por Rosana OshiroEscolher entre o parto normal ou a cesarea é hoje uma opção para a maioria das mulheres de classe média em qualquer lugar do mundo, inclusive aqui no Japão, infelizmente.
Existem médicos inclusive que já fazem cesareas totalmente desnecessárias nas brasileiras por comodismo e conveniencia.
O fato é que não é só o tipo de parto que faz a gente se tornar mãe, mas existem mais uma série de fatores/escolhas que fazem muuuuita diferença no nascimento de um bebê.
Para quem não sabe, eu passei por duas cesareas totalmente desnecessárias:
- a primeira por despreparo, ansiedade e medo por ter passado das 41 semanas de gestação
- a segunda por não ser respeitada, nem apoiada ou estimulada a continuar o trabalho de parto que já havia chegado a 8cm dentro de um hospital.
Minha segunda cesarea foi um difusor de águas para mim, eu tinha toda a informação do mundo e sabia que era totalmente possivel o parto normal, mas não aguentei a pressão externa da familia e dos amigos para ir logo para o hospital, aceitei tudo o que eu não queria e acabei sofrendo intervenções desnecessárias e no final das contas implorando a cesarea.
O passado não da para mudar, mas o futuro sim. Depois de passar por duas experiencias de parto "frias", eu resolvi ser a protagonista da minha estória e do meu parto porque aconteceram várias coisas que ficaram entaladas na minha garganta por um bom tempo. Elas foram:
= ( meus filhos nasceram e eu estava dopada e amarrada, não pude sequer beija-los
= (( meus filhos nasceram e foram aspirados, receberam colirio de nitrato de prata (que fez seus olhinhos arderem), foram esfregados sem dó e logo receberam uma injecção de vitamina K como boas vindas
= ((( ficaram com pessoas desconhecidas, foram chorando ficar num berço de plastico aquecido, quando poderiam estar no meu colo quente e amoroso
= (((( seu primeiro alimento foi agua glicosada, quando poderiam ter sido amamentados pelos meus seios cheios do melhor alimento para eles, o colostro
= (((( ficamos, eles e eu, mais de 12 horas separados e desconectados sofrendo desnecessariamente
Fora isso, tive dor por vários dias por causa do corte da cesarea, alergia da anestesia, utilizei sonda, tive que tomar antibioticos por varios dias, tive problemas no inicio da amamentação e uma profunda depressão pós-parto.
Sim, tudo isso poderia ser diferente e eu fui a luta, eu sabia que não me bastava confiar em médicos e hospitais, mas era preciso acima de tudo acreditar em mim e QUERER DE VERDADE ser protagonista da minha história e do meu parto.
Eu tive uma terceira gestação acompanhada por um médico e uma parteira e optei por um parto domiciliar que ocorreu com 42 semanas de gestação. Um parto tranquilo, onde fui apoiada, encorajada, abraçada, animada e vivi o parto intensamente e, poderia até dizer, prazeirosamente.
Eu pude curtir meu filho logo após o nascimento, pude beijá-lo, abraça-lo, amamenta-lo e me sentir mulher e perfeitamente capaz de parir.
Eu pude comer durante o TP e logo após ele, pude chorar e gritar de emoção sem ser advertida ou reprimida.
Eu pude fazer o que eu queria, eu me conduzia, ERA A PROTAGONISTA DA MINHA HISTORIA!
Depois disso tudo, de toda essa alegria e emoção de parir, o que eu fiz diferente no próximo parto? NADA!
Tive outro parto em casa (dessa vez unassisted porque não consegui parteira) e foi novamente alegria, prazer e emoção!
Além disso tudo, pude perceber a diferença de ter um filho "arrancado" brutalmente de dentro de mim e outro nascido tranquilamente no SEU TEMPO. Hoje vejo a diferença que isso causou no comportamento e confiança deles a cada dia.
O que eu quero dizer com tudo isso?
Quero dizer que toda mulher é capaz de se empoderar e correr atrás, não só do seu parto, mas do seu direito de parir em paz, de não ter que passar por intervenções desnecessárias, (nem seu bebê) nem de pressões e repressões, nem que para isso ela tenha que parir fora do hospital.
Eu defendo o parto domiciliar, sou totalmente a favor!
Cada mulher deveria ter essa opção para o parto de forma consciente, porque que é seguro, já está mais do que provado que é!
Eu escolhi ser radical com minhas escolhas, porque para mim foi melhor assim!
Mas e você, já teve um parto? Ficou satisfeita e feliz depois dele? Porque? O que você faria diferente no proximo parto?



