20 de junho de 2009

FRENTE DE REPÚDIO AO FECHAMENTO DAS CASAS DE PARTO



Urgentemente, a Parto do Princípio convoca todas as pessoas para assinarem a petição em Protesto contra o fechamento das Casas de Parto no Brasil.

Acessem, assinem e divulguem!
Basta clicar na imagem!

17 de junho de 2009

Nada como mamar!

Recebi o link para esse vídeo em uma lista de discussão e achei muito lindo.
Em espanhol, classificado como impróprio para menores no Youtube, mas enfim.....



A verdade e somente a verdade.

"Se eu te dissesse que há uma nova fórmula que aumenta as defesas do bebê, você daria?
Se eu te dissesse que podemos ter alimento grátis para os 6 primeiros meses do bebê, você acreditaria?
Se eu te dissesse que uma empresa patenteou uma embalagem que mantém a comida fresca por 24 horas, mantendo suas propriedades, você compraria?
Essa fórmula existe.
Esse alimento existe.
Essa empresa existe.a
O leite materno é o melhor alimento para o seu bebê: se adapta a todas as suas necessidades, melhora seu sistema imunológico e ainda é grátis.
Nada como mamãe.
Nada como mamar."

15 de junho de 2009

Saltos de desenvolvimento

Os bebês tem um desenvolvimento muito rápido e muito "estranho" aos olhos dos adultos, mas nem por isso quer dizer que estão com problemas.

Tenho recebido questionamento de mães, com bebês acima dos quatro meses, que acham que seus "anjinhos viraram monstrinhos"...=)

Na verdade, existe uma variante, mas em geral os bebês começam a ter comportamentos bem diferentes do que tinham antes.

Uns começam a se virar e rolar, outros querem ficar mais tempo no colo, outros querem mais atenção, alguns ficam chorões, gritando muito, outros não conseguem ficar em carrinhos ou na cama, pois parece que tem espinhos! O fato é que tudo isso é normal.

Depois que nascem os bebês demoram para perceber que são "agora" um ser único, eles acreditam ainda fazerem parte da mãe, dizem que isso vai até os nove meses de vida fora do utero, e ai o que ajuda muito é dar peito, muito carinho e colo, além de ter muita paciência, porque tudo isso logo passa.

Há pessoas que acham que isso faz "mimar" os bebês, mas eu acredito que a única forma de comunicação de nossos pequenos é o choro/grito, e se eles estão com medo, inseguros, vão usar esse método de diálogo conosco. Se nossa resposta ao choro for uma chupeta, um "pode chorar um pouco", um andador... Acredito que a criança vai entender o seguinte recado:

- Se vira ai vai... Dê um jeito... Eu tenho que cuidar da minha vida e você está me impedindo...

Para nossos filhos crescerem e serem adultos amadurecidos, desde de cedo é preciso acolhê-los nos momentos de insegurança, porque nós mães somos a base e o "porto seguro" deles!

Para quem não sabe, existe uma tabela de Saltos de Desenvolvimento que está na pagina do Soluções para noites sem choro que mostra os período em que os bebês passam por fases críticas de desenvolvimento.

Essa tabela foi retirada de um livro em holândes, dos autores: Hetty van de Rijt en Frans Plooij.(http://www.oeiikgroei.nl/)

Os pesquisadores acreditam que os bebês não se desenvolvem em um ritmo constante, e sim as vezes, dão uma acelerada, outras vezes ficam mais devagar, e no periodo imediatamente antecedente aos "saltos", o bebê se sente perdido no mundo, pois seu sistema perceptivo e cognitivo mudou (segundo os autores, tudo isso pode ser observado neurologicamente), mas ele ainda não se acostumou, então o mundo parece muito estranho...

O que acaba acontecendo é que ele quer voltar a base, ao que é conhecido, então nessas fases, eles ficam mais carentes, precisando de colo, e com frequencia tambem comem e dormem pior. E segundo os autores, depois de algumas semanas essa fase dificil passa e tudo volta a normalidade.

Existe uma certa variação entre bebes, mas a cronologia observada (experimentalmente) pelos autores dos periodos de crise é:

- 05 semanas / 1 mes
- 08 semanas /quase 2 meses
- 12 semanas /quase 3 meses
- 19 semanas /4 meses e meio
- 26 semanas /6 meses
- 30 semanas /7 meses
- 37 semanas / 8 meses e meio (estamos nessa crise agora!)
- 46 semanas / quase 11 meses
- 55 semanas / quase 13 meses
- 64 semanas / quase 15 meses
- 75 semanas / 17 meses

Depois de uma crise o bebê ‘de repente’ começa a fazer coisas que não fazia antes, dá um salto de desenvolvimento mesmo, e também fica mais feliz, o que é um bom sinal para as mães que estão passando por essas "crises" com seus bebês...

Paciência então ai Mães!
Só um pouco de paciencia, que logo passa...=D

11 de junho de 2009

Humanizando o parto....

Vi esse vídeo no blog da Roselene.

Fala sobre a humanização do parto em um hospital público na Paraíba.
É bem didático, mostrando como eles fizeram, o que seguiram.
E também é bem gráfico, com cenas de parto, mesmo. Da vagina se abrindo, o bebê nascendo. De episiotomia, de cesariana.

O melhor, pra mim, foi a felicidade estampada em cada rosto, seja da parturiente durante/após o trabalho de parto, da equipe, dos acompanhantes.
E os dados. Incrível como a coisa pode e deve ser natural, né?

Vale a pena ver.

Aqui.

9 de junho de 2009

Pelo fim da Episiotomia de rotina

A episiotomia é o corte do períneo (região entre a abertura da vagina e o ânus), feito na parturiente, momentos antes do nascimento do bebê.

Episotomia de rotina é o uso indiscriminado do procedimento, como uma regra para todos os partos normais (vaginais). Desde a década de 80 temos suficientes evidências científicas de que essa cirurgia de rotina (corte da vulva e da vagina) não traz benefícios para a mulher, mas sim causa inúmeros problemas de saúde sexual e reprodutiva. Algumas regiões do mundo já reduziram suas taxas de episiotomia a níveis aceitáveis, mas ainda há muito que mudar.

Se for considerado que, de acordo com evidências científicas, a episiotomia tem indicação de ser usada em cerca de 10% a 15% dos casos e ela é praticada em mais de 90% dos partos hospitalares na América Latina, pode-se entender que anualmente milhões de mulheres têm sua vulva e vagina cortadas e costuradas sem qualquer indicação médica.

Um estudo mostrou que o uso rotineiro e desnecessário da episiotomias na América Latina desperdiça cerca de US$ 134 milhões só com o procedimento, sem contar as despesas com as freqüentes complicações.
Fonte: Tomasso et al, 2002.

Pode-se calcular o desperdício daquilo que é quantificável, como litros de sangue, dias de incapacidade, prejuízos na amamentação, material cirúrgico ou simplesmente dinheiro público, nesses milhões de episiotomias inúteis realizadas anualmente. Há ainda o imponderável sofrimento físico e emocional da mulher – além da mensagem de que seu corpo é defeituoso e de que ela será sexualmente desprezível se não se submeter a esse ritual, que supostamente lhe devolverá a "condição virginal".

O abuso das episiotomias
Uma vez que os procedimentos do chamado "parto típico" (isolamento, soro com
hormônio, jejum, episiotomia etc.) são aceitos pelo senso comum como "adequados", tanto os profissionais que os infligem quanto as mulheres que os sofrem tendem a percebê-los como um mal necessário.

O uso indevido da episiotomia e da posterior costura (episiorrafia) é um exemplo de violação do direito humano de estar livre de tratamentos cruéis, humilhantes e degradantes. A episiotomia tem sido indicada para facilitar a saída do bebê, prevenir a ruptura do períneo e o suposto afrouxamento vaginal provocado na passagem do feto pelos genitais no parto normal.

Sabe-se que essa indicação não tem base na evidência científica, mas sim na
noção – arraigada na cultura sexual e reprodutiva – do "afrouxamento vaginal", decorrente do "uso" da vagina, seja pelo uso sexual ou reprodutivo.

Essa representação da vagina "usada", "lasseada", "frouxa" é motivo de intensa desvalorização das mulheres e se apóia tanto na cultura popular quanto na literatura médica produzida por grandes autores brasileiros e internacionais.

Na fala dos profissionais repete-se a crença de que, sem esse corte e essa sutura adicional que aperta a vagina, chamada "ponto do marido", o parceiro se Desinteressaria sexualmente pela mulher ou, no mínimo, por sua vagina.

Essa crença é difundida por muitos autores como, por exemplo, Jorge de Rezende – possivelmente, o maior autor de obras sobre obstetrícia no Brasil – e é, certamente, uma justificativa importante do uso da cesárea:
"A passagem do feto pelo anel vulvoperineal será raramente possível sem lesar a integridade dos tecidos maternos, com lacerações e roturas as mais variadas, a condicionarem frouxidão irreversível do assoalho pélvico".
Fonte: Rezende, 1998.

Vários estudos mostram que a episiotomia e a posterior costura provocam dor intensa. Mesmo nos serviços onde as mulheres não têm acesso a anestesia adequada, elas têm que enfrentar esses e outros procedimentos altamente dolorosos. Nessas situações, as mulheres freqüentemente gemem e choram de dor "do primeiro ao último ponto".
Fonte: Alves e Silva, 2000.

Mesmo sem o conhecimento das chamadas evidências científicas, muitas mulheres sentem-se injustiçadas por essa violência física e emocional. Muitas sofrem mutilações severas e dificilmente reversíveis. Esses casos de aleijões genitais vão depois compor a demanda de outro profissional, o cirurgião plástico especializado em corrigir genitais deformados por episiotomias.
Fonte: Diniz, 2000.

O apelo da episiotomia para "devolver a mulher à sua condição virginal" como proposto por alguns autores na década de 20, teve eco na cultura brasileira. A imagem que o discurso médico sugere é que, depois da passagem de um "falo" enorme – que seria o bebê – o pênis do parceiro seria proporcionalmente muito pequeno para estimular ou ser estimulado pela vagina.

No Brasil, a episiotomia e seu "ponto do marido", assim como a cesárea e sua "prevenção do parto", funcionam, no imaginário de profissionais, parturientes e seus parceiros, como promotores de uma vagina "corrigida". Se as mulheres acham que vão ficar com problemas sexuais e vagina flácida após um parto vaginal e que e a episiotomia é a solução, elas tendem a querer uma episiotomia. Mas, quando as mulheres têm acesso a informação e sabem que é possível ter uma vagina forte por meio de exercícios, elas passam a compreender que a episiotomia de rotina é uma lesão genital que deve ser prevenida e que elas podem recusá-la.

Desde meados da década de 80, há evidência científica sólida indicando a abolição da episiotomia de rotina. Em grande medida, estão disponíveis no país os elementos técnicos, como manuais e normas, para implementar mudanças na assistência ao parto. O que falta é avançar na promoção de mudanças institucionais, para fazer justiça a esses avanços. Essas mudanças exigem a mobilização das mulheres, profunda mudança na formação dos profissionais de saúde, além de coragem e firmeza dos responsáveis pelas políticas públicas.

A garantia de assistência humanizada ao parto – orientada pelos direitos e baseada na evidência – constitui uma importante estratégia na busca da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em um momento tão especial de suas vidas.

Texto de Simone Diniz - Rehuna/SP

E você fez episiotomia em seus partos ou não? Acha que sem o "ponto do marido" a vagina fica "lasseada"?

6 de junho de 2009

Resultado da Promoção Mês das Mães

Demorou, mas enfim, vou divulgar o resultado! =D

Antes de mais nada quero dizer que foi muito bacana ler todos os textos e que todos ajudarão, com certeza, as leitoras que passam por aqui!

A promoção acabou, mas ainda teremos semanalmente novos textos de "convidadas". Portanto quem não participou da promoção, pode escrever e enviar-nos seu texto que continuaremos publicando aqui no blog toda quarta-feira.

Quero também agradecer muitissímo a todos os parceiros que nos ofereceram os brindes, e pedir que vocês leitoras visitem-os e prestigiem também, ok? ;-p

Bebêchila, da Ligia
Uma mochila diferente e muito prática para as mães modernas.

Colinho Sling, da Janaína
Slings de qualidade feitos com amor, como o colinho da mamãe.

Criando Gente, da Flávia Mesquita
Blusas e vestidos lindíssimos e modernos para as mães que amamentam.

Sushicast, do Caco
Um blog de postcasts "irado", que leva informação, "regada" a muito bom humor.

Essência do Banho, da Márcia Golz
Produtos para o banho e afins, feitos artesanalmente.

BabySlings, da Bettina
Fraldas de Pano, Babadores, Slings e muito mais produtos que visam acima de tudo, a preservação do planeta.

E chega de enrolação e vamos às premiadas!

5º lugar - Quem vai receber o livro Meditação para Grávidas, presente do nosso blog é a Kátia Barga, que fez o texto: "O parto normal e a montanha russa"

4º lugar - Quem vai receber Um kit com Shampoo, Condicionador e Sabonete da Nativa Spa Equilibrar, presente do Sushicast é a Pitty Arai, que fez o texto: "Shantala, suaves Toques de Amor"

3º lugar - Quem vai receber Uma blusa de Amamentação, presente do Criando Gente é a Valéria Favaretto, que fez o texto: "Engravidando"

2º lugar - Quem vai receber um sling, presente da Colinho Sling, é a Patricia Martins, que fez o texto: "Tentativa de um parto natural após cesárea"

1º lugar - Quem vai receber uma Mochila, presente da Bebêchila, é a Kelly Yamada, que fez o texto: "Plantando no Japão - Mini horta Orgânica

Eu gostaria de premiar a todas, mas infelizmente não posso! =(

Quero dizer que foi muito difícil escolher as vencedoras, e que o principal critério de julgamento foi a "originalidade" do texto e preocupação em propagar humanização.

Íamos dar um pequeno brinde as 10 primeiras que nos escrevessem e decidimos dar a todas as outras 15! =)

Todas vão receber um brinde da Baby Sling (um lindo babador) ou da Essência do Banho (sabonete, sais de banho ou hidratante).

Enviem-me, o mais rápido possível, seus endereços por e-mail!

Agradeço as "escritoras", leitoras e sites parceiros pela colaboração!

Continuem conosco! ;)

5 de junho de 2009

Tentativa de um parto natural após cesarea

Este é um relato de uma dura prova que passei para tentar um parto natural após cesarea, em Arequipa, no Peru.

Tive 2 cesáreas antes da atual gravidez, uma por não ter “passagem” e outra porque já tinha a primeira. Isso aconteceu no Brasil.

Atualmente moro no Peru e aqui fiz meu pré-natal normalmente, mas no final da gestação, nenhum médico aceitou esperar por um trabalho de parto na “minha situação”. Não encontrei parteiras dispostas a tentar também, apenas uma obstetriz aceitou me acompanhar no pré-natal. Mas eu não me dei por vencida, mesmo sem o apoio de um “profissional”, fiz de tudo para lutar por meu parto até o ultimo momento.

No dia 02 de maio, sábado a tarde eu não me sentia bem e pensei que fosse pelo stress da semana que havia sido difícil, tinha tido muita pressão no trabalho e estava muito esgotada.

Mandei meu filho menor para dormir na casa da sogra e ficamos apenas com o mais velho.

Naquela noite, não consegui dormir. Não conseguia respirar direito, tinha muita dor de cabeça e aflição. Esperei até as 5:30 da manhã e fomos para a emergência da clinica San Juan de Dios.

Assim que cheguei, vieram vários enfermeiros e os médicos de plantão para me examinar e perguntando sobre tudo. Havia um enfermeiro que era nosso “conhecido” também e logo chamaram meu obstetra por telefone. Disseram-lhe que era para vir rápido porque eu estava com sinais de pré-eclampsia...

Eu estava desesperada, e escutava só a palavra "cesarea".

Finalmente ouvi: preparem uma sala que vamos subir de imediato, é caso para cesárea de emergência...

Em meio a essa confusão, ninguém havia se quer medido minha pressão arterial, apenas levaram em conta aquilo que eu havia dito. Então meu esposo pediu que medissem-na, e o resultado foi 140/90, como estava em casa.

Chamaram outro doutor que veio e começou a fazer uma série de perguntas: de quantas semanas de gestação eu estava, do meu histórico clinico e etc...

Disseram que meu obstetra havia ido ver uma paciente sua, quando soube de minha entrada na emergência. Eu pedi que não me fizessem cesárea antes de ter certeza que era um quadro de pré-eclampsia e pedi para ver também como estava o bebê, pois havia um enfermeiro que não conseguia ouvir o bebê e me apavorou perguntando se eu tinha certeza de que ele se mexia, além de “ouvir” minha artéria ao invés do coração de meu filho e disse que ele estava em sofrimento...

Bem, depois que o médico viu que fizeram toda essa confusão comigo e que minha pressão foi para 155/114, mandou chamarem outra vez meu obstetra.

Me deram uma pastilha de nifepidino ali mesmo, que tomei e me deu reação alérgica dentro de 20 minutos. Eu já não podia respirar novamente, pois sou alérgica a esse medicamento.

Enfim meu médico me chamou por telefone e me disse que se eu quisesse fazer a cesárea ele viria, pois estava com os filhos com crise de asma, mas que se não fosse assim, ele me deixaria a cargo do médico de plantão, mas eu deveria decidir naquele momento. Eu agradeci sua atenção e sinceridade, e disse que não faria a cesárea, e pedi que me fizesse o favor de solicitar o exame de proteína na urina para saber se eu tinha realmente o quadro de pré-eclampsia, porque do contrario, só queria um tratamento para equilibrar minha prssão arterial.

Fizeram o exame e deu negativo!

Assinei uns papéis pois não queriam me deixar sair do hospital e voltamos para casa as 10 da manhã.

As 11 horas comecei a sentir fortes contrações, calafrios e fortes dores de cabeça, um mal estar geral e chamei a obstetriz que estava de plantão em um hospital e logo foi me ver com um amigo obstetra que trabalha com ela.

Me disseram que deveria ir para a clinica imediatamente e meu esposo ficou desesperado! Fomos os três.

Chegamos lá e me colocaram ocitocina para induzir o parto (disseram que eu ficaria 8 horas com o soro) e que tentariam o parto "humanizado" que eu tanto queria (???). Se não houvesse dilatação nesse tempo eles fariam a cesarea.

Eu eu meu esposo não sabíamos o que fazer e aceitamos, mas no meu interior eu sabia como ia terminar esse processo artificial em meu corpo, mexendo com meu emocional e psicológico...

Bem começamos as 11:36 da manhã e as 3 da tarde eu já não agüentava mais, tinha contrações a cada 3 minutos, defecava em cada contração... Um toque, outro toque... No total foram 6 toques, muito incômodos, e nada de dilatar, o colo do utero estava posterior...

Eu disse ao médico que estava muito cedo para o parto e que estava com 39 semanas e 3 dias, meu organismo não estava preparado para o parto, sintei que por isso não respondia mecanicamente e não dilatava.

O médico me disse: Se vêm as contrações e teu colo não dilata é porque não vais dilatar nunca e você precisa realmente fazer a cesárea. Vou esperar até as 7:30 da noite, se não dilatar, cesárea amanhã cedo as 7 da manhã...

Imaginem: passei uma noite toda sem dormir, me tiraram a ocitocina as 7:30, até as 10 da noite as contrações seguiram ritmadas e fortes, depois na madrugada começaram a espaçar e as 4 da manhã ficaram a cada 40 minutos, depois cessaram...

Na madrugada, comecei a chorar quando fui tomar banho e pedi a Deus todo Poderoso, clamei para que Ele por favor me tirasse daquela situação, porque eu não tinha mais forças para lutar...

Meu esposo dormia na cama ao lado da minha, alguns amigos vigiavam também em oração e estavam o tempo todo conosco.

Pela manhã meu marido foi trabalhar e eu fiquei sozinha outra vez. Ouvi uma enfermeira dizer:

- La senõra Patricia Martins del cuarto tal hay que prepararla que ya viene el doctor con el equipo, estan con todo marcado para la cesarea, ella tiene su obstetriz particular que tambien va a acompañar la cirugia, entró con un cuadro agudo de pre-eclampsia, le hicieron induccion por ocho horas, no hubo respuesta, decidieron por la cesarea para salvar el bebe que esta en sufrimiento...

Escutei isso e pensei: que coisa, eu estou com pré-eclampsia e meu bebê em sofrimento? Desde quando? Como sabiam se estavam monitorando a todo tempo e seus batimentos estavam normais?

Nesse momento senti como que a voz de Deus me dissesse: "Reaja! Não se submeta a essa situação, pois és forte e valente e deixe que do resto eu me encarrego."

Então me decidi: Não vou aceitar isso!

O médico chegou com as enfermeiras e todo o aparato para prepararem-me para a cirurgia e eu pedi para falar com ele em particular. Comecei a chorar e não me lembro exatamente o que disse, mas disse que não ia fazer a cesárea e lhe pedi mais uma oportunidade, disse que havia falado com meu esposo e que nós dois queríamos isso. Agradeci por tudo e disse que só queria aquela oportunidade pois sabia que o bebê estava bem e eu também, e ele aceitou! Ficou sensibilizado e nisso chegou a obstetriz, ao que o médico lhe disse:

- Ven, entra que cambiamos los planes porque nuestra comadre aqui no quiere hacer la cesarea, nunca en mi vida profesional he visto a una mujer querer tanto asi un parto vaginal, nunca, jamas he visto eso en toda mi profesion, asi que voy a atender a su pedido, por favor acompañala a la clinica de Atahualpa para que le hagan una eco con flujometria doppler, quiero saber como esta todo con el bebe, las condiciones de la placenta y su oxigenacion, etc, etc, y para descartar una hipertension patologica del embarazo, si está todo bien, yo le daré de alta y la mandaré feliz a la casa...

E assim foi. Fizemos os exames e o bebe estava excelente, tudo normal e perfeito. E eu me senti vitoriosa por ter vencido essa prova!

Naquela semana fiz acupuntura para controlar a pressão que passou a 120/70 e cuidei da dieta alimentar também. Fiz repouso e recebi muito amor do esposo e dos filhos. Fiquei feliz em minha casa!

No dia 6 de maio acordei as 3 da manha meio mal, mas tinha dormido como um anjinho, esta tal acupuntura estava uma maravilha mesmo, minha pressão 120/70. Tudo estava legal. Eu comecei a sonhar com menstruação e acordei essa hora incomodada com umas cólicas chatinhas, chatinhas e fui para cozinha. Comi, fiz xixi e nada. Dormi de novo.

Acordei as 7:30, perdi a hora, tinha que arrumar o Viny para ir pra escola. O Fabian (marido) já tinha ido dar aula desde as 7, e eu continuava sonhando com a tal cólica... (!)

Fui fazer xixi de novo e surpresa!!! Bastante muco amarelo com aquele cheirinho de parto no ar... obaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Dei mil pulos de alegria!!!

Estive toda a metade do dia perdendo esta geleinha. No começo bem abundante, depois bem menos. Até meio dia já tinha bem pouquinho, com uns filetes de sangue...

As contrações começaram as 9 da manha, no começo mais fracas, depois no final da tarde mais fortes e num ritmo mais regular, em torno de 20 a 15 minutos cada uma, com duração de 40 a 60 segundos cada...

Fiz exercícios durante e nos intervalos das contrações, e procurei ter um dia "normal". Sai, levei o filho na escola, voltei, arrumei coisinhas em casa. Sai fui na minha acupuntura a tarde e a noite a coisa pegou mesmo. Pensei: acho que agora vai!!!

Passei a madrugada entre pequenos cochilos e muitas contrações.

Pela manhã, meu marido ligou para a obstetriz que veio rapidamente me ver e me deu um banho de água fria. Eu estava com 1,5cm de dilatação apenas.

Fui para o chuveiro tentar relaxar um pouco, para tentar descansar também.

A obstetriz começou a querer me fazer ir para o hospital mas eu não queria e perto do meio dia, do dia 07 de maio, liguei para Ana Cris, parteira do Brasil.

Conversamos com ela duas vezes, eu e o Fabian. Ela nos orientou, deu pito e tudo, eu mandei todo mundo embora da minha casa como ela falou, fui pro chuveiro, fiquei lá uma hora, voltei, dormi por uns 20 minutos, e a coisa ficou insuportável!

Ela havia me dito para ir para o hospital na hora em que eu sentisse que o mundo ia acabar, e o mundo ja estava acabando, isso umas 4:30 da tarde. Confesso que desde as 2 da tarde eu já estava sei lá em que mundo viu... hahahahaha

Começou a dar um desespero no meu marido, porque eu já não tinha mais forças, as dores estavam muito encima uma da outra, eu só ficava agachada, de cócoras já não conseguia mais, ficava de quatro e só chorava baixinho, e respirava na dor, era uma atrás da outra.

Ele começou a chamar o povo, uns amigos, e eu não queria ninguém no quarto comigo. A gente começou a discutir, ele respeitou, mas todo mundo ficou lá embaixo no primeiro andar, na sala, na cozinha, mas todo mundo muito nervoso. Eu não tive apoio emocional em nenhum momento, eu me senti muito sozinha, não culpo o Fabian, mas ele não deu conta do recado junto comigo não, ele ficou muito, mas muito nervoso, e eu me fechei numa concha, comigo mesma, e só contei com minhas forças e com Deus.

As 6:30 da tarde, eu sozinha, sem ninguém, nem obstetriz, nem nada, sem saber a quantas andava a coisa, porque a dor era muita, só sabia que até as 2 da tarde só tinha 4 de dilatação, a obstetriz fez o descolamento da membrana e foi embora, porque discutimos eu falei para ela ir embora.

Nessa hora entra uma amiga minha, mulher do pastor da igreja, entrou sem pedir permissão nem nada, mas ela entrou no quarto, eu estava sentada na beira da cama, com uma cara de meio morta meio viva, só pegou na minha mão e olhou pra mim com um olhar de anjo, eu pensei que eu ia morrer, ficamos uns minutos em silencio, ela só comentou que o marido dela estava vindo do aeroporto que tinha ido buscar alguém lá, então depois de pensar e orar uns minutos eu falei pra ela:

- Me levem para o hospital, que eu não estou agüentando mais não... eu não quero ir, realmente eu não quero, mas eu acho que tenho que ir agora...

Cheguei na emergência do hospital, quinze para sete da noite do dia 7, me examinaram e fizeram mais um maldito toque e o medico de plantão disse:

- Ah, já esta com 7 centímetros, vai nascer em no máximo duas horas, lá pelas oito, oito e meia já nasceu, quem é seu medico?

Respondi:

- Não tenho medico, meu medico me abandonou no ultimo mês da gestação porque não queria fazer meu parto, queria marcar cesárea!

E ficou aquele clima, todos se entre olhando...

Sairam, confabularam, e voltou uma enfermeira, falando se eu queria um medico ou uma medica...

Naquela altura do campeonato, quem pode raciocinar, com tamanha dor, uma contração de minuto em minuto, eu falei qualquer coisa, nem lembro, mas só sei que em 15 minutos chegou uma medica, justo a primeira com quem eu tinha feito consulta de pré-natal e tinha detestado e nunca mais voltei... Não acreditei!!!

Nesta hora eu nem sabia, se ria ou chorava, eu só falei:

- Meu Deus, estou nas tuas mãos, porque nem sei o que vai acontecer aqui comigo neste lugar, só peço que cuides de mim e do meu filho, por favor...

Me levaram numa cadeira de rodas para o quarto andar, numa sala de dilatação, me colocaram em vários aparelhos, me colocaram soro, eu deitada, pedi pra pelo menos me subirem um pouco a cabeceira da cama, quem agüenta parir deitada? A dor fica insuportavel!!!

Passados uns vinte minutos entra a doutora, a obstetriz do hospital comigo, segurando na minha mão, a dor insuportável, mas eu só respirava, estava firme, pensando, meu filhote vai nascer daqui a pouquinho e tudo vai terminar...

Vem a doutora examinar o monitor fetal e os batimentos estavam baixando a 120, 110, daí que foi o meu fim...

Ela esperou mais 20 minutos, vieram três contrações fortíssimas e estourou a bolsa, estava com mecônio, bastante mecônio amarelo...

A doutora já pegou o celularzinho dela e começou ligar pra anestesista, auxiliar e tudo...

Eu comecei a chorar e já imaginei a palavrinha: cesárea!

E pensei: De novo como no meu primeiro filho!

A médica se aproximou e me disse:

- Patricia, filha, olha, tenho só duas opções para você, fórceps ou cesárea, você está muito, mas muito esgotada, ainda temos mais ou menos umas duas horas de expulsivo, o bebe é grande, está entrando em sofrimento, filha você vai ter que escolher...

Então eu disse:

- Cesarea doutora!!!

Chorei muito...Mal enxergava a doutora de tanto que chorava, mas eu falei, eu falei cesárea!!!

Me prepararam e me levaram para sala e foi a pior cesárea que alguém poderia ter!

Não conseguiam me dar a maldita anestesia, de tantas contrações que eu tinha, eu não podia ficar quieta, depois me deram a peridural, antes eu tinha tomado a RAC.

Eu sentia os cortes, eu gritava, eu chorava... O medico auxiliar me mandou calar a boca, daí eu chorava ainda mais!

Tiraram o Heitor e já cortaram imediatamente o cordão e levaram-no para aspirar. Ele não respirava e tiveram que ressuscitar.

A anestesista fala assim bem alto:

- Ah, tá morto...

O Fabian ajoelhou-se no chão e começou a orar chorando, e eu ali, deitada, imóvel sem poder fazer nada, e percebendo que meu filho não reagia, depois de 16 minutos ele começou a respirar, mas antes ficou todo roxo! Deu um miadinho feito gato...

Eu fiquei com os olhos fechados e orando. Percebi que ele nasceu cor de rosinha, inclusive o Fabian filmou, mas depois, quase me jogaram no teto para tirar ele, de tanto que me chacoalharam. Também usaram uns ferros para tirar ele que chegou a ficar com um galo uns 15 dias na testinha. Foi medieval...

Levaram-no para UTI neonatal, onde ele ficou por três dias e eu não pude vê-lo, mas graças a Deus ele ficou bom e viemos para casa no quinto dia. Não “arredei pé” do hospital sem ele! Me neguei a sair sem ele.

Depois de tudo, a doutora falou que ele estava demorando pra nascer porque estava com duas circulares do cordão na perninha esquerda que isso estava impedindo ele de sair, mas não sei se acredito, porque no dia anterior eu fiz uma ecografia completa dele e não tinha nada disso e acreditem, depois disso tudo a ecografia desapareceu! Evaporou! Ninguém soube onde foi parar. Que esquisito não?

No final, todo mundo queria botar a culpa em mim do bebe estar mal, no fato de eu ter ficado em casa desde o inicio e só ter procurado o hospital na ultima hora. As enfermeiras, médicos, todos me trataram muito mal, como se eu fosse uma mãe assassina, negligente. Me senti horrível!!!

No dia seguinte entra no meu quarto o meu antigo medico, entrou e se aproximou da cama e pediu perdão. Me abraçou, e falou que tinha ido ver o Heitor na UTI e que lamentava tudo o que tinha acontecido. Que ele não queria isso mas que minha teimosia tinha levado a tudo isso mas que enfim agora ele só desejava uma boa recuperação para mim e para o bebe...

Depois de tudo isso, quando voltei para checagem de rotina da cirurgia, recebi uma bomba: a médica me fez laqueadura!!!

Quase morri, quase tive um treco! Fiquei péssima!

Ela se justificou falando que pensava que eu ia ficar feliz, por não ter que passar de novo por tudo que eu passei!

Depois da cirurgia me deram um remédio e eu capotei, só acordei no dia seguinte no quarto, por isso não soube de nada.

Ela disse que meu útero estava muito fininho e que com a minha pressão alta este quadro era muito critico que o melhor nestes casos e pela minha idade (36) para se evitar problemas futuros de uma gravidez de alto risco era fazer a laqueadura... E resolveram fazer na hora.

Não acreditei que fizeram isso comigo!

Me sinto acabada, estou me sentindo roubada, estou revoltadíssima!

Meu marido não assinou nenhuma autorização para isso!

Achei um crime o que fizeram comigo, mas eu não estou no meu pais, nem posso reclamar de nada... Só me sinto muito, mas muito mal...

Eu lutei muito, com todas as minhas forças e gostaria de dizer as mulheres que lutem e que encontrem profissionais competentes e de confiança para lhes ajudar em seus partos.

Não me dou por vencida, falei para o meu marido que se eu quiser ter outro filho, vou a luta, vou fazer inseminação artificial, sei la, vou atrás, e ainda vou lutar pelo meu parto, isso sim, mas vou dar um tempo pra respirar e recuperar, daí vou planejar tudo desde o começo.

Acredito que ainda vou dar uma reviravolta nesta historia!

Patricia Martins é casada com Fabian e tem três filhos. É brasileira e mora em Arequipa, no Peru.

Uma história de amamentação diferente...

Meu filho nasceu de parto normal quando completei 40 semanas de gestação.

A gravidez foi tranquila, e aproveitei os quase dez meses para me informar sobre todos os desafios que viriam.

Desde os primeiros dias, já tive dificuldades com a amamentação, em conseguir estimular a produção de leite e ajudá-lo a fazer a pega correta.

Eu realmente não tive ajuda de ninguém, nem da família, nem do marido, e estava passando por momentos muito difíceis pós-parto. Me sentia muito sozinha, e só não me entreguei a depressão porque meu filho era minha maior alegria, e eu queria ser forte por ele.

Apesar de ter me preparado, me vi entrando em desespero após mais de um mês fazendo de tudo para alcançar meu objetivo. Mas o leite não descia, era muito pouco, ele tinha fome, eu estava sozinha... Enfim, sofri muito e recorri à mamadeira.

(Aqui, um parentesis: esse assunto ainda é um pouco delicado para mim, pois foi nesse momento em que eu estava mais vulnerável, que algumas pessoas aproveitaram para dar palpites e mais palpites, me julgar e me desanimar totalmente. Ainda guardo alguma mágoa disso, pois agora percebo que a intenção deles não era me ajudar. Mas, deixa pra lá...)

Nas primeiras vezes que recorri à mamadeira, eu me sentia muito mal, sentia que tinha fracassado, que estava falhando com meu filho. Estava atormentada pelo sentimento de culpa.

Eu tinha me alimentado bem, me exercitado durante a gravidez, lido inúmeros livros, textos, ido a palestras, conversado com outras mães, enfermeiras, e não estava conseguindo realizar um grande desejo meu. Uma coisa corriqueira, que milhões de mães fazem todos os dias...

No nosso primeiro dia das mães, sozinha em casa com ele, preparei a mamadeira e me sentei na cama, com ele no colo. Comecei a dar a mamadeira, num gesto quase automático, segurando as lágrimas, com pensamentos horríveis na cabeça…

Foi quando meu filho, mamando com vontade, de repente parou e colocou a mão na minha mão. Olhei para ele e percebi que ele estava me olhando fixamente. Foi um momento tão simples, tão único, muito especial entre nós… foi quando eu percebi que o fato de não ter conseguido amamentar não iria mudar o vínculo que tinha com meu filho. Foi como se ele estivesse me dizendo que me perdoava e que estava bem.

A partir desse momento, insisti um pouco ainda na amamentação, sem sucesso, e decidi que isso não iria ser um problema. Dei muita mamadeira para o meu filho, sempre com muito carinho, olhando nos seus olhos, fazendo carinho, cantando, transformando esses momentos em lembranças muito especiais…

Quero deixar claro que sou 100% a favor da amamentação, mesmo não tendo dado certo para mim. Por isso resolvi falar um pouco sobre esse assunto, e aproveitar para participar da promoção.

Meu nome é Ana Paula, tenho 25 anos, trabalho como funcionária pública e tenho um filho de 03 anos. Sou separada, moro no interior de SP e procuro fazer o melhor para o meu filho. Acredito em parto normal, amamentação, cama compartilhada, e em buscar uma vida mais simples e natural.