2 de setembro de 2008

Como é a dor do parto?

Muitas mulheres, senão todas, logo que engravidam, ficam cheias de dúvidas sobre os sintomas da gestação, e sempre que possível, questionam seus médicos sobre essas dúvidas. A maioria dessas questões é sanada geralmente com as respostas de praxe.

Existem ainda as preocupações com: o enxoval, o nome da criança ou se vai ser menino ou menina.

Mas existe uma questão, que eu acredito que seja a que mais deixa as futuras mamães ansiosas e nervosas: COMO É A DOR DO PARTO?

Pensando aqui com "meus botões", tudo o que não se traduz em palavras, geralmente são coisas que só é possível experimentar pela experiência pessoal, como por exemplo: o amor e a fé em Deus. É assim que encaro a dor do parto: como uma experiência de vida intensa, transformadora e única!

Não posso dizer que parto não doa, porque dói sim, mas não é como uma dor de dente ou a dor no rim (que alguns dizem que é como a dor do parto...huahuahua) é uma dor de abertura do corpo, quando ossos, músculos, carne, sangue, hormônios, tudo trabalha perfeita e harmonicamente para a chegada de um ser humano no mundo. É a natureza humana!

Tenho aqui, alguns aspectos sobre a dor do parto, que considero importantes, e que acredito que sirvam para informar e tranqüilizar aquelas que vão se passar pela experiência do parto pela primeira vez.

CONTRAÇÕES
Muitas mulheres não sabem como é uma contração, sendo que todas tem contrações de Braxton Hicks durante toda a gestação.

A contração é aquele momento em que a barriga fica dura, muito dura, e dependendo da posição do bebe, pode-se sentir uma dorzinha incomodando. Basta colocar a mão na barriga que dá para sentir que ela está dura. Isso é contração.

Existe uma tabela com o número de Braxton Hicks que é normal a mulher sentir durante cada semana de gestação:

Contratilidade uterina durante a gravidez (Fescina e col., 1984): Número de contrações/Hora/Semana (o máximo ainda dentro da normalidade):

26 semanas: 1
27 semanas: 3
28 semanas: 5
29 semanas: 7
30-33 semanas: 8
34-38 semanas: 9

A contração do trabalho de parto vem acompanhada de dor nas costas (na lombar) ou no “pé da barriga”, isso depende da posição do bebê. Ela é como uma onda: começa com uma dorzinha fraca que vai ficando forte, alcança um pico e fica fraca de novo. Muitas vezes é como uma cólica que vem e vai...

A contratilidade uterina durante o parto tem duração de até 90 segundos, com uma freqüência de até 5 / 10 min e um intervalo intercontratural de até 1 minuto.

É importante lembrar que se forem respeitadas as vontades da mulher nesse momento, sua livre movimentação e ter consigo uma companhia que ela deseje, a sensação da dor é bastante amenizada, e geralmente a mulher tem uma contração forte e outra mais fraca, porque o corpo é "sábio" e vai intercalando conforme a necessidade.

Existem também uma série de formas de amenizar a dor com técnicas não-farmacológicas (chás, banhos, movimento, massagem, música, etc.) para a fase de dilatação.

Outro aspecto importante é que o conceito de dor é diferente para cada ser humano por isso não adianta se preocupar com a dor antes da hora, porque cada pessoa sente diferente.

FASES DO TRABALHO DE PARTO
É preciso saber que o trabalho de parto possui quatro fases distintas:
LATENTE, ATIVA, TRANSIÇÃO E EXPULSÃO.

FASE LATENTE: de 1 a 4 cm de dilatação.
É a fase em que a mulher começa a sentir as primeiras contrações, o momento em que o colo começa a se afinar e abrir (dilatação).

As contrações são espaçadas a cada 10 minutos, mais ou menos, e duram cerca de 30 segundos. (Deve-se começar a contar o inicio do TP quando ficar mais de uma hora nesse ritmo)

Pode ocorrer um pouquinho de sangramento genital ou sair um muco meio amarelado como catarro, que chamamos de tampão mucoso.

Algumas mulheres sentem vontade de ir ao banheiro a todo momento, outras sentem náuseas, outras nada sentem, isso varia muito de pessoa para pessoa.

A dor nesse momento é suave, concentrando-se na respiração e relaxando, é possível descansar um pouco para o próximo período, inclusive tirar alguns cochilos. (que farão muita diferença no fim do processo de parto)

Pode-se também utilizar chuveiro, banheira e bola de pilates para aliviar a dor das contrações, o que ajuda bastante!

É importante também, alimentar-se com coisas leves e que dêem energia, como um chocolate, por exemplo, e beber muuuuuuuita água!

FASE ATIVA: de 4 a 8 cm.
Nessa fase a mulher começa a sentir-se incomodada com as posições em que fica, já não consegue mais ficar parada por muito tempo, e é MUITO IMPORTANTE que se movimente para a dilatação ocorrer mais facilmente.

Existem uma série de posições e exercícios para ajudar nessa fase, vejam alguns exemplos de posições abaixo:



O mais importante é guiar-se pelo instinto e procurar as posições que mais lhe agradem, lembrando-se de beber muita água também nesse período.

As contrações ficam menos espaçadas, chegam a 3 em 3 minutos e com duração de 40 a 50 segundos.

Lembrando que esse é um processo de parto natural, ou seja, sem indução com ocitocina sintética.

FASE DE TRANSIÇÃO: 8 a 10cm.
Nessa fase é o momento em que as contrações ficam mais fortes e numa seqüência "frenética".

Geralmente, é o momento em que as mulheres pedem "arrego", dizem que não vão agüentar mais e tal.

Isso ocorre porque o organismo libera hormônios como a adrenalina, que fazem-na sentir medo, sono, tremedeira, (dentre outras coisas como defecar e urinar muitas vezes), tudo ao mesmo.

Esse período é muito curto, dura de 30 a 40 minutos e logo em seguida a mulher já estará na fase expulsiva.

FASE DE EXPULSÃO (EXPULVIVO): 10 cm de dilatação!

Geralmente as mulheres quando são informadas que estão com 10 cm sente-se vitoriosas. Isso é muito bom. Porém, saibam que o expulsivo pode demorar ainda algumas horas, se o processo natural for respeitado.

A dor nessa hora fica diferente, um pouco mais tranqüila às vezes, até que a mulher começa a sentir os puxos, que é a vontade de fazer força, como se fosse defecar, o que pode acontecer inclusive, pois é totalmente normal.

O puxo vem instintivamente, naturalmente, sem que seja necessário nenhum médico ou enfermeira ficar comandando-lhe para fazer ou até utilizando outros recursos ou manobras.

Infelizmente, em muitos casos, não é respeitado esse tempo do corpo da mulher e ela acaba sendo "comandada" a fazer força e passa por episiotomia desnecessária para adiantar o trabalho dos médicos, mas isso é assunto para outro post...

Quando vem a vontade de fazer força o processo fica mais tranqüilo e se a mulher for "deixada em paz", o expulsivo pode ser muito rápido.

Bem, para terminar é fundamental que para aceitar a dor, a mulher tenha a informação de que DÓI sim, muito além da imaginação. Mas se você está preparada pra ela, você a verá como a força das deusas. Uma aliada para trazer seu filho ao mundo!

Acredite que dói e que essa dor faz parte do processo, porque essa dor é o seu corpo trabalhando junto com o corpo do bebê, e que essa dor é necessária para você parir seu filho por uma questão evolutiva: caixas cranianas para conter cérebros pensantes grandes demais, para nossas bacias de bípedes. É só isso.

É completamente diferente da dor ignorante, da dor da religiosa que acredita estar pagando pelos pecados de Eva, da dor sofrimento das mães que "não querem isso para suas filhas" e lhes recomendam a maravilha moderna da cesárea.

Eu defendo a dor compreendida e compartilhada, defendo e vejo-a como a DOR DA VIDA E DA TRANSFORMAÇÃO!

A dor que eu defendo é a da mulher consciente de que quer parir seu filho, que acredita na própria fisiologia, que acredita poder ser bem sucedida. Essa convicção vai ajudar-lhe a compreender a função da dor e suportá-la, mesmo gemendo, gritando, urrando e no final regozijando-se e NASCENDO junto com seu filho como MÃE E UMA NOVA MULHER!

PS: Quer saber como é a sensação da dor? Leia o texto da Katia Barga: O parto normal e a montanha russa
PS2: Quer assistir um trabalho de parto e parto ao vivo pela internet para entender melhor o processo de parto? Siga-me em meu novo blog: "Empoderando"

7 comentários:

Simone disse...

Acabei de ver o link no blog da Thá. Não sabia do blog. Que legal! parabéns

Rosana Oshiro disse...

oi Simone! arigato ne! hahahaaha
beijo!

Anônimo disse...

muito bom vamo ver se vai me ajudar mas de qualquer forma muito obrigado

Andressa disse...

ótimo post!!! Estou de 7 meses e é minha primeira filha. Estou cada dia mais ansiosa!

Nerd de Batom disse...

Se o seu post não havia sido fantástico o suficiente, a conclusão dele foi maravilhosa. Muito obrigada por todo o conhecimento e informação aqui partilhados. Com certeza me ajudarão muito nessa jornada. Obrigada do fundo do meu coração!

maria alyne viana silva disse...

Estou de 35 semanas e estou anciosa pra chegar a hora do parto, mas ao mesmo tempo fico com medo !
Este post me ajudou a ver que vai doer muito mas com tranquilidade e concentracao voce nao se arrependerar do esforco !
Mamae esta te esperando Emanuelle!

maria alyne viana silva disse...

Estou de 35 semanas e estou anciosa pra chegar a hora do parto, mas ao mesmo tempo fico com medo !
Este post me ajudou a ver que vai doer muito mas com tranquilidade e concentracao voce nao se arrependerar do esforco !
Mamae esta te esperando Emanuelle!

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