16 de março de 2010

O crescimento e o desenvolvimento dos bebês (ou a primeira consulta ao pediatra)

90% dos bebês, logo na primeira consulta com o pediatra, são colocados em uma tabela com as curvas de crescimento de peso x altura. E 90% deles fica acima ou abaixo do considerado ideal.

Quando o bebê fica acima da curva, ou seja, é mais gordinho que a maioria, ninguém liga, porque, afinal, pelo menos, fome ele não está passando.

O xis da questão é quando o bebê fica abaixo da curva, o que significa que ele é mais magro ou menor do que a maioria dos bebês da mesma idade.

Grande parte dos pediatras, quando encontram um bebê "pequeno", logo deduzem que falta leite na mãe. E receitam o tão famoso leite em pó. Isso só olhando a curva de crescimento, sem ver se os pais são magros/baixos, se o bebê está mamando pouco ou pouco leite gordo. Nem mesmo reparam se o bebê é saudável ou não.

Bebê que não está alimentado devidamente não cresce nem no peso, nem na altura. Bebê que mantém o peso, mas aumenta a altura, está bem alimentado.
Quando o bebê começa a se movimentar, virar, engatinhar, arrastar, ele gasta calorias e deixa de ganhar peso. Isso é o NORMAL!

Para saber se o bebê está mamando o suficiente, é legal observar se ele está hidratado. Como saber isso? Pela quantidade de xixi que ele faz. Se o bebê usa mais de 3 fraldas descartáveis bem cheias, a hidratação está boa!
Os olhos de um bebê desidratado ficam secos. E a moleira fica funda, funda.

E, finalmente, quando o bebê não cresce nem engorda, a gente ainda pode observar outros aspectos:
- ele mama bastante? É legal deixá-lo mamar sempre que ele chorar. Sempre. Mesmo que faça menos de cinco minutos que ele tenha mamado pela última vez. Aproveite e deite junto com ele.
- a pega está correta? Uma pega incorreta pode levar a dores nos seios, pouco leite e mamada pouco eficiente. Veja se a boquinha está abocanhando toda (ou uma boa parte da) a auréola. Perceba se a língua do bebê está aparecendo, entre o lábio inferior e o seio.
- você dá os dois seios em uma mamada? Se sim, pode ser que o seu bebê esteja recebendo só o leite magro. O leite magro, que vem primeiro, é rico em água. O leite gordo, que vem no final da mamada, é rico em gordura, portanto, é o que engorda. Tente deixar o bebê mamar em uma mama por hora, por exemplo. Ou esvazie um pouco a mama antes de dar de mamar. Só lembre que o leite gordo é mais difícil de sair que o leite magro e alguns bebês ficam com preguiça de mamar, mas se você oferecer a mesma mama em duas mamadas, a chance de o bebê receber o leite gordo é maior.
- você tira o seio do bebê logo que ele adormece? Sabe quando o bebê dorme, que ele continua mexendo a boquinha, mas parece que não está mais mamando? É aquela a hora em que ele mama mais o leite gordo, além de exercitar a musculatura muito bem. Vale deixar, até ele parar.
- você toma bastante líquidos? Água é um santo remédio! Vale tomar a toda hora, mesmo, com ou sem sede! Ajuda a ter bastante leite.
- você está cansada? Uma mãe cansada, estressada, tem menos leite. Portanto, relaxe. Mesmo que seja só quando está com seu bebê no colo. Observe os detalhes das mãozinhas no seu seio. Os furinhos, os dedinhos pequenos. Veja a boquinha, veja a língua do bebê se mexendo. Converse com ele, Deixe o amor fluir. A ocitocina, o hormônio do leite, se libera quando a gente está amando. Se deixe curtir o filho. Esqueça o trabalho, a casa bagunçada, aquele pessoal chato que quer ver o bebê e fica o dia todo…. Deite com seu bebê, se permita cochilar sempre que precisar.

Quase todas as mulheres podem amamentar. Quase todos os bebês podem ser amamentados. Pouquíssimos precisam de complemento. Portanto, tenha segurança de que você e o seu bebê tem grandes chances de terem um período de amamentação exclusiva muito, muito bom.
Lembre-se de que a OMS recomenda que a amamentação seja exclusiva até os seis meses, e que se prolongue até os dois anos, mesmo quando o bebê já come de tudo. E não, isso não é só para pessoas carentes. Todos os bebês se beneficiam disso.
E, se o pediatra receitou leite em pó logo na primeira consulta…. EU acho que é hora de procurar outro!

10 de março de 2010

O dia da mulher é todo dia...

Somos mulheres: sentimos as ondas hormonais que passamos durante nossos períodos. O ápice da fertilidade, o acolhimento da menstruação. E na gestação o corpo a se transformar em cada fase. O parto que traz a dor prazerosa, a ardência apaixonante. Ser mulher, feminina e lunar.

Está na hora de abraçar novamente esta força que faz o mundo mais colorido, de reconstruir o novo feminino, sem as armadilhas do feminismo. Chegou a pílula, a falsa liberdade sexual. A menstruação passou a ser um empecilho para os objetivos. O corpo foi privado de seu pleno funcionamento. Sem conhecer seu corpo, a mulher valorizou o homem que é capaz de lhe dar prazer sem saber que o prazer é reflexivo: você mesma tem a capacidade de senti-lo. A mulher deixou de ver-se como parte da natureza, sendo ela mesma a deusa. Abraçou um Deus patriarcal que a oprime.

Quantas vezes não nos sentimos perdidas, com nossos corpos e nossa função no mundo? Nasceu a síndrome do pânico. A alma que chora. A mulher desacreditou em si. O “doutô” faz seu parto sem dor. Ela nasce confusa como mãe. Amamenta por pouco tempo, quando amamenta, para que os filhos aprendam a ser desde cedo auto-suficientes. Os bebês se consolam sozinhos, na enorme cama escura. As mulheres comemoram os filhos, que desde de cedo dormem sem colo, comem sozinhos, andam tão rápido. Talvez para fugir? Quem sabe?

De nós foi tirado o direito de parir da maneira mais orgânica: de cócoras. Foi lá no iluminismo francês quando a Rainha Vitória foi deitada para que o rei assistisse a seu parto. Logo depois as mulheres começaram a precisar de anestésicos e os irmãos de sobrenome fórceps fizeram história com seu aparelho de extrair bebês.

Deitamos com as entranhas limpas, os pelos raspados para que um homem fizesse nosso parto de maneira mais higiênica e visível. Para facilitar a saída do bebê fomos mutiladas em nosso órgão mais sensível. Perdemos a conexão com a Terra, com sua gravidade e a força dos nossos pés plantados no chão. Desconectamos com Deus quando nossas cabeças se deitaram em uma postura de passividade. Historicamente perdemos o sagrado direiro de parir.

E as feministas nas ruas na década de 60, pregaram a nossa liberdade sexual e direitos iguais que nos fizeram iguais aos homens em seus defeitos. Fomos para o mercado de trabalho e com a pílula perdemos a conexão com nossos ciclos naturais e toda a intuição que nos dava poderes especiais. Nossos filhos foram para escolas e começamos a padecer do mal da TPM, da menopausa precoce, da vida desconectada da grande mãe Gaia.

Nós mulheres, as grandes responsáveis pela mudança de cultura, ensinamos nossos filhos a serem precocemente independentes. Não fomos abraçados pelas entranhas de nossas mães, não vencemos nossa primeira batalha e fomos separados do colo materno em nosso primeiro choro solitário e frio, calado às vezes por um bico artificial.

Nosso peito e presença foram trocados por similares de borracha e silicone, gerando mais lixo para nossa mãe Terra. O perfeito alimento de nossas mamas, abandonado por um pó artificial de outro animal, enriquecido com mil vitaminas e desprovido de amor.

Os panos que prendíamos nossos filhos junto do corpo trocados por carrinhos que viram o olhar da criança para longe de suas mães, o universo mais lindo que precisam olhar. E as histórias contadas por aquela melodiosa voz conhecida trocada por um aparelho que coloca imagens prontas e histórias com vozes esganiçadas e frenéticas. Trocamos nossas presenças por presentes.

Aquela deliciosa comida substituída por papas processadas e esquentadas em um aparelho que gera ondas altamente maléficas. Nossos filhos não conhecem vacas, galinhas, macacos, que não sejam em zoológico ou documentários e poucos sabem os nomes das frutas naturais e que não nascem em caixinhas.

O que proponho hoje é resgatar este feminismo oprimido, a consciência de nossa responsabilidade enquanto mães de estar presentes, de participar da educação e oferecer um desenvolvimento mais natural e harmônico. Resgatamos a união com Terra e Céus na hora do parto, a ecologia da dança sagrada dos hormônios sem intervir com forças externas, de permitir que nossos filhos não fiquem com a lacuna do não acalanto de seu primeiro choro e não sofram as terríveis invasões de seus corpos pequenos e indefesos.

Somos loucas questionadoras em um mundo de gente que segue a corrente mecanicista. Resgatamos nosso adjetivo mais belo: mamíferas!

Somos bruxas, malucas que parimos em casa e dizem que fazemos ritual para comer placenta. Somos lindas com nossos corpos e peitos, sempre amostra. Fazemos a verdadeira revolução feminista. Plantamos a cooperação e o amor. Lá para frente, talvez em outra dimensão ou lugar, poderemos ver surgir os frutos da paz.

A estas mulheres, que se lembrem que hoje é o dia de lembrar que todo dia é nosso.

Por Kalu Brum do Blog Poesias Bailantes

4 de março de 2010

Parto em casa, mitos e verdades

Semana passada saiu uma matéria no Guia do Bebê sobre os risco de um parto em casa.

Triste!

Triste ter gente que acredita nisso ainda. Triste que gente que não vai atrás de informação verdadeira quando tem tanta coisa boa na internet.

Fiquei chocada com o que li! w(º 0º )w

Daí, dias depois, soube que a Dra. Melania Amorim, obstetra-humanista que está sempre em busca de conhecimento e atualização nessa area, respondeu a esse artigo com evidências científicas.

Leia um trecho:
"Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.

Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.
Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas."


Vale a pena ler a resposta completa da Dra. Melania e aprender, mais pouco, sobre parto domiciliar. ;)

3 de março de 2010

A realidade dos partos ditos como "normais"

Esse relato retrata bem como é a realidade dos partos nos hospitais, não só do Brasil, mas aqui no Japão também.

Independente de parto em hospital publico ou privado, as intervenções e comandos são os mesmos.

O direito do acompanhante é sempre negado, embora seja lei sancionada. (Isso no Brasil...)

A mulher fica sempre sozinha, deitada numa maca, sem comer nem beber nada e tem que ser "boazinha" e obedecer o que lhe mandam fazer sem questionamentos.

Precisa sofrer no corpo fisico e na alma todas as humilhações e lhe é tirada a confiança que tem em seu corpo.

Tratam-na como um ser medíocre que não tem capacidade de parir, chegando ao ponto de cortar-lhe para que tudo seja "mais fácil".

Ainda bem que algumas mulheres se informam e vão atrás do resgate da sua feminilidade e do seu parto.

Parabéns a esse casal que foi em busca de um parto digno e conseguiu realizá-lo na tranquilidade de seu lar, de forma plena e tranquila.

Sim, nós podemos parir em paz!

1 de março de 2010

Parto Vaginal depois de Cesariana

Parto Vaginal depois de Cesariana, não tem riscos acrescidos de ruptura uterina. Mesmo para quem já fez três cesarianas.

O potencial risco de ruptura uterina leva a que as mulheres que já tiveram um parto por cesariana sejam ainda aconselhadas a fazer nova cesariana em gravidezes posteriores.

Nos últimos anos, essa prática foi-se alterando. Em 2004, um estudo em larga escala revelou que o risco de ruptura era para mulheres com cesariana prévia de 0,7 por cento.

Um novo estudo sugere agora que esse risco é ainda inferior, não sendo, por isso, significativo. Assim sendo, os investigadores afirmam que é seguro para grávidas com cesariana ou cesarianas anteriores, optar pelo parto vaginal. Mulheres já com três cesarianas na história médica não mostraram riscos acrescidos ao optarem por um parto vaginal.

O estudo fez uma revisão dos registos de 25 mil mulheres, com cesarianas anteriores, que deram à luz em 17 hospitais americanos. 860 destas grávidas já tinham sido submetidas a três cesarianas anteriormente; destas, 89 mulheres tentaram o parto vaginal, enquanto 771 marcaram nova cirurgia para retirar o bebé.

Não houve registo de rupturas uterinas em nenhum dos grupos. As 89 mulheres que optaram pelo parto vaginal após três cesarianas não revelaram também maior incidência de outras lesões, nomeadamente ao nível do aparelho urinário ou lacerações da artéria uterina (outras complicações tradicionalmente associadas a partos vaginais após cesarianas).

As probabilidades de conseguir o parto vaginal revelaram-se semelhantes, fosse qual fosse o número de cesarianas anteriores. 13600 mulheres com uma ou duas cirurgias no «currículo» optaram pelo parto vaginal - 75 por cento conseguiu-o. No gurupo das que já tinham passado por três cesarianas a percentagem foi até supeiror: 80 por cento. Todas elas tinham tido incisão transversal baixa - o que diminui os riscos de ruptura uterina, em relação à incisão vertical antigamente usada.

Outro ponto a referir é que se houve também um parto vaginal anterior, as probabilidades de sucesso na opção pelo parto vaginal são ainda superiores.

Os resultados do estudo foram publicados no British Journal of Obstetrics and Gynaecology (BJOG).

Fonte IOL

23 de fevereiro de 2010

O que é "Placenta" e o que fazer com ela após o parto

“ A placenta é um órgão presente na maior parte dos mamíferos, através do qual ocorrem as trocas entre a mãe e seu filho. É formada pelos tecidos do ovo, embriologicamente derivada do córion. Através da placenta o bebê "respira" (ocorrem as trocas de oxigênio e gás carbônico), se "alimenta" (recebendo diretamente os nutrientes por difusão do sangue materno) e excreta produtos de seu metabolismo (excretas nitrogenadas). A placenta é também órgão endócrino importante na gravidez, envolvida na produção de diversos hormônios: progesterona, gonadotrofina coriônica (HgC), hormônio lactogênio placentário, estrogênio (principalmente o estriol), etc .

É um órgão incrivelmente precioso e completo, sendo também o único órgão “usa e joga fora” que temos. Representa as raízes da criança no terreno da mãe. É feita de dois organismos diferentes e incompatíveis, mas funciona como um único órgão, em completa harmonia. Faz todas as funções de um corpo humano. É o pulmão, fornecendo à criança o oxigênio e todas as trocas gasosas; é o coração, ajudando-a a movimentar a massa sangüínea e mantendo a circulação entre ela e a mãe; é o rim, depurando e regulando os líquidos em seu corpo; é o aparado digestivo, procurando e fornecendo comida; é a glândula endócrina, produzindo todos os hormônios necessários à manutenção da gravidez e ao crescimento da criança; é cérebro, guiando com inteligência o sistema informativo entre mãe e bebê, e elaborando todos os dados; é o sistema imunológico, fornecendo à criança anticorpos, linfócitos e macrófagos, as grandes células que podem destruir ou construir o tecido, os monstros tão temidos pelo embrião; é também a fonte do líquido amniótico e o renova a cada duas horas completamente.

A placenta é um órgão ativo, tem capacidade de bombear glicose e oxigênio para a criança, conforme suas necessidades. Até o nascimento faz parte integrante do corpo da criança, também na sua parte materna. A placenta conserva o grande segredo da contemporânea unidade e dualidade entre mãe e bebê.

No momento do nascimento, a placenta continua desenvolvendo todas suas funções, ajudando a criança a regular seu metabolismo e seu organismo até o ponto de equilíbrio; a partir daí ela pode seguir autonomamente. Quando os pulmões respiram, quando o coração consegue regular a circulação sozinho, quando a criança recebe açucares, substâncias nutritivas e anticorpos do seio materno, quando os ácidos produzidos pelo parto são descarregados e os rins da criança funcionam, então (e somente então) pode-se deixá-la. Naturalmente, se o cordão permanecer íntegro.

Quando a criança não precisa mais da placenta, não somente interrompe a comunicação, e, portanto a circulação, mas faz destacar a placenta do corpo materno e a faz expelir. Somente então é o momento para cortar o cordão umbilical.”

Nas diferentes culturas as mulheres encontraram formas de guardarem uma recordação desse orgão tão importante.

Algumas fazem um agradecimento por escrito, como esse texto maravilhoso que a Kathy escreveu no mamiferas: Carta a minha placenta.

Outras usam-na como adubo para uma nova arvore frutifera no quintal de casa e associam o nascimento do filho aquela arvore.

Outras pessoas fazem um quadro, usando o sangue da placenta como tinta para a impressão ou tintas de cores diferentes e conseguem fazer essa linda "arvore da vida".


Agora aqui uma novidade que encontrei num site americano, um urso feito com a placenta. Não é o máximo?!



De qual idéia vocês gostaram mais?
Qual delas você optaria para dar o fim a sua placenta?

Texto inicial retirado do site Morada da floresta.

12 de fevereiro de 2010

O tema "parto" está na mídia, mas estão falando muiiiiiiita bobagem

Depois que a Gisele divulgou que pariu em casa, a mídia toda está falando sobre parto natural, parto em casa, parto na água, mas a maioria das coisas que falam é pura "balelaaa"!

Os entrevistadores, os jornais e as revistas convidam médicos e profissionais que não estão nem um pouco familiariados com o Parto Humanizado e eles falam o que pensam sobre riscos e problemas sem dar nenhum embasamento cientifico ou citar estudos, dizem o querem sobre coisas que não existem na verdade.

O que esses médicos não querem é perder suas "cesareas agendadas" e suas clientes "mal informadas". Querem continuar passando falsa informação por ai sem serem incomodados, isso como se não bastassem as novelas que nunca apresentam um "parto de verdade", e desta forma só desinformam.

Essa semana a Ana Maria Braga fez uma entrevista uma mulher que teve parto natural aquático no hospital e uma médica a favor do parto natural que falou coisas positivas sobre o assunto.

A entrevista foi boa, tirando algumas coisinhas, como por exemplo a mulher falar que o parto foi demorado e por isso não poderia ser em casa (o que não tem nada a ver) mas enfim...

Vale a pena ver a entrevista, porque mesmo quem não encara um parto domiciliar por algum motivo, pode perceber com outro olhar o parto natural aquático.

4 de fevereiro de 2010

Você quer parto natural? Você é louca???

Por Isadora Franco

Como é horrível essa pressão de todo mundo te chamar de louca e colocar essa
energia horrorosa pra cima da gente quando falamos que vamos parir naturalmente, mas já estou tão acostumada com isso com meu pouco tempo de vida...

Já conheci tanto disso, que só a minha mãe eu não consigo mandar para aquele lugar (hehe, minha mãe é um problema na minha vida)...

Um dia a gente acaba encontrando gente "que-nem-a-gente" (foi assim que encontrei meu noivo, que é um companheiro mais louco que eu até...hehehehe) e acaba encontrando um lugar onde pode debater saudavelmente e sem julgamentos.

Sobre essa questão do julgamento alheio sobre os NOSSOS partos, eu tenho muito, muito, muito o que dizer...

Estamos numa cultura que nos arranca direitos enquanto mulheres e seres humanos, e em relação ao parto, eu acredito que isso se manifeste em duas vias:

A primeira é a medicina "científica" e alopática, tão arrogante e que tanto combina com esse jeito maluco que vivemos hoje, em que se combinam séculos e séculos de tabus em relação ao corpo, que nos fizeram fechar os olhos e não prestar atenção em nós mesmos.

Com o ritmo louco de trabalho e vida que levamos, em que trabalhamos muito mais do que ficamos com as pessoas que amamos, fazendo o que queremos, só podemos entender de uma coisa se não temos um canudo da medicina: não somos capazes de compreender e escolher o que fazer com nossa saúde.

A medicina atual buscou suas fontes em nossas avós e nossos indígenas, deles expropriou o conhecimento e nas nossas matas se embrenha para fazer lucro, muito dinheiro.

Existe uma cultura que sustenta isso, que sustenta a ideologia da cesárea e das intervenções, assim como a cultura de se tomar mil analgésicos e não suportar a dor.

Essa concepção de dor como algo insuportável me parece muito conveniente tanto a indústria farmacêutica como ao ritmo louco de trabalho ao qual estamos submetidos, em que não nos é permitido seguir o ritmo do corpo.

A segunda razão é o machismo que ainda permeia nossas mentes. Simplesmente somos vistas como seres quebrados e passíveis de problemas, nosso corpo é tratado como uma coisa hiper frágil o tempo todo, e agora além de tudo somos tidas como incapazes de fazer algo para o qual fomos projetadas: o parto.

Como se já não bastasse nos dizerem que somos menos capazes na escola (isso é sério, tem muita pesquisa falando de "fracasso" escolar atribuindo o "fracasso" das meninas a uma certa incapacidade natural, quando na verdade, a maior fracassada é a escola, mas isso é outra história), que somos incapazes de ter força física e nos defender sozinha, que somos incapazes de dirigir bem, incapazes de sentir prazer sexual, incapazes de sermos amigas (ai, como eu odeio quando falam que amizade de mulher não existe!!), agora vem me dizer que eu sou incapaz de PARIR??????

Desde que os primeiros homo sapiens apareceram, as mulheres estão parindo, que palhaçada é essa agora???

Pois é, séculos e séculos de machismo na construção de nossa sociedade, séculos de machismo, construíram nossa educação de hoje, e brigar com isso é, dentro de nossas
próprias mentes, muito, muito, muito difícil, mas é necessário!!

Precisamos nos unir, precisamos conversar, expor tudo o que sentimos, lutar e nos dar força, segurar as mãos umas das outras, e aí levantar a bandeira da dignidade e da vontade.

Na verdade, há umas décadas atrás, parto era uma coisa horrorosa de verdade, feito por pessoas com pouca ou nenhuma experiência em parto. Imaginem uma freira e seus tabus ultra-machistas e anti-sexuais da Igreja numa coisa tão sexual como um parto, é quase um estupro! Nesse contexto, estando ainda numa sociedade machista, médicos de branco te cortando sem sentir nada, frios que nem uma pedra, são realmente melhores!

As pessoas estão bem acomodadas paradas, sem lutar, numa eterna anestesia, num marasmo, numa frigidez, e depois não sabem de onde vem a maior enfermidade de hoje: a depressão.

Sentir é, na nossa sociedade, uma coisa proibida, uma coisa que atrapalha, um problema, um tabu. Dor e prazer são coisas indissociáveis, são consequência de estarmos de coração e corpo e alma abertos para o mundo e focados em nós mesmos.

Hoje fiz ultrassom com uma médica nova, que ficou me perguntando se eu acho que aguento a dor, com um "risinho" de canto. Falei que já há tempos tentava respeitar o ritmo do meu corpo para sentir a dor (no caso, das minhas cólicas de sempre, nada fracas), e que faço um enorme esforço já há uns anos para desconstruir a idéia de dor que temos por aqui. E ela se calou.

O medo sempre foi uma eficiente ferramenta de repressão. Mas busquemos nos nossos sentidos, no carinho, na cumplicidade, a energia para ter coragem.

Isadora Franco tem 22 anos, está grávida de 24 semanas de um menininho, é uma feminista se redescobrindo como mulher neste estado de graça que é a gravidez. Tem um blog também, onde fala de muitas coisas além de gravidez: http://divinastetas.blogspot.com