28 de fevereiro de 2011

Como se manter sexualmente ativa na gravidez de forma saudável

por Rosana Oshiro

Confira aqui algumas dicas para se manter sexualmente ativa na gravidez de forma saudável. Ioga e pilates, além de outros exercícios, podem auxilar as futuras mamães.


Até três meses
- Ioga e pilates ajudam a educar a respiração para o parto normal. O trabalho postural evita desconfortos na lombar
- O desejo sexual pode aumentar devido à maior vascularização na região pélvica
- É possível praticar quase todas as posições, desde que não se faça muita força
no colo do útero

Cuidados
- Sedentárias não devem começar atividade física
- Mesmo para quem fazia atividades antes, os médicos recomendam que parem nas primeiras 12 semanas ou diminuam a intensidade até o terceiro mês de gestação
- Quem já sofreu abortos anteriores ou ameaças deve evitar relações sexuais nas primeiras 22 semanas

Três a seis meses
- Quem não praticava exercícios antes deve começar agora. Atividades como caminhadas, pilates, ioga, natação e hidroginástica são recomendáveis
- A ioga trabalha os músculos perineais, com exercícios de contração e relaxamento. Além de desenvolverem uma musculatura fundamental para o parto normal, os exercícios aumentam a irrigação na região, estimulando os órgãos genitais
- Pilates desenvolve os músculos internos da coxa, região que ajuda a mulher na hora do parto natural

Cuidados
- Para evitar que o bebê nasça prematuro, quem sofre de uma incontinência do colo do útero não deve ter relações sexuais
- Além de ser incômoda, a chamada posição papai-mamãe (o homem sobre a mulher) é arriscada por diminuir a pressão arterial

Sete a nove meses
- Reduza atividades físicas, dando ênfase aos alongamentos, que ajudam a evitar dores na região lombar
- Se o bebê estiver sentado, posturas da ioga, como a meia-ponte (em que a mulher levanta só o quadril) e a meia-invertida sobre os ombros (pés apoiados na parede, cabeça e os ombros no chão, levantando o quadril), ajudam-o a se virar
- Sexo é recomendado. Segundo os médicos, a prostaglandina, substância contida no sêmen, e a ocitonina, liberada durante o orgasmo feminino, ajudam a acelerar o trabalho de parto

Cuidados
- Quem começa a ter dilatações no sétimo mês não deve ter relações sexuais. Como o útero se contrai no ato sexual, há o risco de provocar o trabalho de parto prematuro
- Até o final da gravidez, as posições mais indicadas são as em que o casal fica deitado de lado. Em pé é perigoso, pois pode diminuir a irrigação sangüínea e fazer com que a pressão da mulher caia

Fontes: Carmita Abdo (Projeto Sexualidade da USP), Cristina Balzano (do GAMA),
Maria Lúcia Santos (Academia Manoel dos Santos) e Rosana Simões (Ambulatório da
Sexualidade Feminina da Unifesp)

Reportagem publicada em 22 de junho de 2008 na Revista da Folha

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27 de fevereiro de 2011

10 Passos para se evitar uma cesárea

A autora deste texto é Angela England. Aqui ela expõe razões para se evitar uma Cesárea e passos a serem tomados a fim de minimizar a probabilidade de um parto cirúrgico.

1-) TENHA UMA BOA NUTRIÇÃO DURANTE A GRAVIDEZ
Quando você e seu bebê estão saudáveis, suas probabilidades de gravidez de alto risco caem significativamente. E quando você tem uma gravidez de “baixo risco”, você tem mais opções, em termos de intervenções, para evitar durante o trabalho de parto, reduzindo seu risco de Cesárea. Coma bastante carboidrato saudável, especialmente nas últimas semanas, assim você terá de onde tirar energia durante o trabalho de parto. Informe-se sobre dietas que podem previnir pre-eclâmpsia e a toxemia gravídica (doença hipertensiva específica da gravidez), problemas que implicam gravidez de alto risco.

2-) SAIA DA CAMA!
Você está em trabalho de parto, e não doente. Mulheres que ficam ativas durante o trabalho de parto demonstram ter trabalhos de parto mais rápidos, partos mais confortáveis, menos uso de fórceps, melhores habilidades para lidar com a situação (quando verificada pela quantidade de medicamento para dor administrada), e geralmente se sentem mais em controle do que mulheres que permanecem na cama durante o trabalho de parto. Certifique-se de que a política interna do seu hospital não impossibilitará que você caminhe, se sente ou fique de cócoras. Muitos hospitais tentarão fazer com que você consinta um constante Monitoramento Fetal Eteltrônico, o que dificulta sua livre movimentação. A administração de rotina de fluidos intravenosos, outra intervenção comum em muitos hospitais, também pode impedir a mobilidade de uma mulher. Discuta, com atencipação, estes pontos com seu médico, assim você saberá o que esperar e terá como garantir sua cooperação.

3-) PERMANEÇA EM CASA O MÁXIMO POSSÍVEL DURANTE O TRABALHO DE PARTO
A primeira fase do trabalho de parto é a mais longa, especialmente para as primigestas. Você se sentirá mais confortável e menos estressada no ambiente da sua casa e o nível da sua dor será mais baixo em casa do que no hospital. Permanecer em casa durante a primeira fase do trabalho de parto também a ajuda a evitar intervenções desnecessárias como jejum forçado, fluidos intravenosos de rotina e constante Monitoramento Fetal Eletrônico, os quais aumentam suas chances de parto cesareano.

4-) SE POSSÍVEL, EVITE INDUÇÃO
Estudos provam que, na média, a mãe de primeira viagem tem um período gestacional de 41 semanas e um dia. De acordo com a pesquisa, você não está pós-data até que você complete 42 semanas. Verifique com seu médico se uma indução que possa estar em vista é absolutamente necessária. Muitas induções falham pela simples razão de que o bebê ainda não estava pronto. Na verdade, os trabalhos de parto medicamente induzidos estão associados a um aumento na taxa de Cesáreas três vezes maior do que aqueles iniciados naturalmente.

5-) COMA E BEBA À VONTADE DURANTE O TRABALHO DE PARTO
Esta é uma área na qual a política interna de muitos hospitais “batem de frente” com o que as pesquisas afirmam ser a verdade. Estudos recentes demonstram que mulheres que tem a liberdade de comer e beber à vontade durante o trabalho de parto (a maioria das mulheres pediram comida durante a primeira fase do trabalho de parto e todas pediram líquidos durante todo o processo) tiveram trabalhos de parto mais rápidos, demandaram menos Pitocina (o aumento da dose de Pitocina eleva significantemente o risco de Cesareana), tiveram bebês com Apgar mais alto e menos problemas metabólicos ou de glicose elevada, sentiram-se mais em controle e requiseram menos medicações para a dor (as quais aumentam o risco de Cesareana também). Não houve diferença no número de mães que sentiram náuseas durante o trabalho de parto.

6-) REQUEIRA MONITORAMENTO FETAL INTERMITENTE
Evite constante Monitoramento Fetal Eletrônico, uma vez que seu uso tem demonstrado aumentar drasticamente a taxa de cesáreas e não contribuir em nada para o bebê, até agora. Contrariamente ao esperado, quando Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas terminou sua análise sobre o uso do Monitoramento Fetal Eletrônico durante trabalhos de parto, constatou que não apenas não beneficiava o bebê, como, na verdade, causava um maior índice de partos com intervenção (tanto vaginais, com o uso de fórceps e extrator, como cesáreos). Em resposta a essa evidência, eles alteraram sua recomendação para monitoramento intermitente a cada 15 minutos durante o trabalho de parto ativo, e, a cada 5 minutos durante o segundo estágio (estágio expulsivo). Isto significa que, em vez de estar constantemente amarrada a uma máquina, eles recomendaram que uma enfermeira venha, a cada 15 minutos, checar os batimentos cardíacos do bebê e seus sinais vitais. Isso reduz dramaticamente o risco de nascimentos cirúrgicos.

7-) SE NECESSÁRIO, ESTIMULE O TRABALHO DE PARTO NATURALMENTE
Se seu médico crê que suas contrações não estão fortes o suficiente, há muitas maneiras de estimular o trabalho de parto naturalmente. Muitos médicos, para estimular contrações mais fortes, automaticamente usam Pitocina, uma forma sintética do hormônio ocitocina, que seu corpo produz naturalmente. Contudo, os riscos associados à Pitocina são muitos. Dentre eles: contrações mais fortes, mais longas e mais dolorosas, o que implica um aumento do uso de medicamento contra a dor, sofrimento fetal e distocia (dificuldades encontradas na evolução de um trabalho de parto), que aumenta o risco de parto Cesáreo. Se você precisa estimular seu trabalho de parto, tente usar o banheiro, caminhar, ou estimular os mamilos. A estimulação dos mamilos naturalmente liberará ocitocina no seu corpo, não somente fazendo com que as contrações fiquem mais fortes, mas também provendo endorfinas naturais que aliviam a dor, um benefício que a Pitocina sintética não oferece.

8-) FAÇA USO DE MEIOS NATURAIS PARA LIDAR COM A DOR
Não há qualquer droga usada para alívio da dor durante o trabalho de parto que não traga consigo riscos de, adversamente, afetar o bebê. Muitas, inclusive a peridural, também acarretam um aumento no número de Cesáreas. Há muitas formas de alívio natural da dor que podem ser utilizadas no trabalho de parto, as quais serão brevemente listadas a seguir. Lidar de maneira bem sucedida com o trabalho de parto sem o uso de drogas pode ser conseguido através da presença de uma doula, massagem, água, terapia de calor, mudança de posicões, música, luz suave, micção frequente, vocalização, vizualização, hipnose e encorajamento verbal dos que estão por perto.

9-) ESCOLHA CUIDADOSAMENTE O SEU MÉDICO
Assim como em qualquer outra área, há bons e maus profissionais. Se você soubesse que seu amigo levou o carro a um determinado mecânico que o desestruturou financeiramente com um conta absurda, e a mesma coisa aconteceu com um colega de trabalho, você fica “com um pé atrás”, e com razão! Então, faça perguntas. Discuta suas opiniões, desejos e preocupações com seu médico. Descubra qual a sua taxa pessoal de cesáreas, uma vez que esta pode variar dramaticamente de profissional para profissional. Descubra quais intervenções ele considera “de rotina”, e quão flexível ele está para atender aos seu desejos. Lembre-se, é o seu corpo e sua responsabilidade, portanto, não se sinta constragida de perguntar o que quiser. Tradicionalmente, parteiras tendem a ser mais holísticas em sua conduta do que um obstetra, contudo, isso não é regra. Informe-se e não tenha medo de trocar de médico, caso, em algum momento, não se sinta confortável.

10-) CONSIDERE VABC (PARTO NORMAL DEPOIS DE CESÁREA) SE VOCÊ TIVER TIDO UMA CESÁREA ANTERIOR
De novo, muitos hospitais adotam uma política contra VABC, contudo, a Organização Mundial da Saúde recomenda permitir o VABC para se evitar uma segunda cesárea que seria desnecessária. Mais de 75% das tentativas de VABC são bem-sucedidas. Então, certamente isso pode ser feito.

Este texto original está no site americano http://www.associatedcontent.com/article/74575/how_to_avoid_a_cesarean_ten_steps_to.html?cat=52.

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26 de fevereiro de 2011

Entrevista da Gisele Bundchen sobre seu parto natural

Eu já era fã dela porque acho-a linda e única! ;)

Apaixonei depois que vi essa entrevista dela sobre seu parto natural domiciliar.

Divulguem!


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25 de fevereiro de 2011

O trabalho de parto por dentro em 3D

Essa animação em 3D mostra exatamente como ocorre o processo do trabalho de parto dentro do útero da mulher.

Ao começar as contrações de TP (trabalho de parto) o utero "empurra" o bebê em direção ao canal do parto.

A partir do minuto 1:00 do video, vemos a saída do tampão mucoso que é o primeiro sinal de que o trabalho de parto irá começar. O tampão mucoso pode sair aos poucos e muitos dias antes do parto, por isso nada de preocupação se começar a "perder" o tampão. Isso é apenas um sinal de que o dia P (do parto) está perto e que seu colo está dilatando.

A partir do minuto 1:05 a bolsa de aguas se rompe e a mulher começa a perder liquido aminiótico, o que pode ou não acontecer, e é absolutamente normal em ambos os casos.

Algumas pessoas pensam que se a mulher começa perder liquido o bebê ficará sem nada de água dentro do utero e poderá morrer, mas isso não é verdade. É possível ficar até 72 horas com bolsa rota, porque a cabeça do bebê funciona como um tampão e o liquido sai aos poucos.

Nesse caso é importante hidratar-se bem durante o TP apenas.

Se o liquido estiver sem mecônio espesso, e os sinais do bebê e estado geral da mãe estiverem ok, não há problemas, pode-se esperar a progressão do parto tranquilamente.

No hospital é possível é administrar antibiótico intravenoso na mãe para o caso de uma infecção, porque com a ruptura da bolsa, o bebê fica exposto a bactérias.

Não é regra a bolsa romper no inicio do trabalho de parto, alguns bebês nascem com a bolsa no rosto, sem romper, existem até casos em que o bebê nasce envolto na bolsa intacta, e isso não representa risco ou problema algum.

O rompimento artificial da bolsa d'aguas só deve ser feito se a mulher estiver a muito tempo com dilatação total, cansada e sem o bebê descer. Isso pode ajudar a descida dele.

O restante do video fala por si só. Enjoy! ;)


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22 de fevereiro de 2011

O parto é seu e de mais ninguém!

Em minha militancia pelo Parto Humanizado nesses anos em que conheci o movimento, tenho lido tanta coisa, visto tantas situações de luta de mulheres que acabam em partos traumáticos, cheios de intervenções e muitas vezes em cesáreas desnecessárias e frustantes e ficava me perguntando: O que falta para essas mulheres alcançarem a realização em seus partos? O que eu, com minha experiência de vida, minhas cesareas e tentativas de partos normais frustadas, meus VBAC's poderia dizer/fazer para ajudar?

Daí pensei, pensei, pensei e cheguei a conclusão de que a vontade, em primeiro lugar, tem que vir da mulher, tem que vir de dentro de cada uma,  porque sendo assim, a mulher corre atrás e se empodera, e com seu empoderamento é que realmente ela descobre, reconhece, vivencia, assume e faz uso do seu próprio poder de escolha.

Ás vezes o empoderamento vem de dentro da gente, mas eu acredito que em geral, a experência positiva que outras pessoas tiveram é que mais nos ajuda a acreditar que também somos capazes, nos ajuda empoderar também.

Quando eu engravidei novamente, senti que poderia mostrar como é a experiência de um Parto Humanizado para quem não conhece, e dessa forma poderia mostrar como é parir em casa, sem drogas, com meu companheiro me doulando, sem intervenções, com muito carinho e apoio verdadeiro ao parto natural.

A princípio eu teria uma parteira, mas as leis japonesas na minha cidade, não permitem que esse tipo de profissional acompanhe partos domiciliares após cesareas, então fiquei sem assistência, mas mesmo assim não desisti.

Meu propósito não é encorajar o parto desassistido, meu propósito é fazer as mulheres lutarem por seus partos, irem atrás de pessoas que possam lhes ajudar, conversarem, explicarem, mesmo tendo dificuldade com idioma (no caso de quem está no Japão) ou reclamarem formalmente com suas seguradoras de saúde sobre a falta de boas opções na lista do convênio (no caso do Brasil).

É esse meu propósito: Empoderar! Porque o parto é da mulher e de mais ninguém!

É uma experiência única na vida, que você não poderá viver nunca mais, então não permitam que lhe roubem isso.

Conheçam mais sobre o projeto e a transmissão do meu parto através do blog Empoderando.

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21 de fevereiro de 2011

Porque os bebês choram?

Por Adriana Guimarães

Bebês choram por taaaantas razões!

Eles não sabem falar, então QUALQUER incômodo que sintam, se manifesta através do choro.

Então, as traduções são mais ou menos essas:

-"mamãee, tou com frio!" = BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

-"mamãeeeee, tou com vontade ficar no peito mamando beeem devagarinho para
não sair de perto de você" = BUAAAAAAAAAAAAAAAA

-"mamãeeeeeeee, estou me sentindo mal, mas não sei o que é!" =
BUAAAAAAAAAAAAAAAAAA

-"mamãeeeeeeeeee minha barriga tá doendooo!" = BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

-"mamãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee eu quero ficar no colo jáaaaaaa, porque estou
acostumado na barriga
quentinha e acabei de sair de lá!" = BUAAAAAAAAAAAAAAAAA

-"mamãe eu estou sentindo você meio nervosa. porque você não está brincando
comigo??" = BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAA

-"mamãe eu estou com muito sono, mas não quero dormir porque me dá a
impressão de que você foi embora quando eu durmo!" -
BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Logo, se o seu bebê está chorando, pode ser absolutamente qualquer coisa e não necessariamente fome.

E se alguém te sugeriu que seu leite é fraco, esse, a gente sabe que não existe, né?

Todo leite de mãe é vitaminado, completo, poderoso e forte.

Isso se a mãe for rica, pobre, classe média, vegetariana, onívora, safada, santinha, bonita ou feia, inteligente ou tapadíssima.

Fique segura disso!

Seu leite está ok, e seu bebê só deve estar precisando mais de você e de sua atenção. ;-)

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20 de fevereiro de 2011

Por que a cesárea PARECE mais segura?

O texto serve para nos questionarmos sobre nossas escolhas na atual sociedade em que vivemos, especialmente, sobre a escolha da forma como traremos nossos filhos ao mundo.


Foi escrito por uma materna especial, Thais Stella, que é ativista do parto humanizado no Brasil.
Boa leitura!

Apesar de todas as evidências apontarem para maior segurança de um parto normal, no imaginário popular, a cesariana é que é mais segura e não tem riscos. Ou os riscos são insignificantes em vista da segurança de, supostamente, "ter tudo sob controle". Freqüentemente, nos deparamos com frases do tipo: "Não queira arriscar a vida do seu bebê pela vaidade de um parto normal a qualquer custo..."
Gostaria de questionar um pouco os motivos que levam ao sentimento de falsa segurança da cesárea. Começo elencando algumas situações, e o que as pessoas pensam e dizem diante delas:

Situação 1 - O bebê que infelizmente morreu no parto.
a) Se foi normal: Tá vendo? E essas "radicais" ainda ficam defendendo o parto normal. E essa mãe, que ficou insistindo no parto normal? Assassina! Negligência Médica! Se tivesse feito cesárea, a criança estaria viva!
b) Se foi cesárea: Que pena. Os médicos fizeram tudo o que podiam, mas infelizmente a criança morreu...
Fatalidade.

Situação 2 - O bebê que nasceu muito, muito mal, mas se recuperou:
a) Se foi normal: Tá vendo? Ficou insistindo num parto normal, olha aí no que deu! A criança quase morreu! Irresponsável! Devia ter feito logo uma cesárea!
b) Se foi cesárea: Olha só como a criança nasceu mal. Graças a Deus que foi cesárea! Se na cesárea já nasceu mal desse jeito, se tivesse insistido no parto normal, a criança teria morrido, com certeza!

Situação 3- O bebê nasceu bem!
a) Se foi normal: Ué, é o normal.
b) Se foi cesárea: Tá vendo? Meu filho nasceu de cesárea e está ótimo! Essa história de riscos da cesárea era tudo mentira, olha só que lindo o meu filho...

O que quero mostrar com isso? Que, na representação social, a cesárea NUNCA pode estar errada. Se a criança morre ou nasce mal, na cabeça de muitas pessoas, a culpa nunca terá sido da cesárea. Já se for parto normal...


Mesmo quando a falha é da assistência e não da via de nascimento, logo o fato trágico é usado para ilustrar o perigo do parto normal. Fazendo isso, usamos de dois pesos e duas medidas para avaliar os procedimentos. Como, então, poderemos ter uma opinião isenta desse jeito?

Mas não é só isso. Há o vasto lugar desconhecido dos medos inconscientes e elaborações pessoais. Não é fácil se livrar de uma cultura que aprendeu a associar parto normal com dor e sofrimento, após gerações e gerações que sabiam muito pouco a respeito do funcionamento do próprio corpo. A menos que nos embrenhemos nessa busca, em nenhum momento da nossa vida temos condições de ter acesso a informações ricas sobre esse nosso corpo funciona na hora do parto. Então, não conheço nenhum assunto onde se propaguem tantos mitos, preconceitos, idéias confusas... E, consequentemente: medo, muito medo.

Estar com 40 semanas de gestação é estar cara a cara com o inominável desconhecido: é estar diante de uma situação de vida ou morte. Cesárea ou normal, existe o risco. Diante dele, ainda que não queira, toda mulher se posiciona. Assume os riscos que prefere correr, em detrimento de outros. Dar à luz é ter, pela primeira vez, que elaborar o principal papel de todas as mães: Deixar seu filho ir. Isso dói. Física e emocionalmente. Ter que ajudá-lo na passagem para uma vida independente. Isso acontece quando ele nasce, quando ele desmama, quando aprende a andar, quando vai à escola. A cada passo, a dor de uma pequena separação. Mas o parto é a primeira vez. A partir dele, nunca mais poderei ter a proximidade de sentir cada pequeno movimento do meu bebê, controlar tudo o que ele come, saber sempre exatamente onde ele está. Daí pra frente, tudo o mais será um risco: Como fazer pra ser uma boa mãe? Como "pegar o jeito" de amamentar?

Como fazer pra não deixar faltar carinho pra ele e ao mesmo tempo dar conta de todos os outros papéis sociais que tenho? Existe carinho demais, ou quanto mais melhor? Como dar conta de transformar esse pequeno ser numa pessoa feliz e digna?
São tantos desafios... Cada um traz um novo medo, uma nova superação...

Mas, sabem, eu me entristeço quando vejo uma mulher grávida que, por medo, não acredita em si mesma. Que fica triste quando o médico diz que ela precisa fazer cesárea porque seu corpo não dará conta de ter seu filho sem precisar de intervenção cirúrgica. Mas, mesmo triste, ela se submete. E ainda defende e justifica, como sendo dela, uma limitação que na verdade ela não tem. Eu a vejo como um pássaro lindo que, mesmo tendo duas asas perfeitas, permitiu-se acreditar que não voa, e assim não poderá jamais conhecer a imensidão e beleza do céu...

Não preciso que acreditem em tudo que digo. Gostaria apenas que todas as grávidas se perguntassem: E se realmente isso for assim tão belo? E se eu realmente POSSO, SOU CAPAZ de vivenciar essa experiência extraordinária?

Será que não vale a pena o esforço de pelo menos procurar uma segunda opinião, de questionar o meu médico até me sentir esclarecida, de ir um pouco mais longe da minha casa...?

Meu filho só vai nascer uma vez...

Há um significado profundo em um parto... A perfeição de podermos, pela primeira vez, eu e meu filho, ter a cumplicidade de confiar, de contar um com o outro para abrir os caminhos do meu corpo, em direção à vida feliz que ele terá...

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19 de fevereiro de 2011

Posições para parir

Estamos tão acostumadas a ver os partos das novelas que pensamos que posição de parir é deitada na maca com o medico ou enfermeiros a frente esperando o bebê sair, mas na verdade não é!

Existem várias posições para o parto e a melhor delas é aquela que a mulher escolhe no momento do seu parto, porque o parto é dela!

O fato é que a posição deitada é aquela que facilita SOMENTE o trabalho do médico, com raras excessões.

Os partos podem acontecer com a mulher:
1. Deitada de costas ou semi-reclinada (45°)
2. De cócoras (temos algumas variações, vide a imagem abaixo)
3. De quatro (a melhor na minha opinião porque dói menos...rsss)
4. Deitada do lado
5. De pé, segurando-se a uma haste, uma árvore, uma corda presa no teto ou pendurada nos ombros do marido



Essas posições verticais facilitam a descida do bebê e a saída também, tornando o expulsivo mais rápido e tranquilo, por causa da ajuda da gravidade.

A posição deitada vai contra a lei da gravidade, além de facilitar a laceração ou fazer com que o médico decida mais facilmente pela episiotomia (corte do perineo) e causa mais dor e uma pior recuperação pós-parto na maioria dos casos.

Agora eu pergunto: Você teve opção de escolher a melhor posição de parir ou não?
Se vc pariu deitada, na posição ginecologica, o que você achou?

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18 de fevereiro de 2011

Humanização e Assistencia no Parto

O principal motivo por que devemos falar sobre este assunto é esclarecer sobre o fato de todas as mulheres terem direito a um atendimento hospitalar humanizado na hora do parto. Embora isto pareça óbvio, a verdade é que — como uma das conseqüências da falta de informação quanto a seus direitos e mesmo quanto às alternativas existentes — a maior parte da população feminina submete-se, sem qualquer questionamento, às condutas médicas que lhe são impostas na hora de dar à luz aos seus bebês.

A idéia do parto humanizado é fazer com que o parto, geralmente objeto de medo e tensões, siga a ordem natural das coisas, obedecendo ao ritmo e às necessidades específicas do corpo de cada mulher, com os profissionais de saúde interferindo o mínimo possível durante o processo de a mãe trazer uma criança ao mundo.

Este procedimento se opõe à mentalidade que defende a massificação do atendimento à gestante e ao recém-nascido, ou seja, à padronização de condutas que objetivam facilitar e apressar o nascimento dos bebês, o que contribui para o aumento de cesarianas e de outras intervenções cirúrgicas desnecessárias na maioria dos hospitais.

Aqui no blog e no grupo da materna, queremos trazer informações que, reforçadas em diversos lugares e levando em consideração as características de cada uma, podem se tornar bastante esclarecedoras, especialmente para mulheres brasileiras aqui no Japão, que, na maior parte das vezes, encaram os profissionais de saúde como pessoas diante das quais devem se sujeitar e não fazer perguntas, aceitando condições que muitas vezes as agridem física e psicologicamente. Sem contar da dificuldade que encontram com o idioma japonês. Estas pessoas devem ser orientadas no sentido de se fazerem ouvir e respeitar, qualquer que seja o ambiente em que se encontrem e, de modo muito especial, durante o atendimento hospitalar à mulher gestante e em trabalho de parto.

Estamos focadas a ajudar a todas, na área Maternidade Japão!

O que está em discussão é o parto humanizado, que é diferente do parto convencional.

No parto convencional, a mulher é conduzida pela equipe de profissionais de saúde, submetendo-se a procedimentos que podem agredir sua integridade física e emocional, e, às vezes, até mesmo prejudicar sua saúde e a saúde do seu bebê. Exemplos não faltam, e certamente podem ser encontrados em qualquer comunidade onde o vídeo seja apresentado, como a prática de cesarianas, o uso de fórceps e de outras condutas julgadas desnecessárias.

As mulheres devem ser estimuladas a narrar suas experiências umas para as outras, pois isto fortalecerá não só a consciência sobre si mesmas, como estreitará as relações entre as mulheres do grupo.

Apresentando o parto humanizado como sendo um direito de toda mulher, todas as fases do ciclo gestacional são discutidas, esclarecendo-se que a futura mamãe deve ser orientada pelos profissionais de saúde sobre o que irá acontecer a ela e ao bebê na hora do parto propriamente dito. Isto significa, também que suas perguntas devem ser respondidas com clareza pelos profissionais que lhe prestam atendimento, e que suas crenças e valores culturais devem ser respeitados nesses contatos.

Em todos os momentos da gravidez, é fundamental que a gestante sinta apoio e segurança por parte de seu companheiro e de sua família, principalmente no parto, enfocado como sendo um momento em que a mulher deve estar assistida pela família e pelo companheiro, que deve tratá-la com carinho e auxiliar em alguns procedimentos que facilitarão a chegada do filho do casal ao mundo. Isto pode causar alguma surpresa e estranhamento em certas comunidades onde a mulher, até então, esteve absolutamente sozinha com os profissionais de saúde neste momento, de modo que é importante enfatizar o porquê de os familiares estarem ao seu lado na hora do parto.

Cuidados como estes devem ser redobrados, no caso de ser a primeira gravidez da mulher ou quando a gestante é muito jovem.

O tema será tratado de forma abrangente, quando possível descendo a detalhes técnicos, mas, esclarecendo sobre as fases do parto e dando atenção especial à exames, em função da necessidade de o profissional de saúde fazer um diagnóstico correto.

O objetivo da humanização é garantir um nascimento natural, saudável e prevenir a mortalidade dos recém-nascidos e das mulheres durante o parto.

Qualquer dúvida estaremos aqui para ajudar! ;)

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17 de fevereiro de 2011

Exercicios preparatórios para o parto

Quem já passou pelo parto sabe que parir é trabalhoso, por isso se chama "trabalho de parto". =)

O parto não é um sofrimento, mas requer da mulher um grande esforço.

Costumo dizer que parto é como uma "maratona", e todo bom corredor sabe que precisa treinar para correr uma maratona. Com o parto não é diferente, é preciso ter um pouco de técnica e prática para conseguir chegar "inteira" no final.

Claro que tem também questões psicológicas e emocionais, as quais contribuem bastante para um parto rapido e mais fácil, mas ao começar pelos exercícios fisicos e a respiração, nosso estado emocional e psicológico se "abre" mais facilmente para o processo.

Segue aqui uma sequencia bem simples e fácil de exercicios preparatorios para facilitar o trabalho de parto.

Vamos praticar?

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16 de fevereiro de 2011

Ensinando Português a brasileirinhos do exterior

Todo mundo que mora fora do Brasil, que pensa em voltar ou que simplesmente não quer perder as origens, pensa nesse assunto, cedo ou tarde.
E é complicado ensinar a Língua Portuguesa, cheia de truques, mudanças ortográficas, verbos irregulares, esses, cês e cedilhas, gês e jotas.

Eu não tenho propriedade nenhuma para falar do assunto, portanto, vou falar só da minha experiência com as crianças de casa.

Eu faço algumas coisas, como sempre ler historinhas passando o dedo por debaixo da onde estou lendo. Também fiz cartões com as sílabas e eles podiam brincar com eles, usando para formar palavras, jogar baralho, simplesmente jogar para cima, enfim. Liberdade. Muitas vezes eles vinham me perguntar que sílaba era aquela e alguma palavra que a continha.

E só. Nada de cartilhas, musiquinhas, "B+A=BA".

Meu filho do meio, com 4 anos aprendeu a ler sozinho. Pegou um livro de dinossauros, um dia, me chamou e perguntou o que era uma das palavras (acho que era "braquiossauro" ou alguma coisa assim). Eu li e ele leu a frase inteira. E a página inteira. Ele estava alfabetizado. Ele ainda não escreve, mas mais por falta de coordenação motora e preguiça do que por não saber.

A mais velha, hoje, com 7 anos, veio me pedir a receita de um bolo. Eu falei e ela foi escrevendo. Errou algumas vezes, nós lemos juntas e corrigimos depois. Simples assim. Nunca chamei para ler, para escrever, para nada.
Mas ela já sabia ler e escrever em japonês desde o ano passado.

O menor, de 3 anos, bom, eu queria que ele não aprendesse a ler ainda, mas ele já lê algumas coisas, como o nome dele, os dos irmãos, o meu e do meu marido, "mamãe" e "papai", "gato", "bola", "super mario bros". E estávamos brincando com o do meio quando o pequeno perguntou como escrevia "mario". Soletrei e ele escreveu. E escreveu umas 4 palavras. Provavelmente não saberia ler depois, mas já está se alfabetizando sozinho.

Então, minha sugestão é: livros sempre ao alcance das mãozinhas, paciência quando eles vêm perguntar como se lê 50000 palavras em meia hora e não ouvem, ler sempre devagar, com calma e vontade e muito amor.
Aos poucos, eles aprendem. Forçar para ensinar não ajuda. Melhor deixar que eles aprendam quando estiverem prontos. Pode ser antes ou depois de aprenderem uma outra língua.
Às vezes, fica confuso e/ou cansativo ter que aprender duas (ou mais) línguas ao mesmo tempo.

Pode ser com 10, 15 anos, mas eles aprendem. Eles têm a vida toda...

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O outro lado do rio

A Dra. Catia Chuba é médica obstetra e ginecologista, mora no Brasil, é mãe do Gustavo, de 6 anos, nascido de uma cesárea, e da Beatriz, de 1 ano, nascida de um lindo parto natural domiciliar.

É ativista do parto Humanizado e hoje atende partos domiciliares e hospitalares em São Paulo e foi quem escreveu esse maravilhoso texto sobre sua mudança de vida quando descobriu o movimento de humanização!

Acho curioso contar que durante minha formação, na Residência, haviam várias coisas que me incomodavam.....cheguei a questionar se tinha escolhido a especialidade certa. Mas ao mesmo tempo em que aquilo tudo me atraía, tinha um quê de repulsa. Nunca digeri bem a conduta médica padrão - nada personalizada -, e porque precisava botar soro com ocitocina em todo mundo, porque precisava romper bolsa no meio do trabalho de parto, e porque tinha que fazer analgesia.

Bom, a analgesia é um capítulo a parte. A dor é sempre vista como algo nocivo e que traz sofrimento. Isso me alfinetava.

Mas sucumbia diante dos meus residentes veteranos e professores. Vamos dar logo a analgesia para essa mulher ficar quieta!!

Acostumei com essa visão de que o corpo não era uma morada perfeita. Como uma vez me disse Ric Jones: vivemos como equilibristas na corda bomba. Somos muito vulneráveis, por isso a Medicina tem tanto poder.

Engravidei pela primeira vez em 2002. Estava coletando dados e revisando lâminas de patologia para meu Mestrado, e atendendo sistematicamente casos de Medicina Fetal, já de olho num prospectivo para o Doutorado. Todos os dias, num hospital terciário (referência), para onde são encaminhados casos graves, via pelo menos 10 gestantes com diferentes graus de insuficiência placentária. Este era meu trabalho.

Aliás, se alguém tiver interesse em dar uma olhada na minha dissertação:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-12082005-163445/

Estava grávida, fragilizada pelas circunstâncias, exposta aos meus professores, que queriam bisbilhotar minha barriga toda semana. E sucumbi diante de um diagnóstico de diminuição de LA e circulares de cordão.

Essa cesárea em outubro de 2002 foi um divisor de águas.

Tive depressão, revirei mundos e fundos......muitas constatações, reflexões...

Parei de atender obstetrícia, até porque trabalhava com minha professora, a mesma que fez minha cesárea.

Hoje penso que essa cesárea foi necessária, no sentido cármico, porque se eu tivesse tido um parto normal, mesmo frank, acho que não teria tido essa metamorfose.

Quando o Gustavo fez 1 ano, e me vi na situação de precisar colocá-lo num berçário, a Antroposofia/Pedagogia Waldorf caíram no meu colo, por uma série de coincidências felizes.

E este foi outro divisor de águas...comecei a ler muito, estudar, freqüentar palestras, e me identificando cada vez mais com tudo. A visão do Homem como um ser complexo, formado por vários corpos/envoltórios que se sobrepõem, e que precisam ser considerados integralmente, me fascinaram de cara.

Fui fazendo brainstorms com meu marido, e cada vez mais incorporando coisas da Antroposofia na nossa vida. Não tudo, mas as coisas que cabiam, viáveis, e que concordávamos.

Neste ponto da minha vida, ainda sem me aprofundar em questões da humanização do nascimento, olhei pra trás, e não me reconhecia em tudo que vivi e fui.

Nesta fase, abandonamos alopatia, fugíamos de hospital e blá-blá-blás que não levavam a lugar nenhum.

Engraçado que nesta fase comecei a questionar o porquê de não confiarmos no corpo.

E de novo, não olhando para a questão do parto, mas para uma simples febre e/ou virose infantil.
Por que tanto medo, e tanta desconfiança??

Por que agora não somos mais capazes de assumir o rumo de nossos próprios corpos e vidas, dependendo de tantas medicações, antibióticos, analgésicos e vacinas para "sobreviver"...

Sim, sobreviver é a palavra!

Nesta concepção, somos sobreviventes, e não seres humanos livres!

Por que tudo mudou tanto nos últimos 100 anos (para não citar épocas mais antigas).

Será que a gente tem que considerar a falência do corpo como marco 'evolutivo' da humanidade, que cresceu tanto no sentido tecnológico e materialista, e involuiu tanto no sentido da espiritualidade, do entendimento supra-sensível, da reverência aos processos naturais, etc.

Esse pra mim foi o grande ponto! Talvez o ponto que me fez tomar o barco para descer do outro lado.

Daí pra frente foi uma avalanche. Engravidei novamente no início de 2007, fui enfrentando meus fantasmas, olhando para o passado e futuro, acreditando cada vez mais em mim, na capacidade do meu corpo, e daí foi um pulo para o desejo de parir em casa. Eu merecia essa experiência. E se eu tiver mais 10 filhos, todos nascerão em casa.

Hoje acredito que lugar de nascer e morrer é em casa.

Do parto em diante, nada mais foi como antes, a vida profissional principalmente.

É muito sofrido e angustiante trabalhar com discordância de filosofia e crenças, trabalhar completamente para a matrix, estando fora dela. Vocês conseguem imaginar tamanho contra-senso?

E aí, apoiada pelo Dr. Jorge Kuhn e pela Ana Cris Duarte, fui voltando, voltando, e voltei de vez!

E posso dizer que estou adorando o outro lado do rio...!

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13 de fevereiro de 2011

Empoderamento: exercendo seu poder na hora de escolher



O texto abaixo está na integra no Mamiferas, e serve para pensarmos na forma com que fazemos nossas escolhas na maternidade.
Boa Leitura!




Afinal, de onde é que saiu essa história de empoderar? Palavrinha estranha! Confesso que estou bem longe de iniciar aqui uma discussão etimológica, mas me parece óbvio que é a tradução direta de Empowerement. Mas por que diabos escolher dizer “empoderar” ao invés de usar uma tradução mais simples e comum como “fortalecer”, por exemplo?

Porque, acredito eu, a grande questão não é a de ser forte, de agüentar o tranco. Empoderar é mais do que isso. É realmente descobrir, reconhecer, vivenciar, assumir e fazer uso do seu próprio poder. Não é segurar a onda e aceitar algo imposto, mas sim impor seus desejos e suas vontades, chamar a responsabilidade para si mesma, bater no peito e dizer: vem, que a escolha é minha, tô aqui pro que der e vier!

Empoderar é como crescer e se assumir mesmo. Amadurecer, conhecer e lidar com riscos e conseqüências. Tem gente que já nasce assim, empoderada por natureza, mas acho que é raro. Em geral é um processo de crescimento e autoconhecimento, que envolve muita autoconfiança, muita segurança, muita certeza do que se é, do que se quer e de onde se quer chegar.

Lendo isso tudo aí você pode até pensar: nossa, passei longe de empoderar! Mas é que não é algo assim que acontece de uma hora para outra! Experiência própria. Pra mim foi um longo processo, levou muito tempo, custou algumas lágrimas, certas frustações acumuladas e boa dose de fichas caindo, de entendimentos, mas um belo dia eu enfim percebi que empoderei como mãe!

Falta muita coisa ainda. Falta empoderar como profissional, falta empoderar como mulher, falta empoderar como cidadã, falta empoderar em vários outros aspectos da minha vida, mas um enorme passo foi dado e é daqueles que não tem volta mais. Esse tipo de poder não é retirado mais. É algo que passa a fazer parte de você, ainda bem!

E você? Já tomou consciência do seu próprio poder? Se sim, como é que foi? Ainda não!? Que é que tá faltando?

"...Perder-se também é caminho..."
(Clarice Lispector)

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11 de fevereiro de 2011

Brinquedo pra quê?

Até um tempinho atrás, eu achava que criança precisava de brinquedo. Eles sempre gostaram de brincar com tupperwares, panelas, colheres de pau, pano de chão, mas nunca tinham deixado de brincar com os brinquedos.
Claro que, com a quantidade absurda de brinquedos que eles têm, eles nunca brincavam com todos.
E nunca guardavam tudo.

Quando viemos para cá, trouxemos 10 brinquedos de cada criança, escolhidos por eles mesmos.
Não importava se eram caros, baratos, grandes, pequenos, lindos, feios, novos, velhos, inteiros ou quebrados: eles escolheram sozinhos. E viemos. Ainda empacotamos muitos outros para virem na mudança. Eu tinha certeza de que ia precisar deixar jogar muito videogame e ver muito DVD enquanto os outros brinquedos não chegavam, mas estava enganada.

Hoje eles brincam com os brinquedinhos deles, claro, mas também brincam imaginando: é espada de colher de pau, é comidinha de pedra, sushi de conchas, bolo de cesta de roupas, aquário de banquinho, corridas, shows, passeios de carro imaginário para a neve (na nossa cama com o cobertor branco), trens feitos de canetinhas, mamães, papais e filhinhos, cangurus, guaxinins, macacos, procurar bichos no quintal, .....

Isso é tão legal! Eu achava que meus filhos não iriam nunca saber inventar, imaginar, criar, porque eles não foram criados assim: sempre tiveram brinquedos para todas as situações. Mas eles conseguem. Crianças são assim, mutantes. Nada mais lindo!
Outra coisa que eu posso dizer sobre a falta de brinquedos é que eles aprenderam a se dar melhor. Brigam menos, porque os poucos brinquedos que vieram são de todo mundo. Todo mundo brinca junto. Claro que um ainda puxa da mão do outro, mas nada que uma conversa e um abraço apertado não resolva.

E quer saber o que mais: eles jogam muito pouco videogame (uma ou duas vezes por semana, por meia hora, quarenta minutos) e nunca mais pediram DVD.
Todo mundo mais calmo, mais amigo, mais feliz.
Se você tiver a oportunidade, faça a experiência: tire brinquedos quebrados, não usados do caminho. Guarde videogames e DVDs longe do alcance da vista dos pequenos. E não interfira! Deixe que eles brinquem livremente, inventem, imaginem.
Aqui em casa, o saldo foi 100% positivo.

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7 de fevereiro de 2011

Sobre o sofrimento no parto normal

Esse, é um dos medos das mulheres que responderam a pesquisa, e que na verdade indica duas coisas: FALTA DE INFORMAÇÃO e MEDO DO DESCONHECIDO.

Eu já tive medo do parto normal, mas agora não tenho mais, porque hoje para todas as minhas dúvidas eu busco respostas de gente BEM INFORMADA, profissionais humanizados e experiencia de mulheres que acreditam no poder da natureza.

Vejo que muitas mulheres que tem medo do parto não sabem nem o que é episiotomia, ocitocina ou contrações de Braxton Hicks, e se dizem: BEM INFORMADAS!

Claro, que eu não sei tudo, mas algumas coisas, como as que citei acima, são o minimo.

Aqui no Japão, dá pra questionar, argumentar com o médico, mas é preciso estar ARMADA de informação. A informação é o principal para se ter um parto tranquilo, sem "sofrer" pelo que eu percebo aqui.

Eu me lembro que minha mãe contava relatos de seus partos assim:
- Sofri mais no parto do fulano, menos no de ciclano...
E assim escutei relatos de tias, primas e irmãs que pariram antes de mim.

Agora, depois que eu pari, eu passei a entender que o parto dói, mas não é "sofrido", só é sofrido se acontecerem coisas que estavam totalmente fora do que é natural, caso contrário, NÃO HÁ SOFRIMENTO no parto normal.

Sofrer é: perder alguém, ter um acidente, passar por uma desgraça.

Parir é sentir que "através" da dor você: traz vida ao mundo, vence obstáculos e ultrapassa limites inimagináveis.

E você já pariu? Gostaria de partilhar sua experiencia conosco e nossas leitoras?
Deixe o relato de sua experiência para ajudar outras mães.

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4 de fevereiro de 2011

E para comer.....

Por Thais Saito

Os bebês nascem e mamam.
E tudo o que a gente precisa fazer é dar o peito.
Fácil, de graça, rápido, prático.

Mas logo eles crescem.... E chega a hora da papinha.

E agora, que tal falarmos mais dela?

Uma médica homeopata que tratou minhas crianças por muito tempo dizia que a hora ideal para começar a complementar a amamentação com a papinha era quando o bebê ficava sentado sozinho. Segundo ela, nessa hora o sistema digestivo do bebê está pronto para começar a comer.
Mas existem muitas outras teorias, e cada um precisa escolher a que melhor se encaixa na sua vida.

Na macrobiótica, introduz a papinha quando nasce o primeiro dente.

Para a medicina alopática comum, com 4, 5 ou 6 meses é o tempo ideal.

O meu jeito é o mais simples: quando o bebê pede a comida, eu dou. Se ele não quer comer um dia, não come. Se quer no outro, come. Minha Melissa começou a comer com 4 meses e meio. O João, com 8 meses e meio. E o Zé, com 7 meses. Todos são saudáveis. O João é o mais difícil pra comer, mas não chega a dar problemas.

Eu li bastante, pesquisei e introduzi a alimentação do modo que eu acho melhor.
A papinha que eu dei para os dois últimos era um purê. De alguma coisa. Só UM legume. Um.
Cada dia, um purê diferente. Com um fiozinho de azeite e uma pitadinha de nada de sal. Muito pouco, mesmo.

Duas semanas depois, começava a colocar uma raiz (batata, beterraba, rabanete, cenoura, mandioca, batata doce, nabo), uma flor ou folha (couve flor, brócolis, couve manteiga, espinafre, acelga, enfim, qualquer coisa assim) e um fruto (tomate, abóbora, abobrinha, chuchu, pepino, quiabo).
Cortava tudo em cubinhos, colocava pra cozinhar no vapor. Separava em porções e congelava. Dava pra ter papinha pro mês todo, variando bem. Na hora de servir, amassava no garfo, um fio de azeite e uma pitadinha de sal.

Quando essa alimentação estivesse estabelecida, começava a dar fruta no café da manhã. Dependendo da aceitação, dava de tarde, também. Sempre dei de tudo: desde banana à kiwi.

E mais um tempinho (quando o bebê já estivesse comendo bem) e colocava uma leguminosa (feijão, ervilha, lentilha) e um cereal (milho, arroz, aveia). Amassava tudo e dava com azeite e sal.

Mas nunca fiz feijão separado. Era o feijão temperado, o arroz integral de todo mundo. Também colocava um pouquinho da carne.

Seguindo essa regra geral, a alimentação sempre foi boa. Quando decidimos pelo vegetarianismo, comecei a processar oleaginosas (nozes, castanhas, gergelim) e misturar. E colocava no almoço azeite de oliva e, na janta, óleo de linhaça.

Pelo que eu já estudei do assunto, esse é o melhor jeito de introduzir a alimentação dos bebês.

Outro ponto importante é oferecer água sempre, o dia todo, várias vezes.

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