Quando realizei uma pesquisa sobre as condições de atendimento no pré-natal e parto aqui no Japão, a quantidade de ultrassons realizada me assustou bastante.Embora não existam estudos comprovando efeitos colaterais desse exame, já existem algumas evidências de que gravidas que realizam muitos ultrassons tem bebês que apresentam algumas 'peculiaridades' como por exemplo, meninos que nascem 'canhotos'.
O artigo abaixo foi escrito pela Enfermeira-Obstetra Ana Cris Duarte, em resposta a uma mãe que questionou a necessidade de realizar vários ultrassons durante a gestação:
"Há controvérsias sobre a quantidade ideal de ultrassons a serem realizados.
Mesmo médicos pouco intervencionistas, com altas taxas de parto normal, sentem-se confortáveis com pelo menos 2 ou 3 ultra-sons.
O primeiro precoce, com 7 ou 8 semanas de gravidez, para saber a data provável do parto. Parte do pressuposto que a data da última menstruação pode estar errada ou a ovulação não ocorreu quando se imagina ter ocorrido.
Assim eles se sentem mais seguros para não intervir numa gravidez que chega perto de 42 semanas. Também acham importante para excluir a possibilidade de uma gravidez na trompa, por exemplo. Na minha opinião, não se deve intervir numa gravidez que chega perto de 42 semanas se tudo está correndo muito bem, e deve-se intervir caso haja algum problema, independente do que o ultra-som precoce diz. Quanto à gravidez ectópica, existem sintomas que indicam que está havendo um problema. O médico só precisa estar atento ao sintomas declarados pela mulher.
O segundo é o morfológico, para detectar problemas no bebê. Bom, sobre isso já falei. Os problemas não são assim tão solúveis como se imagina. Para cada bebê salvo numa operação intra-útero, matar-se-ão 4 ou 5. Para cada bebê tirado precocemente para solucinar problemas, 2 ou 3 morrerão e outros 2 ou 3 ficarão seriamente sequelados para o resto da vida, depois de terem sido torturados durante meses em UTIs neonatais.
Saber antes que o bebê tem um problema para poder se preparar?
Bom, a semana toda discutimos isso...
Acho que o morfológico se aplica a pessoas que pensam em interromper a gravidez precocemente caso o bebê tenha malformações graves ou que inviabilizem a vida, por exemplo anencefalia. Para casais que não interromperiam a gravidez sob nenhuma hipótese, essa vantagem deixa de existir.
O terceiro é no final da gravidez para verificar placenta, líquido, etc..
Esse é o menos importante na opinião de médicos que pedem poucos ultra-sons, porque as melhores informações são aquelas fornecidas pela clínica, apalpação do ventre, medida do útero, etc..
Lógico que estamos falando de uma gravidez normal, onde o bebê cresce normalmente, o líquido parece estar em quantidade normal, os batimentos cardíacos estão normais, etc, etc.. O ultra-som é uma ferramenta excelente para confirmar diagnósticos ou suspeitas feitas através da clínica.
Por exemplo se o bebê não cresceu de uma consulta para outra, pode indicar um problema e alguns exames podem ser muito úteis.
Mas pela revisão da Biblioteca Cochrane de Evidências Científicas, o ultra-som em gestações normais não trouxe melhora nos resultados NAS GESTAÇÕES DE BAIXO RISCO E SEM INTERCORRÊNCIAS. O ultra-som de final de gravidez para acessar maturidade da placenta parece ter "algum" resultado promissor, mas a falta de informação sobre efeitos psicológicos do exame nas mães não dá segurança em relação a essa recomendação.
Na minha opinião, acho que o único ultra-som realmente justificável numa gravidez de baixo risco é aquele para determinar o sexo do bebê, quando for de vontade do casal.
Um aparte seria à quem tenha gestação gemelar onde alguns exames são necessários ao longo da gravidez. O ultra-som é um deles... Ele vai avaliar se os gêmeos compartilham a placenta, por exemplo, entre outras coisas..."
Em poucas palavras, o ultrassom é uma otima ferramenta quando existem real necessidade, mas fazê-lo de rotina, quando muitas vezes só vai trazer 'angústia' com resultados pouco conclusivos, pode acabar sendo um mal e uma ferramenta para torturar os pais e inclusive forçar cirurgias desnecessárias antes do tempo.
Há de se pensar nos riscos (ainda não comprovados) e na saúde mental da família. Vale a pena só para ver o rostinho do bebê?
E você o que acha da grande quantidade de ultrassons realizados hoje em dia?
