, sentado barriga-com-barriga, pernas pra dentro, pra fora, nas costas..... Ainda dá pra amamentar super discretamente. Dá pra tirar e colocar o bebê quantas vezes quiser, porque é fácil, fácil. A desvantagem é a preocupação que se precisa ter para com as argolas, o velcro, ou o que for que segure, o tipo de tecido (precisa aguentar o bebê e, se for orgânico, sem estampas cheias de ftalatos e tal melhor ainda.) e precisa de um pouco de prática pra usar na boa;
- Wrap: um tecidão comprido, que se enrola, enrola, e prende. Sào lindos, extremamente confortáveis. O peso do bebê fica suuuuper dividido, é super seguro, a gente quase esquece que tem um bebê ali. É meio difícil de usar, é ruim mudar a posição do bebê. Existe a versão "fast wrap", que já vem meio pronto: você veste, como se fosse uma camiseta, mesmo, e coloca o bebê no meio. Adoro o meu e não largo por nada. jauahuah.

(imagem wrap com gêmeos, daqui.)
- Mei-tai: É um quadrado de tecido com 4 "braços", que você usa pra amarrar em volta do bebê e de si. Eu tenho e adoro. O ruim é que não dá pra mudar a posição do bebê e precisa prender direitinho pra não machucar. É uma adptação ao que as mulheres usavam antigamente, um cordão, pra amarrar as crianças.

(imagem, mei-tai Luka e Lika)

No próximo capítulo, vou falar dos benefícios do Babywearing em geral. hauhauaha. Aguardem.

3 de dezembro de 2008

Parto Humanizado

por Rosana Oshiro

O texto a seguir foi escrito por ninguém menos que o Dr. Ricardo Jones, mais conhecido como Ric. Ele é médico ginecologista, obstetra e homeopata em Porto Alegre, no Brasil, onde já atendeu a mais de 1500 partos em 17 anos de profissão.
Adepto do parto natural e um grande entusiasta do parto humanizado, é também um dos líderes mundiais na discussão sobre a melhoria da qualidade no atendimento às parturientes.

A discussão sobre Cesariana X Parto Normal é muito antiga aqui nas linhas cibernéticas. Quem milita nas listas de discussão há alguns anos sabe que este debate vai e volta, sistematicamente, como um ioiô ideológico. Esta ótica específica da humanização - como algo relativo ao "humano" - foi amplamente debatida há alguns anos, e re-debatida sistematicamente de tempos em tempos. Eu tenho um ponto de vista bem claro sobre o assunto, expresso no meu livro e nas minhas palestras, de que a "Humanização do Nascimento" tem a ver com um movimento filosófico chamado HUMANISMO, que, contrapondo- se ao teocentrismo da idade média, coloca o ser humano em destaque e oferece a ele o protagonismo de seu destino. Meu colega Maximilian consagrou a frase "Humanizar o nascimento é restituir o protagonismo à mulher" exatamente para oferecer este direcionamento ao movimento que visa humanizar partos. Segundo ainda Maximilian, sem o protagonismo garantido à mulher somente conseguiremos a "sofisticação da tutela", que não oferece a profundidade das mudanças geradas pela insensibilidade do paradigma biomédico de atender as necessidades básicas de uma mulher parindo.

Desta maneira fica claro entender que uma cesariana não pode ser "humanizada" exatamente porque a mulher NÃO POSSUI o protagonismo: ela está à mercê da técnica e da assistência ostensiva do profissional que a atende. Por outro lado, é certo que uma cesariana pode ser "humana", tanto na concepção óbvia espécie-específica (pois é feita em seres humanos) quando na conotação de "gentil e respeitosa". Muito da discussão que observei sobre esta questão deve-se aos conceitos, ora equivocados, ora confusos, sobre o que vem a ser humanização. Cesariana é cirurgia, e no conceito que queremos dar à humanização ela NÃO tem como ser humanizada, pois aliena a mulher da sua condução (mesmo quando bem indicada). Por outro lado, um PARTO VAGINAL pode ser deveras DESUMANIZADO, e mesmo DESUMANO, quando impede a mulher de tomar qualquer decisão sobre seu corpo, ou quando a trata de forma rude, grosseira e mesmo violenta.

Humanizar o nascimento é colocar a mulher como condutora do processo; tornar o parto "humano" é tornar a assistência mais suave, gentil e adequada. Entretanto, uma atitude gentil pode ocorrer até mesmo em partos desumanizados (sem protagonismo).

Eu acredito que esta discussão fica acalorada por causa de seu evidente conteúdo erótico. Explico: parto é constituinte da vida sexual normal de uma mulher. Quando falamos em nascimento, parto, dores, contrações, vagidos e gemidos, estamos falando do EROTISMO pulsante e vivo que permeia este momento. É por esta razão que a discussão fica tão forte, mesmo quando eu vejo nítidos vértices de contato nos discursos de muitos debatedores. Não há duvida que existem diferenças claras do ponto de vista emocional, afetivo, psicológico e físico entre um parto vaginal e uma cirurgia, a qual sem dó nem piedade rompe 7 camadas de tecido para atingir a intimidade uterina. É claro para todos, também, que uma mulher NÃO se define pelo tipo de parto que teve: ninguém é mais mulher por ter tido um parto normal. Por outro lado, ninguém é mais homem por ter as duas pernas, mas a ninguém parece justo negligenciar as suas, e tampouco existem pessoas para quem perder as pernas não tem importância. Assim podemos entender o parto normal: não define a qualidade de uma mulher, mas não pode ser entendido como supérfluo ou desprezível para ela. O evento do nascimento é um momento impressionante na vida de uma mulher; divisor de águas é capaz de fazê-la naufragar em uma depressão melancólica (por reforçar suas fantasias inconscientes de impotência) ao mesmo tempo em que pode alçá-la a um patamar inimaginável de segurança, auto-estima e determinação. Uma encruzilhada ímpar. É fácil ver que isso pode ser atingido SEM a experiência de um parto (que o digam Madre Teresa, Jesus Cristo, etc.), mas nem por isso podemos fechar os olhos à sua imensa potencialidade criativa.

A ansiedade que percebemos no que tange a esta discussão se origina exatamente de sua dimensão sexual. Falar do próprio parto é falar do seu sexo, da sua intimidade, de sua competência feminina. Por esta razão é importante que tenhamos esta visão até para que possamos contextualizar o debate e não torná-lo tão duro.

Ainda sobre os conteúdos sexuais, basta que estejamos presentes em um nascimento humanizado para perceber que TUDO ali transpira sexualidade. Uma mulher deixada vagar livremente pelos seus desejos pode encontrar o êxtase no nascimento de um filho. Permitindo-se que ela transite pelo gozo indescritível desta passagem - sem interrupção e sem censura - ela poderá descrever seu parto (como já fui testemunha tantas vezes) como o momento mais prazeroso de sua vida.

Pois é aí que está o segredo tão bem guardado !!

Aqui se encontra o mistério recôndito. Se as mulheres soubessem o quanto existe de realização e transcendência no ato de parir estas discussões terminariam da mesma forma como se dissipa a névoa com a chegada do sol. Foram os homens que inventaram as dores lancinantes de parto, apenas para fazer valer sua técnica e seus aparatos tecnológicos. Era preciso fazer a mulher descrer em si para que ela acreditasse na idéia que somente através da intervenção sobre este corpo defeituoso é que se alcança sucesso no nascimento.

Que triste !!

Tanta força e tanta energia sexual desperdiçadas !!! Mas eu dizia ao mestre Marsden que não acredito que possamos enganar todas as mulheres por todo o tempo. Um dia elas vão acordar de seu sono de menosvalia, e reclamar de volta o que sempre foi seu.Neste dia o nascimento humano voltará a ser um momento deslumbrante, para uma nova sociedade de paz.

Minha amiga Simone Diniz me disse há muitos anos uma frase que muito me irritou e me obrigou a refletir, até que eu finalmente aceitei e entendi: "A escolha pela cesariana é uma opção pela dignidade". O que vemos na sociedade contemporânea ocidental, no que tange ao parto, é um FALSO DILEMA: de um lado um nascimento violento regulado por pressupostos mecanicistas e positivistas, onde se aniquilam o psiquismo e a afetividade maternas em nome de uma ilusória objetividade cartesiana, junto com uma falsa promessa de segurança.

Do outro lado uma cesariana, que é o ápice da alienação feminina sobre o nascimento, e onde se oferece o total controle médico sobre o evento. Neste contexto, optar por uma cesariana pode ser simplesmente o desejo de que seu parto seja minimamente digno, onde não haja alarido e violência verbal (por vezes física) na sala de parto. Optar pela cirurgia é ter controle (sim, o controle de decidir-se a fazê-la) para poder fugir da grosseria e da humilhação de parir sob o olhar de uma platéia onde podem até estar presentes curiosos, ignorantes e outros despreparados.

O drama é que estas são as DUAS ÚNICAS alternativas oferecidas nos dias de hoje: partos humilhantes ou cesarianas alienantes, "limpas e seguras". Quase NINGUÉM (ok, muito poucos) oferece um parto digno, bonito, prazeroso, carinhoso, afetuoso e digno. ESSA É A LUTA !!!

Os humanistas do nascimento não se contrapões às cesarianas (sou deslumbrado por esta história, de Edoardo Porro, passando por De Lee até os neo-cesaristas, como Marcelo Zugaib), mas nos insurgimos contra o abuso e a falsa promessa de redenção implícita no oferecimento de uma cirurgia como esta. Lutamos contra a objetualização e coisificação da mulher, seja numa cesariana ou num parto vaginal "Frankenstein" , como bem dizia a Roselene. Somos visionários que enxergamos o nascimento como ATO REVOLUCIONÁRIO e libertário, que se opõe ao sexismo do patriarcado abrahâmico castrador, e que oferece uma nova visão para o porvir da humanidade, onde os nascidos de mulher serão acolhidos com amor.

A simples diminuição matemática do índice de cesarianas não parece ser algo adequado. Diminuir a incidência dessas cirurgias sem a concomitante modificação da ideologia da assistência ao parto só pode produzir uma situação mais dramática do que a anterior. A falta de compreensão do sistema biomédico contemporâneo das necessidades básicas de uma mulher ao parir está na gênese do descalabro na assistência. O problema reside no modelo cartesiano aplicado ao nascimento, que entende o psiquismo apartado da "Humani Corporis Fabrica", e define a mulher como um aparelho defeituoso, equivocado e falho em essência. Sem uma mudança radical na visão que temos da MULHER vamos apenas criar aberrações sobre aberrações, sem nunca atingir o núcleo do transtorno. Precisamos mudar a forma de entender o feminino, para assim modificar o olhar que lançamos às grávidas.

A tese do "protagonismo devolvido" e o rechaço à idéia de sermos "contrários à cesariana" são pontos nevrálgicos na discussão sobre a humanização do nascimento. Além disso, é importante trazer à tona a idéia de que abolir ou dificultar o acesso às cesarianas é inútil e até perigoso, porque a falha não é no seu uso (que não é causa, e sim conseqüência), mas na própria visão que temos da mulher e suas funções femininas. Precisamos nos dedicar a uma tarefa muito mais complicada e difícil do que simplesmente baixar nossas taxas de intervenção: necessitamos criar a "nova mulher", liberta dos grilhões do patriarcado e longe do revanchismo do antigo feminismo antropofágico. Precisamos, por fim, oferecer às gestantes e parturientes o suporte afetivo, espiritual e emocional que foi a marca de nossa ancestralidade, e aquilo que nos define como 'humanos", que é a capacidade de cuidar dos semelhantes (Leonardo Boff).

Ricardo Jones, MD*

2 de dezembro de 2008

Slings

Por Thais Saito

Hoje saímos para passear. O Bhuda já quase não chama atenção (ele é bem grande...), normalmente. Huahauah. Hoje ele saiu de sling cor de rosa.

Achei que ia ser o palhaço do circo, mas que nada!!!!!

Fomos num matsuri de uma escolinha e tinha taaaaaaaanta mulher de sling!
Ele chamou atenção, mas a atenção normal.
Eu ainda vi vários modelos, alguns com um tecido mais quente, com apoio pro bebê, umas cores liiiiiindas, com rendinha e tals. hauhauahua.



A gente usa o sling desde que a Mel tinha 8 meses (hoje ela tem 5 anos). E direto. Sempre. O João e o Zé praticamente cresceram dentro do sling.
Em especial, quando a Mel era pequena, a gente ouviu muuuuita besteira, do tipo "Coitada da nenê! Vai ficar toda torta!", "Que perigo!", "Se esse bebê cair e ficar paraplégico, a culpa é sua!" e tal. Sério. Huahuahau.
Geeeeeeente... o sling é mágico!!! Os bebês ficam super confortáveis, porque eles se sentem no útero. Os bebês maiores são um pouco mais difíceis de manter dentro, mas é fácil de colocar e tirar (quando se pega a prática), e diminui tanto as dores nas costas... E as crianças (a Mel ainda anda de sling) adoram, porque é uma brincadeira, né.

Usem. É um ótimo jeito de conseguir usar as duas mãos E ficar com um bebê recém nascido no colo. Fora que dá pra amamentar a vontade super discretamente. Ninguém nem percebe.

1 de dezembro de 2008

E se a bolsa romper antes do TP?

por Rosana Oshiro

Você sabe o que fazer se a bolsa romper antes de começar o trabalho de parto?
Você sabia que isso acontece bastante entre as gestantes, mas NÃO É O NORMAL???
Vou falar aqui sobre os cuidados e o que deve-se, ou não, fazer em caso de BOLSA ROTA.

A primeira coisa a fazer é se verificar se a bolsa rompeu mesmo e se você está perdendo líquido, ou seja, o liquido fica escorrendo aos poucos, e há presença de muco e sangue.

Na verdade, temos duas camadas na bolsa, e às vezes rompe a camada de fora, dá uma esguichada e pronto, não sai mais nada. E o TP ainda pode demorar dias para começar.

Quando a bolsa se rompe "para valer" ficam saindo jatos involuntários de liquido, e aí sim, a cavidade do útero fica exposta à entrada de bactérias.

Às vezes as bactérias já estão lá e fazem justamente com que a bolsa se rompa. Ninguém sabe o que vem primeiro, a bolsa rota ou a infecção. Acredito que existem os 2 caminhos, infecção após bolsa rota, e bolsa rota por causa da infecção.

A primeira coisa a se observar é a cor do liquido e o cheiro.

Se o liquido for clarinho e não houver cheiro forte, não há razão para desespero, deve-se fazer exercícios, tomar chá de canela com gengibre, tentar descansar até a hora em que o TP engrene, e se hidratar, bebendo bastante água, para só depois ir ao hospital.

Se o liquido for verde clarinho é preciso ir ao hospital, mas não precisa se desesperar, dá para tomar um banho e arrumar uma mala que ainda não esteja pronta, sempre bebendo água.

Se o liquido for verde escuro é preciso ir ao hospital imediatamente, mas ainda assim, sem desespero, porque o mecônio é apenas sinal de maturidade do bebê e nada mais.

Não pense que nesse caso é indicada a cesarea, o mais indicado é o parto normal, se tudo estiver bem, porque ao passar pelo canal do parto o bebê tem as vias aereas aspiradas, o que não ocorre se for feita a cirurgia.

Um dos exames realizados antes do parto no Japão, é de Estreptococus, que é uma bactéria que se contaminar o bebê, pode levá-lo a óbito.

Esse é o grande medo da "bolsa rota". É disso que os médicos têm medo e dizem que precisa operar com urgência depois de 6 horas de bolsa rota no Brasil, não sei como funciona aqui, portanto, antes de aceitar uma cirurgia, questionem as opções e urgencias reais.

E ainda assim, é bom a gente saber que mesmo com a infecção, mesmo que a infecção comece a produzir sinais no bebê e na mãe (febre materna, taquicardia fetal), ainda assim dá tempo de agir, ou seja, não há razão para se operar uma mulher porque a bolsa rompeu.

Trinta por cento das mulheres têm strepto e não sabem. No sistema público de saúde do Brasil, nem pedem este exame, porque a indicação de antibiótico durante o TP é ineficaz e questionável.

Eu mesma nunca fiz esse exame, a não ser aqui, e quando tive bolsa rota, aguardei por mais de 16h para depois ir ao hospital.

Em caso de ter o resultado de Estreptococus Positivo você pode tratar-se colocando um dente de alho no canal vaginal todos os dias durante uma semana, e depois refazer o exame para verificar se zerou.

O mais importante ao sentir que sua bolsa rompeu, antes de iniciar o trabalho de parto, é manter-se tranquila e segura de que existem opções para você, antes de ir direto para o hospital e acabar aceitando uma cesárea sem real necessidade.

Está com Febre?

Que bom ! A febre, definida como um aumento da temperatura do corpo acima de 37,2º C (medida axilar), é um evento que acompanha boa parte das doenças inflamatórias, especialmente infecções e , de modo mais freqüente, na infância. Nos dois extremos da vida, temos duas tendências opostas: na infância predominam as doenças inflamatórias febris, e, na idade senil as doenças escleróticas.

A febre na criança costuma trazer angústia aos pais, que sentem uma necessidade grande de baixá-la imediatamente, temendo possíveis conseqüências maléficas aos seus filhos. Isso está mais baseado em desinformação do que propriamente em conhecimento científico.

Quando entendemos a febre de um ponto de vista mais ampliado, nossa visão se modifica e também nossas atitudes diante desse fato. A febre sempre existiu, acompanhando diversas doenças, como mecanismo de defesa do organismo. Com o aumento da temperatura corpórea, nosso sistema imunológico tem a possibilidade de agir mais rápida e eficazmente. A produção e a ativação de diversas substâncias e células de defesa aumentam na febre, o que facilita a resolução da inflamação. Sabe-se, de longa data, que durante a febre o organismo humano consegue produzir mais anticorpos contra vírus e bactérias. O aumento de apenas 1ºC na temperatura corpórea consegue diminuir duas vezes a multiplicação viral. No caso do resfriado, por exemplo, o vírus se reproduz muito bem a 35ºC; já à 38º se reproduz pouco, e aos 40º não se reproduz. Portanto, o melhor remédio para o resfriado é a febre! E o pior remédio é o resfriamento – que pode acontecer após o uso de diversos antitérmicos.

Durante nosso desenvolvimento, passamos por crises que precedem períodos de mudanças. Assim é por volta dos 21 anos, quando buscamos nossa verdadeira identidade no mundo, ou dos 28 anos, quando nos questionamos profundamente acerca de nossos reais talentos. Na infância, de 0 a 7 anos de idade, o correspondente a essas "crises biográficas" são as doenças febris. O calor traz a possibilidade daquilo que nos é mais individual, chamado na Medicina Antroposófica de organização do Eu, de intervir na constituição orgânica. Isso se acentua na febre. O Eu precisa expressar-se por meio do corpo físico, e a febre o ajuda a tornar esse corpo herdado dos pais mais adequado à suas próprias características individuais. Na pessoa febril observamos um rebaixamento de seu nível de consciência. Pensar e atuar fica mais difícil durante a febre (o corpo e a mente pedem repouso). É como se a consciência (Eu) "descesse" da cabeça até os órgãos internos e membros, para "tomar posse" daquilo que foi herdado dos pais. Isso só se consegue por meio de calor corporal. Por isso, se no início da febre as extremidades estiverem frias (principalmente os pés) pode-se fazer compressas mornas nas panturrilhas e nos pés, ajudando o calor a chegar até lá. Desse modo não estaremos impondo obstáculos ao desenvolvimento orgânico, mas sim facilitando. Depois da compressa, deve-se colocar meias bem quentinhas e repousar.

Responder com febre durante uma doença é sinal de boa vitalidade, de capacidade de reagir frente às ameaças externas. Após cada episódio de febre, o sistema imunológico, expressão de nossa individualidade, torna-se mais preparado para enfrentar as agressões externas, e a criança, como um ser único, ganha uma batalha e conquista seu novo espaço. Trata-se de um amadurecimento orgânico, vital para o amadurecimento anímico que se segue.

QUANDO BAIXAR

O bom senso nos deve guiar. Em algumas situações, é adequado baixar a temperatura com antitérmicos. Mas são situações de exceção:

o quando a febre ultrapassa os 41º C;

o durante a gravidez (a febre poderia trazer problemas de formação ao feto);

o em pessoas com doenças cardíacas (ao aumentar a freqüência cardíaca, a febre pode sobrecarregar o coração de quem já teve um infarto ou angina);

o em doenças crônicas muito debilitantes (p. ex. tuberculose, hipertireoidismo);

o em doenças psiquiátricas (em que a febre pode desencadear determinados surtos);

o e em pessoas com epilepsia – quando a febre pode facilitar a ocorrência de novas crises.

Existem recursos naturais e medicamento homeopáticos que ajudam o doente febril a modular a temperatura, ou seja, evitam que ela exceda determinados limites, ao mesmo tempo em que trazem bem-estar e auxiliam a fase de recuperação. Antitérmicos sintéticos e antibióticos precisam ser usados com muito critério, e os últimos, somente sob prescrição médica.

CONVULSÃO

Existe um "mito" que vale a pena abordar: as convulsões febris. Ao contrário do que se teme, são episódios raros (3% das crianças), não deixam seqüelas e dificilmente se repetem. As convulsões febris só ocorrem na faixa etária entre 3 meses e 6 anos de idade. Por ser um fenômeno isolado, uma convulsão não pode ser definida como epilepsia.

Ela não depende do grau de febre, isto é, não é mais comum ocorrer aos 40º do que aos 38ºC. Além de raramente acontecer, a convulsão febril cessa espontaneamente e geralmente não causa nenhum dano á criança. A grande maioria das crianças com história de convulsão febril nunca mais irá apresentar novo episódio durante todo o resto de sua vida. Na próxima infecção, seu organismo terá "aprendido" a superar até uma febre mais alta sem convulsões.

É importante saber que a febre não é uma doença em sim, mas uma maneira de se defender, e que o grau de febre (baixa ou alta) não está relacionado à gravidade da doença. O estado geral da pessoa é o mais importante. Não se justifica a preocupação excessiva com a febre. Nosso esforço deve ser o de saber sua causa, e não simplesmente baixá-la, atrapalhando a atuação do sistema imunológico.

Orientações Práticas

O que fazer para ajudar



# Crianças têm febre mais alta e de instalação maios rápida que os adultos.

# Durante a febre convém respeitar a falta de apetite da criança, não a forçando a comer. Se houver perda de peso, ela o recuperará rapidamente após a doença terminar. Porém é muito importante que ela beba líquidos (água, chá e sucos), para repor as perdas aumentadas por força da transpiração maior que acompanha a febre.

# Não dê banho frio na criança com febre, tampouco use compressas com álcool. Isso causa perda muito rápida de temperatura. O banho deve ser na temperatura do corpo.

# Brinquedos e atividades que estimulam demasiadamente o pensamento, como vídeo-game, computador, lição de matemática, etc. devem ser evitados durante a febre. Há necessidade de repouso físico e mental.

# Consulte o médico para saber a verdadeira causa da febre. Se o tratamento é feito com um homeopata, ele necessitará de informações que individualizem o caso, como por exemplo se o aumento da temperatura foi súbito ou lento, se houve presença e características de sede, suor, sintomas mentais (estado de ânimo, ansiedade, desejo de companhia, etc.) dentre outros.

# Após os episódios de febre o calor tem de ser mantido, especialmente nas extremidades (pés), agasalhando-se bem a criança e evitando-se perdas excessivas de calor.

Seguindo esse caminho, o organismo da criança terá aprendido algo durante a doença febril, por esforço próprio. Note a expressão na face do seu filho ou de sua filha após recuperar-se de uma doença febril em que a febre não foi suprimida, e sim auxiliada de modo consciente e natural. A criança está sutilmente diferente: um pouco menos parecida com os pais, um pouco mais "parecida" com ela mesma. Você deu liberdade para ela amadurecer.


Dr. Nilo Gardin

Diretor-Médico da Weleda do Brasil
CRM-SP 78.538


(extraído do Periodicum Weleda - informativo Weleda - Junho/2005 nº 34)