1 de maio de 2010

Primeiros Dias com o recém-nascido

Este é um relato especial, feito por uma materna, que viveu recentemente a experiência de ser mãe pela primeira vez.

É um relato longo, mas muito importante para quem vai ser tornar mãe em breve.

Vale a pena lê-lo!

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Até hoje não havia conseguido enviar meu relato de parto, tinha alguma coisa travada para poder divulgar. O problema não era contar o parto em si, mas como divulgar um momento bom se os que se seguiram ao parto foram tão, mas tão mais difíceis!

Durante a gestação li tantas coisas boas sobre parto que não pensei em quase nada do pós parto. A gente acaba criando uma visão super romântica do parto e depois do nascimento, vem um mundo real de horas sem dormir, peitos doendo, bebê chorando, família palpitando que achei que tinha que dividir isso com outras grávidas.

Decidi, portanto, divulgar primeiro o que vivi nestes primeiros dias após o nascimento da minha filha, para depois divulgar o relato do parto.

O que é aquilo que vivemos nos primeiros dias de vida do bebê??

Que turbilhão de emoções!! É tudo misturado, alegria, amor, susto, desconhecimento, mil palpites, êxtase, dor, e sei lá mais o quê.

Em primeiro lugar vêm a alegria inédita de ter o bebê nas mãos. Ver aquele serzinho, que saiu de dentro de mim. Ver aquela carinha, me reconhecer na minha filha, identificar características da família nela. Que êxtase! Os olhinhos dela olhando para mim, buscando alento em meu corpo. Nos primeiros dias, eu olhava para ela e me via, era uma coisa muito louca isso, sentia a mistura que existia, ela em mim, eu nela. Sensação maravilhosa.

Tem também a emoção de poder conhecer a minha filha, aquela, que estava morando na minha barriga, além claro, da percepção de que era verdade mesmo, tinha um bebê crescendo dentro de mim, uma vida nova, sendo gerada por mim! Sentia o milagre de Deus, um clichê que vale dizer, o fruto do amor entre eu e meu marido.. deu naquilo, um serzinho..e agora, fora da barriga, um nenê de verdade, com pés, mãos...

Contei e recontei os dedinhos, analisei cada detalhe, orelha, duas, olhos..hum parecem meio vesguinhos..será que ela vai ser vesga? Ufa, li no Delamare que é normal o recém nascido ser vesguinho.. com os dias se normalizou. Ver a pele dela, com risquinhos, mini poros. Ela nasceu com pelos no ombrinho e na orelha.. ai será que ela vai ter pelos nestes lugares? Uma menina, ela não vai gostar de ter estes pelos.. (eles caíram por volta do 7o mês). Ficava admirando a beleza, os olhinhos inchados, achando o máximo aquele bebezinho ter saído de mim, tão perfeito!! Obrigada meu Deus! Senti uma gratidão enorme por poder viver este momento. Adorava também o cheirinho dela, um cheirinho de parto ainda (só demos banho nela no 3o dia de vida, ela nasceu na água), sentir o cheiro de vérnix, ficando azedinho. Dava certa vontade de lamber.. mas achava esquisito.. dei lambidinhas tímidas.. bom o gosto.

Depois desta admiração, vem o susto, o novo, o desconhecido. O bebê novinho não chora, ele se esguela, ele grita de desespero!! Começou com um chorinho tímido, um chorinho lindo (gué, gué, para tentar imitar..). Depois vem um choro desesperado. Meu Deus, o que eu faço?? EU sou a mãe..tenho que achar uma solução, e agora?? Logo nas primeiras horas, meu marido aprendeu com o santo pediatra a embrulhá-la (como charutinho), a chacoalhar e fazer shuu.. no ouvido dela.. Ufa! Como esta técnica ajudou! Funcionava na maior parte das vezes neste comecinho. E como meu marido ajudou, ele era o responsável por acalmá-la.

Mas às vezes o bebê não parava de chorar e aí.. junto com MEU desespero, vinham as sugestões familiares, já que sempre temos pessoas por perto nestes momentos. “o que será que ela tá sentindo?”, “será que é cólica?”, “será que ela tá com fome?” (e o provável pensamento: “seu leite não é suficiente?”). Estes palpites para mim foram chatos. O pessoal aqui até respeitou minhas atitudes, mas foi duro ficar tendo que, além de cuidar do bebê e deste turbilhão de emoções ter que ficar arrumando respostas e motivos das minhas atitudes.

Ah.. outra coisa forte. Desde o 1o dia do nascimento dela, descobri que não é somente a minha filha que nasceu. Nasceu também a neta da minha mãe e sogra, a sobrinha da minha cunhada, a sobrinha-neta das minhas tias.. Então, todas as MINHAS atitudes estavam afetando o modo de viver da NETA, SOBRINHA, SOBRINHA-NETA. Acho que é por isso que as pessoas dão tantas sugestões sobre como agir com o bebê.

Outra sensação em relação às outras pessoas foi a invasão em relação ao bebê. Desde a gravidez, eu queria que o bebê tivesse um ambiente tranqüilo depois que nascesse. Não queria deixá-la no barulho e com as pessoas. Queria que ela conhecesse o mundo um pouco por vez. Considero que é um choque para o bebê a saída do aconchego do útero e um choque maior ainda ser pego por inúmeras pessoas, ouvir sons, cheiros, falas super próximas à cara do nenê. Queria um cheiro de alguém um dia, um cômodo da casa no outro. A luz, os sons, tudo devagar. Mas como controlar se todos da família querem ver o bebê, pegar no colo e segurar pra sentir que o bebê realmente estava ali (uma amiga ucraniana fica impressionada com a coisa do brasileiro de querer sempre encostar um no outro). Vivi isso com o bebê. E não queria!! Minha irmã, que estava longe, me disse por telefone: devíamos ficar isoladas de tudo por uns 10 dias depois do nascimento do bebê. Mas ocorre o inverso!! A casa vira uma peregrinação de pessoas querendo conhecer a criança. Justo nos primeiros dias. Não recrimino isso, mas o que eu queria ter paz para conhecer minha filha e para ela me conhecer!

Só saí com ela no 17º dia para dar uma volta na rua e saía pouco de casa. Eu quis assim, embora não tenha sido fácil ficar tantos dias reclusa.

Não tinha a confiança de como seria minha relação com minha filha. Queria que ela conhecesse primeiro o meu cheiro, minha voz, gostasse de mim. Essa segurança se desenvolveu ao longo do tempo, principalmente graças a amamentação e por ficarmos tanto tempo juntas, eu a alimentando, a observando, e ela sentindo minha pele, meu calor, meu amor.

Reconheço que tive ciúme dela no início, queria que ela gostasse de mim primeiro. Virei leoa. Não queria que a pegassem no colo.. já tinha a questão do cheiro, som, mas teve também a questão leoa. Não queria que pegassem na minha cria. Isso me lembrava das cachorras recém paridas rosnarem para pessoas que chegam perto de suas crias. Pena que gente adulta que rosna é considerada antipática pra sempre.

Comecei a amamentar logo depois que ela nasceu, ela mamou pouquinho nas primeiras horas. Eu não sabia se conseguiria amamentar, meu peito só servira para fins sexuais até então, não sabia como iria separar as coisas. Bom, isso foi pouco problema. No primeiro dia, foi mais tranqüilo, ela mamou pouco, eu tinha lido que o bebê tem nasce com reservas nos primeiros dias e precisa mais dormir do que mamar, eu estava tranquila.

Mas a noite seguinte.. o que foi aquilo?? Ela mamou por 4 horas seguidas!!!! Eu a tirava do peito (ou ela saía, não me lembro) e ela chorava desesperadamente! Voltava para o peito, acalmava. Da meia noite às 4 da manhã. Eu com fome, sede, me sentindo fraca. Mas queria alimentar minha filha. Nesta hora, claro, falaram que era só dar chupeta ou meu dedo para ela sugar. Como assim? Ela querendo sugar meu peito e eu vou dar outra coisa? Vou enganar minha filha no seu primeiro dia de vida? Aquilo foi um pesadelo, o sono, misturado com a dor (pois 4 horas num peito sem “calos” doeu!), doía também a barriga, pois o útero ainda estava grande, se contraía com as mamadas. Na 2a noite a longa mamada se repetiu, meu marido diz que foram 6 horas desta vez. O stress estava mais alto, tive até problemas com a família do meu marido neste dia, falei o que não devia e vivi por semanas as conseqüências disso. Hoje vejo que poderia ter buscado outras soluções para pelo menos intercalar um pouco estas longuíssimas mamadas (deixar com o pai chacoalhando e fazendo shuu, simplesmente colocar o bebê perto do meu corpo para ela sentir meu calor ou simplesmente parar por 5 minutos para eu descansar e agüentar um pouco seu choro)

Os hormônios à flor da pele, eu chorava de alegria, dor, cansaço. Meu leite desceu no 3o dia. Fiquei muito feliz com a novidade de me tornar uma “leiteria”! E depois de tantas horas com o bebê pendurado no peito, sem saber como segurar, como abrir sua boquinha.. resultado: bicos super rachados, dor quando ela começava a sugar. Por sorte neste dia o pediatra veio para consultá-la e ensinou algumas posições. No dia seguinte uma santa amiga especialista em amamentação também deu bons conselhos. Ambos ensinaram a livre demanda, nada de anotar horários: bebê chorou, peito. O melhor conselho em todo o puerpério.

O cansaço era tanto nestes dias que eu não registrei quase nada que eles me ensinaram, foi meu marido que também ouviu e me ajudou.

No 6o dia tive febre. Meu peito empedrou. Li que deveria tomar banho quente, fazer dança africana e ordenhar. Tentei isso o dia todo. Febre subindo, não queria medir, não queria tomar remédio. Neste dia meu marido viajou, fiquei com sua família me ajudando. Fiquei confusa, com algumas alucinações, peito doendo.. medi: 39,5C! minha cunhada leu que deveria dar o peito para o bebê esvaziar.. achava que estaria contaminado este leite. Minha filha me salvou, mamou, mamou e esvaziou meu peito e baixou minha febre. Ufa! Saí de mais uma!

Volto a falar do êxtase. Eu olhava para minha filha e chorava de alegria. Muitas vezes isso aconteceu nos primeiros dias. Meu marido também estava muito tocado, ele chorava, chorávamos juntos! Que milagre estávamos presenciando!

Recebi também a visita preciosa da Carolina nos primeiros dias. Seu filho é uns 3 meses mais velho que a minha, então, vê-la falar que estes dias são difíceis mesmo e ver claramente que agora eles estavam em outra fase melhor foi um alívio e tanto. Me ensinou coisas, deu bons conselhos. Ela ainda trouxe uma pomada para passar no peito, que me ajudou.

Enquanto estava grávida, ficava imaginando o bebê e tudo que poderia viver com minha filha. Mas no primeiro mês o bebê pouco interage. A doação da mãe é gigantesca e vemos pouca reação do bebê, ela ficava deitada, quase não se mexia. Isso também teve sua contribuição na frustração.

Outro fato que interferiu nos primeiros meses é que meu corpo estava se adaptando a grande produção de leite que minha filha requeria. Minha resistência baixou, tive herpes e “viuvinha” nos olhos diversas vezes. Sentia bastante cansaço e aproveitava para dormir bastante, o que ajudou a me recuperar.

Como esta fase foi uma mistura cansaço, com desconhecimento, falta de experiência e um serzinho totalmente dependente da gente, estes dias foram muito difíceis para mim. Parecia que nossa vida seria assim para sempre, mas a natureza é sábia, a mãe vai aprendendo a cuidar da sua cria, vai conhecendo o filho a cada dia, as reações, o que fazer ou não, claro que não acerta sempre. Vai ganhando confiança, recebendo e dando amor.

Com o passar do tempo, os desafios para a mãe vão se alterando, isso não deve acabar nunca, sempre estaremos aprendendo a conviver com as novas fases do filho.

Este tempo de grandes inseguranças passou. Foi tão duro para mim este período que achei o parto muito fácil comparado com estes dias. Olho para este período e vejo uma nuvem escura, dias lindos e ao mesmo tempo tão difíceis. Por isso quis compartilhar com futuras mães, para talvez se prepararem melhor do que eu. Não sei se é assim com todo mundo.

Quando escrevi este texto, minha filha estava com 9 meses, linda, crescendo, descobrindo o mundo. Já passamos por tantas fases diferentes e tantos momentos bons. Foi difícil o começo, mas passou. A amamentação teve um papel central em toda esta fase para criação da segurança mútua, para mim de que eu amo minha filha e ela me ama, para ela de poder confiar que nos momentos de fome, carência ou qualquer outra coisa ela vai encontrar sua mãe ou seu pai.

Hoje ela já está com 2,2 anos, falante e serelepe.

Deixo aqui alguns conselhos para quem quiser “ouvir”:

* Aprenda amamentar antes do bebê nascer, conheça as posições, como fazer o bebê abrir mais a boquinha, assim quando o bebê chegar, você terá mais “experiência” do que sair do zero como eu saí.
* Escolha pessoas boas pra te apoiar. No meu caso, meu marido foi um grande aliado, desde o começo, presente e atuante. A lista Materna também foi, com conselhos dados por mães experientes e que não se deixam levar pela maioria (pediatras que não apóiam amamentação, conselhos de dar chazinho, remédio, chupeta, etc.). Andréa (da amamentação), Carolina e minha irmã, que apesar de não conhecer os tratamentos humanizados, me deu seu apoio.
* Confie no seu companheiro, deixe ele trocar, cuidar, dar banho desde o começo. Vi muitas mães não deixarem e afastarem o pai. Do jeito deles, eles conseguem, vale muito confiar. O vínculo se fortalece, pai-filho, pai-mãe.
* Descanse enquanto o bebê descansa. A gente precisa se recuperar fisicamente também. Deixe marido, mãe e sogra receberem as visitas, cuidarem da comida, casa, etc.
* E saibam, estes primeiros dias são totalmente novidade e por isso tão difíceis. Mas eles passam, nós ficamos mais experientes e nossos filhos conseguem sobreviver (e nós também!)

7 comentários:

Tai disse...

Muito legal esse texto! Nos primeiros dias depois do meu parto eu tambem sofri bastante, ah se alguem tivesse me falado sobre isso antes...
Deixo aqui uma dica que ME salvou:
Nos primeiros dias espremi suco de limão no meu peito, ele "caleja" os mamilos e evita que rachem... O meu tava rachando quando descobri essa super técnica. Espremia o limã umas 3 vezes por dia (que dorrrr) e em 2 dias cicatrixou, e depois foi só alegria!

Michelle disse...

Estou vivenciando justamente isso tudo que vc descreveu acima,noooooossa é incrível como pode ser exatamente igual em tudo até nos detalhes, tudo mesmo, rsrsrsrs, estou pasma; até o desentendimento com a familia do meu esposo, caramba que igual, por um instante achei que estava descrevendo o que estou a passar...
Minha filha está com 23 dias, e neste momento estou a amamentar, escrevendo com uma mão só, e trincada de sono, por isso me despeço aqui e agradeço demais pelo post, amei ler, foi reconfortante saber que vai passar e que eu não fui a única!
Bjimmmm meu e da Valentina!

bbzsinlove disse...

Eu tinha lido esse relato na lista, e adorei ler aqui de novo!

Esses primeiros dias não são fáceis, e duvido muito de quem diz que tirou de letra!

Realmente, apoio da família e do marido é tudo!

Eu tive dor pra amamentar (não eram fissuras, tinha uma especialista em amamentação durante 15 dias me visitando e minha homeopata e pediatra é militante), caí e sofri muito com os pontos no períneo que inflamaram, e a Minha bebê mamava uito mais que o normal.
E tb tem a pressão do parto em casa, a dor do útero voltando ao normal, os hormônios, o corpo (eu senti falta da barriga!) e o SONO!!!!!!!

Mas como as mamíferas e maternas me disseram: "ISSO PASSA, E A GENTE ESQUECE"!!!!

Tanto que já estamos sonhando um novo bebê, e acredito que será tudo mais fácil, só por não ser novidade!

Bjos

Cath da Laura

Flor de Maracujá disse...

Uau! Passei exactamente por isso nas primeiras semanas. A minha pequenita tem dois meses e ou é ela que anda mais calma ou sou eu que já me habituei à grande reviravolta que a minha vida levou.
Mesmo assim todas as noites caio na cama completamente cansada e adormeço a dar de mamar à minha filhota. :) E não há nada melhor que isso.

Paty disse...

Que relato lindo! estou com quase 41 semanas, com os dois famosos cm de dilatação e com algumas cólicas desde a madrugada, mais estou em pânico principalmente por ter me preparado para o parto, estou calma e tranquila para isto, mais minha vida parece que ja ta de cabeça pra baixo com a chegada deste serzinho, minha casa já hospeda sogra e vó e tia e todos a uma semana, todos palpitando e querendo ajudar... a vontade que tenho é de ficar no hospital por um mes só eu e meu bebê...depois do li percebi que é normal o que to passando...me ajudou muito obrigada por dividir sua experiência

Marisa Tiyoko disse...

Lindo relato, passei por quase tudo isso, só não tive problemas com amamentação, mas tbm graças a muitas dicas das meninas do materna jp, e meu menino era um amor p mamar, eu tinha bastante leite e em 15/20 minutos ele ja estava satisfeito e ele mesmo largava o peito... Mas nos 3 primeiros meses ele teve colicas e os parentes adoravam palpitar, mas fui firme em meu proposito e só fiz o q meu coração mandou!
Meu menino ja tem 1 ano e meio e estou gravida de 5 meses e estou ansiosa p saber como vai ser com meu proximo bb!
beijos
obrigada por compartilhar!

BETE STROM disse...

Adorei este Post, eu vivi quase tudo que relatou, principalmente aquela parte da febre.rs Em breve vou contar a minha história desde a ggestação até o parto.
bjs e visite meu blog.
http://www.betestrom.blogspot.com/

Beth

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