27 de dezembro de 2010

Parir com prazer! É possível? - Amano Bela (Josie Zecchinelli)

Há algum tempo assisti a um filme lindo, lindo, chamado Orgasmic Birth (parto orgásmico). O filme fala sobre as possibilidades do parto ser um momento de prazer para a mulher, orgásmico mesmo, pois é uma parte da vida sexual da mulher.

A cultura ocidental é tão repressora que nos levou a esquecer que o parto é um evento fisiológico, natural, animal, e não uma doença, que requer toda a atenção médica. É claro que existem alguns riscos, mas eles são baixos, chegam a no máximo 10%, sendo que se olharmos pelo outro ângulo, então 90% dos partos podem acontecer tranquilamente, normais ou naturais, sem que haja risco para mãe ou bebê.

O problema é que pegaram estes 10% e transformaram em regra geral, fazendo com que todas as mulheres tenham que se submeter a situações hospitalares, cabíveis a um doente, em função de algo que é remoto. E muitas das intervenções hospitalares aumentaram este índice de riscos, fazendo com que o parto normal hospitalar se tornasse muito mais arriscado do que um parto que acontece naturalmente, sem intervenções. E a grande maioria das mulheres deixou de ter uma experiência de parto natural, ativa.

Quando o parto pode acontecer naturalmente, a mulher tem uma experiência transformadora, completamente diferente, e a relação com a dor muda de figura. Pois a dor do parto não é como qualquer dor, ela é nada mais que o movimento do corpo para que seu filho possa nascer. As contrações musculares uterinas são semelhantes às que acontecem quando a mulher está tendo um orgasmo e os hormônios produzidos pelo corpo quando o parto é natural são exatamente os mesmos do momento sexual, do orgasmo, mas potencializados de tal forma que em nenhum outro momento a mulher terá tal quantidade de hormônios circulando. Ou seja, o corpo dela está preparado para uma experiência de prazer.

No entanto, muitas coisas podem interferir na liberação dos hormônios. A presença de pessoas que não respeitam o ritmo da mulher, as intervenções físicas, como colocação de soro, o exame de toque freqüente, o ambiente não acolhedor e frio, o fato de não poder se movimentar ou comer livremente, a crença na incapacidade de parir e de saber o que é melhor para si e para o bebê, medos e traumas profundamente arraigados na mente, tudo isso são fatores que geram tensão e estresse.

Todo tipo de tensão faz com que o corpo libere substâncias que causam efeitos opostos ao dos hormônios do parto no corpo da mulher, como adrenalina e cortisóides. Estes hormônios fazem com que seu corpo se contraia ainda mais, se tensione, se feche, e isso atrapalha a continuidade do parto, ocasionando mais dificuldades e dor.

Os movimentos do corpo que antes poderiam ser percebidos como prazerosos, quando a mulher está relaxada, agora se tornam dolorosos. Por isso, a escolha do parto precisa se tornar um escolha da mulher. Quanto mais bem informada ela estiver a respeito da fisiologia do parto, sobre os benefícios do parto natural, sobre suas possibilidades de conseguir passar por isso, sobre o que acontece na formação médica e porque eles agem com tantas intervenções, sobre os mitos que são tratados como verdades e muitas vezes usados para induzir a mulher às escolhas que não são as melhores naquele momento, melhor será a experiência de parto das mães e bebês.

Mesmo que nas contrações haja alguma dor, após o parto, as mulheres que tiveram partos naturais relatam que passariam por tudo novamente, pois a dor desaparece assim que o bebê nasce, e muitas vezes a dor é mínima, ela é sentida com a percepção de atividade, com o prazer de quem sabe que está sendo ativa, que está fazendo exatamente o que escolheu. A dor está intimamente ligada à forma como a mulher encara a experiência e ao estado de relaxamento ou tensão do corpo.

O filme trouxe cenas lindíssimas de mulheres em expressões de prazer, mesmo nos momentos de luta, em meio a urros, gemidos, ela relatam que naquele momento estavam vivenciando todo o seu potencial, toda a gana de sentir seu filho vindo ao mundo. Para quem assiste de fora, pode parecer algo animalesco, mas para estas mulheres, foram experiências de transcendência, de muito prazer. E logo após o nascimento, vem o momento mágico, pois é o ponto de ápice da liberação de hormônios, de ocitocina. Este momento ainda acontece para poucas, pois poucas têm a oportunidade de apenas ficarem com o bebê, relaxadas, na primeira hora após o nascimento. Esta primeira hora é importante não apenas para a amamentação, mas
também para o vínculo entre a mãe e o bebê. O nível de ocitocina neste momento será o mais alto que a mulher experimentará em toda a sua vida.

Se fôssemos olhar a fisiologia da mulher, seria como o orgasmo mais intenso de sua vida, pois o hormônio é o mesmo, mas em quantidade muito maior. No entanto, isso não é respeitado. No filme, há um cena linda de uma das parturientes que visivelmente teve uma experiência orgástica, seus olhinhos revirando durante as contrações, seu rosto sorrindo, radiante. Fiquei encantada em ver o bebê após o nascimento, de todos os partos mostrados no vídeo, este foi o bebê mais tranqüilo após o parto, sua expressão estava realmente serena, angelical, e ele demorou ainda alguns minutos para esboçar um leve choro, que também durou apenas segundos. A mãe estava também com uma expressão de leveza e prazer como já vi em grupos de meditação, estava em êxtase.

Um filme desses é revolucionário e extremamente necessário, para que mais pessoas possam saber que é possível algo tão magnífico, e é possível a todas, pois a possibilidade de prazer no parto está acessível a todos os corpos femininos, faz parte da natureza da fêmea humana. Basta que a mulher se prepare adequadamente, que tenha informação, suporte e as pessoas certas ao seu lado. Isso significa também ter a equipe certa, escolher profissionais humanizados, médicos que respeitem a natureza e que estejam em dia com as evidências científicas (que mostram que tudo é favorável ao parto natural). Um médico humanizado e bem informado irá realizar o pré-natal da melhor forma, irá verificar as possibilidades de um parto natural, se a gestante é de baixo risco, e a mulher irá confiar de que ele realmente está lhe passando a informação correta, baseada nas evidencias cientificas e pesquisas atuais, e não em mitos, crenças, e rotinas hospitalares que não têm mais cabimento, que já foram derrubadas pela ciência, e só prejudicam mães e bebês. Um médico bem informado e humanizado só fará uma cesariana se for realmente necessária, em caso de emergência. Um médico assim ainda é minoria e quase raridade, mas eles existem, é possível encontrá-los. E mesmo que em sua cidade não haja, com informação e vontade, é possível ter experiências menos traumáticas e mais prazerosas, pois uma mulher bem preparada pode virar um leoa no momento do parto, ela sentirá toda a sua força e ficará menos vulnerável às manipulações que infelizmente ocorrem no ambiente hospitalar. Para que tudo isso aconteça, a mulher precisa ser ativa, precisa ser responsável pelas próprias escolhas e poder ir em busca do que quer.

Parir com prazer! É possível? - Amano Bela (Josie Zecchinelli)

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21 de dezembro de 2010

Química na troca de fraldas

Hoje vou falar da química das trocas de fraldas. Da química ruim que existe por aí, nos lencinhos umedecidos, na pomadinha.... E alternativas para quem quer fugir do comum automático e ir para um natural mais saudável, mas não paleolítico.

- lencinhos umedecidos: mais prático, impossível? Huuummmm.. Eu sofri para largar, mas hoje não sinto falta. Tenho lencinhos (de algodão orgânico) de tamanho 15x15. Vários. E uma loção para limpeza feita em casa, com água, um pouco de óleo VEGETAL (qualquer óleo serve, até os de cozinha) e umas gotinhas de sabonete líquido. Uso a mesma loção por uma semana.
(e fralda de algodão orgânico é melhor, porque os agrotóxicos do algodão ficam na fibra por muuuuuito tempo.....
http://leiaorotulo.blogspot.com/2008/12/ace-fatos-do-dia-pesticidas.html)
Por que motivo eu trocaria os lencinhos umedecidos pelos de pano? Bom, primeiro pela ecologia, que esses lencinhos que não podem ser jogados no lixo não são biodegradáveis (demoram o mesmo tempo da fralda para se decompor - 400-500 anos). Segundo, pelo bebê. Os lencinhos contém muitas substâncias maléficas à saúde, como parabenos e perfumes.
- talco: pelamordedeus, não usem. Além de causarem problemas respiratórios nos bebês, ainda causam problemas (como câncer) de trato reprodutor de meninas. Quem não acredita, pode procurar.
- pomada para prevenção de assaduras: não se deve usar, porque senão a pele do bebê se acostuma com a pomada. Aí, seu bebê fica com a pele super sensível e uma vez que você não usar a pomada, ele vai ter uma assadura monstro. Além disso, trocando um bebê a cada 3, 4 horas, ele não vai ter assaduras.
E se o bebê assar?
Maizena, sol e ar.
Simples. Deixa o bebê sem fralda o máximo possível. No inverno é meio difícil, se não tiver um aquecedor ou um ar condicionado, mas... Deixar tomar sol na área da fralda. O sol é o melhor cicatrizante que existe. E a maizena: joga no bumbum, dá umas batidas, como se estivesse untando forma de bolo.
E troque mais vezes. Uma vez a cada duas horas, mais ou menos, até melhorar.

Se persistir, pode ser uma candidíase. Aí vale consultar o pediatra para saber de alguma pomada anti-fúngica e do tempo de tratamento.

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15 de dezembro de 2010

A amamentação e a mudança de minha vida

Antes de engravidar eu achava que o tempo suficiente para a amamentação eram 6 meses e que depois disso o bebê já não precisava mais do meu leite.

Na verdade, isso não fazia parte do meu círculo de convivência. O normal era complementar com NAN, ou leite de soja. O normal era a mãe não ter leite “suficiente”, era não deixar o bebê no peito para que ele não ficasse mal acostumado. Vendo tudo isso hoje me dá vontade até de rir dessa Kristal de algum tempo atrás.

Me preparei para um parto normal e achava que a amamentação seria fácil, afinal, que mistério teria? Era só colocar o bebê no peito e pronto.

Esse pensamento caiu por terra na primeira semana de vida do Marco, quando na descida do leite o meu seio ficou empedrado e duro, parecia que eu tinha colocado uns 500 ml de silicone. Depois disso, os meus bicos racharam. Eu chorava para amamentar, gritava de tanta dor.

Falei com o Cacá (pediatra) por telefone e ele sugeriu que a consulta de 1 mês de vida fosse antecipada para logo, assim poderíamos conversar melhor. Nessa primeira consulta o Marco tinha 15 dias, havia engordado 300 gr e crescido 1 cm desde a saída da maternidade. Isso me deixou feliz, pois mesmo com tanto sofrimento eu estava conseguindo amamentar o meu filho.


Essa foto é do período mais crítico da Amamentação.

O Cacá viu as minhas fissuras, meu desespero e medo em dar de mamar e sugeriu que eu desse um descanso de 2 dias aos seios, nesse tempo eu deveria tirar leite com a bombinha e oferecer em um copinho. Voltaríamos em poucos dias para ele ver como estavam as coisas.

Bom, foi aí que vi que o psicológico conta muito na amamentação e que como havia me dito a Gisele do Enzo, o leite está mais na cabeça da gente do que no seio. Mesmo com o peito cheio, saiam apenas poucas gotas de leite, com muito esforço eu conseguia uns 20 ml. Eu ficava várias vezes por dia tentando tirar leite, mas acabei tendo que comprar 1 lata de aptamil para complementar. O Fernando estava de férias me ajudando em casa com o bbzico e a tarefa de dar o complemento era dele. Eu chorava cada vez que via ele dando aquela chuquinha de Aptamil, eu me achava incompetente, incapaz de alimentar o meu próprio filho que era tão pequeno e já estava com aquele bico de borracha na boca, tomando um leite artificial.

Falei com o Cacá diversas vezes e em uma delas quando eu estava chorando no telefone e dizendo que não agüentava mais ele me indicou a fonoaudióloga Andrea que veio até a minha casa ver a pega do bebê e ensinar diversas formas e posições para amamentar.

Ela viu que a pega do Marco estava correta, o que me machucou foram as mamadas que eram muito freqüentes e a voracidade na sucção do bebê. A Andrea me disse também que se eu tentasse ordenhar um pouco de leite antes das mamadas pois com o seio muito duro era mais fácil ferir o bico. Com as palavras do Cacá e as visitas da Andrea fiquei mais tranqüila.

Eu usava no peito: lansinoh + concha de silicone + absorventes (pois várias vezes vazava leite) saia de casa com um verdadeiro arsenal de emergência.

Bom, quando estava acabando a segunda lata de Aptamil, o Fernando me perguntou se compraríamos mais uma. Foi um dilema pra mim, eu sabia que se não desse um basta, nunca mais pararia de dar LA e o meu sonho de amamentar exclusivamente não iria acontecer. O Marco estava com pouco mais de 1 mês, aí resolvi que aquela seria a hora de dar um basta naquilo. Eu era capaz e iria conseguir amamentar o meu filho sim!

Devido ao uso do LA a minha produção de leite diminuiu, por esse motivo eu ficava com o Marco literalmente pendurado no peito o dia todo, bebia muita água, mal dava tempo de almoçar, mas eu enfiei na minha cabeça que ele se alimentaria somente do meu leite. Não foi fácil, ouvi de muita gente que eu estava mal acostumando o Marco, pois ele só ficava no colo, que todo aquele esforço não valia a pena, que meu leite era fraco por isso ele queria mamar a todo momento e até mesmo que o pediatra era louco por não fazer “nada”, tipo receitar LA. Mal sabiam que esse nada era o que eu mais queria, era umas das coisas que mais me apoiava. Com ele, eu não me sentia sozinha, assim como com o apoio do Fê e da minha mãe e irmã que estiveram sempre ao meu lado durante todo esse tempo.

Chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, passamos pela introdução de alimentos e voltei a trabalhar logo depois que ele fez 1 ano, fiquei apreensiva com medo do desmame, mas esse medo logo passou. A primeira coisa que ele faz quando chegamos em casa é mamar nos dois peitos, com vontade. Isso me deixa tão feliz que dá até vontade de chorar, ele fica me olhando com aqueles olhinhos chapadinhos de leite, me fazendo carinho, passando a mão no meu rosto. É como se o mundo parasse naquele momento e estivéssemos só nós dois ali entregues um ao outro.

Hoje, 10/05/2009 o Marco faz 1 ano e 2 meses junto com o dia das mães e eu me sinto vitoriosa por ter conseguido superar tantos problemas, palpites etc. Esse é o meu maior presente. Ainda amamento, com muito prazer a minha criancinha que já come de tudo, está cheio de dentes, mas não nega o tetêzinho por nada nesse mundo. E continuaremos assim até quando for legal pra ele e pra mim também.

Agradecimentos:

- Ao Cacá que sempre me apoiou muito em todos os momentos;

- Meninas do grupo Matrice que me ajudaram muito enviando mensagens, esclarecendo dúvidas e me entendendo e dando ombro amigo. Não consegui ir em encontro pessoalmente, mas a ajuda virtual foi de grande valia.

- A minha mãe que sempre disse que a fase ruim dos machucados e fissuras ia passar, eu achava que ela dizia para me agradar, mas não é que passou mesmo?

- A Kari, minha irmã, que quase chorava comigo quando eu amamentava e me fazia carinho.

- Ao Fê, que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, obrigada pela paciência e por estar ao meu lado sem desistir também.

Sou a Kristal Metello, mãe do Marco e fiz esse relato recentemente, no dia das mães. Foi quando consegui escrever claramente sobre as dificuldades que passei no início.
O parto de meu filho foi um marco na minha vida, depois dele eu nunca mais fui a mesma. A minha essência é igual, mas a minha postura e forma de encarar a vida mudou totalmente, eu nasci junto com o meu filho e renasci com a amamentação.

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12 de dezembro de 2010

Doula no Japão II

Recentemente no Brasil, o numero de doulas tem aumentado significativamente, mas aqui no Japão quase ninguem conhece esse tipo de assistência no trabalho de parto.

Para quem deseja um parto tranquilo e feliz, a doula é uma excelente acompanhante que ajuda tanto antes do parto, como durante e depois dele também.

Para contratar uma doula no Japão, por favor entre em contato através do formulário do blog que teremos prazer em ajudar.

Para quem quer conhecer melhor como é o trabalho da doula, assista o video abaixo, do programa da Ana Maria Braga, que foi ao ar ontem no Brasil.

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10 de dezembro de 2010

Mais um video de parto Lindo!

Este é o nascimento natural na água do nosso filho, Theo.

Estou compartilhando aqui (no youtube) porque eu gostaria que tantas pessoas, quanto possível, pudessemm ver quão belo pode ser o nascimento.

Não há nada melhor do que poder do que parir seu bebê como você escolher. É uma sensação fantástica depois.

Esse video foi filmado e editado pela minha irmã talentosa, Hailey. Ela é fotógrafa e cinegrafista. Você pode contatá-la por ter seu nascimento também documentado

Eu não acho que nada seja mais precioso do que esses 7 minutos do filme, e se você tiver coragem, eu acho que ver esses momentos capturados pela câmera, não tem preço. Vou guardar e reviver este momento incrível para sempre.

Sobre o nascimento, para ler o relato clique aqui.

Theo nasceu no Royal Women's Centre, Brisbane.
Com zero de intervenções e mais de 42 semanas.
Pego por uma parteira.
6 h de trabalho de parto e 15 minutos de expulsivo de um bebê bem grande: 10 £ 7 oz (4,5kg aprox.)
Eu era apoiada pelo pai do bebê, meu marido lindo, Errol.
Ele é o nosso segundo filho e eu tenho 21 anos.

Eu fiz aulas com Helen Hypnobirthing Pywell da Brisbane Birth. Isso ajudou a manter-me calma e relaxada durante todo meu trabalho de parto. Eu recomendo! http://www.brisbanebirthing.com.au

Se você gostaria de ver o Theo agora, você pode visitar o nosso blog em www.gregariouspeach.com

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8 de dezembro de 2010

Sobre o uso excessivo da tecnologia

Trecho de um artigo originalmente publicado no site Midwife today

Uma mulher de Iowa foi recentemente encaminhado a um hospital universitário durante o trabalho por causa de possíveis complicações. Lá, ficou decidido que a cesariana deveria ser feita. Após a cirurgia foi concluída e a mulher deveria ficar de repouso pós-operatório em seu quarto de hospital, mas ela entrou em choque e morreu. Uma autópsia revelou que, durante a cesariana do cirurgião acidentalmente pegou a veia aorta, a maior artéria do corpo, levando a hemorragia interna, choque e morte.

A cesariana pode salvar a vida da mãe ou do bebê. A cesariana também pode matar a mãe ou o bebê. Como pode ser isso? Como cada único processo ou tecnologia utilizada durante a gravidez e o nascimento traz riscos tanto para mãe e bebê. A decisão de usar a tecnologia é um julgamento de chamada pode tornar as coisas melhores ou piores.

Estamos vivendo na era da tecnologia. Desde que o homem conseguiu ir à Lua, nós acreditamos que a tecnologia pode fazer de tudo para resolver todos os nossos problemas. Assim é natural que os médicos e os hospitais estejam usando mais e mais a tecnologia no parto e nas mulheres grávidas. Mas as tecnologias tem resolvido todos os problemas que podem surgir durante o parto? Dificilmente. Vamos dar uma olhada no histórico recente.

O aumento do uso recente de tecnologia durante a gravidez e o parto resultou em menor número de bebês mortos ou com sequelas pos parto?

Nos Estados Unidos, não houve diminuição nos últimos 30 anos no número de bebês com paralisia cerebral. A maior causa de morte de recém-nascidos é um peso muito baixo, mas o número de pequenos bebês nascidos também não diminuiu nos últimos 20 anos. O número de bebês que morrem ainda no útero não diminuiu em mais de uma década. Embora nos últimos 10 anos tenha havido uma ligeira queda no número de bebês que morrem durante sua primeira semana após o nascimento. Os dados científicos sugerem um aumento do número de bebês que sobrevivem a primeira semana, mas que têm danos cerebrais permanentes.

O uso crescente da tecnologia para salvar as vidas das mulheres grávidas e no atendimento ao parto ajudou mais?

Nos Estados Unidos os dados científicos não mostram diminuição nos últimos 10 anos no número de mulheres que morrem em torno da época do nascimento (mortalidade materna). De fato, dados recentes sugerem um aumento assustador no número de mulheres que morrem durante a gravidez e no parto nos Estados Unidos. Então pode-se dizer que o aumento do uso de tecnologias de nascimento não só "não salva" mais vidas de mulheres, como também "mata" mais mulheres. Esta possibilidade tem uma explicação científica razoável: cesariana e anestesia epidural, ambas foram usadas mais neste país e sabemos que ambas,cesariana e anestesia peridural, podem resultar em morte.

Nós não devemos ficar surpresos com esse histórico recente (e ruim) de nascimento por causa do abuso da alta tecnologia.

Por muitas décadas, no meio do século 20, o número de crianças que morreriam em torno da data de nascimento foi diminuindo. Isso deve-se, não aos progressos da medicina, mas principalmente pelos avanços sociais: a diminuição da pobreza extrema, uma melhor alimentação e melhor habitação, e o mais importante, a diminuição da mortalidade deve-se ao planejamento familiar, resultando em menos mulheres com gravidezes e muitos nascimentos.

O atendimento médico também foi responsável por alguns dos índices de diminuição da mortalidade dos bebês, não por causa de intervenções de alta tecnologia, mas por causa de avanços médicos básicos, tais como a descoberta dos antibióticos e a capacidade de dar transfusões de sangue seguras.

Nunca houve qualquer evidência científica de que as intervenções de alta tecnologia, tais como o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal durante o trabalho de parto, pudessem diminuir a taxa de mortalidade de bebês. *(ou que o uso excessivo de ultrassons durante a gestação pudesse trazer ao mundo um bebê mais saudável)

O que isto significa é que "se colocar nas mãos de um médico e de um hospital de alta tecnologia" não garante um nascimento mais seguro". Cada pessoas deve assumir a responsabilidade por seu parto, incluindo a decisão de ter tecnologia usada em si e em seu bebê.

Lembre-se, a tecnologia não é "boa ou ruim", mas pode ser utilizada de forma boa ou ruim.

Os aviões podem ser usados para levar você para visitar sua família num lugar distante, ou pode ser usado para lançar bombas sobre mulheres e crianças. Como a tecnologia é usada em você durante a gravidez e o parto é de grande importância porque pode ajudar você e seu bebê ou também prejudicar você e seu bebê.

*trecho acrescentado por mim, em relação a quantidade abusiva de ultrassons realizados aqui no Japão

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7 de dezembro de 2010

Um ingrediente essencial para a gravidez e o parto: a doula

Encontrei esse video incrível sobre o trabalho das doulas e tinha que postar aqui.

Está em inglês, mas mesmo sem entender o idioma bem, dá para compreender a importancia desse lindo e importante trabalho.

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4 de dezembro de 2010

Amamentação na Primeira Hora

A amamentação na primeira hora é uma coisa muito importante.
É o primeiro contato real entre mãe e filho.
Mas não é só isso. Os benefícios são muitos, tanto para mãe quanto para filho.

Essa mamada deve acontecer assim que o bebê nasce, se mãe e bebê estiverem bem.
No site da Primeira Hora da Matrice tem tudo muito bem escrito e explicado.

Foi lá que eu vi, também, esse vídeo. É um vídeo do Breast Crawl (algo como "engatinhada ao peito").
O vídeo mostra um bebê chegando ao peito da mãe sozinho, após ser colocado sobre a barriga dela após o nascimento. Ao fundo, em inglês, os benefícios do breast crawl.

Vale a pena ver, mesmo para quem não entende o inglês.

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3 de dezembro de 2010

Como cuidar do umbigo

O cordão umbilical liga a placenta da mãe ao umbigo do bebê e é super importante: leva os nutrientes ao feto e tira dele o lixo metabólico.

Quando o recém nascido nasce, o ideal é esperar o cordão parar de pulsar. E ele para. Assim, evita-se, muito mais eficientemente do que com vitamina K, a síndrome hemorrágica do neonato.

Existem muitas maneiras de se cuidar daquele coto umbilical que dá arrepios.

A mais usada até pouco tempo atrás era com álcool 70%. Passava o álcool no umbigo do bebê várias vezes ao dia, até ele secar e cair SOZINHO. Como alternativa, também poderia se usar tintura mãe de calêndula.

Hoje em dia, recomenda-se não passar nada. Lavar bem com água e sabão no banho e só. Acreditem, o coto umbilical cai.

Eu usei álcool 70% na minha mais velha, a Melissa. Demorou uma semana para cair. No João, usamos tintura mãe de calêndula. Demorou mais de 20 dias para cair, mas caiu. Sem nenhum problema. Com o Zé, usamos calêndula, mas só uma vez por dia, após o banho. Demorou um mês para cair. E caiu.

Sem pressa, sem machucar, com carinho.

Para limpar, só precisa levantar o coto umbilical, sem puxar, lavar bem a parte do umbigo que fica grudada na barriga. Enxágue muito, muito bem. E depois do banho, seque muito. se não conseguir secar com a toalha, use uma fraldinha, um pedaço de algodão, um cotonete. Precisa deixar bem sequinho para evitar assaduras. Se o xixi vazar para cima, também é legal lavar. Se vazar cocô por todos os lados (e acontece, viu?), também. Se o bebê estiver suando muito, mais uma vez.
Se não deixar sujo, não vai haver problema.

Se ficar UM POUCO vermelhinho, capriche mais na limpeza, mas sempre delicadamente. Se houver pus, é hora de procurar o pediatra!

Só mais uma coisa: nada de moedas, teias de aranha e coisas do tipo, han? Elas só facilitam uma infecção!

Imagem daqui.

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Meu Plano de Parto no Japão

Semana passada completei 29 semanas de gestação e enviei ao hospital (que pretendo ter como Plano B), meu plano de parto conforme as condições que desejo para o nascimento de meu bebê.

Fiz o documento em inglês e enviei ao hospital antes da minha consulta, para que eles pudessem traduzir para o japonês. (Se alguém quiser a versão em inglês, pode me pedir também).

Eu não vou explicar muito, porque a grande maioria das coisas que coloquei nele são coisas que já foram bem explicadas em outros posts aqui no blog.

Se alguém tiver duvida sobre o porque quis "isso ou aquilo", porque é melhor "assim ou assado", pode me perguntar através dos comentários que terei prazer em responder. =)

E se tiver alguma coisa que esqueci de colocar também, me falem para que eu possa arrumar antes próxima consulta de pré-natal, please. ;)

Indução ao parto
• Eu não desejo para induzir o parto com medicação até completar 42 semanas de gravidez se estiver tudo bem comigo e com o bebê.
• Após 42 semanas de gravidez, antes de métodos farmacologicos, desejo tentar a indução através de métodos naturais, como descolamento de membranas por exemplo, para o desencadeamento do trabalho de parto.

Trabalho
• Eu gostaria de ficar livre para caminhar durante o trabalho de parto.
• Quero ser capaz de se mover e mudar de posição à vontade ao longo do trabalho de parto.
• Eu gostaria de poder beber líquidos por via oral a vontade durante o trabalho de parto.
• Eu gostaria de poder ouvir músicas durante o TP e o parto.
• Eu gostaria que o ambiente fosse mantido o mais quieto possível.
• Eu gostaria de as luzes da sala suaves durante o meu trabalho de parto.
• Eu preferiria manter o número de exames vaginais no mínimo e com meu consentimento.
• Eu não quero receber soro na veia, a menos que eu fique desidratada.

Acompanhamento
• Não quero ter a monitoração fetal contínua, a menos que seja exigido pelas condições do meu filho.
• Eu não quero um monitor interno a menos que meu filho tem mostrado algum sinal de perigo.

Aceleração do processo de parto
• Não quero ter a membrana amniótica rompida artificialmente, a menos que hajam sinais de sofrimento fetal.
• Se o trabalho não estiver progredindo, eu gostaria de ter a membrana amniótica rompida antes de tentar outros métodos farmacologicos para acelerar o trabalho.
• Eu preferiria ser autorizados a tentar mudar de posição e outros métodos naturais (andar, estimulação do mamilo), antes de oxitocina ser administrada.

Anestesia / medicação para a dor
• Sei que existem muitos medicamentos para a dor. Vou perguntar para eles se eu precisar deles.
• Antes de considerar uma epidural, e se a situação o justificar, eu gostaria de tentar uma injeção de alívio da dor estupefacientes (Nubain, Demerol, Stadol ou similar).

Episiotomia
• Eu prefiro não ter uma episiotomia, a menos que seja absolutamente necessário para a segurança do meu filho.
• Estou preparando meu períneo para o parto, fazendo exercícios de Kegel e massagem perineal e também praticando a posição de cócoras.
• Se possível, gostaria de usar a massagem do períneo para ajudar a evitar a necessidade de uma episiotomia na hora do nascimento.

Parto
• Eu gostaria de poder escolher a posição na qual vou parir de forma livre, inclusive de cócoras se assim o desejar.
• Eu gostaria de tentar o parto em diversas posições diferentes, o qual só saberei qual será a melhor no momento do parto.
• Eu gostaria de tentar entregar em posição de cócoras, com meu marido ou uma barra de agachamento para apoio.
• Eu gostaria de um espelho disponível para que eu possa ver a cabeça do meu filho quando ele coroar.
• Gostaria que a chance de tocar na cabeça do meu filho quando ele coroar, se possível.
• Mesmo se eu estava com dilatação total, e supondo que meu filho não esteja em perigo, eu gostaria de tentar esperar até que EU sinta o desejo de empurrar, antes do início da fase de empurrar.
• Eu gostaria de ter as luzes da sala abaixada para a entrega efetiva.
• Eu gostaria de ter o quarto o mais silencioso possível quando meu filho nascer.
• Eu gostaria de ter meu filho colocado na minha barriga / peito imediatamente após o parto.

Imediatamente após o parto
• Eu gostaria que o cordão umbilical parasse de pulsar antes de ser cortado.
• Eu gostaria que meu marido cortasse o cordão.
• Eu gostaria de ficar com meu filho no colo enquanto sai a placenta e são feitos as reparações finais.
• Eu gostaria de permanecer com meu filho, pelo menos, 15 minutos junto a mim, antes de ser fotografado, examinado, etc.
• Eu pretendo manter meu filho perto de mim após o nascimento e gostaria que ele recebesse a avaliação no meu colo, com nós dois cobertos por um cobertor quente, a menos que haja uma situação inusitada.
• Se o meu filho precisar ser tirado de mim para receber tratamento médico, meu marido (ou alguma outra pessoa que eu designar) irá acompanhar meu filho em todos os momentos.
• Eu prefiro manter meu filho aquecido em meu colo ao invés de lâmpadas de calor/berço aquecido.
• Eu não quero uma injeção de rotina de oxitocina após o parto para ajudar a expulsar a placenta.
• Eu gostaria de doar o sangue do cordão umbilical, se possível.
• Eu gostaria de ver a placenta após a entrega.
• Eu não gostaria que o bebê fosse banhado após o nascimento.
• Eu não gostaria de aplicar a medicação no olho do bebê.

Cesariana
• A não ser absolutamente necessário, eu gostaria de evitar uma cesariana.
• Se o médico determinar que o parto cesáreo é indicado, eu gostaria de obter uma segunda opinião de outro médico, se o tempo permitir.
• Se o parto cesáreo é indicado, eu gostaria de ser plenamente informado e de participar no processo decisório.
• Gostaria que o meu marido em todos os momentos estivesse perto de mim e depois do parto junto de meu filho para os exames necessários.
• Para que eu possa ver o nascimento, eu gostaria que a tela fosse abaixada antes do parto do meu filho.
• Se meu filho não está em perigo, meu filho deverá ser dado ao meu marido logo após o nascimento.
• Se meu filho e eu estivermos bem, gostaria de ter o primeiro contato na sala de cirurgia e se possível a primeira mamada.

Pós-parto
• Eu gostaria de uma sala privada, se disponível, para ficar após o parto.
• A menos que exigido por razões de saúde, eu não quero ser separada do meu bebê.
• Eu gostaria de ter meu filho comigo em todos os momentos.
• Gostaria de regressar a minha casa dentro de 24 horas após o nascimento se estiver tudo bem comigo e com meu filho

Amamentação
• Eu pretendo amamentar meu filho e gostaria de começar logo após o nascimento de forma livre.
• Não desejo que meu filho receba bicos artificiais ou formulas, nem agua glicosada.


Foto / Vídeo
• Gostaria de tirar fotografias durante o parto e o nascimento.
• Eu gostaria de fazer um registro em vídeo do trabalho de parto e do parto.

Outras questões
• Gostaria que meus filhos, meu marido e mais uma amiga tradutora estivessem presentes durante o meu parto.
• Gostaria que meus outros filhos pudessem me visitar no hospital durante a estadia.

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2 de dezembro de 2010

Os pais também tem depressão pós parto

Passando pelo blog da Maira Duarte, terapeuta corporal, encontrei esse excelente artigo sobre a depressão pós-parto nos pais.

Muito importante entender um pouco sobre o assunto.

Quando a mulher engravida todas as atenções se voltam para ela e para o bebê. Ninguém se lembra que existe um pai por trás da história. O que acontece? O pai fica dividido entre a vida "lá fora" - com o trabalho e os deveres de provedor - e a vida em casa - com uma mulher extremamente sensível, exigente, que precisa ser compreendida e cuidada. Não é um processo fácil... Esse pai também precisa ser cuidado!

O conceito "Doulagem do Casal" surgiu da constatação desta necessidade para que, fortalecido, o homem possa dar o respaldo necessário`a familia. Um pai bem cuidado torna-se um pai cuidador, tem melhor condição de promover `a familia um pós parto adequado, está fisicamente fortalecido e emocionalmente seguro. Um pai que foi doulado não "cai de para quedas" no parto, ele conhece o processo, aprende a auxiliar durante o trabalho de parto e a se fazer presente no pós parto. Esse pai entende as melhores formas de atender `a mulher, além de se sentir mais seguro e autônomo na situação.
A doulagem paterna também previne depressão pós-parto do pai, que, segundo pesquisas, ocorre em até 25% dos homens.

Como funciona: Encontros periódicos para conversar, receber massagens, cuidados e orientações sobre tudo o que o assunto envolve.

Profissional: Gil Kehl - Terapeuta Ayurvédico e pai de 2 filhos nascidos em sua companhia.


Leia também essa matéria: Até 25% dos homens tem depressão pós-parto.

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1 de dezembro de 2010

Simplesmente Mulher - edição Dez/2010

Clique na imagem para ler a matéria em tamanho maior.

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15 de novembro de 2010

Escola japonesa x escola brasileira

Quem tem filhos aqui, uma hora ou outra vai lidar com essa questão. Não vou ser técnica, nem dizer o que é melhor ou pior. Vou dar a minha opinião, como mãe de (quase) duas crianças em idade escolar, com base em pesquisas próprias.

Na minha concepção, a gente deveria responder a duas perguntas:
1- Quanto dinheiro eu posso gastar com a escola?
Infelizmente, as escolas brasileiras são caras. Mais caras, pelo menos, que as escolas japonesas não particulares. Mesmo a escola japonesa é paga: a gente paga o almoço, o material, algumas coisinhas simples e, quase sempre, baratas.

2- Quanto tempo vamos ficar no Japão (ou em qualquer outro lugar do mundo)?
Eu acredito que, se a idéia é ficar no Japão para sempre, o ideal é a escola japonesa. Se a criança obtiver a mesma educação das crianças japonesas, ela vai ter mais chances no mercado de trabalho. Vai poder cursar uma faculdade aqui sem grandes problemas.

Agora, se a idéia é ficar por um tempo determinado, depois voltar ao Brasil, é melhor colocar em escola brasileira. Por mais que a matemática seja a mesma em qualquer lugar do mundo, todo o resto não é. Não é impossível a criança se adaptar e conseguir notas boas quando retorna à pátria, mas como alguém que passou por isso, eu digo: é muito trabalhoso, cansativo e estressante.

Claro, existem várias outras coisas a serem consideradas, mas acredito que esses dois pontos são os mais importantes.
As escolas brasileiras daqui, em sua maioria, não atendem às expectativas, não passam o conteúdo necessário (aliás, como a maioria das escolas por lá, mesmo), os professores não estão preparados, nem atualizados, muito menos motivados. Não existem em qualquer esquina, como as escolas japonesas, podem não ser certificadas, além da criança criar um círculo social fechado.

Já as escolas japonesas, apesar de uma boa parte estar preparada e ter suporte para os estrangeiros, são muito diferentes do que nós conhecemos. Elas exigem muito das crianças e dos responsáveis. São reuniões, afazeres, festas, marmitas, passeios, visitas do professor em casa, dos pais na escola…. E a preparação começa 6 meses antes do início das aulas. Praticamente impensável no Brasil. A gente não escolhe a escola: simplesmente vamos para a escola mais próxima de casa. Pode ser difícil conversar com o professor, com a escola. Também existe o problema do ijime, que não ocorre só com estrangeiros, mas ocorre bastante. E quando não se consegue uma comunicação boa com a escola, dificilmente o problema será resolvido. O pior é quando os pais não conseguem ajudar os filhos com as tarefas de casa.

Nenhuma das opções é 100%, nunca. Em nada, na verdade, mas aqui realmente fica quase num 50%-50%. Cada família vai precisar pensar nas possibilidades, nos planos, nos prós e contras, conversar, visitar ambas as escolas e, só assim, decidir a melhor opção.

Lembrando que, apesar de complicada, a adaptação acontece e rápido. Tanto para quem muda de escola brasileira (do Brasil ou daqui) para escola japonesa, quanto para quem muda de escola japonesa para a escola brasileira. E quase sempre existe a opção de mudar.

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11 de novembro de 2010

Unassisted birth (Parto Desassistido)

Resolvi falar um pouco sobre o parto desassistido já que passei por essa experiencia a pouco mais de dois anos atrás e a maioria das pessoas considerou e considera uma atitude irresponsável e inconsequente.

Eu digo que não é. Foi uma decisão conjunta entre mim e meu esposo.
Uma decisão pensava e avaliada, e é, entre tantas outras opções, uma opção com riscos e probabilidades.

Quem pensa que um parto em hospital tem maior chances de tudo dar certo, precisa ler e estudar um pouquinho mais para entender que não é bem assim.

Todo parto tem riscos. Em casa, no hospital, assistido ou não.

Numa gestação saudável, onde é feito um pré-natal tranquilo e é considerada gestação de baixo risco, a melhor opção é um parto natural.

A cesariana agendada por exemplo, tem 4 vezes mais riscos de morte materna e 10 vezes mais risco de morte neo-natal do que um parto natural.

Um parto normal em hospital tem mais chances de hemorragia, infecção hospitalar, bebe nascer mal por causa dos medicamentos aplicados na mãe, entre outras coisas.

Dai alguem pode me perguntar: E se o bebê morrer num parto desassistido? Como você iria reagir?

Eu penso que alguns bebês morrem após ou durante um parto, independente do local do nascimento.

O maior risco que existe num parto desassistido é do bebê nascer muito mal, precisar de ressuscitação e não ter um profissional capacitado para fazê-lo. (uma parteira nesse caso saberia muito bem fazer o procedimento, ou seja, num parto assistido esse risco é totalmente reduzido).

Outro risco é o de prolapso de cordão, que ocorre quando o cordão umbilical sai antes do bebe. Quando a cabeça desce, o cordão é comprimido e isso pode restringir o fluxo de oxigênio para o bebe.

São riscos pequenos, que eu posso escolher correr ou não, assim como os riscos do parto no hospital, que muitas mulheres hoje também escolhem inconscientemente.

A diferença é TER A CONSCIÊNCIA DA SUA ESCOLHA.

Quando uma mulher escolhe um parto no hospital sem questionar a conduta médica, ela está se colocando totalmente nas mãos do médico, sem muitas vezes saber o que é realmente bom ou ruim, ela só confia "cegamente" e pronto.

Confesso que esse tipo de decisão não faz mais parte da minha forma de encarar a vida, a gestação e o parto, mas se for uma boa opção para quem assim o faz, tudo bem, eu respeito.

Bom, para completar esse post, eu achei esse video hoje e já assisti umas cinco vezes! =)

É de um Parto Desassistido. Lindo, tranquilo, respeitoso, do jeito que todo parto assistido deveria ser, penso eu.

É uma pena que para parir dessa forma, respeitando o corpo, o tempo de cada mulher e cada bebê, as mulheres tenham que ser taxadas de loucas e parirem sem assistência. =(

Para quem quiser saber mais sobre parto desassistido acesse o site em ingles: http://www.unassistedchildbirth.com/

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9 de novembro de 2010

Leite em pó/formula infantil é leite de vaca? Ééééééé!

Eu não entendo porque muuuuitas mães pensam que leite em pó/formula infantil não é leite de vaca, não entendo...

Tem leite de soja para lactantes com intolerancia a lactose, mas são excessões ok?

Na entrevista a seguir, com a nutricionista Denise Carreiro, ela fala sobre a importancia do leite de vaca na dieta, o quanto nós nos alimentamos e alimentamos nossos bebês de forma incorreta.

Logo abaixo, um trecho de seu livro: "Mães Saudáveis têm Filhos Saudáveis", onde ela explica o que são as formulas infantis.

Espero que fique claro para quem quiser entender melhor o assunto.




Fórmulas Industrializadas:

Os alimentos industrializados para bebês surgiram há quase um século. Inicialmente como leite de vaca em pó e depois evoluindo para as fórmulas comerciais, hoje especializadas e segmentadas para atender diversas demandas. As fórmulas comerciais retratam o atual estágio da ciência, que ainda não consegue criar um produto artificial próximo aos requisitos necessários para uma nutrição eficiente. Porém, sua contribuição para casos específicos é inegável. Mesmo limitadas, as fórmulas comerciais podem ajudar os bebês quando estes possuem limitações que os impedem de receber uma alimentação completa que, além de todos os nutrientes, também fornece os substratos necessários para o seu desenvolvimento, que é o leite materno. Outro fator negativo das fórmulas é que estas, por serem oferecidas por mamadeira, comprometem o desenvolvimento da musculatura orofacial, que afeta a deglutição, a fala e a respiração.

Infelizmente, a banalização do uso de fórmulas comerciais, em detrimento da amamentação exclusiva, acaba por comprometer o desenvolvimento adequado das crianças tornado-as mais susceptíveis a desequilíbrios nutricionais que poderão trazer consequências para toda vida. O consumo de fórmulas artificiais passou a ser a primeira opção de alimentação quando, pelo bem do bebê, deveria ser o último recurso a ser utilizado. A amamentação exclusiva é comprovadamente a única maneira de proporcionar a alimentação ideal no início da vida. O bebê nunca deveria ser privado de todos os seus benefícios. A alimentação artificial está associada ao risco aumentado de mortalidade infantil por doenças infecciosas e desnutrição, assim como causar anemias, comprometimento do crescimento e desenvolvimento, aumento das alergias alimentares e, por consequência, desencadear doenças crônicas não transmissíveis que podem ser mantidas durante toda a vida.

A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam para a população em geral, que os bebês recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros 6 meses de idade e que após esta idade a criança receba a alimentação complementar segura e nutricionalmente equilibrada, juntamente com a amamentação, até os dois anos de vida, ou mais.

Na impossibilidade do bebê ser amamentado exclusivamente até 6 meses, vai ser necessária a introdução de fórmulas comerciais ou mesmo outros substitutos do leite materno, como mamadeira de frango com arroz e/ou leite de quinua. A decisão sobre qual substituto adotar vai depender da avaliação de diversos aspectos como, aceitação do bebê, condição econômica, processos alérgicos (pessoal e familiar) disponibilidade dos produtos, entre outros.

Os produtos comercializados no Brasil são divididos em:

· Fórmulas infantis paralactentes: são destinadas à alimentação de lactentes, até 6 meses de idade, sob prescrição de um médico ou nutricionista, para substituição parcial ou total do leite humano.

· Fórmulas infantis de seguimento para lactentes: são destinadas à alimentação
de lactentes, a partir dos 6 meses de idade, para substituição do leite materno.

· Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas: são fórmulas cuja composição foi modificada para atender às necessidades específicas decorrentes de alterações fisiológicas e/ou patológicas, como, por exemplo, a redução no conteúdo de lactose para crianças com intolerância à lactose. Também existem as fórmulas com as proteínas do leite de vaca parcialmente hidrolisadas e aquelas com as proteínas totalmente hidrolisadas.

· Fórmulas de nutrientes para recém-nascidos de alto risco: indicado para a alimentação de recém-nascidos prematuros ou de alto risco, prematuro com menos de 34
semanas de idade gestacional e muito baixo peso ao nascer, <1500g. style="font-weight:bold;">são produtos à base de leite de vaca in natura, mantendo suas características podendo ou não ter sua composição modificada, por meio de fortificação ou redução de nutrientes, com o objetivo de trazer algum benefício à saúde. Lembrando que todas as sociedades de pediatria, inclusive a brasileira, recomendam a não utilização de leite de vaca e de soja no primeiro ano de vida do bebê e, se a criança for filha de pais alérgicos, até o segundo ano de vida. É importante salientar que normalmente as crianças com alergia a
proteína do leite de vaca também são alérgicas a proteína da soja.

As fórmulas comerciais para a substituição ou complementação do leite materno são
formuladas a partir do leite de vaca ou de soja, e adequadas de acordo com os
padrões do Codex Alimentarius (FAO/OMS), destinado à alimentação do lactente.
Atualmente, os tipos de fórmulas industrializadas disponíveis no mercado se apresentam como:

• Fórmulas de Partida

• Fórmulas de Seguimento ou Sequência

• Fórmulas à Base de Soja

• Fórmulas Isentas de Lactose

• Fórmulas Anti-Regurgitação

• Fórmulas Semi-Elementares

• Fórmulas Elementares

• Fórmulas para Prematuros e/ou Recém Nascidos de Baixo Peso


Fórmulas de Partida:
Formulações que preenchem adequadamente as necessidades de nutrientes de crianças
saudáveis, quando utilizadas de forma exclusiva até 6 meses de idade.

Fórmulas de Segmento ou Seqüenciais:
Produto em forma líquida ou em pó, utilizado como substituto do leite materno a partir do sexto mês, quando indicado, e para crianças na primeira infância (12 meses a 3 anos). Deve-se adequar às necessidades nutricionais desta faixa etária.

Fórmulas Isentas de Lactose:
Para ser utilizado nos casos de intolerância à lactose por deficiência da enzima
lactase, causada por lesões da mucosa intestinal ou causas genéticas.

Indicadas para crianças com má digestão da lactose (congênita, doença celíaca, ressecção intestinal, desnutrição, recuperação de diarreia).

Fórmulas Anti-regurgitação:
Indicado para quando o RGE for patológico.
O refluxo gastresofágico (RGE) é considerado fisiológico no período neonatal (metade dos lactentes até 2 meses de idade apresenta regurgitação).

Fórmulas Semi-elementares:
Formulações à base de hidrolisado proteico do leite de vaca e de soja, ou seja, a proteína é submetida a processo de hidrólise, que resulta em oligopeptídeos (incapazes de desencadear resposta imunológica). Indicadas em casos de alergia ao leite de vaca e de soja, condições de má absorção (doença gastrointestinal, hepatobiliar, fibrose cística, síndrome do intestino curto, colestase entre outros). Existem as fórmulas com proteínas parcialmente hidrolisadas e as totalmente hidrolisadas.

Fórmulas Elementares:
Mistura de aminoácidos
Formulações à base de hidrolisado proteico: proteína submetida a processo de hidrólise, que resulta em aminoácidos livres (100%).

Indicadas nos casos nos quais não se obteve sucesso no tratamento com fórmulas
semi-elementares (quanto mais extensa a hidrólise, menor a antigenicidade).

Fórmulas para Prematuros e/ou Recém-nascidos:
Fórmula acrescida de soro de leite, ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa
(LC-PUFAs). Indicada para atender às necessidades nutricionais dos prematuros
e/ou recém-nascidos de baixo peso, levando em consideração sua imaturidade
digestiva e metabólica.

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Simplesmente Mulher - edição Nov/2010

Confiram a matéria desse mês!
Clique para ler a matéria! ;-)

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8 de novembro de 2010

Charutinho de bebê (para acalmá-lo)

Você já ouviu falar em charutinho de bebê?

Você embrulha o recém nascido com uma fralda ou cueiro, bem embrulhadinho, e faz o charutinho, logo em seguida pode balança-lo para acalmar e fazer o: shhhhhhh, shhhhh...

Pode embrulhá-lo assim também e fazer o banho de balde (Tummy tub), com a agua a 36 graus.

O bebê se sentirá como que dentro do ventre materno e se acalmará facilmente.

Veja no video como é fácil:


Depois você pode também utilizar o barulho de um secador de cabelos ou aspirador de pó. São ruidos que se parecem com aqueles feitos pelos orgãos da mãe, quando o bebê estava dentro da barriga.

Tem também esse som aqui: Som do utero que muita gente grava e deixa sempre por perto para ajudar acalmar o bebê em momentos que nada funciona. É como mágica!

Para quem não sabe, até completar 9 meses, os bebês não sabem que sairam do ventre materno, não tem essa percepção. Tudo é novo, tudo é assustador, tudo é muito grande, muito estranho!

Colo, peito, carinho, sons, gestos, cheiros e tudo mais que possa "imitar" o ventre materno acalma, tranquiliza.

Experimente e você verá o quanto é bom! =)

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27 de outubro de 2010

Amamentação Exclusiva até seis meses

por Larissa Hernandes
Hoje meu Francisco faz seis meses! Como passou rápido!

Sempre vejo textos sobre os seis meses de amamentação exclusiva e tal, e como não podia deixar de ser, fazem seis meses que Francisco mama somente no peito, mas assumo que essa não foi uma grande dificuldade para mim. Seis meses de amamentação exclusiva do quarto filho não é muito difícil assim!

Admiro muito aquelas mulheres que voltaram a trabalhar e continuaram mantendo a amamentação exclusiva! Ou aquelas que enfrentaram grandes problemas e que superaram e foram em frente!

Eu ainda amamento o Pietro também, que esse mês faz 2 anos e 10 meses. Mas também não vejo nada muito especial. Eu não tive rachaduras, mastite, nem nada muito complicado (só um pontinho branco no bico).

Para mim é tão lindo olhar meu pequeno com seis meses! Saber que ele pode estar pronto para passar para uma nova fase na vidinha dele!

Amanhã vou ver se ele aceita uma frutinha. Se aceitar, legal! Se não aceitar, tentaremos outro dia, afinal o Pietro só esteve pronto para começar a comer com 7 meses e meio, e com o Francisco essa nova etapa será introduzida gradualmente como foi com o Pietro.

Penso eu: Pra quê pressa? Pra quê querer ver ele crescer tão rápido? Já não basta o tempo que não perdoa e passa sem nem mesmo esperar um pouquinho!?

Sei que um dia ele vai comer, ele vai andar, ele vai falar e certamente vai aprender a amarrar os próprios sapatos. O tempo não dá para segurar...

Enquanto isso ele já tem três dentes e os três nasceram embaixo. Enquanto isso ele já se arrasta por toda a nossa cama compartilhada. Rápido demais! Acho que por ver os três irmãos ele quer acompanhar o ritmo da casa!!! rsss

Queria que ele tivesse esperado mais um pouquinho e ficasse sendo aquele bebezinho pitico que eu pari. Que coube em cima da minha barriga assim que saiu de mim, e que ficou me olhando com aqueles olhinhos inchadinhos por duas horas inteirinhas depois que nasceu como que me reconhecendo, e eu olhava para ele agradecendo nosso momento, o meu momento mais lindo, e perguntando para ele se ele não estava cansadinho e se não queria dormir, pois eu estava esgotada!!! Afinal trabalhamos juntos para ele nascer!

Dia 17 fez seis meses que ele nasceu às 5:23 da manhã! Ele acordou às 6 horas, me olhou e sorriu, como faz todas as manhãs, mas hoje ele pareceu sorrir diferente! E eu sorri de volta e falei: Parabéns filho! E em silêncio pensei: "para nós". Mas hoje é o dia dele, como todos os dias 17 são.

O meu dia eu comecei a relembrar ontem, como todos os dias 16 eu relembro! Foi o começo do MEU nascimento que chegou ao ápice no dia 17 às 5:23 junto com o Francisco.

Tenho saudades de tudo o que o nascimento dele me proporcionou. Saudades de sentir o poder que senti! Saudades até das contrações! E saudade daquele bebê molinho ainda. Saudades daquele chorinho resmungado de recém nascido. Saudades do cheirinho de bebê fresquinho! Saudades do primeiro sorriso e do sorriso banguela. Saudades do primeiro balbuciar e da primeira vez que vi o seu olhar!

Mas o tempo passa e meu bebê está crescendo! Seis meses e já pode comer!

Logo vai andar, depois correr, ir para a escola, arrumar uma namorada...

Mas enquanto esses momentos não chegam eu venho aqui para compartilhar minhas duas alegrias de hoje! Os seis meses de nascimento do Francisco e os seis meses que eu pari o Francisco!

Observação: A Larissa é uma super materna que pariu Francisco depois de 3 cesareas! Assumiu os riscos e foi em frente confiando em sua capacidade de parir. Um lindo VBA3C que está no video abaixo.
O relato completo está aqui.

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24 de outubro de 2010

Um relato de VBAC no Brasil

A Fran foi nossa colaboradora aqui na Materna no inicio do blog. Ela tinha tido uma cesarea aqui no Japão fazia pouco tempo, o relato está aqui.

Ano passado ela voltou a morar no Brasil e teve uma menina em julho desse ano, Alizie, desta vez através de seu tão sonhado parto Humanizado.

Parabéns Fran, por toda sua luta, e por ter vencido e conquistado um parto digno.


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O DIA P

Exatamente às 6:10 da manhã (dia 19 de julho, numa segunda-feira) senti um 'ploc' interno da cabeça do bebê dando sua última ajeitada lá dentro, lá embaixo. Foi como que se tivesse escorrido para baixo e ao mesmo tempo tirado o vácuo que existia. E exatamente 3 minutos depois senti uma contração. Não houve contração para um bolo, para a barriga de gesso, para esperar muito para chamar a doula. A cada 3 minutos eu me concentrava para uma contração e me preparava para me equipar e ficar ali mesmo no quarto.
Foi de joelhos 'aos pés' da cama que recebi o telefone (dado pelo maridão Mora) e chamei a doula que 'me escolheu' para me ajudar. Foi com um apoio de mãe e marido que consegui fazer algumas coisas. Foi com o apoio da doula que fui tentando drilblar todo o resto até chegar na minha última opção de relaxamento: a banheira.
Antes de pensar em banheira e pouco depois de chamar a doula eu já estava com 5 cm de dilatação.
O Maurício perdeu seu compromisso e passou a segunda em casa cuidando de nosso primeiro fruto, apreensivo com a caída (que não acontecia logo) do segundo.

EM CASA

Os meninos (meus 2 irmãos) ficaram recuados na sala de tv, bem quietos e tratando do Sr. Benjamim com todo o carinho. Depois marido ficou com ele e assim permaneceu até dormirem (os 2 - pai e filho) por lá mesmo na sala. Tio Cido (o paidrasto amado) permaneceu o tempo todo em seu canto como sempre e a postos para qualquer favor. Mami entrava toda hora no quarto - uma vez com canja vegetariana, outra com vitaminas C, até mesmo com prendedores de cabelos, mas na maioria das vezes com água quente para a banheira (uma piscina oval inflável).

5 CM

Já era de madrugada, eu perdia um líquido verde claro que no começo garantia ser o tampão, pois era viscoso e gelatinoso e todo esse 'oso' que nos dá esta certeza. Mas após a insistência desse líquido, sempre acompanhado de xixi porque a cada contração eu me sentia melhor passá-la com uma toalha debaixo do períneo (fosse até mesmo na banheira), nós chegamos a pensar no rompimento da bolsa e no "mecônio" (primeiro cocô do bebê feito ainda dentro do útero), e então ficamos de olho caso precisasse ir para a maternidade.
Esta minha segunda experiência com contrações foi diferente: bem ritmadas, intensa e abri os 5 cm muito rápido (já havia demorado da primeira vez para chegar até ali). Porém desta vez sentia um 'revertério' estomacal a cada e qualquer coisa que engolia após uma contração forte, com isso desde aquela 6 horas da manhã nada parava no estômago. Mais de 20 horas sem comer as contrações já me desmontavam, bambiavam minhas pernas e me deixavam despreparadas para a próxima. Doula preferiu (sim ela era a minha consciência para tudo nesta hora) e me levou para a maternidade, já estava dentro da situação: bolsa rota-estourada (vai saber se e desde quando?), presença de mecônio, 20 horas sem comer e muito tempo já sem se abrir.
Vamos ser sinceros em dizer que não viria evolução.

NA MATERNIDADE

Aquela judiaria de começo com a entrada, certos papéis, alguns exames para fazer...
Então confirmamos os 5 cm (mas o colo era fino e estava evoluindo bem), confirmamos o mecônio (mas era fraquinho e estava sob cuidado), mas não confirmamos a bolsa rota e nem sabemos (nem os médicos) qual foi a hora em que ela rompeu e eu creio absolutamente que fui perdendo o líquido aos poucos.
Eu estava muito fraca (apelido) mas não parava de "sonhar" (literalmente) com o parto normal.
Com uma maternidade totalmente humanizada, onde a episiotomia (o corte, o pic), as intervenções e a cesárea são divulgadas como somente feitas se realmente necessárias, eu só poderia continuar confiando no parto normal/o mais natural possível, estava me esforçando.

PARTO SEM DOR

Confessei meu desejo de parto para o doutor e fui muito bem atentida, fizeram o que podiam. Recebi uma analgesia considerada uma das melhores e menos invasiva (corporal) que poderia receber, sentia as contrações bem fraquinhas, ganhei forças, tomei muito suco, respirei, me exercitei e abri.
Conheci a Adelita (enfermeira obstetra humanizada que realiza partos domiciliares - parteira- juntamente com sua equipe), sonhamos juntas, tentamos banquinho, cavalinho e até cócoras mas foi deitada em quatro apoios (genupeitoral), ali mesmo na famosa cama PPP (pré, parto e pós), que comecei a expulsar o bebê.
Eu era a última do dia, a aguardada. As pessoas que me rodeiavam eram todas queridas, já conheciam a minha história, me apoiavam e me ensinavam a empurrar. E eu estava fazendo certo, eu empurrava certo, dava o meu melhor para todas as dicas. Mami estava lá, lá atrás, atrás de mim... sim no popô (ohhh).
Havia uma borda de colo (de útero) na parte da frente (frontal aos pequenos lábios) e eu senti vontade de segurar ali para facilitar a saída da cabeça. Me lembro que fiz muuuita força, daquelas fenomenal mesmo.

Maurício querido foi em busca de nossos sonhos materiais, eram inadiáveis. Acompanhou tudo a distância e hoje compensa com todo o seu apoio em casa.

PÓS-PARTO

Eu não havia recebido corte e também não ganhei pontos no períneo, ele permaneceu íntegro até o fim.
Achei incrível todo o processo pós-parto ao olhar aquele bebezinho tão pequeno mas tão grande para isso.
Muitas são as coisas que aconteceram, muitas são as coisas que Adelita (amada) fez por mim, obrigada. Obrigada a todos!

Mami trouxe a placenta para casa e está agora plantada lá na chácara e com 3 meses de vida!

O BABY

Quando apertei, o clítoris (ou clitóris), realmente facilitou e saiu rapidinho. Vimos que era uma meninA, mami se emocionou demais, pediram (enfermeiras) para clampiar e cortar breve pois o nenem com certeza havia respirado mecônio e precisava ser visto logo. Tive uns minutinhos de contato mas não seria prudente amamentar e não o fiz. Mas não demorou muito para tê-la comigo e nunca mais me separar.

UM SISTEMA

Por estar na maternidade cumpri, claro, todo o protocolo do hospital. É um sistema (bicho papão) como todo sistema deva ser, mas era (é) humanizado e isso já me tocou bastante. Me senti bem a todo momento, fui muito bem tratada (até minha dieta vegetariana recebi sem problemas e nem questionamentos) e não existia uma pessoa que não me marcou lá dentro (simpáticos). Conversei por demais, fiz por demais novas amizades, informei e ganhei por demais novas informações... ganhei uma filha delicada e boazinha por demais.
Mas é aquela coisa para quem sabe, quando você cai no sistema não tem mais volta o ideal é ficar bem longe dele.

A AMAMENTAÇÃO

Com uma experiência prévia desta vez eu não passei sabão, eu não esfolei, não amaciei, não passei óleo não passei nada, simplesmente água e tão só. A pega deste filho é diferente, a dor é quase inexistente, e, como da primeira vez, o leite desceu no quarto dia só que sem problemas (sem fissuras, sem dor nem nada).
Minha filha mama em livre demanda. Passa o dia todo se espreguiçando, mamando e cochilando, e a noite toda dormindo a ponto de ter que acordá-la para mamar e se fortalecer.

* Foi no dia 20 de julho de 2010 - 38 semanas e 5 dias - Alizie Morely Nasceu!

(Eu posso ter me esquecido de coisas importantes... eu ainda vou dizer...)

Observação: eu tive a Liz de uma maneira que eu pensei ser impossível para mim: posição ' genu peitoral', mas famosa como quatro apoios. Cavalinho me cobria muito e banquinho não sentia minhas costas confortáveis, foi por isso.
E ô posição boa para as costas, para a força e descanso tudo ao mesmo tempo.
Esse desenho ao lado mostra muito bem como eu estava. E com esta posição ainda é possível fazer força com os braços, na cama PPP (a qual usei na maternidade) é equipada para este tipo de posição também.

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21 de outubro de 2010

Um relato de cesárea desnecessária no Japão

É triste mas é real. No Japão já se faz cirurgias desnecessárias em gestantes de baixo risco.

O relato abaixo não é o primeiro que conheço, e pelos depoimentos que recebo diariamente, sei que muitas mulheres acabam se sujeitando à cesarianas desnecessárias porque o médico não lhes dá outra opção.

A Érika acompanha nosso blog desde o começo da gestação e lutou até o fim por um parto natural, mas infelizmente seu médico usou de táticas de terrorismo para fazê-la não acreditar que seria capaz de parir.

Eu fico muito, muito triste em saber que a "industria da cesarea" já se instalou aqui e que as mulheres tem que agora que ficar pulando de hospital em hospital para conseguir um atendimento descente e humanizado.

Postei recentemente a lista de FALSOS MOTIVOS ALEGADOS PARA CESAREA, feita pela Dra. Melânia Amorim, obstetra do Brasil, e fica como dica para quem quiser consultar.

Para a Érika eu desejo uma maternidade feliz e que num próximo parto ela possa ser acompanhada por bons profissionais que acreditem no poder do feminino e em sua capacidade de gestar e parir.

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Minha princesa chegou no dia 23/06/10, pesando 4.130kg e com 52,5cm.

Meu parto foi cesarea, no inicio foi muito frustante para mim, pois desejava muito ter um parto normal.

Sempre soube que aqui no Japão é comum ser feito parto normal, e que eles fazem a cesarea em ultimo caso.

Com 38 semanas o medico pediu um raio-x para saber com certeza as medidas do bebe, pois ele achava o bebe grande e "suspeitava" que eu não teria passagem, e que talvez tivesse que induzir o parto normal.

Após o exame ele achou que poderia segurar mais uma semana e que o bebe sairia por via vaginal sem problemas.

Na semana seguinte eu sentia algumas dores mas nada muito serio, quando fui a consulta de 39 semanas ao relatar as dores ao medico, ele fez exame de toque, o ultrasson e disse que não teria condições de fazer um PN, pois na ultrassom minha bebe já parecia ser grandinha, e pelos "sintomas" já era para eu estar entrando em trabalho de parto mas meu corpo estava normal, não estava respondendo ao bebê.

Então ele indicou uma cesarea, que na hora eu neguei pois queria PN, pedi para que ele induzisse, e ele disse que até poderia fazer isso mas que pelo meu quadro ele achava que eu iria passar por todas as dores e ter que fazer a cesarea do mesmo jeito, e uma cesarea de emergencia eles iriam cortar minha barriga na vertical, mas com a data agendada ele poderia fazer o corte na horizontal.

E conversou com meu marido e disse a ele que se fosse a esposa dele, ele faria a cesarea, pelo bebe ser grande, então meu marido concordou com a cesarea e eu também.

Deus olhou por nós em todos os momentos e tudo correu bem. Foram 9 dias de internação, o que eu achei otimo, pois voltei para casa um pouco melhor, diga-se 50%, e agora estou aqui babando muuuuuuuuuito, feliz demais e so tenho a agradecer a Deus esse presente maravilhoso que me deu.

Ela e linda e muito esperta, quando eu penso que consigo mudar alguma coisa para ser do meu jeito ela mostra que e mais esperta, acho que por mais que eu tente ela manda mais em mim do que eu nela......rs.

Estou sendo mãe 24h e é cansativo, mas o sorriso dela me faz sentir que tudo vale a pena.

Érika Beppu

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20 de outubro de 2010

Simplesmente Mulher no Japão

Em setembro desse ano comecei uma coluna na Revista Feminina "Simplesmente Mulher".

A revista é distribuida na região de Aichi e trata sobre vários assuntos do universo Feminino, como: saúde e bem estar, beleza, receitas, moda, entre outras coisas.

Se ainda não tem a revista em sua região e você gostaria de receber, entre em contato com a Celina Iguma por e-mail solicitando: comercial@simplesmentemulher.jp.

Deixo aqui para vocês conferirem as matérias do mês de setembro e outubro.

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18 de outubro de 2010

CONFIANÇA

Eu acredito que essa seja a coisa mais necessária pra qualquer pessoa que vai ser ou é mãe.

A gente precisa (repito: PRECISA) ter confiança em tudo: na roupinha, nos brinquedos, no xampú, no pediatra, no carrinho, no sling, no berço, mas principalmente, em nós mesmas. Na nossa capacidade de gerar, de gestar, de parir, de amar, de sentir, de intuir, de amamentar, de cuidar, de DECIDIR.


A gente precisa confiar na gente. Na natureza.

Muitas vezes, isso significa ir contra a maré, fazer o que ninguém faz, o que ninguém fala, o que ninguém gosta.

Amamentar (que é o assunto, heheheheeheh) é simples. Precisa de três itens: uma mãe, um bebê e água. Tendo isso, já tem 99% do caminho andado, com a certeza de uma amamentação boa e feliz. O resto, vem de informação. Informação é a base pra que nossas decisões tenham fundamento, que não sejam só "ah, minha vizinha falou...", "o pediatra mandou". Pra que a gente tenha confiança e segurança. E pra que a gente faça certo.

TODO lugar diz que amamentar é importante. Que amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses é fundamental e ideal, e que até os dois anos, pelo menos, é bom amamentar. Mas quem faz? Quantas pessoas conseguem botar o peito pra fora em qualquer lugar e amamentar? Quantas mulheres que fizeram isso não viram alguém fazendo cara feia?

Uma coisa que todo mundo precisa saber é que TODO SANTO BEBÊ CHORA. Uns mais, outros menos. Mas todos choram. E não é só de fome, não! Pode ser carência, por que não? Eles saíram do lugar onde viveram 9 meses, é normal se sentirem inseguros, não?
E bebê dorme a noite toda depois de uma mamadeira de leite em pó porque aquilo é pesado demais pro estômago daquele serzinho. É uma feijoada de boteco, gente. Deixa qualquer um sonolento, mesmo.

Outra coisa: qualquer bico (seja chupeta, mamadeira, chuquinha) pode confundir o bebê e fazer com que ele desmame.
Então, vamos não dar essas coisas?
(eu sabia disso e tentei dar chupeta pros meus 3 em momentos de desespero. Só a Melissa aceitou)

Uma dica: sentiu que o peito está vazio? Toma água. Um, dois, três copos de água. Tome quantos você conseguir sem passar mal. hehehhehee. Depois pegue seu bebê no colo, veja o rostinho, as mãosinhas, as dobrinhas, o pezinho. Namore seu bebê. Ame. E só isso vai fazer com que você produza ocitocina e libere seu leite.
Eu, até hoje, quando vejo uma cena muito linda dos meus filhos, fico com os seios jorrando leite.

A dica contrária: se seus seios estão empedrados, tome um banho morno, ordenhe só o suficiente pra aliviar a dor. Depois faça compressas GELADAS. Sim, são elas que diminuem a produção de leite. E ordene o leite que sobra. E doe. Doar é um ato que salva vidas. Doe.

Amamentar SEMPRE vale a pena. Sempre. Mesmo que você precise complementar, mesmo que o bebê já não seja mais tão bebê. Mas precisa ser gostoso tanto pra ele quanto pra você. Verifique a pega, use uma almofada de apoio pra cabecinha e vai em frente! O mundo e o seu bebê agradecem.

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8 de outubro de 2010

Books de gestantes no Japão

Estamos numa época em que a maioria das gestantes faz um book fotográfico na gestação, afinal a gravidez é um período incrível em que a gente se sente bonita e muitas vezes até mais sexy! (porque não?) =)

Eu sempre tive vontade de fazer um book de gravida, mas não tive oportunidade antes.

Bom, agora que o maridão virou fotográfo e está detonando (modéstia parte...rss) com a sua máquina, eu terei enfim a oportunidade de poder fazer meu book, além de que, poderei fotografar meu parto também! =))

Já postei aqui algumas fotos maravilhosas de parto e hoje postarei o link do site do maridão para quem quiser conferir seu trabalho.

São fotos da gestante e do recém-nascido, que podem ser impressas num único album fotográfico.

Quem desejar mais informações pode entrar em contato aqui, através de comentário, ou por e-mail, ou também através do site do marido.

Podem comentar também o que acharam das fotos, opiniões são bem vindas! =)))

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4 de outubro de 2010

Irradiando Luz: Lei da Palmada: um tapinha não dói?

Li o texto abaixo no Irradiando Luz e não poderia deixar de compartilhá-lo aqui.

Tema que é super debatido, e que muitas vezes inflama os defensores das palmadas.

Minha opinião pessoal: Apanhei muito e já fui de bater também.
Aprendi a me controlar e busquei métodos de impor os limites sem precisar usar a violência física (porque na hora do nervosismo a gente não mede a força que bate)

Hoje dialogo mil vezes antes de impor um "castigo". Me esforço bastante para não gritar (o que também fazia e sempre achava péssimo) e busco acordos o tempo todo com meus filhos, e tem funcionado bem.

Creio que existem, pelo menos, uma dezena de métodos, que não seja bater.

Vale pensar, estudar e buscar criar os filhos ensinando que a violência não deve ser nem o ultimo recurso.

Irradiando Luz: Lei da Palmada: um tapinha não dói?: "Quem ama educa. (Imagem: campanha Não bata. Eduque) Um projeto de lei enviado em 14 de Julho de 2010 pelo governo ao Congresso estabelece..."

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30 de setembro de 2010

Cirurgia de apêndice no Japão (criança)

Foi em fevereiro desse ano, um momento muito difícil pelo qual passamos e que nunca vou me esquecer.

Meu Rafael, que tinha recem completado 6 anos, teve apendicite aguda.

Era uma manhã de sexta-feira, e como sempre, os meninos acordaram já pedindo o café da manhã. Rafael que é o mais comilão da casa, comeu seus dois pães e bebeu seu leite com chocolate, sem reclamar, eram 9 horas da manhã.

Na hora do almoço ele me pediu ovos cozidos e eu fiz, mas ele não quis comer quase nada, reclamou que a barriga estava doendo, que estava com a barriga cheia, e o Gabriel idem.

Fiquei brava por fazer a comida e ter que jogar fora e dei bronca nos dois. Logo eles foram brincar sem problema.

No lanche da tarde o Rafa comeu algumas bolachas e um suco, normalmente, mas ainda reclamando de uma dorzinha na barriga. (Quero aqui deixar claro que ele sempre reclama de dor na barriga, mas sempre perto do horário das refeições, ou seja, reclama de fome, por isso eu não dei muito atenção no dia)

Na hora da janta, ele estava comendo normalmente, sem reclamar e de repente vomitou. Um pouco, não muito, e eu pensei que uma virose estava começando. O marido estava saindo para o trabalho e eu disse para que não se preocupasse.

Depois disso ele ainda brincou mais um pouco, e depois foi dormir.

Na manhã seguinte ele acordou com diarréia, sem febre nem nada mais, dai eu comecei a administrar soro caseiro e líquidos e alguma fruta que ele quisesse comer.

Ele não teve muito apetite esse dia e evacuou várias vezes, mas eu estava acompanhando e vendo como estava, para não deixar desidratar e comecei a dar homeopatia para a virose também.

Do sábado para o domingo ele teve febre na madrugada, e o Gabriel também.

Pela manhã Gabriel teve diarréia, e conclui que a virose tinha pego os dois, fui administrando o soro e a homeopatia, e os alimentos que eles aceitassem.

No domingo a noite ele conseguiu comer um pouco, não vomitou e nem teve diarréia, apresentava sinais de melhora, Gabriel idem, então eu pensei que estivesse melhorando mesmo. Eu sabia que virose tem um pico no terceiro dia e em cinco ou seis dias, acaba de vez.

Segunda-feira ele brincou com o irmão, não apresentava mais febre, fez as três refeições, sem vomito, nem diarréia. Estava meio amuado e com a barriga estufada, pensei que pudesse ser verme também. Ele só reclamava que a barriga doía, não muito, um pouco.

Terça-feira ele voltou a ter febre e começou a diarréia novamente, não quis mais comer, nem brincar. Eu fiquei administrando o soro caseiro e a homeopatia, o marido estava trabalhando de dia e quando chegou a noite, o menino voltou a vomitar, foi então que o levamos para o PS.

No PS o médico apertou sua barriga e menino pulava de dor, não conseguia gritar porque estava bastante fraco, o médico disse que a dor era perto do baço e que teria que fazer ultrassom para ver direitinho o que era.

Como estava muito tarde, o pai ficou com ele e eu voltei para casa com as outras crianças para coloca-los para dormir.

Depois de vários exames, foi constatado que ele estava com apendicite aguda e seria feita uma cirurgia urgente, que seria as 10hrs da manhã da quarta-feira.

Meu marido me ligou as 5 da manhã para me contar e caiu em prantos, dizendo que o medico disse que nosso filho poderia morrer. (Aqui no Japão eles nunca preparam a gente para o "tudo vai dar certo" eles sempre dizem tudo que pode dar errado. Um horror!!!)

O pai estava cansado da noite toda e eu fiquei com o menino até o começo da cirurgia que durou aproximadamente 2 horas.

Era quase meio dia quando o médico me chamou e disse que tudo tinha dado certo e que meu filho já estava bem. Me mostrou as fotos do abdomen do meu filho aberto apontando os locais onde havia uma grave infecção que já havia tomado conta de quase todo o intestino. Eles tiraram tudo para fora, drenaram, retiraram o apendice e depois colocaram tudo para dentro de novo.

Vejam as fotos que o médico me deu:





Aqui a pinça segura o apêndice, que foi a parte que o médico retirou.












Esse é todo o intestino dele. Do lado direito dá para ver como estava infeccionado e bastante inchado.











Já depois da cirurgia do apendice, a foto um pouco mais perto da para ver o pus dentro do intestino. (Parte esbranquiçada que foi toda lavada com água quente e drenada.)







Depois da cirurgia meu filho já saiu reclamando que estava com dor no pipi (colocaram sonda) e que era para tirar aquele negócio de lá do pipi dele, tadinho.

Logo que chegamos no quarto já retiraram a sonda, mas ele queria beber agua e não podia. Teve que ficar 3 dias sem comer, nem beber absolutamente nada. Essa parte foi muito dura porque ficávamos em quartos conjuntos e ele via o tempo todo as pessoas comendo e bebendo e me pedia só um pouquinho, mas eu não podia dar, só passava um paninho úmido em seus lábios e deixava ele escovar os dentes, mais nada.

Depois do terceiro dia, tomando soro e antibióticos, sentindo as dores da cirurgia, ele pode comer, os irmãos foram visitá-lo no hospital, brincaram juntos, foi uma festa, no quarto dia, retiraram o pano que recobria os pontos, ele fez uma limpeza e pode tomar banho.

No quinto dia o médico retirou 3 grampos (aqui no Japão não são pontos com linha, são grampos de grampeador, outro horror! E o retirou também o dreno que servia para "puxar" o restante do pus.

No sexto dia, retirou os outros 3 grampos e o soro. Ufa! O menino pode andar livre e solto pelos corredores.

No sétimo dia pela manhã recebemos alta. Ele fez exame de urina e sangue e fomos para casa, era quinta-feira de manhã.

Voltamos na segunda-feira para mais uma kensa e estava tudo bem.

O médico disse que poderia fazer tudo o que quisesse, correr, brincar, pular, sem medo e que ele estava muito bem.

Que no futuro ele pode ter algum problema no intestino, quando for maior de idade, e que portanto, a qualquer sinal de dor forte, vomito e diarreia, procurasse o hospital mais próximo.

Deixo aqui meu muito obrigada ao Dr. S. Yanagisawa mais uma vez, pela sua atenção e delicadeza e também por saber falar inglês tão bem. Me ajudou muito! =)

Ele trabalha na Jichi Medical University, um medico exepcional que Deus colocou em nossas vidas.

Algumas considerações:
- A causa da apendicite do meu filho foi uma semente de cereja, acreditem se quiser. O médico me mostrou quando terminou a cirurgia. Ela estava entupindo o canal do apêndice. =(
- Aqui a incisão da cirurgia é na vertical, e eu não sei porque já que no resto do mundo é na horizontal e já ta mais do que explicado dos benefícios da incisão horizontal, ainda não achei evidência do porque eles fazem cirurgias na vertical, se alguém ai souber me fale por favor.
- As enfermeiras foram muito prestativas e atenciosas, mesmo eu não sabendo falar quase nada, me ajudaram muito.
- Eu ainda acredito na homeopatia como primeiro recurso, mas agora sou mais cautelosa com os sintomas, aprendi uma lição valiosa com tudo isso.
- A ligação entre o Gabriel (menor) e o Rafael (maior) é tão forte, tão grande, tão linda, que o menor ficou com os mesmos sintomas do irmão e até hoje é assim, se o mais velho fica doente o mais novo tem os mesmos sintomas. Eu acho isso muito interessante.

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29 de setembro de 2010

FALSOS motivos alegados para cesárea

Hoje em dia a mulher que quer ter parto normal precisa se informar, isso é fato.

Mais do que isso é preciso ter paciência, saber dialogar e apresentar a seus médicos evidências e fatos para não ser "enrolada" pelos obstetras da atualidade.

Acreditam que na primeira consulta da minha atual gravidez o médico já queria marcar uma cesárea?

É brincadeira né?

Acho que 90% das mulheres hoje iriam dizer:
- Ah! Tudo bem doutor! Sem problemas!

Ou mesmo que quisessem questionar, ao ouvir o médico dizer:
- Você pode ter um ruptura no utero e morrer. E seu bebê também!!!

Daí não tem coração que aguente né?
- Tudo bem doutor eu acredito no senhor, pode marcar a cesarea.

Bom, mas comigo não!

Perguntei logo quais as chances de uma ruptura (porque tive cesarea anterior) e ele respondeu que era de 0,5% por cento e mais um pouco, só que o pouco ninguem sabe o quanto é. Exatamente a mesma chance de uma mulher que nunca teve um parto.

Eu posso com isso?

Eu tive 2 cesarianas e depois tive 2 partos normais. Tudo perfeito, sem nenhum problema! E porque agora meu corpo não funcionaria mais?

Disse-me uma vez, uma sábia e experiente parteira que se o útero aguenta 9 meses ser esticado e aumentado sem problemas, logo as chances de passar pelas contrações do parto sem problemas são muito grandes.

Veja, eu não estou defendendo o parto normal acima de tudo, mas a falta de profissionalismo médico e vontade deles de estar no controle de tudo, acima de todos.

Claro que o risco é pequeno, mas existe. Por causa disso então eu não posso ter um parto bem acompanhado e em caso de real necessidade ser submetida a cirurgia?

Alguém ai que esteja lendo esse post pode dizer: Mas quem sou eu para debater com um médico? Ele estudou para isso muitos anos, eu não sei nada!

Bom querida, não "finja" querer um parto normal. Seja sincera consigo mesma para depois não se sentir roubada, como eu me senti nas duas "desne-cesareas" que tive.

Faça uma cesarea bem informada dos riscos para a mãe e o bebê. Saiba que será privada do primeiro contato, que vão esfregar seu bebê desnecessariamente, por um colirio ardido nos seus olhinhos para uma DST que você não teve (e seu filho nem nasceu pela vagina...ops!), vai vaciná-lo, pesa-lo, medi-lo como se fosse mais um produto das industrias CESAREAS S/A, não vai ser amamentado na primeira hora, nem aconchegado no seu peito, pelo contrario vai receber agua glicosada em uma seringa descartavel, enquanto você se recupera da anestesia, passa fome durante horas, sente mal estar, usa sonda para urinar, toma antibióticos e geralmente outros remédios para os efeitos colaterais da anestesia.

E isso tudo é normal, dentro da rotina de que tudo ocorra bem. Se tiver complicações o quadro se complica muuuuito mais.

Informação tem aos montes hoje em dia, corre atrás e aposta na probabilidade de tudo dar certo quem tem empoderamento e amor pelo seu corpo e pelo seu filho, porque as chances de ter um bom parto para quem tem teve uma boa gravidez, são infinitamente maiores.

Para quem quiser saber mais sobre evidencias cientificas na obstetricia, tenho uma ótima dica, a comunidade do orkut GO baseada em evidências da Dra. Melania Amorim, obstetra humanista do Brasil.

A Dra. Melania fez essa lista de FALSOS motivos alegados para se realizar uma cesarea, que espero que possa servir de alerta para as mães que desejam um parto normal:
1- Circular de cordão, uma, duas ou três voltas (campeoníssima - essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas, e o diagnóstico do numero de voltas é abolutamente nebuloso)
2- Pressão alta
3- Pressão baixa
4- Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
5- Diagnóstico de desproporção céfalo-pélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto
6- Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta não estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
7- Passou do tempo (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
8- Trabalho de parto prematuro
9- Grumos no liquido aminiótico
10- Hemorróidas
11- HPV
12- Placenta grau III
13- Qualquer grau de placenta
14- Incisura nas artérias uterinas (aliás uma gravidez normal não precisa de ultrassom com Doppler)
15- Aceleração do batimentos fetais
16- Cálculo renal
17- Dorso à direita
18- Baixa estatura materna
19- Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20- Obesidade materna
21- Gastroplastia prévia
22- Bebê grande demais
23- Bebê pequeno demais
24- Cesárea anterior
25- Plaquetas baixas
26- Chlamydia, ureplasma e mycoplasma
27- Problemas oftalmológicos, incluindo miopia e descolamento de retina
28- Edema de membros inferiores/edema generalizado
29- Falta de dilatação antes do trabalho de parto
30- Gravidez super desejada (motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal)
31- Gravidez não desejada
32- Idade materna avançada (em geral refere-se as mulheres depois dos 35 anos)
33- Adolescência
34- Prolapso de válvula mitral
35- Cardiopatia (o melhor parto para as cardiopatas é o vaginal)
36- Diabetes
37- Bacia muito estreita
38- Mioma uterino
39- Parto prolongado ou período expulsivo prolongado (os limites são muito imprecisos dependendo da pressa do obstetra)
40- Pouco / muito liquido
41- Artéria umbilical única
42- Ameaça de chuva/temporal na cidade
43- Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos de violência no RJ
44- Fratura de cóccix em algum momento da vida
45- Conização prévia de colo uterino
46- Eletrocauterização prévia do colo uterino
47- Varizes na vagina
48- Constipação (prisão de ventre)
49- Excesso de liquido aminiótico
50- Anemia
51- Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas

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