27 de setembro de 2008

Crianças que choram demais...

O texto abaixo é de uma materna, lista da qual eu ja participo há cinco anos e onde aprendi e aprendo muita coisa sobre a maternidade, principalmente a me questionar.
Eu gostei muito, porque fala de uma realidade pela qual a maioria das mães passa.
Eu passei um pouco com minha primeira filha, e quando desencanei a coisa deslanchou.

Com o segundo filho foi um stress total, terrível mesmo, eu me sentia a pior mãe do mundo!
Foi quando aconteceu minha segunda cesarea, e eu me frustei demais...= (
No terceiro e quarto filhos, onde me realizei no parto, eu não tive problemas, a não ser os rotineiros, e tudo se normalizou.
O texto é longo, mas vale a pena ler com certeza!
bjo
Ro Oshiro

Meu primeiro filho chorava demais. Chorava dia e noite. Era uma coisa desesperadora. O único jeito dele ficar calminho era no colo, com a boca no peito. Tirava e ele chorava. Dia e noite. Noite e dia. Eu dormia sentada com ele no peito. Eu deitada de lado, com ele no peito.

Me sentia esgotada. E cada vez mais irritada com tanto choro. O esgotamento emocional era absoluto.

Alguns vizinhos com quem eu tinha mais intimidade chegaram a sugerir se talvez ele não estivesse passando frio ou fome. Não, ele não estava. O filho da vizinha do apartamento debaixo comentou que meu filho chorava demais. E eu me sentia esgotada.

G. sempre foi assim, chorão, deu muito trabalho. Hoje já é infinitamente menos (aos 2 anos e 3 meses) conseguimos conversar bastante e ele está a cada dia mais tranquilo. Mas até chegarmos aqui ele acordava de 1h em 1h de madrugada (e demorava seus 20min para voltar a dormir), era mau humorado, de cara fechada. Na escola diziam que ele seria executivo, como o pai. Queriam dizer, carrancudinho, como o pai.

Meu segundo filho já foi uma criança bem tranquila. Chorava realmente para mamar ou quando algo não estava bem. Dormia de três a quatro horas seguidas durante a noite e sempre foi de sorriso franco e farto. No começo um come e dorme. Em seguida, um boa gente. Hoje ele tem um ano.

Há duas semanas este meu pequeno, o B., entrou em uma crise de choro desesperadora. Não era a primeira que ele tinha, mas não era algo normal. Ele realmente parecia estar com um problema. Como sempre, fiz a inspeção: assaduras, barriga estufada, ouvido... o que será que está acontecendo? Ele estava arredio, se jogando para traz e com um semblante de muita dor e sofrimento. Dor aguda, como uma dor de ouvido grave. Dei remédio para gases e analgésico, na esperança que ele ficasse bem. Depois de alguns minutos ele dormiu. Na manhã seguinte ele foi para a escola e quando o peguei no final da tarde perguntei pelo comportamento dele: normal. Ué, se ele estivesse com o ouvido ruim, teria ficado manhosinho na escola. Aquela não era a
primeira vez que eu o entregava choroso na escola e elas me diziam que ele tinha passado o dia super bem e alegre.

Naquela noite, quando chegou a hora do B. ir dormir, ele começou a chorar, chorar, chorar, ficar vermelho, gritar e eu entrei em parafuso.

Naquele momento algumas fichas (que já estavam pairando na minha cabeça) começaram a cair.

Meu avô morreu há duas semanas e apesar de eu entender que aquilo era esperado, emocionalmente isto me abalou. Eu andava triste, com um bolo na garganta. Pouco chorei, mas estava bem para baixo, não estava bem.

Deitei com o B. na cama, procurei me acalmar e comecei a conversar com ele, calma e carinhosamente: Filho, você está chorando não é por você, é pela mamãe. A dor que você está sentindo não é sua, é minha. Fique tranquilo, está tudo bem. A mamãe está triste mas vai passar... etc etc etc.

Comecei a explicar para ele o que estava acontecendo, expliquei porque eu estava triste, garanti que tudo iria ficar bem, que tudo iria passar e que ele podia dormir calmamente que estava tudo em ordem.

Inacreditavelmente em menos de cinco minutos meu filho passou do desespero para o sono calmo e profundo. Aquilo me arrepiou.

Ai eu comecei um retrospecto e tudo para mim começou a fazer sentido...

Pena que perdi tanto tempo e causei tanto sofrimento aos meus filhos...

Hoje acredito que mãe e filhos ficam ligados animicamente por muito tempo. E neste período de forte ligação, o estado de espírito da mãe é sentido e vivido pelo filho, como se fosse dele. A nossa alegria, paz, ou tristeza e dor é sentida e vivida por eles que ainda não sabem bem qual a diferença entre a mãe e eles mesmos. Nós somos o parâmetro dos nossos pequenos, o termômetro das alegrias e perigos do mundo.

E fazendo uma retrospectiva, tudo isso faz muito sentido.

A gravidez do G., exceto por ele, no mais foi uma droga! Muita tensão, briga, medo, incerteza, falta de dinheiro, insegurança sobre o dia de amanhã, uma reforma enlouquecedora, ameaças de morte por parte de um pedreiro que trabalhou na obra, infinitas idas à delegacia, problemas, problemas.

Depois de tudo isso tive um trabalho de parto doloridíssimo de 43h. Eu sentia dor quando nem havia dilatação ainda. E foi muito cansativo.

Quando eu estava achando que a brincadeira tinha acabado (Batman, quanta ingenuidade!!!) ela estava só começando: quatro dias para o leite descer (e meu filho chorando de fome), depois peito cheiíssimo e dolorido, pega que doía (ou eu que estava muito sensível) e um menino que não me deixava descansar, só chorava, me mordia, chupava sangue e chorava mais um pouco.

Isto tudo foi me deixando cada vez mais descompensada, com RAIVA do meu filho, exausta, arrependida até o último fio do cabelo do dia que eu quis ser mãe, etc etc. O que, obviamente, só agravava a situação.

As coisas engrenaram mais após um tempo, me acostumei um pouco com a alta demanda do G., o peito deixou de doer depois de uns 20 dias, mas acho que meu filho ficou marcado com a gravidez tumultuada e com o começo horroroso que ele teve.

Quando engravidei do segundo (seis meses após o nascimento do primeiro), apesar de tudo eu e meu marido já nos esforçavamos por manter uma relação mais em paz. Nossos valores tiveram que mudar um bocado neste período e o casamento já era outro. Longe de ser perfeito, mas já era outro.

Consegui ter uma gravidez mais tranquila, com menos trabalho, desencanei da grana, não fiz reforma alguma e curti muito. Por curtir entendam simplesmente deixar a barriga crescer, sem pressa nem ansiedade.

No último mês de gravidez meu marido se afastou do trabalho e passávamos os dias juntos, caminhando para ajudar o bebê a descer, dormindo a tarde e fazendo passeios com o G.

B. nasceu em um parto muito mais fácil (apenas 24h, eh eh eh), mas onde eu consegui controlar a dor sozinha por mais de 18h, precisando de ajuda apenas nas últimas seis horas.

Ele nasceu, o leite desceu em 12h, ele mamada de golfar um monte, mamava e dormia, dormia, dormia.

Olhando para trás posso ver que as cólicas, as dores, os "issos e os aquilos" nada mais eram do que reações de meu filho às minhas dores e tristezas.

Sendo assim, recomendo às mamães que antes de dar funchicórea, luftal ou outro remédio aos bebês procurem ficar em paz, conversar com ele, ser sincera, chorar se tiver vontade, evitar ambientes carregados ou que tragam sentimentos ruins, procurar dar uma volta e arejar porque seu estado interno, hoje tenho certeza, se reflete no bebê.

bjs carinhosos

7 comentários:

andrea disse...

nossa que texto emocionante! minha bb tb fica chorona qdo eu to em estress, mas depois de ler isso bateu a certeza de que tudo se deriva do sentimento de nós mães...vou tentar ficar mais calma e conversar...muito obrigada!

cren disse...

Passei muito estress por conta da Manu nascer prematura e ficar na UTI neo, entretanto, neste período já pensava o quanto minhas emoções influenciavam no desenvolvimento da minha filha.Nesse período me mantive calma e confiante que ela iria passar por tudo muito bem. Quando veio para casa já estava preparada e ela quase não chora, só para avisar que tem cocô... ou soninho...
Agora com 4 meses já posso sair pelo quarteirão, slingando por aí.... feliz da vida!
bjs

Rodrigo & Redh disse...

Li o texto e me ajudou bastante a manter a calma... gostaria de postar outro dia o meu relato. Estou escrevendo primeiro com tempo! Quero agradecer pela oportunidade de compartilhar momentos tão delicados. Fiquem com Deus.

Fernanda Viscardi disse...

Rosana, muito obrigada por compartilhar! Este texto fez a diferença em nossas vidas por aqui, foi realmente incrível, de enlouquecidos com a dor e o choro de nosso bebê passamos a calmos, confiantes e o Teo... ouviu minhas palavras e dormiu, depois de mais de dois meses em crise... E pensar que tudo o que precisávamos era de um pouco de compreensão. Beijos agradecidos do fundo do coração!

Mônica disse...

Li o texto chorando. meu filho está me dando muito trabalho e eu me sinto tão sozinha e sem saber o que fazer.

Unknown disse...

Caramba, vi minha vida nas suas palavras. Da minha primeira filha foi assim mesmo, agora 7 anos depois estou com 11 dias hj da minha segunda filha.. E no começo foi muito difícil mas agora entendo que o estado emocional influência, entendo a maioria das coisas que estavam acontecendo.. Pois estava chorando muito e me sentindo só.. Quando mudei o pensamento e passei a me vê melhor, e sempre colocando na cabeça que é uma fase e vai passar as coisas fluíram e estamos bem. Mas ainda tenho um pouco de dificuldade, pois ela só fica acordada no peito!!

Gleicyara Silva disse...

Caramba, vi minha vida nas suas palavras. Da minha primeira filha foi assim mesmo, agora 7 anos depois estou com 11 dias hj da minha segunda filha.. E no começo foi muito difícil mas agora entendo que o estado emocional influência, entendo a maioria das coisas que estavam acontecendo.. Pois estava chorando muito e me sentindo só.. Quando mudei o pensamento e passei a me vê melhor, e sempre colocando na cabeça que é uma fase e vai passar as coisas fluíram e estamos bem. Mas ainda tenho um pouco de dificuldade, pois ela só fica acordada no peito!!

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