24 de maio de 2010

Relato de um VBAC no Japão

Esse relato foi feito por uma grande amiga, Angela Shida, que mora em Toyohashi e com quem fiz contatos apenas por e-mail.

Para quem não sabe, VBAC, é uma sigla em inglês que significa: parto normal após cesariana.

É uma alegria imensa perceber que um pouquinho que fazemos pode ajudar um montão outra pessoa, mesmo longe.

Quero aqui agradecer a Kelly Savioli, da KeySlings, que foi quem conseguiu o contato da parteira que passei para a Angela. Muito obrigada Kelly!

É um lindo relato de um VBAC no Japão!

Para quem acredita, tudo é possível!

Deliciem-se!

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Tudo começou quando engravidei da Eduarda Naomi, depois de 2 gestações anteriores: um parto normal hospitalar e uma cesarea.

Depois de muito peregrinar nas clinicas e hospitais de Toyohashi, (digo peregrinar pois nenhum medico queria acompanhar minha gestação alegando falta de vaga ou quando eu dizia que queria tentar o VBAC, me taxavam de louca e inconsequente, alguns disseram que eu iria morrer no parto e outro me disse que só faria o meu parto se eu assinasse um termo de responsabilidade caso eu morresse pois ele disse que eu morreria com certeza! aff!) conversei com a Rosana Oshiro que carinhosamente se propos a me ajudar e me conseguiu o numero do telefone de uma parteira japonesa, Kawagushi-san, uma parteira por excelencia, muito competente e segura de seus atos.

Liguei para ela e ela prontamente me recebeu em sua casa de parto, que é muito confortavel, limpa e preparada.

Tivemos uma longa conversa. Falamos sobre a minha cesarea, que tinha já 4 anos, e em momento algum ela me desanimou, pelo contrario, me encorajou e disse que cuidaria de mim, e me disse aquela palavra maravilhosa: GAMBATE!!!

Ela cuidou muito bem de mim durante a gestação. Meu esposo e meus filhos de 4 e 7 anos adoraram ela, nós fizemos todos juntos o plano de parto.

Meu esposo, meus filhos e quem eu quisesse poderia estar presente, e eu escolhi uma interprete amiga também para estar conosco, e assim seguimos até o final da gravidez.

Meu parto estava previsto para o dia 26 de outubro de 2009, porém Eduarda Naomi quis vir antes.

Na 38ª semana, era uma terça feira, eu estava com o tampão saindo de cor meio amarelada com pequenas rajas de sangue, então meu coração pulsava de alegria, ansiedade e um pouco de medo também, pois queria que desse tudo certo e saisse tudo perfeito.

Fui ao consultorio de minha parteira e fizemos a ultima ultra. Estava tudo bem com a Eduarda, ela já estava mais que encaixada e tudo corria muito bem. Eu pedi para ela me fazer exame de toque(ela em nenhum momento me fez o toque somente fez porque eu pedi, e achei isso ótimo pois em tudo fui respeitada)pois eu queria saber se eu estava com dilatação, estava com muitos grilos na mente...risos

Feito o toque, eu estava com 3 cm, era dia 13 de outubro, e ela me disse que daquela semana não passaria, mesmo eu estando com 38 semanas.

Fiquei muito feliz e fui para casa terminar os ultimos preparativos para o grande dia, estava sentindo as colicas e contrações ainda irregulares, porém com muito mais frequencia, umas 8 ou 9 por dia.

De quinta para sexta eu não passei bem a noite, fiquei muito incomodada e sem sono, indo ao banheiro toda hora, pensando que ia ter diarreia, (*risos) mas eu sabia que meu TP começando.

Amanheceu. Meu marido se arrumou para o trabalho e eu mandei minha filha mais velha para escola, mas eu avisei meu marido que se ele fosse para o trabalho teria que voltar, pois eu estava no começo do TP, mas ele como um bom marido teimoso quis ir assim mesmo e pediu que eu ligasse para ele(acho que ele queria sentir a emoção do telefone tocando no meio do trabalho para ir atender sua mulher prestes a parir hahaha)

E foi assim: entrei em TP ativo muito rapido. As 8:30h da manhã fui arrumar o berço e senti uma coisa quente descendo pelas pernas, mas não era água da bolsa, era sangue.

Tomei uma ducha morna para relaxar um pouco, arrumei meu filho do meio e coloquei a roupa que escolhi para esse dia.

Percebi que as contrações vinham rapidas demais e comecei a contar: estavam de 5 em 5 minutos.

Liguei para meu marido, que chegou bem rapido, e passamos na escola da minha filha para pega-la, pois todos nós iriamos participar desse grande momento.

Depois de 20 minutos as contrações já estavam de 3 em 3 minutos e eu comecei a me preocupar, pois a casa de parto era bem longe da minha casa.

Eu fui com minha amiga e interprete no banco de trás e ela foi me massageando as costas e eu respirando sem fazer nenhuma força. Nessa altura as contrações já estavam de 2 em 2 minutos.

As contrações naturais eram as dores mais bem sentidas da minha vida, se posso dizer assim. Eram muito dolorosas, mas suportáveis.

Ali eu já estava em transe, pois não ouvia mais ninguem, somente meu coração e minha mente. Estava concentrada sei lá onde, acho que literalmente entrei na Partolandia, sentia que ali era somente eu e a Eduarda trabalhando ativamente no processo de parto, e procurei manter a calma até chegarmos na casa de parto.

Logo chegamos, eu entrei como "uma zumbi", não falava mais com ninguem, só comigo mesma, sempre respirando e procurando o melhor jeito de ficar e na posição que me agradava mais.


Fizemos o toque, já cheguei com 8 cm às 10:16, então a parteira me disse para não fazer força, somente imaginar como um escorrega, ela disse: deixa escorregar.

As contrações vinham e eu deixava escorregar, ela me perguntou se eu estava bem, se eu queria comer algo ou beber, então pedi agua e ela me servia no canudinho... risos

Quando finalmente alcancei 10cm, eu pedi para ficar de cócoras, mas quando eu fui me virar a Eduarda coroou então todos na sala se alegraram e meu marido não sabia se chorava, se ria, se filmava...

Meus filhos me disseram:
- Vai mamãe, ela ta vindo!

Gente eu não dei nenhum grito, não chorei nenhuma vez a não ser quando vi minha princesa em meus braços. Era sexta-feira do dia 16 de outubro de 2009 às 11:16 da manhã.

Aquela foi a dor mais intensa que eu pude sentir, pois era natural, era eu quem tinha controle de tudo!

Quando Eduarda coroou fiz uma unica força e ela veio ao mundo, linda e forte!

Logo o pai veio para cortar o cordão...


Eu pude pega-la na mesma hora e já coloca-la no meu seio para mamar, e logo começou a sugar num instinto de filhote e sua femea mãe: foi o maior acontecimento da minha vida!


Meu esposo e meus filhos logo pegaram-na no colo e ficamos ali lambendo a cria.


Não tive sorinho, não tive episio, não tive laceração, somente dois minimos arranhões nos pequenos labios que ela disse cicatrizar com 3 ou 4 dias e assim foi, sem pontos sem nada.


Rosana devo a você e principalmente a Deus que colocou você em meu caminho, mesmo sem te conhecer pessoalmente e atraves de você conheci a parteira e tive o meu tão sonhado VBAC.

Bom quero aqui agradecer a Deus que foi quem me capacitou a dar a luz como Ele mesmo criou e planejou.

Parir é um ato divino que vem de Deus, é esse Deus quem nos ajuda a vencer todos os obstaculos que uma mulher tem que enfrentar antes, durante e depois do parto.

Meu parto foi obra de Deus e para gloria Dele estamos todos aqui felizes e realizados!

Obrigada Senhor. Obrigada Rosana!!
beijos, Angel Shida

3 comentários:

Marisa Tiyoko disse...

Muito lindo o relato!!!
Adorei!!!!

Kelly disse...

Parabéns Angel e família!!!
Lindo!!! Maravilhoso teu parto!
Abração

A criação de Deus é Perfeita!!!

Fanynha disse...

foi lindo...me emocionei...
uma pergunta foi vbac ou vba2c??

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