23 de fevereiro de 2010

O que é "Placenta" e o que fazer com ela após o parto

“ A placenta é um órgão presente na maior parte dos mamíferos, através do qual ocorrem as trocas entre a mãe e seu filho. É formada pelos tecidos do ovo, embriologicamente derivada do córion. Através da placenta o bebê "respira" (ocorrem as trocas de oxigênio e gás carbônico), se "alimenta" (recebendo diretamente os nutrientes por difusão do sangue materno) e excreta produtos de seu metabolismo (excretas nitrogenadas). A placenta é também órgão endócrino importante na gravidez, envolvida na produção de diversos hormônios: progesterona, gonadotrofina coriônica (HgC), hormônio lactogênio placentário, estrogênio (principalmente o estriol), etc .

É um órgão incrivelmente precioso e completo, sendo também o único órgão “usa e joga fora” que temos. Representa as raízes da criança no terreno da mãe. É feita de dois organismos diferentes e incompatíveis, mas funciona como um único órgão, em completa harmonia. Faz todas as funções de um corpo humano. É o pulmão, fornecendo à criança o oxigênio e todas as trocas gasosas; é o coração, ajudando-a a movimentar a massa sangüínea e mantendo a circulação entre ela e a mãe; é o rim, depurando e regulando os líquidos em seu corpo; é o aparado digestivo, procurando e fornecendo comida; é a glândula endócrina, produzindo todos os hormônios necessários à manutenção da gravidez e ao crescimento da criança; é cérebro, guiando com inteligência o sistema informativo entre mãe e bebê, e elaborando todos os dados; é o sistema imunológico, fornecendo à criança anticorpos, linfócitos e macrófagos, as grandes células que podem destruir ou construir o tecido, os monstros tão temidos pelo embrião; é também a fonte do líquido amniótico e o renova a cada duas horas completamente.

A placenta é um órgão ativo, tem capacidade de bombear glicose e oxigênio para a criança, conforme suas necessidades. Até o nascimento faz parte integrante do corpo da criança, também na sua parte materna. A placenta conserva o grande segredo da contemporânea unidade e dualidade entre mãe e bebê.

No momento do nascimento, a placenta continua desenvolvendo todas suas funções, ajudando a criança a regular seu metabolismo e seu organismo até o ponto de equilíbrio; a partir daí ela pode seguir autonomamente. Quando os pulmões respiram, quando o coração consegue regular a circulação sozinho, quando a criança recebe açucares, substâncias nutritivas e anticorpos do seio materno, quando os ácidos produzidos pelo parto são descarregados e os rins da criança funcionam, então (e somente então) pode-se deixá-la. Naturalmente, se o cordão permanecer íntegro.

Quando a criança não precisa mais da placenta, não somente interrompe a comunicação, e, portanto a circulação, mas faz destacar a placenta do corpo materno e a faz expelir. Somente então é o momento para cortar o cordão umbilical.”

Nas diferentes culturas as mulheres encontraram formas de guardarem uma recordação desse orgão tão importante.

Algumas fazem um agradecimento por escrito, como esse texto maravilhoso que a Kathy escreveu no mamiferas: Carta a minha placenta.

Outras usam-na como adubo para uma nova arvore frutifera no quintal de casa e associam o nascimento do filho aquela arvore.

Outras pessoas fazem um quadro, usando o sangue da placenta como tinta para a impressão ou tintas de cores diferentes e conseguem fazer essa linda "arvore da vida".


Agora aqui uma novidade que encontrei num site americano, um urso feito com a placenta. Não é o máximo?!



De qual idéia vocês gostaram mais?
Qual delas você optaria para dar o fim a sua placenta?

Texto inicial retirado do site Morada da floresta.

12 de fevereiro de 2010

O tema "parto" está na mídia, mas estão falando muiiiiiiita bobagem

Depois que a Gisele divulgou que pariu em casa, a mídia toda está falando sobre parto natural, parto em casa, parto na água, mas a maioria das coisas que falam é pura "balelaaa"!

Os entrevistadores, os jornais e as revistas convidam médicos e profissionais que não estão nem um pouco familiariados com o Parto Humanizado e eles falam o que pensam sobre riscos e problemas sem dar nenhum embasamento cientifico ou citar estudos, dizem o querem sobre coisas que não existem na verdade.

O que esses médicos não querem é perder suas "cesareas agendadas" e suas clientes "mal informadas". Querem continuar passando falsa informação por ai sem serem incomodados, isso como se não bastassem as novelas que nunca apresentam um "parto de verdade", e desta forma só desinformam.

Essa semana a Ana Maria Braga fez uma entrevista uma mulher que teve parto natural aquático no hospital e uma médica a favor do parto natural que falou coisas positivas sobre o assunto.

A entrevista foi boa, tirando algumas coisinhas, como por exemplo a mulher falar que o parto foi demorado e por isso não poderia ser em casa (o que não tem nada a ver) mas enfim...

Vale a pena ver a entrevista, porque mesmo quem não encara um parto domiciliar por algum motivo, pode perceber com outro olhar o parto natural aquático.

4 de fevereiro de 2010

Você quer parto natural? Você é louca???

Por Isadora Franco

Como é horrível essa pressão de todo mundo te chamar de louca e colocar essa
energia horrorosa pra cima da gente quando falamos que vamos parir naturalmente, mas já estou tão acostumada com isso com meu pouco tempo de vida...

Já conheci tanto disso, que só a minha mãe eu não consigo mandar para aquele lugar (hehe, minha mãe é um problema na minha vida)...

Um dia a gente acaba encontrando gente "que-nem-a-gente" (foi assim que encontrei meu noivo, que é um companheiro mais louco que eu até...hehehehe) e acaba encontrando um lugar onde pode debater saudavelmente e sem julgamentos.

Sobre essa questão do julgamento alheio sobre os NOSSOS partos, eu tenho muito, muito, muito o que dizer...

Estamos numa cultura que nos arranca direitos enquanto mulheres e seres humanos, e em relação ao parto, eu acredito que isso se manifeste em duas vias:

A primeira é a medicina "científica" e alopática, tão arrogante e que tanto combina com esse jeito maluco que vivemos hoje, em que se combinam séculos e séculos de tabus em relação ao corpo, que nos fizeram fechar os olhos e não prestar atenção em nós mesmos.

Com o ritmo louco de trabalho e vida que levamos, em que trabalhamos muito mais do que ficamos com as pessoas que amamos, fazendo o que queremos, só podemos entender de uma coisa se não temos um canudo da medicina: não somos capazes de compreender e escolher o que fazer com nossa saúde.

A medicina atual buscou suas fontes em nossas avós e nossos indígenas, deles expropriou o conhecimento e nas nossas matas se embrenha para fazer lucro, muito dinheiro.

Existe uma cultura que sustenta isso, que sustenta a ideologia da cesárea e das intervenções, assim como a cultura de se tomar mil analgésicos e não suportar a dor.

Essa concepção de dor como algo insuportável me parece muito conveniente tanto a indústria farmacêutica como ao ritmo louco de trabalho ao qual estamos submetidos, em que não nos é permitido seguir o ritmo do corpo.

A segunda razão é o machismo que ainda permeia nossas mentes. Simplesmente somos vistas como seres quebrados e passíveis de problemas, nosso corpo é tratado como uma coisa hiper frágil o tempo todo, e agora além de tudo somos tidas como incapazes de fazer algo para o qual fomos projetadas: o parto.

Como se já não bastasse nos dizerem que somos menos capazes na escola (isso é sério, tem muita pesquisa falando de "fracasso" escolar atribuindo o "fracasso" das meninas a uma certa incapacidade natural, quando na verdade, a maior fracassada é a escola, mas isso é outra história), que somos incapazes de ter força física e nos defender sozinha, que somos incapazes de dirigir bem, incapazes de sentir prazer sexual, incapazes de sermos amigas (ai, como eu odeio quando falam que amizade de mulher não existe!!), agora vem me dizer que eu sou incapaz de PARIR??????

Desde que os primeiros homo sapiens apareceram, as mulheres estão parindo, que palhaçada é essa agora???

Pois é, séculos e séculos de machismo na construção de nossa sociedade, séculos de machismo, construíram nossa educação de hoje, e brigar com isso é, dentro de nossas
próprias mentes, muito, muito, muito difícil, mas é necessário!!

Precisamos nos unir, precisamos conversar, expor tudo o que sentimos, lutar e nos dar força, segurar as mãos umas das outras, e aí levantar a bandeira da dignidade e da vontade.

Na verdade, há umas décadas atrás, parto era uma coisa horrorosa de verdade, feito por pessoas com pouca ou nenhuma experiência em parto. Imaginem uma freira e seus tabus ultra-machistas e anti-sexuais da Igreja numa coisa tão sexual como um parto, é quase um estupro! Nesse contexto, estando ainda numa sociedade machista, médicos de branco te cortando sem sentir nada, frios que nem uma pedra, são realmente melhores!

As pessoas estão bem acomodadas paradas, sem lutar, numa eterna anestesia, num marasmo, numa frigidez, e depois não sabem de onde vem a maior enfermidade de hoje: a depressão.

Sentir é, na nossa sociedade, uma coisa proibida, uma coisa que atrapalha, um problema, um tabu. Dor e prazer são coisas indissociáveis, são consequência de estarmos de coração e corpo e alma abertos para o mundo e focados em nós mesmos.

Hoje fiz ultrassom com uma médica nova, que ficou me perguntando se eu acho que aguento a dor, com um "risinho" de canto. Falei que já há tempos tentava respeitar o ritmo do meu corpo para sentir a dor (no caso, das minhas cólicas de sempre, nada fracas), e que faço um enorme esforço já há uns anos para desconstruir a idéia de dor que temos por aqui. E ela se calou.

O medo sempre foi uma eficiente ferramenta de repressão. Mas busquemos nos nossos sentidos, no carinho, na cumplicidade, a energia para ter coragem.

Isadora Franco tem 22 anos, está grávida de 24 semanas de um menininho, é uma feminista se redescobrindo como mulher neste estado de graça que é a gravidez. Tem um blog também, onde fala de muitas coisas além de gravidez: http://divinastetas.blogspot.com

29 de janeiro de 2010

Será que a "moda" do parto natural pega?

No próximo domingo vai ao ar no Fantástico, pela Rede Globo de Televisão, uma entrevista feita com Gisele Bündchen, que teve PARTO NATURAL DOMICILIAR.
Vi a notícia no site da Globo.com



Quero gravar a entrevista completa e postar aqui depois, mas por enquanto quero abrir o debate: Será que a "moda" do parto natural pega?

No mundo todo é comum as pessoas seguirem as tendências da moda, e o fato é que cada vez mais "Famosas" estão aderindo ao Parto Ativo, e não é porque seja moda não, mas é porque essas mulheres, assim como outras não famosas, escolheram abraçar a maternidade, pesquisaram, se informaram e encontraram caminhos, não mais fáceis, porém mais conscientes de se ter um filho.

Tem gente que acha que parto é parto, independente da via, acha que um parto normal ou uma cesárea, não vai mudar nada na vida da mulher/mãe, que é só "um jeito" de se por o filho no mundo. Mas não é.

É na escolha do parto que a mulher começa a desenvolver a mãe que vai ser. É na escolha do parto que uma série de questões futuras já se desenrolam ou não.

O parto para a maioria das mulheres é o fim "de um período" e ponto final, dali a vida continua mais ou menos como era.

Para mim, o parto é início de um longa jornada, que é a maternidade. E foi a luta pelo parto natural que me fez abraça-la de forma questionadora e ativa.

Pelo jeito a Gisele Bündchen também pensa assim. Vamos esperar a entrevista! =D

26 de janeiro de 2010

Educação gratuita e de qualidade para crianças estrangeiras no Japão

Falta de dinheiro não é mais motivo para as crianças estrangeiras de Tamamura (Gunma) deixarem de estudar. Até o mês de março deste ano, o Instituto de Pesquisas para Educação Multilíngue, por meio da Escola da Comunidade Internacional (ICS, na sigla em inglês) oferece aulas gratuitas, de segunda a sabádo, para alunos de 6 a 15 anos de idade. O programa, batizado de Raibow Bridge/Niji no Kakehashi, é uma parceria do intituto com o governo japonês. "Seria um suporte gratuito do Ministério da Educação Japonês para ajduar crianças estrangeiras que estão sem frequentar a escola", explicam os coordenadores.

Mas do que aulas de lingua japonês, o programa conta com aulas de música, artes, educação física, ciências, estudos sociais e história e, ainda, matemática e aulas da língua materna do aluno, sempre, com atividades práticas. O programa oferece também auxilio nas tarefas escolares para quem está na escola japonesa.

O instituo de Pesquisa para Educação Multilingue é legalmente registrado como uma organização sem fins lucrativos (NPO, na sigla em inglês), na região de Gunma desde dezembro de 2000. Mantém a escola ICS, formada por diretores e funcionários multilíngues, para promover a diversidade cultural. É a primeira escola do Japão a oferecer educação de imersão em inglês, português e japonês e aoo contrário das demais escolas internacionais, não segue o sistema educacional de nenhum país, mas uma mistura da escola brasileira, da japonesa e da americana.
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Programa ICS Rainbow Brigde
Local: Escola da Comunidade Internacional (ICS)
Endereço: 370-1104, Gunma-ken, Sawa-gun, Tamamura-machi, Kami-fukushima 744-2
Telefone: 0270-658795 (atendimento em 5 idiomas incluindo o português)
Site: http://www5.ocn.ne.jp/~meri/portugues.htm
Data: até 31 de março
Público Alvo: estrangeiros de 6 a 15 anos
Horário: segunda à sexta, das 9h às 17h30; sábado das 9h as 17h (período integral das 9h às 14h30; meio periodo das 16 as 17h30; classe de sábado das 9h às 17h)
Aos sábados: aconselhamento psicológico em japonês e na língua materna do alundo (com hora marcada).

Fonte: Revista Alternativa

22 de janeiro de 2010

Amamentação reduz ansiedade na infância

Aqui, uma notícia falando que as crianças que foram amamentadas são menos ansiosas que as não amamentadas.

Que a amamentação é melhor, todo mundo já sabe. É de graça, não produz lixo, não gasta energia, não gasta água, é melhor digerida, mais nutritiva e feita sob medida para o bebê, não precisa de mamadeira, esterilizador, nem nada do tipo, ajuda a aumentar a auto estima do bebê, diminui riscos de alergias, está sempre na temperatura ideal, além de ajudar a mãe a perder peso, evitar o câncer de mama, não carregar tanta tralha nem precisar levantar de madrugada para fazer mamadeira, etc etc etc.

E, pasmen, ainda ajuda o bebê a ser menos ansioso!

Melhor, impossível!


imagem daqui.

20 de janeiro de 2010

Entrevista com Ina May Gaskin

Entrevista com Ina May Gaskin

”Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa d´água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar “ok, parir é assim”. Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavoucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente. Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito.

Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração, vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que, quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na
sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum.

Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegou a 8 cm relativamente rápido e pensei “que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde” e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava “rushes”, já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de dor. “Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei!” Então o que você faz? Algumas mulheres dizem “é a pior coisa que já senti na vida” e outras pessoas falam “isso não é ruim, é até excitante”. Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o queestava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto. Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia “desdilatar” o cérvix, nunca li isso num livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu disse a ela “sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas?” Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendi com isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos.

Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário.

Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido
publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente
com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma
experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a
paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam
descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a
resposta foi “os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o
toque errado da primeira vez”. Os médicos com quem conversei também não
sabiam a respeito disso. Pensei “se isso acontece, por que não está
registrado em livros?

Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação
com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma
anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante.

Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei “hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente.

Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei “que criativo! Como não pensei nisso antes?” E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis, apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei “este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar”, porque ela estava rígida de pavor.

Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): “Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece.” A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso. Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei “minha nossa, eles não sabem como beijar”. Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, “Linda, com a boca aberta”. Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse a boca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta, com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.”

Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo. Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês “não esqueçam de beijar”. Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no
hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que
as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o
casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que
a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar.

Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê, que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula pituitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente. Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna.

O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja lguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar. Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina) são antagonistas e é isto que vai “atravancar/atrapalhar” o parto.

Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira. O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de perto na
presença delas.

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm de dilatação porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato.

Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até
encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo, se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. É um momento em que se almeja gentileza.

Pensei em como explicar isso e lembrei “esfíncter”. Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto. Você não pode dizer a alguém “quero que você evacue exatamente às 09:00 e, se não conseguir, estará em maus lençóis.” Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradas para você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aqueleesfíncter ficará mais “tímido”. Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se, rapidamente.

Tenho que agradecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia se não fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado.

Aqui estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela saiba onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos (já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão.

Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando noquarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital oucom a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter. Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente. Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa.”

Transcrito e traduzido por Flávia Mandic