15 de novembro de 2010

Escola japonesa x escola brasileira

Quem tem filhos aqui, uma hora ou outra vai lidar com essa questão. Não vou ser técnica, nem dizer o que é melhor ou pior. Vou dar a minha opinião, como mãe de (quase) duas crianças em idade escolar, com base em pesquisas próprias.

Na minha concepção, a gente deveria responder a duas perguntas:
1- Quanto dinheiro eu posso gastar com a escola?
Infelizmente, as escolas brasileiras são caras. Mais caras, pelo menos, que as escolas japonesas não particulares. Mesmo a escola japonesa é paga: a gente paga o almoço, o material, algumas coisinhas simples e, quase sempre, baratas.

2- Quanto tempo vamos ficar no Japão (ou em qualquer outro lugar do mundo)?
Eu acredito que, se a idéia é ficar no Japão para sempre, o ideal é a escola japonesa. Se a criança obtiver a mesma educação das crianças japonesas, ela vai ter mais chances no mercado de trabalho. Vai poder cursar uma faculdade aqui sem grandes problemas.

Agora, se a idéia é ficar por um tempo determinado, depois voltar ao Brasil, é melhor colocar em escola brasileira. Por mais que a matemática seja a mesma em qualquer lugar do mundo, todo o resto não é. Não é impossível a criança se adaptar e conseguir notas boas quando retorna à pátria, mas como alguém que passou por isso, eu digo: é muito trabalhoso, cansativo e estressante.

Claro, existem várias outras coisas a serem consideradas, mas acredito que esses dois pontos são os mais importantes.
As escolas brasileiras daqui, em sua maioria, não atendem às expectativas, não passam o conteúdo necessário (aliás, como a maioria das escolas por lá, mesmo), os professores não estão preparados, nem atualizados, muito menos motivados. Não existem em qualquer esquina, como as escolas japonesas, podem não ser certificadas, além da criança criar um círculo social fechado.

Já as escolas japonesas, apesar de uma boa parte estar preparada e ter suporte para os estrangeiros, são muito diferentes do que nós conhecemos. Elas exigem muito das crianças e dos responsáveis. São reuniões, afazeres, festas, marmitas, passeios, visitas do professor em casa, dos pais na escola…. E a preparação começa 6 meses antes do início das aulas. Praticamente impensável no Brasil. A gente não escolhe a escola: simplesmente vamos para a escola mais próxima de casa. Pode ser difícil conversar com o professor, com a escola. Também existe o problema do ijime, que não ocorre só com estrangeiros, mas ocorre bastante. E quando não se consegue uma comunicação boa com a escola, dificilmente o problema será resolvido. O pior é quando os pais não conseguem ajudar os filhos com as tarefas de casa.

Nenhuma das opções é 100%, nunca. Em nada, na verdade, mas aqui realmente fica quase num 50%-50%. Cada família vai precisar pensar nas possibilidades, nos planos, nos prós e contras, conversar, visitar ambas as escolas e, só assim, decidir a melhor opção.

Lembrando que, apesar de complicada, a adaptação acontece e rápido. Tanto para quem muda de escola brasileira (do Brasil ou daqui) para escola japonesa, quanto para quem muda de escola japonesa para a escola brasileira. E quase sempre existe a opção de mudar.

11 de novembro de 2010

Unassisted birth (Parto Desassistido)

Resolvi falar um pouco sobre o parto desassistido já que passei por essa experiencia a pouco mais de dois anos atrás e a maioria das pessoas considerou e considera uma atitude irresponsável e inconsequente.

Eu digo que não é. Foi uma decisão conjunta entre mim e meu esposo.
Uma decisão pensava e avaliada, e é, entre tantas outras opções, uma opção com riscos e probabilidades.

Quem pensa que um parto em hospital tem maior chances de tudo dar certo, precisa ler e estudar um pouquinho mais para entender que não é bem assim.

Todo parto tem riscos. Em casa, no hospital, assistido ou não.

Numa gestação saudável, onde é feito um pré-natal tranquilo e é considerada gestação de baixo risco, a melhor opção é um parto natural.

A cesariana agendada por exemplo, tem 4 vezes mais riscos de morte materna e 10 vezes mais risco de morte neo-natal do que um parto natural.

Um parto normal em hospital tem mais chances de hemorragia, infecção hospitalar, bebe nascer mal por causa dos medicamentos aplicados na mãe, entre outras coisas.

Dai alguem pode me perguntar: E se o bebê morrer num parto desassistido? Como você iria reagir?

Eu penso que alguns bebês morrem após ou durante um parto, independente do local do nascimento.

O maior risco que existe num parto desassistido é do bebê nascer muito mal, precisar de ressuscitação e não ter um profissional capacitado para fazê-lo. (uma parteira nesse caso saberia muito bem fazer o procedimento, ou seja, num parto assistido esse risco é totalmente reduzido).

Outro risco é o de prolapso de cordão, que ocorre quando o cordão umbilical sai antes do bebe. Quando a cabeça desce, o cordão é comprimido e isso pode restringir o fluxo de oxigênio para o bebe.

São riscos pequenos, que eu posso escolher correr ou não, assim como os riscos do parto no hospital, que muitas mulheres hoje também escolhem inconscientemente.

A diferença é TER A CONSCIÊNCIA DA SUA ESCOLHA.

Quando uma mulher escolhe um parto no hospital sem questionar a conduta médica, ela está se colocando totalmente nas mãos do médico, sem muitas vezes saber o que é realmente bom ou ruim, ela só confia "cegamente" e pronto.

Confesso que esse tipo de decisão não faz mais parte da minha forma de encarar a vida, a gestação e o parto, mas se for uma boa opção para quem assim o faz, tudo bem, eu respeito.

Bom, para completar esse post, eu achei esse video hoje e já assisti umas cinco vezes! =)

É de um Parto Desassistido. Lindo, tranquilo, respeitoso, do jeito que todo parto assistido deveria ser, penso eu.

É uma pena que para parir dessa forma, respeitando o corpo, o tempo de cada mulher e cada bebê, as mulheres tenham que ser taxadas de loucas e parirem sem assistência. =(

Para quem quiser saber mais sobre parto desassistido acesse o site em ingles: http://www.unassistedchildbirth.com/

9 de novembro de 2010

Leite em pó/formula infantil é leite de vaca? Ééééééé!

Eu não entendo porque muuuuitas mães pensam que leite em pó/formula infantil não é leite de vaca, não entendo...

Tem leite de soja para lactantes com intolerancia a lactose, mas são excessões ok?

Na entrevista a seguir, com a nutricionista Denise Carreiro, ela fala sobre a importancia do leite de vaca na dieta, o quanto nós nos alimentamos e alimentamos nossos bebês de forma incorreta.

Logo abaixo, um trecho de seu livro: "Mães Saudáveis têm Filhos Saudáveis", onde ela explica o que são as formulas infantis.

Espero que fique claro para quem quiser entender melhor o assunto.




Fórmulas Industrializadas:

Os alimentos industrializados para bebês surgiram há quase um século. Inicialmente como leite de vaca em pó e depois evoluindo para as fórmulas comerciais, hoje especializadas e segmentadas para atender diversas demandas. As fórmulas comerciais retratam o atual estágio da ciência, que ainda não consegue criar um produto artificial próximo aos requisitos necessários para uma nutrição eficiente. Porém, sua contribuição para casos específicos é inegável. Mesmo limitadas, as fórmulas comerciais podem ajudar os bebês quando estes possuem limitações que os impedem de receber uma alimentação completa que, além de todos os nutrientes, também fornece os substratos necessários para o seu desenvolvimento, que é o leite materno. Outro fator negativo das fórmulas é que estas, por serem oferecidas por mamadeira, comprometem o desenvolvimento da musculatura orofacial, que afeta a deglutição, a fala e a respiração.

Infelizmente, a banalização do uso de fórmulas comerciais, em detrimento da amamentação exclusiva, acaba por comprometer o desenvolvimento adequado das crianças tornado-as mais susceptíveis a desequilíbrios nutricionais que poderão trazer consequências para toda vida. O consumo de fórmulas artificiais passou a ser a primeira opção de alimentação quando, pelo bem do bebê, deveria ser o último recurso a ser utilizado. A amamentação exclusiva é comprovadamente a única maneira de proporcionar a alimentação ideal no início da vida. O bebê nunca deveria ser privado de todos os seus benefícios. A alimentação artificial está associada ao risco aumentado de mortalidade infantil por doenças infecciosas e desnutrição, assim como causar anemias, comprometimento do crescimento e desenvolvimento, aumento das alergias alimentares e, por consequência, desencadear doenças crônicas não transmissíveis que podem ser mantidas durante toda a vida.

A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam para a população em geral, que os bebês recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros 6 meses de idade e que após esta idade a criança receba a alimentação complementar segura e nutricionalmente equilibrada, juntamente com a amamentação, até os dois anos de vida, ou mais.

Na impossibilidade do bebê ser amamentado exclusivamente até 6 meses, vai ser necessária a introdução de fórmulas comerciais ou mesmo outros substitutos do leite materno, como mamadeira de frango com arroz e/ou leite de quinua. A decisão sobre qual substituto adotar vai depender da avaliação de diversos aspectos como, aceitação do bebê, condição econômica, processos alérgicos (pessoal e familiar) disponibilidade dos produtos, entre outros.

Os produtos comercializados no Brasil são divididos em:

· Fórmulas infantis paralactentes: são destinadas à alimentação de lactentes, até 6 meses de idade, sob prescrição de um médico ou nutricionista, para substituição parcial ou total do leite humano.

· Fórmulas infantis de seguimento para lactentes: são destinadas à alimentação
de lactentes, a partir dos 6 meses de idade, para substituição do leite materno.

· Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas: são fórmulas cuja composição foi modificada para atender às necessidades específicas decorrentes de alterações fisiológicas e/ou patológicas, como, por exemplo, a redução no conteúdo de lactose para crianças com intolerância à lactose. Também existem as fórmulas com as proteínas do leite de vaca parcialmente hidrolisadas e aquelas com as proteínas totalmente hidrolisadas.

· Fórmulas de nutrientes para recém-nascidos de alto risco: indicado para a alimentação de recém-nascidos prematuros ou de alto risco, prematuro com menos de 34
semanas de idade gestacional e muito baixo peso ao nascer, <1500g. style="font-weight:bold;">são produtos à base de leite de vaca in natura, mantendo suas características podendo ou não ter sua composição modificada, por meio de fortificação ou redução de nutrientes, com o objetivo de trazer algum benefício à saúde. Lembrando que todas as sociedades de pediatria, inclusive a brasileira, recomendam a não utilização de leite de vaca e de soja no primeiro ano de vida do bebê e, se a criança for filha de pais alérgicos, até o segundo ano de vida. É importante salientar que normalmente as crianças com alergia a
proteína do leite de vaca também são alérgicas a proteína da soja.

As fórmulas comerciais para a substituição ou complementação do leite materno são
formuladas a partir do leite de vaca ou de soja, e adequadas de acordo com os
padrões do Codex Alimentarius (FAO/OMS), destinado à alimentação do lactente.
Atualmente, os tipos de fórmulas industrializadas disponíveis no mercado se apresentam como:

• Fórmulas de Partida

• Fórmulas de Seguimento ou Sequência

• Fórmulas à Base de Soja

• Fórmulas Isentas de Lactose

• Fórmulas Anti-Regurgitação

• Fórmulas Semi-Elementares

• Fórmulas Elementares

• Fórmulas para Prematuros e/ou Recém Nascidos de Baixo Peso


Fórmulas de Partida:
Formulações que preenchem adequadamente as necessidades de nutrientes de crianças
saudáveis, quando utilizadas de forma exclusiva até 6 meses de idade.

Fórmulas de Segmento ou Seqüenciais:
Produto em forma líquida ou em pó, utilizado como substituto do leite materno a partir do sexto mês, quando indicado, e para crianças na primeira infância (12 meses a 3 anos). Deve-se adequar às necessidades nutricionais desta faixa etária.

Fórmulas Isentas de Lactose:
Para ser utilizado nos casos de intolerância à lactose por deficiência da enzima
lactase, causada por lesões da mucosa intestinal ou causas genéticas.

Indicadas para crianças com má digestão da lactose (congênita, doença celíaca, ressecção intestinal, desnutrição, recuperação de diarreia).

Fórmulas Anti-regurgitação:
Indicado para quando o RGE for patológico.
O refluxo gastresofágico (RGE) é considerado fisiológico no período neonatal (metade dos lactentes até 2 meses de idade apresenta regurgitação).

Fórmulas Semi-elementares:
Formulações à base de hidrolisado proteico do leite de vaca e de soja, ou seja, a proteína é submetida a processo de hidrólise, que resulta em oligopeptídeos (incapazes de desencadear resposta imunológica). Indicadas em casos de alergia ao leite de vaca e de soja, condições de má absorção (doença gastrointestinal, hepatobiliar, fibrose cística, síndrome do intestino curto, colestase entre outros). Existem as fórmulas com proteínas parcialmente hidrolisadas e as totalmente hidrolisadas.

Fórmulas Elementares:
Mistura de aminoácidos
Formulações à base de hidrolisado proteico: proteína submetida a processo de hidrólise, que resulta em aminoácidos livres (100%).

Indicadas nos casos nos quais não se obteve sucesso no tratamento com fórmulas
semi-elementares (quanto mais extensa a hidrólise, menor a antigenicidade).

Fórmulas para Prematuros e/ou Recém-nascidos:
Fórmula acrescida de soro de leite, ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa
(LC-PUFAs). Indicada para atender às necessidades nutricionais dos prematuros
e/ou recém-nascidos de baixo peso, levando em consideração sua imaturidade
digestiva e metabólica.

Simplesmente Mulher - edição Nov/2010

Confiram a matéria desse mês!
Clique para ler a matéria! ;-)

8 de novembro de 2010

Charutinho de bebê (para acalmá-lo)

Você já ouviu falar em charutinho de bebê?

Você embrulha o recém nascido com uma fralda ou cueiro, bem embrulhadinho, e faz o charutinho, logo em seguida pode balança-lo para acalmar e fazer o: shhhhhhh, shhhhh...

Pode embrulhá-lo assim também e fazer o banho de balde (Tummy tub), com a agua a 36 graus.

O bebê se sentirá como que dentro do ventre materno e se acalmará facilmente.

Veja no video como é fácil:


Depois você pode também utilizar o barulho de um secador de cabelos ou aspirador de pó. São ruidos que se parecem com aqueles feitos pelos orgãos da mãe, quando o bebê estava dentro da barriga.

Tem também esse som aqui: Som do utero que muita gente grava e deixa sempre por perto para ajudar acalmar o bebê em momentos que nada funciona. É como mágica!

Para quem não sabe, até completar 9 meses, os bebês não sabem que sairam do ventre materno, não tem essa percepção. Tudo é novo, tudo é assustador, tudo é muito grande, muito estranho!

Colo, peito, carinho, sons, gestos, cheiros e tudo mais que possa "imitar" o ventre materno acalma, tranquiliza.

Experimente e você verá o quanto é bom! =)

27 de outubro de 2010

Amamentação Exclusiva até seis meses

por Larissa Hernandes
Hoje meu Francisco faz seis meses! Como passou rápido!

Sempre vejo textos sobre os seis meses de amamentação exclusiva e tal, e como não podia deixar de ser, fazem seis meses que Francisco mama somente no peito, mas assumo que essa não foi uma grande dificuldade para mim. Seis meses de amamentação exclusiva do quarto filho não é muito difícil assim!

Admiro muito aquelas mulheres que voltaram a trabalhar e continuaram mantendo a amamentação exclusiva! Ou aquelas que enfrentaram grandes problemas e que superaram e foram em frente!

Eu ainda amamento o Pietro também, que esse mês faz 2 anos e 10 meses. Mas também não vejo nada muito especial. Eu não tive rachaduras, mastite, nem nada muito complicado (só um pontinho branco no bico).

Para mim é tão lindo olhar meu pequeno com seis meses! Saber que ele pode estar pronto para passar para uma nova fase na vidinha dele!

Amanhã vou ver se ele aceita uma frutinha. Se aceitar, legal! Se não aceitar, tentaremos outro dia, afinal o Pietro só esteve pronto para começar a comer com 7 meses e meio, e com o Francisco essa nova etapa será introduzida gradualmente como foi com o Pietro.

Penso eu: Pra quê pressa? Pra quê querer ver ele crescer tão rápido? Já não basta o tempo que não perdoa e passa sem nem mesmo esperar um pouquinho!?

Sei que um dia ele vai comer, ele vai andar, ele vai falar e certamente vai aprender a amarrar os próprios sapatos. O tempo não dá para segurar...

Enquanto isso ele já tem três dentes e os três nasceram embaixo. Enquanto isso ele já se arrasta por toda a nossa cama compartilhada. Rápido demais! Acho que por ver os três irmãos ele quer acompanhar o ritmo da casa!!! rsss

Queria que ele tivesse esperado mais um pouquinho e ficasse sendo aquele bebezinho pitico que eu pari. Que coube em cima da minha barriga assim que saiu de mim, e que ficou me olhando com aqueles olhinhos inchadinhos por duas horas inteirinhas depois que nasceu como que me reconhecendo, e eu olhava para ele agradecendo nosso momento, o meu momento mais lindo, e perguntando para ele se ele não estava cansadinho e se não queria dormir, pois eu estava esgotada!!! Afinal trabalhamos juntos para ele nascer!

Dia 17 fez seis meses que ele nasceu às 5:23 da manhã! Ele acordou às 6 horas, me olhou e sorriu, como faz todas as manhãs, mas hoje ele pareceu sorrir diferente! E eu sorri de volta e falei: Parabéns filho! E em silêncio pensei: "para nós". Mas hoje é o dia dele, como todos os dias 17 são.

O meu dia eu comecei a relembrar ontem, como todos os dias 16 eu relembro! Foi o começo do MEU nascimento que chegou ao ápice no dia 17 às 5:23 junto com o Francisco.

Tenho saudades de tudo o que o nascimento dele me proporcionou. Saudades de sentir o poder que senti! Saudades até das contrações! E saudade daquele bebê molinho ainda. Saudades daquele chorinho resmungado de recém nascido. Saudades do cheirinho de bebê fresquinho! Saudades do primeiro sorriso e do sorriso banguela. Saudades do primeiro balbuciar e da primeira vez que vi o seu olhar!

Mas o tempo passa e meu bebê está crescendo! Seis meses e já pode comer!

Logo vai andar, depois correr, ir para a escola, arrumar uma namorada...

Mas enquanto esses momentos não chegam eu venho aqui para compartilhar minhas duas alegrias de hoje! Os seis meses de nascimento do Francisco e os seis meses que eu pari o Francisco!

Observação: A Larissa é uma super materna que pariu Francisco depois de 3 cesareas! Assumiu os riscos e foi em frente confiando em sua capacidade de parir. Um lindo VBA3C que está no video abaixo.
O relato completo está aqui.

24 de outubro de 2010

Um relato de VBAC no Brasil

A Fran foi nossa colaboradora aqui na Materna no inicio do blog. Ela tinha tido uma cesarea aqui no Japão fazia pouco tempo, o relato está aqui.

Ano passado ela voltou a morar no Brasil e teve uma menina em julho desse ano, Alizie, desta vez através de seu tão sonhado parto Humanizado.

Parabéns Fran, por toda sua luta, e por ter vencido e conquistado um parto digno.


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O DIA P

Exatamente às 6:10 da manhã (dia 19 de julho, numa segunda-feira) senti um 'ploc' interno da cabeça do bebê dando sua última ajeitada lá dentro, lá embaixo. Foi como que se tivesse escorrido para baixo e ao mesmo tempo tirado o vácuo que existia. E exatamente 3 minutos depois senti uma contração. Não houve contração para um bolo, para a barriga de gesso, para esperar muito para chamar a doula. A cada 3 minutos eu me concentrava para uma contração e me preparava para me equipar e ficar ali mesmo no quarto.
Foi de joelhos 'aos pés' da cama que recebi o telefone (dado pelo maridão Mora) e chamei a doula que 'me escolheu' para me ajudar. Foi com um apoio de mãe e marido que consegui fazer algumas coisas. Foi com o apoio da doula que fui tentando drilblar todo o resto até chegar na minha última opção de relaxamento: a banheira.
Antes de pensar em banheira e pouco depois de chamar a doula eu já estava com 5 cm de dilatação.
O Maurício perdeu seu compromisso e passou a segunda em casa cuidando de nosso primeiro fruto, apreensivo com a caída (que não acontecia logo) do segundo.

EM CASA

Os meninos (meus 2 irmãos) ficaram recuados na sala de tv, bem quietos e tratando do Sr. Benjamim com todo o carinho. Depois marido ficou com ele e assim permaneceu até dormirem (os 2 - pai e filho) por lá mesmo na sala. Tio Cido (o paidrasto amado) permaneceu o tempo todo em seu canto como sempre e a postos para qualquer favor. Mami entrava toda hora no quarto - uma vez com canja vegetariana, outra com vitaminas C, até mesmo com prendedores de cabelos, mas na maioria das vezes com água quente para a banheira (uma piscina oval inflável).

5 CM

Já era de madrugada, eu perdia um líquido verde claro que no começo garantia ser o tampão, pois era viscoso e gelatinoso e todo esse 'oso' que nos dá esta certeza. Mas após a insistência desse líquido, sempre acompanhado de xixi porque a cada contração eu me sentia melhor passá-la com uma toalha debaixo do períneo (fosse até mesmo na banheira), nós chegamos a pensar no rompimento da bolsa e no "mecônio" (primeiro cocô do bebê feito ainda dentro do útero), e então ficamos de olho caso precisasse ir para a maternidade.
Esta minha segunda experiência com contrações foi diferente: bem ritmadas, intensa e abri os 5 cm muito rápido (já havia demorado da primeira vez para chegar até ali). Porém desta vez sentia um 'revertério' estomacal a cada e qualquer coisa que engolia após uma contração forte, com isso desde aquela 6 horas da manhã nada parava no estômago. Mais de 20 horas sem comer as contrações já me desmontavam, bambiavam minhas pernas e me deixavam despreparadas para a próxima. Doula preferiu (sim ela era a minha consciência para tudo nesta hora) e me levou para a maternidade, já estava dentro da situação: bolsa rota-estourada (vai saber se e desde quando?), presença de mecônio, 20 horas sem comer e muito tempo já sem se abrir.
Vamos ser sinceros em dizer que não viria evolução.

NA MATERNIDADE

Aquela judiaria de começo com a entrada, certos papéis, alguns exames para fazer...
Então confirmamos os 5 cm (mas o colo era fino e estava evoluindo bem), confirmamos o mecônio (mas era fraquinho e estava sob cuidado), mas não confirmamos a bolsa rota e nem sabemos (nem os médicos) qual foi a hora em que ela rompeu e eu creio absolutamente que fui perdendo o líquido aos poucos.
Eu estava muito fraca (apelido) mas não parava de "sonhar" (literalmente) com o parto normal.
Com uma maternidade totalmente humanizada, onde a episiotomia (o corte, o pic), as intervenções e a cesárea são divulgadas como somente feitas se realmente necessárias, eu só poderia continuar confiando no parto normal/o mais natural possível, estava me esforçando.

PARTO SEM DOR

Confessei meu desejo de parto para o doutor e fui muito bem atentida, fizeram o que podiam. Recebi uma analgesia considerada uma das melhores e menos invasiva (corporal) que poderia receber, sentia as contrações bem fraquinhas, ganhei forças, tomei muito suco, respirei, me exercitei e abri.
Conheci a Adelita (enfermeira obstetra humanizada que realiza partos domiciliares - parteira- juntamente com sua equipe), sonhamos juntas, tentamos banquinho, cavalinho e até cócoras mas foi deitada em quatro apoios (genupeitoral), ali mesmo na famosa cama PPP (pré, parto e pós), que comecei a expulsar o bebê.
Eu era a última do dia, a aguardada. As pessoas que me rodeiavam eram todas queridas, já conheciam a minha história, me apoiavam e me ensinavam a empurrar. E eu estava fazendo certo, eu empurrava certo, dava o meu melhor para todas as dicas. Mami estava lá, lá atrás, atrás de mim... sim no popô (ohhh).
Havia uma borda de colo (de útero) na parte da frente (frontal aos pequenos lábios) e eu senti vontade de segurar ali para facilitar a saída da cabeça. Me lembro que fiz muuuita força, daquelas fenomenal mesmo.

Maurício querido foi em busca de nossos sonhos materiais, eram inadiáveis. Acompanhou tudo a distância e hoje compensa com todo o seu apoio em casa.

PÓS-PARTO

Eu não havia recebido corte e também não ganhei pontos no períneo, ele permaneceu íntegro até o fim.
Achei incrível todo o processo pós-parto ao olhar aquele bebezinho tão pequeno mas tão grande para isso.
Muitas são as coisas que aconteceram, muitas são as coisas que Adelita (amada) fez por mim, obrigada. Obrigada a todos!

Mami trouxe a placenta para casa e está agora plantada lá na chácara e com 3 meses de vida!

O BABY

Quando apertei, o clítoris (ou clitóris), realmente facilitou e saiu rapidinho. Vimos que era uma meninA, mami se emocionou demais, pediram (enfermeiras) para clampiar e cortar breve pois o nenem com certeza havia respirado mecônio e precisava ser visto logo. Tive uns minutinhos de contato mas não seria prudente amamentar e não o fiz. Mas não demorou muito para tê-la comigo e nunca mais me separar.

UM SISTEMA

Por estar na maternidade cumpri, claro, todo o protocolo do hospital. É um sistema (bicho papão) como todo sistema deva ser, mas era (é) humanizado e isso já me tocou bastante. Me senti bem a todo momento, fui muito bem tratada (até minha dieta vegetariana recebi sem problemas e nem questionamentos) e não existia uma pessoa que não me marcou lá dentro (simpáticos). Conversei por demais, fiz por demais novas amizades, informei e ganhei por demais novas informações... ganhei uma filha delicada e boazinha por demais.
Mas é aquela coisa para quem sabe, quando você cai no sistema não tem mais volta o ideal é ficar bem longe dele.

A AMAMENTAÇÃO

Com uma experiência prévia desta vez eu não passei sabão, eu não esfolei, não amaciei, não passei óleo não passei nada, simplesmente água e tão só. A pega deste filho é diferente, a dor é quase inexistente, e, como da primeira vez, o leite desceu no quarto dia só que sem problemas (sem fissuras, sem dor nem nada).
Minha filha mama em livre demanda. Passa o dia todo se espreguiçando, mamando e cochilando, e a noite toda dormindo a ponto de ter que acordá-la para mamar e se fortalecer.

* Foi no dia 20 de julho de 2010 - 38 semanas e 5 dias - Alizie Morely Nasceu!

(Eu posso ter me esquecido de coisas importantes... eu ainda vou dizer...)

Observação: eu tive a Liz de uma maneira que eu pensei ser impossível para mim: posição ' genu peitoral', mas famosa como quatro apoios. Cavalinho me cobria muito e banquinho não sentia minhas costas confortáveis, foi por isso.
E ô posição boa para as costas, para a força e descanso tudo ao mesmo tempo.
Esse desenho ao lado mostra muito bem como eu estava. E com esta posição ainda é possível fazer força com os braços, na cama PPP (a qual usei na maternidade) é equipada para este tipo de posição também.

21 de outubro de 2010

Um relato de cesárea desnecessária no Japão

É triste mas é real. No Japão já se faz cirurgias desnecessárias em gestantes de baixo risco.

O relato abaixo não é o primeiro que conheço, e pelos depoimentos que recebo diariamente, sei que muitas mulheres acabam se sujeitando à cesarianas desnecessárias porque o médico não lhes dá outra opção.

A Érika acompanha nosso blog desde o começo da gestação e lutou até o fim por um parto natural, mas infelizmente seu médico usou de táticas de terrorismo para fazê-la não acreditar que seria capaz de parir.

Eu fico muito, muito triste em saber que a "industria da cesarea" já se instalou aqui e que as mulheres tem que agora que ficar pulando de hospital em hospital para conseguir um atendimento descente e humanizado.

Postei recentemente a lista de FALSOS MOTIVOS ALEGADOS PARA CESAREA, feita pela Dra. Melânia Amorim, obstetra do Brasil, e fica como dica para quem quiser consultar.

Para a Érika eu desejo uma maternidade feliz e que num próximo parto ela possa ser acompanhada por bons profissionais que acreditem no poder do feminino e em sua capacidade de gestar e parir.

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Minha princesa chegou no dia 23/06/10, pesando 4.130kg e com 52,5cm.

Meu parto foi cesarea, no inicio foi muito frustante para mim, pois desejava muito ter um parto normal.

Sempre soube que aqui no Japão é comum ser feito parto normal, e que eles fazem a cesarea em ultimo caso.

Com 38 semanas o medico pediu um raio-x para saber com certeza as medidas do bebe, pois ele achava o bebe grande e "suspeitava" que eu não teria passagem, e que talvez tivesse que induzir o parto normal.

Após o exame ele achou que poderia segurar mais uma semana e que o bebe sairia por via vaginal sem problemas.

Na semana seguinte eu sentia algumas dores mas nada muito serio, quando fui a consulta de 39 semanas ao relatar as dores ao medico, ele fez exame de toque, o ultrasson e disse que não teria condições de fazer um PN, pois na ultrassom minha bebe já parecia ser grandinha, e pelos "sintomas" já era para eu estar entrando em trabalho de parto mas meu corpo estava normal, não estava respondendo ao bebê.

Então ele indicou uma cesarea, que na hora eu neguei pois queria PN, pedi para que ele induzisse, e ele disse que até poderia fazer isso mas que pelo meu quadro ele achava que eu iria passar por todas as dores e ter que fazer a cesarea do mesmo jeito, e uma cesarea de emergencia eles iriam cortar minha barriga na vertical, mas com a data agendada ele poderia fazer o corte na horizontal.

E conversou com meu marido e disse a ele que se fosse a esposa dele, ele faria a cesarea, pelo bebe ser grande, então meu marido concordou com a cesarea e eu também.

Deus olhou por nós em todos os momentos e tudo correu bem. Foram 9 dias de internação, o que eu achei otimo, pois voltei para casa um pouco melhor, diga-se 50%, e agora estou aqui babando muuuuuuuuuito, feliz demais e so tenho a agradecer a Deus esse presente maravilhoso que me deu.

Ela e linda e muito esperta, quando eu penso que consigo mudar alguma coisa para ser do meu jeito ela mostra que e mais esperta, acho que por mais que eu tente ela manda mais em mim do que eu nela......rs.

Estou sendo mãe 24h e é cansativo, mas o sorriso dela me faz sentir que tudo vale a pena.

Érika Beppu