Pular para o conteúdo principal

Franciely Tsuchiya - Mie



Antes de tudo, não, meu parto não saiu como o planejado!
Mas foi MARAVILHOSO!

Será que eu posso dizer que uma cesariana é plano B ?
Acho que no meu caso só não a considerei plano Z, porque foi HUMANIZADA!

Na verdade meu relato tem uma história extremamente longa mas que pode ser contada em pouco tempo e com poucas palavras, os detalhes foram maravilhosos e muito importantes pra mim, mas isto não vem ao caso, o que quero passar é a história em si, e dizer como foi comigo, como tudo aconteceu.

Então vamos lá:

Passei a noite inteira tendo contrações leves, a primeira que não me deixou mais dormiu ocorreu 7 horas da manhã, e assim foi se sucedendo.
Todos sabiam que eu queria ter o bebê em casa de parto normal (diferente de vaginal, que o bebê passa pelo canal mas podem existir diversas intervenções, assim deixando de ser normal).
Então fui preparar (toda feliz, conciente, confiante e determinada) o kit parto, a casa, a banheira, enfim, tudo!
E assim eu passava o tempo, num clima maravilhoso (velas cheirosas para todo lado) e entre banhos, imersões, concentração e bola suíça.
Tudo estava sob controle e eu conseguindo passar por todas as contrações numa boa, às vezes algumas muito forte e outras (quando estava no chuveiro) quase que imperceptíveis, mas não dei um gemido se quer, não sei, não é meu estilo, não conseguia gemer, só respirava, contava, agachava e esperava passar. E a cada contração um sorriso a mais: - Ufa! Uma a menos! hehe Mas totalmente ciente de que o processo demora e que eu não deveria ter pressa, ok resolvi relaxar, me entregar e assim foi.
A cada chuveirada um exame de toque, no começo felicidade em sentir o colo do útero se abrindo e chegar ao terceiro centímetro, depois a infelicidade de não sentir a evolução.
As horas foram se passando e eu já estava um dia e uma noite inteira com as contrações e os (só) 3 centímetros de dilatação.
O Maurício sempre por perto, mas não muito, preferia me isolar para concentrar melhor. Mas ele sempre me servia umas migalhas (porque quem consegue comer nestas horas, né?! rs) e bebidas leves e nutritivas, além de me dar todo o suporte e já ter faltado um dia de trabalho, e ah! Cansado, muito cansados (nós).
E aí que passei para o segundo dia e noite inteiros e nada de mudar o corpo.
Gente, eu fiquei QUARENTA E CINCO HORAS (45 hs) em casa e nada do bebê apontar a cabeça. Eu juro que se ele aparecesse eu ía entrar na banheira e expulsar, mas hãn, NADA! * rs*
Depois disto resolvi ir pra Clínica, mas olha, confesso que fui vencida pelo cansaço, já era o terceiro dia sem dormir... impossível! E ainda com dor, quem consegue?? hehe
Mas estava tudo extremamente suportável, numa boa, pelo menos pra mim. Mas eu vía que o Maurício estava beeem preocupado e ainda faltando serviço, né! E se o bebê demorasse mais alguns dias, aff! hehe

Fora do meu lar eu realmente não consegui suportar igual. Se a cada contração eu pudesse fazer meus métodos como havia feito até então, tranqüilo! Mas na clínica há um termo de responsabilidade com o paciente e eles precisam monitorar os batimentos cardíacos do bebê.
Foi aí que começou a ficar difícil, deitada, cheia de treco é impossível suportar. Eu sentia que me abalava e com isto estava abalando o bebê, o coração dele foi ficando fraco (e eu sabendo o porque... era aquela máquina).
Bom, minha médica me deu 2 opções: Ou cesária e acabou! Ou induzir o parto, dobrando o sentimento da dor e mesmo assim a incerteza da dilatação para a expulsão (só que com aquela dor naquela máquina o bebê já estava em perigo então optar por esta seria esperar nascer e interná-lo).
O Maurício me pediu cesária, disse que já havíamos feito de tudo e que não tinha mais que provar nada! E meu medo de perder nosso primeiro filhinho!
Ok! Lá fui eu para a cesária e fim da história! hauahuaua

A Cesária:
Estou no Japão e não esqueçam do problema com o idioma, né?! hehe Então!
Minha clínica é ótima, só mulheres e por isto escolhi aquela. Conversar sobre medicina em japonês fica bem difícil, por isso resolvo tudo em inglês com minha médica (ainda bem que ela é chique e fala inglês... he).
Me senti sem opção e pressionada a esta opção, então resolvemos humanizar!
Meu bb não foi aspirado e já foi levado direto pra mim saber o sexo e beijá-lo!
Após semi-limpo... he ele foi entregue nas mãos do Maurício que já o levou direto pro quarto, pra nós!
Logo atrás fui eu com a cama que já ficaria no nosso quarto!
O corte foi super pequeno, na horizontal e sendo a última camada colada e usados grampos que tirei em 5 dias, ficou ótimo e já está desaparecendo!
Deixei a Clínica em 3 dias! Hj meu filho tem 8 dias e perdi 10 kilos! hehe

OBS: Meu bb nasceu de 42 semanas e 3 circulares de cordão (ao redor do pescoço)!
Fiquei 56 horas em trabalho de parto com apenas 3 centímetros de dilatação.
Eu ainda continuo sem entender o porque não abri! hehe
E ainda acho que todas as mulheres deveriam ter parto normal e que optar pela
cesária é facilitar pro lado da mãe... mas olha meu caso! Hãn!
Sem mais comentários!!! haha

Fran com carinho

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Licença maternidade no Japão

É comum as mulheres trabalhadoras não conhecerem seus direitos e deveres quando gravidas no Japão. Recentemente, recebi várias instruções no curso de japonês que realizei pela JICE e gostaria de passar para as que estão em duvidas de seus direitos. Vou escrever por tópicos de forma bem clara e simples, caso alguém tenha alguma duvida, pode me escrever pela guia de contato ou deixar seu comentário no post que terei prazer em esclarecer. Vamos lá! - Como já disse em uma postagem anterior, toda mulher gravida no Japão, que não tem o hoken (Shakai ou kokumin) deve providenciá-lo o mais rapido possível, porque só através dele é possível receber os benefícios que a lei concede. - A mulher que trabalha, há mais de 1 ano com o mesmo empregador (se for empreiteira pode ter mudado de empresa), e tem o Shakai Hoken há mais de 1 ano também, tem direito a licença maternidade remunerada em 60% de seu salário normal, durante o período da licença. - O periodo de licença é de aproximadamente 98 dias,...

Amamentação durante a gravidez

Por Thais Saito Quando eu engravidei do João, a Melissa tinha 8 meses. Ela ainda mamava 5 vezes por dia, no mínimo. E eu comecei a ouvir que tinha que desmamar, que leite de grávida faz mal, que o bebê da barriga ia nascer minúsculo ou morrer na barriga. Aqui entra a minha pergunta: SERIA A NATUREZA TÃO IMPERFEITA, A PONTO DE FAZER UMA MULHER QUE AMAMENTA ENGRAVIDAR, sendo que isso oferece tantos "riscos"? Então vamos pensar aqui nos "riscos". - Leite de grávida faz mal. Não tem nenhum estudo que diga isso. Às vezes, o filho que mama sente um gosto diferente e pára de mamar, mas não faz mal. Às vezes, a mulher sente dores, porque o seio fica sensível, mas o leite continua não fazendo mal. As índias, as africanas, as mulheres paleolíticas, as amas de leite, as mulheres de antigamente, todas amamentavam mesmo grávidas. Imagina quanta criança teria morrido se leite de grávida fizesse mal? - Faz mal para o bebê da barriga. Muitas pessoas pensam assim porque acreditam ...

Sobre refluxo em bebês

por Rosana Oshiro Muitas mães, principalmente de primeira viagem, ficam assustadas quando vêem seus bebês "pondo para fora" todo o leite que acabou de mamar, algumas vezes até pelo nariz, e logo correm para um pediatra para saber qual é o problema. No Brasil os médicos logo dizem que é refluxo, e indicam medicação. Não sei como é aqui no Japão, mas vou, neste post, esclarecer sobre a questão do refluxo de forma a deixar as mamães mais tranquilas. Todo bebê tem refluxo. Todo. O sistema digestivo deles é imaturo, então é normalíssimo regurgitar. Esse é o refluxo fisiológico, o bebê golfa e tá beleza. Geralmente os bebês regurgitam bastante, porque ingerem mais quantidade de leite do que cabe no seu estomagozinho, afinal ele não tem noção de quantidade, e o estomago dele também, vai dilatando dia, após dia. Regurgitar é a coisa mais normal do mundo, e quando acontecer, a mãe deve estar atenta aos sintomas e quantidade de vezes que ocorrem o episódio. Normalmente os b...