24 de outubro de 2010

Um relato de VBAC no Brasil

A Fran foi nossa colaboradora aqui na Materna no inicio do blog. Ela tinha tido uma cesarea aqui no Japão fazia pouco tempo, o relato está aqui.

Ano passado ela voltou a morar no Brasil e teve uma menina em julho desse ano, Alizie, desta vez através de seu tão sonhado parto Humanizado.

Parabéns Fran, por toda sua luta, e por ter vencido e conquistado um parto digno.


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O DIA P

Exatamente às 6:10 da manhã (dia 19 de julho, numa segunda-feira) senti um 'ploc' interno da cabeça do bebê dando sua última ajeitada lá dentro, lá embaixo. Foi como que se tivesse escorrido para baixo e ao mesmo tempo tirado o vácuo que existia. E exatamente 3 minutos depois senti uma contração. Não houve contração para um bolo, para a barriga de gesso, para esperar muito para chamar a doula. A cada 3 minutos eu me concentrava para uma contração e me preparava para me equipar e ficar ali mesmo no quarto.
Foi de joelhos 'aos pés' da cama que recebi o telefone (dado pelo maridão Mora) e chamei a doula que 'me escolheu' para me ajudar. Foi com um apoio de mãe e marido que consegui fazer algumas coisas. Foi com o apoio da doula que fui tentando drilblar todo o resto até chegar na minha última opção de relaxamento: a banheira.
Antes de pensar em banheira e pouco depois de chamar a doula eu já estava com 5 cm de dilatação.
O Maurício perdeu seu compromisso e passou a segunda em casa cuidando de nosso primeiro fruto, apreensivo com a caída (que não acontecia logo) do segundo.

EM CASA

Os meninos (meus 2 irmãos) ficaram recuados na sala de tv, bem quietos e tratando do Sr. Benjamim com todo o carinho. Depois marido ficou com ele e assim permaneceu até dormirem (os 2 - pai e filho) por lá mesmo na sala. Tio Cido (o paidrasto amado) permaneceu o tempo todo em seu canto como sempre e a postos para qualquer favor. Mami entrava toda hora no quarto - uma vez com canja vegetariana, outra com vitaminas C, até mesmo com prendedores de cabelos, mas na maioria das vezes com água quente para a banheira (uma piscina oval inflável).

5 CM

Já era de madrugada, eu perdia um líquido verde claro que no começo garantia ser o tampão, pois era viscoso e gelatinoso e todo esse 'oso' que nos dá esta certeza. Mas após a insistência desse líquido, sempre acompanhado de xixi porque a cada contração eu me sentia melhor passá-la com uma toalha debaixo do períneo (fosse até mesmo na banheira), nós chegamos a pensar no rompimento da bolsa e no "mecônio" (primeiro cocô do bebê feito ainda dentro do útero), e então ficamos de olho caso precisasse ir para a maternidade.
Esta minha segunda experiência com contrações foi diferente: bem ritmadas, intensa e abri os 5 cm muito rápido (já havia demorado da primeira vez para chegar até ali). Porém desta vez sentia um 'revertério' estomacal a cada e qualquer coisa que engolia após uma contração forte, com isso desde aquela 6 horas da manhã nada parava no estômago. Mais de 20 horas sem comer as contrações já me desmontavam, bambiavam minhas pernas e me deixavam despreparadas para a próxima. Doula preferiu (sim ela era a minha consciência para tudo nesta hora) e me levou para a maternidade, já estava dentro da situação: bolsa rota-estourada (vai saber se e desde quando?), presença de mecônio, 20 horas sem comer e muito tempo já sem se abrir.
Vamos ser sinceros em dizer que não viria evolução.

NA MATERNIDADE

Aquela judiaria de começo com a entrada, certos papéis, alguns exames para fazer...
Então confirmamos os 5 cm (mas o colo era fino e estava evoluindo bem), confirmamos o mecônio (mas era fraquinho e estava sob cuidado), mas não confirmamos a bolsa rota e nem sabemos (nem os médicos) qual foi a hora em que ela rompeu e eu creio absolutamente que fui perdendo o líquido aos poucos.
Eu estava muito fraca (apelido) mas não parava de "sonhar" (literalmente) com o parto normal.
Com uma maternidade totalmente humanizada, onde a episiotomia (o corte, o pic), as intervenções e a cesárea são divulgadas como somente feitas se realmente necessárias, eu só poderia continuar confiando no parto normal/o mais natural possível, estava me esforçando.

PARTO SEM DOR

Confessei meu desejo de parto para o doutor e fui muito bem atentida, fizeram o que podiam. Recebi uma analgesia considerada uma das melhores e menos invasiva (corporal) que poderia receber, sentia as contrações bem fraquinhas, ganhei forças, tomei muito suco, respirei, me exercitei e abri.
Conheci a Adelita (enfermeira obstetra humanizada que realiza partos domiciliares - parteira- juntamente com sua equipe), sonhamos juntas, tentamos banquinho, cavalinho e até cócoras mas foi deitada em quatro apoios (genupeitoral), ali mesmo na famosa cama PPP (pré, parto e pós), que comecei a expulsar o bebê.
Eu era a última do dia, a aguardada. As pessoas que me rodeiavam eram todas queridas, já conheciam a minha história, me apoiavam e me ensinavam a empurrar. E eu estava fazendo certo, eu empurrava certo, dava o meu melhor para todas as dicas. Mami estava lá, lá atrás, atrás de mim... sim no popô (ohhh).
Havia uma borda de colo (de útero) na parte da frente (frontal aos pequenos lábios) e eu senti vontade de segurar ali para facilitar a saída da cabeça. Me lembro que fiz muuuita força, daquelas fenomenal mesmo.

Maurício querido foi em busca de nossos sonhos materiais, eram inadiáveis. Acompanhou tudo a distância e hoje compensa com todo o seu apoio em casa.

PÓS-PARTO

Eu não havia recebido corte e também não ganhei pontos no períneo, ele permaneceu íntegro até o fim.
Achei incrível todo o processo pós-parto ao olhar aquele bebezinho tão pequeno mas tão grande para isso.
Muitas são as coisas que aconteceram, muitas são as coisas que Adelita (amada) fez por mim, obrigada. Obrigada a todos!

Mami trouxe a placenta para casa e está agora plantada lá na chácara e com 3 meses de vida!

O BABY

Quando apertei, o clítoris (ou clitóris), realmente facilitou e saiu rapidinho. Vimos que era uma meninA, mami se emocionou demais, pediram (enfermeiras) para clampiar e cortar breve pois o nenem com certeza havia respirado mecônio e precisava ser visto logo. Tive uns minutinhos de contato mas não seria prudente amamentar e não o fiz. Mas não demorou muito para tê-la comigo e nunca mais me separar.

UM SISTEMA

Por estar na maternidade cumpri, claro, todo o protocolo do hospital. É um sistema (bicho papão) como todo sistema deva ser, mas era (é) humanizado e isso já me tocou bastante. Me senti bem a todo momento, fui muito bem tratada (até minha dieta vegetariana recebi sem problemas e nem questionamentos) e não existia uma pessoa que não me marcou lá dentro (simpáticos). Conversei por demais, fiz por demais novas amizades, informei e ganhei por demais novas informações... ganhei uma filha delicada e boazinha por demais.
Mas é aquela coisa para quem sabe, quando você cai no sistema não tem mais volta o ideal é ficar bem longe dele.

A AMAMENTAÇÃO

Com uma experiência prévia desta vez eu não passei sabão, eu não esfolei, não amaciei, não passei óleo não passei nada, simplesmente água e tão só. A pega deste filho é diferente, a dor é quase inexistente, e, como da primeira vez, o leite desceu no quarto dia só que sem problemas (sem fissuras, sem dor nem nada).
Minha filha mama em livre demanda. Passa o dia todo se espreguiçando, mamando e cochilando, e a noite toda dormindo a ponto de ter que acordá-la para mamar e se fortalecer.

* Foi no dia 20 de julho de 2010 - 38 semanas e 5 dias - Alizie Morely Nasceu!

(Eu posso ter me esquecido de coisas importantes... eu ainda vou dizer...)

Observação: eu tive a Liz de uma maneira que eu pensei ser impossível para mim: posição ' genu peitoral', mas famosa como quatro apoios. Cavalinho me cobria muito e banquinho não sentia minhas costas confortáveis, foi por isso.
E ô posição boa para as costas, para a força e descanso tudo ao mesmo tempo.
Esse desenho ao lado mostra muito bem como eu estava. E com esta posição ainda é possível fazer força com os braços, na cama PPP (a qual usei na maternidade) é equipada para este tipo de posição também.

1 comentários:

Raylane - Poosh disse...

Adorei seu blog. acompanharei ele sempre seguindo e comentando.
Pode me seguir também: http://raylanelaeda.blogspot.com/

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