Meu filho nasceu de parto normal quando completei 40 semanas de gestação.
A gravidez foi tranquila, e aproveitei os quase dez meses para me informar sobre todos os desafios que viriam.
Desde os primeiros dias, já tive dificuldades com a amamentação, em conseguir estimular a produção de leite e ajudá-lo a fazer a pega correta.
Eu realmente não tive ajuda de ninguém, nem da família, nem do marido, e estava passando por momentos muito difíceis pós-parto. Me sentia muito sozinha, e só não me entreguei a depressão porque meu filho era minha maior alegria, e eu queria ser forte por ele.
Apesar de ter me preparado, me vi entrando em desespero após mais de um mês fazendo de tudo para alcançar meu objetivo. Mas o leite não descia, era muito pouco, ele tinha fome, eu estava sozinha... Enfim, sofri muito e recorri à mamadeira.
(Aqui, um parentesis: esse assunto ainda é um pouco delicado para mim, pois foi nesse momento em que eu estava mais vulnerável, que algumas pessoas aproveitaram para dar palpites e mais palpites, me julgar e me desanimar totalmente. Ainda guardo alguma mágoa disso, pois agora percebo que a intenção deles não era me ajudar. Mas, deixa pra lá...)
Nas primeiras vezes que recorri à mamadeira, eu me sentia muito mal, sentia que tinha fracassado, que estava falhando com meu filho. Estava atormentada pelo sentimento de culpa.
Eu tinha me alimentado bem, me exercitado durante a gravidez, lido inúmeros livros, textos, ido a palestras, conversado com outras mães, enfermeiras, e não estava conseguindo realizar um grande desejo meu. Uma coisa corriqueira, que milhões de mães fazem todos os dias...
No nosso primeiro dia das mães, sozinha em casa com ele, preparei a mamadeira e me sentei na cama, com ele no colo. Comecei a dar a mamadeira, num gesto quase automático, segurando as lágrimas, com pensamentos horríveis na cabeça…
Foi quando meu filho, mamando com vontade, de repente parou e colocou a mão na minha mão. Olhei para ele e percebi que ele estava me olhando fixamente. Foi um momento tão simples, tão único, muito especial entre nós… foi quando eu percebi que o fato de não ter conseguido amamentar não iria mudar o vínculo que tinha com meu filho. Foi como se ele estivesse me dizendo que me perdoava e que estava bem.
A partir desse momento, insisti um pouco ainda na amamentação, sem sucesso, e decidi que isso não iria ser um problema. Dei muita mamadeira para o meu filho, sempre com muito carinho, olhando nos seus olhos, fazendo carinho, cantando, transformando esses momentos em lembranças muito especiais…
Quero deixar claro que sou 100% a favor da amamentação, mesmo não tendo dado certo para mim. Por isso resolvi falar um pouco sobre esse assunto, e aproveitar para participar da promoção.
Meu nome é Ana Paula, tenho 25 anos, trabalho como funcionária pública e tenho um filho de 03 anos. Sou separada, moro no interior de SP e procuro fazer o melhor para o meu filho. Acredito em parto normal, amamentação, cama compartilhada, e em buscar uma vida mais simples e natural.
5 de junho de 2009
Relato de Parto Domiciliar após Cesarea
O tampão começou a sair dia 10/12 e eu não tinha notado. A parteira que me avisou após fazer um toque para verificar dilatação, que estava em 1,5cm. Nesse dia era sua 2ª visita. E continuou saindo no decorrer da semana uma coisa assim meio amarelada e com consistência de catarro.
Fui ao médico, dei uns passeios, namorei, mas algo me dizia que ainda não era hora – já passávamos das 40 semanas. Sentia umas contrações irregulares no fim do dia.
Na sexta feira, dia 15/12, resolvi ir na 25 de Março com minha filha mais velha (2 anos e meio). Fui de manhã e à tarde. Andei horrores. E a noite, as contrações tavam uma beleza...
Como estava cansada, nem tive pique pra namorar. No findê, fomos na casa da sogra; subi e desci várias escadas. Meu sogro matou meu desejo de comer panqueca com geléia.
Fizemos várias outras coisas tb, entre elas, ir ao shopping lotado abarrotado, comprar alguns presentes de natal.
A semana seguinte se iniciou e, confesso que tinha me prometido deixar rolar. Fazer o que podia e deixar meu corpo agir conforme fosse. A Ivanilde – parteira – me ligava sempre, pra saber como estava e, eu sempre dizia na mesma...
No decorrer da segunda feira, 18/12, senti algumas contrações bem legais. Fui fazer um ultra com Doppler a pedido do médico. Andei pela Paulista. Chegando em casa, notei que as contrações vinham de hora em hora e depois de 40 em 40 minutos. Mas daí não passava, eu ia dormir e pronto.
Dia 19/12 o tampão agora estava saindo em maior quantidade e com raios de sangue. A parteira ligou e contei, ela disse que estava no início de tudo. Pensei, devem ser os prodómos.
Fui à Paulista de novo, dessa vez pra buscar o resultado do exame. E novamente andei.
Na quarta voltei no médico pra levar o exame, e saí com outra requisição pra repetir o exame no Sábado. Senti que as contrações estavam de hora em hora de novo. Nem me animei.
Comentei com o Déo e ele já queria ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixava, eu sabia que era só o começo. O Déo e a Alicia queriam comer carne, fomos numa churrascaria. Lá,senti que as contrações vinham de 30 em 30 minutos. Mas estava tranqüilo, estava sentada, respirava, comia. Comi muita salada,bebi muito suco. Fomos pra casa e as contrações ainda ficaram por mais um tempo. O Déo ficou marcando, mas o intervalo foi aumentando...falei pra gente dar uma namorada e depois dormimos.
Acordei na madrugada da quinta feira umas 4:00AM. Fui no banheiro e achei estranho. Pensei: Será??
Voltei pra cama, mas começaram umas contrações bem legais. Falo legais, porque pareciam cólicas de ir ao banheiro. Notei que estavam vindo em um curto espaço de tempo. Deu-me uma fome fora do normal. Tomei 2 iogurtes.
Não conseguia mais dormir, fui pra sala e liguei a TV. Zapeava os canais entre as contrações. Não marcava, mas sentia que estavam ficando próximas. Nesse meio tempo, fui ao banheiro mais umas 2 vezes e o tampão saia mais e mais. Aí pensei: Tá acontecendo.
Era um misto de excitação e ansiedade. O Déo acordou e falou que ia ficar comigo, mandei ele dormir mas ele não foi. Disse que ia ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixei. Falei pra ele começar a contar, que depois eu decidia quando ligar, porque pra mim ainda não era a hora, ou mesmo tinha medo da coisa parar de repente.
Acabei vomitando o que tinha comido. Ás vezes eu gemia, rebolava, ficava sentada no pufe, andava e acocorava. O Déo brincava e eu me irritava. A Alicia ainda dormia – já passavam das 07h30AM.
Mandei o Déo ir comprar pão e ele falou que ia ligar pro povo, eu disse que ligava. Senti que a intensidade estava aumentando, mas morria de medo de tudo parar de repente. Não liguei para ninguém, só me concentrava.
O Déo voltou, ligou para a Ivanilde, que deu uma bronca, porque era pra ele ter ligado antes. Falou que ia ligar pra AC, falei que ainda não, queria esperar a parteira e ter certeza que estava em trabalho de parto mesmo. Ele ligou pra mãe dele, pra ela vir ficar com a Alicia, que a essa altura já tinha acordado e o Déo comunicado que a irmã ia nascer. Ela nem foi falar comigo. Falei pra ele que se a mãe metesse no processo eu mandava ela embora.
Senti uma vontade incontrolável de dormir. Era um sono sem fim. Avisei ao Déo que ia cochilar. Fui pra cama, deitei de lado e cochilava entre as contrações. A Ivanilde chegou, eu estava na cama deitada e ela fez um toque – 4/5 cm – e perguntou como eu agüentei sozinha. Não conseguia falar, dei um sorriso e pronto. A parteira era uma animação só. Eu me concentrava,esperava a próxima concentração e tentava uma posição legal.
Déo começou a arrumar o apto, me dando mais espaço. Forrou a cama e dava assistência à Alicia. Nas contrações eu rebolava, ficava em pé, me curvava; já não conseguia mais me acocorar. E eu que pensava que ia parir de cócoras...
O calor era insuportável e, eu ODEIO calor. Perguntei pra Ivanilde se eu podia tomar um banho rápido só pra me aliviar do calor. Ela disse que eu podia ficar mais se quisesse e assim o fiz.
Ela pedia pra eu tentar me acocorar, mas eu não conseguia, me apoiava num banco e abaixava um pouco. Ouvi quando minha sogra chegou. Ela foi até o banheiro, não falou nada, me deu um sorriso confiante, era o que eu precisava.
Saí do banho falando que ia dormir mais. Mas pensava que poderia estar impedindo o TP, ao mesmo tempo em que não conseguia controlar o sono. As contrações aliviaram um pouco, a parteira falou que era normal após o banho quente e tal. A Ivanilde falou que ia ligar para Ana Cris, falei um não bem sonoro. Ela perguntou porque e eu balancei a cabeça e fui caminhar pelo apto.
O Déo me fazia massagens junto com a Ivanilde, mas pedi pra parar porque não estava gostando. Voltei pra cama e falei que ia dormir. Nas contrações a Ivanilde colocava a mão na minha barriga – aquilo era bom – e falava essa foi forte, respiiiiiira. O Déo mexia no meu cabelo e falava que eu ia conseguir, que se eu quisesse desistir ele teria orgulho de mim de qualquer maneira.
De vez em quando, minha sogra aparecia, não falava nada, mas eu sentia a presença dela e uma energia boa, era como se me fortalecesse. Eu só fechava os olhos e pensava – estou dilatando, estou dilatando!!!
Não conseguia nem beber água, me fizeram um chá beeeem doce; tomei, mas depois vomitei. Comecei a sentir vontade de fazer força, fui ao banheiro, mas nada. A parteira sugeriu que eu ficasse no vaso, que era bom, ajudava, mas não consegui por muito tempo.
De agora em diante eu não me lembro de tudo. A Ivanilde falou que estavam ficando mais longas e doloridas. E como eu estava com vontade de fazer força, ela ia fazer um toque. Eu sempre mandava ela esperar mais um pouquinho.
O toque foi uma lenda, pedia para ela parar – até bati na mão dela. Pedi pra não fazer,pra esperar...Mas vi um sorriso nela e ela me dizendo que já estava com uns 8cm, falou que estava perto e perguntou se eu queria ir pro chuveiro de novo. Falei que ia tirar um cochilo e depois ia; e assim o fiz.
No chuveiro a força era animal... E eu adorava aquilo. Meu corpo funcionava, eu estava extasiada, feliz, ansiosa... Fiquei de quatro e sentada em cima das pernas. Fazia força involuntariamente, era algo maior que eu pensava – eu não conseguia não fazer força. A parteira perguntou se eu ia parir ali sozinha; lembro-me de dizer que não. Que ainda não ia ser agora. Déo pergunto use podia entrar, se eu queria que ele entrasse. Falei que não. Mesmo que eu quisesse, o box mal dava pra uma pessoa...ele perguntou pra Ivanilde se já ia nascer; ela disse que achava que não, que eu sabia quando fosse. Coloquei a mão em seguida e vi que não sentia a cabeçinha.
A Ivanilde sentada na privada, minha sogra vinha e me olhava, conversava com a parteira. Pediram pra eu sair do banho, urrei um já já. E haja força involuntária.
Lembro de a Ivanilde dizer que eu queria parir sozinha. Saí do chuveiro já falando que ia dormir. A cama estava preparada, o calor era demais. Eu me sentia cansada, pensava: - eu vou conseguir... Continuava fazendo força.
Fiquei deitada do lado esquerdo. Nas contrações o Déo me ajudava a levantar a perna direita. A Ivanilde me orientava quanto à respiração.
Era uma coisa louca, animal, instintiva, uma dor maravilhosa, algo sem controle... O Déo segurava minha mão e falava que ia fazer força comigo. A Ivanilde falou ta aqui, passa a mão. Sem palavras, a sensação é louca, meus olhos enchem só de lembrar.
Nisso, eu falei que ia tirar uma soneca de novo. Sim eu dormi em pleno expulsivo, aliás, dormi quase o TP inteiro. Não lembro em quantas contrações ela nasceu. Lembro do Déo mandando eu parar de fazer força e apertar a mão dele. Escutei o choro de Alicia, parecia que tinha caído ou coisa assim.
Depois minha sogra falou que quando a Joana coroou a Ali começou a chorar compulsivamente. Acho que quando a cabeça tava saindo ouvi um, se quiser parar/descansar pode. O Déo fechando minhas pernas mas eu levantei e não dava pra parar. Uma queimação, uma vontade de fazer mais força, o Déo falou pra eu parar de fazer força e eu falava que queria fazer mais; ele disse pra apertar a mão dele...
Eu vi a parteira pegando ela. Pensei: caralho, ela nasceu, eu pari!!!
Nasceu com uma circular folgada. Veio pro meu peito. Gemia baixinho. Ficou de bruços no meu peito. Eu chorava, o Déo tambem. Eu falava: eu consegui!!! Minha sogra entrou no quarto e também chorava.
Alicia após ganhar o “presente” que irmã tinha dado, ficou junto comigo na cama. Eu cheirava a Juju e pensava, como esperei por isto. Ela mamou um tempo depois. Mas só queria dormir mesmo. Mandei pegar o celular, liguei pra minha mãe que não acreditou, me deu os parabéns por eu ter conseguido o que tanto queria.
Ligamos pra alguns amigos. Umas duas horas depois eu já estava de banho tomado e esperando as visitas. Primeiro o sogro, os cunhados e afins. E depois a Thá,que era pra ter assistido o parto tb, mas tinha ido pra praia.
Agora agradeço: A Ana Cris porque se eu não a tivesse conhecido, conhecido seu trabalho, sua garra, força e luz, não tinha chegado aonde cheguei.
A Ivanilde Que me saiu melhor que a encomenda,um amor de pessoa. Nossa ligação será eterna.
Ao Déo Que me surpreendeu em todos os aspectos, que foi além de pai, um amigo e companheiro, que respeitou minha vontades e como ele disse, que conseguiu junto comigo.
Minha sogra que se mostrou como sempre calma, serena e com muita energia, sabendo de que tudo daria certo.
Especial Á Thais, Simone e Soraia porque sem elas eu teria desistido. Sem o apoio nos momentos de devaneios e loucuras eu tinha surtado. Sem o carinho, mesmo à distância, eu tinha pirado. Nossa gravidez a quatro e parto foram fantásticos. OBRIGADA

Ainda tem a versão do marido e da parteira, leiam aqui: http://kittybia.blogspot.com/2007/01/o-relato.html
Bia Lopes é mãe da Juju e da Ali, casada com o Déo. Mora no Brasil e também escreve um blog pessoal: http://kittybia.blogspot.com/
Fui ao médico, dei uns passeios, namorei, mas algo me dizia que ainda não era hora – já passávamos das 40 semanas. Sentia umas contrações irregulares no fim do dia.
Na sexta feira, dia 15/12, resolvi ir na 25 de Março com minha filha mais velha (2 anos e meio). Fui de manhã e à tarde. Andei horrores. E a noite, as contrações tavam uma beleza...
Como estava cansada, nem tive pique pra namorar. No findê, fomos na casa da sogra; subi e desci várias escadas. Meu sogro matou meu desejo de comer panqueca com geléia.
Fizemos várias outras coisas tb, entre elas, ir ao shopping lotado abarrotado, comprar alguns presentes de natal.
A semana seguinte se iniciou e, confesso que tinha me prometido deixar rolar. Fazer o que podia e deixar meu corpo agir conforme fosse. A Ivanilde – parteira – me ligava sempre, pra saber como estava e, eu sempre dizia na mesma...
No decorrer da segunda feira, 18/12, senti algumas contrações bem legais. Fui fazer um ultra com Doppler a pedido do médico. Andei pela Paulista. Chegando em casa, notei que as contrações vinham de hora em hora e depois de 40 em 40 minutos. Mas daí não passava, eu ia dormir e pronto.
Dia 19/12 o tampão agora estava saindo em maior quantidade e com raios de sangue. A parteira ligou e contei, ela disse que estava no início de tudo. Pensei, devem ser os prodómos.
Fui à Paulista de novo, dessa vez pra buscar o resultado do exame. E novamente andei.
Na quarta voltei no médico pra levar o exame, e saí com outra requisição pra repetir o exame no Sábado. Senti que as contrações estavam de hora em hora de novo. Nem me animei.
Comentei com o Déo e ele já queria ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixava, eu sabia que era só o começo. O Déo e a Alicia queriam comer carne, fomos numa churrascaria. Lá,senti que as contrações vinham de 30 em 30 minutos. Mas estava tranqüilo, estava sentada, respirava, comia. Comi muita salada,bebi muito suco. Fomos pra casa e as contrações ainda ficaram por mais um tempo. O Déo ficou marcando, mas o intervalo foi aumentando...falei pra gente dar uma namorada e depois dormimos.
Acordei na madrugada da quinta feira umas 4:00AM. Fui no banheiro e achei estranho. Pensei: Será??
Voltei pra cama, mas começaram umas contrações bem legais. Falo legais, porque pareciam cólicas de ir ao banheiro. Notei que estavam vindo em um curto espaço de tempo. Deu-me uma fome fora do normal. Tomei 2 iogurtes.
Não conseguia mais dormir, fui pra sala e liguei a TV. Zapeava os canais entre as contrações. Não marcava, mas sentia que estavam ficando próximas. Nesse meio tempo, fui ao banheiro mais umas 2 vezes e o tampão saia mais e mais. Aí pensei: Tá acontecendo.
Era um misto de excitação e ansiedade. O Déo acordou e falou que ia ficar comigo, mandei ele dormir mas ele não foi. Disse que ia ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixei. Falei pra ele começar a contar, que depois eu decidia quando ligar, porque pra mim ainda não era a hora, ou mesmo tinha medo da coisa parar de repente.
Acabei vomitando o que tinha comido. Ás vezes eu gemia, rebolava, ficava sentada no pufe, andava e acocorava. O Déo brincava e eu me irritava. A Alicia ainda dormia – já passavam das 07h30AM.
Mandei o Déo ir comprar pão e ele falou que ia ligar pro povo, eu disse que ligava. Senti que a intensidade estava aumentando, mas morria de medo de tudo parar de repente. Não liguei para ninguém, só me concentrava.
O Déo voltou, ligou para a Ivanilde, que deu uma bronca, porque era pra ele ter ligado antes. Falou que ia ligar pra AC, falei que ainda não, queria esperar a parteira e ter certeza que estava em trabalho de parto mesmo. Ele ligou pra mãe dele, pra ela vir ficar com a Alicia, que a essa altura já tinha acordado e o Déo comunicado que a irmã ia nascer. Ela nem foi falar comigo. Falei pra ele que se a mãe metesse no processo eu mandava ela embora.
Senti uma vontade incontrolável de dormir. Era um sono sem fim. Avisei ao Déo que ia cochilar. Fui pra cama, deitei de lado e cochilava entre as contrações. A Ivanilde chegou, eu estava na cama deitada e ela fez um toque – 4/5 cm – e perguntou como eu agüentei sozinha. Não conseguia falar, dei um sorriso e pronto. A parteira era uma animação só. Eu me concentrava,esperava a próxima concentração e tentava uma posição legal.
Déo começou a arrumar o apto, me dando mais espaço. Forrou a cama e dava assistência à Alicia. Nas contrações eu rebolava, ficava em pé, me curvava; já não conseguia mais me acocorar. E eu que pensava que ia parir de cócoras...
O calor era insuportável e, eu ODEIO calor. Perguntei pra Ivanilde se eu podia tomar um banho rápido só pra me aliviar do calor. Ela disse que eu podia ficar mais se quisesse e assim o fiz.
Ela pedia pra eu tentar me acocorar, mas eu não conseguia, me apoiava num banco e abaixava um pouco. Ouvi quando minha sogra chegou. Ela foi até o banheiro, não falou nada, me deu um sorriso confiante, era o que eu precisava.
Saí do banho falando que ia dormir mais. Mas pensava que poderia estar impedindo o TP, ao mesmo tempo em que não conseguia controlar o sono. As contrações aliviaram um pouco, a parteira falou que era normal após o banho quente e tal. A Ivanilde falou que ia ligar para Ana Cris, falei um não bem sonoro. Ela perguntou porque e eu balancei a cabeça e fui caminhar pelo apto.
O Déo me fazia massagens junto com a Ivanilde, mas pedi pra parar porque não estava gostando. Voltei pra cama e falei que ia dormir. Nas contrações a Ivanilde colocava a mão na minha barriga – aquilo era bom – e falava essa foi forte, respiiiiiira. O Déo mexia no meu cabelo e falava que eu ia conseguir, que se eu quisesse desistir ele teria orgulho de mim de qualquer maneira.
De vez em quando, minha sogra aparecia, não falava nada, mas eu sentia a presença dela e uma energia boa, era como se me fortalecesse. Eu só fechava os olhos e pensava – estou dilatando, estou dilatando!!!
Não conseguia nem beber água, me fizeram um chá beeeem doce; tomei, mas depois vomitei. Comecei a sentir vontade de fazer força, fui ao banheiro, mas nada. A parteira sugeriu que eu ficasse no vaso, que era bom, ajudava, mas não consegui por muito tempo.
De agora em diante eu não me lembro de tudo. A Ivanilde falou que estavam ficando mais longas e doloridas. E como eu estava com vontade de fazer força, ela ia fazer um toque. Eu sempre mandava ela esperar mais um pouquinho.
O toque foi uma lenda, pedia para ela parar – até bati na mão dela. Pedi pra não fazer,pra esperar...Mas vi um sorriso nela e ela me dizendo que já estava com uns 8cm, falou que estava perto e perguntou se eu queria ir pro chuveiro de novo. Falei que ia tirar um cochilo e depois ia; e assim o fiz.
No chuveiro a força era animal... E eu adorava aquilo. Meu corpo funcionava, eu estava extasiada, feliz, ansiosa... Fiquei de quatro e sentada em cima das pernas. Fazia força involuntariamente, era algo maior que eu pensava – eu não conseguia não fazer força. A parteira perguntou se eu ia parir ali sozinha; lembro-me de dizer que não. Que ainda não ia ser agora. Déo pergunto use podia entrar, se eu queria que ele entrasse. Falei que não. Mesmo que eu quisesse, o box mal dava pra uma pessoa...ele perguntou pra Ivanilde se já ia nascer; ela disse que achava que não, que eu sabia quando fosse. Coloquei a mão em seguida e vi que não sentia a cabeçinha.
A Ivanilde sentada na privada, minha sogra vinha e me olhava, conversava com a parteira. Pediram pra eu sair do banho, urrei um já já. E haja força involuntária.
Lembro de a Ivanilde dizer que eu queria parir sozinha. Saí do chuveiro já falando que ia dormir. A cama estava preparada, o calor era demais. Eu me sentia cansada, pensava: - eu vou conseguir... Continuava fazendo força.
Fiquei deitada do lado esquerdo. Nas contrações o Déo me ajudava a levantar a perna direita. A Ivanilde me orientava quanto à respiração.
Era uma coisa louca, animal, instintiva, uma dor maravilhosa, algo sem controle... O Déo segurava minha mão e falava que ia fazer força comigo. A Ivanilde falou ta aqui, passa a mão. Sem palavras, a sensação é louca, meus olhos enchem só de lembrar.
Nisso, eu falei que ia tirar uma soneca de novo. Sim eu dormi em pleno expulsivo, aliás, dormi quase o TP inteiro. Não lembro em quantas contrações ela nasceu. Lembro do Déo mandando eu parar de fazer força e apertar a mão dele. Escutei o choro de Alicia, parecia que tinha caído ou coisa assim.
Depois minha sogra falou que quando a Joana coroou a Ali começou a chorar compulsivamente. Acho que quando a cabeça tava saindo ouvi um, se quiser parar/descansar pode. O Déo fechando minhas pernas mas eu levantei e não dava pra parar. Uma queimação, uma vontade de fazer mais força, o Déo falou pra eu parar de fazer força e eu falava que queria fazer mais; ele disse pra apertar a mão dele...
Eu vi a parteira pegando ela. Pensei: caralho, ela nasceu, eu pari!!!
Nasceu com uma circular folgada. Veio pro meu peito. Gemia baixinho. Ficou de bruços no meu peito. Eu chorava, o Déo tambem. Eu falava: eu consegui!!! Minha sogra entrou no quarto e também chorava.
Alicia após ganhar o “presente” que irmã tinha dado, ficou junto comigo na cama. Eu cheirava a Juju e pensava, como esperei por isto. Ela mamou um tempo depois. Mas só queria dormir mesmo. Mandei pegar o celular, liguei pra minha mãe que não acreditou, me deu os parabéns por eu ter conseguido o que tanto queria.
Ligamos pra alguns amigos. Umas duas horas depois eu já estava de banho tomado e esperando as visitas. Primeiro o sogro, os cunhados e afins. E depois a Thá,que era pra ter assistido o parto tb, mas tinha ido pra praia.
Agora agradeço: A Ana Cris porque se eu não a tivesse conhecido, conhecido seu trabalho, sua garra, força e luz, não tinha chegado aonde cheguei.
A Ivanilde Que me saiu melhor que a encomenda,um amor de pessoa. Nossa ligação será eterna.
Ao Déo Que me surpreendeu em todos os aspectos, que foi além de pai, um amigo e companheiro, que respeitou minha vontades e como ele disse, que conseguiu junto comigo.
Minha sogra que se mostrou como sempre calma, serena e com muita energia, sabendo de que tudo daria certo.
Especial Á Thais, Simone e Soraia porque sem elas eu teria desistido. Sem o apoio nos momentos de devaneios e loucuras eu tinha surtado. Sem o carinho, mesmo à distância, eu tinha pirado. Nossa gravidez a quatro e parto foram fantásticos. OBRIGADA

Na foto eu, Bianca, a Ju (mamando na primeira hora e primeira mamada) e a Alicia.
Alicia encantada com aquela coisinha pequena que era sua irmã, e já mamava!!
A Joana nasceu de um parto domiciliar, renovador e cheio de luz.
Ainda tem a versão do marido e da parteira, leiam aqui: http://kittybia.blogspot.com/2007/01/o-relato.html
Bia Lopes é mãe da Juju e da Ali, casada com o Déo. Mora no Brasil e também escreve um blog pessoal: http://kittybia.blogspot.com/
4 de junho de 2009
Engravidando...
Quando imaginava que estava preparada, em Janeiro de 2007 começamos a pensar de verdade em nos tornarmos pais. Começamos despretensiosamente, é verdade, sem qualquer tipo de método. E assim foi por 6 meses. Depois, passamos a controlar muco, temperatura, tabelinha, enfim, tudo que pudesse nos dar uma dica do dia fértil. Assim ficamos por mais 1 ano...
Foi quando decidimos procurar um especialista em fertilidade. Tivemos a primeira opinião, bem drástica: vocês não conseguirão engravidar naturalmente! Fomos em 3 outros especialistas em fertilidade e também consultei meu obstetra, e todos foram unânimes!
Sendo assim, optamos por um deles e partimos para a ICSI (injeção intra-citoplasmática de esperma). É uma técnica moderna, avançada e caríssima, onde o médico injeta um espermatozóide, escolhido por ele, no interior do óvulo; aguarda de 2 a 3 dias para que o conjunto óvulo + espermatozóide vire um embrião; e implanta esses embriões no interior do útero da mulher.
Esse processo todo é cheio de expectativas e emoções, e embora saibamos que as chances de engravidar são de 40%, nunca contamos com os outros 60%. Os dias que sucederam a implantação do embrião eram cheios de emoção e expectativa. Estava com três embriõezinhos no ventre e muita, muita expectativa no coração.
Mas, 2 dias antes de fazer o exame beta-hcg, que confirmaria a gravidez, tive um sangramento intenso, que mostrou que as minhas expectativas estavam frustradas... Chorei muito e me senti a pior das criaturas. Isso foi dia 26 de Julho de 2008.
Foram 2 dias de muita dor, muito choro, muito luto. Emoções tristes e muito negativas. O fato de não ter engravidado num procedimento tão sofisticado fez com que minha auto-estima ficasse realmente muito baixa.
Segui com minha vida da maneira que pude. Trabalhei normalmente apesar da intensa hemorragia. Até que a hemorragia foi passando, e a tristeza também. Passamos o mês de Agosto bem, e já fazendo muitos planos para a nossa nova tentativa de ICSI, que seria no início de 2009. Não desistiríamos facilmente!
A menstruação desceu normalmente dia 20/08. Meu marido decidiu mudar de emprego, para tocar os negócios do pai, no interior de São Paulo (320 Km). Pediu demissão dia 15/09.
No dia 17/09, como estava me sentindo esquisita, decidi fazer um teste de gravidez. Fiquei completamente embasbacada quanto vi o resultado positivo...
Mostrei para o meu marido quando ele chegou em casa, e como estávamos meio traumatizados pela perda da ICSI, combinamos não comemorar nem ficarmos felizes. No dia seguinte, fui fazer um exame beta-hcg. E o resultado foi positivo!!!!
Mesmo assim, deixamos para comemorar somente após minha consulta no obstetra, que foi no dia seguinte. Quando ele me deu os parabéns, abaixei a cabeça na sua mesa e chorei muito por mais ou menos 10 minutos, sem parar. Estava tão feliz, tão feliz, que toda a felicidade transbordou em forma de lágrimas.
Ligamos para os avós, tios, tias... e claro, todos compartilharam do momento conosco, a felicidade só aumentava!!
E hoje sou alegria pura com a chegada do Enrico, meu meninão que nasceu dia 15 de maio num parto normal muito tranquilo!
*Lições importantes*
1) Confiar. Em Deus (ou em uma força que te moverá aos seus objetivos), em você e na vida. Eu em alguns momentos perdi a fé, estava totalmente desacreditada. E aí, me foi mostrado que não se deve perder a fé NUNCA.
2) Escolher. Dividir problemas apenas com pessoas que tenham uma relação íntima com você e seus problemas. Na torcida, as pessoas criaram expectativas. Na expectativa, dividiam com você. E é muito pior compartilhar uma derrota com 100 pessoas que apostavam na sua vitória, do que com 10, que também apostavam, mas demonstrarão menos a sua decepção.
3) Amar. O marido, o filho que chegará, a família. O amor transforma, renova e dá força.
Sou a Valéria Favaretto, 33 anos, gerente de marketing de uma empresa de eletrodomésticos, casada com o Gustavo há 4 anos, realizada no trabalho, no amor e agora na vida com a chegada do meu pequeno príncipe.
Homenagem para Mães
Existem muitas formas de ser mãe e mesmo quem nunca pariu certamente entrou em contato com a magia deste ato é acolher, amar e cuidar. A maternidade foi, sem dúvida, a experiência espiritual, física e psicológica mais intensa e transformadora que jamais ousei imaginar. Eu estava com malas prontas para ir à Índia mergulhar em um processo de autodescoberta. Quando me descobri grávida, chorei olhando a foto de minha Mestra Espiritual. Em sonho ela me disse: Você terá aquilo que busca, mas não da maneira que deseja. Eu almejava a transformação mais profunda e a real experiência do amor.A primeira coisa que nos transforma são os hormônios. Como o corpo se estabiliza. Tornamo-nos luas cheias. O cabelo e a pele reluzem numa gratidão da natureza por estarmos permitindo a realização daquilo que todos os meses nosso corpo procura fazer. Estamos gerando uma vida, fruto de uma momento de conexão, carregando um outro ser, com sua própria história de vidas. E durante a gestação nosso cérebro reptiliano, o cérebro mais primitivo, fica ativado.
Lembramos de coisas muito antigas, como nossas própria gestação e nossa primeira infância esquecida. Nascemos como mulheres choronas e cheias de força, um feminino perdido em teorias e opressões que se revela em pura intuição, amor e essência selvagem. Nossos sentidos se aguçam e sentimos amor por todas as formas de vida. Nascemos como reflexo de Gaia, a grande Mãe Terra.
Aí aquele ser, que era só uma idéia, começa a interagir. Se mexe quando você canta para ele ou quando de leve toca perto do umbigo. Começa uma conexão mágica, um amor sem tamanho que faz com que, para sempre, tenhamos um coração batendo fora de nosso corpo.
Aí vem o parto e a oportunidade de fazer diferente da maioria, de resgatar nosso feminino massacrado por vidas em um parto natural, em que mãe e filho são respeitados como seres humanos plenos. Esta experiência é tão forte na vida de uma mulher que ela pode perder a memória, ficar esquizofrênica, mas certamente se lembrará com detalhes o nascimento de cada filho. O parto nem sempre é não da maneira como desejamos, mas ele nos transforma de tal forma que acabamos nos reunindo e criando um espaço só para compartilhar desta experiência surreal.
Com aquele pequenino ser nos braços temos a possibilidade de fazer diferente do que fizeram com a gente, diferente do que toda a sociedade pensa ser normal. As coisas passam a ter outro valor. Os papos-cabeça parecem sem sentido algum diante de um sorriso ou um barulhinho bobo; as teorias quânticas são experimentadas no salto de um sono profundo segundos antes de seu filho acordar, mostrando que todos somos UM e mãe e filho vivem por um tempo esta deliciosa simbiose. Nosso peito, antes apenas apreciado sexualmente, passa a oferecer o alimento mais precioso, repleto de nutrientes e amor.
Você vai me perguntar: e a dor do parto, e as noites em claro? Elas existem sim, mas são um grão de areia de um litoral perto da felicidade de exercer essa função incrível que é o maternar.
O homem, apenas um ser de afinidades ideológicas e sexuais, passa a ser um companheiro de uma jornada indescritível. Antes de ser mãe, se alguém me dissesse isso, pensaria: coitada, vive em função do filho e deixa a vida passar.
Hoje sei que ter um filho é colocar em prática o que outrora foi teoria: todas as crenças, rezas, meditações, poesias são colocadas a prova. E não há felicidade mais incrível do que você ver um ser feliz, independente, educado e generoso a escrever sua própria história e você, ajudá-lo a superar as dificuldades e desenvolver os talentos.
E este pequeno ser inspirar você a ser melhor a cada dia, reinventando a vida, as relações. Ser mãe, hoje eu sei, foi um presente dado aos Anjos mais especiais para que experimentassem o maior amor do mundo. Eu sei que você sabe o que é isso e se ainda não sabe, desejo que desperte para este precioso dom que recebemos.
Kalu, 29 anos, Mãe do Miguel, 2 anos, jornalista, Yoguini, Reikiana, Educadora Ambiental, Mamífera e Blogueira que sonha, através das palavras, plantar sementes de transformação.
3 de junho de 2009
Aceitando uma gravidez
Quando engravidei do Igor, tinha 21 anos, fazia faculdade e havia acabado de conseguir um estágio na área, em uma grande editora. Nem preciso dizer que a notícia não me agradou nem um pouco.
Felizmente, minha família é super aberta a discussões e a primeira pergunta que minha mãe fez quando lhe contei foi: "Você vai ter o bebê?".
A possibilidade de não tê-lo, com o apoio da minha mãe, apazigou-me. Apesar de saber da ilegalidade, havia, sim, essa possibilidade. Resolvi ter. Não teria coragem de interromper uma gravidez, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis.
A gestação foi uma fuga completa. Não me sentia grávida. Ora pensava em nomes e ficava feliz, ora chorava e fazia loucuras, como mudar todos móveis de lugar (incluindo guarda-roupa...)
Durante os quase 8 meses (o Igor acabou nascendo prematuro, por causa de uma pré-eclâmpsia -- Freud explica...), ouvi as famosas frases "que barriga linda", "você está super bem, né?", "qual vai ser o nome?", "ser mãe é uma dádiva".
Sinceramente não me sentia carregando uma vida, mas um fardo, que me atrapalhava, me ocupava, me fazia passar mal. E como assumir isso a uma sociedade que engrandece tanto o papel materno? Fiquei escondida dentro de mim e resolvi viver um papel imposto, que não era o meu. Seria mãe, conforme pintam.
Nem preciso dizer que quando o Igor nasceu, o peso da responsabilidade pesou mais do que eu poderia aguentar e fui ficando cada vez mais neurótica. Não tinha paciência com os choros, nem quando ele sujava a roupinha – ele tinha de estar apresentável para todos, sempre. Graças a uma consciência que nem sabia ter, procurei ajuda. Fiz dois anos de terapia.
A terapeuta deixou-me assumir o quase não amor pelo meu filho. A raiva pelo meu marido. O quanto eles "estragaram" a minha e, o melhor: ela me mostrou que tudo isso era escolha minha. Eu havia escolhido passar por isso. Era isso que eu precisava ouvir, que assim como eu havia feito aquela escolha, que parecia tão difícil, eu poderia escolher qualquer outra, muito mais fácil. Foi então o início de um processo para me tornar mãe, de verdade, e amar meu filho. Tornei-me, nesse ínterim, mulher.
Foi bem aos pouquinhos, mas lembro-me de cada passo importante que dava a esta autoaceitação. O dia que olhei pro meu filho e percebi que o amava foi o dia mais feliz da minha vida. Lembro-me até hoje emocionada. Ele já tinha mais de um ano.

A lição que tirei de tudo isso é que há muitas mulheres que não gostam, mesmo, de estar grávidas. Simples assim. E quando aceitam isso para si, as coisas ficam muito mais fáceis. Quando uma mulher próxima diz que está esperando bebê, a primeira reação que tenho é ficar feliz. Mas depois, respeitosamente, pergunto:
- "Mas você está feliz?"
E dou a chance de ela dizer se sim ou se não, de pôr para fora esses sentimentos não tão bem aceitos pela sociedade, se for o caso.
E se você não se sente bem com a gravidez, sente-se feia, inchada, sem forma, não sabe lidar com crianças, têm medos, não se sinta mal. Sinta-se mulher. Sinta você dando um recado para você mesma. E aceite-se. Esse será o primeiro grande passo para ser uma mãe ótima para o seu filho, tendo as suas características próprias e respeitadas.
Nessa minha segunda gravidez, como as coisas estão diferentes! Estou aprendendo ainda mais sobre mim.
A gravidez nos transforma! Não em mães, mas em mulheres, e essa é a melhor parte!
Eu sou Penelope Brito, mãe de Igor, com 6 anos e quase 9 meses e aguardo Caio há 34 semanas (está chegando!). Sou casada com Jorge, sou revisora e editora de livros, contadora de histórias e paulistana "da gema"... :-)
Apesar de o Igor já ter 6 anos, considero-me materna há uns 3 anos, mais ou menos. E não tenho vergonha de assumir isso publicamente, não. Afinal, a evolução feminina deve ser um orgulho! E é sobre isso que escrevi aqui.
Felizmente, minha família é super aberta a discussões e a primeira pergunta que minha mãe fez quando lhe contei foi: "Você vai ter o bebê?".
A possibilidade de não tê-lo, com o apoio da minha mãe, apazigou-me. Apesar de saber da ilegalidade, havia, sim, essa possibilidade. Resolvi ter. Não teria coragem de interromper uma gravidez, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis.
A gestação foi uma fuga completa. Não me sentia grávida. Ora pensava em nomes e ficava feliz, ora chorava e fazia loucuras, como mudar todos móveis de lugar (incluindo guarda-roupa...)
Durante os quase 8 meses (o Igor acabou nascendo prematuro, por causa de uma pré-eclâmpsia -- Freud explica...), ouvi as famosas frases "que barriga linda", "você está super bem, né?", "qual vai ser o nome?", "ser mãe é uma dádiva".
Sinceramente não me sentia carregando uma vida, mas um fardo, que me atrapalhava, me ocupava, me fazia passar mal. E como assumir isso a uma sociedade que engrandece tanto o papel materno? Fiquei escondida dentro de mim e resolvi viver um papel imposto, que não era o meu. Seria mãe, conforme pintam.
Nem preciso dizer que quando o Igor nasceu, o peso da responsabilidade pesou mais do que eu poderia aguentar e fui ficando cada vez mais neurótica. Não tinha paciência com os choros, nem quando ele sujava a roupinha – ele tinha de estar apresentável para todos, sempre. Graças a uma consciência que nem sabia ter, procurei ajuda. Fiz dois anos de terapia.
A terapeuta deixou-me assumir o quase não amor pelo meu filho. A raiva pelo meu marido. O quanto eles "estragaram" a minha e, o melhor: ela me mostrou que tudo isso era escolha minha. Eu havia escolhido passar por isso. Era isso que eu precisava ouvir, que assim como eu havia feito aquela escolha, que parecia tão difícil, eu poderia escolher qualquer outra, muito mais fácil. Foi então o início de um processo para me tornar mãe, de verdade, e amar meu filho. Tornei-me, nesse ínterim, mulher.
Foi bem aos pouquinhos, mas lembro-me de cada passo importante que dava a esta autoaceitação. O dia que olhei pro meu filho e percebi que o amava foi o dia mais feliz da minha vida. Lembro-me até hoje emocionada. Ele já tinha mais de um ano.

A lição que tirei de tudo isso é que há muitas mulheres que não gostam, mesmo, de estar grávidas. Simples assim. E quando aceitam isso para si, as coisas ficam muito mais fáceis. Quando uma mulher próxima diz que está esperando bebê, a primeira reação que tenho é ficar feliz. Mas depois, respeitosamente, pergunto:
- "Mas você está feliz?"
E dou a chance de ela dizer se sim ou se não, de pôr para fora esses sentimentos não tão bem aceitos pela sociedade, se for o caso.
E se você não se sente bem com a gravidez, sente-se feia, inchada, sem forma, não sabe lidar com crianças, têm medos, não se sinta mal. Sinta-se mulher. Sinta você dando um recado para você mesma. E aceite-se. Esse será o primeiro grande passo para ser uma mãe ótima para o seu filho, tendo as suas características próprias e respeitadas.
Nessa minha segunda gravidez, como as coisas estão diferentes! Estou aprendendo ainda mais sobre mim.
A gravidez nos transforma! Não em mães, mas em mulheres, e essa é a melhor parte!
Eu sou Penelope Brito, mãe de Igor, com 6 anos e quase 9 meses e aguardo Caio há 34 semanas (está chegando!). Sou casada com Jorge, sou revisora e editora de livros, contadora de histórias e paulistana "da gema"... :-)
Apesar de o Igor já ter 6 anos, considero-me materna há uns 3 anos, mais ou menos. E não tenho vergonha de assumir isso publicamente, não. Afinal, a evolução feminina deve ser um orgulho! E é sobre isso que escrevi aqui.
2 de junho de 2009
Filhos do Coração
Não foi em meu ventre que meus filhos se formaram, não foi em meu ventre que os senti mexer, mas em meus braços, no meu colo.Não ficamos unidos pelo cordão umbilical, mas pelo calor do amor, das batidas do coração, estamos ligados pela adoção, pelo sentimento mais puro, pela benção de Deus, nos unimos pelo destino.
Com os dedos de minha mãos toquei no rostinho de cada um, com ternura, acariciei os cabelos, tirando os medos, rejeição, chamando-os de meu filho, minha filha, e ouvindo mais tarde mamãe.
Um frio na barriga, dor, medo, angústia, ansiedade, choro, alegria, prazer, sentimentos de mãe à espera deles em meus braços.
Dois vieram já grandinhos, a outra saindo da maternidade para os meus braços. Eu pari meus lindos filhos sim! Com toda a intensidade de minha alma que ansiosamente os esperava, a força desse amor tornou-se o vínculo forte de união.
É inexplicável sentir o olhar do bebê direcionado ao meu, torna o sentimento particular e único, especial. Contagia a minha alma, estremece o meu ser.
Cada dia é uma novidade nesse universo que é ser mãe. Ao dar mama, a neném chora se não a estou olhando. Gosta de olhar em meus olhos, reclama pedindo atenção e isso é mágico!
Obrigada meu Deus por poder PARIR filhos da alma, do coração, pelas noites em claro, por escutar o choro da vida, pela satisfação de ver as roupinhas no varal, de os pôr para dormir, de educar os maiores, contar-lhes histórias, cuidar de sua alimentação, de ouvir os muitos “eu te amo mamãe “.
Como é bom parir filhos do AMOR, da vida para a vida.
Deixo aqui um poema de Fernanda Campos Scialla:
A natureza me fez mãe.
A vida me trouxe filhos.
Filhos e filhas do meu coração.
Filhos de Deus, querubins em pleno vôo matinal pela existência.
Corcéis da noite domando a escuridão.
Flores perfumadas, coloridas e vivas em sintonia com o sol no jardim da esperança.
Corações em vigília sentindo tudo aquilo que seus olhos, janelas da inocência, não podem ver.
Castelos construídos nas praias de seus pensamentos.
Olhos...diamantes multicoloridos que tão bem ornam com o sorriso, mas que por tantas vezes sangram o milagre da vida, por muitos incompreendido.
Mãos, toques divinais, suaves e tão pequenas mas capazes de afagar toda minha essência!
Braços alados, envolvendo e elevando minha alma.
Sorrisos tímidos, testemunho de Deus, trazendo a verdade que clama por nós!
Pedacinhos de gente concebendo o meu ser.
Não filhos do meu útero, mas filhos da minha vida.
Luzia Barbosa é casada com Claudionor e mora no Brasil. É mãe de Pericles, Vanessa e Sophia Luz. É educadora, ensina crochê e faz trabalho voluntário também, além de ser uma cozinheira de mão cheia!
1 de junho de 2009
Meu filho nasceu com MEGACOLON CONGENITO
Depois de 4 anos que tive minha filha, engravidei de novo.Fiquei super feliz!Apesar da indecisão se deveria ter outro filho naquele momento ou esperar mais um pouco, foi mais uma conquista, mais uma alegria para minha vida...
Durante a gravidez tive problemas com peso, como na gravidez anterior, mas correu tudo bem.
Quando descobri que era menino, meu primeiro menino, fiquei tão feliz, minha felicidade estava completa!!!
Ele nasceu numa terça-feira de manhã... Comecei a sentir contrações na segunda a noite e de madrugada fui para o hospital, e terça ele veio ao mundo, aparentemente saudável.
Fiquei uma hora com ele na sala de parto, amamentei e as enfermeiras colocaram ele do meu lado, fiquei o admirando-o.
Depois disso, como regra do hospital, ele ficou 1 dia para fazer os exames e eu fui para o quarto.
No dia seguinte, fiquei esperando ansiosamente meu filho ir para o quarto, perto de mim, da família dele, era pra ele ir antes do meio-dia, mas deu meio-dia e nada dele. Procurei saber dele e só me diziam que ele ainda estava fazendo alguns exames...
Começou a demorar muito e eu já fui ficando agoniada, até que me chamaram na enfermaria, lá ele estava com um pediatra que me deu uma bomba! Disse que meu filho desde que nasceu não estava fazendo coco. Ele mamava e vomitava verde, ele estava com a barriguinha cheia, parecia que ia explodir...
Na hora meu chão sumiu, comecei a chorar e chorar, eles não sabiam me dizer o que exatamente meu filho tinha e eu não podíamos ficar com ele porque ele tinha que ficar na incubadora.
A noite o dono do hospital me chamou de novo e disse que como eles não tinham recursos, ele seria transferido para um hospital maior, para saber o que ele tinha e poder esvaziar a barriguinha dele antes que causasse algo...
Chorei, pedi, implorei para ir junto, mas o medico não me liberou, pois estava em recuperação pelo corte que levei (episiotomia). Eu não parava de chorar.
Meu marido foi com meu filho, mas também não pode ficar lá, só esperou diagnosticarem o que ele tinha e ficou um pouquinho com ele, mas não pode dormir lá.
Os médicos informaram que o nome do que ele tinha era MEGACOLON CONGENITO. Eu não fazia a mínima idéia do que era isso, e aqui num país que não entendemos 100%, ficamos perdidos.
Antes de voltar ao hospital onde eu estava meu marido foi pesquisar para saber do que se tratava e levei para que eu lesse no hospital. Descobrimos que MEGACOLON CONGENITO é uma doença do intestino que não pode ser diagnosticada durante a gravidez, é uma parte do intestino que nasce morta, não funciona e os bebês não conseguem evacuar, e o tratamento é só a base de cirurgia, onde se faz a retirada dessa parte do intestino que não funciona...
Fiquei desesperada e sem poder acompanhar meu filho no hospital, pois aqui onde moro não tem especialistas no assunto e ele teve que ser transferido na manhã seguinte para outro hospital que fica a 40 minutos de carro daqui pela rodovia expressa. Queria ir junto, mas não me deixaram...
Chegou lá foi para fazer exames e ficar em observação, e eu internada na maternidade com meus peitos explodindo de tanto leite sem poder amamentar meu filho, decidi tirar e levar meu leite pro meu filho, pois o medico disse que meu filho só faria a cirurgia quando chegasse a 4 kilos, ele nasceu com 3345, mas chegou há emagrecer um pouco por no começo não conseguir mamar direito...
Fui visitar meu filho no quarto dia, com uma vontade louca de ficar lá, mas como ele tava na UTI não podia dormir, então voltei e no quinto dia tive alta da maternidade.
Todo dia era uma correria, meu marido ia trabalha quando saia íamos no hospital ver meu filho e levar meu leite para ele, depois voltávamos tarde da noite.
Com quase um mês ele ganhou os 4 kilos e fez a cirurgia. No dia da cirurgia (que demorou cerca de 5 horas) fiquei com o coração apertado, chorei o tempo todo, não agüentava mais esperar.
Ele voltou da sala de cirurgia para UTI cheio de dor, dormia mas acordava e chorava, dava mais um cochilinho mas a dor não deixava ele descansar,isso partiu meu coração, como eu queria trocar de lugar com ele! Era muito sofrimento para um bebê!
Depois da cirurgia foi a recuperaçao, pois com a cirurgia ele perdeu peso e tinha que ganhar de volta. Eu tinha que controlar o leite ate que o intestino aprendesse a funcionar normalmente.
Com quase 2 meses ele recebeu alta. Fiquei tão feliz! Meu filho iria para casa, ficar perto da família e receber todo amor que estava lhe esperando.
Foi uma luta e tanto, mas conseguimos a vitoria!!!
Hoje meu filho tem 10 meses e muita saúde, muito apetite e faz muito coco sozinho sem precisar de lavagens e tal. Ainda está em tratamento, mas quase 100% curado!!!
Esta super forte e saudável! Até um pouco gordinho... rsss
Graças a Deus superamos tudo isso!!!
Todos os dias comemoro muito com minha filha linda e meu filho recuperado e saudável e pela nossa vitoria!!!
Somos privilegiadas por podermos dar a luz!!!
Meu nome é Simone, tenho 24 anos e moro em Aichi ken. Sou casada com o Thiago, mãe da pequena Yasmine de 4 anos e do Lucas de 10 meses. Para mais informações sobre a doença MEGACOLON CONGENITO acesse a comunidade do orkut: GUI E VI CONTRA O HIRSCHSPRUNG
Relato completo de um parto humanizado
Sempre quis ser mãe, desde bem menina, sonhava com isso, em carregar um bebê e sempre, sempre me imaginei num parto normal.
Meu primeiro filho foi uma gravidez com “planejamento inconsciente” como brinca meu marido, já morávamos juntos há 01 ano e tínhamos acabado de marcar a data do casamento, comunicado às nossas famílias e decidimos viajar de carro para Porto Alegre para o Fórum Social Mundial.
No retorno dessa viagem, descobri a gravidez. Foi um mistura de medo e felicidade que nos impulsionou; casamos, compramos nosso cantinho e tivemos nosso primeiro filho: Felipe. Na época do parto, eu tinha informação e acreditava que era suficiente. Havia lido algumas coisas e acreditava que a via natural de nascimento era o parto normal. Não fazia idéia dessa indústria de partos no Brasil.
Começamos com uma GO, mas no final nos sentimos inseguros com ela e mudamos por indicação de uma pessoa que conhecemos num PS. Marcamos a consulta e o médico com um discurso lindíssimo, atendimento impecável, mostrou-se adepto ao Parto Normal, Dr. M.G. – consultório pomposo no Pacaembu. Com 39 semanas e 04 dias ele me internou no Santa Joana, e mandou induzir. Fiquei duas horas no “sorinho” sem sentir dor, sem sentir nada além de Braxton Hicks, então ele me mandou ao centro cirúrgico e realizou a cesárea.
Justificou que era pela circular cervical que ele só tinha visto no momento do parto.
Estava tão ansiosa e confiava tanto na palavra dele que achei que ele havia salvado a vida do meu filho...
Olha a explicação: o cordão enrolado não permitia que ele descesse e meu filho estava sofrendo! (Socorrooooooooooo!!!)
E eu comecei a criar toda uma justificativa baseada em cordão enrolado no pescoço para a cesárea que fazia muito sentido para mim e que foi meu discurso por quase 3 anos. Como eu não tinha consciência de tudo isso, do absurdo que ele havia feito, das intervenções com meu filho, do absurdo do afastamento precoce, de terem dado nan a ele, enfim, tudo isso estava fora do meu campo de visão. Minha lembrança do parto e da chegada dele tem alegria, felicidade por ter me tornado mãe.
“Um sonho de dois
Virou um de sonhos
Dois: Pérola e William
Um: filho querido Felipe
Nove meses de espera
Sem saber o que nos esperava
Um rosto lindo, uma vida plena
O chorinho gostoso, o olhar encantador
Mamãe chorona com tanto amor, papai cantador com tanto amor!
Quanta vida nos aguarda quantas surpresas, mudanças, alegrias...”
(Poeminha para o Fê - 2005)
Hoje consigo enxergar que fui roubada, que meu filho nasceu antes do seu tempo e que sofreu intervenções desnecessárias e nos desgastamos muito com o hospital, com as rotinas e protocolos deles.
Sofri muito na recuperação da cesárea, com dores, com o corpo dolorido. Foi muito difícil, mas, passou, sempre passa. E a jornada de nos tornamos uma família foi muito mais gostosa, de aprender a ser mãe, de ver meu filho crescer.
Após um tempo coloquei o DIU porque queríamos esperar um tempinho antes de engravidarmos novamente. Assentar tudo. Após um ano e meio de DIU num ultrassom de rotina, a médica me disse que o DIU estava no colo do útero e seria necessário retirá-lo, eu poderia recolocá-lo se quisesse. Optamos por não colocar e na época saquei que meu corpo havia expulsado o DIU. A idéia de uma nova gravidez já estava latente.
Depois de 2 anos e 3 meses do nascimento do Felipe, engravidamos novamente, agora bem planejadinho e com muita expectativa.
Não tinha nenhum GO na época, apenas uma médica com quem fazia consultas de rotina. Peguei meu livrinho da Medial e encontrei um GO próximo a minha casa.
Na primeira consulta ele viu que eu estava com o resultado do Beta HCG na mão, mas soltou a pergunta “qual o problema?” e depois ficou sem graça e disse “problema não boa notícia... rs” – Hoje vejo que era um sinal sutil de como ele encara a gravidez: um problema.
Enfim, esse médico que prefiro chamar de Dr Zen, super tranqüilo, fazia ultrassom toda consulta na própria clínica, não fazia idéia do que era uma doula, e disse que eu podia ter parto normal, mas poderia ter incontinência urinária pós parto, precisaria fazer episiotomia e usaria fórceps. Detalhe: errou meu nome duas vezes e a qualquer sinal de cólica ou coisa parecida me colocava em repouso de pelo menos uma semana.
Ao mesmo tempo comecei a participar da lista maternas_sp e a ler, devorar tudo que falava sobre o assunto (Li Parto Normal ou Cesárea? O Que Toda Mulher Deve Saber (e todo homem também) e Quando o Corpo Consente)
A Ana Cris, maravilhosa, me escreveu alguns e-mails me alertando, me mostrando algumas coisas, assim como muitas maternas.
Ok, depois de todo o papo do Dr. Zen, cansei desse cara e nunca mais voltamos. Após passar toda a listagem de médicos do meu convênio para a AC, vimos que apenas três eram adeptas do Parto Normal. Caramba!
A AC indicou a Catia também e cheguei a marcar e desmarcar duas consultas.
A questão de pagar consulta quando tínhamos convênio era punk.
Vamos lá, então. A médica do convênio já havia atendido uma das maternas e para um GO que atende via convênio, ela é muito boa, atende sem tempo contado, tira as dúvidas, conversa e sempre se mostrou adepta ao Parto Normal, com ressalvas do tipo “O risco de ruptura uterina é pequeno, mas e se for você? Você não vai gostar, né?!”. E sempre deixou bem claro que poderia não acompanhar o parto e nesse caso seria uma de suas colegas de consultório. Isso me deixava insegura. Me deixava insegura também pensar que seria com alguém que eu mal conhecia. A doula ela aceita, desde que seja da equipe dela. Uma obstetriz que cobrava uma nota preta e com isso ela não aceitava doula de fora. A maternidade que ela indicou era a Pro Matre que também não aceitava doulas e toda vez que eu entrava na Pro Matre e era atendida por aquelas obstetrizes não sabia se iam me oferecer um drink ou me examinar...Super maquiadas, parecendo aeromoças (com todo respeito à classe) com quilos de base e cílios postiços...Credo!
A insegurança permanecia constante, ficava ansiosa em ter que negociar o plano de parto e só ter doula em casa, em não saber quem faria o parto.
Nisso já participava mais ativamente da lista e muitas, muitas fichas foram caindo e quanto mais eu lia, mais eu me incoformava com a cesárea que eu havia vivido, com a falta de ética e de caráter de alguns médicos, com o absurdo mercantil dos convênios.
“Você não faz idéia de quantas armadilhas existem no atendimento obstétrico.
Você não faz idéia de como é a formação médica.
Eu não quero que você troque de médica.
Eu quero que você saiba o que está escolhendo e que você abrace o seu desejo.”
(Trecho de um dos e-mails da Ana Cris)
Bom, após muitas noites sem dormir, muitas buscas, muitos e-mails, de uma identificação enorme com a Dra Catia, e de um e-mail certeiro da AC, decidi mobilizar meu marido, médicos, doulas e quem precisasse para ter o parto que eu queria.
Foram noites angustiantes, de conversas com amigas, de trocas de e-mails, de espera.
Sentia que era agora ou nunca! Eu estava com 33 semanas e ainda dava tempo.
Foi um sentimento de que eu tinha que fazer isso ou não seria honesta comigo mesma.
Crescer dói pra caramba, chorei muito, orei muito e entreguei nas mãos de Deus, mas não antes sem fazer a minha parte.
“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.”
(Mario Quintana)
Não ia aceitar a fatalidade de uma cesárea desnecesárea, sabendo tudo que eu sabia.
É um caminho sem volta...
Muitos e-mails, muitas conversas e fechamos, a equipe seria Catia, Ana Cris e Dra Nina, substituída no segundo tempo pelo Dr.Douglas...
E o parto seria domiciliar (PD)... Que jornada! De parto normal a parto natural para PD...
Com 38 semanas comecei a sentir cólicas fracas, dores na bacia e pontadas na vagina, e sempre na expectativa de algo acontecer, do meu corpo funcionar como devia, de ser capaz de parir, imaginava o parto, como seria tudo. Muitos e-mails na lista, muitos bate-papos com maternas. Deu tempo de ir num encontro das maternas relacionamentais, de ir ao encontro de fim de ano das maternas com 41 semanas cravadas e até cinematerna rolou...
Caminhadas em parques e muitas saídas gostosas para fugir da ansiedade...
Os pródromos iam e vinham e já tinha me habituado aos sinais falsos e às Braxton Hicks, amigas íntimas...
Com 40 semanas a ansiedade pegou pesado. Muitas meninas maternissímas me escreveram, me pediram paciência e entrega...
“Meia noite e meia
Uma pedra range
Uma porta late
Um cachorro longe
O motor de um carro
No portão de casa
Bate o vento passa
Na janela inteira
Meia lua cheia
Na montanha imóvel
Que me olha imensa
Fora do que penso
No meio da sala
Meu sapato encalha
Nos pés da cadeira
Um som que não pára
No silêncio claro
Do vidro uma abelha
Zumbe em minha telha
Chove minha cara
Velha agora espelha
Na poça uma estrela
Treme e atravessa
O avesso da véspera
Desamanhece
E eu desadormeço”
(Arnaldo Antunes)
No final de semana em que completei 41 semanas, decidi almoçar num rodízio de comida japonesa e me acabei de comer, logo depois fomos para a confraternização de fim de ano das maternas, foi uma delícia. Estava no maior pique, super animada.
No domingo dormi muito, quase a tarde toda. À noite fui à ceia da igreja e ficamos um tempão lá, conversando com todos e comendo bastante. O tema: parto, parto, parto!
Nessa noite, meu filho quis, pela primeira vez na vida, dormir na casa da minha mãe. Algo sem precedentes. Fiquei arrasada, nunca tinha ficado longe dele à noite. Voltei para casa chorando.
Chegamos em casa e assistimos um episódio de “Central de Bebês” da Discovery Home&Health, foi muito legal, mostrou uns três partos naturais e pela primeira vez o Will assistiu comigo.
Fomos dormir, mas antes andei um pouco pela casa e conversei com a minha barriga, com a Bia, dizendo que ela podia vir que eu estava preparada, que iríamos recebê-la com carinho, para ela não temer.
Na madrugada de domingo para segunda feira – 22/12, lá para 4h20 eu imagino, não olhei no relógio, acordei com uma contração bem forte. Não me animei muito porque já tinha acontecido antes. Depois de um tempo, veio outra, olhei no relógio 4h28; como doeu bastante resolvi levantar e nessa hora senti um jatinho de água escorrer e molhar a calcinha e a calça do pijama. Era a bolsa.
Estava começando. Fiquei muito animada.
Decidi acordar o Will e ele ficou todo animado e levantou. Queria ligar para a Ana Cris. Avisei que ainda poderia demorar (mal sabia...rs) e ligaríamos mais tarde, até porque não queria acordá-la tão cedo.
Começamos a anotar as contrações. Vinham de 10 em 10 minutos. Logo estavam vindo de 07 em 07 minutos. Ficamos agradecidos pela sensibilidade do meu filho querido por ter decidido ficar na minha mãe, pois eu e o Will pudemos nos entregar ao momento.
Avisamos um bocado de gente que havia começado.
Conversamos com a AC mais tarde, que pediu que ligássemos quando engrenasse de 05 em 05 minutos por uma hora.
Ouvimos música o tempo todo e eu me sentia muito, muito feliz!
Resolvi descer no prédio para caminhar e quando a contração vinha, no início, eu agachava e melhorava muito. Quando descemos, as contrações espaçaram e ficaram de 09 em 09 minutos e assim foi indo o dia todo. Oscilando muito. Fiquei um pouco desanimada.
Tínhamos marcado uma sessão de acupuntura com a Eneida para induzir naquele dia.
Conversamos novamente com a AC e com a Catia e decidimos fazer a sessão de acupuntura que havíamos marcado para induzir para ver se engrenava o TB. A Catia suspeitava de rompimento alto da bolsa, pois o líquido saía em pequenos jatinhos geralmente após as contrações e algumas vezes molhavam bastante a calcinha.
Após algumas contrações fui ao banheiro e vi que o tampão havia saído.
No caminho de passar na minha mãe para ver o Felipe, de ir para a consulta com a Dra Eneida, as contrações espaçavam e depois voltavam para os tão conhecidos 10 em 10 minutos.
A sessão de acupuntura foi ótima. Relaxei muito, conversamos muito com a Eneida também e o Will, cansadíssimo, até cochilou.
Em seguida fomos para casa da minha irmã, onde havíamos decidido fazer o PD. Mas internamente sentia um desejo enorme de estar na minha casa, com as minhas coisas e isso ficou martelando na minha cabeça. Minha irmã deixou a casa toda arrumadinha, ela foi um doce. Nesse dia caiu uma baita chuva em SP e alagou tudo. Demoraríamos muito para ir para casa. Decidimos tomar um lanche, um McDonald´s (horroroso) e depois voltamos para casa, foi muito boa a sensação de estarmos em casa, com nossas coisas, nosso cantinho. Já havia me acostumado com a dor, mas não conseguia dormir, pois quando a contração vinha e eu estava deitada doía muito mais, eu acabava dando pequenos cochilos nos intervalos que me davam uma sensação de ficar fora do ar muito ruim e me deixava mais cansada.
“Na nossa casa amor-perfeito é mato
E o teto estrelado também tem luar
A nossa casa até parece um ninho
Vem um passarinho pra nos acordar
Na nossa casa passa um rio no meio
E o nosso leito pode ser o mar”
(Arnaldo Antunes)
Sei que durante o dia todo, Will conversou com Deus e o mundo. Muita gente telefonava o dia todo, ajudando com conselhos, dicas e dando muita força. Foi muito legal!
Eu não queria, nem conseguia falar com ninguém.
A Catia aconselhou uma taça de vinho para relaxar e descansar. O Will só encontrou uma keep Cooler e serviu ao propósito.
Depois de uns golinhos, o Will dormiu, eu tomei um banho bem demorado. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Sentia um calor imenso e a intensidade da dor estava aumentando. Fiquei num processo racional absurdo de anotar os intervalos das contrações e começava a me irritar por não engrenar. Agachar já não funcionava, então eu comecei a rebolar e mexer o quadril quando vinham apoiada na parede do quarto...
Encontrei a Marcia Golz no MSN e ela me deu ótimas dicas, me acalmou...
A certa altura da madrugada decidi entrar no chuveiro e fiquei lá um tempão.
O cansaço era muito grande. Por volta das 6 da manhã, as contrações ficaram de 6 em 6, de 7 em 7, depois de 5 em 5. Fiquei animada. Mas estava doída, com o sono e com o cansaço apertando. Eu cochilava e falava sozinha, andei pela casa de olhos fechados e me concentrava muito nas contrações. Foram ficando muito fortes e doloridas e exigiam que eu fechasse os olhos e respirasse profundamente várias vezes.
Tentei dormir, mas era insuportável. Até que chegou um momento que decidi agüentar a dor e consegui cochilar umas três vezes entre contrações, mas era muito ruim porque começava a sonhar e ver cenas esquisitas e estranhas.
Daí espaçaram novamente para 09 e 10 min.
Algumas vezes dei uns gritos, mas não sentia vontade de gritar. Preferia me fechar. Tentei ficar de quatro, agachada e tudo que me vinha à cabeça. Lá pela metade da manhã, fui pro chuveiro novamente com um banquinho que o Will improvisou e fiquei lá um tempão. Saí, comi algumas frutas (só comi frutas e iogurte com suco) e me senti renovada, um pouco melhor...
O Will conversou com a Catia e ela disse que viria nos ver após o almoço. Minha irmã trouxe um lanche para nós e ficou um pouco aqui. Sentia muita saudade do Fê, mas sabia que não seria possível tê-lo em casa nesse momento.
Meu filho havia avisado que só voltaria para casa quando a Bia nascesse. Um lindo!
A Catia chegou e conversamos sobre a possibilidade do Plano B. Ela me examinou e constatou bolsa rota com ruptura baixa, disse que chegou a sentir o cabelinho da Bia. O colo estava posterior e eu com 2 cm de dilatação. Fiquei arrasada com isso. A Catia sugeriu irmos para maternidade para uma "condução" de parto com ocitocina para engrenar e que lá eu tomaria o antibiótico preventivo, pois não fiz o exame de strepto B. Eu já estava muito cansada e nisso já iam quase 36 horas de latência e de bolsa rota, sem dormir direito.
Lembro que o toque doeu pra caramba. Nessa hora eu gritei muito.
Ok, plano B. Decidimos com muita tranqüilidade que deveríamos ir para a maternidade e fazer o que fosse preciso para ajudar a Bia a nascer.
Tinha acabado de ler um e-mail da Ana Cris que falava da flexibilidade da alma na hora em precisamos escolher e mudar os rumos das coisas...A decisão, a escolha foram naturais, tranqüilas. Tanto eu como Will estávamos bem, conscientes das decisões e acima de tudo nos sentíamos respeitados e acolhidos pela equipe, o que nos dava uma paz enorme.
Pois bem, tomamos um banho, arrumamos a mala da maternidade e seguimos. Passamos antes na minha mãe para dar um beijinho no Fê e fomos embora. No caminho as contrações já estavam bem doloridas e eu pedia ao Will que parasse o carro quando vinham com muita força.
Chegamos à maternidade e fomos dar entrada pelo PS Sentei na cadeirinha e a atendente: “qual o problema, flor?”, mais condescendente impossível. Aí eu disse “ estou em trabalho de parto”. Ela: “Nossa! Ai, meu Deus!”. Eu e o Will rimos e dissemos para ela ficar calma que estava tudo bem. Cada uma. A gente acalmando a mulher...
Confesso: era muito esquisito estar na maternidade, um ambiente impessoal, cheio de gente estranha, alheias ao que eu estava vivendo, cheias de procedimentos e protocolos. Essa parte foi ruim porque já estava acostumada à idéia da minha casa, do aconchego e tudo mais.
Confesso2: Se não fosse pela confiança na Catia e na AC, acho que eu poderia ter travado de vez na maternidade.
Seguimos para uma espera para que a GO do plantão me internasse. Mas ela estava ocupada fazendo uma cesárea. De se esperar, né?
Esperamos, mas nos deixaram numa espera com tudo quanto é gente doente, infeccionada, mulher querendo puxar papo na hora que a contração vinha...Terrível.
Daí o Will chamou uma das atendentes e pediu para que nos levassem para um lugar mais reservado, pois eu estava com bolsa rota. Ele fez um draminha básico para ficarmos com mais privacidade. A enfermeira nos colocou numa sala de isolamento.
Chega a ser engraçado. Ficamos lá papeando e dando risada. Todos que vinham nos ver, nos tratavam como se eu estivesse doente e a gente fazia questão de dizer que estava tudo bem. Estávamos só esperando a nossa médica chegar.
Bom, a GO do plantão chegou e quis me examinar. Eu ouvi ela falando para enfermeira: “Ela está com bolsa rota há dois dias?” Ela não conseguia acreditar, eu ouvi ela repetir isso duas vezes. E depois me perguntou de novo. Eu a avisei que não era para fazer toque, nem nenhum exame. Ela mediu a barriga e escutou o coração. Perguntou se seria cesárea. Disse que não. Ela “tomara que dê certo. Boa Sorte”.
Enquanto isso, o Will fazia malabarismos para esperarmos a Catia no quarto sem ter que ir para o Pré-Parto, até que conseguiu.
Acho que Deus esteve guiando tudo, porque apareceram pessoas muito abertas às nossas “reivindicações” durante toda a estadia na maternidade. Fora a desorganização deles que deu brechas para fazermos muito do que queríamos.
Nesse meio tempo a Catia já estava no hospital e fomos para o Pré-Parto mesmo. Detalhe: tive que ir de cadeira de rodas. Protestei, disse que estava bem, mas eram normas do hospital. Aí perguntei por quê. A moça: “imagina uma grávida andando por aí”, na hora eu e o Will num coro: “gravidez não é doença, não!”. Coitada da moça ficou super sem graça.
Bom, subimos, cheguei à sala e de cara desliguei a TV que estava na Globo.
Encontramos a Catia, logo mais chegou a Ana Cris. Estava completamente tranqüila com elas.
A Catia conversou comigo sobre o anestesista, que podíamos dar sorte e aparecer alguém que soubesse fazer a analgesia, assim como poderia aparecer alguém bem tosco. Decidimos tentar a sorte, porque não teríamos como arcar com um anestesista da equipe naquele momento. A Catia foi conversar com o anestesista de plantão e ele pareceu muito disponível.
As enfermeiras meio perdidas, mas fizeram o que foi pedido e logo tomei o antibiótico e entrei na condução de parto com ocitocina. Eram quase 20h da noite. Jantei e esperamos. De repente a Catia e a AC mudaram toda sala, fecharam cortinas, colocaram foco de luz, apagaram as luzes brancas e o ambiente ficou nosso, uma delícia. Todas que entravam achavam diferente e sempre vinha alguém ver como eu estava. Uma das enfermeiras que ficou durante a noite, foi ótima e ajudou muito, já conhecia a dupla dinâmica Catia + AC do parto da Karine.
As dores estavam muito intensas e eu já estava muito cansada. Depois de um tempo, não lembro bem quanto, a Catia fez um toque e eu estava com 3cm apenas. O toque doeu muito, muito, muito. Nessa hora eu gritei.
Quando a Catia disse 3cm, meu mundo desabou, me senti uma incompetente. Como só 3 cm depois de tudo isso? Daí caí no choro. A AC perguntou se era o cansaço ou os 3 cm. Disse que eram os 3cm. Ela com todo jogo de cintura do mundo me disse que eram 50% a mais do que eu tinha antes. A Catia explicou que o colo estava posterior e devíamos esperar. Devíamos esperar também para fazer uma analgesia quando eu chegasse aos 5 cm para não parar o trabalho de parto.
A Catia e a AC foram descansar. A enfermeira deixou o Will dormir na maca do lado e eu fiquei acordada olhando o cardiotoco. As dores estavam muito fortes e eu lembro que contava rapidinho. Cheguei a contar até 70, 80 para tentar não me concentrar na dor, tentei deixar a onda vir e passar tentei relaxar o corpo e fui fazendo muitas tentativas. Doía demais.
Fiquei esperando, esperando. Acho que eram duas e pouco da manhã quando caí num choro enorme. Chorei pra caramba. Não sabia o que fazer, queria descansar um pouco.
Acordei o Will e pedi para ele me ajudar a decidir se devia pedir a anestesia ou não. Decidimos que queríamos, mesmo que parasse um pouco o trabalho de parto. Eu precisava muito descansar.
Chamamos as meninas. Dessa vez a AC fez o toque e constatou que o colo estava posterior mesmo e a dilatação não tinha evoluído. Na verdade ela nem conseguiu alcançar o colo. Me explicaram que a cabecinha da Bia estava na direção correta mas o colo estava posterior e seria preciso “arrumar” isso de forma manual, mas que sem anestesia eu não iria agüentar pois seria muito doloroso. Tendo em vista os toques, optei pela anestesia e pela correção manual depois.
Chamamos o anestesista. O Will foi junto. O anestesista demorou pra caramba, precisava achar uma agulha, depois não sei o que lá. O Will diz que ele demorou quase uma hora. As dores estavam fortes demais. A AC e suas mãos de fada apareceram. Ela fez uma massagem na lombar que foi simplesmente maravilhosa. As dores foram se tornando até mais suportáveis. Respirou comigo e me conduziu durante as contrações.
Fiquei pensando que se estivesse em casa e ela fizesse isso, eu conseguiria segurar a onda, pois me relaxou muito. Eu parecia um cachorrinho que recebe carinho e fica de barriguinha para cima...Era a imagem que eu tinha naquele momento. Foi fundamental também o suporte da AC na hora da anestesia quando finalmente o anestesista chegou. De novo, a mão de Deus, pois ele fez uma anestesia maravilhosa e foi muito atencioso, explicando tudo. As dores foram embora, mas eu continuava sentindo todas as contrações.
Finalmente voltei para a sala de pré-parto com gás renovado, com energia nova e o relaxamento veio com tudo. O anestesista ainda veio mais uma vez me ver e perguntou se estava tudo bem. Foi um doce conosco.
A Catia fez o toque e meu colo havia relaxado, entrou no lugar certo sozinho e eu estava com 5 cm de dilatação. Santa anestesia! Santo anestesista!
Nessa hora eu capotei. Dormi que nem uma pedra por três horas inteiras que me pareceram dias. Fiquei revigorada. Quando eram seis horas da manhã eu acordei. Depois de um tempo, o Will acordou e as meninas vieram.
A enfermeira legal disse que o turno dela acabaria as 7h, e que as enfermeiras que viriam não eram tão flexíveis. Entendemos o recado.
Nisso chegou uma moça para o pré – parto. Iria fazer a sua terceira cesárea e com quem? Com a GO do plantão.
A Catia resolveu fazer o toque e para nossa alegria estava com 7cm de dilatação.
Fizemos alguns cálculos e imaginamos que a dilatação total viria lá para 10h da manhã.
Comecei a sentir novas dores e fizemos um repique leve da analgesia ainda com o anestesista legal.
Depois de um tempo, quase 7 e pouco da manhã, quase 8, não lembro bem, as dores começaram a mudar. Deixaram de ser no baixo ventre e passaram para o bumbum, com muita intensidade, parecia que eu ia fazer cocô e falei isso para Catia. Logo depois a AC sugeriu que eu fosse ao banheiro e depois caminhasse um pouco. Falei para a Catia, quando levantei, que estava sentindo vontade de fazer cocô mesmo, que era uma vontade no bumbum e que me dava vontade de empurrar. Ela fez o toque e constatou dilatação total. Falou que eu podia empurrar se quisesse.
Então fomos para a sala do centro obstétrico. As meninas arrumaram tudo e me posicionei de cócoras no banquinho, com o Will sentado atrás e as meninas na frente.
A AC ligou para o Douglas vir que a Bia já nasceria.
A Catia chamou a anestesista de plantão e pediu uma analgesia para relaxar o períneo. A anestesista errou a mão e o que ficou anestesiado foi minha coxa. Daí por diante sentia as contrações de novo. Perguntei se podia tomar outra anestesia e a AC explicou que eu não iria sentir nada, nem a Bia sair e concordei que seria melhor encarar sem anestesia mesmo. Só minha coxa que ficou anestesiada. Super esquisito.
Fiquei um tempão fazendo força. E nessa hora o cansaço veio com força novamente. Sentia minha lombar cansada e eu já sem muito fôlego. Lembro que em determinado momento saí do ar, fiquei inconsciente por alguns segundos e avisei as meninas. A Catia pediu glicose no soro e me colocaram um tubinho de oxigênio, ambos ajudaram bastante.
Depois de um tempo o Douglas chegou e brincamos que a Bia podia nascer agora.
Depois de quase duas horas empurrando, uma das meninas sugeriu que eu fosse para a maca. Foi um alívio enorme porque descansei as costas e fiquei numa posição super confortável.
Retomei o fôlego e decidi que minha filha ia nascer. Toda vez que eu empurrava e fazia força imaginava ela saindo do meu corpo, visualizava sua cabecinha saindo e depois seu corpinho. Não sei de onde eu busquei forças nesse momento. Tinha vontade de parar tudo só para descansar um pouco.
A Catia e a AC me diziam que eu estava indo bem e que logo a Bia estaria ali. O Will também me dava muita força.
Nessas horas eu não sabia quem estava na sala, só tinha noção de mim e da voz das meninas e do Will. O resto era um grande borrão. A cada força que fazia sentia muita dor e sentia meu corpo tremer a ponto de não conseguir me mexer. Eu queria muito empurrar, esperava as contrações com ansiedade.
Depois de algumas forças, a Catia falou para eu sentir a cabecinha. Senti e sabia que faltava pouco, mas precisava me esforçar muito. Decidi que nas próximas empurradas ela nasceria. Comecei a gritar um grito que vinha lá de dentro, quase gutural.
A Catia me avisou que logo eu sentiria o círculo de fogo e ele veio. Na próxima empurrada a cabecinha saiu e senti queimar e arder. A Catia tirou uma circular de cordão.
Tinha impressão que eu ia rasgar. Embora racionalmente eu soubesse que não ia acontecer isso, lembro de ter gritado que eu ia rasgar e a AC disse que estava tudo bem. Me deixaram fazer mais força e nessa saiu o corpinho que veio direto para o meu peito.
Senti aquela pessoinha que ficou guardada dentro de mim em cima do meu colo, toda meladinha, fazendo barulhinhos. Lembro de ter dito “então era você que estava aqui dentro, você saiu minha filha”...
Fiquei acariciando ela, o Will veio do meu lado chorando. Não existia mais nada para mim naquele momento só ela, ainda disse que faria tudo de novo se tivesse que escolher. Cada contração, cada dor, cada momento de cansaço valia a pena. Lembro que a AC me disse que eu havia conseguido. Sentia uma energia incrível.
O Dr. Douglas foi cuidando dela ainda no meu colo. Senti o cordão pulsando, vi a placenta que guardei e fiquei encantada com a minha pequena olhando para ela, a conhecendo, vendo seus detalhes. A AC ajudou a colocá-la no meu peito e ela mamou um tempão. O Will cortou o cordão umbilical. Levei alguns pontos pois tive laceração de segundo grau.
Depois que a levaram fiquei aguardando para ir para o quarto. A sensação de bem estar que eu tinha era incrível. Senti uma energia enorme, acho que faria até faxina se deixassem...rsrs...Me sentia muito bem.
A Beatriz não sofreu nenhuma intervenção e só ficou no berçário por 1 hora. Depois disso ficou em alojamento conjunto e só saiu para ser pesada por 10 minutos.
Nos despedimos das meninas e antes de ir embora a Ana Cris ainda me trouxe um iogurte...Acho que foi o iogurte mais gostoso da minha vida!
Naquele momento não sabia por onde começar a agradecer àquelas duas mulheres maravilhosas que me guiaram...
Encontrei toda minha família esperando para conhecer a Beatriz. Eu estava me sentindo muito bem. Tomei banho sozinha sem auxílio de enfermeira, cuidei da Bia sem nenhum problema. Demos o primeiro banho nela.
Éramos uma atração à parte na maternidade. O casal natureba que teve parto normal. As enfermeiras iam lá ao quarto toda hora para conversar sobre isso.
Depois eu descobri que ficaram algumas enfermeiras e pessoas que pediram para assistir ao parto, pois parto normal lá é raridade.
Tivemos alta no dia seguinte com a Bia super bem e eu também.
É difícil encontrar palavras que descrevam os sentimentos que permeiam esse momento da minha vida. Essa insistência, persistência e desejo de trazer ao mundo minha filha de forma digna.
Foi uma jornada nossa, uma jornada que me ensinou que não controlamos tudo, que estamos sujeitos a fazer escolhas a cada passo que damos na vida e que somos responsáveis únicos por essas escolhas.
Meu primeiro filho, Felipe, me ensinou a ser mãe e a Bia me ensinou a ser mãe de novo, mais madura e consciente agora. Mais centrada e mais atenta aos “truques” do mundo.
Agradeço com meu coração, alma e corpo a todos os que me ajudaram nessa jornada!
Eu sou a Pérola, tenho 31 anos. Sou mãe do Fê e da Bia, esposa do Will.
Mãe convicta e apaixonada pela maternidade.
Escrevo no http://mamaeantenada.blogspot.com
Meu primeiro filho foi uma gravidez com “planejamento inconsciente” como brinca meu marido, já morávamos juntos há 01 ano e tínhamos acabado de marcar a data do casamento, comunicado às nossas famílias e decidimos viajar de carro para Porto Alegre para o Fórum Social Mundial.
No retorno dessa viagem, descobri a gravidez. Foi um mistura de medo e felicidade que nos impulsionou; casamos, compramos nosso cantinho e tivemos nosso primeiro filho: Felipe. Na época do parto, eu tinha informação e acreditava que era suficiente. Havia lido algumas coisas e acreditava que a via natural de nascimento era o parto normal. Não fazia idéia dessa indústria de partos no Brasil.
Começamos com uma GO, mas no final nos sentimos inseguros com ela e mudamos por indicação de uma pessoa que conhecemos num PS. Marcamos a consulta e o médico com um discurso lindíssimo, atendimento impecável, mostrou-se adepto ao Parto Normal, Dr. M.G. – consultório pomposo no Pacaembu. Com 39 semanas e 04 dias ele me internou no Santa Joana, e mandou induzir. Fiquei duas horas no “sorinho” sem sentir dor, sem sentir nada além de Braxton Hicks, então ele me mandou ao centro cirúrgico e realizou a cesárea.
Justificou que era pela circular cervical que ele só tinha visto no momento do parto.
Estava tão ansiosa e confiava tanto na palavra dele que achei que ele havia salvado a vida do meu filho...
Olha a explicação: o cordão enrolado não permitia que ele descesse e meu filho estava sofrendo! (Socorrooooooooooo!!!)
E eu comecei a criar toda uma justificativa baseada em cordão enrolado no pescoço para a cesárea que fazia muito sentido para mim e que foi meu discurso por quase 3 anos. Como eu não tinha consciência de tudo isso, do absurdo que ele havia feito, das intervenções com meu filho, do absurdo do afastamento precoce, de terem dado nan a ele, enfim, tudo isso estava fora do meu campo de visão. Minha lembrança do parto e da chegada dele tem alegria, felicidade por ter me tornado mãe.“Um sonho de dois
Virou um de sonhos
Dois: Pérola e William
Um: filho querido Felipe
Nove meses de espera
Sem saber o que nos esperava
Um rosto lindo, uma vida plena
O chorinho gostoso, o olhar encantador
Mamãe chorona com tanto amor, papai cantador com tanto amor!
Quanta vida nos aguarda quantas surpresas, mudanças, alegrias...”
(Poeminha para o Fê - 2005)
Hoje consigo enxergar que fui roubada, que meu filho nasceu antes do seu tempo e que sofreu intervenções desnecessárias e nos desgastamos muito com o hospital, com as rotinas e protocolos deles.
Sofri muito na recuperação da cesárea, com dores, com o corpo dolorido. Foi muito difícil, mas, passou, sempre passa. E a jornada de nos tornamos uma família foi muito mais gostosa, de aprender a ser mãe, de ver meu filho crescer.
Após um tempo coloquei o DIU porque queríamos esperar um tempinho antes de engravidarmos novamente. Assentar tudo. Após um ano e meio de DIU num ultrassom de rotina, a médica me disse que o DIU estava no colo do útero e seria necessário retirá-lo, eu poderia recolocá-lo se quisesse. Optamos por não colocar e na época saquei que meu corpo havia expulsado o DIU. A idéia de uma nova gravidez já estava latente.Depois de 2 anos e 3 meses do nascimento do Felipe, engravidamos novamente, agora bem planejadinho e com muita expectativa.
Não tinha nenhum GO na época, apenas uma médica com quem fazia consultas de rotina. Peguei meu livrinho da Medial e encontrei um GO próximo a minha casa.
Na primeira consulta ele viu que eu estava com o resultado do Beta HCG na mão, mas soltou a pergunta “qual o problema?” e depois ficou sem graça e disse “problema não boa notícia... rs” – Hoje vejo que era um sinal sutil de como ele encara a gravidez: um problema.
Enfim, esse médico que prefiro chamar de Dr Zen, super tranqüilo, fazia ultrassom toda consulta na própria clínica, não fazia idéia do que era uma doula, e disse que eu podia ter parto normal, mas poderia ter incontinência urinária pós parto, precisaria fazer episiotomia e usaria fórceps. Detalhe: errou meu nome duas vezes e a qualquer sinal de cólica ou coisa parecida me colocava em repouso de pelo menos uma semana.
Ao mesmo tempo comecei a participar da lista maternas_sp e a ler, devorar tudo que falava sobre o assunto (Li Parto Normal ou Cesárea? O Que Toda Mulher Deve Saber (e todo homem também) e Quando o Corpo Consente)
A Ana Cris, maravilhosa, me escreveu alguns e-mails me alertando, me mostrando algumas coisas, assim como muitas maternas.
Ok, depois de todo o papo do Dr. Zen, cansei desse cara e nunca mais voltamos. Após passar toda a listagem de médicos do meu convênio para a AC, vimos que apenas três eram adeptas do Parto Normal. Caramba!
A AC indicou a Catia também e cheguei a marcar e desmarcar duas consultas.
A questão de pagar consulta quando tínhamos convênio era punk.
Vamos lá, então. A médica do convênio já havia atendido uma das maternas e para um GO que atende via convênio, ela é muito boa, atende sem tempo contado, tira as dúvidas, conversa e sempre se mostrou adepta ao Parto Normal, com ressalvas do tipo “O risco de ruptura uterina é pequeno, mas e se for você? Você não vai gostar, né?!”. E sempre deixou bem claro que poderia não acompanhar o parto e nesse caso seria uma de suas colegas de consultório. Isso me deixava insegura. Me deixava insegura também pensar que seria com alguém que eu mal conhecia. A doula ela aceita, desde que seja da equipe dela. Uma obstetriz que cobrava uma nota preta e com isso ela não aceitava doula de fora. A maternidade que ela indicou era a Pro Matre que também não aceitava doulas e toda vez que eu entrava na Pro Matre e era atendida por aquelas obstetrizes não sabia se iam me oferecer um drink ou me examinar...Super maquiadas, parecendo aeromoças (com todo respeito à classe) com quilos de base e cílios postiços...Credo!
A insegurança permanecia constante, ficava ansiosa em ter que negociar o plano de parto e só ter doula em casa, em não saber quem faria o parto.
Nisso já participava mais ativamente da lista e muitas, muitas fichas foram caindo e quanto mais eu lia, mais eu me incoformava com a cesárea que eu havia vivido, com a falta de ética e de caráter de alguns médicos, com o absurdo mercantil dos convênios.
“Você não faz idéia de quantas armadilhas existem no atendimento obstétrico.
Você não faz idéia de como é a formação médica.
Eu não quero que você troque de médica.
Eu quero que você saiba o que está escolhendo e que você abrace o seu desejo.”
(Trecho de um dos e-mails da Ana Cris)
Bom, após muitas noites sem dormir, muitas buscas, muitos e-mails, de uma identificação enorme com a Dra Catia, e de um e-mail certeiro da AC, decidi mobilizar meu marido, médicos, doulas e quem precisasse para ter o parto que eu queria.
Foram noites angustiantes, de conversas com amigas, de trocas de e-mails, de espera.
Sentia que era agora ou nunca! Eu estava com 33 semanas e ainda dava tempo.
Foi um sentimento de que eu tinha que fazer isso ou não seria honesta comigo mesma.
Crescer dói pra caramba, chorei muito, orei muito e entreguei nas mãos de Deus, mas não antes sem fazer a minha parte.
“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.”
(Mario Quintana)
Não ia aceitar a fatalidade de uma cesárea desnecesárea, sabendo tudo que eu sabia.
É um caminho sem volta...
Muitos e-mails, muitas conversas e fechamos, a equipe seria Catia, Ana Cris e Dra Nina, substituída no segundo tempo pelo Dr.Douglas...
E o parto seria domiciliar (PD)... Que jornada! De parto normal a parto natural para PD...
Com 38 semanas comecei a sentir cólicas fracas, dores na bacia e pontadas na vagina, e sempre na expectativa de algo acontecer, do meu corpo funcionar como devia, de ser capaz de parir, imaginava o parto, como seria tudo. Muitos e-mails na lista, muitos bate-papos com maternas. Deu tempo de ir num encontro das maternas relacionamentais, de ir ao encontro de fim de ano das maternas com 41 semanas cravadas e até cinematerna rolou...
Caminhadas em parques e muitas saídas gostosas para fugir da ansiedade...
Os pródromos iam e vinham e já tinha me habituado aos sinais falsos e às Braxton Hicks, amigas íntimas...
Com 40 semanas a ansiedade pegou pesado. Muitas meninas maternissímas me escreveram, me pediram paciência e entrega...
“Meia noite e meia
Uma pedra range
Uma porta late
Um cachorro longe
O motor de um carro
No portão de casa
Bate o vento passa
Na janela inteira
Meia lua cheia
Na montanha imóvel
Que me olha imensa
Fora do que penso
No meio da sala
Meu sapato encalha
Nos pés da cadeira
Um som que não pára
No silêncio claro
Do vidro uma abelha
Zumbe em minha telha
Chove minha cara
Velha agora espelha
Na poça uma estrela
Treme e atravessa
O avesso da véspera
Desamanhece
E eu desadormeço”
(Arnaldo Antunes)
No final de semana em que completei 41 semanas, decidi almoçar num rodízio de comida japonesa e me acabei de comer, logo depois fomos para a confraternização de fim de ano das maternas, foi uma delícia. Estava no maior pique, super animada.
No domingo dormi muito, quase a tarde toda. À noite fui à ceia da igreja e ficamos um tempão lá, conversando com todos e comendo bastante. O tema: parto, parto, parto!
Nessa noite, meu filho quis, pela primeira vez na vida, dormir na casa da minha mãe. Algo sem precedentes. Fiquei arrasada, nunca tinha ficado longe dele à noite. Voltei para casa chorando.
Chegamos em casa e assistimos um episódio de “Central de Bebês” da Discovery Home&Health, foi muito legal, mostrou uns três partos naturais e pela primeira vez o Will assistiu comigo.
Fomos dormir, mas antes andei um pouco pela casa e conversei com a minha barriga, com a Bia, dizendo que ela podia vir que eu estava preparada, que iríamos recebê-la com carinho, para ela não temer.
Na madrugada de domingo para segunda feira – 22/12, lá para 4h20 eu imagino, não olhei no relógio, acordei com uma contração bem forte. Não me animei muito porque já tinha acontecido antes. Depois de um tempo, veio outra, olhei no relógio 4h28; como doeu bastante resolvi levantar e nessa hora senti um jatinho de água escorrer e molhar a calcinha e a calça do pijama. Era a bolsa.Estava começando. Fiquei muito animada.
Decidi acordar o Will e ele ficou todo animado e levantou. Queria ligar para a Ana Cris. Avisei que ainda poderia demorar (mal sabia...rs) e ligaríamos mais tarde, até porque não queria acordá-la tão cedo.
Começamos a anotar as contrações. Vinham de 10 em 10 minutos. Logo estavam vindo de 07 em 07 minutos. Ficamos agradecidos pela sensibilidade do meu filho querido por ter decidido ficar na minha mãe, pois eu e o Will pudemos nos entregar ao momento.
Avisamos um bocado de gente que havia começado.
Conversamos com a AC mais tarde, que pediu que ligássemos quando engrenasse de 05 em 05 minutos por uma hora.
Ouvimos música o tempo todo e eu me sentia muito, muito feliz!
Resolvi descer no prédio para caminhar e quando a contração vinha, no início, eu agachava e melhorava muito. Quando descemos, as contrações espaçaram e ficaram de 09 em 09 minutos e assim foi indo o dia todo. Oscilando muito. Fiquei um pouco desanimada.
Tínhamos marcado uma sessão de acupuntura com a Eneida para induzir naquele dia.Conversamos novamente com a AC e com a Catia e decidimos fazer a sessão de acupuntura que havíamos marcado para induzir para ver se engrenava o TB. A Catia suspeitava de rompimento alto da bolsa, pois o líquido saía em pequenos jatinhos geralmente após as contrações e algumas vezes molhavam bastante a calcinha.
Após algumas contrações fui ao banheiro e vi que o tampão havia saído.
No caminho de passar na minha mãe para ver o Felipe, de ir para a consulta com a Dra Eneida, as contrações espaçavam e depois voltavam para os tão conhecidos 10 em 10 minutos.
A sessão de acupuntura foi ótima. Relaxei muito, conversamos muito com a Eneida também e o Will, cansadíssimo, até cochilou.
Em seguida fomos para casa da minha irmã, onde havíamos decidido fazer o PD. Mas internamente sentia um desejo enorme de estar na minha casa, com as minhas coisas e isso ficou martelando na minha cabeça. Minha irmã deixou a casa toda arrumadinha, ela foi um doce. Nesse dia caiu uma baita chuva em SP e alagou tudo. Demoraríamos muito para ir para casa. Decidimos tomar um lanche, um McDonald´s (horroroso) e depois voltamos para casa, foi muito boa a sensação de estarmos em casa, com nossas coisas, nosso cantinho. Já havia me acostumado com a dor, mas não conseguia dormir, pois quando a contração vinha e eu estava deitada doía muito mais, eu acabava dando pequenos cochilos nos intervalos que me davam uma sensação de ficar fora do ar muito ruim e me deixava mais cansada.
“Na nossa casa amor-perfeito é mato
E o teto estrelado também tem luar
A nossa casa até parece um ninho
Vem um passarinho pra nos acordar
Na nossa casa passa um rio no meio
E o nosso leito pode ser o mar”
(Arnaldo Antunes)
Sei que durante o dia todo, Will conversou com Deus e o mundo. Muita gente telefonava o dia todo, ajudando com conselhos, dicas e dando muita força. Foi muito legal!
Eu não queria, nem conseguia falar com ninguém.
A Catia aconselhou uma taça de vinho para relaxar e descansar. O Will só encontrou uma keep Cooler e serviu ao propósito.
Depois de uns golinhos, o Will dormiu, eu tomei um banho bem demorado. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Sentia um calor imenso e a intensidade da dor estava aumentando. Fiquei num processo racional absurdo de anotar os intervalos das contrações e começava a me irritar por não engrenar. Agachar já não funcionava, então eu comecei a rebolar e mexer o quadril quando vinham apoiada na parede do quarto...
Encontrei a Marcia Golz no MSN e ela me deu ótimas dicas, me acalmou...
A certa altura da madrugada decidi entrar no chuveiro e fiquei lá um tempão.
O cansaço era muito grande. Por volta das 6 da manhã, as contrações ficaram de 6 em 6, de 7 em 7, depois de 5 em 5. Fiquei animada. Mas estava doída, com o sono e com o cansaço apertando. Eu cochilava e falava sozinha, andei pela casa de olhos fechados e me concentrava muito nas contrações. Foram ficando muito fortes e doloridas e exigiam que eu fechasse os olhos e respirasse profundamente várias vezes.
Tentei dormir, mas era insuportável. Até que chegou um momento que decidi agüentar a dor e consegui cochilar umas três vezes entre contrações, mas era muito ruim porque começava a sonhar e ver cenas esquisitas e estranhas.
Daí espaçaram novamente para 09 e 10 min.
Algumas vezes dei uns gritos, mas não sentia vontade de gritar. Preferia me fechar. Tentei ficar de quatro, agachada e tudo que me vinha à cabeça. Lá pela metade da manhã, fui pro chuveiro novamente com um banquinho que o Will improvisou e fiquei lá um tempão. Saí, comi algumas frutas (só comi frutas e iogurte com suco) e me senti renovada, um pouco melhor...
O Will conversou com a Catia e ela disse que viria nos ver após o almoço. Minha irmã trouxe um lanche para nós e ficou um pouco aqui. Sentia muita saudade do Fê, mas sabia que não seria possível tê-lo em casa nesse momento.
Meu filho havia avisado que só voltaria para casa quando a Bia nascesse. Um lindo!
A Catia chegou e conversamos sobre a possibilidade do Plano B. Ela me examinou e constatou bolsa rota com ruptura baixa, disse que chegou a sentir o cabelinho da Bia. O colo estava posterior e eu com 2 cm de dilatação. Fiquei arrasada com isso. A Catia sugeriu irmos para maternidade para uma "condução" de parto com ocitocina para engrenar e que lá eu tomaria o antibiótico preventivo, pois não fiz o exame de strepto B. Eu já estava muito cansada e nisso já iam quase 36 horas de latência e de bolsa rota, sem dormir direito.
Lembro que o toque doeu pra caramba. Nessa hora eu gritei muito.
Ok, plano B. Decidimos com muita tranqüilidade que deveríamos ir para a maternidade e fazer o que fosse preciso para ajudar a Bia a nascer.
Tinha acabado de ler um e-mail da Ana Cris que falava da flexibilidade da alma na hora em precisamos escolher e mudar os rumos das coisas...A decisão, a escolha foram naturais, tranqüilas. Tanto eu como Will estávamos bem, conscientes das decisões e acima de tudo nos sentíamos respeitados e acolhidos pela equipe, o que nos dava uma paz enorme.
Pois bem, tomamos um banho, arrumamos a mala da maternidade e seguimos. Passamos antes na minha mãe para dar um beijinho no Fê e fomos embora. No caminho as contrações já estavam bem doloridas e eu pedia ao Will que parasse o carro quando vinham com muita força.
Chegamos à maternidade e fomos dar entrada pelo PS Sentei na cadeirinha e a atendente: “qual o problema, flor?”, mais condescendente impossível. Aí eu disse “ estou em trabalho de parto”. Ela: “Nossa! Ai, meu Deus!”. Eu e o Will rimos e dissemos para ela ficar calma que estava tudo bem. Cada uma. A gente acalmando a mulher...
Confesso: era muito esquisito estar na maternidade, um ambiente impessoal, cheio de gente estranha, alheias ao que eu estava vivendo, cheias de procedimentos e protocolos. Essa parte foi ruim porque já estava acostumada à idéia da minha casa, do aconchego e tudo mais.
Confesso2: Se não fosse pela confiança na Catia e na AC, acho que eu poderia ter travado de vez na maternidade.
Seguimos para uma espera para que a GO do plantão me internasse. Mas ela estava ocupada fazendo uma cesárea. De se esperar, né?
Esperamos, mas nos deixaram numa espera com tudo quanto é gente doente, infeccionada, mulher querendo puxar papo na hora que a contração vinha...Terrível.
Daí o Will chamou uma das atendentes e pediu para que nos levassem para um lugar mais reservado, pois eu estava com bolsa rota. Ele fez um draminha básico para ficarmos com mais privacidade. A enfermeira nos colocou numa sala de isolamento.
Chega a ser engraçado. Ficamos lá papeando e dando risada. Todos que vinham nos ver, nos tratavam como se eu estivesse doente e a gente fazia questão de dizer que estava tudo bem. Estávamos só esperando a nossa médica chegar.
Bom, a GO do plantão chegou e quis me examinar. Eu ouvi ela falando para enfermeira: “Ela está com bolsa rota há dois dias?” Ela não conseguia acreditar, eu ouvi ela repetir isso duas vezes. E depois me perguntou de novo. Eu a avisei que não era para fazer toque, nem nenhum exame. Ela mediu a barriga e escutou o coração. Perguntou se seria cesárea. Disse que não. Ela “tomara que dê certo. Boa Sorte”.
Enquanto isso, o Will fazia malabarismos para esperarmos a Catia no quarto sem ter que ir para o Pré-Parto, até que conseguiu. Acho que Deus esteve guiando tudo, porque apareceram pessoas muito abertas às nossas “reivindicações” durante toda a estadia na maternidade. Fora a desorganização deles que deu brechas para fazermos muito do que queríamos.
Nesse meio tempo a Catia já estava no hospital e fomos para o Pré-Parto mesmo. Detalhe: tive que ir de cadeira de rodas. Protestei, disse que estava bem, mas eram normas do hospital. Aí perguntei por quê. A moça: “imagina uma grávida andando por aí”, na hora eu e o Will num coro: “gravidez não é doença, não!”. Coitada da moça ficou super sem graça.
Bom, subimos, cheguei à sala e de cara desliguei a TV que estava na Globo.
Encontramos a Catia, logo mais chegou a Ana Cris. Estava completamente tranqüila com elas.
A Catia conversou comigo sobre o anestesista, que podíamos dar sorte e aparecer alguém que soubesse fazer a analgesia, assim como poderia aparecer alguém bem tosco. Decidimos tentar a sorte, porque não teríamos como arcar com um anestesista da equipe naquele momento. A Catia foi conversar com o anestesista de plantão e ele pareceu muito disponível.
As enfermeiras meio perdidas, mas fizeram o que foi pedido e logo tomei o antibiótico e entrei na condução de parto com ocitocina. Eram quase 20h da noite. Jantei e esperamos. De repente a Catia e a AC mudaram toda sala, fecharam cortinas, colocaram foco de luz, apagaram as luzes brancas e o ambiente ficou nosso, uma delícia. Todas que entravam achavam diferente e sempre vinha alguém ver como eu estava. Uma das enfermeiras que ficou durante a noite, foi ótima e ajudou muito, já conhecia a dupla dinâmica Catia + AC do parto da Karine.
As dores estavam muito intensas e eu já estava muito cansada. Depois de um tempo, não lembro bem quanto, a Catia fez um toque e eu estava com 3cm apenas. O toque doeu muito, muito, muito. Nessa hora eu gritei.
Quando a Catia disse 3cm, meu mundo desabou, me senti uma incompetente. Como só 3 cm depois de tudo isso? Daí caí no choro. A AC perguntou se era o cansaço ou os 3 cm. Disse que eram os 3cm. Ela com todo jogo de cintura do mundo me disse que eram 50% a mais do que eu tinha antes. A Catia explicou que o colo estava posterior e devíamos esperar. Devíamos esperar também para fazer uma analgesia quando eu chegasse aos 5 cm para não parar o trabalho de parto.A Catia e a AC foram descansar. A enfermeira deixou o Will dormir na maca do lado e eu fiquei acordada olhando o cardiotoco. As dores estavam muito fortes e eu lembro que contava rapidinho. Cheguei a contar até 70, 80 para tentar não me concentrar na dor, tentei deixar a onda vir e passar tentei relaxar o corpo e fui fazendo muitas tentativas. Doía demais.
Fiquei esperando, esperando. Acho que eram duas e pouco da manhã quando caí num choro enorme. Chorei pra caramba. Não sabia o que fazer, queria descansar um pouco.Acordei o Will e pedi para ele me ajudar a decidir se devia pedir a anestesia ou não. Decidimos que queríamos, mesmo que parasse um pouco o trabalho de parto. Eu precisava muito descansar.
Chamamos as meninas. Dessa vez a AC fez o toque e constatou que o colo estava posterior mesmo e a dilatação não tinha evoluído. Na verdade ela nem conseguiu alcançar o colo. Me explicaram que a cabecinha da Bia estava na direção correta mas o colo estava posterior e seria preciso “arrumar” isso de forma manual, mas que sem anestesia eu não iria agüentar pois seria muito doloroso. Tendo em vista os toques, optei pela anestesia e pela correção manual depois.
Chamamos o anestesista. O Will foi junto. O anestesista demorou pra caramba, precisava achar uma agulha, depois não sei o que lá. O Will diz que ele demorou quase uma hora. As dores estavam fortes demais. A AC e suas mãos de fada apareceram. Ela fez uma massagem na lombar que foi simplesmente maravilhosa. As dores foram se tornando até mais suportáveis. Respirou comigo e me conduziu durante as contrações.Fiquei pensando que se estivesse em casa e ela fizesse isso, eu conseguiria segurar a onda, pois me relaxou muito. Eu parecia um cachorrinho que recebe carinho e fica de barriguinha para cima...Era a imagem que eu tinha naquele momento. Foi fundamental também o suporte da AC na hora da anestesia quando finalmente o anestesista chegou. De novo, a mão de Deus, pois ele fez uma anestesia maravilhosa e foi muito atencioso, explicando tudo. As dores foram embora, mas eu continuava sentindo todas as contrações.
Finalmente voltei para a sala de pré-parto com gás renovado, com energia nova e o relaxamento veio com tudo. O anestesista ainda veio mais uma vez me ver e perguntou se estava tudo bem. Foi um doce conosco.
A Catia fez o toque e meu colo havia relaxado, entrou no lugar certo sozinho e eu estava com 5 cm de dilatação. Santa anestesia! Santo anestesista!
Nessa hora eu capotei. Dormi que nem uma pedra por três horas inteiras que me pareceram dias. Fiquei revigorada. Quando eram seis horas da manhã eu acordei. Depois de um tempo, o Will acordou e as meninas vieram.
A enfermeira legal disse que o turno dela acabaria as 7h, e que as enfermeiras que viriam não eram tão flexíveis. Entendemos o recado.
Nisso chegou uma moça para o pré – parto. Iria fazer a sua terceira cesárea e com quem? Com a GO do plantão.
A Catia resolveu fazer o toque e para nossa alegria estava com 7cm de dilatação.
Fizemos alguns cálculos e imaginamos que a dilatação total viria lá para 10h da manhã.
Comecei a sentir novas dores e fizemos um repique leve da analgesia ainda com o anestesista legal.
Depois de um tempo, quase 7 e pouco da manhã, quase 8, não lembro bem, as dores começaram a mudar. Deixaram de ser no baixo ventre e passaram para o bumbum, com muita intensidade, parecia que eu ia fazer cocô e falei isso para Catia. Logo depois a AC sugeriu que eu fosse ao banheiro e depois caminhasse um pouco. Falei para a Catia, quando levantei, que estava sentindo vontade de fazer cocô mesmo, que era uma vontade no bumbum e que me dava vontade de empurrar. Ela fez o toque e constatou dilatação total. Falou que eu podia empurrar se quisesse.
Então fomos para a sala do centro obstétrico. As meninas arrumaram tudo e me posicionei de cócoras no banquinho, com o Will sentado atrás e as meninas na frente.
A AC ligou para o Douglas vir que a Bia já nasceria.
A Catia chamou a anestesista de plantão e pediu uma analgesia para relaxar o períneo. A anestesista errou a mão e o que ficou anestesiado foi minha coxa. Daí por diante sentia as contrações de novo. Perguntei se podia tomar outra anestesia e a AC explicou que eu não iria sentir nada, nem a Bia sair e concordei que seria melhor encarar sem anestesia mesmo. Só minha coxa que ficou anestesiada. Super esquisito.
Fiquei um tempão fazendo força. E nessa hora o cansaço veio com força novamente. Sentia minha lombar cansada e eu já sem muito fôlego. Lembro que em determinado momento saí do ar, fiquei inconsciente por alguns segundos e avisei as meninas. A Catia pediu glicose no soro e me colocaram um tubinho de oxigênio, ambos ajudaram bastante.
Depois de um tempo o Douglas chegou e brincamos que a Bia podia nascer agora.
Depois de quase duas horas empurrando, uma das meninas sugeriu que eu fosse para a maca. Foi um alívio enorme porque descansei as costas e fiquei numa posição super confortável.Retomei o fôlego e decidi que minha filha ia nascer. Toda vez que eu empurrava e fazia força imaginava ela saindo do meu corpo, visualizava sua cabecinha saindo e depois seu corpinho. Não sei de onde eu busquei forças nesse momento. Tinha vontade de parar tudo só para descansar um pouco.
A Catia e a AC me diziam que eu estava indo bem e que logo a Bia estaria ali. O Will também me dava muita força.
Nessas horas eu não sabia quem estava na sala, só tinha noção de mim e da voz das meninas e do Will. O resto era um grande borrão. A cada força que fazia sentia muita dor e sentia meu corpo tremer a ponto de não conseguir me mexer. Eu queria muito empurrar, esperava as contrações com ansiedade.
Depois de algumas forças, a Catia falou para eu sentir a cabecinha. Senti e sabia que faltava pouco, mas precisava me esforçar muito. Decidi que nas próximas empurradas ela nasceria. Comecei a gritar um grito que vinha lá de dentro, quase gutural.
A Catia me avisou que logo eu sentiria o círculo de fogo e ele veio. Na próxima empurrada a cabecinha saiu e senti queimar e arder. A Catia tirou uma circular de cordão.
Tinha impressão que eu ia rasgar. Embora racionalmente eu soubesse que não ia acontecer isso, lembro de ter gritado que eu ia rasgar e a AC disse que estava tudo bem. Me deixaram fazer mais força e nessa saiu o corpinho que veio direto para o meu peito.
Senti aquela pessoinha que ficou guardada dentro de mim em cima do meu colo, toda meladinha, fazendo barulhinhos. Lembro de ter dito “então era você que estava aqui dentro, você saiu minha filha”...
Fiquei acariciando ela, o Will veio do meu lado chorando. Não existia mais nada para mim naquele momento só ela, ainda disse que faria tudo de novo se tivesse que escolher. Cada contração, cada dor, cada momento de cansaço valia a pena. Lembro que a AC me disse que eu havia conseguido. Sentia uma energia incrível.O Dr. Douglas foi cuidando dela ainda no meu colo. Senti o cordão pulsando, vi a placenta que guardei e fiquei encantada com a minha pequena olhando para ela, a conhecendo, vendo seus detalhes. A AC ajudou a colocá-la no meu peito e ela mamou um tempão. O Will cortou o cordão umbilical. Levei alguns pontos pois tive laceração de segundo grau.
Depois que a levaram fiquei aguardando para ir para o quarto. A sensação de bem estar que eu tinha era incrível. Senti uma energia enorme, acho que faria até faxina se deixassem...rsrs...Me sentia muito bem.
A Beatriz não sofreu nenhuma intervenção e só ficou no berçário por 1 hora. Depois disso ficou em alojamento conjunto e só saiu para ser pesada por 10 minutos.
Nos despedimos das meninas e antes de ir embora a Ana Cris ainda me trouxe um iogurte...Acho que foi o iogurte mais gostoso da minha vida!
Naquele momento não sabia por onde começar a agradecer àquelas duas mulheres maravilhosas que me guiaram...
Encontrei toda minha família esperando para conhecer a Beatriz. Eu estava me sentindo muito bem. Tomei banho sozinha sem auxílio de enfermeira, cuidei da Bia sem nenhum problema. Demos o primeiro banho nela.
Éramos uma atração à parte na maternidade. O casal natureba que teve parto normal. As enfermeiras iam lá ao quarto toda hora para conversar sobre isso.
Depois eu descobri que ficaram algumas enfermeiras e pessoas que pediram para assistir ao parto, pois parto normal lá é raridade.
Tivemos alta no dia seguinte com a Bia super bem e eu também.
É difícil encontrar palavras que descrevam os sentimentos que permeiam esse momento da minha vida. Essa insistência, persistência e desejo de trazer ao mundo minha filha de forma digna.
Foi uma jornada nossa, uma jornada que me ensinou que não controlamos tudo, que estamos sujeitos a fazer escolhas a cada passo que damos na vida e que somos responsáveis únicos por essas escolhas.
Meu primeiro filho, Felipe, me ensinou a ser mãe e a Bia me ensinou a ser mãe de novo, mais madura e consciente agora. Mais centrada e mais atenta aos “truques” do mundo.
Agradeço com meu coração, alma e corpo a todos os que me ajudaram nessa jornada!
Eu sou a Pérola, tenho 31 anos. Sou mãe do Fê e da Bia, esposa do Will.
Mãe convicta e apaixonada pela maternidade.
Escrevo no http://mamaeantenada.blogspot.com
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