16 de fevereiro de 2011

O outro lado do rio

A Dra. Catia Chuba é médica obstetra e ginecologista, mora no Brasil, é mãe do Gustavo, de 6 anos, nascido de uma cesárea, e da Beatriz, de 1 ano, nascida de um lindo parto natural domiciliar.

É ativista do parto Humanizado e hoje atende partos domiciliares e hospitalares em São Paulo e foi quem escreveu esse maravilhoso texto sobre sua mudança de vida quando descobriu o movimento de humanização!

Acho curioso contar que durante minha formação, na Residência, haviam várias coisas que me incomodavam.....cheguei a questionar se tinha escolhido a especialidade certa. Mas ao mesmo tempo em que aquilo tudo me atraía, tinha um quê de repulsa. Nunca digeri bem a conduta médica padrão - nada personalizada -, e porque precisava botar soro com ocitocina em todo mundo, porque precisava romper bolsa no meio do trabalho de parto, e porque tinha que fazer analgesia.

Bom, a analgesia é um capítulo a parte. A dor é sempre vista como algo nocivo e que traz sofrimento. Isso me alfinetava.

Mas sucumbia diante dos meus residentes veteranos e professores. Vamos dar logo a analgesia para essa mulher ficar quieta!!

Acostumei com essa visão de que o corpo não era uma morada perfeita. Como uma vez me disse Ric Jones: vivemos como equilibristas na corda bomba. Somos muito vulneráveis, por isso a Medicina tem tanto poder.

Engravidei pela primeira vez em 2002. Estava coletando dados e revisando lâminas de patologia para meu Mestrado, e atendendo sistematicamente casos de Medicina Fetal, já de olho num prospectivo para o Doutorado. Todos os dias, num hospital terciário (referência), para onde são encaminhados casos graves, via pelo menos 10 gestantes com diferentes graus de insuficiência placentária. Este era meu trabalho.

Aliás, se alguém tiver interesse em dar uma olhada na minha dissertação:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-12082005-163445/

Estava grávida, fragilizada pelas circunstâncias, exposta aos meus professores, que queriam bisbilhotar minha barriga toda semana. E sucumbi diante de um diagnóstico de diminuição de LA e circulares de cordão.

Essa cesárea em outubro de 2002 foi um divisor de águas.

Tive depressão, revirei mundos e fundos......muitas constatações, reflexões...

Parei de atender obstetrícia, até porque trabalhava com minha professora, a mesma que fez minha cesárea.

Hoje penso que essa cesárea foi necessária, no sentido cármico, porque se eu tivesse tido um parto normal, mesmo frank, acho que não teria tido essa metamorfose.

Quando o Gustavo fez 1 ano, e me vi na situação de precisar colocá-lo num berçário, a Antroposofia/Pedagogia Waldorf caíram no meu colo, por uma série de coincidências felizes.

E este foi outro divisor de águas...comecei a ler muito, estudar, freqüentar palestras, e me identificando cada vez mais com tudo. A visão do Homem como um ser complexo, formado por vários corpos/envoltórios que se sobrepõem, e que precisam ser considerados integralmente, me fascinaram de cara.

Fui fazendo brainstorms com meu marido, e cada vez mais incorporando coisas da Antroposofia na nossa vida. Não tudo, mas as coisas que cabiam, viáveis, e que concordávamos.

Neste ponto da minha vida, ainda sem me aprofundar em questões da humanização do nascimento, olhei pra trás, e não me reconhecia em tudo que vivi e fui.

Nesta fase, abandonamos alopatia, fugíamos de hospital e blá-blá-blás que não levavam a lugar nenhum.

Engraçado que nesta fase comecei a questionar o porquê de não confiarmos no corpo.

E de novo, não olhando para a questão do parto, mas para uma simples febre e/ou virose infantil.
Por que tanto medo, e tanta desconfiança??

Por que agora não somos mais capazes de assumir o rumo de nossos próprios corpos e vidas, dependendo de tantas medicações, antibióticos, analgésicos e vacinas para "sobreviver"...

Sim, sobreviver é a palavra!

Nesta concepção, somos sobreviventes, e não seres humanos livres!

Por que tudo mudou tanto nos últimos 100 anos (para não citar épocas mais antigas).

Será que a gente tem que considerar a falência do corpo como marco 'evolutivo' da humanidade, que cresceu tanto no sentido tecnológico e materialista, e involuiu tanto no sentido da espiritualidade, do entendimento supra-sensível, da reverência aos processos naturais, etc.

Esse pra mim foi o grande ponto! Talvez o ponto que me fez tomar o barco para descer do outro lado.

Daí pra frente foi uma avalanche. Engravidei novamente no início de 2007, fui enfrentando meus fantasmas, olhando para o passado e futuro, acreditando cada vez mais em mim, na capacidade do meu corpo, e daí foi um pulo para o desejo de parir em casa. Eu merecia essa experiência. E se eu tiver mais 10 filhos, todos nascerão em casa.

Hoje acredito que lugar de nascer e morrer é em casa.

Do parto em diante, nada mais foi como antes, a vida profissional principalmente.

É muito sofrido e angustiante trabalhar com discordância de filosofia e crenças, trabalhar completamente para a matrix, estando fora dela. Vocês conseguem imaginar tamanho contra-senso?

E aí, apoiada pelo Dr. Jorge Kuhn e pela Ana Cris Duarte, fui voltando, voltando, e voltei de vez!

E posso dizer que estou adorando o outro lado do rio...!

13 de fevereiro de 2011

Empoderamento: exercendo seu poder na hora de escolher



O texto abaixo está na integra no Mamiferas, e serve para pensarmos na forma com que fazemos nossas escolhas na maternidade.
Boa Leitura!




Afinal, de onde é que saiu essa história de empoderar? Palavrinha estranha! Confesso que estou bem longe de iniciar aqui uma discussão etimológica, mas me parece óbvio que é a tradução direta de Empowerement. Mas por que diabos escolher dizer “empoderar” ao invés de usar uma tradução mais simples e comum como “fortalecer”, por exemplo?

Porque, acredito eu, a grande questão não é a de ser forte, de agüentar o tranco. Empoderar é mais do que isso. É realmente descobrir, reconhecer, vivenciar, assumir e fazer uso do seu próprio poder. Não é segurar a onda e aceitar algo imposto, mas sim impor seus desejos e suas vontades, chamar a responsabilidade para si mesma, bater no peito e dizer: vem, que a escolha é minha, tô aqui pro que der e vier!

Empoderar é como crescer e se assumir mesmo. Amadurecer, conhecer e lidar com riscos e conseqüências. Tem gente que já nasce assim, empoderada por natureza, mas acho que é raro. Em geral é um processo de crescimento e autoconhecimento, que envolve muita autoconfiança, muita segurança, muita certeza do que se é, do que se quer e de onde se quer chegar.

Lendo isso tudo aí você pode até pensar: nossa, passei longe de empoderar! Mas é que não é algo assim que acontece de uma hora para outra! Experiência própria. Pra mim foi um longo processo, levou muito tempo, custou algumas lágrimas, certas frustações acumuladas e boa dose de fichas caindo, de entendimentos, mas um belo dia eu enfim percebi que empoderei como mãe!

Falta muita coisa ainda. Falta empoderar como profissional, falta empoderar como mulher, falta empoderar como cidadã, falta empoderar em vários outros aspectos da minha vida, mas um enorme passo foi dado e é daqueles que não tem volta mais. Esse tipo de poder não é retirado mais. É algo que passa a fazer parte de você, ainda bem!

E você? Já tomou consciência do seu próprio poder? Se sim, como é que foi? Ainda não!? Que é que tá faltando?

"...Perder-se também é caminho..."
(Clarice Lispector)

11 de fevereiro de 2011

Brinquedo pra quê?

Até um tempinho atrás, eu achava que criança precisava de brinquedo. Eles sempre gostaram de brincar com tupperwares, panelas, colheres de pau, pano de chão, mas nunca tinham deixado de brincar com os brinquedos.
Claro que, com a quantidade absurda de brinquedos que eles têm, eles nunca brincavam com todos.
E nunca guardavam tudo.

Quando viemos para cá, trouxemos 10 brinquedos de cada criança, escolhidos por eles mesmos.
Não importava se eram caros, baratos, grandes, pequenos, lindos, feios, novos, velhos, inteiros ou quebrados: eles escolheram sozinhos. E viemos. Ainda empacotamos muitos outros para virem na mudança. Eu tinha certeza de que ia precisar deixar jogar muito videogame e ver muito DVD enquanto os outros brinquedos não chegavam, mas estava enganada.

Hoje eles brincam com os brinquedinhos deles, claro, mas também brincam imaginando: é espada de colher de pau, é comidinha de pedra, sushi de conchas, bolo de cesta de roupas, aquário de banquinho, corridas, shows, passeios de carro imaginário para a neve (na nossa cama com o cobertor branco), trens feitos de canetinhas, mamães, papais e filhinhos, cangurus, guaxinins, macacos, procurar bichos no quintal, .....

Isso é tão legal! Eu achava que meus filhos não iriam nunca saber inventar, imaginar, criar, porque eles não foram criados assim: sempre tiveram brinquedos para todas as situações. Mas eles conseguem. Crianças são assim, mutantes. Nada mais lindo!
Outra coisa que eu posso dizer sobre a falta de brinquedos é que eles aprenderam a se dar melhor. Brigam menos, porque os poucos brinquedos que vieram são de todo mundo. Todo mundo brinca junto. Claro que um ainda puxa da mão do outro, mas nada que uma conversa e um abraço apertado não resolva.

E quer saber o que mais: eles jogam muito pouco videogame (uma ou duas vezes por semana, por meia hora, quarenta minutos) e nunca mais pediram DVD.
Todo mundo mais calmo, mais amigo, mais feliz.
Se você tiver a oportunidade, faça a experiência: tire brinquedos quebrados, não usados do caminho. Guarde videogames e DVDs longe do alcance da vista dos pequenos. E não interfira! Deixe que eles brinquem livremente, inventem, imaginem.
Aqui em casa, o saldo foi 100% positivo.

7 de fevereiro de 2011

Sobre o sofrimento no parto normal

Esse, é um dos medos das mulheres que responderam a pesquisa, e que na verdade indica duas coisas: FALTA DE INFORMAÇÃO e MEDO DO DESCONHECIDO.

Eu já tive medo do parto normal, mas agora não tenho mais, porque hoje para todas as minhas dúvidas eu busco respostas de gente BEM INFORMADA, profissionais humanizados e experiencia de mulheres que acreditam no poder da natureza.

Vejo que muitas mulheres que tem medo do parto não sabem nem o que é episiotomia, ocitocina ou contrações de Braxton Hicks, e se dizem: BEM INFORMADAS!

Claro, que eu não sei tudo, mas algumas coisas, como as que citei acima, são o minimo.

Aqui no Japão, dá pra questionar, argumentar com o médico, mas é preciso estar ARMADA de informação. A informação é o principal para se ter um parto tranquilo, sem "sofrer" pelo que eu percebo aqui.

Eu me lembro que minha mãe contava relatos de seus partos assim:
- Sofri mais no parto do fulano, menos no de ciclano...
E assim escutei relatos de tias, primas e irmãs que pariram antes de mim.

Agora, depois que eu pari, eu passei a entender que o parto dói, mas não é "sofrido", só é sofrido se acontecerem coisas que estavam totalmente fora do que é natural, caso contrário, NÃO HÁ SOFRIMENTO no parto normal.

Sofrer é: perder alguém, ter um acidente, passar por uma desgraça.

Parir é sentir que "através" da dor você: traz vida ao mundo, vence obstáculos e ultrapassa limites inimagináveis.

E você já pariu? Gostaria de partilhar sua experiencia conosco e nossas leitoras?
Deixe o relato de sua experiência para ajudar outras mães.

4 de fevereiro de 2011

E para comer.....

Por Thais Saito

Os bebês nascem e mamam.
E tudo o que a gente precisa fazer é dar o peito.
Fácil, de graça, rápido, prático.

Mas logo eles crescem.... E chega a hora da papinha.

E agora, que tal falarmos mais dela?

Uma médica homeopata que tratou minhas crianças por muito tempo dizia que a hora ideal para começar a complementar a amamentação com a papinha era quando o bebê ficava sentado sozinho. Segundo ela, nessa hora o sistema digestivo do bebê está pronto para começar a comer.
Mas existem muitas outras teorias, e cada um precisa escolher a que melhor se encaixa na sua vida.

Na macrobiótica, introduz a papinha quando nasce o primeiro dente.

Para a medicina alopática comum, com 4, 5 ou 6 meses é o tempo ideal.

O meu jeito é o mais simples: quando o bebê pede a comida, eu dou. Se ele não quer comer um dia, não come. Se quer no outro, come. Minha Melissa começou a comer com 4 meses e meio. O João, com 8 meses e meio. E o Zé, com 7 meses. Todos são saudáveis. O João é o mais difícil pra comer, mas não chega a dar problemas.

Eu li bastante, pesquisei e introduzi a alimentação do modo que eu acho melhor.
A papinha que eu dei para os dois últimos era um purê. De alguma coisa. Só UM legume. Um.
Cada dia, um purê diferente. Com um fiozinho de azeite e uma pitadinha de nada de sal. Muito pouco, mesmo.

Duas semanas depois, começava a colocar uma raiz (batata, beterraba, rabanete, cenoura, mandioca, batata doce, nabo), uma flor ou folha (couve flor, brócolis, couve manteiga, espinafre, acelga, enfim, qualquer coisa assim) e um fruto (tomate, abóbora, abobrinha, chuchu, pepino, quiabo).
Cortava tudo em cubinhos, colocava pra cozinhar no vapor. Separava em porções e congelava. Dava pra ter papinha pro mês todo, variando bem. Na hora de servir, amassava no garfo, um fio de azeite e uma pitadinha de sal.

Quando essa alimentação estivesse estabelecida, começava a dar fruta no café da manhã. Dependendo da aceitação, dava de tarde, também. Sempre dei de tudo: desde banana à kiwi.

E mais um tempinho (quando o bebê já estivesse comendo bem) e colocava uma leguminosa (feijão, ervilha, lentilha) e um cereal (milho, arroz, aveia). Amassava tudo e dava com azeite e sal.

Mas nunca fiz feijão separado. Era o feijão temperado, o arroz integral de todo mundo. Também colocava um pouquinho da carne.

Seguindo essa regra geral, a alimentação sempre foi boa. Quando decidimos pelo vegetarianismo, comecei a processar oleaginosas (nozes, castanhas, gergelim) e misturar. E colocava no almoço azeite de oliva e, na janta, óleo de linhaça.

Pelo que eu já estudei do assunto, esse é o melhor jeito de introduzir a alimentação dos bebês.

Outro ponto importante é oferecer água sempre, o dia todo, várias vezes.

27 de janeiro de 2011

Tudo o que me importa de verdade está entre essas quatro paredes

Sim, têm dias que quero meu quarto de volta, apenas para mim e para o Emerson.
Quero uma cama de verdade, alta, com uma colcha bonita, criado mudo, abajur e todo o resto.
Quero um colchão que esteja mais em dia que o nosso, que está mofando pelo contato direto com o chão e não exala mal cheiro, mas já foi vomitado e presenteado com inúuuumeros xixis e cocôs vazados das fraldas.
Têm dias que queria não dormir com duas crianças que se mexem mais do que ponteiros de relógio. Mãos e pés que voam em nós no meio da noite.
Têm dias que quero não ter que sair do quarto para transar.
Mas têm muitos outros dias (como hoje) em que olho ao redor e me sinto TÃO BEM.
João, com 4 anos, dormindo abraçadinho em concha com o Emerson e Helena com 1a2m, de bruços, com o bundão de fralda virado para a lua, ao alcance do meu peito para mamar quando quiser e sem que eu nem precise acordar.
Se alguém se descobrir no meio da noite é só esticar a mão e cobrir.
Se ouvir um zumbido de pernilongo, acendo a luz e o caço antes que eles
carimbem meus filhotes.
Tá com sede? Aqui o copinho.
Tem alguém doente? Dorme encostado em mim, para que eu possa sentir na minha pele a evolução da febre.
Nós 4, fechados nesse quarto em que cabem apenas um colchão de casal
encostado e um de solteiro e onde dormimos sem lugar fixo, espalhados ou juntinhos, ao gosto dos pequenos.
Se fui muito dura durante o dia, à noite encho-os de beijos enquanto dormem.
E quando estou carente, pulo os caras e me enrolo no Emerson.
Até pouco antes da Helena nascer, João (que sabia que eu não ficava exatamente feliz ao ser acordada às 6h00 da manhã) me acordava com um "-Bom dia mamãe linda" que eu nunca vou esquecer.
Helenoca, até outro dia, enfiava o dedo no meu olho para que eu acordasse, mas agora já ensaia um "-Mamã!!!" super empolgado e feliz ao acordar ao meu lado. Além disso, quando ela acorda muito cedo eu a puxo pro peito e ganho mais uns 15, 30 minutos de sono que não tem preço.
O -"Tchau, já estou saindo, amor", cochichado todas as manhãs pelo Emerson, para não acordar as crianças.
Bonecos de super heróis, livros infantis, apostilas de estudo, óculos e
fraldas extras para possíveis vazamentos noturnos se espalham entre nós.
Vez ou outra, especialmente no inverno, ganhamos a companhia dos nossos dois gatos e daí somos 6 nesses dois colchões.
Seguros. Aconchegados.
Amor tem cheiro? Aqui em casa tem.
É o cheiro que sinto em nosso quarto, quando todo mundo já dormiu e eu estou sozinha aqui, pensando, sonhando acordada.
Tudo o que me importa de verdade está entre essas 4 paredes.
Até quando isso vai durar?
Têm dias que nos coloco um prazo para que essa “esbórnia” termine: 6 meses.
Têm dias que imploro para que dure para sempre.

Adriana Guimarães tem 36 anos, é Analista de Relações Internacionais, Tradutora, Prof. de Inglês como língua estrangeira. Esposa do Emerson e mãe do João, 3 anos e 10 meses, nascido de Parto Normal Hospitalar e da Helena de 1 ano e 2 meses, Parto Domiciliar e esporadicmente escreve no blog http://www.pequenosdo84.blogspot.com/

26 de janeiro de 2011

Intervenções no Recém-nascido

Já falei aqui sobre as intervenções que a maioria das mulheres sofre no parto sem real necessidade e hoje vou falar das intervenções totalmente desnecessárias pelas quais passam os bebês recém-nascidos.

É um dos principais motivos pelo qual eu não quero ter parto no hospital, porque para fugir do protocolo de intervenções do RN, muitas vezes é mais complicado do que fugir das intervenções do parto em si.

Quando a mulher tem um parto tranquilo, é bem informada e amparada pela equipe médica e tem boa saúde, as chances do bebê precisar de alguma intervenção são quase zero, mas mesmo assim, todos os bebês passam pelas intervenções só porque são rotina do hospital e pronto (e claro porque o hospital ganha com isso...)

Vamos a lista (de horrores!!!):
Manobra de Kristeller -  É aquela manobra em que um enfermeiro ou anestesista (geralmente é o maior da equipe) sobe em cima da mãe e empurra o bebê por cima da barriga dela. Já está proibido em alguns países. Essa manobra é usado por falta de preparo e paciência dos profissionais que atendem partos e pode causar morte materna ou fetal porque é uma violencia contra ambos.

Forceps ou Vácuo Extrator - Embora possam ser instrumentos que ajudam a retirada do bebê quando a mãe não consegue forças para expulsá-lo e este está em sofrimento fetal ou quando está a muitas horas no expulsivo com bebê alto e com riscos é usado indiscriminadamente sem medir se há real necessidade.
Só para se ter uma idéia, uma equipe humanizada que conheço no Brasil, utiliza vácuo/forceps em menos de 1% dos casos atendidos. É para se pensar né?

Sonda (sucção dos liquidos internos) -  um tubo de plastico enorme que vão enfiando, enfiando, até o estômago do bebê. Eu fiquei imaginando fazerem isso em mim e depois tirar... Chega me dar aflição só de pensar! Imagina passar por isso na hora em que você chegou
no mundo. Que recepção né?

Colírio de Nitrato de Prata - Um colírio que arde a beça. Uma amiga pediatra do Brasil, depois que pingou no próprio olho, nunca mais pingou em bebê nenhum. A vista fica embaçada, ardida, o bebê não vê os pais e frequentemente gera uma conjuntivite química no terceiro dia. E só, absolutamente, só serve para mãe com gonorréia, coisa que quem tem sabe porque é sintomática.

Vitamina K - A vitamina K via injeção na coxa é feita no berçário, mas pode tomada via oral que funciona do mesmo jeito.

Exame do Pezinho - É feito 48 horas depois do nascimento do bebê, e embora seja feito para detecção de problemas genéticos e seja mesmo necessário, não é necessário fazer o bebê chorar para tal procedimento. Pode ser feito no colo da mãe, com o bebê mamando no peito. Bem menos sofrido, na minha opinião.

Banho de luz - É indicado quando o bebê nasce com ictericia num grau muito alto. Uma ictericia leve pode ser resolvida com banho de sol pela manhã e com o próprio aleitamento materno, não sendo necessário a separação da mãe e do bebê para tal procedimento. Mesmo que seja necessário, pode ser feito com o bebê no colo da mãe.

Separação e introdução de formulas - Em muitos hospitais do Japão estão fazendo a separação do bebê da mãe depois do parto, com a desculpa de que ela precisa descansar, mas se a mãe não quiser essa separação ela pode exigir que o bebê fique consigo, assim como pode exigir não que não seja dada nenhuma formula para seu filho(a) se você desejar amamentá-lo no seio.
A amamentação na primeira hora de vida é muito importante é traz beneficios para a vida toda. Vale se informar sobre o assunto.

O video abaixo é uma cena de horror, eu só consegui assistir uma vez e mesmo assim chorei a beça, não acredito que as pessoas achem normal um ser humano ser recebido dessa forma no mundo. (sinto muito também pelo que a mulher passou porque com certeza foi muito traumatizante para ela) mas serve bem para ilustrar o que uma mulher passa num parto quando não se informa e não busca as melhores condições para seu parto (e não porque esse parto foi no SUS do Brasil não viu? aqui no Japão já li vários relatos de tratamentos como esse, infelizmente).


Pense, se informe e escolha o que for melhor para você e seu filho! Você tem escolha!!!
Lute pelo que você acredita ser o melhor.

25 de janeiro de 2011

Dicas de amamentação

Já que recentemente soube de várias mamães que deram a luz a seus bebês e estão tendo dificuldades com amamentação resolvi falar um pouquinho do assunto, e passar algumas dicas. Vamos lá?

Qual o principal ingrediente para o sucesso da amamentação?
Primeiro de tudo, amamentação é vontade e persistência. É preciso acreditar que você é capaz de alimentar seu filho sem precisar de chupetas, complemento, bicos artificiais, chazinhos e etc.

Tudo o que não seja o seio materno, no inicio da relação de amamentação, tem potencial chance de atrapalhar o sucesso do processo, por isso é bom evitar.

Amamentar não é facil, e muitas vezes dolorido e cansativo, é preciso estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e a gente pensa que não tem mais vida própria com um pequeno ser que suga literalmente toda nossa energia, mas muito antes do que você imagina, esse pequeno ser estará pedindo para você "dar um tempo" para ele, então procure curtir até o momento e pensar que ele vai passar muito rápido, porque realmente passa.

Durma quando o bebê dormir, descanse sempre que puder e não sofra pelas coisas que ficam por fazer. Se você não tiver ninguém para ajudar, faça no ritmo que teu corpo permitir, não force a barra só para parecer "a super mulher que dá conta de tudo" ok?

E quando a amamentação não é prazerosa?
É importante você se permitir apaixonar-se por seu bebê. Dar tempo ao tempo para criar a relação mãe e filho.

Ninguém é obrigada a ter um amor incondicional desde o primeiro momento com seu filho. Tenha tempo para  olhar em seus olhos, acaricia-lo, reconhecê-lo em cada detalhe e apaixonar-se aos poucos. Isso vai fazê-la confiar mais em seus instintos maternos.

Quando for amamentar, faça um ritual só seu com seu filho(a) em um lugar tranqüilo onde você possa relaxar e deixar fluir a ocitocina que é o hormônio do amor e do leite materno. Beba muita agua e deixe seu bebe mamar a vontade um peito de cada vez, até esgotar e ele ficar satisfeito, isso vai fazer você criar

Não guarde seus sentimentos
Muitas mulheres depois de parir, principalmente aquelas que não tiveram um bom parto, passam por uma fase de baby-blues, se sentem deprimidas e sozinhas no mundo, o que é totalmente natural por causa da grande queda de hormonios no pós-parto, mas isso pode fazer a amamentação ser um martírio.

Sentimentos negativos atrapalham a amamentação e podem causar um quadro de depressão pós-parto também.

Permita-se chorar, lamentar, reclamar...

Você é mãe, humana, não é perfeita e vai errar muito até acertar o melhor caminho para você, seu bebê, seu relacionamento com seu marido e com a familia.

Não se culpe, não se martirize pelo que fez, faz ou deixou de fazer, tudo é aprendizado e nos faz amadurecer para a vida.

Procure sempre ser honesta consigo mesma e com os outros, isso vai ser bom para ambas as partes.

Procure posições confortáveis e solicite ajuda sempre que precisar
Na foto abaixo, cedida por uma amiga "materna", uma das posições que eu mais gosto de amamentar.
É confortável para o mãe e o bebê, já que a barriga com a barriga facilita a liberação de gases, ajuda o bebê arrotar se sentir necessidade e por estar na vertical fica mais facil a digestão. =)

Quando a mamãe precisa de um banho ou fazer uma refeição, o pai pode ajudar colocando o dedo mindinho na boca do bebê para saciar sua necessidade de sucção num momento de desespero. Isso ajuda acalmá-lo. =)

Outras coisinhas...
- Atenção na pega correta sempre.
- Cama compartilhada para os que acreditam nos benefícios é excelente.
- Slingar é otimo para acalmar o bebê e dar segurança a mãe.
- Confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança seu objetivo! ;)

Quem precisar de mais dicas ou ajuda com amamentação, pode deixar um comentário ou me ligar.

Se tiverem outras dicas, postem nos comentários tambem.

19 de janeiro de 2011

Antissépticos de casa.

Quem não se lembra daquelas propagandas de antigamente, onde a criança se machucava, a mãe vinha com um potinho de antisséptico e passava?
E quem não se machucou e teve que aguentar a dor horrível daquele troço entrando e queimando o machucado por dentro? huahau. Eu tive.

Faz um tempo que, quando alguém se machuca, a gente usa ou a tintura mãe de calêndula ou o óleo de tea tree. No começo, deixava uma soluçãozinha pronta com água fervida e calêndua/óleo. Não arde (dói um pouco, porque a gente mexe no machucado, mas nada absurdo), é natural de verdade e super eficiente.

Claro que não vale passar em todo e qualquer machucadinho, OK? A maioria se cura só com uma lavadinha rápida. Quando o machucado é maior, ou está com uma cara estranha, aí vale usar um antisséptico.

Agora, simplifiquei minha vida e faço assim: quando machuca, molho o paninho/algodão/gaze em água e pingo uma gotinha ou da tintura mãe de calêndula ou do óleo de tea tree e e passo. Se precisar cobrir, cubro com gaze, mas é raro, viu?

Mas por que não usar aqueles remedinhos mágicos de farmácia, que vem prontos, em spray?
EU não uso, porque eles contém muitos remédios, muitas substâncias que não são, nem de longe, seguras. Arrepia só de pensar em passar aquele monte de troço direto em uma ferida exposta, que já vai direto pra corrente sanguínea, fazer todo o mal que pode. Urgh.

14 de janeiro de 2011

Para relaxar no Trabalho de Parto

Lendo e relendo relatos, relembrando meus partos, assistindo videos de nascimentos humanizados, eu me lembrei dos mantras que usei durante meus TP's e alguns que li e que achei muito interessante para serem repassados as mães que vão ter um parto pela primeira vez.

Para quem não sabe, a boca e o canal de parto (vagina) tem uma ligação direta. Abrir a boca, cantar, entoar mantras, beijar e tudo mais que tiver ligação com a emissão de sons ajuda com o relaxamento do corpo e facilita a dilatação e o parto em si.

O parto é dividido em fases: Fase inicial, fase ativa, fase de transição e expulsivo.

Em cada uma delas, um determinado comportamento ajuda o processo ser mais fácil, e faz com que a dilatação ocorra mais facilmente.

Com o uso da respiração correta, posições confortáveis, massagens de compressão, água quente (banheira ou chuveiro), movimentação do quadril, bolsa de água quente na lombar, exercícios de relaxamento, geralmente o processo flui bem e tranquilamente.

Quando a "coisa" aperta, entoar os mantras (ou qualquer coisa que esteja ligada a abrir a boca) reduz muito a dor. Ouvir palavras carinhosas e positivas também ajuda muuuuuito (essa é para os acompanhantes...hehe)

Pega a caneta, anote tudo e compartilhe com seu marido, mãe, amiga, ou quem quer que seja que possa te ajudar na hora P.

Aaaaaaaaaabre: enquanto entoa esse mantra, imagine o seu canal de parto se abrindo lentamente, a cada contração.
Veeeeeeeeem meu filho (a): A dor vem devagar, vai subindo, alcança um pico e depois decresce. Imagine seu bebê, centimetro a centimetro, vem cada vez mais, descendo pelo canal, sendo apertado pela pressão das contrações, como um abraço de seu corpo acalentando-o, para que logo ele esteja em seus braços.
Eu te recebo/aceito: Receba e aceite toda dor e a alegria por ser mãe. A maternidade é alegria, mas é dor também, e o parto é "fichinha" para o que vem depois. ;-P
Menos uma: quando a dor for demais para você e achar que não vai mais aguentar, pense que é MENOS UMA contração, e não que virá mais uma. Pense que, logo, logo seu bebê estará em seus braços. O pensamento positivo faz maravilhas.

Aqui alguns links de mantras que amigas adeptas do budismo que passaram. Para quem pratica meditação fica a dica:

http://www.youtube.com/watch?v=suWYpXu8C8M

http://www.youtube.com/watch?v=_h2rFVPCSPE

http://www.youtube.com/watch?v=d63COahIpVM

http://www.youtube.com/watch?v=X-rBQhGXKr8

Alguém tem mais dicas de frases ou mantras que utilizou no TP e gostaria de compartilhar com as leitoras do blog?

Deixe seu comentário

12 de janeiro de 2011

Um tempo para cada coisa.

Quando eu lia/conversava sobre maternidade, durante a gravidez da minha primeira filha, sempre era a mesma coisa:
- Arruma um tempo pra você se cuidar, se divertir.
E eu pensava "que óbvio!".

Bom, acontece que ela nasceu. Linda, pequena, fofinha, tão apaixonante...... E eu fiquei doida! Não queria fazer nada sem ela. Dispensei todo mundo que se dispôs a ajudar (nem todo mundo com muita boa vontade, mas ainda assim) e decidi: eu vou fazer.

No começo, foi tudo lindo. Eu ficava com ela o tempo todo. Comia conversando com ela, tomava banho com ela me olhando, escovava o dente com ela no colo. Cansava, mas eu me sentia bem, feliz, independente, recompensada e mãe. Não me cansava de ficar com ela e pronto.

Quando eu engravidei do segundo, ninguém nem se dispôs a ajudar, porque, afinal, eu daria conta sozinha. E eu tinha a mesma certeza. Dei conta, mas fiquei muito chata. Perdi a paciência, tentei fazer criança dormir no berço sozinha, fiz de tudo quanto era coisa.
Adorava brincar com eles, mas também gostava de conversar com as (poucas) amigas remanescentes, de comer sem precisar parar, de ir ao banheiro e conseguir terminar de fazer o que eu precisava. E isso era impossível. Pouco a pouco, minha paciência foi se esgotando.

Nessa hora eu entendi a importância de arrumar um tempo para mim. Mas como? Quando? Ia deixar as crianças com quem? Impossível! Não podia ver um filme sem ser interrompida 15 vezes. Quando o final chegava, não lembrava nem sobre o que era.

Hoje, com o terceiro filho crescidinho (3 anos e meio, já!), eu estou conseguindo arrumar tempo para ver um filme, ler um livro, ler blogs com calma, jogar sudoku, fazer comida.
Fazer alguma coisa com calma, com tempo, porque eu gosto, porque me diverte, porque eu quero e, só por isso, é muito bom: a gente esvazia a cabeça, relaxa as tensões e consegue ser mais mãe.
Eu lembro que não conseguia ficar 15 minutos brincando com eles que ficava cansada, nervosa, torcendo para que acabasse logo. Hoje brincamos 15 minutos, depois eles me ajudam a fazer alguma coisa da casa, brincamos mais ou não, dormem cedo e não acordam mais e eu tenho tempo para mim.

Portanto, mulheres, arrumem um tempo para vocês: se vocês têm alguém que olhe as crianças para você por um tempo, aproveite. Se você não têm, não surte. Eu garanto que vai chegar uma hora em que eles te dão um tempo. Enquanto isso, aproveite do marido, das visitas, das babás....

9 de janeiro de 2011

Palestra e Simpósio sobre ¨Ijime¨, Abandono Escolar e os Direitos das Crianças, em Kiryu


¨Ijime¨, Abandono Escolar e os Direitos das Crianças:
A necessidade de valorizar a diversidade
6 de Fevereiro, domingo, das 13:00 ~ 16:00 horas

Palestra e Simpósio no Fukushi Hoken Kaikan, em Kiryu
Convidada Especial: Psicóloga Ryoko Uchida
A Sra. Uchida é conhecida por seu programa na rádio NHK "Kodomo no Kokoro no Soudanin", é funcionária  
   de um Centro de Saúde Pública em Tóquio, como também atende em um consultório particular
junto a seus filhos.


Palestras-13:00~14:00, Simpósio-14:00~16:00
Facilitador:  Presidente da NPO ¨Pass no Kai¨ - Minoru Yamaguchi

Palestrantes
l  Yasushi Akuzawa- “Minha experiência como um pai”
l  Erica Muramoto, professora responsável pelos alunos estrangeiros de Tamamura-Machi, Gunma - “Discriminação nas escolas japonesas”
l  Cheiron McMahill, diretora da International Community School em Isesaki - “Lutando por uma educação multicultural alternativa”
l  Ryoko Uchida音声を聞くCrianças que sofreram discriminação.

発音を表示

辞書 - 辞書を表示

Entrada: Gratuita        Materiais: 1000 ienes
Local:Kiryu-shi Hoken Fukushi Kaikan Tamokuteki Hall, Suehiro-cho 13-4, Kiryu.
Telefone: 0277471152
Organizadores: NPO ¨Pass no Kai¨ / ¨Multilingual Education Research Institute-(ICS)¨ /
¨Te o Tsunagu Kai¨

Para mais informações:  
090-5822-8462 Minoru Yamaguchi
em japonês e inglês

“As crianças devem realmente frequentar a escola?”
Mensagem de Ryoko Uchida
Há uma longa história do governo nacional centralizar o controle da educação da escola pública no Japão. Isso tem contribuído para a profunda convicção, porém equivocada, na sociedade japonesa, de que os pais são obrigados a enviar seus filhos para as escolas japonesas, ou que as crianças têm a obrigação de ir à escola.
No entanto, a realidade é que a "obrigação" é para os adultos de garantir o direito das crianças em receber uma educação, não para enviar as crianças à escola. Como claramente consta na Lei Fundamental de Educação, no artigo 4, que ¨Todo o povo/nacional deverá ser igualmente provido da oportunidade de receber a educação de acordo com a sua capacidade, sem sofrer discriminação no âmbito educacional por motivo de sua raça, convicção, sexo, condição social, posição econômica ou origem familiar¨.
As crianças que já sofreram muito por não frequentar a escola sob esta noção equivocada da escolaridade obrigatória, estão agora pedindo a si mesmos os seguintes direitos:

1.    O direito a educação
Temos o direito à educação. Temos o direito de decidir por nós mesmos se devemos ou não frequentar a escola. A escolaridade obrigatória/compulsória, significa que a nação e os adultos têm a obrigação de fornecer uma educação para todas as crianças. Isso não significa que as crianças são obrigadas a freqüentar a escola.
2.    O direito de aprender
Temos o direito de aprender de acordo com os métodos que se enquadram a nós pessoalmente. Aprender significa saber alguma coisa de acordo com nossa vontade, não sendo forçado por outra entidade. Estamos sempre aprendendo muitas coisas através de nossa vivência.
(Extraído da "Declaração dos Direitos das Crianças que não Frequentam a Escola", pelos participantes em 2009, 23 de agosto, o Seminário Nacional de Intercâmbio das Crianças"Bao Bao".) 
Se as escolas não são locais que assegurem os direitos à educação, que "respeita os valores individuais, desenvolve talentos individuais, promove a criatividade, nutre o espírito de autonomia e auto-suficiência, enfatiza a ligação entre trabalho e vida, e promove uma atitude de respeito para com trabalho ", (tal como indicado no artigo 2, 2º. parágrafo da Lei Fundamental de Educação), desta forma as crianças devem ter o direito de não frequentar, ou então de buscar outras possibilidades de educação e, ainda, os adultos são obrigados a proteger o direito de seus filhos.
A escolha não deve ser de ir à escola de qualquer forma, mas de ter a opção de não ir, e de escolher caminhos alternativos. Adultos e sociedade precisam informar as crianças de suas escolhas. Nós adultos também temos a responsabilidade de criar uma cultura para o futuro em que não existam rejeições as diferenças de cabelo, cor da pele e da cultura, mas para aprender a respeitar e apreciar a interação de diversos povos. Espero que até mesmo a minha palestra possa contribuir de uma pequena forma para isso.

Cheiron McMahill, PhD.
Professor, Daito Bunka University.
President, International Community School,
Multilingual Education Research Institute NPO
268-25 Tomizuka-cho, Isesaki-shi, Gunma, Japan 372-0833
Tel: 0270-75-6277 homepage http://icsnet.or.jp/
email icsnet_hp@yahoo.co.jp

6 de janeiro de 2011

Porque NÃO induzir o parto?

Final de gravidez, a ansiedade bate forte, o cansaço toma conta e tudo o que a gente quer é se ver livre do peso da barriga, dos palpiteiros de plantão que ficam falando o tempo todo "como você engordou", "como sua barriga tá baixa", "para quando é o bebe?" "não tá passando da hora", "vai ser normal?" "é melhor cesarea para não passar da hora né?" "é melhor cesarea para não passar por todo aquele sofrimento né?" e bla, bla, bla...

Eu sinceramente, me canso mais com os palpites e histórias "sem noção" do que com o cansaço físico em si.

As pessoas poderiam ter um pouquinho de consciência e ao invés de falar tanta besteira oferecerem suporte a mulher grávida, convidar para um chá e um bom bate-papo, assistir um filme, falar besteiras (que nós mulheres adoramos...rsss), fazer umas caminhadas ou uma boa massagem relaxante, tudo isso ajudaria tanto e seria tão agradável não?

Bom, o fato é que a gente tem que muitas vezes fazer cara de "paisagem", sorrir e seguir em frente sem se deixar levar pelos comentários, pela ansiedade e pelo medo que tudo isso possa nos causar.

Claro que toda mulher que espera seu bebê, quer recebê-lo em seus braços tranquilamente, na hora certa, mas muitas vezes, o stress que a gente passa no final da gestação faz com que a gente acabe implorando ao médico por uma indução do parto para acabar logo com tudo isso.

Só para lembrar aquelas que não se recordam ou não sabem, uma gravidez saudável pode levar 38 a 42 semanas, que é totalmente normal. Toda mulher entra em trabalho de parto nesse período, salvo raríssimas excessões, e bebês não passam da hora como um "bolo esquecido no forno".

Sobre esse termo "passou da hora", as pessoas começaram a usá-lo porque algum médico esperto, para se livrar da responsabilidade de ter feito um mal acompanhamento de pré-natal no final da gestação ou na hora do parto, arrumou uma explicação ilógica para as mães desinformadas, mas que livrou ele da culpa, e disse que o bebê morreu porque passou da hora.

Quando a mãe entra na 40ª semana ela precisa de um acompanhamento mais aproximado. Não é necessário exame de toque ou monitoramento fetal contínuo, mas examinar a quantidade do liquido aminiótico, a pressão arterial da mãe, o fluxo de sangue da placenta e a movimentação do bebê são os exames mais básicos. Se está tudo normal, pode-se esperar até as 42 semanas sem preocupações.

Outra coisa é que, tirando raras excessões, a mulher não tem dilatação sem entrar em trabalho de parto. A dilatação só começa quando as contrações começam. Se não há contração, não há dilatação. Então não é necessário fazer exames de toques em todas as consultas. O exame só serve para deixar a gente ansiosa e com medo de não dilatar, o que também é outro mito, porque toda mulher dilata.

Agora, se está tudo bem com a mãe e o bebê, induzir o parto porque?

A indução com ocitocina sintética faz com que a dor das contrações seja muito mais forte e muito mais intensa e demorada do que uma contração natural. Causa stress materno e atrapalha muito o processo de trabalho de parto e só deve ser usada em casos específicos, quando a mãe entrou em trabalho de parto mas não está tendo contrações suficientemente fortes para o processo progredir. Também não é necessário que seja administrada o tempo todo, quando as contrações estiverem regulares o suficiente, a indução pode ser retirada.

Para a mulher que teve uma bolsa e o trabalho de parto não progrediu após 12 horas, geralmente os médicos utilizam indução também, além de aplicação intravenosa de antibiótico para o caso de uma infecção, porém cada caso é um caso. Se o liquido está claro e não tem mecônio, e se a mulher não teve o exame de strepto positivo, pode-se esperar mais tempo antes de uma indução com ocitocina sintética. Nesse caso deve-se evitar banho de imersão, mas pode-se utilizar ducha, fazer exercícios, tomar chá de canela, comer uma comida mais apimentada, porque tudo isso pode ajudar o processo do parto "engrenar" mais rapidamente.

Para ilustrar um pouco melhor como funciona o trabalho de parto com e sem ocitocina, eu fiz a tabela abaixo:


A minha intenção com essa tabela é uma só: Fujam de uma indução só pela ansiedade!!!

Vai ser mais dolorido, pode causar complicações no parto, aumenta a probabilidade de ruptura uterina, aumenta a probabilidade de episiotomia, aumenta as chances de stress materno e fetal e todos os riscos em potencial.

Quer um parto tranquilo, rapido e bom para você? Então comece desde agora a respeitar o tempo do seu filho, do seu corpo e da natureza, que as chances desse bom parto acontecer são bem grandes.

Se for preciso, evite atender telefonemas indesejados, durma quando tiver vontade (depois que o nene nasce fica mais dificil), relaxe, curta a barriga, tome banhos mais longos, assista bons filmes e aproveite esse tempo especial para cuidar de você por dentro e por fora, isso vai ajudar muito na hora do parto.

Eu acredito que o maior aprendizado da maternidade é respeitar o tempo dos nossos filhos sem querer atropelar as fases, e o melhor momento de começar aprender é quando se está esperando a hora DELE decidir nascer.

Aceito comentários, críticas, sugestões, perguntas e se precisarem, podem me ligar no keitai: (080)5142-7945.

beijo beijo

4 de janeiro de 2011

Crianças e Consumo

Quem nunca saiu por aí com os filhos (ou com sobrinhos, amigos dos filhos, filhos dos amigos...) e recebeu pedidos, súplicas e choros por causa de um brinquedo, um doce, uma revistinha......?
E quem nunca presenciou uma criança choramingando ou dando um showzinho porque queria alguma coisa?

É muito comum, hoje em dia, ver crianças querendo tudo e pais comprando. "Só um brinquedinho/docinho".
Hoje em dia, difícil é não comprar.

Com crianças pequenas, a situação é complicada, porque eles não entendem. Eles não entendem porque pode-se comprar alface e não um pacote de M&M's. Ou a gente não faz compras com eles, ou aceita que vai ter choro.
Com o tempo, muita paciência e muita conversa, a gente vai fazendo os pequenos entenderem que a gente só compra o "necessário". Fazer uma lista e comprar só o que está nela, mostrando para eles, é uma boa alternativa. Leva tempo, mas eles passam a entender.

Já com os maiores, há uma série de coisas que se possa fazer, desde combinar que x vezes por mês, a gente vai comprar um doce, mas que brinquedo é só em datas especiais, por exemplo.

Aqui em casa, a gente optou pela mesada quando os maiores começaram a pedir tudo o que os amiguinhos tinham. Damos uma quantia para cada um por cada ano vivido. Por exemplo, se seu filho tem 6 anos, 50 ienes x 6 anos = 300 ienes por semana ou por quinzena. Você pode aumentar ou diminuir o valor, de acordo com os gastos da família. Se você tem mais de um filho, você pode dar de acordo com a idade de cada um ou a mesma quantia para todos.

Agora vem a parte difícil: a gente precisa ensinar que eles só podem gastar até aquele valor. Aqui em casa, nós decidimos que comida, a gente paga. Se a gente vai comer fora, nós pagamos a comida. Se eles querem sorvete, o gasto é deles.
Roupa, quando eles PRECISAM, a gente paga. Se eles querem uma roupa nova porque viram na TV, ou porque o colega Y tem, eles pagam. Se não tem dinheiro, juntam e compram.
Brinquedo, a gente não compra. Eles juntam dinheiro e compram.
Livro, uma vez a cada 2 meses a gente paga. Mais que isso, eles compram.
A gente leva em parques de diversão, em cinema e tal, mas sempre em aniversários ou em dias combinados. Fora disso, eles precisam juntar dinheiro e pagar.

Também ensinei eles a guardar dinheiro fazendo uma caixinha para cada, onde eles guardavam uma parte da mesada. Eles recebiam e já colocavam uma moedinha na caixinha. Aos poucos, eles juntaram e bastante. O que era legal era ir com eles ao banco, deixar que eles entregassem o dinheiro ao caixa e recebessem a caderneta com o novo valor.

Claro que o dinheiro não dá para grande coisa, mas eles aprenderam direitinho e hoje, olham o preço de tudo antes de comprar.
Zé, que é o menor, ainda não entende e sempre gasta a mesada logo no primeiro dia. Aos poucos, eu acredito, ele vai acabar entendendo.

Uma coisa que é importante é saber onde e quando ceder e não ceder.
Se você está sem paciência, se a criança está cansada e com sono, nem entre na briga: ou você não vai em locais que tenham vendas ou você compra antes da briga.
Nunca nunca nunca compre porque a criança chorou, ou porque deu escândalo, ou porque pediu com cara de coitado, nada disso. Também nada de comprar porque você se sente culpado(a) por estar ausente, por ter gritado, brigado. Se desculpe, fique um tempo com eles, mas não dê coisas em troca.

Eu também não deixo sem mesada por castigo e não dou em troca de serviços prestados (arrumar a cama, por exemplo). Cada um tem que fazer uma coisa em casa. É um acordo, assim como a mesada. Eu não quebro a minha parte, para que eles não quebrem a deles. Se eles quebram um combinado, a gente dá um castigo, como ficar sem videogame por um tempo.

Ensinar a consumir direito é um dever nosso. Ensinar os filhos a cuidarem do dinheiro, das coisas, do mundo, também. Ensinar regras e condutas sociais, também.
Não existe jeito certo, muito menos garantido. Cada família precisa discutir, pensar e decidir pelo caminho que lhe parece melhor.

27 de dezembro de 2010

Parir com prazer! É possível? - Amano Bela (Josie Zecchinelli)

Há algum tempo assisti a um filme lindo, lindo, chamado Orgasmic Birth (parto orgásmico). O filme fala sobre as possibilidades do parto ser um momento de prazer para a mulher, orgásmico mesmo, pois é uma parte da vida sexual da mulher.

A cultura ocidental é tão repressora que nos levou a esquecer que o parto é um evento fisiológico, natural, animal, e não uma doença, que requer toda a atenção médica. É claro que existem alguns riscos, mas eles são baixos, chegam a no máximo 10%, sendo que se olharmos pelo outro ângulo, então 90% dos partos podem acontecer tranquilamente, normais ou naturais, sem que haja risco para mãe ou bebê.

O problema é que pegaram estes 10% e transformaram em regra geral, fazendo com que todas as mulheres tenham que se submeter a situações hospitalares, cabíveis a um doente, em função de algo que é remoto. E muitas das intervenções hospitalares aumentaram este índice de riscos, fazendo com que o parto normal hospitalar se tornasse muito mais arriscado do que um parto que acontece naturalmente, sem intervenções. E a grande maioria das mulheres deixou de ter uma experiência de parto natural, ativa.

Quando o parto pode acontecer naturalmente, a mulher tem uma experiência transformadora, completamente diferente, e a relação com a dor muda de figura. Pois a dor do parto não é como qualquer dor, ela é nada mais que o movimento do corpo para que seu filho possa nascer. As contrações musculares uterinas são semelhantes às que acontecem quando a mulher está tendo um orgasmo e os hormônios produzidos pelo corpo quando o parto é natural são exatamente os mesmos do momento sexual, do orgasmo, mas potencializados de tal forma que em nenhum outro momento a mulher terá tal quantidade de hormônios circulando. Ou seja, o corpo dela está preparado para uma experiência de prazer.

No entanto, muitas coisas podem interferir na liberação dos hormônios. A presença de pessoas que não respeitam o ritmo da mulher, as intervenções físicas, como colocação de soro, o exame de toque freqüente, o ambiente não acolhedor e frio, o fato de não poder se movimentar ou comer livremente, a crença na incapacidade de parir e de saber o que é melhor para si e para o bebê, medos e traumas profundamente arraigados na mente, tudo isso são fatores que geram tensão e estresse.

Todo tipo de tensão faz com que o corpo libere substâncias que causam efeitos opostos ao dos hormônios do parto no corpo da mulher, como adrenalina e cortisóides. Estes hormônios fazem com que seu corpo se contraia ainda mais, se tensione, se feche, e isso atrapalha a continuidade do parto, ocasionando mais dificuldades e dor.

Os movimentos do corpo que antes poderiam ser percebidos como prazerosos, quando a mulher está relaxada, agora se tornam dolorosos. Por isso, a escolha do parto precisa se tornar um escolha da mulher. Quanto mais bem informada ela estiver a respeito da fisiologia do parto, sobre os benefícios do parto natural, sobre suas possibilidades de conseguir passar por isso, sobre o que acontece na formação médica e porque eles agem com tantas intervenções, sobre os mitos que são tratados como verdades e muitas vezes usados para induzir a mulher às escolhas que não são as melhores naquele momento, melhor será a experiência de parto das mães e bebês.

Mesmo que nas contrações haja alguma dor, após o parto, as mulheres que tiveram partos naturais relatam que passariam por tudo novamente, pois a dor desaparece assim que o bebê nasce, e muitas vezes a dor é mínima, ela é sentida com a percepção de atividade, com o prazer de quem sabe que está sendo ativa, que está fazendo exatamente o que escolheu. A dor está intimamente ligada à forma como a mulher encara a experiência e ao estado de relaxamento ou tensão do corpo.

O filme trouxe cenas lindíssimas de mulheres em expressões de prazer, mesmo nos momentos de luta, em meio a urros, gemidos, ela relatam que naquele momento estavam vivenciando todo o seu potencial, toda a gana de sentir seu filho vindo ao mundo. Para quem assiste de fora, pode parecer algo animalesco, mas para estas mulheres, foram experiências de transcendência, de muito prazer. E logo após o nascimento, vem o momento mágico, pois é o ponto de ápice da liberação de hormônios, de ocitocina. Este momento ainda acontece para poucas, pois poucas têm a oportunidade de apenas ficarem com o bebê, relaxadas, na primeira hora após o nascimento. Esta primeira hora é importante não apenas para a amamentação, mas
também para o vínculo entre a mãe e o bebê. O nível de ocitocina neste momento será o mais alto que a mulher experimentará em toda a sua vida.

Se fôssemos olhar a fisiologia da mulher, seria como o orgasmo mais intenso de sua vida, pois o hormônio é o mesmo, mas em quantidade muito maior. No entanto, isso não é respeitado. No filme, há um cena linda de uma das parturientes que visivelmente teve uma experiência orgástica, seus olhinhos revirando durante as contrações, seu rosto sorrindo, radiante. Fiquei encantada em ver o bebê após o nascimento, de todos os partos mostrados no vídeo, este foi o bebê mais tranqüilo após o parto, sua expressão estava realmente serena, angelical, e ele demorou ainda alguns minutos para esboçar um leve choro, que também durou apenas segundos. A mãe estava também com uma expressão de leveza e prazer como já vi em grupos de meditação, estava em êxtase.

Um filme desses é revolucionário e extremamente necessário, para que mais pessoas possam saber que é possível algo tão magnífico, e é possível a todas, pois a possibilidade de prazer no parto está acessível a todos os corpos femininos, faz parte da natureza da fêmea humana. Basta que a mulher se prepare adequadamente, que tenha informação, suporte e as pessoas certas ao seu lado. Isso significa também ter a equipe certa, escolher profissionais humanizados, médicos que respeitem a natureza e que estejam em dia com as evidências científicas (que mostram que tudo é favorável ao parto natural). Um médico humanizado e bem informado irá realizar o pré-natal da melhor forma, irá verificar as possibilidades de um parto natural, se a gestante é de baixo risco, e a mulher irá confiar de que ele realmente está lhe passando a informação correta, baseada nas evidencias cientificas e pesquisas atuais, e não em mitos, crenças, e rotinas hospitalares que não têm mais cabimento, que já foram derrubadas pela ciência, e só prejudicam mães e bebês. Um médico bem informado e humanizado só fará uma cesariana se for realmente necessária, em caso de emergência. Um médico assim ainda é minoria e quase raridade, mas eles existem, é possível encontrá-los. E mesmo que em sua cidade não haja, com informação e vontade, é possível ter experiências menos traumáticas e mais prazerosas, pois uma mulher bem preparada pode virar um leoa no momento do parto, ela sentirá toda a sua força e ficará menos vulnerável às manipulações que infelizmente ocorrem no ambiente hospitalar. Para que tudo isso aconteça, a mulher precisa ser ativa, precisa ser responsável pelas próprias escolhas e poder ir em busca do que quer.

Parir com prazer! É possível? - Amano Bela (Josie Zecchinelli)

21 de dezembro de 2010

Química na troca de fraldas

Hoje vou falar da química das trocas de fraldas. Da química ruim que existe por aí, nos lencinhos umedecidos, na pomadinha.... E alternativas para quem quer fugir do comum automático e ir para um natural mais saudável, mas não paleolítico.

- lencinhos umedecidos: mais prático, impossível? Huuummmm.. Eu sofri para largar, mas hoje não sinto falta. Tenho lencinhos (de algodão orgânico) de tamanho 15x15. Vários. E uma loção para limpeza feita em casa, com água, um pouco de óleo VEGETAL (qualquer óleo serve, até os de cozinha) e umas gotinhas de sabonete líquido. Uso a mesma loção por uma semana.
(e fralda de algodão orgânico é melhor, porque os agrotóxicos do algodão ficam na fibra por muuuuuito tempo.....
http://leiaorotulo.blogspot.com/2008/12/ace-fatos-do-dia-pesticidas.html)
Por que motivo eu trocaria os lencinhos umedecidos pelos de pano? Bom, primeiro pela ecologia, que esses lencinhos que não podem ser jogados no lixo não são biodegradáveis (demoram o mesmo tempo da fralda para se decompor - 400-500 anos). Segundo, pelo bebê. Os lencinhos contém muitas substâncias maléficas à saúde, como parabenos e perfumes.
- talco: pelamordedeus, não usem. Além de causarem problemas respiratórios nos bebês, ainda causam problemas (como câncer) de trato reprodutor de meninas. Quem não acredita, pode procurar.
- pomada para prevenção de assaduras: não se deve usar, porque senão a pele do bebê se acostuma com a pomada. Aí, seu bebê fica com a pele super sensível e uma vez que você não usar a pomada, ele vai ter uma assadura monstro. Além disso, trocando um bebê a cada 3, 4 horas, ele não vai ter assaduras.
E se o bebê assar?
Maizena, sol e ar.
Simples. Deixa o bebê sem fralda o máximo possível. No inverno é meio difícil, se não tiver um aquecedor ou um ar condicionado, mas... Deixar tomar sol na área da fralda. O sol é o melhor cicatrizante que existe. E a maizena: joga no bumbum, dá umas batidas, como se estivesse untando forma de bolo.
E troque mais vezes. Uma vez a cada duas horas, mais ou menos, até melhorar.

Se persistir, pode ser uma candidíase. Aí vale consultar o pediatra para saber de alguma pomada anti-fúngica e do tempo de tratamento.

15 de dezembro de 2010

A amamentação e a mudança de minha vida

Antes de engravidar eu achava que o tempo suficiente para a amamentação eram 6 meses e que depois disso o bebê já não precisava mais do meu leite.

Na verdade, isso não fazia parte do meu círculo de convivência. O normal era complementar com NAN, ou leite de soja. O normal era a mãe não ter leite “suficiente”, era não deixar o bebê no peito para que ele não ficasse mal acostumado. Vendo tudo isso hoje me dá vontade até de rir dessa Kristal de algum tempo atrás.

Me preparei para um parto normal e achava que a amamentação seria fácil, afinal, que mistério teria? Era só colocar o bebê no peito e pronto.

Esse pensamento caiu por terra na primeira semana de vida do Marco, quando na descida do leite o meu seio ficou empedrado e duro, parecia que eu tinha colocado uns 500 ml de silicone. Depois disso, os meus bicos racharam. Eu chorava para amamentar, gritava de tanta dor.

Falei com o Cacá (pediatra) por telefone e ele sugeriu que a consulta de 1 mês de vida fosse antecipada para logo, assim poderíamos conversar melhor. Nessa primeira consulta o Marco tinha 15 dias, havia engordado 300 gr e crescido 1 cm desde a saída da maternidade. Isso me deixou feliz, pois mesmo com tanto sofrimento eu estava conseguindo amamentar o meu filho.


Essa foto é do período mais crítico da Amamentação.

O Cacá viu as minhas fissuras, meu desespero e medo em dar de mamar e sugeriu que eu desse um descanso de 2 dias aos seios, nesse tempo eu deveria tirar leite com a bombinha e oferecer em um copinho. Voltaríamos em poucos dias para ele ver como estavam as coisas.

Bom, foi aí que vi que o psicológico conta muito na amamentação e que como havia me dito a Gisele do Enzo, o leite está mais na cabeça da gente do que no seio. Mesmo com o peito cheio, saiam apenas poucas gotas de leite, com muito esforço eu conseguia uns 20 ml. Eu ficava várias vezes por dia tentando tirar leite, mas acabei tendo que comprar 1 lata de aptamil para complementar. O Fernando estava de férias me ajudando em casa com o bbzico e a tarefa de dar o complemento era dele. Eu chorava cada vez que via ele dando aquela chuquinha de Aptamil, eu me achava incompetente, incapaz de alimentar o meu próprio filho que era tão pequeno e já estava com aquele bico de borracha na boca, tomando um leite artificial.

Falei com o Cacá diversas vezes e em uma delas quando eu estava chorando no telefone e dizendo que não agüentava mais ele me indicou a fonoaudióloga Andrea que veio até a minha casa ver a pega do bebê e ensinar diversas formas e posições para amamentar.

Ela viu que a pega do Marco estava correta, o que me machucou foram as mamadas que eram muito freqüentes e a voracidade na sucção do bebê. A Andrea me disse também que se eu tentasse ordenhar um pouco de leite antes das mamadas pois com o seio muito duro era mais fácil ferir o bico. Com as palavras do Cacá e as visitas da Andrea fiquei mais tranqüila.

Eu usava no peito: lansinoh + concha de silicone + absorventes (pois várias vezes vazava leite) saia de casa com um verdadeiro arsenal de emergência.

Bom, quando estava acabando a segunda lata de Aptamil, o Fernando me perguntou se compraríamos mais uma. Foi um dilema pra mim, eu sabia que se não desse um basta, nunca mais pararia de dar LA e o meu sonho de amamentar exclusivamente não iria acontecer. O Marco estava com pouco mais de 1 mês, aí resolvi que aquela seria a hora de dar um basta naquilo. Eu era capaz e iria conseguir amamentar o meu filho sim!

Devido ao uso do LA a minha produção de leite diminuiu, por esse motivo eu ficava com o Marco literalmente pendurado no peito o dia todo, bebia muita água, mal dava tempo de almoçar, mas eu enfiei na minha cabeça que ele se alimentaria somente do meu leite. Não foi fácil, ouvi de muita gente que eu estava mal acostumando o Marco, pois ele só ficava no colo, que todo aquele esforço não valia a pena, que meu leite era fraco por isso ele queria mamar a todo momento e até mesmo que o pediatra era louco por não fazer “nada”, tipo receitar LA. Mal sabiam que esse nada era o que eu mais queria, era umas das coisas que mais me apoiava. Com ele, eu não me sentia sozinha, assim como com o apoio do Fê e da minha mãe e irmã que estiveram sempre ao meu lado durante todo esse tempo.

Chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, passamos pela introdução de alimentos e voltei a trabalhar logo depois que ele fez 1 ano, fiquei apreensiva com medo do desmame, mas esse medo logo passou. A primeira coisa que ele faz quando chegamos em casa é mamar nos dois peitos, com vontade. Isso me deixa tão feliz que dá até vontade de chorar, ele fica me olhando com aqueles olhinhos chapadinhos de leite, me fazendo carinho, passando a mão no meu rosto. É como se o mundo parasse naquele momento e estivéssemos só nós dois ali entregues um ao outro.

Hoje, 10/05/2009 o Marco faz 1 ano e 2 meses junto com o dia das mães e eu me sinto vitoriosa por ter conseguido superar tantos problemas, palpites etc. Esse é o meu maior presente. Ainda amamento, com muito prazer a minha criancinha que já come de tudo, está cheio de dentes, mas não nega o tetêzinho por nada nesse mundo. E continuaremos assim até quando for legal pra ele e pra mim também.

Agradecimentos:

- Ao Cacá que sempre me apoiou muito em todos os momentos;

- Meninas do grupo Matrice que me ajudaram muito enviando mensagens, esclarecendo dúvidas e me entendendo e dando ombro amigo. Não consegui ir em encontro pessoalmente, mas a ajuda virtual foi de grande valia.

- A minha mãe que sempre disse que a fase ruim dos machucados e fissuras ia passar, eu achava que ela dizia para me agradar, mas não é que passou mesmo?

- A Kari, minha irmã, que quase chorava comigo quando eu amamentava e me fazia carinho.

- Ao Fê, que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, obrigada pela paciência e por estar ao meu lado sem desistir também.

Sou a Kristal Metello, mãe do Marco e fiz esse relato recentemente, no dia das mães. Foi quando consegui escrever claramente sobre as dificuldades que passei no início.
O parto de meu filho foi um marco na minha vida, depois dele eu nunca mais fui a mesma. A minha essência é igual, mas a minha postura e forma de encarar a vida mudou totalmente, eu nasci junto com o meu filho e renasci com a amamentação.

12 de dezembro de 2010

Doula no Japão II

Recentemente no Brasil, o numero de doulas tem aumentado significativamente, mas aqui no Japão quase ninguem conhece esse tipo de assistência no trabalho de parto.

Para quem deseja um parto tranquilo e feliz, a doula é uma excelente acompanhante que ajuda tanto antes do parto, como durante e depois dele também.

Para contratar uma doula no Japão, por favor entre em contato através do formulário do blog que teremos prazer em ajudar.

Para quem quer conhecer melhor como é o trabalho da doula, assista o video abaixo, do programa da Ana Maria Braga, que foi ao ar ontem no Brasil.

10 de dezembro de 2010

Mais um video de parto Lindo!

Este é o nascimento natural na água do nosso filho, Theo.

Estou compartilhando aqui (no youtube) porque eu gostaria que tantas pessoas, quanto possível, pudessemm ver quão belo pode ser o nascimento.

Não há nada melhor do que poder do que parir seu bebê como você escolher. É uma sensação fantástica depois.

Esse video foi filmado e editado pela minha irmã talentosa, Hailey. Ela é fotógrafa e cinegrafista. Você pode contatá-la por ter seu nascimento também documentado

Eu não acho que nada seja mais precioso do que esses 7 minutos do filme, e se você tiver coragem, eu acho que ver esses momentos capturados pela câmera, não tem preço. Vou guardar e reviver este momento incrível para sempre.

Sobre o nascimento, para ler o relato clique aqui.

Theo nasceu no Royal Women's Centre, Brisbane.
Com zero de intervenções e mais de 42 semanas.
Pego por uma parteira.
6 h de trabalho de parto e 15 minutos de expulsivo de um bebê bem grande: 10 £ 7 oz (4,5kg aprox.)
Eu era apoiada pelo pai do bebê, meu marido lindo, Errol.
Ele é o nosso segundo filho e eu tenho 21 anos.

Eu fiz aulas com Helen Hypnobirthing Pywell da Brisbane Birth. Isso ajudou a manter-me calma e relaxada durante todo meu trabalho de parto. Eu recomendo! http://www.brisbanebirthing.com.au

Se você gostaria de ver o Theo agora, você pode visitar o nosso blog em www.gregariouspeach.com

8 de dezembro de 2010

Sobre o uso excessivo da tecnologia

Trecho de um artigo originalmente publicado no site Midwife today

Uma mulher de Iowa foi recentemente encaminhado a um hospital universitário durante o trabalho por causa de possíveis complicações. Lá, ficou decidido que a cesariana deveria ser feita. Após a cirurgia foi concluída e a mulher deveria ficar de repouso pós-operatório em seu quarto de hospital, mas ela entrou em choque e morreu. Uma autópsia revelou que, durante a cesariana do cirurgião acidentalmente pegou a veia aorta, a maior artéria do corpo, levando a hemorragia interna, choque e morte.

A cesariana pode salvar a vida da mãe ou do bebê. A cesariana também pode matar a mãe ou o bebê. Como pode ser isso? Como cada único processo ou tecnologia utilizada durante a gravidez e o nascimento traz riscos tanto para mãe e bebê. A decisão de usar a tecnologia é um julgamento de chamada pode tornar as coisas melhores ou piores.

Estamos vivendo na era da tecnologia. Desde que o homem conseguiu ir à Lua, nós acreditamos que a tecnologia pode fazer de tudo para resolver todos os nossos problemas. Assim é natural que os médicos e os hospitais estejam usando mais e mais a tecnologia no parto e nas mulheres grávidas. Mas as tecnologias tem resolvido todos os problemas que podem surgir durante o parto? Dificilmente. Vamos dar uma olhada no histórico recente.

O aumento do uso recente de tecnologia durante a gravidez e o parto resultou em menor número de bebês mortos ou com sequelas pos parto?

Nos Estados Unidos, não houve diminuição nos últimos 30 anos no número de bebês com paralisia cerebral. A maior causa de morte de recém-nascidos é um peso muito baixo, mas o número de pequenos bebês nascidos também não diminuiu nos últimos 20 anos. O número de bebês que morrem ainda no útero não diminuiu em mais de uma década. Embora nos últimos 10 anos tenha havido uma ligeira queda no número de bebês que morrem durante sua primeira semana após o nascimento. Os dados científicos sugerem um aumento do número de bebês que sobrevivem a primeira semana, mas que têm danos cerebrais permanentes.

O uso crescente da tecnologia para salvar as vidas das mulheres grávidas e no atendimento ao parto ajudou mais?

Nos Estados Unidos os dados científicos não mostram diminuição nos últimos 10 anos no número de mulheres que morrem em torno da época do nascimento (mortalidade materna). De fato, dados recentes sugerem um aumento assustador no número de mulheres que morrem durante a gravidez e no parto nos Estados Unidos. Então pode-se dizer que o aumento do uso de tecnologias de nascimento não só "não salva" mais vidas de mulheres, como também "mata" mais mulheres. Esta possibilidade tem uma explicação científica razoável: cesariana e anestesia epidural, ambas foram usadas mais neste país e sabemos que ambas,cesariana e anestesia peridural, podem resultar em morte.

Nós não devemos ficar surpresos com esse histórico recente (e ruim) de nascimento por causa do abuso da alta tecnologia.

Por muitas décadas, no meio do século 20, o número de crianças que morreriam em torno da data de nascimento foi diminuindo. Isso deve-se, não aos progressos da medicina, mas principalmente pelos avanços sociais: a diminuição da pobreza extrema, uma melhor alimentação e melhor habitação, e o mais importante, a diminuição da mortalidade deve-se ao planejamento familiar, resultando em menos mulheres com gravidezes e muitos nascimentos.

O atendimento médico também foi responsável por alguns dos índices de diminuição da mortalidade dos bebês, não por causa de intervenções de alta tecnologia, mas por causa de avanços médicos básicos, tais como a descoberta dos antibióticos e a capacidade de dar transfusões de sangue seguras.

Nunca houve qualquer evidência científica de que as intervenções de alta tecnologia, tais como o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal durante o trabalho de parto, pudessem diminuir a taxa de mortalidade de bebês. *(ou que o uso excessivo de ultrassons durante a gestação pudesse trazer ao mundo um bebê mais saudável)

O que isto significa é que "se colocar nas mãos de um médico e de um hospital de alta tecnologia" não garante um nascimento mais seguro". Cada pessoas deve assumir a responsabilidade por seu parto, incluindo a decisão de ter tecnologia usada em si e em seu bebê.

Lembre-se, a tecnologia não é "boa ou ruim", mas pode ser utilizada de forma boa ou ruim.

Os aviões podem ser usados para levar você para visitar sua família num lugar distante, ou pode ser usado para lançar bombas sobre mulheres e crianças. Como a tecnologia é usada em você durante a gravidez e o parto é de grande importância porque pode ajudar você e seu bebê ou também prejudicar você e seu bebê.

*trecho acrescentado por mim, em relação a quantidade abusiva de ultrassons realizados aqui no Japão