Há algum tempo assisti a um filme lindo, lindo, chamado Orgasmic Birth (parto orgásmico). O filme fala sobre as possibilidades do parto ser um momento de prazer para a mulher, orgásmico mesmo, pois é uma parte da vida sexual da mulher.
A cultura ocidental é tão repressora que nos levou a esquecer que o parto é um evento fisiológico, natural, animal, e não uma doença, que requer toda a atenção médica. É claro que existem alguns riscos, mas eles são baixos, chegam a no máximo 10%, sendo que se olharmos pelo outro ângulo, então 90% dos partos podem acontecer tranquilamente, normais ou naturais, sem que haja risco para mãe ou bebê.
O problema é que pegaram estes 10% e transformaram em regra geral, fazendo com que todas as mulheres tenham que se submeter a situações hospitalares, cabíveis a um doente, em função de algo que é remoto. E muitas das intervenções hospitalares aumentaram este índice de riscos, fazendo com que o parto normal hospitalar se tornasse muito mais arriscado do que um parto que acontece naturalmente, sem intervenções. E a grande maioria das mulheres deixou de ter uma experiência de parto natural, ativa.
Quando o parto pode acontecer naturalmente, a mulher tem uma experiência transformadora, completamente diferente, e a relação com a dor muda de figura. Pois a dor do parto não é como qualquer dor, ela é nada mais que o movimento do corpo para que seu filho possa nascer. As contrações musculares uterinas são semelhantes às que acontecem quando a mulher está tendo um orgasmo e os hormônios produzidos pelo corpo quando o parto é natural são exatamente os mesmos do momento sexual, do orgasmo, mas potencializados de tal forma que em nenhum outro momento a mulher terá tal quantidade de hormônios circulando. Ou seja, o corpo dela está preparado para uma experiência de prazer.
No entanto, muitas coisas podem interferir na liberação dos hormônios. A presença de pessoas que não respeitam o ritmo da mulher, as intervenções físicas, como colocação de soro, o exame de toque freqüente, o ambiente não acolhedor e frio, o fato de não poder se movimentar ou comer livremente, a crença na incapacidade de parir e de saber o que é melhor para si e para o bebê, medos e traumas profundamente arraigados na mente, tudo isso são fatores que geram tensão e estresse.
Todo tipo de tensão faz com que o corpo libere substâncias que causam efeitos opostos ao dos hormônios do parto no corpo da mulher, como adrenalina e cortisóides. Estes hormônios fazem com que seu corpo se contraia ainda mais, se tensione, se feche, e isso atrapalha a continuidade do parto, ocasionando mais dificuldades e dor.
Os movimentos do corpo que antes poderiam ser percebidos como prazerosos, quando a mulher está relaxada, agora se tornam dolorosos. Por isso, a escolha do parto precisa se tornar um escolha da mulher. Quanto mais bem informada ela estiver a respeito da fisiologia do parto, sobre os benefícios do parto natural, sobre suas possibilidades de conseguir passar por isso, sobre o que acontece na formação médica e porque eles agem com tantas intervenções, sobre os mitos que são tratados como verdades e muitas vezes usados para induzir a mulher às escolhas que não são as melhores naquele momento, melhor será a experiência de parto das mães e bebês.
Mesmo que nas contrações haja alguma dor, após o parto, as mulheres que tiveram partos naturais relatam que passariam por tudo novamente, pois a dor desaparece assim que o bebê nasce, e muitas vezes a dor é mínima, ela é sentida com a percepção de atividade, com o prazer de quem sabe que está sendo ativa, que está fazendo exatamente o que escolheu. A dor está intimamente ligada à forma como a mulher encara a experiência e ao estado de relaxamento ou tensão do corpo.
O filme trouxe cenas lindíssimas de mulheres em expressões de prazer, mesmo nos momentos de luta, em meio a urros, gemidos, ela relatam que naquele momento estavam vivenciando todo o seu potencial, toda a gana de sentir seu filho vindo ao mundo. Para quem assiste de fora, pode parecer algo animalesco, mas para estas mulheres, foram experiências de transcendência, de muito prazer. E logo após o nascimento, vem o momento mágico, pois é o ponto de ápice da liberação de hormônios, de ocitocina. Este momento ainda acontece para poucas, pois poucas têm a oportunidade de apenas ficarem com o bebê, relaxadas, na primeira hora após o nascimento. Esta primeira hora é importante não apenas para a amamentação, mas
também para o vínculo entre a mãe e o bebê. O nível de ocitocina neste momento será o mais alto que a mulher experimentará em toda a sua vida.
Se fôssemos olhar a fisiologia da mulher, seria como o orgasmo mais intenso de sua vida, pois o hormônio é o mesmo, mas em quantidade muito maior. No entanto, isso não é respeitado. No filme, há um cena linda de uma das parturientes que visivelmente teve uma experiência orgástica, seus olhinhos revirando durante as contrações, seu rosto sorrindo, radiante. Fiquei encantada em ver o bebê após o nascimento, de todos os partos mostrados no vídeo, este foi o bebê mais tranqüilo após o parto, sua expressão estava realmente serena, angelical, e ele demorou ainda alguns minutos para esboçar um leve choro, que também durou apenas segundos. A mãe estava também com uma expressão de leveza e prazer como já vi em grupos de meditação, estava em êxtase.
Um filme desses é revolucionário e extremamente necessário, para que mais pessoas possam saber que é possível algo tão magnífico, e é possível a todas, pois a possibilidade de prazer no parto está acessível a todos os corpos femininos, faz parte da natureza da fêmea humana. Basta que a mulher se prepare adequadamente, que tenha informação, suporte e as pessoas certas ao seu lado. Isso significa também ter a equipe certa, escolher profissionais humanizados, médicos que respeitem a natureza e que estejam em dia com as evidências científicas (que mostram que tudo é favorável ao parto natural). Um médico humanizado e bem informado irá realizar o pré-natal da melhor forma, irá verificar as possibilidades de um parto natural, se a gestante é de baixo risco, e a mulher irá confiar de que ele realmente está lhe passando a informação correta, baseada nas evidencias cientificas e pesquisas atuais, e não em mitos, crenças, e rotinas hospitalares que não têm mais cabimento, que já foram derrubadas pela ciência, e só prejudicam mães e bebês. Um médico bem informado e humanizado só fará uma cesariana se for realmente necessária, em caso de emergência. Um médico assim ainda é minoria e quase raridade, mas eles existem, é possível encontrá-los. E mesmo que em sua cidade não haja, com informação e vontade, é possível ter experiências menos traumáticas e mais prazerosas, pois uma mulher bem preparada pode virar um leoa no momento do parto, ela sentirá toda a sua força e ficará menos vulnerável às manipulações que infelizmente ocorrem no ambiente hospitalar. Para que tudo isso aconteça, a mulher precisa ser ativa, precisa ser responsável pelas próprias escolhas e poder ir em busca do que quer.
Parir com prazer! É possível? - Amano Bela (Josie Zecchinelli)
27 de dezembro de 2010
21 de dezembro de 2010
Química na troca de fraldas
Hoje vou falar da química das trocas de fraldas. Da química ruim que existe por aí, nos lencinhos umedecidos, na pomadinha.... E alternativas para quem quer fugir do comum automático e ir para um natural mais saudável, mas não paleolítico.
- lencinhos umedecidos: mais prático, impossível? Huuummmm.. Eu sofri para largar, mas hoje não sinto falta. Tenho lencinhos (de algodão orgânico) de tamanho 15x15. Vários. E uma loção para limpeza feita em casa, com água, um pouco de óleo VEGETAL (qualquer óleo serve, até os de cozinha) e umas gotinhas de sabonete líquido. Uso a mesma loção por uma semana.
(e fralda de algodão orgânico é melhor, porque os agrotóxicos do algodão ficam na fibra por muuuuuito tempo.....
http://leiaorotulo.blogspot.com/2008/12/ace-fatos-do-dia-pesticidas.html)
Por que motivo eu trocaria os lencinhos umedecidos pelos de pano? Bom, primeiro pela ecologia, que esses lencinhos que não podem ser jogados no lixo não são biodegradáveis (demoram o mesmo tempo da fralda para se decompor - 400-500 anos). Segundo, pelo bebê. Os lencinhos contém muitas substâncias maléficas à saúde, como parabenos e perfumes.
- talco: pelamordedeus, não usem. Além de causarem problemas respiratórios nos bebês, ainda causam problemas (como câncer) de trato reprodutor de meninas. Quem não acredita, pode procurar.
- pomada para prevenção de assaduras: não se deve usar, porque senão a pele do bebê se acostuma com a pomada. Aí, seu bebê fica com a pele super sensível e uma vez que você não usar a pomada, ele vai ter uma assadura monstro. Além disso, trocando um bebê a cada 3, 4 horas, ele não vai ter assaduras.
E se o bebê assar?
Maizena, sol e ar.
Simples. Deixa o bebê sem fralda o máximo possível. No inverno é meio difícil, se não tiver um aquecedor ou um ar condicionado, mas... Deixar tomar sol na área da fralda. O sol é o melhor cicatrizante que existe. E a maizena: joga no bumbum, dá umas batidas, como se estivesse untando forma de bolo.
E troque mais vezes. Uma vez a cada duas horas, mais ou menos, até melhorar.
Se persistir, pode ser uma candidíase. Aí vale consultar o pediatra para saber de alguma pomada anti-fúngica e do tempo de tratamento.
- lencinhos umedecidos: mais prático, impossível? Huuummmm.. Eu sofri para largar, mas hoje não sinto falta. Tenho lencinhos (de algodão orgânico) de tamanho 15x15. Vários. E uma loção para limpeza feita em casa, com água, um pouco de óleo VEGETAL (qualquer óleo serve, até os de cozinha) e umas gotinhas de sabonete líquido. Uso a mesma loção por uma semana.
(e fralda de algodão orgânico é melhor, porque os agrotóxicos do algodão ficam na fibra por muuuuuito tempo.....
http://leiaorotulo.blogspot.com/2008/12/ace-fatos-do-dia-pesticidas.html)
Por que motivo eu trocaria os lencinhos umedecidos pelos de pano? Bom, primeiro pela ecologia, que esses lencinhos que não podem ser jogados no lixo não são biodegradáveis (demoram o mesmo tempo da fralda para se decompor - 400-500 anos). Segundo, pelo bebê. Os lencinhos contém muitas substâncias maléficas à saúde, como parabenos e perfumes.
- talco: pelamordedeus, não usem. Além de causarem problemas respiratórios nos bebês, ainda causam problemas (como câncer) de trato reprodutor de meninas. Quem não acredita, pode procurar.
- pomada para prevenção de assaduras: não se deve usar, porque senão a pele do bebê se acostuma com a pomada. Aí, seu bebê fica com a pele super sensível e uma vez que você não usar a pomada, ele vai ter uma assadura monstro. Além disso, trocando um bebê a cada 3, 4 horas, ele não vai ter assaduras.
E se o bebê assar?
Maizena, sol e ar.
Simples. Deixa o bebê sem fralda o máximo possível. No inverno é meio difícil, se não tiver um aquecedor ou um ar condicionado, mas... Deixar tomar sol na área da fralda. O sol é o melhor cicatrizante que existe. E a maizena: joga no bumbum, dá umas batidas, como se estivesse untando forma de bolo.
E troque mais vezes. Uma vez a cada duas horas, mais ou menos, até melhorar.
Se persistir, pode ser uma candidíase. Aí vale consultar o pediatra para saber de alguma pomada anti-fúngica e do tempo de tratamento.
15 de dezembro de 2010
A amamentação e a mudança de minha vida
Antes de engravidar eu achava que o tempo suficiente para a amamentação eram 6 meses e que depois disso o bebê já não precisava mais do meu leite.
Na verdade, isso não fazia parte do meu círculo de convivência. O normal era complementar com NAN, ou leite de soja. O normal era a mãe não ter leite “suficiente”, era não deixar o bebê no peito para que ele não ficasse mal acostumado. Vendo tudo isso hoje me dá vontade até de rir dessa Kristal de algum tempo atrás.
Me preparei para um parto normal e achava que a amamentação seria fácil, afinal, que mistério teria? Era só colocar o bebê no peito e pronto.
Esse pensamento caiu por terra na primeira semana de vida do Marco, quando na descida do leite o meu seio ficou empedrado e duro, parecia que eu tinha colocado uns 500 ml de silicone. Depois disso, os meus bicos racharam. Eu chorava para amamentar, gritava de tanta dor.
Falei com o Cacá (pediatra) por telefone e ele sugeriu que a consulta de 1 mês de vida fosse antecipada para logo, assim poderíamos conversar melhor. Nessa primeira consulta o Marco tinha 15 dias, havia engordado 300 gr e crescido 1 cm desde a saída da maternidade. Isso me deixou feliz, pois mesmo com tanto sofrimento eu estava conseguindo amamentar o meu filho.

O Cacá viu as minhas fissuras, meu desespero e medo em dar de mamar e sugeriu que eu desse um descanso de 2 dias aos seios, nesse tempo eu deveria tirar leite com a bombinha e oferecer em um copinho. Voltaríamos em poucos dias para ele ver como estavam as coisas.
Bom, foi aí que vi que o psicológico conta muito na amamentação e que como havia me dito a Gisele do Enzo, o leite está mais na cabeça da gente do que no seio. Mesmo com o peito cheio, saiam apenas poucas gotas de leite, com muito esforço eu conseguia uns 20 ml. Eu ficava várias vezes por dia tentando tirar leite, mas acabei tendo que comprar 1 lata de aptamil para complementar. O Fernando estava de férias me ajudando em casa com o bbzico e a tarefa de dar o complemento era dele. Eu chorava cada vez que via ele dando aquela chuquinha de Aptamil, eu me achava incompetente, incapaz de alimentar o meu próprio filho que era tão pequeno e já estava com aquele bico de borracha na boca, tomando um leite artificial.
Falei com o Cacá diversas vezes e em uma delas quando eu estava chorando no telefone e dizendo que não agüentava mais ele me indicou a fonoaudióloga Andrea que veio até a minha casa ver a pega do bebê e ensinar diversas formas e posições para amamentar.
Ela viu que a pega do Marco estava correta, o que me machucou foram as mamadas que eram muito freqüentes e a voracidade na sucção do bebê. A Andrea me disse também que se eu tentasse ordenhar um pouco de leite antes das mamadas pois com o seio muito duro era mais fácil ferir o bico. Com as palavras do Cacá e as visitas da Andrea fiquei mais tranqüila.
Eu usava no peito: lansinoh + concha de silicone + absorventes (pois várias vezes vazava leite) saia de casa com um verdadeiro arsenal de emergência.
Bom, quando estava acabando a segunda lata de Aptamil, o Fernando me perguntou se compraríamos mais uma. Foi um dilema pra mim, eu sabia que se não desse um basta, nunca mais pararia de dar LA e o meu sonho de amamentar exclusivamente não iria acontecer. O Marco estava com pouco mais de 1 mês, aí resolvi que aquela seria a hora de dar um basta naquilo. Eu era capaz e iria conseguir amamentar o meu filho sim!
Devido ao uso do LA a minha produção de leite diminuiu, por esse motivo eu ficava com o Marco literalmente pendurado no peito o dia todo, bebia muita água, mal dava tempo de almoçar, mas eu enfiei na minha cabeça que ele se alimentaria somente do meu leite. Não foi fácil, ouvi de muita gente que eu estava mal acostumando o Marco, pois ele só ficava no colo, que todo aquele esforço não valia a pena, que meu leite era fraco por isso ele queria mamar a todo momento e até mesmo que o pediatra era louco por não fazer “nada”, tipo receitar LA. Mal sabiam que esse nada era o que eu mais queria, era umas das coisas que mais me apoiava. Com ele, eu não me sentia sozinha, assim como com o apoio do Fê e da minha mãe e irmã que estiveram sempre ao meu lado durante todo esse tempo.
Chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, passamos pela introdução de alimentos e voltei a trabalhar logo depois que ele fez 1 ano, fiquei apreensiva com medo do desmame, mas esse medo logo passou. A primeira coisa que ele faz quando chegamos em casa é mamar nos dois peitos, com vontade. Isso me deixa tão feliz que dá até vontade de chorar, ele fica me olhando com aqueles olhinhos chapadinhos de leite, me fazendo carinho, passando a mão no meu rosto. É como se o mundo parasse naquele momento e estivéssemos só nós dois ali entregues um ao outro.
Hoje, 10/05/2009 o Marco faz 1 ano e 2 meses junto com o dia das mães e eu me sinto vitoriosa por ter conseguido superar tantos problemas, palpites etc. Esse é o meu maior presente. Ainda amamento, com muito prazer a minha criancinha que já come de tudo, está cheio de dentes, mas não nega o tetêzinho por nada nesse mundo. E continuaremos assim até quando for legal pra ele e pra mim também.
Agradecimentos:
- Ao Cacá que sempre me apoiou muito em todos os momentos;
- Meninas do grupo Matrice que me ajudaram muito enviando mensagens, esclarecendo dúvidas e me entendendo e dando ombro amigo. Não consegui ir em encontro pessoalmente, mas a ajuda virtual foi de grande valia.
- A minha mãe que sempre disse que a fase ruim dos machucados e fissuras ia passar, eu achava que ela dizia para me agradar, mas não é que passou mesmo?
- A Kari, minha irmã, que quase chorava comigo quando eu amamentava e me fazia carinho.
- Ao Fê, que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, obrigada pela paciência e por estar ao meu lado sem desistir também.
Sou a Kristal Metello, mãe do Marco e fiz esse relato recentemente, no dia das mães. Foi quando consegui escrever claramente sobre as dificuldades que passei no início.
O parto de meu filho foi um marco na minha vida, depois dele eu nunca mais fui a mesma. A minha essência é igual, mas a minha postura e forma de encarar a vida mudou totalmente, eu nasci junto com o meu filho e renasci com a amamentação.
Na verdade, isso não fazia parte do meu círculo de convivência. O normal era complementar com NAN, ou leite de soja. O normal era a mãe não ter leite “suficiente”, era não deixar o bebê no peito para que ele não ficasse mal acostumado. Vendo tudo isso hoje me dá vontade até de rir dessa Kristal de algum tempo atrás.
Me preparei para um parto normal e achava que a amamentação seria fácil, afinal, que mistério teria? Era só colocar o bebê no peito e pronto.
Esse pensamento caiu por terra na primeira semana de vida do Marco, quando na descida do leite o meu seio ficou empedrado e duro, parecia que eu tinha colocado uns 500 ml de silicone. Depois disso, os meus bicos racharam. Eu chorava para amamentar, gritava de tanta dor.
Falei com o Cacá (pediatra) por telefone e ele sugeriu que a consulta de 1 mês de vida fosse antecipada para logo, assim poderíamos conversar melhor. Nessa primeira consulta o Marco tinha 15 dias, havia engordado 300 gr e crescido 1 cm desde a saída da maternidade. Isso me deixou feliz, pois mesmo com tanto sofrimento eu estava conseguindo amamentar o meu filho.
Essa foto é do período mais crítico da Amamentação.
O Cacá viu as minhas fissuras, meu desespero e medo em dar de mamar e sugeriu que eu desse um descanso de 2 dias aos seios, nesse tempo eu deveria tirar leite com a bombinha e oferecer em um copinho. Voltaríamos em poucos dias para ele ver como estavam as coisas.
Bom, foi aí que vi que o psicológico conta muito na amamentação e que como havia me dito a Gisele do Enzo, o leite está mais na cabeça da gente do que no seio. Mesmo com o peito cheio, saiam apenas poucas gotas de leite, com muito esforço eu conseguia uns 20 ml. Eu ficava várias vezes por dia tentando tirar leite, mas acabei tendo que comprar 1 lata de aptamil para complementar. O Fernando estava de férias me ajudando em casa com o bbzico e a tarefa de dar o complemento era dele. Eu chorava cada vez que via ele dando aquela chuquinha de Aptamil, eu me achava incompetente, incapaz de alimentar o meu próprio filho que era tão pequeno e já estava com aquele bico de borracha na boca, tomando um leite artificial.
Falei com o Cacá diversas vezes e em uma delas quando eu estava chorando no telefone e dizendo que não agüentava mais ele me indicou a fonoaudióloga Andrea que veio até a minha casa ver a pega do bebê e ensinar diversas formas e posições para amamentar.
Ela viu que a pega do Marco estava correta, o que me machucou foram as mamadas que eram muito freqüentes e a voracidade na sucção do bebê. A Andrea me disse também que se eu tentasse ordenhar um pouco de leite antes das mamadas pois com o seio muito duro era mais fácil ferir o bico. Com as palavras do Cacá e as visitas da Andrea fiquei mais tranqüila.
Eu usava no peito: lansinoh + concha de silicone + absorventes (pois várias vezes vazava leite) saia de casa com um verdadeiro arsenal de emergência.
Bom, quando estava acabando a segunda lata de Aptamil, o Fernando me perguntou se compraríamos mais uma. Foi um dilema pra mim, eu sabia que se não desse um basta, nunca mais pararia de dar LA e o meu sonho de amamentar exclusivamente não iria acontecer. O Marco estava com pouco mais de 1 mês, aí resolvi que aquela seria a hora de dar um basta naquilo. Eu era capaz e iria conseguir amamentar o meu filho sim!
Devido ao uso do LA a minha produção de leite diminuiu, por esse motivo eu ficava com o Marco literalmente pendurado no peito o dia todo, bebia muita água, mal dava tempo de almoçar, mas eu enfiei na minha cabeça que ele se alimentaria somente do meu leite. Não foi fácil, ouvi de muita gente que eu estava mal acostumando o Marco, pois ele só ficava no colo, que todo aquele esforço não valia a pena, que meu leite era fraco por isso ele queria mamar a todo momento e até mesmo que o pediatra era louco por não fazer “nada”, tipo receitar LA. Mal sabiam que esse nada era o que eu mais queria, era umas das coisas que mais me apoiava. Com ele, eu não me sentia sozinha, assim como com o apoio do Fê e da minha mãe e irmã que estiveram sempre ao meu lado durante todo esse tempo.
Chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, passamos pela introdução de alimentos e voltei a trabalhar logo depois que ele fez 1 ano, fiquei apreensiva com medo do desmame, mas esse medo logo passou. A primeira coisa que ele faz quando chegamos em casa é mamar nos dois peitos, com vontade. Isso me deixa tão feliz que dá até vontade de chorar, ele fica me olhando com aqueles olhinhos chapadinhos de leite, me fazendo carinho, passando a mão no meu rosto. É como se o mundo parasse naquele momento e estivéssemos só nós dois ali entregues um ao outro.
Hoje, 10/05/2009 o Marco faz 1 ano e 2 meses junto com o dia das mães e eu me sinto vitoriosa por ter conseguido superar tantos problemas, palpites etc. Esse é o meu maior presente. Ainda amamento, com muito prazer a minha criancinha que já come de tudo, está cheio de dentes, mas não nega o tetêzinho por nada nesse mundo. E continuaremos assim até quando for legal pra ele e pra mim também.
Agradecimentos:
- Ao Cacá que sempre me apoiou muito em todos os momentos;
- Meninas do grupo Matrice que me ajudaram muito enviando mensagens, esclarecendo dúvidas e me entendendo e dando ombro amigo. Não consegui ir em encontro pessoalmente, mas a ajuda virtual foi de grande valia.
- A minha mãe que sempre disse que a fase ruim dos machucados e fissuras ia passar, eu achava que ela dizia para me agradar, mas não é que passou mesmo?
- A Kari, minha irmã, que quase chorava comigo quando eu amamentava e me fazia carinho.
- Ao Fê, que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, obrigada pela paciência e por estar ao meu lado sem desistir também.
Sou a Kristal Metello, mãe do Marco e fiz esse relato recentemente, no dia das mães. Foi quando consegui escrever claramente sobre as dificuldades que passei no início.
O parto de meu filho foi um marco na minha vida, depois dele eu nunca mais fui a mesma. A minha essência é igual, mas a minha postura e forma de encarar a vida mudou totalmente, eu nasci junto com o meu filho e renasci com a amamentação.
12 de dezembro de 2010
Doula no Japão II
Recentemente no Brasil, o numero de doulas tem aumentado significativamente, mas aqui no Japão quase ninguem conhece esse tipo de assistência no trabalho de parto.
Para quem deseja um parto tranquilo e feliz, a doula é uma excelente acompanhante que ajuda tanto antes do parto, como durante e depois dele também.
Para contratar uma doula no Japão, por favor entre em contato através do formulário do blog que teremos prazer em ajudar.
Para quem quer conhecer melhor como é o trabalho da doula, assista o video abaixo, do programa da Ana Maria Braga, que foi ao ar ontem no Brasil.
Para quem deseja um parto tranquilo e feliz, a doula é uma excelente acompanhante que ajuda tanto antes do parto, como durante e depois dele também.
Para contratar uma doula no Japão, por favor entre em contato através do formulário do blog que teremos prazer em ajudar.
Para quem quer conhecer melhor como é o trabalho da doula, assista o video abaixo, do programa da Ana Maria Braga, que foi ao ar ontem no Brasil.
10 de dezembro de 2010
Mais um video de parto Lindo!
Este é o nascimento natural na água do nosso filho, Theo.
Estou compartilhando aqui (no youtube) porque eu gostaria que tantas pessoas, quanto possível, pudessemm ver quão belo pode ser o nascimento.
Não há nada melhor do que poder do que parir seu bebê como você escolher. É uma sensação fantástica depois.
Esse video foi filmado e editado pela minha irmã talentosa, Hailey. Ela é fotógrafa e cinegrafista. Você pode contatá-la por ter seu nascimento também documentado
Eu não acho que nada seja mais precioso do que esses 7 minutos do filme, e se você tiver coragem, eu acho que ver esses momentos capturados pela câmera, não tem preço. Vou guardar e reviver este momento incrível para sempre.
Sobre o nascimento, para ler o relato clique aqui.
Theo nasceu no Royal Women's Centre, Brisbane.
Com zero de intervenções e mais de 42 semanas.
Pego por uma parteira.
6 h de trabalho de parto e 15 minutos de expulsivo de um bebê bem grande: 10 £ 7 oz (4,5kg aprox.)
Eu era apoiada pelo pai do bebê, meu marido lindo, Errol.
Ele é o nosso segundo filho e eu tenho 21 anos.
Eu fiz aulas com Helen Hypnobirthing Pywell da Brisbane Birth. Isso ajudou a manter-me calma e relaxada durante todo meu trabalho de parto. Eu recomendo! http://www.brisbanebirthing.com.au
Se você gostaria de ver o Theo agora, você pode visitar o nosso blog em www.gregariouspeach.com
Estou compartilhando aqui (no youtube) porque eu gostaria que tantas pessoas, quanto possível, pudessemm ver quão belo pode ser o nascimento.
Não há nada melhor do que poder do que parir seu bebê como você escolher. É uma sensação fantástica depois.
Esse video foi filmado e editado pela minha irmã talentosa, Hailey. Ela é fotógrafa e cinegrafista. Você pode contatá-la por ter seu nascimento também documentado
Eu não acho que nada seja mais precioso do que esses 7 minutos do filme, e se você tiver coragem, eu acho que ver esses momentos capturados pela câmera, não tem preço. Vou guardar e reviver este momento incrível para sempre.
Sobre o nascimento, para ler o relato clique aqui.
Theo nasceu no Royal Women's Centre, Brisbane.
Com zero de intervenções e mais de 42 semanas.
Pego por uma parteira.
6 h de trabalho de parto e 15 minutos de expulsivo de um bebê bem grande: 10 £ 7 oz (4,5kg aprox.)
Eu era apoiada pelo pai do bebê, meu marido lindo, Errol.
Ele é o nosso segundo filho e eu tenho 21 anos.
Eu fiz aulas com Helen Hypnobirthing Pywell da Brisbane Birth. Isso ajudou a manter-me calma e relaxada durante todo meu trabalho de parto. Eu recomendo! http://www.brisbanebirthing.com.au
Se você gostaria de ver o Theo agora, você pode visitar o nosso blog em www.gregariouspeach.com
8 de dezembro de 2010
Sobre o uso excessivo da tecnologia
Trecho de um artigo originalmente publicado no site Midwife todayUma mulher de Iowa foi recentemente encaminhado a um hospital universitário durante o trabalho por causa de possíveis complicações. Lá, ficou decidido que a cesariana deveria ser feita. Após a cirurgia foi concluída e a mulher deveria ficar de repouso pós-operatório em seu quarto de hospital, mas ela entrou em choque e morreu. Uma autópsia revelou que, durante a cesariana do cirurgião acidentalmente pegou a veia aorta, a maior artéria do corpo, levando a hemorragia interna, choque e morte.
A cesariana pode salvar a vida da mãe ou do bebê. A cesariana também pode matar a mãe ou o bebê. Como pode ser isso? Como cada único processo ou tecnologia utilizada durante a gravidez e o nascimento traz riscos tanto para mãe e bebê. A decisão de usar a tecnologia é um julgamento de chamada pode tornar as coisas melhores ou piores.
Estamos vivendo na era da tecnologia. Desde que o homem conseguiu ir à Lua, nós acreditamos que a tecnologia pode fazer de tudo para resolver todos os nossos problemas. Assim é natural que os médicos e os hospitais estejam usando mais e mais a tecnologia no parto e nas mulheres grávidas. Mas as tecnologias tem resolvido todos os problemas que podem surgir durante o parto? Dificilmente. Vamos dar uma olhada no histórico recente.
O aumento do uso recente de tecnologia durante a gravidez e o parto resultou em menor número de bebês mortos ou com sequelas pos parto?
Nos Estados Unidos, não houve diminuição nos últimos 30 anos no número de bebês com paralisia cerebral. A maior causa de morte de recém-nascidos é um peso muito baixo, mas o número de pequenos bebês nascidos também não diminuiu nos últimos 20 anos. O número de bebês que morrem ainda no útero não diminuiu em mais de uma década. Embora nos últimos 10 anos tenha havido uma ligeira queda no número de bebês que morrem durante sua primeira semana após o nascimento. Os dados científicos sugerem um aumento do número de bebês que sobrevivem a primeira semana, mas que têm danos cerebrais permanentes.
O uso crescente da tecnologia para salvar as vidas das mulheres grávidas e no atendimento ao parto ajudou mais?
Nos Estados Unidos os dados científicos não mostram diminuição nos últimos 10 anos no número de mulheres que morrem em torno da época do nascimento (mortalidade materna). De fato, dados recentes sugerem um aumento assustador no número de mulheres que morrem durante a gravidez e no parto nos Estados Unidos. Então pode-se dizer que o aumento do uso de tecnologias de nascimento não só "não salva" mais vidas de mulheres, como também "mata" mais mulheres. Esta possibilidade tem uma explicação científica razoável: cesariana e anestesia epidural, ambas foram usadas mais neste país e sabemos que ambas,cesariana e anestesia peridural, podem resultar em morte.
Nós não devemos ficar surpresos com esse histórico recente (e ruim) de nascimento por causa do abuso da alta tecnologia.
Por muitas décadas, no meio do século 20, o número de crianças que morreriam em torno da data de nascimento foi diminuindo. Isso deve-se, não aos progressos da medicina, mas principalmente pelos avanços sociais: a diminuição da pobreza extrema, uma melhor alimentação e melhor habitação, e o mais importante, a diminuição da mortalidade deve-se ao planejamento familiar, resultando em menos mulheres com gravidezes e muitos nascimentos.
O atendimento médico também foi responsável por alguns dos índices de diminuição da mortalidade dos bebês, não por causa de intervenções de alta tecnologia, mas por causa de avanços médicos básicos, tais como a descoberta dos antibióticos e a capacidade de dar transfusões de sangue seguras.
Nunca houve qualquer evidência científica de que as intervenções de alta tecnologia, tais como o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal durante o trabalho de parto, pudessem diminuir a taxa de mortalidade de bebês. *(ou que o uso excessivo de ultrassons durante a gestação pudesse trazer ao mundo um bebê mais saudável)
O que isto significa é que "se colocar nas mãos de um médico e de um hospital de alta tecnologia" não garante um nascimento mais seguro". Cada pessoas deve assumir a responsabilidade por seu parto, incluindo a decisão de ter tecnologia usada em si e em seu bebê.
Lembre-se, a tecnologia não é "boa ou ruim", mas pode ser utilizada de forma boa ou ruim.
Os aviões podem ser usados para levar você para visitar sua família num lugar distante, ou pode ser usado para lançar bombas sobre mulheres e crianças. Como a tecnologia é usada em você durante a gravidez e o parto é de grande importância porque pode ajudar você e seu bebê ou também prejudicar você e seu bebê.
*trecho acrescentado por mim, em relação a quantidade abusiva de ultrassons realizados aqui no Japão
7 de dezembro de 2010
Um ingrediente essencial para a gravidez e o parto: a doula
Encontrei esse video incrível sobre o trabalho das doulas e tinha que postar aqui.
Está em inglês, mas mesmo sem entender o idioma bem, dá para compreender a importancia desse lindo e importante trabalho.
Está em inglês, mas mesmo sem entender o idioma bem, dá para compreender a importancia desse lindo e importante trabalho.
4 de dezembro de 2010
Amamentação na Primeira Hora
A amamentação na primeira hora é uma coisa muito importante.
É o primeiro contato real entre mãe e filho.
Mas não é só isso. Os benefícios são muitos, tanto para mãe quanto para filho.
Essa mamada deve acontecer assim que o bebê nasce, se mãe e bebê estiverem bem.
No site da Primeira Hora da Matrice tem tudo muito bem escrito e explicado.
Foi lá que eu vi, também, esse vídeo. É um vídeo do Breast Crawl (algo como "engatinhada ao peito").
O vídeo mostra um bebê chegando ao peito da mãe sozinho, após ser colocado sobre a barriga dela após o nascimento. Ao fundo, em inglês, os benefícios do breast crawl.
Vale a pena ver, mesmo para quem não entende o inglês.
É o primeiro contato real entre mãe e filho.
Mas não é só isso. Os benefícios são muitos, tanto para mãe quanto para filho.
Essa mamada deve acontecer assim que o bebê nasce, se mãe e bebê estiverem bem.
No site da Primeira Hora da Matrice tem tudo muito bem escrito e explicado.
Foi lá que eu vi, também, esse vídeo. É um vídeo do Breast Crawl (algo como "engatinhada ao peito").
O vídeo mostra um bebê chegando ao peito da mãe sozinho, após ser colocado sobre a barriga dela após o nascimento. Ao fundo, em inglês, os benefícios do breast crawl.
Vale a pena ver, mesmo para quem não entende o inglês.
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