15 de novembro de 2010

Escola japonesa x escola brasileira

Quem tem filhos aqui, uma hora ou outra vai lidar com essa questão. Não vou ser técnica, nem dizer o que é melhor ou pior. Vou dar a minha opinião, como mãe de (quase) duas crianças em idade escolar, com base em pesquisas próprias.

Na minha concepção, a gente deveria responder a duas perguntas:
1- Quanto dinheiro eu posso gastar com a escola?
Infelizmente, as escolas brasileiras são caras. Mais caras, pelo menos, que as escolas japonesas não particulares. Mesmo a escola japonesa é paga: a gente paga o almoço, o material, algumas coisinhas simples e, quase sempre, baratas.

2- Quanto tempo vamos ficar no Japão (ou em qualquer outro lugar do mundo)?
Eu acredito que, se a idéia é ficar no Japão para sempre, o ideal é a escola japonesa. Se a criança obtiver a mesma educação das crianças japonesas, ela vai ter mais chances no mercado de trabalho. Vai poder cursar uma faculdade aqui sem grandes problemas.

Agora, se a idéia é ficar por um tempo determinado, depois voltar ao Brasil, é melhor colocar em escola brasileira. Por mais que a matemática seja a mesma em qualquer lugar do mundo, todo o resto não é. Não é impossível a criança se adaptar e conseguir notas boas quando retorna à pátria, mas como alguém que passou por isso, eu digo: é muito trabalhoso, cansativo e estressante.

Claro, existem várias outras coisas a serem consideradas, mas acredito que esses dois pontos são os mais importantes.
As escolas brasileiras daqui, em sua maioria, não atendem às expectativas, não passam o conteúdo necessário (aliás, como a maioria das escolas por lá, mesmo), os professores não estão preparados, nem atualizados, muito menos motivados. Não existem em qualquer esquina, como as escolas japonesas, podem não ser certificadas, além da criança criar um círculo social fechado.

Já as escolas japonesas, apesar de uma boa parte estar preparada e ter suporte para os estrangeiros, são muito diferentes do que nós conhecemos. Elas exigem muito das crianças e dos responsáveis. São reuniões, afazeres, festas, marmitas, passeios, visitas do professor em casa, dos pais na escola…. E a preparação começa 6 meses antes do início das aulas. Praticamente impensável no Brasil. A gente não escolhe a escola: simplesmente vamos para a escola mais próxima de casa. Pode ser difícil conversar com o professor, com a escola. Também existe o problema do ijime, que não ocorre só com estrangeiros, mas ocorre bastante. E quando não se consegue uma comunicação boa com a escola, dificilmente o problema será resolvido. O pior é quando os pais não conseguem ajudar os filhos com as tarefas de casa.

Nenhuma das opções é 100%, nunca. Em nada, na verdade, mas aqui realmente fica quase num 50%-50%. Cada família vai precisar pensar nas possibilidades, nos planos, nos prós e contras, conversar, visitar ambas as escolas e, só assim, decidir a melhor opção.

Lembrando que, apesar de complicada, a adaptação acontece e rápido. Tanto para quem muda de escola brasileira (do Brasil ou daqui) para escola japonesa, quanto para quem muda de escola japonesa para a escola brasileira. E quase sempre existe a opção de mudar.

1 comentários:

Kelly Oliveira Saga disse...

Boa noite, vamos para o Japão daqui uns meses, minhas filhas tem uma 3 e uma 5,o que seria melhor, escolha japonesa ou brasileira?

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