29 de janeiro de 2010

Será que a "moda" do parto natural pega?

No próximo domingo vai ao ar no Fantástico, pela Rede Globo de Televisão, uma entrevista feita com Gisele Bündchen, que teve PARTO NATURAL DOMICILIAR.
Vi a notícia no site da Globo.com



Quero gravar a entrevista completa e postar aqui depois, mas por enquanto quero abrir o debate: Será que a "moda" do parto natural pega?

No mundo todo é comum as pessoas seguirem as tendências da moda, e o fato é que cada vez mais "Famosas" estão aderindo ao Parto Ativo, e não é porque seja moda não, mas é porque essas mulheres, assim como outras não famosas, escolheram abraçar a maternidade, pesquisaram, se informaram e encontraram caminhos, não mais fáceis, porém mais conscientes de se ter um filho.

Tem gente que acha que parto é parto, independente da via, acha que um parto normal ou uma cesárea, não vai mudar nada na vida da mulher/mãe, que é só "um jeito" de se por o filho no mundo. Mas não é.

É na escolha do parto que a mulher começa a desenvolver a mãe que vai ser. É na escolha do parto que uma série de questões futuras já se desenrolam ou não.

O parto para a maioria das mulheres é o fim "de um período" e ponto final, dali a vida continua mais ou menos como era.

Para mim, o parto é início de um longa jornada, que é a maternidade. E foi a luta pelo parto natural que me fez abraça-la de forma questionadora e ativa.

Pelo jeito a Gisele Bündchen também pensa assim. Vamos esperar a entrevista! =D

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26 de janeiro de 2010

Educação gratuita e de qualidade para crianças estrangeiras no Japão

Falta de dinheiro não é mais motivo para as crianças estrangeiras de Tamamura (Gunma) deixarem de estudar. Até o mês de março deste ano, o Instituto de Pesquisas para Educação Multilíngue, por meio da Escola da Comunidade Internacional (ICS, na sigla em inglês) oferece aulas gratuitas, de segunda a sabádo, para alunos de 6 a 15 anos de idade. O programa, batizado de Raibow Bridge/Niji no Kakehashi, é uma parceria do intituto com o governo japonês. "Seria um suporte gratuito do Ministério da Educação Japonês para ajduar crianças estrangeiras que estão sem frequentar a escola", explicam os coordenadores.

Mas do que aulas de lingua japonês, o programa conta com aulas de música, artes, educação física, ciências, estudos sociais e história e, ainda, matemática e aulas da língua materna do aluno, sempre, com atividades práticas. O programa oferece também auxilio nas tarefas escolares para quem está na escola japonesa.

O instituo de Pesquisa para Educação Multilingue é legalmente registrado como uma organização sem fins lucrativos (NPO, na sigla em inglês), na região de Gunma desde dezembro de 2000. Mantém a escola ICS, formada por diretores e funcionários multilíngues, para promover a diversidade cultural. É a primeira escola do Japão a oferecer educação de imersão em inglês, português e japonês e aoo contrário das demais escolas internacionais, não segue o sistema educacional de nenhum país, mas uma mistura da escola brasileira, da japonesa e da americana.
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Programa ICS Rainbow Brigde
Local: Escola da Comunidade Internacional (ICS)
Endereço: 370-1104, Gunma-ken, Sawa-gun, Tamamura-machi, Kami-fukushima 744-2
Telefone: 0270-658795 (atendimento em 5 idiomas incluindo o português)
Site: http://www5.ocn.ne.jp/~meri/portugues.htm
Data: até 31 de março
Público Alvo: estrangeiros de 6 a 15 anos
Horário: segunda à sexta, das 9h às 17h30; sábado das 9h as 17h (período integral das 9h às 14h30; meio periodo das 16 as 17h30; classe de sábado das 9h às 17h)
Aos sábados: aconselhamento psicológico em japonês e na língua materna do alundo (com hora marcada).

Fonte: Revista Alternativa

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22 de janeiro de 2010

Amamentação reduz ansiedade na infância

Aqui, uma notícia falando que as crianças que foram amamentadas são menos ansiosas que as não amamentadas.

Que a amamentação é melhor, todo mundo já sabe. É de graça, não produz lixo, não gasta energia, não gasta água, é melhor digerida, mais nutritiva e feita sob medida para o bebê, não precisa de mamadeira, esterilizador, nem nada do tipo, ajuda a aumentar a auto estima do bebê, diminui riscos de alergias, está sempre na temperatura ideal, além de ajudar a mãe a perder peso, evitar o câncer de mama, não carregar tanta tralha nem precisar levantar de madrugada para fazer mamadeira, etc etc etc.

E, pasmen, ainda ajuda o bebê a ser menos ansioso!

Melhor, impossível!


imagem daqui.

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20 de janeiro de 2010

Entrevista com Ina May Gaskin

Entrevista com Ina May Gaskin

”Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa d´água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar “ok, parir é assim”. Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavoucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente. Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito.

Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração, vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que, quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na
sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum.

Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegou a 8 cm relativamente rápido e pensei “que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde” e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava “rushes”, já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de dor. “Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei!” Então o que você faz? Algumas mulheres dizem “é a pior coisa que já senti na vida” e outras pessoas falam “isso não é ruim, é até excitante”. Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o queestava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto. Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia “desdilatar” o cérvix, nunca li isso num livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu disse a ela “sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas?” Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendi com isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos.

Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário.

Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido
publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente
com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma
experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a
paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam
descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a
resposta foi “os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o
toque errado da primeira vez”. Os médicos com quem conversei também não
sabiam a respeito disso. Pensei “se isso acontece, por que não está
registrado em livros?

Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação
com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma
anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante.

Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei “hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente.

Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei “que criativo! Como não pensei nisso antes?” E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis, apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei “este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar”, porque ela estava rígida de pavor.

Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): “Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece.” A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso. Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei “minha nossa, eles não sabem como beijar”. Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, “Linda, com a boca aberta”. Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse a boca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta, com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.”

Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo. Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês “não esqueçam de beijar”. Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no
hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que
as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o
casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que
a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar.

Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê, que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula pituitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente. Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna.

O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja lguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar. Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina) são antagonistas e é isto que vai “atravancar/atrapalhar” o parto.

Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira. O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de perto na
presença delas.

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm de dilatação porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato.

Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até
encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo, se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. É um momento em que se almeja gentileza.

Pensei em como explicar isso e lembrei “esfíncter”. Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto. Você não pode dizer a alguém “quero que você evacue exatamente às 09:00 e, se não conseguir, estará em maus lençóis.” Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradas para você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aqueleesfíncter ficará mais “tímido”. Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se, rapidamente.

Tenho que agradecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia se não fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado.

Aqui estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela saiba onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos (já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão.

Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando noquarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital oucom a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter. Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente. Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa.”

Transcrito e traduzido por Flávia Mandic

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6 de janeiro de 2010

O parto ideal e o parto real.

A gente pode pensar sobre isso antes da gravidez, assim que descobre, durante a gravidez ou só na hora. Mas a gente pensa. E a gente imagina.

Eu achava que parto normal é aquela coisa de novela, de filme. Que precisa de água quente, toalhas brancas e ficar deitada de barriga para cima, com um monte de gente gritando. (só não sei para que de tudo isso) Essa era a imagem que eu tinha durante a primeira gravidez, que terminou em cesárea.

Quando a gente se informa, a gente descobre que tem opções, que tem diferenças entre os locais para o parto, entre os médicos/enfermeiras/parteiras, entre a condução do parto, entre os procedimentos. E aí, a imagem pode mudar.
Em geral, a imagem de um parto humanizado é uma coisa calma, com poucas luzes, música de fundo, todo mundo feliz, só olhando, esperando a natureza fazer o seu papel. Essa era a imagem que eu tinha antes do meu primeiro parto domiciliar. E era a imagem que eu tinha para o me segundo. hehe.

Só que o parto quase nunca é como a gente imagina. Dói, demora, dá medo, o telefone toca, a luz acaba, o marido desmaia, a gente faz cocô, acaba precisando de anestesia, de cesárea, enfim. Muitas coisas podem ser diferentes do imaginado. E a maioria das coisas sai, mesmo.

A verdade é que o parto é dói. E que a gente acaba fazendo/pedindo/precisando de coisas que nunca imaginou. No parto, a gente libera a fêmea, mesmo, e faz coisas que nunca imaginou que fosse. E se a gente está em um hospital, por exemplo, a gente acaba cedendo, aceitando alternativas. Primeiro porque a gente está fora de si. Segundo porque a dor é grande. E terceiro porque, na hora, mesmo que a gente saiba que o mais seguro é o parto natural, a gente fica vulnerável. Se alguém chega e diz que assim é mais rápido, melhor, mais qualquer coisa, a gente aceita.

O parto real, o que cada uma de nós teve ou vai ter é único. A gente pode chegar o mais próximo possível do ideal tomando precauções, escrevendo um plano de parto detalhado, informando o acompanhante ao máximo, deixando claro seus desejos para quem vai assistir o parto.

E, para terminar, quando a gente se frustra com o parto, não existe motivo para a gente se sentir mal. Ficar triste com o parto não quer dizer que se ame menos o bebê. Parto é parto. Filho é filho. Filho a gente ama mesmo que tenha tido uma cesárea sem anestesia. E a gente não precisa achar que foi ótimo.
Parto é nosso lado fêmea, nosso corpo terminando o ato sexual que começou na concepção.
Do mesmo jeito que a gente pode ter engravidado do pior sexo da nossa vida (o que não quer dizer que o bebê gerado vai ser pouco amado, feio, chato, nada disso), o parto pode ser bom ou ruim e não tem nada a ver com a maternidade.
A gente só precisa deixar isso claro na cabeça, estufar o peito e aceitar.

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2 de janeiro de 2010

Ame e manifeste esse amor

Monja Coen

Pense em alguém que você goste muito. Do passado, do presente ou do futuro.
Pode ser um bichinho, um brinquedo, uma pessoa, uma criança, uma situação agradável. Pense e sinta.

Sinta esse amor, agora, aqui, em você. Conecte-se com o amor que habita você. Comece a incluir nessa amorosidade todas as pessoas que estão próximas a você. Vá expandindo sua capacidade de amar.

Inclua todas as pessoas que você conhece. Agora inclua as que você não conhece. Inclua próximas e distantes. Inclua pessoas que você jamais viu. Os povos africanos, asiáticos, australianos. Os povos e tribos de toda a Terra.

Inclua em seu amor todo o planeta, com árvores e insetos. Flores e pássaros. Mares, rios, oceanos. Inclua a vegetação da Amazônia e da Patagônia. Inclua o Mar Morto e o Deserto do Saara.

Não deixe o Pequeno Príncipe de fora. Inclua os Lusíadas, a Odisséia, Kojiki. Inclua toda a literatura mundial, um pouco de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Shakespeare, um tanto de Saragosa, uma gota de Jorge Amado, banhado por Herman Hesse e Amon Oz.

Inclua todas as religiões. Como se não houvesse dentro nem fora. Imagine, como John Lennon, que o mundo é um só. O mundo é uno. O mundo, o universo, o pluriverso é um só.

Nós somos unas e unos com o uno. Perceba. Isto que digo é a verdade. E só há esse caminho.Inúmeras analogias, linguagens étnicas, expressões regionais e temporais para tentar atingir o atemporal, o fluir incessante, incandescente, brilhante, da vida em movimento transformador.

Somos a vida da Terra.

Somos a vida do Universo.

Somos a vida do Multiverso.

E quando nossos pequeninos corações humanos se tornam capazes a ir além deste saquinho de pele que chamamos o eu, nos contatamos com a essência da vida. Que é a nossa própria essência e de tudo que é, assim como é.

Algum nome? Nenhum nome? Caminhemos. Tornamo-nos o caminho a cada passo. Que cada passo seja um passo de paz. Que o novo ano se abra com a abertura dos corações-mentes de todos nós seres humanos.

Abertura para o infinito.

Abertura para a imensidão.

Abertura para a ternura.

Abertura para a sabedoria.

Abertura para a compaixão.

Que todos os seres em todas as esferas e todos os tempos se beneficiem com esse amor imenso que aqui e agora juntas, juntos, nos tornamos. E ao nos tornarmos o amor tudo se torna vida e vida em abundância. Ame e manifeste esse amor agora.

Mãos em prece.

A todos os leitores de nosso blog desejamos um feliz 2010, cheio de realizações!

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1 de janeiro de 2010

A vocalização no trabalho de parto

Durante meu ultimo TP eu fiz o exercicio de vocalização e cantei bastante, e isso foi algo que me ajudou muuuuito no processo de parto!

Existem evidências de que há uma ligação direta entre a boca e o canal de parto, e que quanto mais a mulher abre a boca durante o TP mais facilmente se abre o canal do parto, e mais rapidamente ocorre o parto.

Eu confirmo que é fato e funciona mesmo! Pode ser cantando, gemendo ou vocalizando.

No vídeo a seguir há o processo de um TP, onde a mãe fez o exercicio de vocalização e pariu de forma suave e tranquila praticamente sozinha.

Vale super a pena praticar o exercicio antes do parto e utilizá-lo no TP! ('O')

É importante e interessante você preparar também músicas que te façam ficar tranquila para o momento do parto porque isso ajuda bastante também.

Boa hora!


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