Meu Rafael, que tinha recem completado 6 anos, teve apendicite aguda.
Era uma manhã de sexta-feira, e como sempre, os meninos acordaram já pedindo o café da manhã. Rafael que é o mais comilão da casa, comeu seus dois pães e bebeu seu leite com chocolate, sem reclamar, eram 9 horas da manhã.
Na hora do almoço ele me pediu ovos cozidos e eu fiz, mas ele não quis comer quase nada, reclamou que a barriga estava doendo, que estava com a barriga cheia, e o Gabriel idem.
Fiquei brava por fazer a comida e ter que jogar fora e dei bronca nos dois. Logo eles foram brincar sem problema.
No lanche da tarde o Rafa comeu algumas bolachas e um suco, normalmente, mas ainda reclamando de uma dorzinha na barriga. (Quero aqui deixar claro que ele sempre reclama de dor na barriga, mas sempre perto do horário das refeições, ou seja, reclama de fome, por isso eu não dei muito atenção no dia)
Na hora da janta, ele estava comendo normalmente, sem reclamar e de repente vomitou. Um pouco, não muito, e eu pensei que uma virose estava começando. O marido estava saindo para o trabalho e eu disse para que não se preocupasse.
Depois disso ele ainda brincou mais um pouco, e depois foi dormir.
Na manhã seguinte ele acordou com diarréia, sem febre nem nada mais, dai eu comecei a administrar soro caseiro e líquidos e alguma fruta que ele quisesse comer.
Ele não teve muito apetite esse dia e evacuou várias vezes, mas eu estava acompanhando e vendo como estava, para não deixar desidratar e comecei a dar homeopatia para a virose também.
Do sábado para o domingo ele teve febre na madrugada, e o Gabriel também.
Pela manhã Gabriel teve diarréia, e conclui que a virose tinha pego os dois, fui administrando o soro e a homeopatia, e os alimentos que eles aceitassem.
No domingo a noite ele conseguiu comer um pouco, não vomitou e nem teve diarréia, apresentava sinais de melhora, Gabriel idem, então eu pensei que estivesse melhorando mesmo. Eu sabia que virose tem um pico no terceiro dia e em cinco ou seis dias, acaba de vez.
Segunda-feira ele brincou com o irmão, não apresentava mais febre, fez as três refeições, sem vomito, nem diarréia. Estava meio amuado e com a barriga estufada, pensei que pudesse ser verme também. Ele só reclamava que a barriga doía, não muito, um pouco.
Terça-feira ele voltou a ter febre e começou a diarréia novamente, não quis mais comer, nem brincar. Eu fiquei administrando o soro caseiro e a homeopatia, o marido estava trabalhando de dia e quando chegou a noite, o menino voltou a vomitar, foi então que o levamos para o PS.
No PS o médico apertou sua barriga e menino pulava de dor, não conseguia gritar porque estava bastante fraco, o médico disse que a dor era perto do baço e que teria que fazer ultrassom para ver direitinho o que era.
Como estava muito tarde, o pai ficou com ele e eu voltei para casa com as outras crianças para coloca-los para dormir.
Depois de vários exames, foi constatado que ele estava com apendicite aguda e seria feita uma cirurgia urgente, que seria as 10hrs da manhã da quarta-feira.
Meu marido me ligou as 5 da manhã para me contar e caiu em prantos, dizendo que o medico disse que nosso filho poderia morrer. (Aqui no Japão eles nunca preparam a gente para o "tudo vai dar certo" eles sempre dizem tudo que pode dar errado. Um horror!!!)
O pai estava cansado da noite toda e eu fiquei com o menino até o começo da cirurgia que durou aproximadamente 2 horas.
Era quase meio dia quando o médico me chamou e disse que tudo tinha dado certo e que meu filho já estava bem. Me mostrou as fotos do abdomen do meu filho aberto apontando os locais onde havia uma grave infecção que já havia tomado conta de quase todo o intestino. Eles tiraram tudo para fora, drenaram, retiraram o apendice e depois colocaram tudo para dentro de novo.
Vejam as fotos que o médico me deu:

Aqui a pinça segura o apêndice, que foi a parte que o médico retirou.
Esse é todo o intestino dele. Do lado direito dá para ver como estava infeccionado e bastante inchado.
Já depois da cirurgia do apendice, a foto um pouco mais perto da para ver o pus dentro do intestino. (Parte esbranquiçada que foi toda lavada com água quente e drenada.)
Logo que chegamos no quarto já retiraram a sonda, mas ele queria beber agua e não podia. Teve que ficar 3 dias sem comer, nem beber absolutamente nada. Essa parte foi muito dura porque ficávamos em quartos conjuntos e ele via o tempo todo as pessoas comendo e bebendo e me pedia só um pouquinho, mas eu não podia dar, só passava um paninho úmido em seus lábios e deixava ele escovar os dentes, mais nada.
Depois do terceiro dia, tomando soro e antibióticos, sentindo as dores da cirurgia, ele pode comer, os irmãos foram visitá-lo no hospital, brincaram juntos, foi uma festa, no quarto dia, retiraram o pano que recobria os pontos, ele fez uma limpeza e pode tomar banho.
No quinto dia o médico retirou 3 grampos (aqui no Japão não são pontos com linha, são grampos de grampeador, outro horror! E o retirou também o dreno que servia para "puxar" o restante do pus.
No sexto dia, retirou os outros 3 grampos e o soro. Ufa! O menino pode andar livre e solto pelos corredores.
No sétimo dia pela manhã recebemos alta. Ele fez exame de urina e sangue e fomos para casa, era quinta-feira de manhã.
Voltamos na segunda-feira para mais uma kensa e estava tudo bem.
O médico disse que poderia fazer tudo o que quisesse, correr, brincar, pular, sem medo e que ele estava muito bem.
Que no futuro ele pode ter algum problema no intestino, quando for maior de idade, e que portanto, a qualquer sinal de dor forte, vomito e diarreia, procurasse o hospital mais próximo.
Deixo aqui meu muito obrigada ao Dr. S. Yanagisawa mais uma vez, pela sua atenção e delicadeza e também por saber falar inglês tão bem. Me ajudou muito! =)
Ele trabalha na Jichi Medical University, um medico exepcional que Deus colocou em nossas vidas.
Algumas considerações:
- A causa da apendicite do meu filho foi uma semente de cereja, acreditem se quiser. O médico me mostrou quando terminou a cirurgia. Ela estava entupindo o canal do apêndice. =(
- Aqui a incisão da cirurgia é na vertical, e eu não sei porque já que no resto do mundo é na horizontal e já ta mais do que explicado dos benefícios da incisão horizontal, ainda não achei evidência do porque eles fazem cirurgias na vertical, se alguém ai souber me fale por favor.
- As enfermeiras foram muito prestativas e atenciosas, mesmo eu não sabendo falar quase nada, me ajudaram muito.
- Eu ainda acredito na homeopatia como primeiro recurso, mas agora sou mais cautelosa com os sintomas, aprendi uma lição valiosa com tudo isso.
- A ligação entre o Gabriel (menor) e o Rafael (maior) é tão forte, tão grande, tão linda, que o menor ficou com os mesmos sintomas do irmão e até hoje é assim, se o mais velho fica doente o mais novo tem os mesmos sintomas. Eu acho isso muito interessante.





