22 de abril de 2010

A fase dos "porquês"

É uma fase que toda mãe e todo pai vai passar: A fase dos porquês!

Eu tenho quatro e já vivi a fase dos porquês com três, só falta uma...rssss

Eu não me lembro de chegar ao ponto de me estressar com os questionamentos, sempre achei engraçado, mas me lembro de ter muitas perguntas, uma atrás da outra, sem dar trégua.

O que eu sempre fiz foi ser sincera em responder até onde sei que o entendimento deles vão e a partir daí ajuda-los a criar fantasias sobre as coisas, porque em geral as crianças estão atrás de testar nossos limites, pedir nossa atenção e também em busca de caminhos para lidar com suas fantasias.

Hoje mesmo, meu Gabriel de 3 anos e meio, me perguntou: "Mãe, porque Deus fez a gente?"

Respondi que era para brincarmos, abraçarmos, beijar e ser feliz e na mesma hora abracei, beijei, e caimos no sofá dando muitas risadas juntos. Ele não perguntou mais nada.

Em geral eu acho que eles questionam muito quando estão querendo atenção e não porque querem pentelhar ou saber realmente os porquês.

Claro que também há um pouco de curiosidade do mundo, coisas que eles começam a perceber, e eu acredito que dar respostas sinceras seja a melhor coisa a se fazer nesse caso.

Mas penso que responder os porquês, muitas vezes é mais fácil do que dar a devida atenção a eles, e provavelmente por isso, eles insistam muitas vezes conosco, até perceber-nos realmente dando atenção a eles.

Eu sugiro a quem tenha isso como problema, e tenha falta de paciência nessa fase, a parar o que está fazendo na hora em que seu filho começar a questionar. Abaixe perto dele, olhe em seus olhos e tente conectar-se com seu interior, seu instinto materno.

Tenho certeza que assim irá descobrir muito de seu filho e encontrará a melhor resposta para dar-lhe no momento. ;)

grande beijo

Novidades no blog

A partir de hoje vamos iniciar uma nova fase aqui no blog. =)

Começamos o blog para falar de Humanização no nascimento, mas como o nascimento é só o começo, resolvemos falar da humanização para a vida toda, mas focada principalmente na maternidade aqui no Japão.

Existem dificuldades da vida aqui, que são bem diferentes daquelas que temos no Brasil e por isso, vamos começar a debatê-las mais e mais, buscando soluções para as nossas vidas e de nossos filhos sejam mais felizes enquanto estivermos longe da nossa terrinha.

Portanto, convido todas as mães que tenham dúvidas ou questionamentos sobre a maternidade a me enviarem perguntas e sugestões de postagem que farei todo o possível para ajudá-las, sempre buscando a opinião de pediatras, psicológos, pedagogos, entre outros profissionais que trabalham na linha de humanização.

Puxe a cadeira, sente na frente do seu PC e comece a escrever porque temos muita coisa para conversar.

Aguardo o comentário de vocês!

um beijo grande

11 de abril de 2010

O filho possível

Por Eliane Brum (texto) e Marcelo Min (fotos)

AMOR DE MÃE
Cristiane Nascimento e seu filho Lucas, na UTI da Divisão de Neonatologia do Caism, na Unicamp. Ela sussurra palavras de amor, e o coração dele acelera.



A fotografia acima mostra Cristiane Nascimento minutos depois de saber que não há cura para seu filho. Lucas tem câncer. O tumor no cérebro nasceu com ele. Na cirurgia, não foi possível arrancá-lo por completo. No dia desta foto, 22 de janeiro, Lucas completava 2 meses. As imagens eternizam sua história. Não a história com que Cristiane sonhou. Mas a história possível.

Ao dar à luz, mulheres como ela precisam se desprender do filho sonhado para alcançar o filho real. Com a ajuda da equipe de cuidados paliativos, Cristiane aprende a valorizar cada detalhe da vida de seu bebê, não importa o tamanho que ela tenha. Como neste momento, ao aconchegar o filho no colo e sussurrar que o ama. O aparelho da UTI mostra que, mesmo em coma, ao ouvir a voz da mãe o coração do filho bate mais rápido.

Lucas está numa UTI diferente. A Divisão de Neonatologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Universidade de Campinas (Unicamp), pratica os cuidados paliativos no tratamento de bebês malformados ou com doenças graves. Todos os esforços são empreendidos para curar. Quando não é possível, a equipe suspende tratamentos invasivos e dolorosos – e amplia os cuidados com a família e com o luto. Cada bebê tem uma história. E é preciso cuidar bem dela.

Nesta semana, entra em vigor no Brasil o novo Código de Ética Médica. Pela primeira vez, a prática dos cuidados paliativos foi incluída entre as normas que os médicos devem seguir na profissão. Se é novidade no tratamento de doentes terminais adultos, nas unidades neonatais a prática dos cuidados paliativos é uma raridade ainda maior. A experiência da Unicamp tem derrubado preconceitos – e alterado destinos.

A cada ano, 45 mil brasileiras perdem seus filhos antes que eles completem 365 dias de vida. A essas mulheres, os profissionais de saúde costumam afirmar, com a força das verdades absolutas: “Você é jovem, vai ter outro filho”. Ou: “Você nem teve tempo de se apegar, vai superar”. Parentes e amigos repetem a toda hora essas frases. Omitem- se de escutar a dor. E calam o luto de quem precisa vivê-lo para seguir adiante.

A morte nos assombra a todos. Mas a perda de um bebê é o avesso da lógica. Ninguém espera que quem acabou de nascer possa morrer. Um filho não é apenas uma combinação única dos genes dos pais, mas a soma de seus melhores desejos de continuidade. Isso faz com que essa morte seja a menos aceita – e a mais silenciada.

Até 2001, a neonatologia do Caism era mais uma das unidades do país a acreditar que a função de profissionais de saúde limitava-se a curar doenças. Centro de referência para 42 municípios paulistas, ele acolhe os casos mais graves de malformação fetal e bebês prematuros. A morte, portanto, não é uma estrangeira em seus corredores. Mas só por descuido da recepcionista os médicos encontravam-se com os pais após a perda dos filhos. Era no setor de óbito que a família recebia a notícia, da boca de desconhecidos.

Quem mudou essa prática e transformou a unidade em algo novo no Brasil foi um bebê. Ele parava de respirar dezenas de vezes por dia. A cada uma, era preciso reanimá-lo. A equipe passou a conviver com a iminência de sua morte – e com o medo do plantonista de não conseguir revivê-lo. Não havia cura. Mas ninguém queria que ele morresse em seus braços.

Como cuidar desse bebê? Deveriam parar de reanimá-lo ou continuar prolongando seu sofrimento? A quem caberia decidir? E como conversar com os pais? As perguntas infiltraram-se no cotidiano da enfermaria. Tanto que exigiram respostas que ninguém ali tinha, apesar dos muitos diplomas e das décadas de experiência.

Sem poder conviver com tantos pontos de interrogação, a equipe buscou ajuda. Convidou a psicóloga Elisa Perina para dar uma palestra sobre a morte. Elisa trabalha há quase 30 anos no Centro Infantil Boldrini, em Campinas, uma referência no tratamento de crianças e adolescentes com câncer. É uma das precursoras da prática dos cuidados paliativos no Brasil.

Com Elisa, a equipe descobriu que a questão era mais difícil do que poderiam supor. Os profissionais não poderiam lidar com a morte de um bebê se antes não lidassem com a perspectiva da própria morte. “Antes de abrir espaço externo, é preciso abrir o interno”, diz Elisa. Foi um longo caminho até a equipe estar preparada para cuidar de bebês como Lucas para além da perspectiva da cura.

A conversa de Cristiane

Cristiane torce as mãos, nervosa. Na sala a esperam duas pediatras, psicóloga e assistente social. Estão ali para explicar a Cristiane que o câncer de Lucas não tem cura – e que a família pode contar com elas para garantir conforto. Não apenas emocional, mas prático.

A primeira preocupação da equipe é iluminar as dúvidas da mãe, para que a dor não seja agravada por incertezas de diagnóstico. É importante que a família esteja segura de que todos os recursos da medicina foram usados na tentativa de curar o bebê. A certeza de ter feito tudo o que era possível é essencial para a saúde dessa família no presente – e no futuro.

Cristiane faz muitas perguntas. Todas são respondidas com informação – e com afeto. “Se não tiver jeito de curar, eu e meu marido preferíamos que nosso bebê não fizesse outras cirurgias”, diz ela. E engole soluços.

Ela conta que não consegue cuidar de seu filho mais velho. Que tem poupado os familiares das informações mais duras e sente que pode implodir de dor. Que o marido tem vindo pouco ao hospital porque estava desempregado e só tinha conseguido trabalho fazia duas semanas. Que a vida está muito, muito difícil.

A pediatra Jussara de Lima e Souza, coordenadora do grupo, diz: “Você precisa deixar os outros cuidarem de você. Você está cuidando de todo mundo, e eles não sabem quanto você está sofrendo. Sem saber, não podem ajudar. Nós podemos cuidar para que o Lucas não sinta dor, mas não podemos fazer com que sobreviva. O que podemos é ajudar você e sua família a passar por isso”.

A conversa dura duas horas. Cristiane decide levar o filho mais velho ao hospital, para que ele possa conhecer o bebê e entender aonde a mãe vai todos os dias. Até então, o menino pensa que a mãe o abandona para se divertir com um irmão desconhecido. A assistente social coloca-se à disposição para conversar com o patrão do marido e encontrar uma forma de liberá-lo por algumas horas. A mãe pode passar a noite num dos alojamentos quando quiser ficar mais com Lucas. Cristiane é estimulada a pensar sobre tudo o que lhe daria conforto. Médicos, enfermeiras, assistentes sociais e psicóloga podem ser contatados a qualquer momento.

É uma conversa entre uma equipe de saúde e a mãe de um bebê com câncer. É uma conversa entre pessoas dispostas a alcançar a dor do outro. A informação mais importante para Cristiane é que ela não está sozinha. “Você está cuidando do Lucas da melhor maneira possível”, diz a assistente social Elaine Salcedo. “Vocês têm uma história, que vai ficar com você, seja o que for que aconteça.”

Quando a conversa termina, Cristiane decide almoçar. Nos últimos dias, só comia quando passava mal. A equipe mostra a ela que precisa comer para ser capaz de cuidar de Lucas. E que é importante – e não errado – cuidar de si mesma.

Cristiane coloca Lucas no colo. É a foto que abre esta reportagem. Lucas morreu em 15 de março. Esta foto é, para Cristiane, a lembrança de que ele viveu.

Fonte: Revista Época

7 de abril de 2010

Seu filho é educado?

Recentemente, numa lista de debate sobre educação infantil, uma mãe comentou que tinha um sobrinho "muito mal educado", que não recebia presentes oferecidos a ele, não dizia bom dia, não abraçava ninguém, entre outras atitudes reprováveis, enquanto a mãe não fazia absolutamente nada a respeito.

Dizia ela também que ensinava seu filho a respeitar sempre, cumprimentar, abraçar e etc.

Eu penso que é ensinar a criança a ser educada é uma coisa, forçar a barra com a criança para ela satisfazer "o outro" é diferente né?

Vou explicar:

Eu era do tipo que achava que criança educada TINHA que comprimentar, falar com as pessoas, receber os presentes mesmo que não gostasse, abraçar, beijar sempre que alguém pedisse, etc. Com o tempo, e ouvindo a experiencia de outras mães, eu fui revendo meus conceitos.

Eu cresci, sempre, muito preocupada com "o que os outros vão pensar do que falei, do que fiz, do meu jeito" e hoje faço muita terapia para lidar com isso.

A criança ser educada, para mim hoje, é ela RESPEITAR aos outros e ponto final.

Se meu filho respeita o espaço do outro, o momento do outro, a personalidade, o jeito do outro, eu considero ele educado. É isso que eu ensino para os meus filhos.

Por outro lado, eu não forço mais a barra com eles quando estão com sono, doentinhos ou num dia de mal-humor ou animados demais com as brincadeiras. Eles são crianças e precisam de respeito também nos seus momentos! Eu sei que tem gente que não entende isso e acha que a criança tem que satisfazer as vontades dos adultos sempre.

Eu sei que tem mães que NUNCA forçam a barra e imagino que tem que ter muito peito para bancar esse tipo de "educação", onde a mãe deixa o filho SER AUTENTICO SEMPRE. É uma escolha pessoal que eu acho que a gente não deve julgar!

Eu sei que talvez o caso apresentado no inicio desse post não seja de uma mãe que deixa o filho ser autentico com seus sentimentos, mas de qualquer forma é preciso respeitar a escolha daquela mãe porque ela tem seus motivos para pensar/agir assim.

Muitas vezes também, a gente não conhece a história da outra pessoa, e o nosso "olhar de julgamento" acaba impedindo a pessoa a falar sobre suas escolhas de forma clara, impedindo o diálogo e talvez uma mudança de postura (aqui entraria a CNV = Comunicação Não Violenta).

Eu gosto muito de debater assuntos assim porque sempre encontro gente que pensa diferente de mim e isso me faz repensar minhas escolhas o tempo todo. Acabo tendo certeza de umas coisas e vou mudando outras, e assim me sinto evoluindo como mãe e também como ser humano.

Penso que a gente precisa mesmo é cuidar dos nossos filhos dentro daquilo que consideramos importante para o futuro deles, (e dentro dos nossos limites também) mas sempre respeitando a individualidade de cada um, a personalidade, o momento e acredito que é respeitando nossos pequenos que ensinamos também o que é respeito.

6 de abril de 2010

DVD Amamentação sem Mistérios

Um competente time de pediatras e especialistas em amamentação apresenta de forma simples e didática as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as mais recentes evidências científicas em aleitamento materno.

Enquanto explicam porque amamentar, mostram a importância do apoio, ensinam a pega correta do bebê e apresentam soluções para os problemas mais comuns. No pano de fundo entram em cena casos reais e depoimentos emocionantes de mulheres brasileiras sobre as dores e as delícias da amamentação.

Dividido em sete capítulos temáticos, "Amamentação sem Mistério" (97 min) é uma iniciativa do GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (www.maternidadeativa.com.br) em parceria com a produtora Boa Hora Filmes (www.boahorafilmes.com.br), com o objetivo informar e ajudar profissionais de saúde, grupos de apoio e mães que amamentam.

Informações e vendas, a partir de abril de 2010:
GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
www.maternidadeativa.com.br/aleitamento
(11) 2507-7090 de 2a a 6a, das 9h às 18h

É um super presente para dar para suas amigas no chá de bebê, especialmente as que vão ser mães de primeira viagem!

Vejam o trailer e confira!

16 de março de 2010

O crescimento e o desenvolvimento dos bebês (ou a primeira consulta ao pediatra)

90% dos bebês, logo na primeira consulta com o pediatra, são colocados em uma tabela com as curvas de crescimento de peso x altura. E 90% deles fica acima ou abaixo do considerado ideal.

Quando o bebê fica acima da curva, ou seja, é mais gordinho que a maioria, ninguém liga, porque, afinal, pelo menos, fome ele não está passando.

O xis da questão é quando o bebê fica abaixo da curva, o que significa que ele é mais magro ou menor do que a maioria dos bebês da mesma idade.

Grande parte dos pediatras, quando encontram um bebê "pequeno", logo deduzem que falta leite na mãe. E receitam o tão famoso leite em pó. Isso só olhando a curva de crescimento, sem ver se os pais são magros/baixos, se o bebê está mamando pouco ou pouco leite gordo. Nem mesmo reparam se o bebê é saudável ou não.

Bebê que não está alimentado devidamente não cresce nem no peso, nem na altura. Bebê que mantém o peso, mas aumenta a altura, está bem alimentado.
Quando o bebê começa a se movimentar, virar, engatinhar, arrastar, ele gasta calorias e deixa de ganhar peso. Isso é o NORMAL!

Para saber se o bebê está mamando o suficiente, é legal observar se ele está hidratado. Como saber isso? Pela quantidade de xixi que ele faz. Se o bebê usa mais de 3 fraldas descartáveis bem cheias, a hidratação está boa!
Os olhos de um bebê desidratado ficam secos. E a moleira fica funda, funda.

E, finalmente, quando o bebê não cresce nem engorda, a gente ainda pode observar outros aspectos:
- ele mama bastante? É legal deixá-lo mamar sempre que ele chorar. Sempre. Mesmo que faça menos de cinco minutos que ele tenha mamado pela última vez. Aproveite e deite junto com ele.
- a pega está correta? Uma pega incorreta pode levar a dores nos seios, pouco leite e mamada pouco eficiente. Veja se a boquinha está abocanhando toda (ou uma boa parte da) a auréola. Perceba se a língua do bebê está aparecendo, entre o lábio inferior e o seio.
- você dá os dois seios em uma mamada? Se sim, pode ser que o seu bebê esteja recebendo só o leite magro. O leite magro, que vem primeiro, é rico em água. O leite gordo, que vem no final da mamada, é rico em gordura, portanto, é o que engorda. Tente deixar o bebê mamar em uma mama por hora, por exemplo. Ou esvazie um pouco a mama antes de dar de mamar. Só lembre que o leite gordo é mais difícil de sair que o leite magro e alguns bebês ficam com preguiça de mamar, mas se você oferecer a mesma mama em duas mamadas, a chance de o bebê receber o leite gordo é maior.
- você tira o seio do bebê logo que ele adormece? Sabe quando o bebê dorme, que ele continua mexendo a boquinha, mas parece que não está mais mamando? É aquela a hora em que ele mama mais o leite gordo, além de exercitar a musculatura muito bem. Vale deixar, até ele parar.
- você toma bastante líquidos? Água é um santo remédio! Vale tomar a toda hora, mesmo, com ou sem sede! Ajuda a ter bastante leite.
- você está cansada? Uma mãe cansada, estressada, tem menos leite. Portanto, relaxe. Mesmo que seja só quando está com seu bebê no colo. Observe os detalhes das mãozinhas no seu seio. Os furinhos, os dedinhos pequenos. Veja a boquinha, veja a língua do bebê se mexendo. Converse com ele, Deixe o amor fluir. A ocitocina, o hormônio do leite, se libera quando a gente está amando. Se deixe curtir o filho. Esqueça o trabalho, a casa bagunçada, aquele pessoal chato que quer ver o bebê e fica o dia todo…. Deite com seu bebê, se permita cochilar sempre que precisar.

Quase todas as mulheres podem amamentar. Quase todos os bebês podem ser amamentados. Pouquíssimos precisam de complemento. Portanto, tenha segurança de que você e o seu bebê tem grandes chances de terem um período de amamentação exclusiva muito, muito bom.
Lembre-se de que a OMS recomenda que a amamentação seja exclusiva até os seis meses, e que se prolongue até os dois anos, mesmo quando o bebê já come de tudo. E não, isso não é só para pessoas carentes. Todos os bebês se beneficiam disso.
E, se o pediatra receitou leite em pó logo na primeira consulta…. EU acho que é hora de procurar outro!

10 de março de 2010

O dia da mulher é todo dia...

Somos mulheres: sentimos as ondas hormonais que passamos durante nossos períodos. O ápice da fertilidade, o acolhimento da menstruação. E na gestação o corpo a se transformar em cada fase. O parto que traz a dor prazerosa, a ardência apaixonante. Ser mulher, feminina e lunar.

Está na hora de abraçar novamente esta força que faz o mundo mais colorido, de reconstruir o novo feminino, sem as armadilhas do feminismo. Chegou a pílula, a falsa liberdade sexual. A menstruação passou a ser um empecilho para os objetivos. O corpo foi privado de seu pleno funcionamento. Sem conhecer seu corpo, a mulher valorizou o homem que é capaz de lhe dar prazer sem saber que o prazer é reflexivo: você mesma tem a capacidade de senti-lo. A mulher deixou de ver-se como parte da natureza, sendo ela mesma a deusa. Abraçou um Deus patriarcal que a oprime.

Quantas vezes não nos sentimos perdidas, com nossos corpos e nossa função no mundo? Nasceu a síndrome do pânico. A alma que chora. A mulher desacreditou em si. O “doutô” faz seu parto sem dor. Ela nasce confusa como mãe. Amamenta por pouco tempo, quando amamenta, para que os filhos aprendam a ser desde cedo auto-suficientes. Os bebês se consolam sozinhos, na enorme cama escura. As mulheres comemoram os filhos, que desde de cedo dormem sem colo, comem sozinhos, andam tão rápido. Talvez para fugir? Quem sabe?

De nós foi tirado o direito de parir da maneira mais orgânica: de cócoras. Foi lá no iluminismo francês quando a Rainha Vitória foi deitada para que o rei assistisse a seu parto. Logo depois as mulheres começaram a precisar de anestésicos e os irmãos de sobrenome fórceps fizeram história com seu aparelho de extrair bebês.

Deitamos com as entranhas limpas, os pelos raspados para que um homem fizesse nosso parto de maneira mais higiênica e visível. Para facilitar a saída do bebê fomos mutiladas em nosso órgão mais sensível. Perdemos a conexão com a Terra, com sua gravidade e a força dos nossos pés plantados no chão. Desconectamos com Deus quando nossas cabeças se deitaram em uma postura de passividade. Historicamente perdemos o sagrado direiro de parir.

E as feministas nas ruas na década de 60, pregaram a nossa liberdade sexual e direitos iguais que nos fizeram iguais aos homens em seus defeitos. Fomos para o mercado de trabalho e com a pílula perdemos a conexão com nossos ciclos naturais e toda a intuição que nos dava poderes especiais. Nossos filhos foram para escolas e começamos a padecer do mal da TPM, da menopausa precoce, da vida desconectada da grande mãe Gaia.

Nós mulheres, as grandes responsáveis pela mudança de cultura, ensinamos nossos filhos a serem precocemente independentes. Não fomos abraçados pelas entranhas de nossas mães, não vencemos nossa primeira batalha e fomos separados do colo materno em nosso primeiro choro solitário e frio, calado às vezes por um bico artificial.

Nosso peito e presença foram trocados por similares de borracha e silicone, gerando mais lixo para nossa mãe Terra. O perfeito alimento de nossas mamas, abandonado por um pó artificial de outro animal, enriquecido com mil vitaminas e desprovido de amor.

Os panos que prendíamos nossos filhos junto do corpo trocados por carrinhos que viram o olhar da criança para longe de suas mães, o universo mais lindo que precisam olhar. E as histórias contadas por aquela melodiosa voz conhecida trocada por um aparelho que coloca imagens prontas e histórias com vozes esganiçadas e frenéticas. Trocamos nossas presenças por presentes.

Aquela deliciosa comida substituída por papas processadas e esquentadas em um aparelho que gera ondas altamente maléficas. Nossos filhos não conhecem vacas, galinhas, macacos, que não sejam em zoológico ou documentários e poucos sabem os nomes das frutas naturais e que não nascem em caixinhas.

O que proponho hoje é resgatar este feminismo oprimido, a consciência de nossa responsabilidade enquanto mães de estar presentes, de participar da educação e oferecer um desenvolvimento mais natural e harmônico. Resgatamos a união com Terra e Céus na hora do parto, a ecologia da dança sagrada dos hormônios sem intervir com forças externas, de permitir que nossos filhos não fiquem com a lacuna do não acalanto de seu primeiro choro e não sofram as terríveis invasões de seus corpos pequenos e indefesos.

Somos loucas questionadoras em um mundo de gente que segue a corrente mecanicista. Resgatamos nosso adjetivo mais belo: mamíferas!

Somos bruxas, malucas que parimos em casa e dizem que fazemos ritual para comer placenta. Somos lindas com nossos corpos e peitos, sempre amostra. Fazemos a verdadeira revolução feminista. Plantamos a cooperação e o amor. Lá para frente, talvez em outra dimensão ou lugar, poderemos ver surgir os frutos da paz.

A estas mulheres, que se lembrem que hoje é o dia de lembrar que todo dia é nosso.

Por Kalu Brum do Blog Poesias Bailantes

4 de março de 2010

Parto em casa, mitos e verdades

Semana passada saiu uma matéria no Guia do Bebê sobre os risco de um parto em casa.

Triste!

Triste ter gente que acredita nisso ainda. Triste que gente que não vai atrás de informação verdadeira quando tem tanta coisa boa na internet.

Fiquei chocada com o que li! w(º 0º )w

Daí, dias depois, soube que a Dra. Melania Amorim, obstetra-humanista que está sempre em busca de conhecimento e atualização nessa area, respondeu a esse artigo com evidências científicas.

Leia um trecho:
"Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.

Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.
Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas."


Vale a pena ler a resposta completa da Dra. Melania e aprender, mais pouco, sobre parto domiciliar. ;)