5 de junho de 2009

Relato de Parto Domiciliar após Cesarea

O tampão começou a sair dia 10/12 e eu não tinha notado. A parteira que me avisou após fazer um toque para verificar dilatação, que estava em 1,5cm. Nesse dia era sua 2ª visita. E continuou saindo no decorrer da semana uma coisa assim meio amarelada e com consistência de catarro.

Fui ao médico, dei uns passeios, namorei, mas algo me dizia que ainda não era hora – já passávamos das 40 semanas. Sentia umas contrações irregulares no fim do dia.

Na sexta feira, dia 15/12, resolvi ir na 25 de Março com minha filha mais velha (2 anos e meio). Fui de manhã e à tarde. Andei horrores. E a noite, as contrações tavam uma beleza...

Como estava cansada, nem tive pique pra namorar. No findê, fomos na casa da sogra; subi e desci várias escadas. Meu sogro matou meu desejo de comer panqueca com geléia.

Fizemos várias outras coisas tb, entre elas, ir ao shopping lotado abarrotado, comprar alguns presentes de natal.

A semana seguinte se iniciou e, confesso que tinha me prometido deixar rolar. Fazer o que podia e deixar meu corpo agir conforme fosse. A Ivanilde – parteira – me ligava sempre, pra saber como estava e, eu sempre dizia na mesma...

No decorrer da segunda feira, 18/12, senti algumas contrações bem legais. Fui fazer um ultra com Doppler a pedido do médico. Andei pela Paulista. Chegando em casa, notei que as contrações vinham de hora em hora e depois de 40 em 40 minutos. Mas daí não passava, eu ia dormir e pronto.

Dia 19/12 o tampão agora estava saindo em maior quantidade e com raios de sangue. A parteira ligou e contei, ela disse que estava no início de tudo. Pensei, devem ser os prodómos.

Fui à Paulista de novo, dessa vez pra buscar o resultado do exame. E novamente andei.

Na quarta voltei no médico pra levar o exame, e saí com outra requisição pra repetir o exame no Sábado. Senti que as contrações estavam de hora em hora de novo. Nem me animei.

Comentei com o Déo e ele já queria ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixava, eu sabia que era só o começo. O Déo e a Alicia queriam comer carne, fomos numa churrascaria. Lá,senti que as contrações vinham de 30 em 30 minutos. Mas estava tranqüilo, estava sentada, respirava, comia. Comi muita salada,bebi muito suco. Fomos pra casa e as contrações ainda ficaram por mais um tempo. O Déo ficou marcando, mas o intervalo foi aumentando...falei pra gente dar uma namorada e depois dormimos.

Acordei na madrugada da quinta feira umas 4:00AM. Fui no banheiro e achei estranho. Pensei: Será??

Voltei pra cama, mas começaram umas contrações bem legais. Falo legais, porque pareciam cólicas de ir ao banheiro. Notei que estavam vindo em um curto espaço de tempo. Deu-me uma fome fora do normal. Tomei 2 iogurtes.

Não conseguia mais dormir, fui pra sala e liguei a TV. Zapeava os canais entre as contrações. Não marcava, mas sentia que estavam ficando próximas. Nesse meio tempo, fui ao banheiro mais umas 2 vezes e o tampão saia mais e mais. Aí pensei: Tá acontecendo.

Era um misto de excitação e ansiedade. O Déo acordou e falou que ia ficar comigo, mandei ele dormir mas ele não foi. Disse que ia ligar pra Ana Cris e pra parteira, mas eu não deixei. Falei pra ele começar a contar, que depois eu decidia quando ligar, porque pra mim ainda não era a hora, ou mesmo tinha medo da coisa parar de repente.

Acabei vomitando o que tinha comido. Ás vezes eu gemia, rebolava, ficava sentada no pufe, andava e acocorava. O Déo brincava e eu me irritava. A Alicia ainda dormia – já passavam das 07h30AM.

Mandei o Déo ir comprar pão e ele falou que ia ligar pro povo, eu disse que ligava. Senti que a intensidade estava aumentando, mas morria de medo de tudo parar de repente. Não liguei para ninguém, só me concentrava.

O Déo voltou, ligou para a Ivanilde, que deu uma bronca, porque era pra ele ter ligado antes. Falou que ia ligar pra AC, falei que ainda não, queria esperar a parteira e ter certeza que estava em trabalho de parto mesmo. Ele ligou pra mãe dele, pra ela vir ficar com a Alicia, que a essa altura já tinha acordado e o Déo comunicado que a irmã ia nascer. Ela nem foi falar comigo. Falei pra ele que se a mãe metesse no processo eu mandava ela embora.

Senti uma vontade incontrolável de dormir. Era um sono sem fim. Avisei ao Déo que ia cochilar. Fui pra cama, deitei de lado e cochilava entre as contrações. A Ivanilde chegou, eu estava na cama deitada e ela fez um toque – 4/5 cm – e perguntou como eu agüentei sozinha. Não conseguia falar, dei um sorriso e pronto. A parteira era uma animação só. Eu me concentrava,esperava a próxima concentração e tentava uma posição legal.

Déo começou a arrumar o apto, me dando mais espaço. Forrou a cama e dava assistência à Alicia. Nas contrações eu rebolava, ficava em pé, me curvava; já não conseguia mais me acocorar. E eu que pensava que ia parir de cócoras...

O calor era insuportável e, eu ODEIO calor. Perguntei pra Ivanilde se eu podia tomar um banho rápido só pra me aliviar do calor. Ela disse que eu podia ficar mais se quisesse e assim o fiz.

Ela pedia pra eu tentar me acocorar, mas eu não conseguia, me apoiava num banco e abaixava um pouco. Ouvi quando minha sogra chegou. Ela foi até o banheiro, não falou nada, me deu um sorriso confiante, era o que eu precisava.

Saí do banho falando que ia dormir mais. Mas pensava que poderia estar impedindo o TP, ao mesmo tempo em que não conseguia controlar o sono. As contrações aliviaram um pouco, a parteira falou que era normal após o banho quente e tal. A Ivanilde falou que ia ligar para Ana Cris, falei um não bem sonoro. Ela perguntou porque e eu balancei a cabeça e fui caminhar pelo apto.

O Déo me fazia massagens junto com a Ivanilde, mas pedi pra parar porque não estava gostando. Voltei pra cama e falei que ia dormir. Nas contrações a Ivanilde colocava a mão na minha barriga – aquilo era bom – e falava essa foi forte, respiiiiiira. O Déo mexia no meu cabelo e falava que eu ia conseguir, que se eu quisesse desistir ele teria orgulho de mim de qualquer maneira.

De vez em quando, minha sogra aparecia, não falava nada, mas eu sentia a presença dela e uma energia boa, era como se me fortalecesse. Eu só fechava os olhos e pensava – estou dilatando, estou dilatando!!!

Não conseguia nem beber água, me fizeram um chá beeeem doce; tomei, mas depois vomitei. Comecei a sentir vontade de fazer força, fui ao banheiro, mas nada. A parteira sugeriu que eu ficasse no vaso, que era bom, ajudava, mas não consegui por muito tempo.

De agora em diante eu não me lembro de tudo. A Ivanilde falou que estavam ficando mais longas e doloridas. E como eu estava com vontade de fazer força, ela ia fazer um toque. Eu sempre mandava ela esperar mais um pouquinho.

O toque foi uma lenda, pedia para ela parar – até bati na mão dela. Pedi pra não fazer,pra esperar...Mas vi um sorriso nela e ela me dizendo que já estava com uns 8cm, falou que estava perto e perguntou se eu queria ir pro chuveiro de novo. Falei que ia tirar um cochilo e depois ia; e assim o fiz.

No chuveiro a força era animal... E eu adorava aquilo. Meu corpo funcionava, eu estava extasiada, feliz, ansiosa... Fiquei de quatro e sentada em cima das pernas. Fazia força involuntariamente, era algo maior que eu pensava – eu não conseguia não fazer força. A parteira perguntou se eu ia parir ali sozinha; lembro-me de dizer que não. Que ainda não ia ser agora. Déo pergunto use podia entrar, se eu queria que ele entrasse. Falei que não. Mesmo que eu quisesse, o box mal dava pra uma pessoa...ele perguntou pra Ivanilde se já ia nascer; ela disse que achava que não, que eu sabia quando fosse. Coloquei a mão em seguida e vi que não sentia a cabeçinha.

A Ivanilde sentada na privada, minha sogra vinha e me olhava, conversava com a parteira. Pediram pra eu sair do banho, urrei um já já. E haja força involuntária.

Lembro de a Ivanilde dizer que eu queria parir sozinha. Saí do chuveiro já falando que ia dormir. A cama estava preparada, o calor era demais. Eu me sentia cansada, pensava: - eu vou conseguir... Continuava fazendo força.

Fiquei deitada do lado esquerdo. Nas contrações o Déo me ajudava a levantar a perna direita. A Ivanilde me orientava quanto à respiração.

Era uma coisa louca, animal, instintiva, uma dor maravilhosa, algo sem controle... O Déo segurava minha mão e falava que ia fazer força comigo. A Ivanilde falou ta aqui, passa a mão. Sem palavras, a sensação é louca, meus olhos enchem só de lembrar.

Nisso, eu falei que ia tirar uma soneca de novo. Sim eu dormi em pleno expulsivo, aliás, dormi quase o TP inteiro. Não lembro em quantas contrações ela nasceu. Lembro do Déo mandando eu parar de fazer força e apertar a mão dele. Escutei o choro de Alicia, parecia que tinha caído ou coisa assim.

Depois minha sogra falou que quando a Joana coroou a Ali começou a chorar compulsivamente. Acho que quando a cabeça tava saindo ouvi um, se quiser parar/descansar pode. O Déo fechando minhas pernas mas eu levantei e não dava pra parar. Uma queimação, uma vontade de fazer mais força, o Déo falou pra eu parar de fazer força e eu falava que queria fazer mais; ele disse pra apertar a mão dele...

Eu vi a parteira pegando ela. Pensei: caralho, ela nasceu, eu pari!!!

Nasceu com uma circular folgada. Veio pro meu peito. Gemia baixinho. Ficou de bruços no meu peito. Eu chorava, o Déo tambem. Eu falava: eu consegui!!! Minha sogra entrou no quarto e também chorava.

Alicia após ganhar o “presente” que irmã tinha dado, ficou junto comigo na cama. Eu cheirava a Juju e pensava, como esperei por isto. Ela mamou um tempo depois. Mas só queria dormir mesmo. Mandei pegar o celular, liguei pra minha mãe que não acreditou, me deu os parabéns por eu ter conseguido o que tanto queria.

Ligamos pra alguns amigos. Umas duas horas depois eu já estava de banho tomado e esperando as visitas. Primeiro o sogro, os cunhados e afins. E depois a Thá,que era pra ter assistido o parto tb, mas tinha ido pra praia.

Agora agradeço: A Ana Cris porque se eu não a tivesse conhecido, conhecido seu trabalho, sua garra, força e luz, não tinha chegado aonde cheguei.

A Ivanilde Que me saiu melhor que a encomenda,um amor de pessoa. Nossa ligação será eterna.

Ao Déo Que me surpreendeu em todos os aspectos, que foi além de pai, um amigo e companheiro, que respeitou minha vontades e como ele disse, que conseguiu junto comigo.

Minha sogra que se mostrou como sempre calma, serena e com muita energia, sabendo de que tudo daria certo.

Especial Á Thais, Simone e Soraia porque sem elas eu teria desistido. Sem o apoio nos momentos de devaneios e loucuras eu tinha surtado. Sem o carinho, mesmo à distância, eu tinha pirado. Nossa gravidez a quatro e parto foram fantásticos. OBRIGADA


Na foto eu, Bianca, a Ju (mamando na primeira hora e primeira mamada) e a Alicia.
Alicia encantada com aquela coisinha pequena que era sua irmã, e já mamava!!
A Joana nasceu de um parto domiciliar, renovador e cheio de luz.

Ainda tem a versão do marido e da parteira, leiam aqui: http://kittybia.blogspot.com/2007/01/o-relato.html

Bia Lopes é mãe da Juju e da Ali, casada com o Déo. Mora no Brasil e também escreve um blog pessoal: http://kittybia.blogspot.com/

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