25 de julho de 2012

Parto Humanizado e casa de parto no Japao

Ola mamaes e futuras mamaes! Mes passado eu tive a incrivel oportunidade de acompanhar a Mayra Calvette em algumas casas de parto e hospitais humanizados aqui em Kanagawa e em Tokyo. Entrevistamos as parteiras, as enfermeiras obstetras e alguns casais. A Mayra pra quem nao conhece, ela eh brasileira, fez enfermagem com especializacao em obstetricia e neonatologia, rodou o mundo por 9 meses, num total de 21 paises com um projeto bem bacana sobre o parto no mundo. Foi ela tambem quem ajudou a modelo brasileira Gisele Bundchen no parto domiciliar do primeiro filho. Quem quiser mais detalhes, pode visitar o blog do projeto: http://www.partopelomundo.com/

Bom, voltando ao assunto; primeiro dia visitamos uma casa de parto em Fujisawa-shi, de uma parteira japonesa, mas ela fala ingles. Era uma casa comum, onde ela mora com a familia no andar de baixo e no segundo andar era a casa de parto. Quando chegamos fomos recebidas para almocar todos juntos e gente... confesso que morri de vontade de parir naquela casa!! Que ambiente aconchegante! Todas tao carinhosas, educadas! Eh como parir em casa de parente! Tinha um casal que tinha acabado de ganhar o segundo filho e estavam la, almocando juntos, todo mundo segurando o bebe pra mae poder comer, o marido sentadao, como se fosse a "casa da sogra"! Amei aquilo!
Depois de muita comida e conversa fomos visitar outra casa de parto, que fica em Chigasaki-shi, a parteira desta casa eh uma senhora, ela nao fala ingles, mas eh muito expressiva. Tem aquela cara sabia de pessoa mais velha e experiente. A casa eh linda, fica num lugar mais retirado, tem sua propria horta de onde colhem verduras frescas para as refeicoes das mamaes que ali ficam internadas apos o parto e conta com varias funcionarias. Nao tem aquele escritorio que ha em clinicas, aquele balcao, sabe? Todo mundo entra e conversa na propria cozinha. Alias,chegamos la e ja fomos recebidas com muita comida novamente e desta vez rolou ate um sake! E muita, muita conversa! Era pra Mayra ficar na minha casa, mas a parteira dona desta casa de parto ofereceu hospedagem pra Mayra, pra ela poder ver o funcionamento da casa durante o dia e poder conversar com alguma gestante. Mayra passou ai uns dois dias! E fomos a uma casa de parto em Tokyo de uma parteira bem famosa aqui no Japao no ultimo dia dela em terras niponicas. Novamente fomos recebidas com um almoco bem gostoso e conhecemos todas as instalacoes da casa de parto. Ela tem muitos funcionarios, sempre que ha alguma materia sobre parto humanizado na TV japonesa ela participa, ja escreveu livros e lancou um DVD tambem. Mas eh uma pessoa muito amavel, muito carinhosa. Tem aquela coisa de mae, sabe?
Bom, em todas as casas de parto o atendimento foi muito bom, mesmo onde nao tinha ninguem quem entendia ingles, trataram super bem e acolheram a Mayra, que nao entende nada de japones. Percebi tambem que todas usam muito a linguagem corporal, muito toque, muito carinho com as maos. E pra quem vive aqui, sabe que nao eh algo tipico dos japoneses. Acho que por isso me senti em casa, em casa de parente. A gente se sente acolhida num ambiente assim.
Em todas as casas a gestante tem total liberdade para parir, tem cama, tem tatame, tem ofuro. Pode fazer o que quiser com a placenta e o bebe tambem fica sempre com a mae. O dinheiro do parto eh o mesmo e as vezes ate mais barato que em clinica e a prefeitura cobre com aquela ajuda de 420 mil yenes. Soh aceitam gravidez de baixo risco e elas tem um medico de apoio, em caso de necessidade a gestante eh transferida pro hospital. Nao existe nenhum tipo de intervencao e pode participar do parto quem a gestante quiser. E tambem fica internada de 4 a 5 dias como nas clinicas.
A Mayra visitou um hospital humanizado em Kamakura (neste eu nao fui), mas depois fomos juntas num hospital humanizado em Atsugi e sao da mesma rede. La fomos atendidas pela enfermeira obstetra chefe, que tambem, por sua vez, muito carinhosa, muito respeitosa nos mostrou toda a ala da maternidade. Neste hospital, a gestante pode trazer quem ela quiser para participar do parto, pode parir na cama ou no tatame. Eh livre para se movimentar, beber e comer. E nao tem nenhuma intervencao sem real necessidade. Nao existe bercario, o bebe fica direto com a mae no quarto e tampouco sofre nenhuma intervencao.
Bom, meninas... espero que tenham gostado de saber um pouquinho sobre este "mundo" aqui no Japao. Eu adorei e espero realmente que mais mulheres se empoderem e tenham seus filhos em lugares assim. Mais humano, mais aconchegante e o mais importante: mais respeitoso. Continuo afirmando: a gestacao eh um estado milagroso, eh a soma de muito amor por um ser que ainda esta por vir e o parto eh a passagem que trara este bebe ao mundo. Esta passagem nao pode ser violenta. Nao pode ser temerosa. Nao pode ser desrespeitosa com a mae nem com o bebe. Tenho conviccao que fara toda a diferenca na vida desta crianca.
Beijos, queridas!!!!

Ps: No blog Parto pelo Mundo tem fotos de todas as casas de parto e hospitais que visitamos.

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21 de maio de 2012

Segunda gestacao

Segunda gestacao,veterena em maternidade e super segura em tudo????Naaaaaaaaoooooooo... nada disso! Quando descobri que estava gravida pela segunda vez, tomei o mesmo susto que havia tomado na primeira vez e unica coisa que ainda nao senti foi aquele frio na barriga soh de pensar no parto. Talvez porque meu primeiro parto foi bom, entao nao bateu medinho ainda. Tenho uma leve lembranca de como doeu e de como foi cansativo, mas nada que faca meu coracao apertar... tampouco me preocupo com roupas, carrinhos e berco, etc... para o bebe, porque tenho algumas pecas de roupas que guardei do primeiro filho, tambem guardei o carrinho e a cadeirinha de carro. Berco descobri que nao preciso, que foi pra mim a coisa mais inutil, cara e "trambolhao" que obtivemos. Mas na primeira gestacao eu achava que o berco era um item de total importancia no enxoval do bebe. Compramos um berco caro, meu marido queria um novo (por supersticao) ele dizia: meu filho tao pequeno e fragil nao ira dormir em um berco ja usado por alguem e alem do mais aqui tem terremoto, tem que ser forte e resistente! E eu enfeitei o berco todinho, com aqueles protetores bordados, lindos! E aquele mobile que toca musiquinha e acende luzinhas tambem nao poderia faltar! Usamos o berco por uns meses, mas ele nao cabia ao lado da minha cama, eu tinha que levantar toda hora durante a noite pra amamentar, pra cobrir o bebe e pra ver se estava respirando ( sim, quem eh mae de primeira viagem entendera e sabe que a gente faz essas loucuras ) e quando chegou aquele periodo em que o bebe comeca a se levantar se segurando na cerca do berco, dai eu ja nao dormia direito, porque eu ficava imaginando ele caindo de cabeca no chao... ja cansada e stressada, troquei a cama e o berco por futons no chao e estamos assim ate hoje. Foi a melhor decisao que tomei. Todo mundo passou a dormir melhor e a noite toda. Nao tem coisa melhor no mundo que dormir ao ladinho de um bebe!

Bom, voltando ao assunto, unica coisa que estou sentindo eh uma baita preguica quando penso em acordar varias vezes na noite,  quando penso em todas as fases que vamos ter que passar novamente, por mais deliciosa que seja! Mas no total estou muito empolgada e feliz principalmente por meu primeiro filho, que ja nao estara sozinho neste mundo, tera pra sempre um irmao para poder compartilhar bons e maus momentos! Acho que ter irmao eh muito importante.

Quando fiquei gravida e comecei a pensar no parto, me lembrei de uma vez em que a Rosana Oshiro me perguntou na extinta lista materna japao, o que mudaria no proximo parto? Bom, neste parto sera diferente, pois temos o Breno, que em Novembro quando o bebe nascer, tera quase 4 anos. Vou ter no mesmo hospital onde tive o Breno. Ja estou fazendo meu plano de parto e o Breno tambem participara do parto, juntamente com o pai e juntos vao cortar o cordao umbilical. Se o bebe e eu estivermos bem, a equipe medica ja me disse que poderemos sair em uns dois dias e voltarmos no quinto ou sexto dia para exames. Dai meu marido tirando dia de descanso no trabalho podera ficar com o Breno nesses dois dias... Muita gente ja me questionou sobre o Breno assistir o parto e muita gente acha um absurdo uma crianca assistir um parto. Sangue, dor, a mae chorando, gritando, enfim, uma cena muito traumatica, ja me disseram. Mas afirmo aqui pra voces, quando o parto eh natural, onde a mae eh respeitada, no tempo dela e do bebe, sem pressa, sem pressao, sem episio e livre para se movimentar e comer e beber, nao eh traumatico! Quando o Breno nasceu, meu sobrinho de 5 anos na epoca, ficou comigo e com minha irma o tempo todo, desde o momento que eu estava com dores ate o expulsivo e ele nao se assustou em nenhum  momento. Pelo contrario, ele brincava no chao, comia a comida que eu nao conseguia comer, fazia carinho na minha barriga e chamava o Breno pra nascer logo... As criancas tem algo magico e conseguem reconhecer quando eh dor de perigo, dor de angustia... e acredito que sabem que nascer eh algo bom. Esse meu sobrinho ficou tao orgulhoso de ter visto o priminho nascer que ate hoje eles sao super ligados, mesmo ele estando no Brasil hoje em dia.
Mas por via das duvidas ja estou conversando muito com o Breno a respeito, ele me acompanha no pre natal e ve o bebe nas ecografias, escuta o coracao batendo... e quando estou vendo algum video de parto no youtube que acho legal, tambem mostro pra ele. Sei la, acho tao importante o irmao ter esse contato, afinal ele acompanhara a gestacao, ajudara na escolha do enxoval do bebe e seria injusto eu sair pra dar a luz e voltar com um bebe nos bracos depois de 5 dias... deixando ele de fora de um acontecimento tao marcante, na casa de alguma pessoa estranha. E se nao tivesse esse hospital humanizado, com certeza eu teria em casa, num parto domiciliar.
E voces, o que acham de uma crianca participar do parto?E quem ja passou pela experiencia, como foi?

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20 de março de 2012

O dia em que entendi meu parto...

Esse relato é belíssimo!

Fala do discernimento que a mãe teve, algum tempo depois de refletir sobre o parto da filha, e as conclusões que ela chegou.

Eu amei, demais!

E gostaria de compartilhar com aquelas mães que por algum motivo tenham coisas de seus partos para 'resolver' consigo também.

Enjoy! =)

Relato de parto da Carol, nascimento da Clara

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28 de fevereiro de 2012

A escolha do parto e do obstetra

Um bate-papo bem bacana, promovido pela Pampers, sobre a escolha do tipo de parto e do obstetra.

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6 de fevereiro de 2012

Palestra com Michel Odent







Dia 24 de Janeiro de 2012, caiu a primeira neve na regiao de Kanagawa-ken e mesmo com o transito caotico, frio e filho gripado, fui a Universidade Tokai assistir a palestra com Michel Odent. Pra quem ainda nunca ouviu falar nele, ele eh um obstetra frances, defensor do parto natural e respeitoso, autor de varios livros. Sai pelo mundo, dando palestras e passando um pouco da experiencia dele com o nascimento. Foi ao Brasil varias vezes, acabou de participar do filme documentario " O Renascimento do Parto" que tambem tem a participacao do Marcio Garcia. Mas nao eh soh em terras ocidentais que ele faz sucesso, nao! O local estava lotado, tinha gente ate do lado de fora, soh escutando e nao tinham como ver nada... Foi uma palestra de 1 hora e meia e mais meia hora de perguntas. Ele falava em Ingles (com muito sotaque em Frances) e o Professor Onuki Daisuki traduzia para o Japones, que alias, mandou ver! Traduziu em palavras simples e sem rodizio tudo o que o Odent falava!


Falou-se muito sobre a ocitocina, o hormonio do amor. Da importancia desse hormonio que eh produzido naturalmente pelo nosso organismo, mas que esta cada dia mais ausente na hora do parto. "Eh um hormonio extremamente timido"_ Dizia ele. Pra ele aparecer a mulher nao deve estar com medo, nem se sentindo acuada. Precisa de um ambiente pouco iluminado e calmo, a mulher deve estar sozinha ou acompanhada de alguem em quem ela confie. Se observarmos a natureza, os animais sempre irao se retirar para um lugar mais calmo, escuro e quente na hora de parir. A ocitocina, eh tambem responsavel pelo leite materno. Entao, para se ter leite em abundancia, a mae tem que se retirar e ficar a sos com o seu bebe, olhando e acariando-o. Sozinhos ali, eh o que basta para o cerebro produzir a ocitocina, que por sua vez, ira liberar o leite materno. Eh o hormonio responsavel por esse amor que sentimos por nossos bebes. Sabem aqueles suspiros que damos ao ve-los mamando? Entao, ele eh o responsavel por esse vinculo. E Odent entao, lanca no ar algo pra se pensar: Sera entao que a falta deste hormonio, nao eh o responsavel por tantas pessoas violentas neste mundo? Se quando um bebe eh privado deste vinculo com sua propria mae, que no ato de seu nascimento eh "arrancado" do ventre materno, com violencia,l avado, examinado, virado de cabeca pra baixo ao nascer e ainda depois de tudo isso nao eh amamentado, sera que la no fundo do subconsciente desta crianca um dia isso nao vira a tona? (eh pra se pensar...)


_ O que eh necessario para um parto natural com sucesso? Alguem perguntou.


_Quando me perguntam isso, eu sempre digo: Deixem a mulher em paz e nao se esquecam do aquecedor eletrico e o fio de extensao, para poder mante-la aquecida o tempo todo. O calor eh imprescindivel durante o trabalho de parto! E deixem a natureza agir sozinha!


E quando terminou a palestra, la fui eu com meu "assessor mirim" pedir pra tirar uma fotinha juntos!










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23 de janeiro de 2012

O que leva a mulher a perder seu bebê?


É uma das perguntas que mulheres em todo mundo fazem quando perdem seus bebês ainda no ventre.

Em geral, elas pensam que a culpa é sua, ou foi castigo de Deus por algum pecado cometido ou porque elas não obedeceram alguma recomendação medica. Balela!

Bebês saudáveis são gerados e chegam a termo sem maiores complicações.

Os abortos de primeiro trimestre geralmente acontecem porque o embrião é inviável ou porque não há embrião dentro do ovo, só saco vitelínico cheio de hormônio.

Pode ser que a mulher tenha problemas, como trombofilia, e daí tem um tratamento específico deve ser feito.

Pode ser por infecção urinária, ou por implantação inadequada da placenta.

E pode ser que o útero seja muito fino ou tenha doenças como sinéquias e miomas.

No segundo trimestre pode ser por malformação fetal ou por infecção urinária ou por trombofilia, são os casos mais comuns, mas os abortos de segundo trimestre são bem mais raros.

No terceiro trimestre as perdas são raríssimas, e pode ser por acidente do cordão umbilical, ou anóxia, ou problemas cardíacos fetais, trauma, infecção urinária. E já não é chamado de aborto, é chamado de parto prematuro.

A infecção urinária é uma das maiores causas de aborto no segundo trimestre de gestação. Por causa da infecção urinaria o corpo pode vir a expulsar o bebê para poder curar o corpo da mãe, por isso é importante trata-la o quanto antes para que não venha causar problemas na gestação.

É importante lembrar que descanso e remedios para segurar o bebê não resolvem nada quando o feto é inviável, a maioria dos medicos só faz isso para não serem acusados de negligencia e tambem porque a industria farmaceutica lucra com a venda de medicamentos.

Quando uma mulher tem um bebe que não será saudável, a natureza se encarrega de descarta-lo e não há remedio nenhum que possa reverter isso, infelizmente.

Portanto sigamos nossas vidas cada dia mais conectadas com nossa natureza feminina e confiantes em nossos corpos.

Eu acredito que corpos saudáveis e livres de drogas geram bebes saudáveis e livre de doenças.


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19 de janeiro de 2012

Entrevista sobre o livro "Parto com amor"


Em entrevista, autora de “Parto com Amor” conta como escreveu e viveu as histórias retratadas no livro e comenta o que espera com a obra
A jornalista Luciana Benatti e o fotógrafo Marcelo Min esperavam o primeiro filho do casal quando, em meio às dúvidas de toda mulher grávida, o médico disse a seguinte frase: “Por que você está tão preocupada com o parto? Cuide das roupinhas, do enxoval e da decoração do quarto e deixe que do parto cuido eu”. Faltava menos de um mês para o nascimento do bebê. Mesmo assim, o casal não voltou mais àquele consultório. As perguntas que tanto incomodaram o médico foram direcionadas a outro profissional. Ele respondeu todas elas e ainda indicou livros e filmes para ajudar o casal a se preparar: Luciana queria um parto normal.
Apesar do nome, o parto normal não é o mais executado no país. Mesmo com a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a taxa de cesáreas não ultrapassar 15% dos nascimentos, o índice brasileiro beira os 50% (de acordo com a série Lancet Brasil, do jornal médico “Lancet”, um dos mais conceituados do mundo). Mas por que, exatamente, esse número é tão alto? As mulheres não querem mais partos normais e preferem um nascimento com dia e hora marcados?

Foto: Marcelo Min
Luciana na hora do parto: autora também passou pela experiência e incluiu sua história no livro
Luciana não acredita nisso. Seu argumento veio no livro “Parto com Amor” (Panda Books), com histórias de nove mulheres – incluindo a dela própria – que conseguiram realizar o sonho do parto de acordo com suas expectativas e sem agressões verbais. “A mulher pode aguentar a dor do parto mesmo sem ser atleta ou ter um superpreparo físico. O que ela não aguenta é a humilhação”, comenta a autora, lembrando de uma frase revelada em pesquisa recente como comum nas mesas de parto: “na hora de fazer você não gritou, por que está gritando agora?”.
A jornalista falou ao Delas sobre o livro, a experiência de ser mãe, de traduzir histórias de vida e a vontade de que mais mulheres possam realizar seus sonhos.
iG: Como surgiu a ideia de traduzir a experiência do parto de outras mulheres?
Luciana Benatti:
 Logo depois do nascimento do meu primeiro filho, o Arthur, eu fiquei muito impressionada com a experiência. Como [o parto] pode ser prazeroso, transformador, gratificante, enfim, todos os adjetivos bons, e ninguém sabe disso? Por que as mulheres temem tanto esse momento se é uma coisa tão mágica, tão maravilhosa? Eu queria compartilhar isso com outras mulheres, queria contar essa descoberta para o mundo. Meu marido, o Marcelo, é fotojornalista e tinha feito algumas fotos do parto, para registro nosso mesmo, foto de família. Olhando essas fotos, achamos que eram muito bonitas. Mostramos para algumas pessoas e elas sempre se surpreendiam e diziam ‘nossa, mas eu não sabia que um parto podia ser assim tão bonito. Eu também queria um parto assim'. E aí a gente achou que valia a pena reunir experiências de outras mulheres e fazer um livro.
iG: O que você sentiu ao traduzir a experiência de outras mulheres?
Luciana Benatti:
 É uma emoção e uma honra. Estas famílias nos deram uma oportunidade única de vivenciar estas experiências junto com eles. Na verdade a gente também criou muitos vínculos com essas famílias, eu tenho muito contato com eles até hoje, nossos filhos têm mais ou menos a mesma idade, foram nascendo um seguido do outro. Foi uma generosidade muito grande eles abrirem esse momento para a gente e soubemos respeitar muito esse momento também, então criou-se o clima perfeito para o resultado que está no livro.
iG: Como foi o processo do livro? Quanto tempo durou?
Luciana Benatti:
 Este livro foi escrito a partir do nascimento do meu primeiro filho. Hoje ele está com três anos e meio. Eu tinha a sensação de que o livro ia sair no tempo certo. Como o parto, a gente tem que aprender a esperar. O livro também tinha o tempo para sair e foi um momento muito oportuno, porque tem muita coisa sendo discutida nesse momento, é um momento de muita efervescência. Tem o curso de obstetrícia da USP ameaçado de fechamento, teve a Janet Balaskas[ativista e autora do livro “Parto Ativo” (Editora Ground), traduzido em várias partes do mundo], para quem eu entreguei uma das primeiras cópias do livro. Tinha muita coisa acontecendo nesse momento. E tem o projeto do governo também, a Rede Cegonha, que prevê construção de casas de parto em vários locais do país. Eu acho que veio em boa hora.

Foto: Marcelo Min
Andreia, uma das mulheres retratadas no livro: participação ativa da família
iG: O que você espera com o livro?
Luciana Benatti:
 O que a gente mais espera com esse livro é que ele possa mudar, pelo menos um pouquinho, o cenário brasileiro no que diz respeito ao parto. Todo mundo sabe que os índices de cesárea no Brasil são altíssimos, entre os maiores do mundo. Muitas destas cesáreas não são necessárias do ponto de vista médico e muitas tampouco são a vontade da mulher. O parto pode ser, sim, uma experiência muito enriquecedora, muito transformadora na vida da mulher. E não só da mulher, da família também, porque nesse tipo de parto os pais e os maridos participam muito. Eu conto no livro a história do meu segundo parto. Na época meu primeiro filho estava com três anos e participou. Foi uma coisa muito marcante para ele ver o irmão nascer. Foi muito rica essa experiência para todos nós. E a gente quer proporcionar isso para outras mulheres. É lógico que a gente não quer servir de exemplo, dizer ‘façam isso, isso é o certo’. Só queremos mostrar que isso é possível, então, se você tem esse desejo, é um caminho possível. Existe essa possibilidade e é muito bacana.

iG: Qual a diferença no protagonismo da mulher durante um parto normal e uma cesárea?
Luciana Benatti:
 Tem uma diferença grande nessa questão do protagonismo. Quando você dá seu filho à luz, está fazendo o papel ativo. Você é, digamos, a ‘dona’ do parto. Você manda em tudo e o corpo da mulher trabalha junto com o bebê para que ele nasça. É um processo muito perfeito, muito bonito. Ao final de um parto como esse, a gente tem uma sensação muito boa de poder. ‘Olha, eu consegui, depois disso eu consigo cuidar do meu filho’. Não que a mulher que não passa por isso não consiga, mas a gente tem essa sensação de ‘eu posso tudo agora’. Tem uma mãe que tem uma história muito bonita, a gente conheceu muitas histórias nesse processo. Ela teve parto normal, de gêmeos, depois de uma cesárea. Ao terminar o parto, ela falou ‘eu posso tudo, eu posso subir o Everest a pé’. Ela se sentiu muito poderosa, e é mesmo. É muito prazeroso saber que o seu corpo trabalhou junto com seu filho e vocês dois, juntos, conseguiram fazer essa coisa linda e mágica que é o nascimento.

Foto: Marcelo Min
Luciana na banheira: intimidade dividida
iG: Você sentiu dificuldade de traduzir em palavras as sensações e emoções do parto?
Luciana Benatti:
 É sempre difícil, porque é algo muito íntimo. A gente fica até com um pouco de medo: ‘será que eu revelo isso, como é que eu falo disso?’. As nove mulheres que estão no livro[incluindo a autora] abriram muito a intimidade. Quando eu vi, pela primeira vez, a minha foto na banheira, eu com um barrigão, dando um grito e apertando a mão da doula, eu falei ‘nossa, mas todo mundo vai me ver assim’. À primeira vista foi um choque, mas o tempo foi passando e aquela mulher já não era mais eu, já virou outra mulher. Eu consigo olhar aquela foto e enxergar todas aquelas mulheres que passaram pela minha vida nesses três anos e meio e me contaram suas histórias.
iG: Por que é importante expor estas histórias?
Luciana Benatti: 
A gente se expõe por uma boa causa: para que outras mulheres saibam. É muito importante que as mulheres saibam. Antigamente falava-se de mãe para filha sobre o parto, não era uma coisa tão velada, tão escondida, tão misteriosa como é hoje. Minha mãe tem uma história muito bacana: ela e um irmão dela nasceram no mesmo dia, mas com quatro anos de diferença, e minha mãe nasceu no andar de cima do sobrado enquanto, na parte de baixo, rolava a festinha de quatro anos do meu tio. Era uma coisa muito natural, fazia parte da vida da família e hoje em dia não tem mais isso. O nascimento acabou se tornando uma coisa muito fechada, dentro do hospital, ninguém tem acesso, ninguém sabe como é e esse desconhecimento gera muito medo. Não só na mulher, mas na família, em todo mundo. Todo mundo fica achando que é uma coisa muito perigosa essa coisa de nascer, e não é bem assim.
iG: E os riscos do parto em casa?
Luciana Benatti:
 Todas essas mulheres que estão no livro tiveram um acompanhamento pré-natal, foram a todas as consultas e exames. Tudo direitinho, como é o pré-natal de qualquer médico, e elas fazem o acompanhamento também na hora do parto. Quando a gente fala de parto em casa as pessoas pensam que é desassistido, sem nenhum profissional, mas essas mulheres todas tiveram o acompanhamento de médico ou de parteira, que são essas parteiras urbanas, enfermeiras obstetras ou obstetrizes. Não tem irresponsabilidade alguma. Todo mundo que faz parto em casa tem um plano B, uma alternativa já pensada. Se o parto não desenrolar bem, você tem a alternativa de ir para um hospital próximo. Tudo isso é pensado, é planejado.

Foto: Marcelo Min
Eva durante o trabalho de parto...
iG: Muitas pessoas falam do parto normal de maneira romântica, mas seu livro é mais realista. Sua intenção é desmitificar o tema?
Luciana Benatti:
 Espero que sim. Eu não poupei, por exemplo, as fotos dos gritos. Minha mãe não gosta de ver essa foto em que eu estou gritando na banheira. Ela acha muito forte. Mas isso faz parte, eu não vou falar para ninguém “olha, não dói”. Eu estaria mentindo e isso, sim, seria um absurdo. Por que dói muito mesmo, é uma experiência muito intensa. Não é só a dor, é toda a novidade daquilo, sabe? É uma experiência que não tem igual, só vivendo para saber. Tem que ser sincera, não dá para romantizar demais. É lógico que a gente vai ter medo mesmo, vai sentir dor, vai gritar, vai querer desistir na hora do parto e muitas mulheres falam ‘quero desistir, não aguento mais’. É uma fase. Passada esta fase, dá aquela força e o bebê nasce. A dor faz parte do processo, mas não é o único sentimento envolvido. Não é só dor e medo, existem muitas outras coisas. E aí a experiência é o pacote completo. Tem mulher que prefere não encarar. Tudo bem, eu respeito, mas acho bacana saber que existe a possibilidade. Muitas mulheres ‘normais’, que não são atletas e não têm um preparo físico absurdo, conseguem. Isso está com a gente. É uma coisa que a maioria das mulheres, com um pouquinho de encorajamento, consegue.

Foto: Marcelo Min
... e com o filho no colo: pacote de emoções
iG: Você teve um preparo físico especial?
Luciana Benatti:
 Eu não sou nenhuma atleta, aliás, pelo contrário. Sou uma pessoa meio avessa a exercício, sabe? E eu consegui. Consegui porque me encorajaram. Encontrei pessoas que me apoiavam. Acho que esse é o segredo: você se informar e encontrar pessoas que estejam aptas a te apoiar e a te encorajar, em vez de falar assim “ah, desiste porque a dor é muito forte, você não vai aguentar, as mulheres hoje em dia não aguentam mais esse tipo de dor, a gente não está preparada para isso, a mulher moderna não aguenta, o corpo dela não aguenta”. É o que a gente ouve muito por aí. E não é isso. A gente está preparada, sim.
iG: Por que as mulheres temem tanto o parto normal?
Luciana Benatti: 
Muita gente fala ‘ai, mas minha mãe teve um parto normal horroroso no hospital, sofreu muito’. Mas quando você vai ver, descobre que esta mulher passou por muitos procedimentos hospitalares que tornaram o parto doloroso. Por exemplo, ela recebeu aquele hormônio, ocitocina, que acelera muito as contrações e causa muita dor. Aí empurraram a barriga dela, fizeram o corte no períneo, enfim, um monte de intervenções. Às vezes, esta mulher até sofre algum tipo de violência verbal, é comum falarem ‘ah, na hora de você fazer você não gritou, porque está gritando agora?’. É horrível, mas se ouve muito por aí nos hospitais. Nada disso é o parto, isso é o que a gente fez com o parto. O parto em si não tem nada disso, originalmente. Às vezes se confunde um pouco o que é a dor do parto e o que é a dor destes procedimentos, agressivos e muitas vezes desnecessários. É preciso separar uma coisa da outra. A dor fisiológica a gente encara. Mas esta dor da humilhação é mais difícil.

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16 de janeiro de 2012

Parir sorrindo

Para quem já viu é sempre bom rever, para quem não viu e acredita que parto é a pior coisa do mundo, ta aqui a prova de que, com bons profissionais e pessoas dispostas a ajudar, o parto pode ser uma experiência de muito prazer!

Muito lindo!

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